Episódios de Economia

Com bloqueio causado por causa dos conflitos no Oriente Médio, navios brasileiros buscam alternativas para levar cargas

03 de março de 20267min
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Cassiano Ribeiro e Nayara Figueiredo, repórter especial do Globo Rural, comentam sobre as consequências do conflito no Oriente Médio e o impacto na logística dos produtos comercializados pelo Brasil. Neste momento, navios brasileiros buscam alternativas para conseguir levar cargas aos destinos.
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Assuntos9
  • Bloqueio de rotas marítimasImpacto no transporte de cargas brasileiras · Navios parados aguardando novas rotas · Região de Oman como ponto crítico · Alternativas de roteamento
  • Exportações BrasilExportação de carne bovina · Exportação de frango · Rotas comerciais para Oriente Médio · Aumento de custos
  • Crise administrativa setorialPico de colheita de soja · Dependência de transporte por caminhão · Problemas de acesso aos portos do Arco Norte · Região de Miritituba no Pará
  • Sobretaxa de risco de guerra marítimaTaxa de segurança para funcionários · Containeres refrigerados · Custo de três mil e meio dólares por container · Implementação por transportadores
  • Safra Recorde SojaCrescimento de 20% na produção de soja · Crescimento de 11% na produção de milho · Pico de colheita de janeiro a abril · Impacto no PIB do agronegócio
  • Preços de Combustíveis e PetróleoDependência brasileira de importação de diesel · Política de preços da Petrobras · Aumento no preço do frete rodoviário · Consequências para produtores agrícolas
  • Problemas financeiros no setor agrícolaQueda de rentabilidade dos produtores · Redução de margens de lucro · Pressão de preços · Endividamento do setor
  • Taxa de demurra e custos adicionais de portoAumento de tempo de espera nos portos · Taxa por permanência excedente de navio · Impacto na rentabilidade do transporte
  • Preservação de cargas refrigeradas em esperaCapacidade de containers refrigerados · Tempo de manutenção de alimentos · Risco de deterioração de carga
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Conosco aqui no estúdio, o Cassiano Ribeiro e com a repórter especial do Grupo Rural, a Nayara Figueiredo. Muito obrigado a ambos, tudo bem? Tudo bem, Sérgio Demer, tudo bem, Cassia? Tudo bem, boa tarde. Boa tarde. Cassiano, falávamos ontem do impacto da guerra no agro-brasileiro, né? E já no segundo dia de guerra e tal, já tem mais consequências. O que nós temos hoje? Sim, Sérgio Demer, temos consequências principalmente ligadas à logística, rotas de exportação.

falou ontem aqui das alternativas que o setor está buscando lá para desviar, porque tem muito navio brasileiro, navio brasileiro, um navio com carga brasileira, indo já em direção à região ou que já está lá na região. Então, eles estão agora buscando alternativas para fazer essas cargas chegarem, porque o Oriente Médio é um grande comprador de carne de frango, também é um grande fornecedor de matérias-primas para fertilizantes aqui no Brasil, para o mundo todo. E a Nayara Figueiredo tem acompanhado de perto isso e apurou,

que existem hoje, já sendo praticadas, tarifas adicionais no transporte marítimo, que incluem aí uma sobretaxa de risco de guerra. E é exatamente esse nome. Cássia, a Nayara pode explicar melhor. Exatamente. Alguns armadores já anunciaram essa sobretaxa de risco de guerra, que é uma taxa para garantia da segurança, principalmente, dos funcionários que estão trabalhando nesses processos de transporte logístico.

gente conseguiu apurar, essa taxa para contêineres refrigerados, por exemplo, que são os mais exportados nesse momento, que são cargas com carnes, carne bovina, carne de frango, pode chegar a 3,5 mil dólares por contêiner refrigerado. Então, essa é uma tarifa que é adicionada e tem algumas outras tarifas também de demurrage, que é uma taxa a partir do momento em que aquele navio precisa ficar mais tempo esperando

para ser descarregado. Nesse momento, a gente também conversou com o pessoal da Câmara Árabe e os navios, não só com cargas brasileiras, mas no mundo todo, estão parados ali na região de Oman, aguardando uma nova rota ou se vão fazer uma descarga para conseguir enviar seus lotes, as cargas, por via rodoviária também. Rodoviária lá no... Lá no Oriente Médio, exatamente. E tem um outro impacto, Sardemir, que a Nayara também já apurou, que aí diz respeito ao transporte

