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'Números macroeconômicos mostram situação positiva, mas percepção das famílias é de que a economia piorou'

12 de março de 20266min
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Carlos Alberto Sardenberg analisa o descompasso entre indicadores macroeconômicos positivos e a opinião negativa da população em pesquisas eleitorais. Na Quaest, divulgada na quarta-feira (11), 48% dos entrevistados acredita que a economia piorou nos últimos 12 meses. Enquanto isso, números macroeconômicos aponta uma inflação em queda e baixo nível de desemprego. Ouça o comentário.
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Assuntos4
  • Desempenho EconômicoInflação em queda vs. percepção de carestia · Baixo desemprego vs. reclamações sobre emprego · Dados positivos ignorados pela população · Impacto na avaliação do governo
  • Trabalho InformalBaixas taxas de desemprego oficial · Informalidade em cerca de 40% dos empregos · Empregos informais com menor renda e proteção · Percepção negativa apesar de números baixos
  • Avaliação de governo e aprovação presidencialPesquisa Quaest sobre economia · Avaliação negativa do governo Lula · Responsabilização do governo pela situação econômica · Dados eleitorais e índices de reprovação
  • Financas GovernamentaisImpostos (IPVA, PTU) · Material e matrículas escolares · Pressão orçamentária de fevereiro a março · Impacto na percepção econômica
Transcrição12 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

aberta, com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia pra você, Carlos Alberto Sardenberg. E aí, Milton, como vai? Bom dia, Cássia. Bom dia, Carlos Alberto. Muito bom dia, ouvintes. Sardenberg, existem alguns indicadores macroeconômicos, alguns dados positivos. Mesmo assim, quando você vai ouvir a opinião do cidadão na pesquisa eleitoral, você não percebe esse olhar positivo em relação aos dados. É um descompasso. O que que acontece?

Pois é, Milton. Saíram algumas pesquisas nesta semana, e por exemplo, saiu a pesquisa da Quest, que diz o seguinte, que quase metade da população brasileira, 48% dos entrevistados, acham que a economia piorou nos últimos 12 meses. E é um número maior do que na pesquisa anterior, na pesquisa de fevereiro. Na pesquisa de fevereiro, 43% diziam que a economia estava pior.

por cento que dizem que a economia piorou. E, entretanto, quando você olha, como você dizia, os números macroeconômicos apontam uma situação de inflação em queda, uma inflação desacelerando e o país, embora tenha crescido pouco no ano passado, dois e pouquinho, o país vem de três anos, mais de três anos, 2021, 2022, 2023, 2024, vem aí de três, quatro anos de crescimento da economia.

e o desemprego está em nível muito baixo. Entretanto, quando você olha nas pesquisas, você vê esses dados que eu citei e que mostram, entre outros, que o pessoal acha que a economia está andando na direção errada. Então, em outras palavras, os números macroeconômicos mostram uma situação mais positiva e a percepção das famílias, a percepção das pessoas, pior, ver uma economia pior. O que acontece?

Primeiro ponto eu chamaria atenção para a questão da inflação. Quando a gente fala que a inflação desacelerou, que a inflação está caindo, não quer dizer que os preços estão caindo. Significa que os preços estão subindo menos. Quando a inflação foi de 4%, significa que no nível, na média geral, os preços aumentaram 4% em relação a um ano atrás. Mas continua aumentando. 4% é menos do que estava aumentando antes.

5, 6, mas a população não chega a perceber porque os preços continuam aumentando. Hora um, hora outro, mas continua havendo aumento de preços, não há uma queda. Então, como a gente diz, a inflação pode estar caindo, mas a carestia é alta. O outro ponto é a questão do emprego. O desemprego está em níveis muito baixos, mas a população reclama. E por que isso?

Primeiro, quase 40% dos empregados, das pessoas empregadas, estão no informal. Informal, onde se trabalha mais e ganha-se menos. É mais apertado o trabalho, mais pesado, e os vencimentos e as garantias são menores. Então, isso reflete uma percepção, isso vai dar uma percepção negativa. Depois você tem a questão do endividamento.

elas têm o endividamento. Segundo os últimos dados da Confederação Nacional do Comércio, 80% das famílias têm dívidas. Não que estejam atrasadas, mas têm dívidas. Têm carnê para pagar, boleto para pagar todo mês. O que cria uma situação, uma percepção também ruim de todo mês. E desses que estão com dívida, cerca de 30% têm dívidas em atraso. Estão tendo que escolher o que vai pagar no fim do mês.

pagar o tal boleto e atrasa o outro boleto. E isso também gera uma percepção muito negativa. Então, quando você soma esses fatores todos e acrescenta que nós estamos no início do ano, janeiro, fevereiro e março, que é o ano em que as famílias pagam o IPVA, IPTU, pagam material escolar, pagam matrículas escolares, etc.

que é um peso para os orçamentos, então você verifica que, embora os dados macroeconômicos digam que o país vai muito bem, a percepção das pessoas é de que não vai tão bem assim, que o emprego não é bom, que o emprego fica longe, que o salário não é suficiente, que muita gente está no informal e que os preços continuam subindo, embora em nível menor.

diretamente o governo. As pessoas responsabilizam o governo por essa situação. E é por isso que, nas diversas pesquisas, a avaliação do governo Lula, o negativo supera a avaliação positiva. É isso aí, né, Milton, Cássio? Uma coisa é o número ali do papel, outra coisa é a vida real, né? Muito obrigado, Carlos Alberto Sardenberg, pela sua análise.

Meio dia. Até logo mais. Até mais tarde.

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