Episódios de Economia

Selic deve cair, no máximo, até 13% até o fim do ano, avalia economista

25 de março de 202613min
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A indefinição da guerra no Oriente Médio e as consequentes pressões inflacionárias levantam dúvidas sobre a continuidade da queda dos juros no Brasil, afirma Gilberto Braga. Segundo o economista, a ata do Copom, do Banco Central, não traz uma indicação precisa sobre os próximos passos. Braga acrescenta que, mesmo que a Selic continue caindo, a expectativa para o final do ano passou de 12% para 13%.

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Assuntos8
  • Inflação e Política MonetáriaRedução da Selic · Votação dividida no Copom · Ciclo de queda de juros · Expectativa para fim de ano (13%) · Incerteza sobre próximos passos
  • Limites de Financiamento de ImóveisFaixa 3: limite de R$ 400 mil · Faixa 4: limite de R$ 600 mil · Antes: limite era R$ 1 mil na faixa 4 · Expansão do alcance do programa
  • Conflito EUA-IrãGuerra no Oriente Médio · Preço do petróleo acima de 100 dólares · Pressões inflacionárias · Incerteza sobre duração dos conflitos · Impacto na economia
  • Minha Casa Minha VidaAmpliação de faixas de renda · Aumento dos valores de financiamento · Faixa 1: até R$ 3.200 · Faixa 2: até R$ 5.000 · Faixa 3: até R$ 9.600 · Faixa 4: até R$ 13.000 · Impacto nas capitais
  • Impacto Econômico do Programa HabitacionalEstímulo ao setor de construção civil · Geração de empregos · Movimentação de segmentos econômicos relacionados · Compra de materiais de reforma · Compra de móveis e eletrodomésticos
  • Inclusão de PCD e AcessibilidadeUnidades obrigatórias para PCD · Portas mais largas · Plantas adaptadas · Vagas para automóvel · Presença obrigatória de elevador
  • Custos e análise econômicaRegistro em cartório · Despachante · Facilidades incluídas · ETV incluído no pacote
  • Qualidade Construtiva de ImóveisPadrão construtivo decente · Não são imóveis de ganteiros · Não são cubicos · Adequações para PCD obrigatórias
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CBN, valorizando o seu bolso, com Gilberto Braga. Muito bem, é hora do nosso papo semanal com o professor economista Gilberto Braga, CBN, valorizando o seu bolso. Gilberto, muito bom dia, tudo bem por aí? Bom dia, tudo tranquilo, Paulo Henrique Galvão, e com você? Tudo ótimo, a gente tem dois assuntos aqui bem importantes e interessantes, tem a questão das mudanças nas regras, limites do Minha Casa Minha Vida,

Mas eu queria começar com a ata do Banco Central, do Comitê de Política Monetária do Banco Central. Na semana passada, baixou a Selic em 0,25 ponto percentual. Queria saber a tua análise sobre essa ata, que parece que coloca um pouco de água no chope da rapaziada, não é não, Gilberto? Mais ou menos mesmo, Paulo Henrique. Porque o que acabou acontecendo ali é que a votação foi bem dividida pelo que a gente ficou sabendo.

Não foi aquelas decisões com votos unânimes de todos os participantes do COPOM. Houve dissenso ali, a decisão foi bem dividida, vários votaram em 0,50, que era a minha aposta, e outros em 0,25. Agora, curioso é que eles usaram três palavrinhas que eles colocaram aí no que saiu da acta, que diz assim,

esperança, firmeza e serenidade. Quer dizer o quê? Que eles vão devagar? O que você acha? É, realmente não dá para interpretar muito essas palavras aí, mas eles colocaram umas outras palavras aí que dão a entender que aquela ideia quase que generalizada de que teríamos aí um ciclo de queda, parece que já não está tanta certeza assim, não é? É, não deram certeza, nem que sim, nem que não, muito pelo contrário.

