Episódios de Economia

Como empreender sem misturar finanças pessoais com as da empresa?

28 de julho de 20269min
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Ana Leoni e Naiara Bertão compartilham pesquisa que aponta que 24% dos empreendedores ainda mantêm a mesma conta para administrar as finanças pessoais e as da empresa. Esse hábito pode trazer sérios prejuízos para a administração do negócio próprio, e as especialistas compartilham meios para organizar o setor financeiro de uma forma melhor. Ouça para entender!

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Participantes neste episódio2
A

Ana Leoni

HostJornalista
N

Naiara Bertão

HostEspecialista em imóveis
Assuntos2
  • Finanças Pessoais e DívidasMistura de contas PF e PJ · Mentalidade Empreendedora · Impacto na saúde financeira do negócio · Empreendedorismo feminino e acesso a crédito
  • Mentalidade EmpreendedoraEstabelecer pró-labore · Conhecer o ponto de equilíbrio da empresa · Registrar aportes e empréstimos pessoais · Reserva financeira para o negócio · Revisar periodicamente retiradas dos sócios
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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ALAna Leoni

Nayara, Dona Nayara. Boa tarde. Olá, pessoal. Boa tarde.

NBNaiara Bertão

Olá, boa tarde.

ALAna Leoni

Nayara é a Bertão, Ana é a Leone e ambas juntinhas hoje vão contar pra gente quais são os erros mais comuns de quem decide. E essa é uma decisão mesmo, é empreender. Eu não vou adiantar, eu vou deixar com você, Nayara.

NBNaiara Bertão

Boa.

ALAna Leoni

Bom, é empreender, é sempre um desafio, especialmente em países em desenvolvimento como o Brasil, né? E um dos erros mais comuns que a gente já ouviu falar algumas vezes, mas é bom reforçar e trazer aqui alguns conselhos, né, se é que a gente tem autoridade para dar conselho aqui, é a questão da mistura das contas PF e PJ. Infelizmente muito comum, né. A gente tá com uma pesquisa aqui da Cora, que é uma instituição financeira voltada justamente para pequenas e médias empresas, que mostra que isso é ainda mais comum do que a gente imagina. 45% dos empreendedores dizem que até mantêm contas separadas, PF, PJ, mas mesmo assim eles misturam algumas despesas.

E eu posso dizer que meus pais, por exemplo, são exemplos, que eles têm um restaurante, vivem misturando as despesas, paga uma coisa pessoal, né, com o cartão do trabalho. Sempre falo para eles, por isso que eu, né, tô expondo aqui, mas é bem comum mesmo, né, a gente, porque no fim, principalmente empreendedores pequenininhos parte do pressuposto de que é tudo a mesma coisa e não é. E essa pesquisa também mostra que 24% nem mesmo têm contas separadas, ou seja, a mesma conta para tudo, para o negócio, para as despesas do supermercado, farmácia, contas em geral.

E só um terço, 31%, de fato separam e se organizam para manter de formas separadas. Inclusive, até um dado importante é que muitas pessoas Elas usam inclusive o cartão de crédito pessoal no negócio próprio, e esse é um dos erros mais comuns que acontece. Infelizmente é muito comum entre o empreendedorismo feminino, porque as mulheres em geral têm menos acesso a crédito, a crédito mais caro. Então muitas delas acabam recorrendo a cartão de crédito ou até mesmo um crédito pessoal mais caro para poder empreender, manter o próprio negócio.

E isso pode sim dar um problema financeiro também. Uma outra questão que— por quê, né, que a gente tá falando que isso é um problema? Na verdade, é uma questão de falta de transparência sobre a saúde financeira real da empresa, né? Sem você ter dados suficientes, uma visão clara do que está acontecendo, é muito difícil tomar decisões, seja de investimento, seja de contratação, eventualmente até de demissão ou de fechamento de uma linha ou de um serviço.

Uma oportunidade. É muito importante, né, a gente separar essas questões justamente para ter uma clareza e aí conseguir tomar melhores decisões para o próprio negócio. Então não é porque é legal, não, é porque realmente é importante, faz diferença. E a gente vai lembrar aqui, né, das PMEs, pelo menos um quarto fecha no primeiro ano, pequenas e médias empresas, pequenas e médias empresas, principalmente as micro empresas no primeiro ano tem uma taxa de mortalidade muito alta, e muito é por conta dessa bagunça financeira. E como é que organiza, Ana?

NBNaiara Bertão

Pois é, né, a Nayara comentou aí que essa confusão infelizmente é muito comum porque as pessoas acabam misturando o CNPJ com o CPF, e misturar essas letrinhas aí pode ser um grande problema. Então quando essas contas se misturam, fica difícil saber, como a Nayara trouxe, realmente se aquele negócio está sendo lucrativo ou se ele está dando prejuízo, o que pode ser retirado pelos sócios ou pelos empreendedores, donos da empresa, sem comprometer o que a saúde financeira da empresa, que ela se torne sustentável ao longo do tempo.

