Lucro do FGTS vai para o trabalhador, mas saque continua restrito, afirma Gilberto Braga
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Paulo Henrique Galvão
Gilberto Braga
- Liberação do FGTSDistribuição de lucros · Regras de saque · Rendimento comparado à poupança e renda fixa
- Inflação IPCA-15Prévia da inflação oficial · Desaceleração de preços · Impacto dos preços de alimentos e energia
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Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a gente falar mais uma vez com o professor economista Gilberto Braga. CBN valorizando o seu bolso. Gilberto, muito bom dia, tudo bem por aí?
Bom dia, Paulo Henrique Galvão, tudo tranquilo, tudo em paz.
Pois a gente tem dois assuntos muito interessantes hoje, né? Vou começar com um que mexe e muito com o bolso das brasileiras e dos brasileiros, trabalhadoras, trabalhadores, quem tem FGTS. E é uma ótima notícia, eu vou deixar para você dar para os nossos ouvintes, né, Gilberto?
Antes de dar a notícia, deixa eu te fazer uma pergunta. Sim, você ajudou hoje?
Ah, é? Então essa é uma pergunta que nós vamos responder ao longo da vida agora, né, Gilberto? Porque todo mundo vai me perguntar, mas daqui a pouco, no final da nossa conversa, a gente vai responder por que que você tá fazendo essa questão aí para mim, tá?
Tá bom, tá ótimo. Vamos deixar então suspenso. É isso aí, vamos lá então.
FGTS, uma boa notícia, né?
É, para quem tem, né, é uma ótima notícia, né? Então o governo nessa última terça-feira anunciou aí que vai distribuir R$13 bilhões entre os trabalhadores que têm Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Isso aí vai para conta dos trabalhadores, não os 13 bilhões, mas existe aí uma grana considerável que é proporcional a cada um. Ou seja, o lucro que rendeu no ano passado vai ser distribuído para os trabalhadores que têm contas ativas.
Então é aqueles que tinham contas em 31 de dezembro de 2025 terão direito a receber e vai receber aí proporcionalmente uma grana muito alta para poder utilizar dentro das regras do fundo. E aí, o Paulo Henrique Galvão, a primeira pergunta que a turma faz é o seguinte: posso sacar o dinheiro? Não posso? Não, não pode. O dinheiro do FGTS você pode usar de acordo com a regra que disciplina o uso do dinheiro do fundo, né? Então os resgates seguem aquelas regras que já são conhecidas: compra da casa própria, se for demitido por justa causa, ou da data do famoso saque-aniversário, tá?
E é legal que você já destacou para mim aí na nossa conversa anterior, né? A gente sempre bate um papo pelo WhatsApp antes do nosso gravação, né? O jornal O Globo tem lá uma calculadora para o pessoal saber mais ou menos quanto que vai receber, né, Gilberto? É uma quantia considerável, né? Tô vendo aqui, a cada R$10 mil são R$186. Então dinheirinho bom, hein?
Pô, ajuda, né? Quem tem casa própria para pagar prestação, a turma do crédito consignado aí que utiliza o o fundo de garantia como garantia, né? Desculpa a redundância, mas é isso. Quer dizer, o fundo rende muito pouco, né? 3% ao ano mais TR. E o próprio governo fez a conta que com essa distribuição de lucro a gente vai ter um rendimento acumulado de quase 7% no ano, nas contas, em 12 meses, 7%. É muito menos do que os 14% da Caixa Serica, ou seja, não é uma renda fixa, mas ultrapassa a poupança, que rende um pouco mais que a inflação, que cai na casa aí de 4%, para botar uns números redondos.
Então a gente está falando que o FGTS vai render mais que a caderneta e menos que a taxa de juros aí da renda fixa, né, Galvão?
É isso aí. Bom, a gente tem um outro assunto que é muito interessante, muito importante também, e acho que é mais uma boa notícia, né, Gilberto, que é o IPCA-15, aquela prévia da inflação oficial, que veio bem abaixo do que esperava o mercado, não é?
