Episódios de Economia

A agenda ESG no setor de joalheria

01 de março de 202626min
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No CBN Sustentabilidade, Rosana Jatobá conversa com Júlia Blini, co-fundadora da Gaem.
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Assuntos15
  • Ouro como ativo de investimentoRastreamento por blockchain · Origem verificada de joias antigas e eletrônicos · Certificação de purificadores confiáveis · Descarte responsável de químicos tóxicos no processo de purificação · Preço mais elevado que ouro convencional · Garantia de ausência de exploração infantil e trabalho análogo à escravidão
  • Certificações e regulamentações financeirasCritérios elevados de sustentabilidade ambiental, social e de governança · Processo de auditoria interna rigorosa · Avaliação de impacto positivo em cada pilar · Gaem como primeira joalheria brasileira a obter a certificação · Vantagem competitiva com investidores
  • Golpe Colar DiamantesComposição e propriedades físicas idênticas aos diamantes naturais · Ausência de conflitos e exploração na cadeia produtiva · Pegada de carbono reduzida comparada à mineração tradicional · Aceitação pelo mercado de luxo global · Durabilidade e permanência da pedra · Possibilidade de designs mais criativos e pedras maiores
  • Ativação de MarcasFundação em 2021 · Primeira joalheria brasileira com diamantes de laboratório · Co-fundadoras formadas em Moda · DNA de marca com propósito forte · Foco em design despretencionado e versátil · Joias para uso diário e ocasiões especiais
  • Impacto Ambiental da MineraçãoDesmatamento em reservas indígenas · Contaminação de solo e águas por resíduos · Uso de mercúrio e substâncias tóxicas · Emissões altíssimas de CO2 · Proporção: um quilo de ouro gera até 20 toneladas de resíduos · Movimentação massiva de terra para extração
  • Conflitos de Diamante e Cadeia ProdutivaExploração em países africanos · Relação com tráfico de armas e drogas · Impacto ambiental da mineração de diamante · Filme 'Diamante de Sangue' de Leonardo DiCaprio · Ausência desses problemas em diamantes de laboratório
  • ConsumidorNovas gerações valorizam origem e sustentabilidade · Busca por peças livres de conflitos · Interesse em momentos memoráveis (casamentos, noivados, promoções) · Demanda por transparência e rastreabilidade · Importância do 'energy' positiva dos produtos
  • BolsonaroCelebração de eventos significativos · Joias em casamentos, nascimentos, promoções · Transição de função investimento para emocional · Permanência de valor sentimental · Transmissão intergeracional de heirloom
  • Custos e análise econômicaLinha bespoke (sob medida) · Linha despretenciosa para uso diário · Respeito aos critérios de design da marca · Combinação de peças para diferentes ocasiões · Programas de upgrade e recompra
  • Tendências Globais de Ouro RecicladoAdoção por grandes marcas de luxo · Exemplo de Cartier, Tiffany e Rolex · Mudança nas expectativas dos consumidores · Movimento em direção à rastreabilidade obrigatória · Potencial regulação e passaportes de procedência
  • Legislacao e RegulacaoMovimento para rastreabilidade obrigatória · Possível criação de passaportes de joias · Normas mais rigorosas na União Europeia · Expectativa de padronização global · Certificação de procedência e pegada de carbono
  • Expansão EmpresarialOperação atual online e redes sociais · Planos para lojas físicas · Importância da experiência presencial · Educação do consumidor sobre diamantes de laboratório · Presença em YouTube, site e aplicativo CBN
  • Propriedades e Durabilidade de GemasDiamante como mineral mais duro · Dureza permanente em ambos os tipos · Comparação com simulantes como zircônia · Deterioração de materiais inferiores com tempo · Permanência de joias verdadeiras através de gerações
  • Mudancas ClimaticasUso exclusivo de papelão e papel · Eliminação total do plástico · Embalagem de luxo sem impacto ambiental · Embalagens reutilizáveis pelos clientes
  • Tecnologia Seguranca PublicaPreocupação com roubo no Brasil · Preferência por aliança e corrente · Dificuldade em distinguir joias verdadeiras na rua · Impacto na decisão de compra e uso · Necessidade de educação do consumidor
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Sustentabilidade, com Rosana Jatobar. Oi, pessoal, tudo bem? O CBN Sustentabilidade de hoje fala sobre a GDSG no setor de joalheria. Eu converso com a Júlia Blini. Ela é cofundadora da GAEM. Júlia, que prazer te receber aqui no CBN Sustentabilidade. Tudo bem com você? Prazer meu. Muito obrigada. Tudo ótimo. Queria começar, Júlia, repercutindo a história da marca. GAEM, como é que surgiu? Como é que surgiu o nome? Faz tempo que vocês fundaram a GAEM?

