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BC fica 'numa enrascada' e faz corte tímido nos juros diante da guerra

19 de março de 20266min
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Carlos Alberto Sardenberg afirma que o Banco Central do Brasil ficou 'numa verdadeira enrascada' com a taxa de juros. Segundo o comentarista, a inflação estava caminhando na direção da meta, mas a guerra trouxe choque de preços e incerteza. 'Trata-se de um choque no sistema geral de energia e no sistema de logística internacional'.

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Assuntos3
  • Consequências econômicas das guerrasChoque de preços · Aumento do petróleo · Custos de logística internacional · Energia e transporte · Fertilizantes e nutrientes
  • Inflação e Política MonetáriaMeta de inflação · Aproximação da meta de 3% · Desaceleração da inflação · Projeções de inflação · Cumprimento da missão do BC
  • Volatilidade de CommoditiesDesconfiança do mercado · Duração da guerra · Acomodação de preços · Cenário tumultuado · Acordos de mercado desfeitos
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Para você, Carlos Alberto Sardenberg. E aí, Milton, bom dia, bom dia, Cássia. Bom dia, Carlos Alberto. Vamos olhar para as taxas de juros, como ficaram lá nos Estados Unidos e aqui no Brasil? Olha, basicamente aqui no Brasil, que eu acho que é o caso mais interessante, porque o Banco Central Brasileiro, o Comitê de Política Monetária aqui, Milton, Cássia, o Vítes, ele ficou numa enrascada, numa verdadeira enrascada.

o seguinte, usando lá os sistemas do regime de metas de inflação, o Banco Central faz as projeções de inflação para o chamado horizonte relevante, que é 18 meses para frente e tal. Então, quando ele fazia essas projeções, a inflação já estava se aproximando da meta para o ano que vem, para o final do ano que vem, a inflação estava caminhando na direção da meta. Ou seja, nós tínhamos uma inflação desacelerando,

e lá na frente coincidindo com a meta que é chegando perto da meta de 3%. Nessas circunstâncias, o que o Banco Central tem que fazer é reduzir juros. Exatamente, é reduzir os juros para entender, inclusive, que a sua missão de jogar a inflação na direção da meta está sendo cumprida. E era isso que estava praticamente prometido,

processo de corte da taxa de juros e que seria um processo longo, ao longo das várias próximas reuniões do Banco Central. E aí vem a guerra. Estava tudo arrumadinho, tudo combinado, o mercado de acordo com o Banco Central, o Banco Central de acordo com o mercado. Só que aí vem a guerra. E a guerra, no caso específico lá do Oriente Médio, a guerra desorganiza não só o preço do petróleo,

ela faz aumentar o preço do petróleo, não porque falte produto, mas porque fica muito mais caro retirar o produto de lá e distribuí-lo, como também torna mais caro diversos outros produtos, porque encarece fretes, encarece transporte, encarece, enfim, inclusive energia elétrica gerada por, por exemplo, por gás, energia elétrica gerada por óleo diesel, por exemplo.

não se trata apenas de petróleo, trata-se de um choque no sistema geral de energia e no sistema de logística internacional. Porque os produtos para circular agora, os navios têm que fazer desvios, têm que fazer paradas extraordinárias, ou seja, o frete fica mais caro.

de fertilizantes e de nutrientes para o agronegócio. Também não deve faltar, mas vai ficar mais caro. Então, tem um choque de preços aí diretos e indiretos que podem afetar a inflação neste momento e um pouco mais à frente. Então, a enrascada que eu digo é essa. Quando você olha lá as condições técnicas do regime de métodos de inflação, o juro tem que cair. Tem que cair e tem que cair substancialmente.

como estava previsto. Com a guerra, isso levanta um alerta, levanta uma desconfiança e, por exemplo, quanto tempo dura isso? E se a guerra terminar, quanto tempo dura para que o sistema todo volte ao normal e os preços se acomodem? O Trump tem dito o seguinte, não, o petróleo vai subir agora e depois ele volta a cair. Tá bom, digamos que seja verdade, mas quanto tempo isso leva? E quanto prejuízo de preço alto ele deixa pelo caminho?

considerados, somando aqui, subtraindo dali, o Banco Central veio com essa queda bastante tímida nos juros, uma queda de 0,25, caiu de 15 para 14,75. Enfim, é uma queda indexpressiva, praticamente não se nota, mas com base nessa observação, que é a mudança do cenário atual e, como diz o Banco Central no seu comunicado, uma enorme incerteza que se

para o momento e para a frente. Ou seja, é uma espécie assim de Banco Central reuniu, reduziu os juros, esse 0,25, porque para cumprir tabela, para que tinha que fazer isso mesmo. E anunciou no seu comunicado, e anunciou aí que vai olhar mais seriamente, com mais cuidado, o cenário futuro, que passou a ser um cenário tumultuado pela guerra do Oriente.

médio. É esse o resumo da história, Milton. Muito obrigado e um bom dia pra você. Até logo mais no meio-dia. Até mais, até mais, Cássia. Até mais. Até mais, ouvintes.

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