Gasolina com mais etanol: o que muda para o motorista?
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Beatriz Pacheco
Clayton Zabeu
- Gasolina com EtanolAumento de 30% para 32% · Medida temporária de 180 dias · Controle de preços internacionais · Programa Combustível do Futuro
- Impacto EconômicoProjeção de economia de 3 centavos/litro · Rendimento do combustível · Variação energética mínima
- Combustíveis alternativos e sustentáveisCombustíveis sintéticos · Hidrogênio · Veículos elétricos · Biocombustíveis
— Anúncios inseridos dinamicamente —
O Conselho Nacional de Política Energética anunciou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, uma medida que tem 180 dias de duração, pode ser prorrogada, e é uma manobra para controlar os preços depois da retomada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã atrapalharem o fornecimento global de petróleo e subirem o preço. Proposta que é baseada em estudos desenvolvidos no Programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia em São Paulo.
E eu converso agora com o professor de engenharia mecânica do Instituto Mauá, Cleiton Zabeu. Seja bem-vindo, professor. Boa tarde.
Olá, boa tarde. Tudo bom?
Tudo certo. Obrigado por aceitar o nosso convite. Primeiro, a gente já tinha a gasolina com um percentual de etanol, né? Por que que a nossa gasolina no Brasil não é pura?
Nós temos um mandato federal de uso de etanol na gasolina, muita gente não sabe, desde 1931. Desde 1931 já havia um mandato federal que especificava 5% de uso de etanol misturado na gasolina. Esse percentual evoluiu ao longo do tempo, né? Quem é mais mais antigo aí sabe que variou de 10, 15, 20, 22, variou de estado para estado. Estados do Nordeste começaram a usar mais cedo, depois mais os estados do Sul. E desde a década de 90, 1992 para ser mais preciso, a gente deixou de usar um aditivo que depois foi banido mundialmente, que era o chumbo tetretila.
O chumbo tetretila era um componente que os Estados Unidos começaram a utilizar na década de 40 para melhorar a octanagem do combustível, melhorar a qualidade dessa gasolina. E só que o chumbo tetraetila é um metal pesado, né? Ele causa um monte de doenças. E isso em vários países foi banido, à custa de uma melhoria na qualidade da gasolina. Só que o Brasil teve essa particularidade, vamos dizer, até sorte, O etanol aumenta a octanagem da mistura.
Então nós deixamos de usar o chumbo tetraetila e passamos a usar o etanol misturado na gasolina, que promoveu o aumento da qualidade, o aumento da octanagem desse combustível. E isso nós não estamos falando nem em questões de gás de efeito estufa na época, né? O objetivo era substituir o aditivo que era deletério para a saúde humana que no mundo foi banido em 2001, já não se usa mais em lugar nenhum do mundo. Em 92, 91, 92, o Brasil já deixou de usar isso e começou a fortemente investir no etanol para misturar na gasolina.
Lógico que agora, com o advento, né, do aquecimento global, da emissão de gases de efeito estufa, que é majoritariamente causado pela queima de combustível fóssil, o aumento do etanol, não só no Brasil, né, mas vários países do mundo. A França já usa 10% de etanol na mistura, alguns países da Europa usam mais até teor de etanol. O Brasil é pioneiro nisso, mas um dos motivos foi esse. Tentando responder a sua pergunta, começou por uma questão de disponibilidade do combustível, passou por um ponto de substituição do aditivo que era o chumbo, que era maléfico. E hoje tem uma pegada muito energética, segurança energética e ambiental.
E a tendência que você vê é essa, de aumentar cada vez mais esse percentual? Porque a gente já tinha, né, 27,5%, subiu para 30%, agora 32%.
Isso, a gente vem evoluindo ao longo do tempo. É lógico que se a gente der um passo lá um pouquinho mais para trás, essa não foi uma subida monotônica, quer dizer, ela não é que ela sempre subiu. Em função do mercado teve subidas e descidas de disponibilidade do etanol no mercado nacional, mas a gente entende que vários países do mundo, e o Brasil já tem feito isso antecipadamente, aumentar esse teor, tá? É lógico que existem, aí vem as discussões, né?
Existem limites, existem limites técnicos, existem limites de frota que vão eventualmente estabelecer um um teto para isso em algum momento.
