Guerra muda rota dos juros e impõe cautela ao Banco Central
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Decisão do Copom sobre taxa de jurosCorte de 0,25 ponto percentual · Redução de 15% para 14,75% · Primeiro corte em quase dois anos · Cautela na condução · Ciclo de queda dos juros
- Conflito EUA-IrãDisparada do preço do petróleo · Incerteza global · Menção repetida nos comunicados do BC · Pressão inflacionária · Efeitos logísticos e comerciais
- Inflação e Política MonetáriaInflação vs. crescimento econômico · Pressão de combustíveis · Perspectivas de recessão · Indecisão sobre políticas monetárias · Cenário global coordenado
- Crise InstitucionalManutenção das taxas elevadas · Comunicado do presidente do FED · Incerteza internacional coordenada · Decisões simultâneas dos BCs
- Atuação de Lucia na políticaSaída de ministro da Fazenda · Campanha para governo de São Paulo · Pressão por reeleição · Debandada de equipe política · Incertezas políticas domésticas
E já na esteira da nossa reportagem, a gente aciona o nosso comentarista, Bruno Carazza, que já está conosco em áudio e vídeo, para comentar. Mais cedo, eu combinava a nossa pauta com o Bruno e ele cravou, inclusive, o 0,25% de que, portanto, iria começar a queda, mas seria paulatina e cautelosa. Como a gente pode ler esse comunicado, Bruno, à luz da disparada do preço do petróleo?
ou pelo menos estimar daqui para frente desse ciclo de queda dos juros? É, Vera, é uma mudança do que estava esperado antes do início dessa guerra no Oriente Médio. Havia quase que um consenso entre os economistas do mercado de que o Banco Central iria reduzir a taxa de juros em 0,5 pontos percentuais para 14,5% ao ano, porque a inflação estava cedendo,
Havia uma perspectiva positiva da economia, que o Banco Central estava alcançando os objetivos que ele tinha traçado, mas aí iniciou a guerra e gerou uma incerteza muito grande na economia. E a gente vê como que isso coloca o Banco Central numa posição difícil por alguns indicadores. Um deles é a demora na liberação do comunicado. Quanto mais o comunicado demora, é um sinal de que há uma cautela do Banco Central
melhora a decisão. Então, isso é um indicador. Um outro indicador foi que ele citou quatro vezes no comunicado a expressão Oriente Médio e cinco vezes conflitos, mostrando um grau de incerteza. Inclusive, acabei de receber aqui um estudo que o economista Bruno Imazume faz sobre o grau de incerteza nos comunicados do Copom. Ele usa uma inteligência artificial, uns algoritmos que medem a sensibilidade,
do comunicado do Banco Central, e esse foi o quarto maior comunicado que o Banco Central comunica a incerteza do ambiente na história recente. Então, só perdeu para momentos como a pandemia, como a guerra na Ucrânia. Então, isso denota como que o Banco Central está preocupado, os efeitos que essa crise pode ter, não só do preço do petróleo batendo na inflação, mas também outros insumos na economia,
uma questão logística que está sendo afetada por essa guerra, que pode impactar, inclusive, menor crescimento da China, de outros países que compram produtos brasileiros. O preço do dólar tende a subir, é uma tendência que está acontecendo em vários países, bateu aqui no Brasil também, hoje o dólar subiu bastante. Então, é um cenário de muita incerteza que muda aquela trajetória que se esperava do Banco Central em condições normais, pré-guerra,
de que o Banco Central iria começar uma trajetória de suavização das taxas de juros agora, mas com um cenário externo bastante adverso e incerto. A gente não sabe quanto tempo vai durar essa guerra. O cenário mudou radicalmente e o Banco Central resolveu se tornar mais cauteloso na decisão de hoje. Pois é, esse cenário internacional tem um impacto muito grande mundialmente, como você já destacou.
para a economia mundialmente. Detalhe um pouco mais para a gente como é que isso nos afeta. Oi, Debra. Pois é. Isso, inclusive, está previsto, apareceu na decisão hoje do Banco Central americano. Nos Estados Unidos também tinha um sentimento de que o Banco Central poderia afrouxar as condições monetárias ao longo desse ano, mas o comunicado do presidente do Banco Central, na entrevista que ele concedeu hoje,
Foi bastante duro, mostrando que há incertezas muito grandes. E essa mudança na guerra, ela coloca um desafio muito grande para os bancos centrais. Porque, de um lado, a guerra afeta o preço de petróleo, gás natural e outras mercadorias que são importantes. E isso pressiona a inflação. Mas, de outro lado, esses combustíveis fósseis são muito importantes para a estrutura econômica.
econômica dos diversos países ainda hoje. Então, menos disponibilidade de petróleo significa menores perspectivas de crescimento da economia. E isso coloca um dilema para o Banco Central, porque de um lado o Banco Central não sabe se sobe os juros para combater a inflação, mas de outro lado ele fica pensando se não é o caso de manter ou de abaixar os juros para evitar uma recessão.
bancos centrais do mundo inteiro enfrentam e que a gente não vai ter clareza disso enquanto a gente não tiver sinais mais claros de que essa guerra está próxima de acabar e de que os fluxos aí de comércio e de transporte de petróleo, de gás natural vão se normalizar. Então, é um dilema que não é só o Banco Central aqui que está enfrentando. Isso ficou muito claro na decisão do Banco Central americano,
na decisão que foi tomada hoje de manter os juros inalterados lá nos Estados Unidos. O Bruno, as perspectivas para a economia brasileira nesse ano, que é também ano eleitoral, né? Pois é, como se não bastasse toda essa incerteza lá fora com a guerra, né? Claro, ainda tem a incerteza econômica, eleitoral, política aqui no Brasil, que também impacta a economia. E a gente já vê esse movimento do governo tentando, de alguma forma,
esse efeito da alta dos combustíveis. A gente está vendo o governo ressuscitar práticas que ele condenou lá no passado, na eleição passada, tomadas pelo governo Bolsonaro, tentando de alguma forma mudar a tributação sobre o diesel para você minimizar esse efeito de aumento de preços na bomba para que isso se dissemine na economia como um todo.
do ponto de vista do risco inflacionário, inclusive minimizando o risco político, seja de descontentamento da população com esse aumento dos combustíveis, seja até numa eventual greve dos caminhoneiros que voltou a aparecer no radar do governo ainda mais nesse ano eleitoral. Então, é mais um fator de incerteza que torna mais difícil a condução da política monetária da parte do Banco Central
momento da economia brasileira. Então, são incertezas lá fora com a guerra e incertezas aqui dentro do Brasil com esse contexto também político. E tudo isso, né, Bruno, na saideira do Haddad. Amanhã deve ser o último dia dele à frente do Ministério da Fazenda, sai para disputar uma campanha difícil, complicada no governo de São Paulo e vai ser ele próprio cobrado por essas, por várias coisas, mas também por essas incongruências, né? Criticaram a coisa do ICMS,
lá atrás estão praticando agora, né? É, o ano eleitoral é sempre assim, né, Vera? Infelizmente, né, tem essa debandada também da equipe, né, dos carros políticos e do outro lado essa tentativa do governo, né, dos qualquer que seja o governo buscando reeleição de tentar dar ali aquela empurrada na economia nessa reta final para tentar se reeleger. Exatamente.
quartas-feiras, hoje, desenhando aí a decisão do Copom, que é importante porque abre o ciclo de queda, talvez mais paulatina, dos juros nesse período, nesse cenário tão conturbado. Obrigada, Bruno. Até quarta que vem. Até quarta, pessoal. Um abraço.