Episódios de Economia

Caso Master: ideia do Senado de ressarcir fundos de previdência com dinheiro do FGC é um 'desastre'

28 de maio de 20265min
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Carlos Alberto Sardenberg fala sobre a situação de fundos de pensão envolvidos com o banco Master. No Senado, já se levanta a hipótese de usar o dinheiro do FGC para pagar os prejuízos dos fundos de pensão. O fundo é criado com o dinheiro de todos os bancos. ‘Agora, a ideia que surge, é de ‘premiar’ os fundos de previdência que fizeram negócios ruins, na base da propina, da corrupção’. Comentarista destaca que usar o FGC para ressarcir fundos de previdência que fizeram negócio com o Master é ‘um desastre’. Ouça

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
M

Milton

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • O caso MasterBanco Master · Fundo de Garantia de Crédito (FGC) · Fundos de pensão · Rio Previdência · Governo do Amapá · Renan Calheiros
  • Fiscalização e controlo de fundosCorrupção e propina · Responsabilidade dos dirigentes · Socialização da conta
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Bom dia para você, Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia, Milton, Cássia, bom dia, ouvintes. Bom dia, Carlos Alberto. Sardenberg, nós estamos vendo aí uma série de fundos de pensão envolvidos nessas falcatruas do Banco Massa. Rio Previdência foi a mais recente no sentido de ter aparecido novas informações, mas não é só Rio Previdência. E agora já se fala lá no Senado de usar dinheiro do FGC para pagar os prejuízos dos fundos de pensão?

Pois é, Milton, Cássia, vocês vejam que a situação que está sendo desenhada, né? Você pega o caso do Rio Previdência, que fez um aporte de mais de 3,5 bilhões no Banco Master, né? Desde comprando letras financeiras até investimentos em fundos.

Bom, perdeu dinheiro, perdeu dinheiro porque o banco fechou e o Rio Previdência entra lá na fila dos credores, ou na fila dos que têm algo a receber e se sobrar alguma coisa no final. E isso aconteceu com vários outros fundos de previdência de servidores públicos, de governos estaduais e de governos municipais. O caso do governo do Amapá também.

É clássico, é um fundo de previdência do governo do Amapá, dos funcionários do governo do Amapá. Esse fundo também investiu no Master e não foi por uma decisão estratégica de negócios, mas foi por uma decisão política tomada pelos seus dirigentes.

Aí o investimento vira pó. O investimento vira pó. E aí o que estão agora dizendo? Olha, você acaba protegendo todas as pessoas que fizeram esses investimentos, que são investimentos feitos por razões de ordem política e de propina.

e quer que esses investimentos sejam cobertos, essas perdas sejam cobertas pelo dinheiro do Fundo de Garantia de Crédito. Esse fundo é formado com o dinheiro de todos os bancos. Os bancos contribuem, conforme o seu tamanho, para a formação desse fundo, cujo objetivo é proteger os pequenos investidores.

quando um banco quebra. É aquele sistema que paga CDBs até R$ 250 mil para cada CNPJ e para cada CPF. Então, esse fundo é criado com o dinheiro de todos os bancos, os bancos que estão funcionando bem, etc.

E agora a ideia que surge é de premiar, como que é assim, os fundos de investimento, os fundos de previdência, que fizeram negócios ruins, que fizeram negócios da base da propina, da corrupção, dos bifes e tal, fizeram essas aplicações no Banco Master.

E agora querem receber, agora a ideia lá do projeto do senador Renan Calheiros, é que todos esses fundos sejam restartidos pelo Fundo de Garantia de Crédito, que é um desastre, porque primeiro pode quebrar o próprio Fundo de Garantia de Crédito, dado o volume desses investimentos. A solução é responsável.

as pessoas e os governos que fizeram essas transições duvidosas. E não tentar passar a conta, socializar a conta para o fundo garantidor de crédito. Porque aí fica uma beleza, né? Você faz o investimento num banco que está quebrando, recebe lá alguma coisa, alguma vantagem, o banco quebra, você vai no fundo de garantia e pega o dinheiro de volta. Quer dizer, aí não há punição, não há...

Não há responsabilidade, não há regra que se sustente. E é exatamente isso, essa ideia que surgiu no Senado. Ressarcia os fundos de previdência. Vamos alegar que, coitado dos funcionários e tal, mas quando isso acontece, num fundo de previdência qualquer, as pessoas que participam desse fundo de previdência...

são chamados a contribuir para reequilibrar o fundo. É uma das coisas que tem que fazer. E a outra, poder cobrar dinheiro dos que fizeram esses investimentos por razões duvidosas.

Agora, no Brasil é assim, uma irregularidade cria um enorme problema e aí você busca uma solução para aquela irregularidade com base em dinheiro dos outros. É isso que está acontecendo, Milton e Cássia. Muito obrigado e um bom dia para você, Sá Dembeca. Até logo mais no meio-dia. Até logo mais. Até mais tarde.

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