Guerra reduz chance de queda de meio ponto da Selic, afirma economista
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- Selic e trajetória de queda dos jurosPossibilidade de redução da Selic · Debate entre queda de 0,5% ou 0,25% · Afirmação do Ministério da Fazenda · Impacto da guerra nas expectativas · Reunião do Comitê de Política Monetária
- Investimentos FinanceirosJuros altos desestimulam investimentos · Atração de capital para mercado financeiro · Impacto no crédito imobiliário · Empreendedorismo afetado · Expansão de empresas
- Preços de Combustíveis e PetróleoConflito entre EUA, Israel e Irã · Aumento do preço do petróleo · Risco de preço chegar a 100 dólares · Duração e incerteza do conflito · Capacidade de reação do Irã
- Esquerdomachismo EmpreendedorismoCusto do dinheiro · Retorno sobre investimento · Risco empresarial · Estímulos econômicos · Desincentivo com juros altos
- Oferta e Demanda PetroleoLei da oferta e procura · Pressão inflacionária · Necessidade de aumentar produção · Redução de preços
- Setor AgropecuárioCrescimento do agronegócio · Contribuição ao PIB
- Capital e Formacao EconomicaInvestimento em máquinas · Implementos agrícolas · Capacidade produtiva
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CBN, valorizando o seu bolso, com Gilberto Braga. Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para o nosso papo semanal com o professor economista Gilberto Braga, CBN, valorizando o seu bolso. Gilberto, muito bom dia, tudo bem por aí? Bom dia, tudo bem comigo, Paulo Galvão, com você? Tudo bem, Gilberto, apreensivo, né? Acho que todo mundo, o mundo inteiro está apreensivo com o que está acontecendo lá no Irã,
repercussões mundiais na área econômica e a gente vai focar nisso. Temos também o PIB que saiu nesta terça-feira. Você quer começar por onde hoje, Gilberto? Rapaz, só tem notícia difícil, né? Vamos começar pela guerra, né? A gente fica pensando que o negócio ocorre lá do outro lado do mundo que não interfere com a gente, mas mexe no nosso bolso, né, Galvão? É verdade, né? Estava dando uma olhada nos números aqui. O preço do petróleo desde sábado, Brent,
13,1%, só nesta terça-feira foram 7%. Qual que é a repercussão disso na nossa economia aqui, hein, Gilberto? Agora é muito grande, né? Então, na verdade, para você ter noção, para o nosso ouvinte entender, colocando em números redondos, sem entrar aqui no detalhe da precisão, o barril do petróleo saltou de 70 para 80 dólares.
menos nessa casa aí e com risco de poder chegar a 100 dólares segundo especialistas porque neste momento que a gente conversa a gente tem uma ideia de que essa incursão essa guerra essa incursão de Israel dos Estados Unidos no Íbano e no Irã não vai ser rápida né vai demorar e não é aquela coisa como foi por exemplo a Venezuela em que se derrubou o regime na verdade
o presidente Maduro e o regime continuou. Então, a ideia, primeiro, de que é mais demorado. Segundo, ainda que se tenha as baixas que se teve, não se sabe qual é o regime que vai perdurar. Então, de alguma forma, existe uma teocracia que tem uma possibilidade de continuar, não se sabe quem vai ser a nova liderança e não se tem uma certeza de qual é a capacidade,
de reação no sentido de armamentos armazenados, ou seja, de quanto que tem de artilharia ainda guardada para poder ficar reagindo aos ataques combinados de Israel e dos Estados Unidos. Então isso tudo projeta o que para a economia? Um conflito geopolítico, ou seja, uma área daquela região dos países árabes que pegam os principais produtores de petróleo
qual matéria-prima do mundo, traduzindo em miúdo, preço do petróleo SOP, dificuldade de você escoar mercadorias, produtos, aumento do custo logístico de uma forma geral e a gente sabe que isso está na raiz dos combustíveis, na raiz da matéria-prima mundial, a inflação global e isso afeta a economia de todos os países e afeta a economia brasileira. Ainda que a gente diga