A GAEM foi fundada em 2021 e é a primeira joalheria brasileira a trabalhar exclusivamente com diamantes de laboratório. E eu e a minha sócia, Luna, nós fomos formadas em moda, a gente se formou em Paris. Eu sou formada aqui no Brasil pela Santa Marcelina, depois fui fazer essa outra faculdade em Paris e a gente se conhece há quase 20 anos.

porque a gente sempre trabalhou com moda, tanto ela quanto eu, nós estamos há décadas já trabalhando com moda. A gente ficou pensando como a gente pode, dentro do nosso expertise, trazer uma mudança positiva para a moda. E a joalheria tem um grande espaço para isso acontecer, então a gente estudou bastante. Eu já trabalhava com joia antes. A gente estudou e resolveu conceber essa marca que engloba todas essas características positivas que a gente estava procurando.

diferencia a GAEM das outras marcas? Então, a GAEM é a única, acho que o joalhinho brasileiro, que trabalha exclusivamente com o germâncio de laboratório e ouro reciclado, rastreado por blockchain. Isso é maravilhoso. Então, esse combo, nós somos empresa B, a gente já nasceu querendo ser empresa B, então a gente já, a gente nasceu com esse DNA, a gente já veio com essa vontade de querer cada dia melhorar, seja na embalagem, seja na operação, como a gente pode fazer,

isso de uma forma totalmente transparente e com mínimo de impacto. Ou seja, já nasce sustentável. E para você que está ouvindo, gente, empresa B, B Corp, é aquela empresa que respeita os critérios mais elevados de sustentabilidade, seja na área social, ambiental ou de governança. É uma certificação cobiçadíssima. São muitos requisitos para uma marca conseguir a certificação B. E a GAIN conseguiu, né? Significa que vocês, em todos os aspectos da sustentabilidade, vocês prestam atenção. Isso.

O selo B é basicamente uma auditoria dentro da empresa que vai avaliar todos esses pilares, qual é o seu impacto positivo dentro de cada um. A joia continua sendo, né, Júlia, um elemento muito marcante associado a celebrações, a momentos memoráveis. Todo mundo que passa por um motivo ali de conquista ou de celebração marca aquele momento como uma joia, se puder fazer isso, né? Sim.

tempo foi visto como investimento. Famílias compravam ouro, compravam joias pra poder investir. Mas hoje, saiu dessa lógica do investimento, mas continua sendo algo que é feito pra encantar. Nesse sentido, vocês primam, por exemplo, por um design diferente. O que é que vocês imprimem ali naquela joia, pra que elas tenham de fato a cara da gainha? Olha, participar desses momentos é muito bacana. Então a gente tá sempre

tendo com o nosso cliente esses momentos felizes. Sejam eles nascimento de um filho, um casamento, uma promoção de trabalho, um negócio fechado. E a gente tanto tem a linha que a gente faz junto com a pessoa, o bespoke que a gente chama, que a gente faz essa joia sob medida, respeitando os critérios, tanto da marca, do design da marca, a gente procura sempre dar o nosso toquezinho especial,

e aquilo que o cliente está procurando. E a gente tem a nossa linha também, que a gente tem um design, a gente quer ser despretensioso, a gente quer ser cool, a gente quer uma joia que você possa usar tanto numa festa, quanto no seu dia a dia, ou que você possa ir colocando, sabe, está de dia, está trabalhando, tem um jantar, coloca mais duas ou três coisinhas e vai. Então, a gente tem essa, é uma joia jovem, versátil, despretensiosa, que não é para ficar no cofre.

