A lógica da ciência pode ensinar empresas na hora de tomar decisões
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- Vacinação contra GripeHistória da vacina COVID-19 no Brasil · Instalação de estrutura produtiva · Parcerias com PDPs · Posicionamento como hub na América Latina · Transformação em empresa brasileira
- Inteligência ArtificialBarreira entre pesquisa acadêmica e aplicação prática · Preconceito de pesquisadores com capital privado · Ligação entre pesquisa básica e industrial · Função da universidade em produzir para a sociedade · Mecanismos de incentivo para comercialização
- Formação recrutamento talentosProjeto aprovado na FINEP para contratação de 50 funcionários · Requisitos de mestrado e doutorado · Repatrição de cientistas do exterior · Fuga de talentos para o exterior · Motivação e propósito na atração de pesquisadores
- Historia da CienciaProspección tecnológica · Vacina de RNA como mudança de paradigma · Terapias celulares e monoclonais · Vacina contra herpes zóster com tecnologia inovadora · Desafios de inovação em biotecnologia
- Direção de empresas e organizaçõesFalta de convergência entre políticas · Necessidade de centralidade e definição maior · Dispersão de recursos e iniciativas · Competição tecnológica global · Exemplo da China em desenvolvimento tecnológico
- Transicao de CarreiraFormação em hematologia · Pesquisa em biotecnologia · Transição de universidade para setor público · Mudança para empresa privada · Evolução de cientista a gestor
- Lógica científica em decisõesDecisões baseadas em evidências e dados · Importância de análises concretas · Necessidade de competência técnica nos quadros · Diferença entre abordagem intuitiva e científica · Aproveitamento de experiências acumuladas
- Eleições Rio de JaneiroFalta de especialistas com visão ampla · Desconexão entre mundo acadêmico e empresarial · Necessidade de visão de negócio na formação · Visão de mercado e necessidade social · Coordenação entre universo acadêmico e empresarial
- Qualidade das universidades brasileirasExcelência dos grupos de pesquisa · Necessidade de coordenação entre grupos · Falta de oportunidades para profissionais formados · Demanda por empresas de alta tecnologia · Capacidade técnica e intelectual da juventude
- Aprendizado com ErrosImportância do erro no processo científico · Naturalidade dos erros na pesquisa · Orientação de alunos e comunicação de resultados · Transformação do aprendizado em impacto social · Motivação através do reconhecimento de valor
- Design e MoveisComplexidade burocrática do setor público · Disponibilidade de recursos na iniciativa privada · Facilidade de execução em empresa privada · Desafios na organização de equipes públicas
Mundo Corporativo, com Milton Jung. Olá, tudo bem com você? Seja muito bem-vinda. Seja muito bem-vindo a mais um capítulo do Mundo Corporativo, sempre dedicado aos temas relacionados à carreira, negócios, novos projetos. E hoje, tudo isso voltado à área da saúde. Nosso convidado é o doutor Dimas Covas, cientista-chefe de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Sinovac. Doutor Dimas Covas, muito obrigado pela sua gentileza de estar conosco aqui no Mundo Corporativo.
Bom dia, Milton. Satisfação é toda minha aproveitar esse papo descontraído aqui com você, com as pessoas aqui da CBN, com os ouvintes. Satisfação imensa. E, doutor Dimas, deixa eu começar pela sua carreira. O seu nome sempre esteve muito presente na mídia, até pelo trabalho na área pública, como médico, no Butantan. Hoje o senhor está à frente de uma empresa global de biotecnologia.
gestão pública na ciência, agora nesta empresa, uma empresa privada. Em que momento o senhor percebe ou percebeu que queria atuar nessa fronteira entre a pesquisa e a aplicação prática? Foi muito precoce na minha carreira. Logo depois da formatura, formando médico em hematologia, e você percebe que não é só a parte clínica que define o futuro das pessoas. A diferença ali entre ser tratada e não ser tratada. Muitas vezes você não tem os instrumentos.