Desculpa interromper aqui, só um parêntese, afeta a economia brasileira, o fato de o Brasil também ser um exportador, o fato de aquele petróleo, a gente sabe que 20% do petróleo passa ali pelo estreito de Hormuz, mas um petróleo que vai principalmente para a Ásia, principalmente para a China. Eu queria que você explicasse para o nosso ouvinte, na prática, diretamente, se o Brasil pode sofrer uma falta de petróleo,
essa produção consegue cobrir, ou o fato de a gente importar também de outras regiões? Como é que fica essa situação? No primeiro momento, isso não afeta, digamos assim, o acesso do Brasil a petróleo. Até porque, como você bem já colocou, o Brasil não é um comprador prioritário de petróleo que vem daquela região. Então, o Brasil compra o petróleo, sim,
Na verdade, ele troca bastante também, porque a qualidade do petróleo que a gente coloca no mercado internacional inferior à qualidade do petróleo que vem de lá. De qualquer forma, o que nós temos é que isso, ainda que não afete a oferta no sentido físico, afeta no sentido financeiro. O petróleo é o que a gente chama de commodity, ou seja, ele tem ali um preço que é padronizado, que é uma maneira de apresentação,
O composto químico tem que ter determinadas características e é dessa maneira que ele é negociado em termos de preço. Então, mesmo que você fosse autossuficiente, o preço estaria mais caro. Então, isso aumenta a pressão de custos, porque mesmo que você vendesse para você mesmo, você ia vender mais caro, por incrível que pareça, a não ser que houvesse uma intervenção governamental, que a Petrobras começasse a ter prejuízo, etc.
Então, a gente entraria aqui numa outra discussão. Mas mesmo você não sendo dependente do petróleo que vem do Irã, por exemplo, o nosso país vai ter o efeito de um aumento de preço. Até que para alguns locais, de maneira muito pontual, isso pode ser positivo. Porque estados, por exemplo, que são produtores e que recebem royalties, como o Rio de Janeiro, que é o maior produtor do Brasil hoje, na bacia de campos, os municípios que são ali,
do entorno irão receber mais repasses por conta da produção que tende a ser mais bem remunerada. O royalty é um pedaço do preço do petróleo. Se o preço aumenta, o pedaço que é pago como royalty também aumenta. Então, afeta o custo interno de tudo aquilo que é de maneira direta ou indireta produzido com petróleo. A gente está conversando aqui no CBN Madrugada com o professor e economista Gilberto Braga.
agora que não quer calar é a preocupação em relação aos juros, porque você passou um cenário de possibilidade de aumento de inflação, não só no Brasil, mas no mundo todo. E o nosso ouvinte sabe que tudo que a gente não precisa agora é de inflação, para que a gente possa entrar numa trajetória boa de queda da taxa Selic. Diante desse novo cenário, o que dá para se prever para os próximos dias 17 e 18, quando o Comitê de Política Monetária do Banco
Central vai estar reunido para possivelmente baixar a nossa taxa Selic, que está mantida em 15% já há muito tempo. Bom, primeiro a gente tem que dizer que mais cedo, na terça-feira, o ministro Fernando Haddad foi perguntado sobre isso e ele disse que a princípio a guerra do Irã, essa questão da inflação, do petróleo, isso não vai mudar a trajetória do início do
ciclo de queda. Ele só não disse de quanto vai ser essa queda. Então, o que a gente pode tranquilizar o nosso ouvinte é de que, a princípio, está mantida a ideia de que a gente terá uma redução da caixa básica. Agora, a discussão que a gente teve na semana passada quase que continua hoje, né? Porque, semana passada, você já tinha me perguntado se ia cair 0,25 ou 0,5 e eu falei que apostava em 0,50. Sim. Agora, parece que tenha mudado, né?
