Tesouro Direto: entenda quando e por que negociações são suspensas
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Cássia
Marcelo d'Agosto
- Suspensão das negociações do Tesouro Direto após reajuste do Bolsa Famíliataxas dos títulos refletem preço de mercado·evento importante muda preço dos títulos·Tesouro espera definições para abrir negócios·anúncio do reajuste do Bolsa Família
- Impacto do aumento de despesas no orçamento do governo e dívida públicaaumento de despesa gera impacto no orçamento·aumento do déficit público·aumento da dívida pública·dívida mais alta implica juros mais elevados
- Retorno das negociações do Tesouro Direto sem grandes impactos nas taxasnegociações voltaram ao normal·sem grandes impactos nas taxas·continua sendo boa oportunidade para investir
- Diferença entre déficit do governo e despesas de pessoas e famíliasgoverno pode gastar antes de se financiar·importância das regras fiscais
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CBN Dinheiro com Marcelo D'Agosto. Muito bom dia para você, Marcelo D'Agosto.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Bom dia, Marcelo.
A Cristina, nossa ouvinte de São Paulo, diz que viu na internet que o Tesouro Direto teve que interromper as negociações na semana passada por causa do reajuste do Bolsa Família. Isso realmente aconteceu e por quê? Pergunta Cristina.
Olha, Cristina, as taxas dos títulos negociados no Tesouro Direto refletem o preço de mercado naquele dia. Quando acontece algum evento importante que não, e que não tava previsto, o preço dos títulos pode mudar. E o Tesouro Direto então espera as definições das novas cotações para abrir os negócios. Isso não chega a ser um fato incomum. Toda vez que tem um evento relevante, as negociações são suspensas. E foi o que aconteceu na semana passada, depois do anúncio do reajuste do Bolsa Família.
A explicação é que qualquer aumento de despesa gera um impacto no orçamento do governo. E se não tiver um remanejamento de outros gastos, aumenta o déficit público, que por sua vez aumenta a dívida pública, que já tá alta. E teoricamente, dívida mais alta implica juros mais elevados. Essa é a lógica toda dessa movimentação. O principal temor do reajuste do Bolsa Família é desencadear uma demanda por outros reajustes, e aí o governo pode ter que ceder e agravar o problema das contas públicas.
Só um detalhe, mas que é importante: o déficit do governo é diferente das despesas das pessoas e das famílias. Para a gente gastar mais do que o nosso orçamento, a gente precisa primeiro se endividar, pegar um financiamento lá no banco. O governo pode gastar antes e só depois pensar como vai se financiar. E é por isso que as regras fiscais são importantes. Agora, em resumo, na quinta-feira da semana passada, o Tesouro Direto de fato interrompeu momentaneamente as negociações.
O motivo alegado foi o anúncio do reajuste do Bolsa Família, mas logo depois os negócios voltaram ao normal e sem grandes impactos nas taxas. Então hoje continua a negociação normalmente. Se você quiser investir, continua sendo uma boa oportunidade.
Muito obrigado, Marcelo D'Agosto. Muito obrigado também ao nosso ouvinte que mandou a mensagem aqui para cbndinheiro@cbn.com.br. Até amanhã, Marcelo.
Até amanhã, um abraço.
Até amanhã.