Aí que tá, porque a gente tem uma grande parte da frota composta por carros flex, é mais da metade inclusive, né? E mas esse, essa gasolina pode ser usada mesmo, bom, e precisa ser usada, né, mesmo nos carros que são, que tem o combustível apenas a gasolina, e mesmo aqueles carros mais antigos também.
Correto. E esse é o grande desafio, né? O grande desafio é fazer com que parte da frota, que ainda é uma frota antiga, não conta com tecnologia suficiente para tornar o flex. Então são veículos dedicados que eram vendidos como, entre aspas, veículos a gasolina, né? Mas já tinham etanol na sua mistura. A grande questão que se colocava, se coloca ainda hoje, é Para esses veículos, qual o limite? Até onde podemos chegar com essa adição sem que haja problemas, sem que haja efeitos secundários, né, como aumento de emissão de poluentes, coisas do gênero?
Uma coisa que eu acho que é importante deixar claro, né, para tirar um pouco de desinformação, é que existem vários estudos em outros países No Japão foi um deles, e foram colocadas percentuais graduais de etanol no combustível, na gasolina então, vamos dizer assim, e começaram a aparecer problemas nos veículos. Então um veículo que tinha só gasolina, ao misturar um pouquinho de etanol, começou a aparecer problema nas borrachas de vedação, nas mangueiras.
Aí a pergunta que se faz aqui no Brasil: mas isso não vai acontecer aqui também? Acho que a grande diferença é o que eu comentei agora no comecinho, né? O Brasil já tem etanol na mistura desde 1930. Não é uma coisa que nós estamos começando de anteontem para cá. Então esses quesitos mais de compatibilidade, lógico que terão que ser analisados para maiores teores, mas é uma coisa que nós já, de uma certa forma, já ultrapassamos.
Nós já temos isso no nosso mercado rodando já faz décadas, tá? O que que esbarra? Esbarra é tecnologia de controle dos veículos. Então, será que um veículo carburado produzido em 1970, 80, que talvez ainda tem alguns rodando na rua, será completamente compatível com teor de etanol maior? É o que nós estamos estudando hoje, é tentar ver até onde esse aumento de etanol que se busca, a lei do combustível do futuro almeja até 35%, almeja, não quer dizer que vai ser imposto, tem que ser testado para a gente verificar quais, se há, quais são esses veículos que teriam essa limitação tecnológica para usar esse combustível.
Mas isso inclusive com esse teor de 32% de etanol que está sendo aprovado agora?
Então, esse teor de 32% que foi aprovado agora, eu sinceramente eu tentei buscar a resolução do CNPE no Diário Oficial da União, mas não sei se foi publicado ainda. Pelo menos até ontem de noite não havia sido publicado, mas é o que foi anunciado e começa a valer em agosto. Sim, sim, sim, sim, o valor sim, mas eu acho que vem, vão vir algumas coisas junto na resolução, tá? Eu tô, por isso que eu gostaria de ver e não falar só sobre uma suposição, porque deixa eu tentar explicar o que que foi feito nos testes do E30.
Então quando o primeiro semestre de 2025 foram iniciados os testes para verificar a viabilidade de 30% de etanol. Então isso é um programa que foi conduzido no primeiro semestre de 2025, cujo objetivo era dizer: existem veículos que vão apresentar problemas ao se adicionar 30%, sair de 27% e ir para 30%? Então a gente seguiu um protocolo E foi o mesmo que foi criado em 2014, para quando foi proposta a subida de 25 para 27. Foi o mesmo, a mesma dúvida: será que os veículos naquela época que estavam acostumados a rodar com 25% teria algum problema quando passaria por 27?
Então esse programa foi conduzido em 2014, foram testados 8 veículos de passeio, 5 motocicletas. Lógico, não flex, né? Porque para flex, o flex pode ser 100% álcool e não tem problema nenhum. Mas na época foram pegados, foram escolhidos veículos de carro de passeio carburados antigos. Na época, nós estamos falando 2014, e na época já foram testados 30%. Existem relatórios no site do Ministério das Minas e Energia que foram veículos testados com 30%.
Mas, Cleiton, não era 27,5% que se objetivava? Por que que foram testados 30% na época? Porque existe uma questão de tolerância. Quando o Conselho Nacional de Política Energética dita que o teor de etanol a ser adicionado é, naquela época, era 27%, existe uma tolerância de medição na rua. Se a fiscalização do INPE chegar num posto de gasolina e tiver, por exemplo, 28,5% de etanol, quando que o target, o alvo, era 27, esse posto pode ser multado.