Pode ser que hoje eu bote menos fichas aqui na roleta, entendeu? É isso que eu quero saber agora. Na semana passada você estava apostando 20 reais, imagina. Agora você acha que apostaria um pouquinho menos, não é ou não? É, eu vou apostar 5. Mas na verdade eu continuo apostando que vem 0,50, mas as chances de não ser 0,50, por assim dizer, a probabilidade aumentou, estão um pouco mais divididas. Os economistas que foram hoje,
ouvidos em pesquisas, que deram entrevistas, todos levantaram essa possibilidade, ou seja, existe uma tendência de queda, mas a possibilidade de C050, que era quase que uma unanimidade há 20 dias atrás, começou a cair semana passada, quando saiu o IPCA 15 e agora caiu mais um pouco essa disparada do preço do petróleo em função das operações,
lá no Irã. Agora, Gilberto, mudando de assunto agora, o PIB, que foi divulgado nesta terça-feira, no quarto trimestre, cresceu apenas 0,1%, fechou o ano de 2025 a 2,3%. O que dizer sobre esses números? O menor avanço em cinco anos, ou seja, desde a pandemia, mostra que no final do ano a economia, como a gente já vem conversando aqui semanalmente,
perdendo força, foi um ano bom, aquém daquilo que a gente precisa e do que a gente deseja, o 2.3 é muito inferior ao 3.4 de 2024, ao 3.2 de 2023 e ao 3% de 2022, sendo que 2021 cresceu 4.8, mas foi o primeiro ano pós pandemia, depois de ter encolhido 3.3 em 2020, que foi o ano da pandemia.
numa perspectiva de comparação com os últimos anos, a economia brasileira foi positiva, desacelerou. Tivemos uma performance espetacular do agro, que sozinho cresceu mais de 11%. Então, boa parte do crescimento do PIB se deve ao agro. O setor de serviço cresceu muito pouco, mas ainda assim ele tem uma contribuição relativa preponderante, então é importante que ele cresça.
pequeno crescimento da indústria com a formação básica de capital fixo, que é aquela coisa de compra e venda de máquinas, de produtos intermediários, implementos agrícolas, ou seja, máquinas que vão te ajudar a produzir outros produtos ou outras máquinas. E o consumo das famílias de alguma maneira cresceu, mas cresceu menos para quem ganha pouco, o que significa que a inflação castigou ainda que ela venha caindo e principalmente a taxa de juros.
A taxa SELIC, como a gente sabe, acaba se propagando para o resto da economia, levando a taxas no crediário mais caro. E parte do consumo em economia com má distribuição de renda como agentes se dá através do crédito, do crediário, da prestação, do parcelamento do cartão de crédito. Então, isso tudo mostra que o consumo das famílias ainda foi importante, mas foi muito menor do que nos últimos anos.