é para ser usada. Você mencionou agora que vocês são a única, a primeira, a única não, mas a primeira, são pioneiros nesse sentido, marca brasileira que utilizou diamante de laboratório. Daqui a pouco a gente vai falar mais sobre esse assunto que é muito interessante, mas eu queria abordar a questão do ouro. A gente sabe que a mineração no Brasil é algo muito preocupante, é uma atividade de alto impacto, porque está ligada a desmatamento, sobretudo em reservas indígenas, uso de mercúrio, cianeto, emissão altíssima,

de CO2, geração de resíduos, muitas vezes de dejetos. Só para a gente ter uma ideia, gente, um quilo de ouro minerado pode gerar até 20 toneladas de resíduos que vão parar no meio ambiente, contaminando o solo e as águas. Vocês optaram por trabalhar apenas com ouro reciclado, ou seja, não é aquele ouro que vem da mineração. Não. Ele vai ser reaproveitado, vem de outros objetos, outros materiais.

Preocupação ambiental. Foi determinante para essa escolha de vocês? Foi determinante. A gente queria, desde o começo, ser uma joalheria que não trabalhasse com nenhum tipo de extração, não extraísse nada da terra. Então, nem o diamante e nem o ouro. Então, o nosso ouro é reciclado, mas ele também é rastreado por blockchain. Então, a gente sabe exatamente de onde ele está vindo. A gente sabe que a gente recebe a foto do lote do ouro que foi derretido. Aquele ouro foi purificado.

E chegou para a gente 100% de novo. Ou seja, cada etapa ali, desde a origem, todos os processos pelos quais esse ouro passou. Isso. E de onde vem o ouro reciclado, que é comercializado hoje no país? Olha, tem várias purificadoras, né? Mas que emitem certificado, não tem muitas. Então, realmente foi um processo para a gente conseguir achar uma parceira que estivesse alinhada com os nossos valores. Eu acho que se você não tem certificação, realmente não tem como a gente saber.

Da onde vem? O nosso a gente sabe, porque a gente recebe uma foto. Então, a nossa parceira pega e alguém pode ir lá e dar as joias, falar, olha, eu quero vender para você. Ela vai coletando, derrete, purifica e a gente compra esse ouro mil, que a gente chama de ouro mil, que é o ouro 100%. Então, a maioria das peças, a maioria ali do ouro reciclado vem, de fato, de peças antigas. Peças antigas.

Quando você desfaz um eletrônico antigo, você pode recuperar uma parte do ouro. A gente tentou esse caminho, uma época. Mas eu acho que não tem ninguém ainda fazendo isso de uma forma... Sistemática. E que seja alinhada com os nossos valores. Porque a nossa parceira, quando você vai purificar o ouro, você lida com químicos super tóxicos. Então, como aquilo vai ser descartado? Não adianta também você achar que você está...

você entra nessa questão da sustentabilidade, você, muitas vezes, pode achar que você está fazendo o máximo. E quando você vai ver, você não está fazendo tanto assim, entendeu? Entendi. Então, o nosso ouro é reciclado, mas ele é reciclado de uma forma alinhada com os nossos valores. Então, aqueles químicos, eles vão ser descartados de forma correta. Então, tem toda essa preocupação. Acho que tem muita gente que faz isso informalmente ainda nessa parte dos eletrônicos. Outro ponto muito importante do ouro reciclado,

está relacionado ao aspecto social da agenda ESG, o que é um ouro que não está ligado à exploração de trabalho infantil, nem trabalho análogo ao da escravidão, que é muito comum aí nos garimpos ilegais pelo país. Quando você utiliza ouro reciclado, você tem a certeza de que ele foi manipulado ali, não houve na cadeia esse tipo de trabalho, né? Sim, sim, a gente tem certeza absoluta da procedência de todos os nossos insumos. E por que vocês primam tanto por esse aspecto da sustentabilidade,