Você não tem medicamento, você não tem produtos. Desde muito cedo eu falei, olha, a minha área de pesquisa vai ser com desenvolvimento de produtos biotecnológicos. Eu quero ajudar a tratar esses pacientes, e a maioria deles pacientes de câncer, câncer dermatológico. Então, durante a minha cadeira de cientista dentro da universidade, foram projetos nessa linha. Desenvolver proteínas, recombinantes, desenvolver tratamentos celulares,
chegar ao tratamento do câncer. Mais recentemente, quando eu fui para o Butantan, o desafio era maior, porque o Butantan é uma indústria. Na realidade, nós transformamos o Butantan no maior centro, eu posso dizer isso para você com toda tranquilidade, no maior centro latino-americano de pesquisa e desenvolvimento e produção de vacinas, de soros, e vai andar agora para frente com monoclonais, com terapias celulares. Então, a pegada sempre foi a mesma.
Ela foi simplesmente subindo de patamar e agora chegou, acabei de me aposentar da universidade, já com um convite para ser cientista de uma companhia global de biotecnologia, que atua em vacinas, mas atua em outros segmentos também. E um novo desafio, mas ainda dentro da mesma temática. Mas tem duas funções aí, pelo que o senhor está me falando. Porque tem a do cientista, mas tem a do gestor de todo esse negócio.
Como é que é essa transição? Olha, a gestão pública foi uma grande escola. Eu tenho a impressão de que quando eu comecei a gerir serviços públicos, e eu comecei com um grande serviço que era o Hemocentro de Ribeirão Preto, é aí que você vê realmente as dificuldades de você ser gestor. Porque é muito mais difícil você ser gestor público do que você ser um gestor privado. O público é uma complexidade,
problemas a todo dia, que você tem que navegar pela organização pública que é multifacetada. Então, veja, foi um grande aprendizado. Agora, você sempre levando em consideração que você está no serviço público com uma missão. Serviço público na área de saúde, qual é a missão? Produzir saúde. E eu acho que isso é a pegada que me motiva. Trazer coisas para ajudar a população, para tratar doenças.
durante a pandemia, um esforço terrível para trazer a vacina. E tem sido assim agora no sentido de encontrar novos produtos, novas ideias, novas formas de você organizar a atenção à saúde. Acho que eu tenho essa oportunidade dentro de uma empresa privada. O que muda na forma de pensar a ciência quando ela passa a ter prazo, escala, impacto direto na vida das pessoas?
Olha, eu acho que isso é a parte boa. Porque quando você está no serviço público, você tem muitas dificuldades. Você tem dificuldade do orçamento. Se você tem orçamento, você tem dificuldade de reunir as pessoas. Se você reúne as pessoas, você tem dificuldade na regulação. Você não consegue ter ali todos os elementos disponíveis. Não, numa empresa privada, os recursos estão ali. Então, facilita. Você precisa, você já reúne um time, você já coloca o pessoal no laboratório,
já começando com o pessoal da indústria, para a produção. Então, é o paraíso. A iniciativa privada é um paraíso. Para quem trabalhou na iniciativa pública durante tanto tempo, é um paraíso. Quer dizer, muito mais facilidade para você reunir os meios para, no caso, desenvolver novos produtos. A Sinovac decidiu investir fortemente no Brasil e desenvolver estudos clínicos aqui. O que pesou nessa escolha?
história do Covid, da Coronavac durante o Covid. É porque esse é um ponto importante até para a gente lembrar, puxar na memória, nós estamos falando da Sinovac, que nos remete a Coronavac. Sim. A primeira vacina que se teve aqui no Brasil no combate à Covid. Apenas para deixar claro aqui para as pessoas que estão nos ouvindo e lembrá-las desse ponto que é importantíssimo. Então, durante aquele momento, o Brasil, junto com a Sinovac, sendo uma das primeiras vacinas a ser usadas no mundo.
