Em conversa com Lula, Xi Jinping rejeita interferências externas no Brasil
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Míriam Leitão
- Lula e TrumpAcordo Mercosul-China · Rejeição a interferências externas · Donald Trump e a NASA
- Produção GAC no BrasilJavier Milei · Itamaraty · Ofensas ao presidente Lula
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão.
E aí, Miriam, boa tarde, Sardenberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvintes, boa tarde, Miriam.
Presidente Lula conversou por telefone ontem à noite com o da China, Xi Jinping, e discutiram o acordo Mercosul-China, tentativa aqui do Brasil de abrir outro, enfim, de aprofundar outras relações comerciais. E também o Xi Jinping apoiou o Brasil no que ele chamou de rejeição a intervenções, interferências externas. É o Trump, né?
Pois é. E esse é um momento interessante, né, desse, da conversa dos dois, porque de um lado você tem uma escalada do governo Trump contra o Brasil. Assim, ele, essas tarifas da semana passada foram contra inúmeros países, mas o Brasil é mais uma tarifa, né, mais uma tarifa que já se soma a outras sobretaxas. Então vai ter produto brasileiro pagando 50% para entrar no mercado americano. Isso é de um lado, quer dizer, as hostilidades em relação à pauta são cada vez maiores.
Mas não só, né, essa tentativa de vir 2 enviados do governo de uma forma assim meio nebulosa, que viriam não para como observadores de eleição, que é normal, normal ter observadores internacionais no processo eleitoral, mas eles vêm para questionar o processo eleitoral. Isso depois da reunião de Flávio Bolsonaro com embaixadores para de novo levantar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro, sobre a segurança das urnas. Então isso já é um problema grande, mas isso justificaria essa conversa.
Mas além disso tem uma outra complicação, porque essa conversa e essa conversa sobre negociação entre Mercosul e China, um acordo entre Mercosul e China, acontece no momento mais alto da tensão entre Brasil e Argentina por causa da vinda do presidente Javier Milei ao Brasil. Conversei mais cedo isso com Milton e Cássia, e ele quebrou todos os protocolos de diplomacia, né, o Milei, ao vir, ao vir sem informar o governo que tava vindo.
Não era uma viagem que não era viagem oficial, ele pode vir, mas Como ele é um chefe de Estado, deveria comunicar o Itamaraty, não comunica, vem e é recebido por São Paulo, pelo governador de São Paulo, como se São Paulo fosse um estado à parte e não um estado federado do Brasil.
E aí no palanque ele ofende o presidente Lula, ofende o ministro e faz todo de novo, levanta dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro. Então a tensão chegou no máximo, chamaram o embaixador Júlio Bittelli de volta ao Brasil. Então nesse momento não tem diálogo entre os dois países, eles estão com relações normais e tal, mas não exatamente normais. Quando você chama o embaixador é um sinal muito forte de desagrado, né? E nesse momento ele vai, ele conversa com Xi Jinping.
Aí você pode falar, mas Então, a conversa foi perdida? Não, não foi perdida. Primeiro porque tem muita coisa para conversar entre Brasil e China. A relação entre Brasil e China é intensa, tem muitas questões. E esse episódio da crise com a Argentina pode ser superado pela diplomacia. Mas tá certo retomar, ficar sempre em contato com todos os países e procurar alternativas ao mercado americano cada vez mais fechado para todo mundo, né?
E muito fechado para o Brasil, porque no Brasil tem um componente político-eleitoral da tentativa do governo Trump de interferir no processo eleitoral brasileiro.