interno no Brasil, porque a gente está, como eu falei ontem, no pico da colheita da soja agora, Cassi. Então o Brasil está colhendo uma safra recorde e, como muitos sabem, o Brasil depende basicamente de rodovia, de caminhão para transportar esses grãos das fazendas até os portos. E como o Brasil é um grande dependente de diesel, o Brasil importa diesel, não produz diesel, embora seja um grande produtor de petróleo, tem um impacto

diesel já nesse transporte rodoviário, né, Nayara? Exatamente. O pico de escoamento de safra começou no final de janeiro, início de fevereiro, e ele se estende até abril. Então, é um momento em que a demanda por logística e fretes rodoviários aumenta muito. Já existia um problema na logística nessa temporada, na região de Miritituba, no Pará, por problemas no acesso aos portos ali da região do Arco Norte. E agora, com a eclosão

da guerra, isso foi agravado. A expectativa do setor é que nos próximos dias, até as próximas duas semanas, a Petrobras possa definir a sua política de preços e começar a fazer os repasses da alta do petróleo, que vai desencadear um aumento também nos preços do diesel e, consequentemente, nos preços do frete. Então, é um agravante que a gente não sabe ainda até quando vai se estender. Se vai se estender até a segunda safra, vai depender do tempo em que durar

Agora, Nayara Cassiano, eu sei que a gente ainda está muito no começo de tudo isso, mas já existem estimativas de perdas por parte de alguns setores a partir destas taxas extras, a partir destes prejuízos que já começam a acontecer?

esses produtos. O que vai acontecer é a continuidade dos embarques, mas a custos maiores. E assim, né, Cássia? Depende também se a liberação desse estreito aí para alimentos realmente ocorrer. Porque muito se fala que durante a guerra se fecha ali o estreito, mas alimentos são prioridades, né? Ninguém vai ficar sem comer, não tem como fazer guerra. Inclusive o próprio Irã. Exatamente. O próprio Irã, que é um grande importador aí de milho, de soja, farelo de soja. Então, vai depender de como é que vão lidar com essas

com essa situação ali no estreito. E tem isso que a Nayara falou, tem cargas que já estão lá, e muitos navios estão parados, com contêineres funcionando, refrigerando aquela carga, e não se sabe quanto se tem de capacidade para manter ali esses alimentos ali ainda saudáveis, vamos dizer assim. Mudando de assunto, saiu hoje o PIB, e o destaque é o setor agro que puxou o PIB brasileiro. Exatamente, e puxou com uma das maiores altas aí da história,

recente, muito por causa de aumento de safra de soja e milho, que cresceram 20% e mais de 11% aqui, respectivamente, se eu não me engano, e também de aumento de produção pecuária das carnes. O Brasil está produzindo muito mais carne, atendendo o mundo, inclusive o Oriente Médio, com frango, carne bovina, e esses dois segmentos que puxaram principalmente esse aumento do PIB do agro e, consequentemente, o PIB do Brasil. Já o que o pessoal está falando é que em 2026 não deve ser

deve se repetir esse aumento, porque hoje tem, apesar da safra recorde de soja, vindo aí, aumento de safra também de milho, tem uma questão das carnes, que ainda não está muito definida, de aumento de produção, que deve crescer, mas não tanto quanto nos últimos anos, e principalmente por conta de um peso na rentabilidade. Os produtores estão com margens muito apertadas, preços caíram, a rentabilidade dos produtores caiu e os preços também caíram. Então, a produtividade que a gente viu nesse ano,

e a rentabilidade que os produtores tiveram não deve se repetir. Inclusive, a inadimplência do setor hoje atingiu os maiores níveis, segundo dados do Banco Central. O setor está com problemas financeiros. Não é uma crise, mas é algo que nunca se viu tanta inadimplência no agronegócio como se viu nos últimos tempos. Tá certo. Cassiano, obrigado. E Dayara Figueiredo também. Obrigado pela sua participação. Valeu, Cassi. Valeu, Sardenberg. Obrigada, gente. Até mais. Olá, aqui é a Ana Paula Padrão.

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