do conjunto que nos aproximou muito. Brasil, China, Butantan e na época Sinovac. Então houve ali uma conjugação de aspectos positivos que levou ao sucesso da introdução da vacina no Brasil aqui como a primeira vacina durante a pandemia. E essa história ficou para Sinovac. Sinovac, o Brasil é um país extremamente relevante porque a partir da experiência do Brasil a vacina entrou
em outros países. Foi na sequência. Está fazendo estudo clínico no Brasil? Ok, se é no Brasil, a vacina é boa, excelente. Então, isso, de uma certa maneira, já colocou o Brasil em destaque dentro da Sinovac. E o segundo ponto é que a Sinovac está fazendo um movimento de sair da China já há algum tempo. Qual é o país mais relevante aqui na América Latina? Brasil. Na parte de ciência, na parte de população, na parte de mercado. Então, mais ou menos, um movimento natural
dela vir se instalar no Brasil e fazer do Brasil um hub para toda a América Latina. Portanto, nós não estamos falando apenas num escritório comercial no Brasil, nós estamos falando em desenvolvimento. Exatamente. A Sinovac vem para se instalar em definitivo, para fazer pesquisa e desenvolvimento, para criar uma estrutura de produção. Ela já tem parcerias estabelecidas aqui no Brasil, tem uma parceria forte já com o Tecpar, tem duas PDP,
com o Tech Park, que é um programa do governo para desenvolver e produzir vacinas. Então, ela está vindo para, de fato, ser uma empresa brasileira com DNA chinês. Que condições um país precisa oferecer para atrair pesquisa de conta, além de incentivos financeiros? Veja, Milton, essa é a grande dificuldade do Brasil. O Brasil, durante muitos anos,
simplesmente o depositário de produtos. As grandes companhias multinacionais mandam os produtos para cá, mas não produzem os produtos aqui. Isso trouxe, de uma certa forma, uma dependência muito grande do país de importações. Nós vimos isso criticamente durante a pandemia e esse é o grande desafio. O Brasil precisa voltar a ter uma indústria farmacêutica própria, com desenvolvimento local, com produtos sendo produzidos aqui
acabados ou introduzidos no mercado. Então, as condições desse momento atual, que tem uma grande quantidade de iniciativas, de recursos disponíveis para que isso aconteça, quer dizer, tem um programa de neo-industrialização do Brasil. Então, o Brasil está, de fato, criando condições para que empresas multinacionais de outros países venham para o Brasil, para que pesquisadores de outros locais, o Brasil está fazendo um esforço para repatriar,
inclusive os seus cientistas, exatamente para criar essa indústria brasileira, genuinamente brasileira de biotecnologia. Porque a vinda da Sinovac para o Brasil, dentro dessa estrutura a qual o senhor estava descrevendo, ela também traz conhecimento e troca de experiência. Exatamente. Esse é o ponto fundamental. Quer dizer, o Brasil tem uma pujança científica, tem uma capacidade grande de trabalhar na fronteira do conhecimento
já está nessa posição é extremamente positiva, para os dois lados. Por exemplo, nós vamos começar agora um estudo para desenvolver uma nova vacina, uma vacina RNA contra o herpes zóster. É uma vacina única, não existe outra vacina com essa tecnologia. Existem vacinas tradicionais para o herpes zóster, mas essa tecnologia é única. Nós estamos fazendo isso, vamos fazer aqui no Brasil e a China no mesmo tempo, estudo clínico no mesmo momento. O Brasil, com isso, está na crista da onda, vamos dizer assim.
está na fronteira do conhecimento. E isso leva à formação de gente, leva a treinamento, leva ao desafio de você organizar o mundo científico, o mundo técnico, e, ao mesmo tempo, cria uma expectativa muito grande dentro do setor. O setor fala, bom, eles vão fazer tecnologia de ponta, nós também precisamos. Se eles estão fazendo, é porque temos condições de fazer. Então, ela é virtuosa em vários,
Em vários sentidos. O senhor até se referiu que é uma possibilidade também de repatriar talentos que foram perdidos para o exterior. E esse é um ponto que nós assistimos muito em diferentes indústrias aqui no Brasil, de nossos talentos terem ido para fora para crescer, principalmente no campo da pesquisa e da inovação. Além de trazer esses talentos, haverá o incentivo para a criação dos talentos que aqui estão? Porque eu imagino que um pesquisador começa a enxergar de outra maneira as possibilidades que surgem no seu mercado. Sim.
