Episódios de Economia

Renegociação de dívidas rurais avança lentamente e preocupa produtores

22 de setembro de 20264min
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Cassiano Ribeiro comenta que a renegociação das dívidas rurais avança em ritmo abaixo do esperado, apesar do potencial de atingir cerca de R$ 120 bilhões. Menos de R$ 4 bilhões foram liberados em aproximadamente 20 mil operações desde o lançamento da Medida Provisória, há cerca de dois meses.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cassiano Ribeiro

ComentaristaJornalista
Assuntos3
  • A lenta renegociação de dívidas rurais e seus impactos no setorpotencial de R$120 bilhões em dívidas·apenas R$4 bilhões liberados em 2 meses·MP 13.760 é muito restritiva·produtores não conseguem acessar por tipo de dívida·impacto direto em plantio menor
  • Restrições da MP 13.760 impedem acesso de produtores à renegociaçãodívidas de custeio são priorizadas·produtores com dívidas de capital de giro não se enquadram·problema de enquadramento da CPR·produtores do Rio Grande do Sul afetados
  • Consequências da dificuldade de acesso ao crédito para o agronegócioplantio menor no Rio Grande do Sul·queda de 26% na produção de trigo no Brasil·afeta o PIB do setor·agricultores impedidos de plantar
Transcrição5 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CRCassiano Ribeiro

CBM Agro com Cassiano Ribeiro, da Globo Rural.

CACarlos Alberto Sardenberg

Cassiano com a gente aqui no estúdio. Cassiano, boa tarde. O assunto é a renegociação das dívidas rurais. Há um potencial de negociação de R$120 bilhões em dívidas, mas tá indo muito devagar, muito devagar.

CRCassiano Ribeiro

Sardenberg, boa tarde para você, para Cássia, todos os nossos ouvintes. Segundo os dados que a gente levantou, nosso repórter lá de Brasília levantou, é o Rafael Wallendorf, nesses 2 meses aí desde lançada a MP 13.760, menos de R$4 bilhões foram liberados aí numa operação total de 20 mil operações. É um número muito baixo, Sardenberg, para quem tava falando que havia uma grande urgência de um tema aí relevante para o setor, porque a safra não pode esperar, né?

A chuva não espera, o sol não espera, os produtores têm aí o seu calendário de plantio. Então eu conversei hoje mais cedo com o economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, o Antônio da Luz, que é um dos estados lá que mais tem problemas porque vem sofrendo aí perdas por causa de adversidades climáticas. E o que ele me falou é que o produtor não tá conseguindo acessar por uma restrição da SMP. A MP, ela é muito restritiva.

Então o produtor chega no banco, ele pede lá renegociação de dívidas, e o problema não é nem ele comprovar que ele teve perdas, que é uma das condições para ele conseguir acessar, é que o tipo de dívida de muitos produtores não se enquadra a essa MP. Então a MP libera, por exemplo, quem tá com problema de dívida ou inadimplência com o custeio, que é a linha ali que o produtor pega para fazer plantio, comprar semente, comprar os insumos básicos para safra.

Mas muitos produtores, ele citou o caso do Rio Grande do Sul, que o produtor tem 3, 4 anos seguidos de prejuízo, No ano passado, o produtor chegou para o banco para pegar dinheiro, já não conseguia porque tava inadimplente. Aí o banco falou assim, ó, tem uma linha aqui que é, por exemplo, de capital de giro. Se você quiser, essa eu consigo liberar. Custeio eu não consigo porque você tá inadimplente. Produtor pegou essa linha e não conseguiu pagar, ficou inadimplente.

Então esse produtor que volta hoje para pegar renegociação e acessar SMP, ele não consegue pegar essa, essa, esse, não tem acesso a esse crédito. Então Esse é um dos problemas. O outro é que o produtor, por exemplo, conseguiu, não consegue ali renegociar CPR. CPR você só consegue negociar, que é a cédula do produtor rural, quando você vai pagar outra CPR. Mas produtor não pegou CPR para fazer plantio, por exemplo. Então tem um problema de enquadramento que parece aí ser o principal problema desses produtores que não estão conseguindo acessar MP.

E o impacto disso é direto num plantio menor. No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, os produtores já cultivaram menos nesse ano porque estão com problema de endividamento, tem um super El Niño, produção de trigo, por exemplo, estado é o maior produtor nacional de trigo, deve cair 26% no Brasil justamente porque o Rio Grande do Sul não conseguiu plantar porque o preço não tava bom, tava inadimplente. Enfim, uma situação aí que afeta diretamente a economia, o PIB do setor, a situação dos agricultores que ficam ainda impedidos de acessar crédito e plantar.

CACarlos Alberto Sardenberg

Ou seja, precisa mexer em alguma coisa para destravar essas renegociações. Cassiano Ribeiro, obrigado, Cassiano.

CRCassiano Ribeiro

Até, valeu, Sardenberg. Valeu, Cássio. Até a semana que vem. Até a semana que vem, Cassiano.

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