é mais caro do que o ouro tradicional. Eu acho que assim, é aquilo que você falou, a joia apontou um momento tão especial e tão bonito na vida das pessoas e muitas vezes as pessoas não têm contato do que envolve colocar aquela joia no mercado. Então a gente queria trazer uma joia tão bonita quanto, maravilhosa, com design incrível, qualidade excepcional, mas que fosse livre de conflitos, que você pudesse não ter

energia pesada, talvez, nesse momento tão maravilhoso. Que ele seja maravilhoso do começo ao fim. Uma joia limpa. As novas gerações estão se preocupando com isso, Júlia? Sim, sim. A gente vê cada vez mais. A gente vê muito isso em anéis de noivado, principalmente. Os noivinhos vêm muito pelo propósito da empresa. A geração Z veio com tudo nesse sentido. Queria ostentar, querer realmente ter uma peça que seja livre de qualquer tipo de

questão social, ambiental negativa. Agora, como é o desafio de rastreabilidade de vocês, considerando que nem todo ouro que é vendido como ouro reciclado é bem certificado? Então, a gente hoje não tem nenhum desafio com relação à rastreabilidade de insumos, porque é isso, a gente já fez, já tem os nossos parceiros, a gente já sabe que eles são alinhados com os nossos valores, então a gente tem o ouro rastreado por blockchain e o nosso diamante,

ele vem também com o certificado, é tudo certinho, é tudo super transparente. Auditável, né? Vocês ficam de olho se, de fato, aquela cadeia produtiva realmente respeita os critérios da sustentabilidade. Sim. O nosso diamante de laboratório também, ele é carbon neutral. Então, a gente sempre, é isso, a gente está sempre procurando fornecedores que sejam alinhados com o DNA da marca, né? Você disse que o consumidor brasileiro já valoriza essa questão da origem do ouro,

Um movimento que está crescendo, sobretudo das novas gerações. A gente vê grandes marcas, grandes players, como, por exemplo, Cartier, como, por exemplo, Tiffany. Quem não sonha com uma joia da Tiffany? E mesmo Rolex, que já estão começando a introduzir o ouro reciclado nas suas coleções. É algo realmente ainda muito restrito ou o mercado global está caminhando nesse sentido? Olha, isso mostra, esses grandes players já mostram

o caminho que cada vez mais isso vai ser comum e vai ser exigido. Hoje em dia, quando você fala de luxo, as pessoas querem também saber de onde vêm. E eu acho que exigem hoje. O consumidor está cada vez mais exigente e ele quer que o produto dele não seja nocivo. Então, o fato desses grandes players entrarem com ouro reciclado, para a gente, só reafirma que é realmente esse

caminho. É uma tendência, né? É uma tendência. Agora vocês esbarram na questão da oferta, que ainda é bastante limitada, do ouro reciclado. Vai precisar trabalhar no sentido de incentivar essa cadeia que ainda está começando, é incipiente, né? É, a gente tem que fazer um grande planejamento, assim, porque justamente a oferta é menor. Então, a gente tem que se planejar muito bem. Muito bem. O fato de vocês serem B Corp, né? Terem o selo B, de realmente usarem apenas ouro reciclado, serem a

primeira do Brasil a usar diamantes de laboratório. Isso representa uma vantagem competitiva, sobretudo entre os investidores? Eu acredito que sim, porque a marca H&M tem um propósito e ela tem um DNA muito forte. Então, eu acho que é isso. É uma marca que a gente sabe qual é o nosso objetivo e a gente sabe como a gente quer chegar lá. Então, eu acho que

mostrando que a gente persiste numa ideia, com certeza isso atrai mais possíveis investidores. Muito bem. Júlia, você já tem programas de recompra e reciclagem de joias antigas, por exemplo? Você vê algumas marcas, sobretudo nas datas específicas, dia das mães, dia dos namorados, oferecendo ao consumidor que leve uma joia antiga e essa joia funcione como uma espécie de sinal na compra de uma nova. A gente faz.

a gente faz isso o ano inteiro. Você pode vir. A gente faz esse upcycling. E você pode dar a sua joia. A gente vai desmontar, vai devolver as pedras. E aquele ouro vai ficar de crédito pra você comprar uma joia da H&M. A gente não faz reforma. E a gente também tem um programa de upgrade. Então, por exemplo, você compra um solitário de meio que late. Aí deu cinco anos. Você tá num outro momento de vida. Você quer se presentear. Ter um maiorzinho.