Por quê? Porque existe uma tolerância de mistura e uma tolerância do processo de medição. Os técnicos da ANP, quando vão no posto e faz avaliação, o processo de avaliação às vezes tem uma incerteza de mais ou menos 1 ponto porcentual. Então você não pode prejudicar o o vendedor da gasolina, o distribuidor, porque isso pode ser uma incerteza de medição. Então, já que se buscava alguma coisa de 27,5 como alvo, mas poderia acontecer alguma coisa com 30% no mercado, porque por causa dessa incerteza, o SEMP, né, o Centro de Pesquisa da Petrobras, que fez esse trabalho em 2014, testou com 30%, e mesmo lá não, para carros muito mais velhos até, não achou problema nenhum.
Em 2025, o que que a gente fez? A gente dobrou o espaço amostral. Então nós saímos de 8 carros, fomos para 16 veículos, não flex, de novo, desde os carburados de 1994 até os carros mais modernos importados. Porque nós temos carros importados modernos que não são flex, eles são com combustível dedicado, entre aspas. De novo, gasolina que já tem teor de etanol. E nós verificamos 16 motocicletas, desculpa, 13, 16 automóveis e 13 motocicletas também não flex.
E fizemos a mesma metodologia. O alvo era 30%. E se acontecer alguma coisinha de ter 32% no mercado? Nós testamos com 32% do mercado. O alvo não era 32%. Oliver é 30, 32 é a margem de segurança na época. E o que que nós descobrimos? Não havia problema detectável, ou seja, não pegamos problemas de partida a frio. Então, mesmo veículo com 32% de etanol na mistura partindo a 0 graus Celsius, que é uma condição muito extrema, né, partindo e saindo acelerando, não detectamos nenhum problema nesses 16 carros.
Aceleração a frio retomada, dirigibilidade, não foi, não foi detectado, tá certo? Então é o que a gente espera. É lógico, a grande questão é como é que esses combustíveis com 32% agora vão impactar na durabilidade dos veículos. Minha opinião, eu não participei da decisão, a decisão é do CNPE, exclusiva dela. Instituto Mauá não participou no sentido de ditar para o órgão federal o que que ele tem que fazer. É uma decisão exclusivamente governamental.
Mas a minha interpretação desse, da resolução do CNPE, é por isso que o pessoal colocou isso como temporário. Enquanto nós estamos agora realizando os testes para maiores teores, cujo objetivo é até 35%, a gente vai ter uma ideia dos testes acelerados de durabilidade, se isso pode ou não causar problemas. Mas como eu falei, Já tem provavelmente veículo na rua que já tá rodando com 32% de etanol porque a margem era de 2%. Então a pessoa tá até rodando sem saber, eventualmente.
Bom, e a partir dessa decisão, quando, a partir do momento em que foi autorizado mesmo, pode até ter combustível com 34%, por exemplo, porque vai ser a margem.
É isso que eu quero saber, é isso que eu tô esperando ver a resolução, que não tá claro ainda.
Ok, nessa semana, depois que foi feito o anúncio, A ANFAVE, que é justamente a associação que representa as fabricantes de veículos, divulgou uma nota já dizendo, já dizia antes, né, que era contra a medida e reforçou agora, e alegando que faltariam testes conclusivos de durabilidade na frota brasileira. É justamente por isso que você tá dizendo? Ainda há dúvidas então?
Então, os testes de durabilidade, e a ANFAVE participou disso lá em 2025, a ANFAVE assim, de peças, Abraciclos, todas as entidades, os fabricantes sentaram numa mesa redonda lá em final de 2023, e isso de fato tava acordado para 30% de etanol com as suas margens, né? Porque de novo, tem margem. A hora que você bota 30%, pode escorregar um pouquinho para um lado, para o outro. Não, não se anteveria nenhum problema de durabilidade, porque aquilo que eu comentei, a gente já tem uma tradição de rodar com etanol longa.
Então a gente sabe o que acontece no mercado, mas que para 35% deveriam ser realizados testes de durabilidade, porque de novo, para 35% pode correr para 37%, tá certo? Então o dilema que se colocou agora é: mas será que 32 também não deveria ser testado com 34? Porque também teria problema de durabilidade. É por isso que eu tô esperando a resolução para ver o que que se fala em relação aos limites. Tá, o que foi anunciado, até onde eu saiba, é o teor médio, mas e os limites?