Exatamente essa é a ideia. Quando você trabalha na fronteira, quando você está disputando tecnologias, quer dizer, isso não é só um estímulo para as pessoas que estão aqui, é um estímulo para o sistema. O sistema passa a acreditar que você pode inovar. Não, é possível fazer inovação. É possível fazer inovação que importa. Vamos abandonar um pouco a ideia de que nós só conseguimos repetir. Repetir, repetir. Não, precisamos fazer coisas na fronteira do conhecimento.
faz, até certo ponto, mas falta o pulo. A universidade faz, mas não consegue chegar à indústria, por barreiras, as mais variadas, inclusive, de investimentos. Quando você faz isso dentro da indústria, muda um pouco a lógica. Muda um pouco a lógica. Quer dizer, eu estou fazendo dentro da indústria uma continuidade do que é feito na universidade. Então, você veja, faz o link, faz a ligação da pesquisa básica com a pesquisa já industrial, com o desenvolvimento final de produtos.
Existe ainda um preconceito por parte do pesquisador ou cientista dentro da universidade nessa relação com o capital privado, com as empresas privadas? Ou essa é uma barreira que já foi ultrapassada? No meu caso, eu enxergo que ela foi ultrapassada. Mas ainda existem os puristas, vamos dizer assim, aqueles que acham que a universidade tem que se dedicar à ciência pela ciência e não a uma ciência que traga resultados.
muito diferente disso. Hoje existem mecanismos, até incentivos, para que as pesquisas da universidade sejam colocadas no mercado. Acho que essa é a função de uma universidade de pesquisa dentro do Brasil. É produzir coisas para a sua sociedade, para o seu povo. E não produzir uma tese, um doutorado que fica armazenado lá na prateleira sem trazer realmente benefícios práticos para a população. O senhor costuma dizer que o desafio é desenvolver produtos novos.
que não estão no mercado. O que isso muda na lógica da pesquisa e do investimento? Muda muito, muda muito. Primeiro que você é desafiado, quer dizer, você fazer coisas novas não é uma atividade trivial. Então, isso envolve pesquisas de prospecção, você tem que ficar olhando para onde está indo a tendência naquele momento, olhando patentes, olhando o registro de estudos clínicos, olhando o movimento das grandes companhias,
nova onda na inovação. Então, você tem que estar antenado. E isso exige um trabalho relativamente grande de esforço. Um esforço relativamente grande. E o segundo ponto é se preparar para isso. Então, por exemplo, quando começou na pandemia a vacina de RNA, todo mundo, de uma certa maneira, foi pego de surpresa. Uma vacina que nunca foi produzida antes, nunca foi tentada antes.
O mundo olhou aquilo com um certo preconceito, vamos dizer assim, muito novo, está numa situação de pandemia. Bom, mas ela passou no teste. Passou no teste e agora é a nova onda, vamos dizer assim, de biotecnologia, que é mais rápida de você produzir, mais eficiente, mais barata. Então as companhias estão mudando para essa tecnologia, uma mudança de paradigma tecnológico. Isso é um grande desafio para todas as companhias.
terapias celulares, gênicas, quer dizer, há uma tecnologia bastante moderna nessa linha de trabalho. Tudo isso vai ser trabalhado também aqui no Brasil? Vai ser trabalhado, esse é o plano. Obviamente que a gente está começando. A Sinovac na China é uma grande companhia, é uma das maiores companhias na área de biotecnologia. Tem vários campos, tem várias unidades de pesquisa e desenvolvimento, tem várias unidades de produção.
