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Olhar vitrines, ir ao cinema e bater papo: o que fez a geração Z 'redescobrir' os shoppings?

28 de março de 20266min
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Experimentar produtos, comer em restaurantes diferentes, ir ao cinema com os amigos ou simplemesnte desconectar das telas... são muitos os motivos que levam a Geração Z aos shoppings centers. Apesar de terem crescido em meio ao boom do comércio online, a busca por experiências presenciais levam os jovens a adotar um hábito que foi sendo largado pelos mais velhos. A CBN ouviu especialistas que explicam esse fenômeno.

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Ana Leoni

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  • ShoppingsGeração Z · Nostalgia · Experiências presenciais · Eventos interativos
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Seja para fazer um encontro em grupo, assistir a um filme no cinema, comer em um restaurante legal ou simplesmente olhar vitrines, o fato é que a geração Z, aqueles que têm entre 14 e 29 anos, faz questão de largar um pouco o celular para passear num centro comercial. O ator João Garcia, de 26 anos, conta que gosta de ver presencialmente os produtos e andar por um ambiente esteticamente bonito.

Gosto de ver, não exatamente para comprar, mas de ver o que está sendo vendido, o que está sendo oferecido. Gosto de estar em um lugar de convivência com outras pessoas, em um ambiente que seja esteticamente bonito. Principalmente no Rio de Janeiro, que é uma cidade quente, que às vezes tem dias muito quentes. É bom estar dentro de um lugar com ar-condicionado que você possa andar.

Um espaço que une o comércio e atividades culturais e gastronômicas é o principal atrativo para um público que está buscando formas de fazer um detox digital, ou seja, diminuir o tempo nas telas. Esse fator também já é percebido pelas próprias redes de shoppings, como a Alos, responsável por estabelecimentos como o Shopping Eldorado, em São Paulo, e o Shopping Leblon, no Rio.

Um em cada quatro usuários cadastrados no programa de benefício deles é da geração Z. A gerente de marketing da A, Luzana Paula Niemeyer, conta que jovens estão enxergando as experiências que a internet não entrega no ambiente dos shoppings. A geração Z, que passa a maior parte do tempo conectada no ambiente virtual, começa a perceber o shopping como um lugar onde as coisas acontecem, os eventos, as experiências.

as conexões, justamente o que o online não entrega. Então o shopping se torna uma vênio de entretenimento, que gera um fator real de diferenciação e escolha no final do dia. Para além da necessidade de sair da bolha digital, a geração Z vive intensamente o movimento da nostalgia.

A coordenadora da SPM, especialista em comportamento de consumidores, Bianca Dramalli, explica que o fenômeno, que é a nostalgia pelo que não se viveu, também está por trás da tendência dos passeios. Esse processo se dá numa perspectiva de um comportamento um pouco maior, numa macro tendência, como a gente pode dizer aqui, comportamental.

que é a Nostalgia, que é um movimento que a gente já está acompanhando há alguns anos, que é uma saudade de uma coisa que você não necessariamente viveu, diferente da nostalgia tradicional, em que as pessoas querem experimentar processos, vivências que elas não tiveram oportunidade e que podem parecer que estão num lugar específico do tempo passado, mas que ao experimentar as pessoas veem que faz sentido.

nesse tempo presente, num tempo em que tudo ficou tão abstrato, que aí se percebeu que algumas experiências fazem mais sentido na loja física. Embora o shopping possa servir como uma válvula de escape dos jovens, isso não quer dizer que a lógica das bolhas nas redes não se reproduza nesse ambiente.

De acordo com uma pesquisa feita pela Abrace, a Associação Brasileira de Shopping Centers, eventos interativos, muitas vezes promovidos por grandes marcas para um público-alvo específico, costumam fazer grande sucesso na geração Z. Um dos exemplos recentes foi o Yves Saint Laurent Love Game, da marca de maquiagem Yves Saint Laurent, que teve as vagas esgotadas para todos os dias de exposição no Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, no Rio.

No evento, o participante tinha que fazer uma série de desafios para concorrer a produtos da marca. E onde essas conquistas eram compartilhadas? Claro, nas redes sociais. Para a pesquisadora Bianca Dramalli, isso mostra o poder da cultura das comunidades e como as marcas se adaptaram a essa realidade.

Então as pessoas estão buscando experiências mais imersivas e as marcas precisam entender sobre isso. Tem sido falado muito sobre a cultura de fandom, a cultura de comunidade, mas a cultura gamer, que é uma cultura que pouco às vezes se mergulha para entender. Então a gente tem que falar de um jeito como se a gente estivesse, como se a marca estivesse ali convidada para fazer parte daquele grupo.

A mesma pesquisa da Abrace elenca as prioridades da geração Z nos shoppings. Ir ao cinema, aproveitar uma promoção, ir a jogos de fliperama e praça de alimentação. E, claro, não poderia faltar produtos de maquiagem, roupas e até sorvete. A Carolina Heisler, de 18 anos, diz preferir ir ao shopping do que fazer uma compra online porque pode experimentar ou manusear o produto que ela quer. Eu diria que o shopping é mais espontâneo do que a compra online. Pra comprar uma coisa online...

Eu sempre fico pensando mais e principalmente tipo coisa de tamanho Não poder experimentar a roupa, eu acho bem pior E também sempre tem frete e às vezes principalmente loja que você não conhece Para você fazer uma compra, você fica mais inseguro de comprar Fora que eu acho que a experiência dos produtos pessoalmente é muito melhor Tipo, você consegue ver os tecidos das roupas

Esse não é um movimento isolado e também pode ser percebido em outras partes do mundo. De acordo com o levantamento da CICANA, uma consultoria mundial especializada em comportamento do consumidor, jovens de 18 a 24 anos nos Estados Unidos fizeram 62% das compras em lojas físicas no ano passado. O índice cai entre quem tem 25 anos ou mais. Do Rio de Janeiro, Júlia Viana.

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