mas a ideia de que vão manter a condução adequada da política econômica para tentar alcançar a inflação dentro da meta de 3%. Então, eles mencionam que houve uma reaceleração da economia já nesse início de 2026 e que quando você tem a economia crescendo muito rápido, isso vem consequentemente com o aumento do consumo,

de juros alta freia para frente essa aceleração, desacelera, vamos dizer assim. Então, eles falam o tempo todo naquela coisa que dá uma para um lado e uma para o outro, sinais mistos. Então, hora mais forte, hora mais fraco. E esses termos estão escritos lá na ACA, ou seja, não é o professor aqui que está dizendo, as autoridades monetárias brasileiras.

e que, de alguma maneira, ele fala sinais de inflexão. E aí, dentro da explicação do porquê que não caiu mais e porquê que não dá para cravar que vai continuar caindo, eles citam o conflito geopolítico, que todo mundo sabe que é a questão da guerra do Irã com Israel e os Estados Unidos. O preço do petróleo, mais de 100 dólares, e aí mencionam-se essa ideia de que,

pico já dobrou em relação ao que era o preço do barril antes do início desse conflito e que por isso esse debate todo não dá uma indicação clara de quais serão os próximos passos. E a gente sabe que toda vez que a gente tem Donald Trump metido em alguma coisa, é volatilidade certa, para usar uma palavra mais simples, gangorra, hora sobe, hora cai, porque a cada dia que ele dá uma entrevista, uma declaração,

que vai atacar as fontes energéticas do Irã, no outro dia ele diz que vai dar ali uma espécie de um refresco e vai ficar cinco dias sem bombardear. Aí você acha que tem ali uma trégua, mas na verdade ele continua bombardeando só que outros espaços. Então é tudo muito confuso a interpretação, a leitura e esses rompantes assim, eles não deixam a gente ter uma ideia clara de sequer qual é o rumo da guerra.

a isso impacta na economia brasileira. A gente só sabe que tem impacto, que já está faltando diesel em alguns locais do Brasil, que o preço já disparou, que em algumas regiões já tem um aumento exagerado de preços, que o governo está tentando convencer os estados a aderir a uma política de redução tributária e que muito provavelmente não vai dar certo. Então, o que a gente tem que esperar é para apostar o que vai acontecer,

um pouco mais na frente, Galvão. E o pior é que isso acaba travando a economia, não é, Gilberto? Não só no Brasil, como no mundo todo. Eu vou até ler aqui o trecho que você destacou aí, que é bem interessante, da ata. Eles escreveram assim, essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica, seus efeitos sobre o nível de preços,

dificultam a identificação de tendências claras. Ou seja, os agentes econômicos ficam completamente sem noção do que fazer. Isso é muito ruim para a economia, não é, Gilberto? É, isso. Eu lembro aquele personagem do Jô Soares, que eu não lembro o nome, que concordava, ouviu a opinião de um, concordava. Ouviu a opinião do outro, contrário, concordava. Era o Múcio? Acho que era o Múcio. É, eu acho que quem fala tem razão.

Me veio na cabeça esse nome aqui. Eu não sei, mas algum ouvinte nosso vai conseguir lembrar e confirmar para a gente. De qualquer maneira, é um pouco isso. O discurso é o economista que fala a fala e, na verdade, não diz o que você quer saber. Afinal, vai continuar a política de redução ou os juros vão continuar elevados? O importante, Galvão, é a gente dizer o seguinte. Caiu um pouquinho.

o que se aposta é que cai até 13%, pelo menos, mas o mercado apostava que podia cair até 12%. Então, já tem uma correção de rota entre 12% e 13% ao ano nas próximas reuniões. E o que a gente pode agora começar a dizer é que, havendo redução da taxa básica, ela será mais lenta efetivamente, 0,25% em 0,25% e não em 0,50%, como era a previsão inicial.

importante também, o Conselho Curador do FGTS aprovou nesta terça a ampliação dos limites de renda e também dos valores de financiamento do programa Minha Casa Minha Vida. É uma boa notícia que atinge uma parcela bem significativa da população, não é Gilberto? Muito, e que também tem a ver com esse primeiro assunto, porque a correção dessa cabela, ou seja, dos limites ou dos valores financiados, eles precisam ser feitos porque

com a caixa de juros mais alta, e a caixa estava mais alta, ela não apenas desestimula que as pessoas investam, que as empresas investam, mas a gente lembra que a caixa de juros alta é porque a inflação estava elevada. Isso tudo aconteceu, caixa de juros mais cara, para tentar frear a inflação, o que está convergindo para baixo do teto da meta. Mas o que significa? Que o custo da construção civil cresce muito.