Veio, porque lembrando que o IPCA-15 é aquele que vai de 16 do mês anterior. Então nós estamos em julho, vem de 16 de junho até o dia 15 de julho. Então os 15 dias, né, última quinzena do mês de junho, de alguma forma já estava, digamos assim, na conta, né? As pessoas já sabiam, os especialistas já tinham uma noção do que que aquilo ali significava. E se fazia uma previsão de que viria algo em torno de 0,22, alguma coisa nessa faixa aí.
Veio 0,06, então é como se a gente tivesse aí dividindo por 3, ou seja, veio um terço daquilo que era a projeção do mercado. É uma boa notícia. Agora, o Galvão, por que que a inflação desacelerou?
Sabe por que que ela desacelerou? É, quais foram os itens que fizeram com que ela baixasse? Eu não sei não, Gilberto.
É basicamente o preço da alimentação. E segundo os meus amigos economistas, Se não fosse o preço da energia elétrica, né, da tarifa de iluminação, de luz, de força, que tem um peso muito grande na composição ali do índice do IPCA, a gente teria tido deflação. E o que baixou a inflação foram os preços dos alimentos, que tiveram um grande recuo, sobretudo na chamada alimentação a domicílio. E o que mais caiu foi o preço do tomate, quase 20%, abacate inglesa 10%, café moído, né, que a gente leva para casa, mais de 3%.
O preço das carnes caiu um pouquinho mesmo com Copa do Mundo, né, 0,34%. E agora, por outro lado, que encareceu foi a cebola e o pão francês. Dizer isso, mas quando a gente vê que a comida, que é algo que todo mundo precisa levar para casa, que utiliza parte do seu salário para botar alimentação para família, baixou, é sempre uma boa notícia, né?
Claro. Bom, e a partir desta notícia, todo mundo quer saber, a expectativa é claro é grande para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central na semana que vem, que vai definir a Selic. Tá em 14,25 0,5%. Queria saber a sua expectativa aí diante dessa redução, né? O IPCA 15 em junho tinha dado 0,41%, agora deu 0,06%. Diante desse cenário, qual que é a tua expectativa para a próxima reunião do Copom? E se isso aumenta as expectativas de que a trajetória de queda da Selic possa continuar, né, Gilberto?
Que acho que essa é a grande questão. A gente começou o ano achando que ia fechar em 12%, já estão falando em 14%, que vai parar por aí na próxima reunião. Que que você tá tá prevendo, hein?
Olha, a previsão é essa mesmo, né? Ou seja, de que a gente vai ter pelo menos 0,25, e isso significa que de 14,25 a gente vai para 14. E meus colegas lá na pesquisa Focus, que aquela pesquisa feita aí com cerca de 100 economistas e professores, diz que a taxa vai fechar o ano em 14 5%. É uma boa notícia. Eu acho que a inflação baixando significa que a gente vai numa trajetória boa, até porque aquelas preocupações que a gente vem tendo, que tinha, mas que não desapareceu com relação à guerra entre os Estados Unidos e o Irã— é uma hora que o preço vai para cima, uma hora o preço cai, o petróleo sobe, o petróleo desce.
E idas e vindas, né? O que os economistas, eles têm uma expressão em inglês que é stop and go, né? Ou seja, para e anda, para e anda, para e anda. O preço sobe, cai, e com uma grande amplitude, né? Os economistas chamam de volatilidade. Ou seja, uma hora o preço do barril do Brent tá perto de 100, daqui a pouco baixa para perto, para menos de 70. Então é algo assim inimaginável, né? Se a gente pensa que no início da guerra ele tava em torno de 60, há um ano atrás mais ou menos, então a gente tá falando aí de uma variação que chega a 50% do preço do petróleo só em função da conjuntura.
