Com a tensão geopolítica o BC deve cortar os juros?
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Marcelo d'Agosto
- Corte de juros Banco CentralEfeitos da guerra EUA-Israel · Aumento do preço dos combustíveis · Política fiscal anticíclica
CBN Dinheiro, com Marcelo D'Agosto.
Boa tarde, Débora. Boa tarde, Carol. Boa tarde, ouvintes. O Djalma, de São Simão, em São Paulo, pede para esclarecer uma dúvida. Ele diz que com os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã sobre o aumento do preço dos combustíveis, esse custo adicional vai acabar sendo repassado para o preço dos produtos e a economia vai se retrair. Ele pergunta se não seria mais lógico, então, o Banco Central cortar os juros, já que a tendência é que a economia esfrie.
Djalman, o Banco Central tende a ter uma atuação um pouco mecânica para determinar a taxa de juros. Se a inflação aumenta, o Banco Central aumenta a taxa Selic. Se a inflação cai, reduz a Selic. Nas atas do COPOM, o Comitê de Política Monetária, o Banco Central tem escrito que seria importante que a política fiscal fosse anticíclica. Significa que quando o Banco Central decide aumentar os juros porque a inflação subiu, o Tesouro deveria ter um superávit nas contas.
Apesar de fazer sentido, o resultado prático é que nem sempre o Tesouro consegue executar essa política anticíclica. Assim, devido a essa falta de coordenação de políticas entre o Banco Central e o Tesouro, os juros acabam ficando muito altos. E como existe a possibilidade que o aumento do preço dos combustíveis seja repassado para o preço dos produtos, o Banco Central já decidiu cortar os juros menos do que era esperado na última reunião do Copom.
Até a próxima e continue mandando as suas perguntas para cbndinheiro.com.br