um processo de desaceleração e que em 2026 promete ser uma continuidade disso, ou seja, um ano positivo, mas com o PIB também ainda mais magro, mas com o efeito de tentar controlar a inflação. O que a gente tira disso para te devolver é a discussão que passa em paralelo à necessidade do governo fazer um ajuste fiscal sério para valer, controlar a despesa pública para poder diminuir a taxa de juros mais rapidamente. Nessa que eu quero entrar,
Gilberto, para a gente fechar o nosso papo, porque o nosso ouvinte, o nosso ouvinte que acompanha a economia, às vezes até estranha, percebe uma situação que parece meio contraditória, uma situação peculiar, que o nosso PIB cresceu menos porque o próprio Banco Central freou a economia e freou porque tem que evitar a inflação. O que a gente precisa fazer, Gilberto Braga, para que a gente possa crescer, para que o nosso PIB possa crescer de verdade sem gerar inflação
Ou seja, com a possibilidade de redução de taxa de juros, hein? Bom, a gente obviamente precisa de crédito barato e taxa de juros menores, mas para que isso exista, para você estimular que as pessoas corram o risco de pegar o dinheiro, ou seja, se você sabe que vai pagar uma prestação muito cara, você não compra a casa própria, você não abre um negócio, você não contrata gente. Então, o custo de você investir, de correr o risco de fazer o seu planejamento e ir para o empreendedorismo,
ou aumentar o seu negócio, a sua empresa e fazer novas expansões depende muito do custo, da disponibilidade de recursos. Quando você tem taxa de juros altos, você atrai o dinheiro para o mercado financeiro para ficar dormindo e rendendo no banco. Mas por que a taxa de juros é alta? Porque você tem uma economia que não está equilibrada no sentido do gasto público. Então, nós hoje temos um endividamento e todo ano é como se você falasse assim, eu para fechar as contas,
eu entro no cheque especial. Então, o governo se endivida para se reequilibrar, para de alguma maneira ir ali batendo a sua meta, ainda que juridicamente, ainda com contabilidade criativa. Trocando em miúdos, eu tenho uma dívida e para pagar a dívida, eu tenho que pegar dinheiro no banco. Para pegar dinheiro no banco, eu emito um título, um papel, e vendo para o mercado. Para o mercado comprar esse papel, eu tenho que remunerar.
diminuir a sua necessidade de pegar dinheiro com os outros. De pegar emprestado, de emitir papel, de emitir títulos. É você precisar menos de dinheiro. Para você fazer isso, qual é o segredo? Gastar menos. E é o que o governo não faz. Ao contrário, o governo tem um viés de gastar cada vez mais. E esse atual governo tem feito isso nos últimos anos. Tem políticas sociais importantes.
não está discutindo aqui a necessidade de cumprir determinadas necessidades, que são inclusive constitucionais, mas é uma discussão que a gente precisa enfrentar e que de alguma maneira ela fica escamudeada, ou seja, a gente não corta a despesa, a gente aumenta o ônus tributário, ou seja, a cobrança de impostos, taxas e contribuições sobre a sociedade para financiar um pouco essa farra e de alguma maneira a gente vai tomando dinheiro emprestado, porque o governo tem a chave do
E para fechar mesmo, Gilberto, tem um aspecto que acho que é interessante também, que é a necessidade de a gente aumentar a produção de bens para que diminui a pressão inflacionária também, não é, Gilberto? Não é importante esse aspecto? Sim, você aumentar a oferta, na lei famosa da oferta e da procura, você faz com que o preço caia, porque a procura vai aumentar progressivamente e as pessoas vão comprar mais,
mais oferta ou no primeiro momento o preço tende a diminuir. Mas para você ofertar mais, você precisa dar condições de produção. E aí a questão do custo do dinheiro faz toda a diferença. Porque qualquer ouvinte que está aqui nessa maravilhada com a gente, Paulo Galvão, tem boas ideias. Faltam, às vezes, estímulos, condições. Então, se tivesse dinheiro de graça, pudesse pregar dinheiro sem ter taxa de juros, você já imaginou a quantidade
de empreendedores que nós teríamos no Brasil? Ah, sim. Então, quando você tem uma taxa de juros de 15% ao ano, quanto é que tem que ser a sua taxa de lucro, o seu retorno, a sua margem, para você pagar o banco e ainda sobrar dinheiro para você correr o risco de montar um negócio, pagar aluguel, pagar tributo, convencer o seu cliente, fazer marketing. Então, é um esforço muito grande. Então, quando o dinheiro é caro, você desestimula a atividade econômica e a oferta não cresce.
Gilberto Braga, sempre valorizando o seu bolso aqui no CBN Madrugada. Gilberto, mais uma vez, muito obrigado. Uma ótima semana e até a próxima, hein? Um abraço a todos e até semana que vem. Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok, a segurança vem desde o início. As contas de adolescentes já vêm com mais de 50 ferramentas de privacidade e proteção ativadas automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital
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