Queda da Selic não alivia preocupação com a dívida pública
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Dia a dia da economia com Miriam Leitão. E aí, Miriam?
Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Leandro. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN.
Boa tarde, Bília. Hoje, quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central vai concluir a sua reunião e com certeza vai reduzir a taxa básica de juros para 14%. Essa é a chamada taxa Selic de curto prazo. Mas o que tá preocupando mesmo, isso é dado como consensual, mas o que tá preocupando mesmo o governo, mercado, analistas é que o Tesouro Nacional, Tesouro, está pagando cada vez mais caro para colocar os seus papéis no mercado, para rolar a dívida no mercado.
Cita-se que o principal título do Tesouro, a NTN-B, tá pagando inflação mais juros reais de 8%. Há pouco tempo atrás eram juros reais de 6%, e isso, Miriam, é uma bola de neve, né?
Isso é assim uma bola de neve, é um círculo vicioso, né? Porque os juros são altos, a dívida cresce, e a dívida cresce, aumenta a preocupação, eles pedem mais juros para rolagem da dívida. Num período eleitoral isso fica muito mais tenso, até porque nenhum dos candidatos tá dizendo exatamente o que pretende fazer para enfrentar o problema. Fiscal brasileiro. Nenhum está dizendo. Claro que a cobrança maior recai sobre o presidente Lula, porque ele é o incumbente e ele tá na frente das pesquisas.
Então recai sobre ele o pedido de explicação. Tem, eu tenho conversado com o governo, eles falam de um ajuste de 2 pontos percentuais do PIB no ano que vem. O ministro do PIB, de gastos públicos, de gastos primários, ele chegou a falar no mercado financeiro sobre reduzir o teto desse aumento possível nos gastos primários, né, fazer que é 2,5% e seria reduzido. E ele não disse para onde, mas o que os economistas têm prescrito é que haja um congelamento, que não haja aumento, que não haja permissão desse aumento de dívida, porque isso seria um tratamento muito leniente.
Aí tem uma mistura muito complicada de assuntos. O que o governo tem dito, e alguns economistas que eu ouço, por exemplo, né, Mansueto Almeida, é que houve—
Miriam, perdemos o contato com a Miriam Leitão, que falava Justamente dessa necessidade de ajuste fiscal no ano que vem, né, Sardenberg? O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem dito que a partir do ano que vem é preciso fazer esse ajuste fiscal, mas precisa combinar com o presidente Lula, né? Não, precisa combinar com o presidente Lula e combinar com ele próprio, né? Porque ele disse que vai ter um ajuste fiscal, mas não disse exatamente como será feito esse ajuste fiscal, pelo que lado será feito esse ajuste.
Fiscal. A Miriam então tava citando o fato de o Banco, Tesouro Nacional, Tesouro Nacional, sabe esses títulos aí, para ficar mais fácil para o entendimento, vários, muita gente investe no Tesouro Direto prefixado, aquele IPCA+ e tal, pessoal compra título Tesouro Direto. Esses títulos que o Tesouro Direto vende É o papel que ele tá vendendo para rolar sua dívida e para pagar o déficit que todo ano tem. E o fato é que o mercado que compra esse, as pessoas que compram, o investidor que compra esses títulos, tá exigindo juros cada vez mais altos.
Como eu dizia há pouco tempo, o juros, essa nota do Tesouro chamado NTN-B, ela pagava a inflação pelo IPCA mais coisa de 6%. E já era alto, né? Quem conseguia comprar esse papel já se sentia muito bem, né? Tô ganhando 6% em termos reais, além da inflação, né? Além da inflação. E agora tá em 8%, inflação mais 8%. Então a situação realmente piorou. Agora a gente volta com a Miraleitão, que estava fazendo o seu comentário sobre as taxas de juros pagas pelo Tesouro e que foi interrompida por uma ligação Míriam, agora de volta para completar seu comentário.
Míriam, pois é, o nosso aplicativo é ótimo, né? Mas ele tem esse detalhe, cai a ligação quando alguém liga. E se alguém que você procurou o dia inteiro, sei lá, eu vi. Desculpa, ouvintes, desculpa, Sardenberg, Leandro. Então, a gente tava falando sobre juros, deixa eu correr para falar disso, né? Porque o que você tava apontando, Sardenberg, é o fato de que A Selic tem caído, hoje vai cair mais uma vez, vai para 14%. Então, 4 reuniões seguidas de queda e caiu 1 ponto percentual, né?
Terá caído quando terminar o dia de hoje, terá caído 1 ponto percentual. Mas nesse mesmo tempo subiu 2 pontos percentuais o custo real da dívida exigida pelo mercado, que é outra que tem muito menos visibilidade. Isso que você tá falando, né? No título NTN-B, que é o título mais comercializado, pedindo cada vez mais. Normalmente em período eleitoral de mais tensão política tem esse aumento do custo. A nossa dívida, ela é, não é apenas alta, ela tem um perfil ruim.
Ela é muito indexada e muito indexada à Selic, muito. Então tem uma, muito pós-fixado. Então fica, quando tem uma crise qualquer crise ou qualquer dúvida, onda de dúvidas, o endividamento cresce muito rapidamente, o custo financeiro do governo cresce muito rapidamente. Então a gente tem que olhar as duas questões, tá? O gasto aumentou, aumentou, mas nos outros governos tinha aumentado também, tinha e tem até caído, mesmo quando você faz a conta inteira.
Eu falo a conta inteira é não aceitando o que ficou acima do arcabouço, da mesma forma que não se aceitava nas contas o que o governo anterior colocava em cima do teto. Porque isso aí é uma tentativa de esconder um dado que não pode ser escondido, porque na dívida pública todos, todas as informações vão. Mesmo que não entre na contabilidade do déficit primário, entrará como endividamento, né? Então a dívida é o dado mais real.
Então há uma preocupação muito grande com a dívida pública por várias razões, não só porque chegou a 81%, 82% na dívida bruta, mas também porque esse perfil tem ficado mais caro, tem ficado pior o perfil nesse ano. Então isso o que exigiria que esse debate é um debate muito árido, mas que houvesse uma, que todos os candidatos responsáveis demonstrassem, tivessem um programa para dizer, olha, eu vou enfrentar esse problema dessa forma, porque isso desorganiza a economia se não for enfrentado.
Mas ninguém tá disposto a fazer isso. E como eu tava dizendo, a cobrança maior cai sobre o presidente Lula, porque é o incumbente e porque é ele que tá na frente nas pesquisas. Hoje, mais uma vez, mostrou isso. Mesmo quando oscila um pouco, ele tá sempre em todos os cenários. Nas pesquisas. Vamos ver como evolui, Sardenberg, mas é um ponto de grande preocupação do mercado financeiro e dos economistas em geral.
Milha Leitão, muitíssimo obrigado. Obrigado, Milha. Até amanhã.
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