'O crime organizado está se embrenhando na economia e se relacionando em canais formais, como bancos', diz especialista
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Segurança OperacionalComando Vermelho · Canais formais de lavagem · Bancos e instituições financeiras · Integração na economia formal
- Fraudes Bancarias CaixaEsquema com empresas de fachada · Movimentação de valores · Fraudes internas · Impacto em correntistas
- Cooptação de funcionários financeirosSalários baixos como isca · Acesso a credenciais · Recrutamento de pessoas vulneráveis · Roubo de dados internos
- Profissionalização do CrimeOperação com 400 empresas · Estruturação logística · Meios digitais e internet · Sofisticação de mecanismos criminosos
- Sistema FinanceiroSistemas de compliance deficientes · Falta de controles internos · Responsabilidade institucional · Operação Compliance Zero
- Banco MasterEnvolvimento em fraudes múltiplas · Caso Banco Master · Núcleo financeiro da organização criminosa · Investigação integrada
- Atuação de Lucia na políticaPolícia Federal · Ministério Público · Justiça · Integração de forças · Combate coordenado ao crime
Como eu mencionei, é um esquema que movimentou mais de 500 milhões de reais. É um esquema que tinha como foco ali fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. A gente já mencionou mais cedo aqui na programação, mas não custa dizer que esses golpes, pelo que a gente tem informação até agora, eles não atingiram os valores dos correntistas. Eram valores ali movimentados internamente, enfim. Não é um caso que de fato tenha trazido prejuízos para os correntistas da Caixa.
tranquilizar todo mundo. Mas, ainda assim, é um caso bastante grave, que joga a luz aí pra diversos pontos sobre segurança pública no nosso estado. Então, sobre isso, a gente conversa agora com o Rafael Alcadipani, que é professor da FGV e associado também do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Alcadipani, bom dia. Obrigado pela sua participação aqui na CBN. Bom dia, Muniz. Bom dia, Nadeja. Bom dia aos ouvintes. Bom dia. Alcadipani, com base nas informações, ainda é um caso que tá, né, se avançando. A gente tá tendo acesso às informações ainda da
investigação, mas com base no que a gente já tem sobre esse caso, inclusive sobre a suspeita que os nossos colegas do Portal de Notícias G1 e do Globo trouxeram sobre envolvimento inclusive do Comando Vermelho, usando esse mesmo esquema de lavagem de dinheiro, queria entender com você o que que esse esquema, o que que essa investigação nos conta sobre o envolvimento do crime organizado, mais uma vez, com o sistema financeiro aqui do nosso país, com a Faria Lima, é uma forma de acoberta crime, de potencializar os ganhos deles, como é que você entende essa relação
da fraude que está sendo desbaratada hoje e o que ela diz, na verdade, sobre a atuação das facções criminosas no nosso Estado, Alcádio Pani. Então, Moniz, o que a gente vê aqui é que são as duas coisas que acontecem ao mesmo tempo. Por um lado, a gente tem essa questão da fraude, que embora seja uma coisa que sempre aconteceu, mas agora com a internet, com os meios digitais, elas têm se aprofundado os meios e mecanismos, os meios dos povos criminosos realizam essas fraudes. E por outro, a gente vê que o crime organizado, ele tenta
outras formas de ganhar dinheiro, né? E aí ele vai tentar atuar em fraudes como essa e é não apenas isso, né? Os canais de lavagem de dinheiro, eles se comunicam, né? Então, assim, o crime organizado junto com fraudadores, junto com corrupção, eles acabam utilizando os mesmos canais de lavagem de dinheiro e aí essas coisas vão ficando cada vez mais próximas. Queria te ouvir, Alcadipan, sobre a questão da cooptação de funcionários de instituições financeiras, né?
Porque é um ponto muito grave e uma peça fundamental nessa engrenagem da fraude.
sobre o crime cibernético agora, que está sendo conduzido com o apoio da FAPESP, né? E a gente vê que um dos pontos mais fracos desse tipo de crime, desse crime que envolve fraude, que envolve fraude virtuais, no caso não é exatamente uma fraude virtual, né? Mas é uma fraude também. E você tem a computação. Geralmente os salários que essas pessoas recebem, eles são salários baixos, né? Mas é óbvio que não precisa ser um salário baixo que você vai ser um criminoso, mas você tem salários que são salários vis-à-vis que o criminoso oferece pra você, fica muito desigual. E algumas pessoas entram na tentação e infelizem.
infelizmente, acaba acontecendo. Mas um dos elos mais fracos da fraude e dos crimes cibernéticos é sim o indivíduo que é cooptado de dentro da empresa, dentro da organização, para favorecer dados favoráveis, às vezes compras credenciais para você conseguir ter acesso e aí você consegue realizar crimes vultuosos, como a gente está vendo no caso em tela. E até parecido, um ponto que se assemelha a isso que você está comentando agora, Alcadipane, é um ponto que o Klauson Dutra, nosso repórter que está acompanhando o caso, mencionou aqui para mim, que é o seguinte, chamou a atenção dele,
o recrutamento de pessoas vulneráveis por valores baixos, R$ 150, R$ 200. E ele até diz, olha, essa é uma tática antiga, mas a escala dessa operação é que chamou a atenção. Pode chegar a cerca de 400 empresas. O que isso diz, Alcadipane, sobre a capacidade logística dessa facção? Ou seja, como se fosse uma profissionalização desse esquema de fraudes que a gente já vinha acompanhando nos últimos meses, é isso? Sem dúvida, você começa a ver que o crime começa a se articular, a se organizar e vai vendo os pontos fracos.