em uma companhia que será brasileira, Sinovac Brasil, que deverá ser constituída agora nos próximos meses. E aí desenvolve, pesquisa e fabrica a vacina aqui? Essa é a ideia. Essa é a ideia de vir a tecnologia completa e não simplesmente parte da tecnologia ou a finalização do produto, como é o habitual. Para esse tipo de trabalho serão montadas equipes no Brasil com, imagino, forte presença de pesquisadores, doutores,
O que o senhor mais valoriza na hora de formar um time de pesquisa? Nós já temos um projeto previamente aprovado na FINEP que vai nos permitir a contratação de 50 funcionários com o título de técnico, mestre ou doutor. Essa é a exigência. Ou seja, precisa ter o mestrado, o doutorado para trabalhar nessas vagas. O que é importante? O importante é o seguinte, nós temos uma juventude, nós temos uma capacidade técnica,
uma capacidade intelectual fantástica. Essas pessoas precisam de oportunidades, precisam de ter bons laboratórios, precisam de ter boas ideias e precisam de ter motivação. Eu acho que isso a Sinovac vai oferecer e nós vamos conseguir atrair o que é melhor em termos de capacidade, de pessoas, de vontades. Eu acho que o que reúne é o propósito. Quando você fala, vamos montar um time aqui para fazer uma nova vacina, um novo produto, esse é o nosso desafio.
para ajudar as pessoas. Acho que isso é o catalisador, é o que traz um bom time. E é a forma de estimular que esses jovens cientistas decidam ficar aqui no Brasil. Exatamente. Hoje, por que não ficam? Porque não tem oportunidades. Às vezes, forma numa área, um doutorado, vai fazer um pós-doutorado no exterior, mas aí não tem aonde aplicar aqueles conhecimentos, não tem demanda para aqueles conhecimentos.
E aí a pessoa fica, bom, mas eu preciso dar continuidade, eu preciso ter condições de avançar. E aí isso é um dos entraves. Hoje, qual é o nível das universidades brasileiras na preparação desses profissionais? Olha, nós temos boas universidades, nós temos excelentes grupos que preparam muito nas mais avançadas técnicas, nas mais avançadas formas de resolver problemas na área biológica.
O que precisa é que haja coordenação, que esses grupos sejam coordenados e que haja principalmente isso, uma oportunidade. Quer dizer, a universidade não consegue dar vazão, vamos dizer assim, em termos de trabalho, para todos esses profissionais. Eles estão sendo formados e precisam se colocar em algum lugar. A indústria farmacêutica no Brasil contrata parte desses profissionais,
alta tecnologia e coloquem os desafios. E eu acho que essa é uma oportunidade que a Sinovac vai trazer. Quando se trabalha com algo absolutamente novo, ou quando se trabalha com ciência, quer dizer, lidar com o erro é essencial. Como é que se trabalha internamente essa característica na formação de um profissional? Olha, o erro é a parte mais importante do aprendizado. Se a gente não erra, a gente não aprende. Primeiro que é impossível.
se você acertar de primeira. E os erros são naturais no empreendimento científico. Na realidade, a ciência é uma grande repetição de erros consertados. Você pode dizer assim. Eu sempre, como orientador dos meus alunos, não só mostrava esse lado da ciência, como mostrava o outro lado. As dificuldades do aluno que passa horas e horas,
de repente tem um resultado positivo. Dezenas de resultados negativos e um resultado positivo. Aí você fala para o seu aluno, olha, isso aqui vai mudar a vida das pessoas. Você muda a vida do estudante, você muda a vida da pessoa. Ela passa a enxergar ali um real valor. Eu estou fazendo uma coisa que importa. A partir daí vai embora. O que o país precisa, na sua visão, para que se consiga avançar ainda mais nesses projetos todos?
de um direcionamento mais objetivo. Nós temos várias políticas que tentam se coordenar, a política industrial, a política científica, mas ainda não há uma convergência. O Brasil precisa dizer assim, olha, eu quero ir nesse caminho, nesse caminho e nesse caminho. E vou dar condições para que isso aconteça. Hoje as iniciativas existem, são muitas, mas são dispersas.
