Mercado passa a ver menor chance de corte da Selic nesta semana
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- Conflito EUA-IrãImpacto em preços de petróleo · Efeito no câmbio · Risco inflacionário · Bloqueio de fluxo de navios petroleiros · Incerteza econômica global
- Mercado FinanceiroMudança de posicionamento de casas de investimento · Cenário de Selic mantida · Adiamento de cortes de juros · Posição da XP Investimentos
- Inflação e Política MonetáriaNível de juros reais após inflação · Comparação internacional · Justificativa para cortes de juros · Pressão inflacionária
Gustavo Ferreira, editor assistente do Valor Invest, já está com a gente aqui no estúdio. Tudo bem? Boa tarde. Boa tarde, Débora, Carol e ouvintes. Tudo bem com vocês? Boa tarde. Tudo certo. Gustavo, conta para a gente como é que ficou o mercado nessa segunda-feira ou com a expectativa da Selic? Pois é, quem olha para o pregão ali, o resultado final do pregão, talvez não imagine o momento de incerteza do investidor local.
A causa da ausência de piora no cenário da guerra no Oriente Médio. As bombas seguem caindo, o fluxo de navios petroleiros segue travado, mas com esse cenário já conhecido a gente teve busca por descontos nas bolsas do mundo. O retorno dos investidores estrangeiros levantou o Ibovespa, principal índice do Brasil, em 1,3% e derrubou o preço do dólar em 1,6% aos R$ 5,23.
Tiveram com que se preocupar por causa da guerra, sim, mas por causa dos efeitos nos juros. Nesta quarta-feira, a maior parte dos negociantes espera ainda pelo início da queda da Selic. Foi esse o plano traçado pelo Banco Central antes de a guerra começar. No entanto, já não se tem tanta certeza nessa queda de juros. Até outro dia, pouco antes da guerra começar,
cair meio ponto percentual. O termômetro do Copom do Valor Invest mostra agora que essa probabilidade afundou para 10%. As chances de um corte de 0,25 ponto acontecer passaram a predominar. São chances de 56% agora. Mas o que parecia fora de questão passou a ser considerado. Haveria, então, 37% de chances de a Selic não cair.
E nessa quarta-feira, casas de investimentos influentes no mercado, o caso da XP, por exemplo, já revisaram a aposta e justamente para esse cenário de Selic mantida de novo nos 15% ao ano. Os juros reais no Brasil, ou seja, descontada a inflação, esses juros estão na casa já de 11%, são dos maiores do mundo. Isso por si só justificaria um corte sob uma inflação relativamente comportada no retrovisor.
O problema é o futuro incerto que pode sim fazer o Banco Central pelo menos adiar esse primeiro corte de juros para maio, para ver no que vai dar a guerra. E aí, caso petróleo, caso o câmbio não escalem a ponto de se transformar em mais inflação, haveria então maior tranquilidade para a Selic começar a cair aqui no Brasil.
Muito bom, obrigada viu Gustavo, até amanhã. Até amanhã e como sempre convido a todos a acessarem valorinvest.com Gustavo Ferreira, editor assistente do Valor Invest.