Episódios de Economia

Guerra no Oriente Médio e tarifaço de Trump pressionam economia global

23 de julho de 20266min
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Carlos Alberto Sardenberg afirma que a escalada dos conflitos no Oriente Médio, somada ao tarifaço de Donald Trump, pressiona os preços do petróleo, alimenta a inflação, mantém os juros elevados e reduz a expectativa de crescimento da economia mundial.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Impactos macroeconômicos globaisPreços do petróleo · Inflação · Juros elevados · Crescimento econômico · Donald Trump e a NASA
  • Guerra no Oriente MédioConflito Estados Unidos e Irã · Rebeldes Houthis · Estreito de Bab-el-Mandeb · Mar Vermelho
Transcrição10 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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CACarlos Alberto Sardenberg

Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Bom dia para você, Sardenberg.

CCássia

E aí, Milton, como vai? Bom dia, Cássia. Bom dia, Carlos Alberto.

CACarlos Alberto Sardenberg

Você tá destacando aqui o impacto que esse prolongamento da guerra Estados Unidos e Irã com tudo que está no seu entorno, o impacto que isto e outras complicações podem ter no crescimento da economia global?

CCássia

Pois é, Milton, isso tem sido esse o alerta das instituições internacionais, como por exemplo o Banco Mundial, que fez um relatório dizendo que o crescimento da economia mundial nesse ano pode sofrer uma redução importante por causa dos preços do petróleo, que dão inflação, e inflação dá em juros altos, né? E juros altos claramente atrapalham o crescimento da economia. A situação do ponto de vista geopolítico é o seguinte: houve aquele cessar-fogo entre Estados Unidos e o Irã, que depois fracassou.

Mas e quando se voltou ao nível de hostilidades, o que aconteceu é que a situação veio a ser pior do que era antes, por causa da ação do Irã através do grupo dos seus grupos terroristas que atuam no Iêmen, através do Iêmen, que é o grupo do Houthis, que estão ameaçando aquele outro estreito que é a saída do Mar Vermelho. Então você pega, por exemplo, a Arábia Saudita, a leste ela tem o Golfo Pérsico, ela pode, os seus navios petroleiros, por exemplo, e podem sair, deveriam sair pelo Golfo Pérsico, mas passam, teriam que passar pelo Estreito de Ormuz, que tem ali a presença direta do Irã.

Então o petróleo da Arábia Saudita, por exemplo, tava saindo pelo outro lado, a oeste, pelo Mar Vermelho. E curiosamente, né, o Mar Vermelho ele também termina num estreito, que é o outro nome que a gente tá se acostumando, que é o Estreito de Bab-el-Mandeb, no final do Mar Vermelho. E ali tem atividade do Grupo Houthis, que já ameaçou bombardear, atacar navios petroleiros que passem por ali. Então as duas rotas que a Arábia Saudita tinha para— Arábia Saudita, maior produtor mundial de petróleo, exportadora, teria para despachar o seu petróleo, eles acabam sendo ameaçados tanto num estreito quanto noutro.

Então a situação ficou pior do que estava antes, porque agora você tem dois pontos de conflitos atrapalhando a circulação dos navios petroleiros e também dos navios de outras mercadorias que passam por ali, mas para levar produtos para os países árabes e do Golfo Árabe. Então a situação hoje ela acabou sendo pior do que estava antes da trégua. E o ponto é que o Irã revela uma, aparentemente revela uma forte capacidade de reação.

O Irã parece pensar o seguinte: que ele aguenta sofrimentos, aguenta mais os sofrimentos do que os prejuízos políticos que a guerra traz para o presidente Donald Trump. Ou seja, parece que o governo do Irã, ou pelo menos a linha dura do Irã, entende que o governo americano vai desistir, vai recuar antes do Irã recuar, que o Irã tem uma capacidade de sofrer, de aguentar os ataques, etc. E de fato os ataques estão aumentando e o Irã continua resistindo.

Qual é o resultado disso tudo? É que o mundo tem usado o petróleo dos seus estoques internacionais e ninguém sabe até que ponto, que nível estão esses estoques. E se a circulação de petróleo é finalmente interrompida também pelo Mar Vermelho, a situação fica mais complicada. Os jornais informam, jornais internacionais informam, por exemplo, que 7 petroleiros já foram obrigados a abandonar a rota do Mar Vermelho por conta das ameaças de ataques do Houthis, do grupo Houthis.

E o resultado então é que o preço do petróleo voltou a subir e não se vê a expectativa de que ele volte a cair.

?Voz D

Petróleo alto, gera inflação.

CCássia

Inflação leva os bancos centrais a aumentarem as suas taxas de juros, e a taxa de juros mais elevada reduz o crescimento econômico. Esse é o conjunto, né, esse é a sequência de fatos que levariam, segundo os economistas do Banco Mundial, a este ano ter um crescimento pífio, viu, um crescimento pouco acima de 1% para a economia mundial afetada por essa guerra. A expectativa era de um crescimento superior a 2%, e agora tá se esperando uma coisa muito pífia, que seria um crescimento acima de 1%.

Isso afeta todo mundo, né? Mas o tarifácio do Trump, que prejudica o comércio internacional, isso afeta todas as economias mundiais e leva a esse resultado de mais inflação, mais juros e menos crescimento.

CACarlos Alberto Sardenberg

Milton e Cássia, muito obrigado. Carlos Alberto Sardenberg, Hey, it's Ryan Reynolds here for Mint Mobile.

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