Então, na prática, quando elas se misturam, o empreendedor ele perde informações que são tão básicas para o negócio, e aí sem essa clareza fica difícil saber se realmente aquilo está dando certo ou não. Então, do ponto de vista de planejamento financeiro, essa separação ela permite acompanhar indicadores que são essenciais para o negócio. E não importa o tamanho do negócio, que eu acho que é isso que mais confunde. Quanto menor o negócio, mais simbiótica fica essa relação entre o dinheiro do empreendedor e o dinheiro da empresa.

Então, uma coisa que precisa assim mais rapidamente é entender qual o fluxo de caixa da empresa, o que que isso significa, o quanto entra, o quanto sai, se aquela empresa ela é lucrativa e qual é a capacidade de investimento que ela tem. Quem empreende no Brasil, a Tati falou no começo assim, é uma decisão que não é uma decisão simples, porque o Brasil é bastante complexo aí para quem quer empreender. E quem empreende sabe que o tempo inteiro precisa fazer investimentos, precisa retroalimentar o negócio.

Então são essas informações, ou seja, da saúde do caixa, e a lucratividade e a capacidade que aquele empreendedor tem de investir que vão orientar as decisões mais seguras e mais sustentáveis daquele negócio. Impede, por exemplo, acontecer o que foi dito aí, que boa parte dos negócios, apesar de terem boas ideias, bons produtos, acabam fechando as portas logo no primeiro ano. Então, alguns cuidados que podem fazer bastante a diferença: estabelecer um pró-labore para o empreendedor.

O que que é isso? Estabelecer um salário para quem tá empreendendo. Então, se você tem um pequeno negócio lá, você vende bolo ou você comercializa qualquer outro produto, defina um salário como se fosse um salário para qualquer pessoa que trabalha com você, porque isso evita que essas retiradas aleatórias se percam ao longo do tempo. Além, é claro, né, como a gente já falou aqui, ter as contas separadas. Outra coisa é conhecer o ponto de equilíbrio da empresa e saber assim quanto custa o seu produto e quanto vale o seu produto, é que isso também é muito importante.

Então você vende um bolo, ele te custa R$5 e você vai vender ele por R$10, você precisa ter claro qual é esse valor, quanto é o teu custo de produção, qual é o lucro que você vai ter para definir o preço do teu produto. Não é simplesmente olhar ali, né, quanto o vizinho ou concorrente tá negociando, porque isso pode ser diferente da realidade da sua empresa. Isso serve também, que a gente tá falando aqui, também para profissionais liberais, médicos, nutricionistas, preparadores físicos, enfim, que também acaba tendo essa mesma realidade.

A outra coisa importante é também registrar esses aportes pessoais ou empréstimos que são feitos para o negócio. Se você pegou o teu dinheiro que não saiu daquele caixa da empresa para comprar alguma coisa para empresa, é bom que você registre aquilo para que você também consiga entender a capacidade e a saúde financeira daquele teu negócio. Então, se o empreendedor tá tendo que colocar muito dinheiro ali, significa que talvez alguma coisa esteja desajustada.

Aí, né, vale tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica ter uma reserva financeira também para o negócio, e ela tem que ser separada da emergência da família. Uma coisa é os imprevistos familiares e o outro são os imprevistos do negócio. E também o que vale muito aqui, meninas, é sempre revisar periodicamente as retiradas dos sócios e ver se isso ainda é compatível com a realidade da empresa, porque pode ter meses que a empresa faturou menos, pode ter meses que faturou mais.

Então também periodicamente revisitar o quanto o empreendedor ou os empreendedores daquele negócio estão retirando da empresa é importante importante para continuar avaliando a saúde financeira dela. Porque, né, como chama o nosso quadro aqui, no fim das contas, separar, separar, né, as finanças pessoais das empresariais, não importa o tamanho da tua empresa, não é apenas uma questão de organização, mas é uma estratégia para que a gente consiga tomar decisões melhores aí no nosso negócio.

Isso ajuda a reduzir risco e aumentar as chances do negócio crescer de forma sustentável, que é isso que eu acho que todo mundo tá precisando ultimamente, né?

ALAna Leoni

Muito bem.

NBNaiara Bertão

Algo a acrescentar?

ALAna Leoni

Nosso email, né, que a gente sempre esquece. Quem tiver dúvidas, sugestões de temas, né, somos bem abertas a isso. Nosso email é nofindascontas@cbn.com.br. Ficou muito legal esse nome desse quadro, né? Muito bom, eu gostei também. No fim das contas, tudo junto, @cbn.com.br. Naiana, um beijo para cada uma. Obrigada, até quinta. Obrigada, boa tarde, pessoal.

NBNaiara Bertão

Até quinta, beijo, beijo.

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