E aí se você não corrija a faixa de financiamento, aquilo que antes era um programa para dar casa própria para as pessoas, começa a ficar inacessível porque você já não consegue vender naquele preço. Então a faixa inicial, lembrando que hoje tem faixa 1, 2, 3 e 4. A faixa inicial, que é para quem ganha menos, ela passou de um valor que chega até 2.850 a prestação para 3.200.

Quem ganha de R$ 2.850, R$ 3.200. A faixa 2 era para quem ganhava até R$ 4.700, passou para R$ 5.000. A faixa 3 é para quem ganha de R$ 5.000 até R$ 9.600. E a faixa 4 é para quem ganha acima de R$ 9.600 e vai até R$ 13.000. Qual é a diferença disso em termos práticos?

vai poder financiar até um imóvel de 400 mil reais no Minha Casa Minha Vida. Isso aí significa, na própria estimativa das autoridades, que você tem 87.500 famílias nessa situação. E na faixa 4, que seria a classe média, o imóvel já pode custar 600 mil reais. Antes dessa alteração, o limite era 500 mil.

principalmente nas capitais, onde o custo do terreno é mais alto, você tem a possibilidade de expandir bastante o alcance do Minha Casa Minha Vila. E como a gente sabe, tem ali um padrão construtivo mais econômico, mas um padrão decente e que tem taxas de juros também mais baratas do que o financiamento tradicional dos bancos, das linhas de banco convencional.

de que as pessoas consigam sair do aluguel e realizar o sonho da casa própria. E é um programa importante, não é, Gilberto? Porque além de ajudar, obviamente, diretamente as pessoas que conseguem esse financiamento, movimenta um setor importantíssimo para a economia e que emprega muita gente, que é o da construção civil, não é? Não, com certeza. Então, o que a gente chama de indústria da construção civil, justamente porque tem toda uma engrenagem

não gera emprego, mas quem compra o imóvel vai depois comprar material de reforma, de pintura, vai comprar o imóvel planejado, ter a sua casa arrumada, bonita. É a pessoa que vai comprar um ar-condicionado, um eletrodoméstico para colocar na sua casa, vai botar um chuveiro. Então, de alguma forma, você movimenta vários segmentos econômicos em conjunto com isso. E lembrando que no Minha Casa Minha Vida você pode incluir

o ITBI, que é o imposto de transmissão dentro desse pacote de financiamento, os custos de registro todos, de cartório, de despachante. Então você tem algumas facilidades e que também nas últimas alterações o padrão construtivo melhorou muito no sentido, primeiro, de ter obrigatoriamente unidades decentes para PCDs, com porta mais larga, com o layout, a planta do imóvel,

automóvel adaptado para as necessidades das pessoas, né? PCDs, vagas para automóvel também, para esse grupo de pessoas. E a maioria agora tem varanda, obrigatoriamente, uma sacada e elevador, né? Coisa que na primeira fase do programa não tinha, era na escada. Então, se você se candidatava e fosse sorteado, pegou quarto andar, quinto andar, amigo,

cara, agora pode ter elevador, vamos dizer assim. Então isso tudo está dentro do padrão construtivo, sendo que é aquele tipo de construção que você não pode alterar a planta, mas é bem bacana, é bem decente, não são imóveis gigantescos, mas também estão longe de ser cubículos. Muito bem, professor economista Gilberto Braga, semanalmente valorizando seu bolso aqui no CBN Madrugada.

vez, muito obrigado, uma ótima semana e até a próxima. Até a próxima, boa noite a todos, até semana que vem.