Você pode trazer, a gente fica com esse meio quilate da H&M, e você paga a diferença aí. Mas tem que ser da H&M. Tem que ser da origem da empresa, né? Muito bem. E a questão das embalagens, né? Porque hoje a gente tem uma grande preocupação com relação à geração de resíduos, sobretudo relacionado ao plástico, como é que vocês lidam. E no caso de vocês, é uma embalagem que é de luxo, né? Uma coisa muito mais elaborada, muito mais sofisticada. É, a gente, assim, o nosso volume de...

de lixo, em relação à embalagem, não é um volume alto, né? É uma coisa que as pessoas guardam. A nossa embalagem é feita de tecido. A gente não usa nada de plástico no envio, nada. É isso, é tecido e é papel. São os nossos materiais que a gente usa. Muito bem. Vamos agora falar, então, dos diamantes de laboratório, que é outra tendência mundial, né? Além do ouro reciclado. No início, foi uma grande surpresa no mercado. Muita gente, inclusive, querendo depreciar.

O diamante, embora ele seja idêntico a um diamante tradicional, gerou uma controvérsia, se realmente é durável, se realmente carrega esse valor todo aí. Mas hoje parece que ele ganhou um status e ali ele é muito competitivo, né? É, é uma tecnologia que já existe há muito tempo e foi se aperfeiçoando e hoje a gente tem um produto que é compatível com a alta joalheria.

Tiffany na Cartier, por exemplo. A gente preza muito pela qualidade. E ele é quimicamente, fisicamente idêntico. Ele tem a mesma composição, a mesma formação cristalina. Então, eu acho que no começo, óbvio, vai ter um lobby contra, porque isso impacta na indústria no geral, né? Na indústria do diamante. Tanto é que, assim, um dos maiores players, que é a The Beers, tá sofrendo. Porque é isso, é a entrada de um produto idêntico,

Só com benefícios. Muito mais barato. Muito mais barato, uma qualidade maravilhosa, durabilidade idêntica. É tudo idêntico, gente. Não tem como você... Distinguir a olho nu. Não tem, possível. Mas ele é quantos por cento mais barato? Ah, bastante. Eu acho que quanto maior, mais você vai ver a diferença. Quanto maior a pedra. E assim, a gente tem podido fazer, em termos de design, coisas fantásticas, entendeu? Coisas que antes não era possível, hoje a gente consegue fazer.

É muito maravilhoso. Então, eu entendo, assim, no começo ter esse lobby contra, mas é isso, já não tem mais o que fazer, já virou a chavinha. O consumidor já entendeu que é igual, já entendeu que vale a pena você investir numa peça que você vai conseguir usar com mais facilidade, ou aumentar o tamanho, questão do preço, tamanho. Na H&M, você consegue comprar uma joia mais importante, com o mesmo valor. Entendi. Então, vamos dissecar um pouco aqui para o nosso ouvinte a questão

do diamante. Inclusive, gente, tem um filme interessante, protagonizado pelo Leonardo DiCaprio, estava aqui conversando com a Juliana dos Bastidores, chama Diamante de Sangue, que ele revela ali toda a problemática da cadeia produtiva do diamante, sobretudo em países da África, onde existem conflitos perenes, tudo relacionado a essa questão do diamante, porque a mineração também é danosa ao meio ambiente e tem a questão do conflito social, que é muito grave, que está relacionado a tráfico de armas, de drogas, enfim, é uma cadeia suja, muito perversa, muito preocupante.