possibilidade de articulação muito maior do que você tinha no passado, né? Hoje, por exemplo, com grupos de WhatsApp e coisas do gênero, você consegue ter uma série de possibilidades que são possibilidades maiores de você poder articular. Que que a gente, qual é a dimensão, Alcadipanha, do que a gente vem descobrindo nos últimos meses, cada vez mais, mas ainda tá me surpreendendo, sobre esses elos do mundo empresarial, do mercado financeiro, com o crime organizado, até com a ponta do crime organizado e com as facções criminosas.
isso, infelizmente, é uma coisa que é muito pior do que a gente imagina, do que a gente tem visto, né? O crime organizado, ele tem valores que são valores expressivos de recursos, eles conseguem corromper todos os tipos de agentes, inclusive agentes do mercado financeiro. E muitas dessas empresas também não tem um compliance adequado, no caso não é o caso da Caixa, né? Mas pelo jeito também poderia ter sido melhor e que permite com que esse tipo de coisa aconteça.
Infelizmente, na verdade, esse tipo de coisa está acontecendo e vai acontecer cada vez mais. O crime organizado, ele está se embrenhando dentro da economia formal,
relacionando em canais, canais formais, inclusive da Faria Lima, como a gente viu aí recentemente, né, em bancos e bancos bem estabelecidos, e isso é extremamente preocupante, por isso que eu defendo tanto, que a gente precisa de uma política relacionada ao crime organizado, a gente precisa de uma articulação de enfrentamento dos esforços contra o crime organizado, porque senão a gente vai ficar à mercê desse tipo de situação, né, é muito preocupante.
E Alcadipani, pra gente fechar aqui nossa conversa, não dá pra gente não tentar entender um pouco melhor a atuação desse Grupo Fictor, que a gente tanto mencionou,
teve o caso do Banco Master era o Grupo Victor que tinha feito uma proposta de compra do Banco Master logo minutos, horas antes de Daniel Vorcaro tentar embarcar num avião quando ele foi preso e a Polícia Federal diz que isso tudo era parte de um esquema daquele esquema de fraude do Banco Master. Agora o Grupo Victor ou pelo menos o CEO do Grupo Victor se vê aí também envolvido nessa outra investigação. Já tá claro qual que é a relação do esquema de hoje com a atuação do Victor no caso do Banco Master o que que a gente pode entender também sobre
envolvimento dessas empresas que nós, leigos, né, que não estamos ali na Faria Lima, às vezes nem conhecemos e de repente a gente vê elas envolvidas em tantos casos. O que a gente já pode entender sobre isso? Parece que há indícios claros, né, desse envolvimento, dessa coisa, que é claro que a investigação agora, à medida em que a investigação, ela avança, ela vai ter acesso a celulares, contas bancárias, computadores pessoais, né, documentos na casa das pessoas pra poder desvendar melhor isso que tá acontecendo, mas há indícios fortíssimos, sim, de uma contaminação e não é só esse grupo, tem outros grupos
que a gente sabe, a gente sabe assim, a gente intui que estão envolvidos nisso, porque o crime precisa lavar dinheiro, o crime precisa se organizar pra poder lidar com esse volume grandioso de quantia financeira e legal que ele tem, e ele acaba, infelizmente, entrando em grupos aí, né? A gente vê que algumas fintechs, inclusive, a gente não sabe como é o caso especificamente, parece que não, mas é evidente que tem que ser avaliado e estruturado, há instituições financeiras que às vezes são estruturadas pelo crime organizado pra lavar dinheiro, né? Então a gente precisa de uma compliance maior, precisa de uma...
ação maior para poder fazer com que essa coisa não aconteça no Brasil. Está faltando fiscalização, a gente tem legislação, mas está faltando fiscalização. É preciso que a gente aprofunde essa fiscalização, mas a Receita Federal tem um papel fundamental nisso, mas a gente precisa de juntar Receita Federal, Polícia Federal, Polícias Estaduais, Ministérios Públicos, Justiça, para que a gente possa começar a vencer essa guerra contra o crime, porque nós estamos perdendo de goleada, infelizmente.
E não à toa, a investigação da Polícia Federal, a operação da Polícia Federal, que desbaratou todo o caso do Banco Master,
compliance zero, exatamente por conta dessas falhas deliberadas, evidentemente, pelo que a investigação mostra no sistema de compliance das empresas envolvidas aí com todo esse caso. Rafael Alcadipani, professor da FGV, associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Obrigado mais uma vez por trazer aqui, jogar luz a essa discussão no CBN São Paulo. Até uma próxima. A gente é sempre à disposição. Até a próxima. Um abraço.