Vai ter guerra, não vai ter guerra, vai ter acordo, não vai ter acordo, estão negociando a paz, aí não tem paz, aí atacam o Então, e essa confusão toda fez com que ficássemos muito pressionados de uma forma global, inflação mundial pressionada. Internamente a gente ainda tem uma questão fiscal dentro de um ano eleitoral que coloca um pouco mais de tempero nessa confusão toda que a gente tá se analisando aqui. Mas é esse IPCA 15 Ele não deixa dúvidas.
Eu acho que vai ser quase que unanimidade entre os especialistas, a queda da Selic na semana que vem.
Bom, para a gente não estourar demais o tempo, né, vou tentar responder a sua pergunta, viu, Gilberto? E agradeço aí você ter levantado a bola para mim, porque na semana que vem eu não estarei aqui. Quem estará na quarta-feira eu ainda não sei, mas eu não estarei aqui porque na terça à noite farei o lançamento do meu livro, né, que é justamente Um questionamento, uma provocação que você me fez. Quem você ajudou hoje é o título do livro, e o subtítulo: Como a educação focada no coletivo e não no indivíduo pode ser a chave para construção de um país menos desigual, e o que fazer para combater a radicalização que mina as chances de o Brasil avançar e retomar a confiança na política e na democracia.
E por que que eu faço essa provocação, meu caro Gilberto Braga? Porque eu chego à conclusão de que a única forma que a gente pode alterar essa nossa sociedade, que me parece doente, é a gente ter um olhar maior, mais presente para o outro, né? Ter uma sociedade mais empática. Então acho que o primeiro passo é a gente admitir, né, aqueles que estão em situação de privilégio Né? E aí no livro lá eu coloco um trecho de uma entrevista do Ricardo Darim, que ele tá falando lá sobre dinheiro, e o cara pergunta para ele lá se ele não aceitou o filme porque ele queria mais dinheiro.
Ele fala assim: mas para quê mais dinheiro? Eu tomo 2 banhos quentes por dia. É uma das questões que ele coloca. Então eu acho que não só o Darim, mas nós aqui, acredito que boa parte das nossas ouvintes, os nossos ouvintes que conseguem tomar banho quente por dia, que fazem 3 refeições, né? Admitirmos o nosso espaço de privilégio. E a gente só vai mudar essa sociedade quando essas pessoas que estão nesse espaço de privilégio começarem a olhar mais para as outras.
Eu tento de alguma forma ali, com a minha formação em história, em relações internacionais, aclarar o que é direita, o que é esquerda, o que é terceira via. E eu destaco lá o que eu chamei da esquerda de Bobbio, Norberto Bobbio, que dizia que a esquerda, o que distingue a esquerda, não é nada de Estado maior, Estado menor, mas um profundo sentimento de insatisfação diante das iniquidades das sociedades modernas. Então quem olha para uma família que tá na rua, morando na rua, e sente esse, né, esse anise, né, como os americanos falam, esse desconforto, quem vê que tem mais de 700 milhões de pessoas passando fome hoje no mundo, né, e se sente mal com isso, É, tá, vamos dizer, impregnado com esse sentimento, né?
Então, por que que eu coloquei essa pergunta, esse questionamento, né? Porque eu só acho que mudando realmente essa visão, olhar mais para o outro, que a gente vai mudar a sociedade. E aí, só para não estender demais, já tô estendendo, a chave para mim é a educação, né? É trabalhar com as nossas crianças. Não é algo que vai mudar amanhã nem depois de amanhã, talvez com gerações, mas eu agradeço demais ter caído na minha mão um livro da UNESCO que preconiza exatamente essa mudança, mudar o foco da educação do individual para o coletivo.
Porque a gente foi criado para um mundo de competição, né, um mundo em que você tem que ser sempre o vencedor, vencer na vida, vencedores e perdedores. A gente precisa mudar isso. A única forma é tentar fazer com que essas novas gerações cresçam com um olhar mais empático, Sabendo que é alteridade, respeitar o diferente e lutar para que a gente possa mudar esse estado de coisas, que não tá bom não, né, Gilberto?