O diamante de laboratório, não. Ele é totalmente isento desse tipo de conflito. Agora, como é a composição? Eu acho que tem nitrogênio no meio. Tem carbono. Não, é 100% carbono. É carbono. É o carbono que a gente gosta. É 100% carbono. Os dois, tanto o minerado quanto o de laboratório, eles são 100% carbono. Eles têm o mesmo índice de refração. Eles têm as mesmas características físicas, óticas, durabilidade.

dureza na escala mosa, os dois são... O diamante é o mineral mais duro que tem, é a gema mais dura que tem. Do jeito que ela está hoje, ela vai ficar para sempre. Então, você não precisa se preocupar nem no diamante laboratório, né? Ele vai ser idêntico para sempre. Como não vem da mineração, você não precisa se preocupar com a questão ambiental, né? Da contaminação do solo, das águas e do ar. Agora, ele também tem uma pegada de carbono

menor do que a de um diamante tradicional. Tem, porque você precisa movimentar muita terra para extrair. Um quilate de diamante são toneladas e toneladas e toneladas e toneladas de terra. Você vai contaminar água nesse processo. Então, assim, em termos de energia consumida, não se compara. E tem hoje, tem alguns labs que já trabalham com energia limpa. Então, esses, então, já são completamente... Completam a cadeia sustentável. Então, assim, cada vez mais

a gente está vendo esse tipo de movimento. Muito bem. Júlia, vocês operam hoje apenas no online ou em showrooms. Isso. Mas vocês têm planos de lojas físicas? Temos, temos planos de lojas físicas, sim. A gente adoraria. Porque eu acho que a experiência da joia, quando você vê ao vivo, quando você entra na loja e alguém te explica para uma pessoa que talvez não conheça o Diamante Laboratório, pode ter a curiosidade de entrar na loja e entender um pouco melhor. Então, a gente tem super nos planos.

tem uma loja física. Muito bem. E a questão da diversidade e inclusão? Queria repercutir com você, mas eu já sei que a H&M é formada predominantemente por mulheres. Por mulheres, sim. Então, a equidade de gênero não é um problema para vocês, né? Não, não. A gente, nós somos, em grande maioria, mulheres e a gente tem uma cultura na empresa muito bacana, assim. A gente se dá muito bem, é muito legal. Mas é assim no setor como um todo? A joalheria, ela é dominante

por mulheres ou por homens? Porque, se não me engano, a joalheria, sobretudo no Brasil, é dominada por famílias, né? Famílias que, ao longo do tempo, foram desenvolvendo ali, passando de pai para filho, ou não? Como é que está essa questão? Eu acho que o mercado brasileiro, ele é muito pulverizado, né? Então, assim, você tem lá os quatro principais players, mas não é a maior parte do porcentagem. Então, se você for ver, acho que por volta de 80%, são pequenas, pequenas joalherias.

Então, eu acho que tem um pouco de tudo. Tem o Brasil imenso, tem joalherias minúsculas, tem as médias que já são operadas por famílias, tem as grandes que já vêm, como a Vivara, por exemplo. Então, eu acho que é um mercado muito pulverizado, é muito fácil entrar, difícil permanecer, eu acho. Agora, o que a gente vê também é uma profusão de marcas que comercializam bijus de alta qualidade,

você até duvida se é realmente uma joia. Esse tipo de vertente ameaça a joalheria tradicional? Eu acho que não, porque aí você está falando de outros materiais, outros metais, são metais que o ouro vai ser aquilo, você tem o seu anel, vai ficar igual para sempre. Quando você tem um metal que já é banhado, ele vai te dar uma manutenção, você não vai conseguir a delicadeza do ouro 18 quilates. Eu acho que não, acho que é outra, mesmo a própria gema,

Você vai usar um simulante como a moissanita, que está muito surfando a onda do diamante de laboratório, mas não é. Não é diamante de laboratório. É outro material. É outra composição. Tem outra dureza. Tem outras qualidades físicas e óticas. E químicas. É outro produto. Sim. Então, aquilo não vai permanecer. A zircônia vai se deteriorar com o tempo. Então, eu acho que não ameaça. Porque uma joia é para sempre.

