Episódios de Economia

Governo precisará apresentar resposta fiscal mais convincente para conter alta da dívida, avalia análise

29 de julho de 20266min
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Míriam Leitão afirma que reduzir o limite de crescimento dos gastos pode ser um passo na direção do ajuste fiscal, mas diz que o próximo governo terá de enfrentar despesas estruturais, como as previdenciárias, para estabilizar a dívida pública.

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Participantes neste episódio1
M

Míriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos2
  • Resposta fiscal do governoDívida pública crescente · Arcabouço fiscal · Gastos primários
  • Gastos PublicosAumento do salário mínimo · Envelhecimento da população
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MLMíriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.

MLMíriam Leitão

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.

MLMíriam Leitão

Bom dia, Miriam.

MLMíriam Leitão

Miriam, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que o governo pode desacelerar o crescimento do limite de gastos do arcabouço fiscal. Aí eu trago esse assunto aqui para você nos ajudar a entender o que isso vai significar.

MLMíriam Leitão

Olha, primeiro, o ministro teria comentado isso no mercado financeiro, mas ele não falou publicamente sobre isso. E o governo precisa dar uma explicação sobre o que ele vai fazer com as contas públicas a partir do ano que vem, caso ele seja eleito, né? Ele tem que, ele tem que explicar o seu projeto, porque aumentou muito a dívida pública. Você pode dizer parte desse aumento, a maior parte desse aumento se explica não pelo aumento do déficit primário, mas sim pelo peso da taxa de juros.

Mas como não é assim, a gente, ah, então vou baixar a taxa de juros para baixar a dívida. Não existe esse mecanismo econômico. Isso aí é um erro do ponto de vista econômico. Você tem que fazer é reduzir suas, os seus gastos primários, reduzir, melhorar a sua perspectiva para que os juros, para que a inflação caia e os juros caiam. Então os juros caem como decorrência da queda da inflação. Como você sabe, ele não pode cair para reduzir a dívida pública.

Seria um erro técnico. Então o que o governo tá precisando fazer é o seguinte: o que que eu posso fazer diante disso? Diante de que eu fiz um arcabouço, arcabouço melhorou um pouco o gasto público primário, caiu, mas hoje tem muita dúvida sobre o arcabouço porque foi colocado muita coisa em cima, né? Assim, o fato, o mesmo erro que foi cometido com o teto de gastos, que um dia desabou, foi porque botaram tanta coisa em cima do teto que o teto desabou.

E o arcabouço é a mesma coisa, ou seja, você tira muitos itens de despesa da conta. Só que você tira isso, fica uma estatística boa, Cássia, mas não resolve o nosso problema. Nosso problema é: nós não podemos ter uma dívida crescente. Essa é uma dívida, é sempre bom explicar, é uma dívida com o povo brasileiro, são a dívida que é a outro lado da nossa, das nossas aplicações em renda fixa, nossas compras de Tesouro Direto e tal.

Mas o fato é que a dívida ela tem que parecer sustentável, ela tem que ser sustentável. Senão é ruim tanto para o credor, que somos nós, os aplicadores, e ruim para o governo, que é o devedor. Então ela tem que ter estabilidade e ela cresceu muito nos últimos anos. Esse debate é um debate muito contaminado por simplificações. Não é simples explicar por que cresceu a dívida pública, mas o governo tem de fato que dar uma resposta fiscal.

O que eu vou fazer no ano que vem, caso eu seja eleito, com as contas públicas brasileiras? Essa resposta ainda tá, essa pergunta ainda tá sem resposta. E essa conversa via mercado financeiro é que pode vir a fazer uma decisão de reduzir. E aí eu queria explicar rapidamente, Cássia, e te ouvir, o que ele tá propondo, que ele tá falando que vai fazer, é que hoje pelo arcabouço o gasto pode crescer até 2,5% acima da inflação. Então ele pode, ele sobe nesse, nesse entre 0,6% e até 2,5%.

E esse 2,5% tá alto demais. Então ele diminuiria esse teto possível do aumento das despesas. É isso.

MLMíriam Leitão

Agora, Miriam, sem promover reformas estruturais, é possível diminuir essa dívida de forma consistente? Tô vendo aqui Globo, que hoje a dívida pública equivale a mais de 80% do PIB?

MLMíriam Leitão

Pois é, e tem projeções que ela vai crescer. Eu acho que não tem que fazer mudanças estruturais. E qual é a mudança estrutural mais difícil de fazer, que ninguém quer conversar sobre isso? É o fato de que as despesas previdenciárias, que são o maior bloco de gastos do país, né, fora a dívida pública, elas, as despesas do orçamento que mais crescem, mais pesam, é de previdência, serviços, benefícios. Todo esse bloco, ele é reajustado conforme o aumento do salário mínimo.

E o governo Lula decidiu voltar com aumento real do salário mínimo. Então essa despesa cresce sempre muito e ela tá ficando— e isso tem que ter uma uma solução. De que forma a gente faz para que as despesas previdenciárias não cresçam tanto num país que, como se sabe, está envelhecendo? O Brasil não tem soluções simples, é um país complexo mesmo. E os que são candidatos a governar vão agora fazer durante a campanha muitas simplificações, mas não é simples resolver os problemas brasileiros Cássia e Milton.

MLMíriam Leitão

Muito obrigado, Miriam, e um bom dia para você.

MLMíriam Leitão

Bom dia.

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