Impulso fiscal no segundo trimestre de 2026 chega a 4,52% do PIB, diz estudo
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- Crise Fiscal BrasilSegundo trimestre de 2026 · R$ 150 bilhões · Economia aquecida · Regulação Banco Central
- Dívida pública e equilíbrio fiscalJuros altos · Selic em 14,25% · NTN (IPCA+) · 8% de ganho real · Ano de eleição
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O assunto é dinheiro com Luiz Gustavo Medina.
Teco, oi, Sardenberg, boa tarde, boa tarde, Cássia, boa tarde aos ouvintes, tudo bem? Tudo certo, Teco, boa tarde.
Temos aqui uma reportagem no jornal Valor Econômico falando o seguinte, que no segundo trimestre deste ano houve um impulso fiscal de 150 bilhões de reais. Impulso fiscal é o quê?
É dinheiro que o governo tá jogando através de diversos canais ali, além do que já tá previsto ali no orçamento ali, né, das despesas que ele tem que pagar todo mês. Existem modos ali do governo ir ora antecipando uma despesa, ora liberando um dinheiro que tá contingenciado, ora arrumando uma linha de crédito por outras fontes. De certa maneira, né, Sardenberg, é um dinheiro que é despejado ali na economia o mais rápido possível para manter a economia aquecida, né.
A gente tem visto isso há um bom tempo. Aliás, é um— a gente sabe a resposta, mas muita gente se faz a pergunta: como é que o Brasil segue crescendo, né, indo para mais um ano com juro cavalar que o Brasil tem? Já é o 5º ano com esse juro cavalar, mas a economia cresceu em todos eles, né? E a razão é porque tem se jogado um caminhão de dinheiro nela, né? Por essa conta aqui do pessoal da Global Intelligence, jogou R$75 bi no primeiro trimestre, mais R$150 bi no segundo trimestre.
Então a gente tá com aquele retrato claro do governo pisando no acelerador e aí o Banco Central pisando no freio, né? Uma combinação ruim. A economia fica crescendo acima do que deveria pelos juros, mas acima do que o Banco Central gostaria para que ele pudesse cortar os juros. E a gente acha explicação para um monte de coisa aí que no final das contas a gente gira, gira, gira e cai, que o governo tem posto muito dinheiro. É hora liberando crédito por um lugar, hora colocando dinheiro no outro lugar.
Tem alguma coisa de BNDES, de estatal também, que, né, que às vezes vai liberando investimento numa ponta a pedido do governo, que faz aqui e ali. No final é isso, Sardenberg, é uma dinheirama, é um crescimento que é um pouco, é um pouco não, é bastante turbinado por esse gasto, né? E uma conta que já chegou há um tempo, né? Mas o governo segue achando que vale a pena expandir o gasto e manter o juro alto.
É, e o resultado disso é um aumento da dívida pública, né?
Um aumento da dívida pública. E aí, como o juro tá alto e esse aumento da dívida pública tem acontecido ano após ano, a gente também gasta cada vez mais dinheiro com juro, né? A gente tem hoje uma Selic em 14,25%, mas você tem aquela, aquela outra opção, né, que a NTN, que é o juro real, é o IPCA+, né, que você paga uma taxa a mais do IPCA. E esse, essa taxa fixa tá em 8%, né, que é o maior patamar da história ali. É insustentável, 8% de ganho real para o investidor, mais 8% real que custa para o Tesouro, né?
E esses números estão crescendo. Esse é um ano de eleição, ninguém imaginava que seria muito diferente, mas como já veio de um patamar alto esse gasto, né, ele tá ficando estratosférico, né. Então estamos falando aí de R$220 bi só no primeiro semestre, e o Brasil também precisa arrumar um jeito de frear isso, né, Sra. Amélia. A gente já conversou aqui anteriormente, mas não dá para cada 4 anos prefeitos, governadores, deputados, senadores, vereadores abrirem um cofre que às vezes não tem nada dentro para fazer bondade, para se eleger, né, se reeleger, né.
Isso no final acaba gerando um problema para todos ali, ali na frente. Falta dinheiro para tudo depois da eleição, sempre, né.
Porque nesse dinheiro aí tem umas emendas também, né.
Tem tudo, né, tem tudo. E também, fazendo justiça, não é só um problema federal, né, um problema que acontece nas outras esferas, nas estaduais, nas municipais. Esse princípio de abrir o cofre no ano de eleição, fazer bondade com dinheiro dos outros para garantir a e depois administrar o problema é feito desde que o Cabral pisou aqui. Talvez explique muito dos problemas que a gente administra até hoje, né? Mas eles seguem acontecendo, e o governo federal nesse quesito aqui tá com o pé bastante forte no acelerador.
Tá certo.
Teco Medina, obrigado, Teco. Até amanhã.
Até amanhã, tchau tchau.
Até.