Eu não sei ainda o que que tá, o que, mas mesmo com o que foi testado não dá para garantir 100% de segurança de que não vai haver danos nos motores.
É, nós não temos dados porque isso não foi objeto do ensaio, tá? Não foi objeto do ensaio. Do ensaio não foi durabilidade em nenhum momento, mesmo com 32%. Ok.
E existe também a promessa de economia, né? Porque como há mais teor de álcool na gasolina. Há uma projeção inclusive de que poderia reduzir o preço da gasolina em cerca de 3 centavos por litro, uma projeção do próprio governo que anunciou essa semana. Mas por outro lado, o etanol rende menos do que a gasolina pura. Então, na ponta do lápis, na sua opinião, motorista vai mesmo poder economizar ou essa compensação aí pode fazer o desconto sumir?
Olha, eu não posso entrar na seara do preço porque o preço, de novo, né, é uma questão de mercado, depende de qual fonte a distribuidora vai comprar o etanol. Claro, mas pensando em rendimento do combustível, rendimento, quando nós passamos de 27 para 30%, nós fizemos ensaio de consumo. O motorista não consegue nem perceber, não é perceptível. 3 pontos percentuais que saiu do 27 para 30%, o motorista não consegue perceber diferença no rendimento.
Só que, Cleiton, conceitualmente Já que o etanol tem uma quantidade de energia intrínseca por massa ou por volume menor que a de gasolina, ele não deveria então consumir um pouquinho mais para compensar isso? Só que a variabilidade que nós temos na condução de um veículo é muito maior do que 0,2 ou 0,3%, porque você fala: Cleiton, mas nós estamos subindo de 30 para 32. Mas a variação na quantidade de energia, quando você faz essa conta, é muito pequena.
É difícil de você aquilatar, é difícil de medir. Os laboratórios não conseguiram medir isso, tá, porque é muito pequeno. É diferente quando você sai de um veículo, por exemplo, do famoso E22, que é combustível que é usado para homologação dos veículos, para o 100%. Aí você tem uma variação muito grande, tá, é muito grande, você percebe. Aí vem a famosa regra dos 70% de relação de consumo de combustível para valer a pena abastecer com etanol, com gasolina, né?
Nós estamos falando alguma coisa que vai mudar 2 pontos percentuais. E se você for fazer a conta na quantidade energética, é menos de 0,2%, 0,3%, 0,4%. Você não consegue nem medir isso.
A gente tá conversando aqui na CBN com o professor do Instituto Mauá de Tecnologia, Cleiton Zabel, professor de engenharia mecânica, com a participação de um cãozinho aí no fundo também. Quem é?
É a nossa mascote aqui em casa, é a Hanna.
A Hanna, um abraço para ela. Obrigado aqui a todo mundo que tá participando aqui da nossa conversa também, mandando mensagem pelo WhatsApp da CBN. O Osmarino tá aqui com a gente, o Américo Temperini, também o delegado Normando. Tem uma pergunta aqui que é do Padilha, do Rio Grande do Sul, de Pelotas, Neir Padilha. E as motocicletas, como fica com esse aumento de etanol na gasolina? Vão funcionar bem?
Ótima questão. Vou me remeter primeiro aos testes que também foram realizados com E30, porque esse nós temos dados palpáveis, né, medidos com E30 e com E32. As partidas a frio, dirigibilidade, aceleração a frio com as motos com 32% de combustível que nós realizamos, tá? De novo, nenhuma teve impossibilidade de partida. Se vocês pegarem o relatório que tá disponível no site das Minas Energia, vocês vão ver que uma das motocicletas carburada antiga que tinha mais de 90 ou 100 mil km, porque nós coletamos carros do mercado, não eram carros de colecionador muito bem cuidado, né, porque a gente queria representar a realidade do mercado.
Essa motocicleta, ela teve dificuldade de partida tanto com E27 quanto com E32. Desculpa, é correto, tanto com E27 quanto com E32, mas a motocicleta partiu, tá, mesmo com 32% a frio. Se isso agora, de novo, nós vamos começar a aumentar o teor para buscar os limites, pode ser que nós de novo esbarremos num limite. E aí eu vou falar uma coisa que quem tem carro carburado, e eu tive, eu acho que muitos de nós mais antigos tivemos, um carro carburado você tinha que levar o carro na oficina a cada 6 meses para limpar carburador, porque formava goma, entupia giclee, o tubo misturador ficava entupido, tá certo?