Não tá bom não, Galvão. E que maravilha, um privilégio poder desfrutar disso. Agora eu só acho que você precisa fazer um comercial, né? Ou seja, essa audiência qualificada do CBN Madrugada quer saber aonde vai ser A que horas, entendeu? Quanto custa o livro? E se pode ir lá tirar uma foto com você e depois postar nas redes sociais?
Não só pode como deve, né? Eu agradeceria demais.
Muita gente que quer te conhecer pessoalmente. A gente tem uma audiência assim absurda. Eu recebo aqui muita mensagem nas minhas redes sociais quando a gente posta uma foto. O pessoal sabe que eu moro no Rio, você fica em São E quando a gente tá junto, a gente grava no estúdio, é sempre uma festa, a gente bota, tira muita foto e o pessoal comenta. Então tem mais ou menos um ano que a gente não se encontra para fazer a coluna junto, é verdade.
E toda semana alguém comenta na nossa foto. É impressionante assim como a força que tem a audiência da Rádio CBN e a qualidade do CBN Madrugada, que a gente tem aqui uma audiência fiel da galera aí que tem um trampo da madrugada, né? Então dá o recado aí, Paulo.
Vamos lá, para mim é um privilégio, Beto, aproveitar também, é contar com a sua participação semanal, que é maravilhosa. Você tem uma forma muito didática de passar as informações. Eu recebo diversas mensagens de ouvindo, de ouvintes destacando exatamente esse aspecto. Espero que em algum momento eu possa estar aí no Rio para de repente fazer o lançamento no Rio também.
Mas era a última pergunta, calendário para o resto do Brasil. Porque semana que vem é só São Paulo, pô.
É isso aí, dia 4 agora então, 4 de agosto, é terça-feira, a partir das 7 da noite, porque eu estarei lá com certeza, né? Vou chegar mais cedo, lá por volta das 6 da tarde, e até às 10 da noite estarei lá no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, na Livraria Drummond. É ali no finalzinho da Paulista, né? Estação Consolação do metrô. Você pegou o metrô, desceu na Consolação, quase ali esquina com Augusta. Isso, exatamente ali. Então terça-feira a partir das 7 da noite, quem quiser nos conhecer e conhecer boa parte aqui do pessoal da rádio, porque eu tô com meu coração aquecido porque eu sei que vai ter muita gente presente lá.
Isso é para mim é uma alegria tremenda contar com esse apoio dos colegas, dos ouvintes. Então tá todo mundo convidado aí para a próxima terça-feira lá no Conjunto Nacional à noite, dia 4 de Quem você ajudou hoje.
Show de bola! Só não falou quanto que vai custar o livro, né?
Então, o livro, o valor exato já tá até à venda nos sites, né? Na Amazon também tem um valor lá, mas eu não sei exatamente quanto que vai estar lá no dia.
Mas é por volta de tirar foto, é de graça, é de graça.
O livro não é caro não. Isso é uma coisa que eu acho muito importante, porque obviamente, né, eu quero atingir o máximo de gente possível, porque O que eu tô propondo aqui realmente é algo muito sério, né? E pra gente precisa de gente pra isso, né? Então o livro tem que ser acessível. Então o livro não vai ser mais do que R$70, eu imagino que vai ser, tá, vai estar em R$60, R$70, alguma coisa nessa linha aí, viu, Gilberto?
Não, maravilha. Eu acho que assim, melhor investimento que tem é educação e cultura. E além de tudo, pra gente fazer a possibilidade de encontrar e fazer novos amigos, né? Então certamente eu não estarei em São Paulo semana que vem, mas o meu livro autografado você vai fazer, com certeza.
Gilberto, mais uma vez muito obrigado pela sua participação. Então estaremos no ar juntos daqui a 15 dias, tá bom?
Abraço a todos, sucesso, e vamos ajudar o Galvão.
Valeu, Giba, obrigado, viu, cara? Nada, Caio, valeu.