Reajuste do Bolsa Família expõe desafio de tornar gasto social mais eficiente
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Míriam Leitão
Cássia
- O reajuste do Bolsa Família e seu viés eleitoreiro no período pré-eleitoralcalendário eleitoral e o anúncio do reajuste·governo justifica o aumento pela inflação·comparação com o governo Bolsonaro
- A necessidade de revisar o Bolsa Família para torná-lo mais eficienteprograma ficando ineficiente em alguns pontos·família de 3 pessoas recebe o mesmo que unipessoal·reestudar gastos sociais para maior eficiência
- O impacto orçamentário do reajuste do Bolsa Família e o remanejamento de despesascusto extra de R$22 bilhões para o ano que vem·remanejamento nas despesas já previstas·margem para o aumento este ano
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Bom dia para você, Miriam.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Bom dia, Miriam.
Miriam, é difícil desconectar o anúncio de ontem sobre reajuste do Bolsa Família do período eleitoral. O governo até traz alguns dados técnicos para tentar justificar esse aumento neste momento.
Pois é, é impossível desconectar porque o calendário é esse. Ontem era 17 dias das eleições, então o aumento concedido agora É um aumento que tem viés eleitoreiro, não tem dúvida disso. O que o governo coloca que reduz esse impacto, atenua ou explica melhor esse momento? Primeiro, que é só um reajuste pela inflação. O Bolsa Família não foi aumentado durante o governo Lula 3, não teve aumento. Ele teve apenas uma criação de benefício que se acoplaram a alguns, que se acoplaram ao benefício principal em razão da natureza da família.
Família com criança pequena recebe um pouco mais, a família com— então tem várias características que fizeram com que os benefícios laterais que se acoplam ao Bolsa Família não tivessem aumento. Aumentou o custo geral do programa, mas esse valor básico permaneceu igual. E aí muita gente compara com o que aconteceu no governo Bolsonaro e foi totalmente diferente. Eles agora estão dizendo, olha, seguinte, nós vamos remanejar o orçamento para ficar dentro do orçamento.
E eles, a Ministéria da Fazenda acabou de dizer que para esse ano não precisa porque tem uma folga que vão usar, vai ser usada essa folga para o ano que vem, para o orçamento de 2027. Eles vão precisar reorganizar as despesas para caber esse R$22 bilhões a mais, que é o custo extra com esse aumento de 15%. Então, outra coisa, o governo Bolsonaro, ele fez um aumento, ele deu um aumento de 50% do nada. Ele era até contra o programa, ele sempre foi um crítico do programa, manteve o programa porque não teve condições políticas de tirar.
Veio a pandemia, ele criou o Auxílio Emergencial, que teve um universo muito maior de pessoas. E depois ele recriou como o nome de Auxílio Brasil o que é Bolsa Família. Mas ele sempre foi um crítico do Bolsa Família. E ele de repente dá um aumento de 50%. Pior, o aumento do Bolsonaro, ele tinha um período curto de vigência, apenas no período eleitoral. Era muito mais descarado o uso eleitoreiro, porque ele acabava em dezembro e o orçamento de 2023 não continha nenhuma previsão de gasto.
Precisou o governo Lula negociar na transição. Isso eu quero falar para mostrar a diferença dos dois movimentos, ainda que seja ambos movimentos para atrair eleitores. E eu tô vendo muitas críticas, economistas estão principalmente criticando falando que isso aumenta gasto e tal. O pessoal de mercado financeiro tem uma visão muito de, da planilha de gastos. Eles não olham nem a natureza ou mérito dos gastos. Mas tem alguns economistas que falam coisas de maior substância.
Eu queria destacar a Laura Miller Machado, porque ela é uma estudiosa, estudiosa de programas sociais. O que ela está dizendo é muito interessante. Que é mais importante teria sido e precisará ser feito uma análise do programa como um todo, porque ele tá ficando ineficiente em alguns pontos. Ela citou um ponto: uma família de 3 pessoas, mãe e 2 crianças, recebe a mesma coisa que uma família unipessoal. Então, que é R$600, o que ele agora vai ser um pouco mais, 15% a mais.
Então, o que precisa é que o Armínio Fraga também tá falando isso, vamos reestudar os gastos sociais para que eles sejam mais eficientes e eventualmente mais baratos, mais custem menos, né? Isso é interessante. Não é possível fazer em período eleitoral, mas é preciso rever os gastos sociais para que eles fiquem principalmente mais eficientes. Quanto mais eles forem para quem realmente precisa, mais eficiente é, Cássia.
E Miriam, dá para dizer que haverá algum tipo de rearranjo dentro da equipe econômica do governo para garantir que isso não signifique simplesmente um aumento dos gastos?
Olha, o que eles estão falando que eles vão fazer é que esse ano cabe dentro dessa, tem uma margem para fazer esse aumento. Esse ano o custo a mais é R$6 bilhões. Para o ano que vem então seria R$22 bilhões. E nesse momento eles estão dizendo que estão fazendo um remanejamento nas despesas já previstas no orçamento. Mas claro, não pode deixar de falar que é uma decisão eleitoreira, mas também não pode deixar de falar que recupera a inflação e não é apenas uma atualização do valor pela inflação transcorrida desde o começo do governo Lula até agosto.
E ao contrário do que foi feito no governo anterior, essa diferença tem que constar, da mesma forma que tem que constar a que tem que constar a afirmação de que de fato é uma decisão eleitoreira tomada há 17 dias da eleição.
Muito obrigado, Miriam. Um bom dia para você.
Bom dia para todos nós. Até mais tarde, Cássia.
E eu até aproveito para lembrar, a Miriam chamou atenção sobre essa discussão de uma reestruturação do Bolsa Família. Foi exatamente o nosso tema de ontem nos 50 Debates para o Brasil, que fica à sua disposição Lá na nossa plataforma de aplicativo, de podcast e também no canal da CBN no YouTube.
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