joia, né? É uma joia, uma joia é pra sempre. É aquilo que a gente tava falando. Atravessa gerações. Verdade. Agora, há uma preocupação no Brasil que é a questão da segurança. Isso tem dissuadido as pessoas de usar joia, de querer comprar realmente pra poder usar em determinados momentos? Ou você acha que é uma... Eu acho que depende muito, porque, né, eu acho que, obviamente, todo mundo sabe que tem um alto valor, mas uma pessoa que tá andando na rua,

você não sabe se aquilo é de verdade. Uma pessoa que vai roubar não sabe se aquilo é de verdade ou não. Então, ela vai se arriscar. Por isso que eles, na verdade, ficam mais atrás de aliança e corrente, porque a chance é maior. Entendi. E o consumidor, vocês fazem algum tipo de trabalho de conscientização com relação aos critérios socioambientais da H&M? Na hora da venda, é importante vocês passarem essa mensagem? Olha, isso aqui, além de ser uma joia linda, que vai marcar um momento especial, um design maravilhoso,

que a gente aprendeu ao longo da nossa trajetória, é um objeto sustentável, um objeto ESG. Vocês têm essa preocupação de fazer esse tipo de marketing? A gente tem, mas eu acho que o nosso cliente, ele já sabe, ele já vem, ele já acha legal, entendeu? Ele já quer a joia, justamente por ter, além do design, da qualidade, tem tudo isso, tem toda essa questão da sustentabilidade. Esse pano de fundo, né? Então, assim, a gente vê muita gente legal,

vem para a gente com esse pacote, que quer o design, que quer a qualidade e que quer a sustentabilidade. Pois é, e em pouco tempo imagino que esse desejo vá se transformar em algo regulatório, porque existe um movimento no sentido da criação de uma espécie de QR Code, mostrando a origem, a pegada de carbono, o impacto socioambiental da joia, uma espécie de passaporte, para você saber realmente o que é aquela joia, de onde ela veio, a procedência toda, a identidade dela.

isso vai se tornar cada vez mais comum. Ah, eu acredito que sim. Eu acredito que sim. É uma coisa que cada vez mais vai poder se aperfeiçoar nesse processo de transparência. E a tecnologia está aí para ajudar a gente. O blockchain está aí para ajudar a gente a justamente transmitir isso para o cliente final. Eu fico muito feliz em saber que o luxo está realmente migrando para essa esfera da sustentabilidade, com toda a preocupação em como é feito, toda a origem, a procedência, que trabalha de fato com propósito,

deixar um legado. A gente está vendo o mundo afora, sobretudo a União Europeia, apertando o cerco, com normas, exigindo ali toda a rastreabilidade de um determinado produto. Fico feliz de saber que a joalheria entendeu isso daí e que vá, de fato, nesse sentido. Quero te agradecer muito a sua presença aqui no CBN Sustentabilidade. Obrigada. E te dizer que a sua joia hipnotiza. Teve uma hora que você levantou o cabelo que eu olhei assim e falei, até me perdi na pergunta. Obrigada.

Que bom, fico feliz. Muito obrigada. A gente tenta fazer um trabalho de mudança aqui dentro da indústria. Muito bom. Obrigada e volte sempre, Júlia. Obrigada a você. Já te convido para uma próxima oportunidade. Pode me convidar que eu venho. Obrigada. Eu conversei com a Júlia Blini, cofundadora da GAEM. Além de ter acesso ao conteúdo pelo YouTube, você também encontra essa entrevista no site, no aplicativo da CBN ou na sua plataforma preferida. Colaboraram comigo aqui no CBN Sustentabilidade. Minha linda produtora,

Ana Luiz Abessa, nos trabalhos técnicos, meu lindo, Juliano Fonseca e na edição Rafael Furugem e o Renato Barcelos. Um beijo pra você. Até semana que vem. CBN Sustentabilidade com Rosana Jatobá Então, vamos lá! O que é, o que é? Baratinho, com milhares de ofertas, tem frete grátis, é muito prático, com entrega rapidinha e ainda tem cupons de desconto todos os dias. Valento!

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