Então isso é uma coisa que a manutenção vai ter que continuar sendo feita. Não é porque você mudou de 25 para 27, depois de 27 para 30, de 30 eventualmente para 32, você vai deixar de fazer manutenção da sua motocicleta. Então, o que eu posso dizer com termos dados, medidos, a gente partiu todas as 13 motocicletas e elas não apresentaram nenhum indício de mau funcionamento. Moto hesitando na aceleração, a moto não partindo. As que tiveram algumas dificuldades foram as mesmas motos que tinham dificuldade com E27, que não era um problema então do combustível, era um problema da moto antiga, talvez não muito bem cuidada ao longo dos seus 15 anos, que causou isso, tá?
Mas lógico, então você vai ter que continuar fazendo manutenção de uma motocicleta carburada também.
Tem a pergunta aqui do Sérgio Almeida de São Paulo, que se você não tiver essa informação, porque eu acho que é uma questão mais de mercado, Não tem problema, mas eu vou fazer mesmo assim. Ele pergunta assim: no caso dessas gasolina Podium, Premium, se é melhor para carro antigo. Ele tem um Fusca 69. Tem alguma diferença no teor de etanol?
Ótima pergunta. Quando a gente, quando a gente, quando o Brasil evoluiu, né, do 25% para o 27%, né, uma questão que foi essa: e carros muito antigos, carros de colecionador, que eu não quero mexer na originalidade do veículo para regular o carburador para que ele se adeque aos 20%, aos 30%. O que que foi feito? As gasolinas ódio premium, né, como estão sendo chamadas, as gasolinas de altíssima octanagem, não mudaram o seu teor de etanol.
Continua e vão continuar com os 25%. Essas não mudam, tá? Então essas não mudam, continuam com 25%.
Então só a gasolina comum que a gente vê lá na bomba é que vai ter o maior teor de etanol.
É a comum, a gente chama também de aditivada, tá? Aquela que você vê, a gasolina também, aditivada também. Essas são com base na gasolina que a gente chama gasolina C, né, que é gasolina já com teor de etanol que vai ser de 32% a partir de 1º de agosto, pelo que entendi na resolução que não saiu ainda, né, oficialmente. Mas as Podium continuam com 25%, que era de 2014. Isso nem subiu para 30%.
Muito bem. A Miko Hashimoto, ouvinte aqui de São Paulo, também pergunta dos carros mais antigos que não são flex, que são apenas gasolina. Mas acho que a pergunta já foi respondida então, que os testes feitos até agora não mostram diferença. Agora eu quero saber, existe um limite que já é aventado do que poderia ser colocado de etanol na gasolina?
Bom, então, do ponto de vista legal, vamos dizer assim, o que a Lei do Combustível do Futuro, que foi aprovada no Congresso, foi sancionada pelo governo, ela coloca um limite legal de até 35%, mas não é o limite técnico. Limite técnico é o que nós estamos buscando hoje com essa rede. Existem 9 instituições Eu não vou falar o nome de todos porque eu vou correr o risco de esquecer de alguma, vai ser injusto. Mas existem 9 instituições em todo o país, coordenada pela Agência Nacional do Petróleo, pela ANP, que estão exatamente testando compatibilidade química, compatibilidade com os motores, com os materiais dos motores, com tecnologia, que tipo de tecnologia, um veículo híbrido hoje importado tem algum problema.
Se subir para 35%, então esse limite é o que nós estamos buscando hoje, tá? Então nós estamos realizando os testes, já temos os veículos, alguns motores já foram disponibilizados, né? Porque é uma questão de também de entender do mercado. Não dá para a gente testar 100% do mercado, isso seria uma coisa completamente inviável. Então nós temos que mostrar por tecnologia e por condição do veículo, obviamente, para testar e achar esse limite.
Pode ser que 35%, que é o limite, vamos dizer, legal hoje, não seja atingido. A gente vai mostrar, olha, para tais e tais e tais motocicletas e tais e tais e tais veículos de passeio com as tecnologias A, B ou C, não se pode passar de tantos por cento de etanol porque tecnicamente é inviável nesse momento. De novo, por que que eu falo nesse momento? Porque nós, a gente evolui no tempo, né? Os veículos mais velhos estão ficando cada vez mais velhos, vão ser substituídos ao longo do tempo.