Existem muitos recursos, mas são dispersos. Existem muitas iniciativas, mas são dispersas. O que precisa é ter uma centralidade e uma definição maior, uma indução maior, no sentido de você orientar aonde os recursos para pesquisa devem ser colocados, aonde o governo pode ajudar as indústrias a se desenvolver. Porque, no fundo, hoje, a economia mundial é uma economia de disputa tecnológica.
prima, não é mais capacidade industrial. Não, é uma disputa tecnológica. Os países estão se destacando porque têm melhores tecnologias. A China está numa posição praticamente hoje de liderança em vários setores porque incorporou tecnologia. Desenvolveu o seu parque, formou as suas pessoas, um sistema educacional fortíssimo. Então o Brasil precisa mais ou menos olhar para o que está dando certo.
mundo e usar o mesmo caminho. Doutor Dimas, para quem atua em empresas e não é da área científica, o que a lógica da ciência pode ensinar sobre tomadas de decisão? Essa é uma fase interessantíssima que me chama muita atenção. Quer dizer, nós temos grandes empresários que são muito intuitivos na maior parte das vezes. Mas você veja, tomada de decisão numa empresa ou num laboratório tem que seguir o mesmo fluxo, tem que ser baseado em evidências,
em dados concretos, em análises. Muitas vezes as análises não são completas. Então, precisa, no meu modo de entender, o grande empresário precisa se cercar de pessoas competentes, de técnicos competentes, e aproveitar as experiências que dão certo. Acho que isso é fundamental. A gente não começa, dificilmente a gente começa alguma coisa do zero. A gente sempre começa olhando coisas que já estão,
em andamento. Na Sinovac, a cultura é um pouco diferente da cultura brasileira. Na China, a China é um pouco diferente do ponto de vista cultural. Aqui no Brasil, nós temos uma deficiência. Uma deficiência que, no fundo, é uma deficiência educacional. Nós temos uma dificuldade de formar pessoas especialistas, mas com uma visão mais ampla. No caso da universidade, a visão de negócio, a visão de
mercado, a visão de necessidade social. Então, eu acho que, em um determinado momento, essas coisas precisam ser coordenadas. Nós precisamos ensinar os nossos alunos como funciona a empresa, como o negócio deve ser, qual é o objetivo, o que é a economia do país. Da mesma forma que nós precisamos ensinar ao mundo empresarial que existe todo um outro mundo acadêmico que, muitas vezes, está na fronteira do pensamento.
mas às vezes não tem os instrumentos. Se você conseguir reunir quem tem os instrumentos, com quem tem o planejamento, a análise, você seguramente vai avançar muito rapidamente. Doutor Dimas Covas, quero agradecer a gentileza do senhor ter aceitado o nosso convite, compartilhado aí seu conhecimento, sua experiência, com todos aqueles que nos acompanham aqui no Mundo Corporativo. Sucesso nessa iniciativa, nova iniciativa,
na sua carreira também agora à frente da Sinovac. Muito obrigado e até uma nova oportunidade. Eu agradeço, Milton. Um grande abraço a todos vocês. Doutor Dimas Covas, cientista-chefe de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Sinovac, foi o nosso convidado no Mundo Corporativo. Essa entrevista completa você pode assistir no canal da CBN no YouTube, no site cbn.com.br ou no aplicativo da CBN. O Mundo Corporativo também está disponível no Spotify,
ou no podcast mais próximo do seu celular. Lá no meu blog, miltonjung.com.br, Jung você escreve com J-U-N-G. Lá você tem o texto sobre essa nossa entrevista, tem o vídeo à disposição e tem um espaço para você comentar, deixar a sua opinião e dar novas sugestões para os próximos programas. Colaboraram com este mundo corporativo Carlos Greco, Luiz Delboni, Rafael Furugem, Débora Gonçalves e a Priscila Gubiotti.
Até o próximo capítulo do Mundo Corporativo.