Os veículos mais modernos, com maior aptidão de se ajustar, os veículos— por que que os veículos a gasolina com injeção eletrônica são menos suscetíveis do que os veículos carburados? Porque os veículos modernos, mais modernos, com injeção eletrônica Eles até certo ponto conseguem se ajustar. O carburado não tinha nada de eletrônica embarcada. Ele não, ele, você tem que levar ele eventualmente no mecânico fazer um ajuste no giclezinho para ele se adequar. Mas os eletrônicos, na grande maioria, já conseguem se ajustar.
Professor, e para a gente falar um pouquinho de futuro, até pensando também no que foi falado nessa semana a respeito de outros combustíveis. Então o governo mudou regras para o biodiesel também, exigiu estudos sobre o preço do combustível nuclear no Brasil. O que é que tem se falado nesse sentido de substituição mesmo, né, dos combustíveis fósseis? É isso que a gente tá vendo no futuro, mesmo que seja a muito longo prazo? A gente vai ver a substituição mesmo dos combustíveis fósseis?
Eu acho que isso é uma coisa que já tá definido, quer dizer, a gente sabe que isso vai ter que ser alterado não só para os veículos, não só para o transporte de passageiro, transporte de carga, transporte marítimo. Nós vamos em função da quantidade de CO2, de dióxido de carbono de origem fóssil, que a gente nos últimos 150, 200 anos jogamos na atmosfera, tá? Então nós vamos ter que, de uma certa forma, ou substituir ou reduzir muito.
Existem algumas tecnologias, lógico, eu vou falar aqui de tecnologias que estão sendo estudadas, não quer dizer necessariamente que elas vão ser implementadas amanhã, porque tem uma questão de custo. Você deve ter visto, existem empresas que estão fazendo combustível sintético. Então, o que que ela, que que é o exemplo de um combustível sintético líquido? Você captura o CO2 que já está na atmosfera, essa tecnologia chama tecnologia de captura de carbono.
Você, usando energia solar ou energia eólica, são energias verdes, ou seja, são energias que não geram CO2 na atmosfera no uso, Você consegue pegar esse CO2 através de processos químicos, você combina isso de novo e forma um combustível líquido à base de carbono. Só que um combustível líquido à base de carbono, é, Fórmula 1 já tá usando isso, só que ela não veio de uma origem fóssil porque ela foi reciclada da atmosfera. Então essa é uma tecnologia que tá se buscando, uso de combustíveis sintéticos que tem carbono na sua composição Mas que não— Alô?
Pode falar.
Oi, é que apitou aqui no meu celular. Mas que não usam combustível fóssil, não usa o combustível que tá sendo extraído lá. Hidrogênio é uma outra vertente. A própria eletricidade, né? Nós estamos falando de veículos elétricos. De novo, de onde vem essa eletricidade? Se a eletricidade tiver vindo de uma fonte como carvão, Você melhora um pouco porque o veículo elétrico é mais eficiente, mas no fundo, no fundo, você tá usando o combustível fóssil para produzir eletricidade.
Uma matriz que talvez seja mais verde, como a própria nossa brasileira, onde 85% da energia gerada é de origem renovável, né, hidrelétrica, fotovoltaica, wind, aí faz mais sentido talvez. Mas é, o desafio é esse, achar qual tecnologia pode ser aplicada de uma forma rápida. Esse é o segundo desafio. Se você não tiver uma aplicação rápida dessa tecnologia, você esperar a frota do mundo inteiro ser renovada para se tornar eletrificada, para depois você diminuir a emissão de CO2, isso vai demorar muito tempo.
Então os biocombustíveis estão sendo estudados não só aqui no Brasil, a gente já tem essa tradição, mas na própria Europa, em outros países, na própria Índia. A Índia tá indo agora Acabou de soltar um mandato de 20% lá de etanol na mistura, porque você faz um que a gente chama em inglês de fast track, uma trilha rápida para começar a utilizar os veículos que você tem na rua com combustível que tem uma pegada de carbono muito menor na atmosfera por não usar fóssil.
Muito bem, professor, agradeço demais sua participação aqui na CBN. Um ótimo fim de semana para você. Espero falar outras vezes.
Muito boa tarde a vocês, muito obrigado pela oportunidade. Até mais.
Obrigado, professor Cleiton Zabeu, de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia. Falo com você aqui na CBN.