Episódios de Economia

Agro do Brasil em dívidas: o setor pede mais de R$ 170 bilhões em renegociação de dívidas

26 de maio de 20267min
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Próximo do plano Safra, o setor do agronegócio está enroscado em dívidas. Cassiano Ribeiro, editor de Globo Rural, destaca quais serão as medidas do programa do Governo Federal neste ano. Ouça.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
S

Senhor D'América

Host
C

Cassiano Ribeiro

ConvidadoJornalista
Assuntos3
  • Transformação do AgroPlano Safra · Juros altos · Recursos do Fundo Social do pré-sal · Recursos do Plano Safra não contratados · Dificuldade de garantia
  • Securitização de Dívidas AgrícolasRedução de área plantada de soja · Investimento em tecnologia · Uso de fertilizantes e defensivos
  • Riscos ClimaticosEl Niño · Rio Grande do Sul · Extremos climáticos
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Tem coisa melhor do que uma pausa no seu dia para apreciar um café? Passe no Pão de Açúcar mais próximo. Ou acesse o app e descubra uma seleção de aromas, origens e sabores especiais. Tudo de café do clássico ao importado está no Pão. CBN Agro. Com Cassiano Ribeiro. Da Globo Rural.

Bom, Cassiano aqui com a gente do estúdio, tudo bem? Tudo bem, Cassiano? Tudo bem, Sra. D'América, tudo bem, Cassia? Boa tarde. Boa tarde, Cassiano. Cassiano Ribeiro, nós estamos aqui perto do Plano Safra e o setor está bem atrapalhado com...

dívidas, juros altos e é questão de saber como é que dá para resolver esse assunto e lançar os novos financiamentos. Exatamente. Nessa época do ano, geralmente, quando o setor fica ali em polvorosa, querendo saber qual será o tamanho do plano safra, quais serão os juros que o governo vai anunciar e neste ano, senhor Damer e Cássia,

O assunto que está dominando as rodas de conversa dos produtores, das lideranças do setor em Brasília, por todo o país, é a renegociação de dívidas. O setor está endividado, como nunca esteve, e existe uma discussão ampla ali no Congresso Nacional, com lideranças do setor, com o Ministério da Fazenda, Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento Agrário, porque está difícil chegar a um acordo. Já faz algumas semanas ali que esse assunto vem sendo debatido na Comissão de Assuntos Econômicos no Senado.

Era para ser analisado hoje de novo, mas essa discussão foi adiada. Houve uma reunião mais cedo entre integrantes ali do governo, da equipe econômica do governo, com os parlamentares e também o setor produtivo. E a dificuldade é, de onde sairão esses recursos? Porque o setor está pedindo mais de R$ 170 bilhões em renegociação de dívidas. Parece que essa dívida já está beirando os R$ 200. Conforme o tempo vai passando, a dívida vai aumentando.

e não se sabe quais serão as condições para conseguir se renegociar. Então, o montante é uma dúvida de onde vai sair esse dinheiro, que não estava previsto no orçamento, quais serão as taxas de juros, quais serão as carências, os prazos para pagamento e quem vai poder aderir a esse plano. O Ministério da Fazenda, na semana passada, nessa Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, falou que a proposta, do jeito que estava, ia beneficiar todo o produtor rural brasileiro.

E aí ia gerar um problema para o Brasil de 10 anos de quase um trilhão de reais que o governo ia ter que abrir mão por não ter esse recurso no orçamento. E aí o setor está propondo, na verdade, que se use parte dos recursos do Fundo Social do pré-sal.

A outra parte, inclusive, do Plano Safra, que está em vigor até o final de junho deste ano, porque tem uma boa parte de dinheiro do Plano Safra do ano passado, Cássia, que não foi contratada. E não foi contratada justamente porque o juro está muito alto, o produtor está endividado, está com dificuldade da garantia, etc.

E tem um saldo lá que o setor acredita que pelo menos 40 bilhões poderiam sair desse plano safra que não foi usado, não foram usados esses recursos, poderiam entrar na renegociação de dívidas. E outros 20 bilhões ou mais, 40 bilhões, 30 bilhões na verdade do fundo social.

do pré-sal, somando aí já teriam 70 bilhões para renegociação de dívidas. Então, está um problema, o ministro da Agricultura falou agora há pouco, saindo de uma reunião lá em Brasília, o nosso repórter Rafael Wallendorf esteve lá, disse que está super otimista, que acredita que está muito perto de chegar a um acordo entre as partes, mas que provavelmente essa solução vai considerar a realidade. A realidade é que esse dinheiro não estava previsto.

os juros talvez não sejam tão bons quanto o setor quer e muito se especula sobre o montante, quanto que realmente vão conseguir destinar essa renegociação de dívidas. E está mais importante isso do que o próprio Plano Safra, que deve ser lançado no final de junho, geralmente no início de julho. Agora, Cassiano, considerando o cenário que a gente tem hoje, já dá para ter uma ideia de qual pode ser o impacto dessa situação na área plantada?

Boa pergunta, Cássia. Hoje, os lideranças do setor falavam, inclusive produtores de soja falavam que não havendo uma renegociação, muito do setor vai continuar endividado, não vai tomar crédito e no limite esse produtor vai reduzir a área plantada.

Então, no caso da soja, Cássia, até fiz uma busca ali na série histórica da Conab, faz 20 anos que o Brasil não reduz a área plantada de soja, certo? Aumenta 1%, 2%, às vezes 5%, mas sempre aumentando. Se nesse ano o Brasil reduzir a área plantada de soja, vai ser a primeira vez em duas décadas que isso vai acontecer. E cada dia que passa tem mais gente dizendo que os mais otimistas, acredito que a área vai ser mantida em relação ao passado. Mas o que você sabe...

é que os produtores vão investir menos tecnologia, ou seja, menos fertilizante, porque está muito caro, menos defensivos também, porque são aí os remédios para as lavouras, os chamados também pesticidas agrotóxicos, também são muito caros e são importados. Então, o produtor vai reduzir o pacote tecnológico, como se diz no campo. O plantio deve começar quando?

O plantio, a safra começa, o ano safra começa em julho, né? Mas aí você tem o período de vazio sanitário, no caso da soja. Então, o plantio de soja, a principal comodidade produzida pelo país, ele ganha ritmo mesmo ali de agosto, setembro em diante. Setembro, outubro é o pico ali de plantio, né? Tem estados que vão até novembro ou dezembro. Tá certo. Então, essa é a situação e a resposta tem que ser dada até...

Olha, o produtor está lá contando com essa renegociação. Como eu disse, o plano safra geralmente é a maior expectativa para agora, no início de julho. O produtor hoje está muito mais interessado em saber da renegociação de dívidas, porque ele tem que planejar a próxima safra. Então, quanto antes ele tiver essa resposta, é importante falar também que nós estamos no ano de El Ninho chegando.

Então, também tem esse risco climático nesse ano, assustando mais os produtores, especialmente no sul do Brasil e lá no norte e nordeste, onde tem uma previsão de chuvas abaixo da média. E, se a gente pegar também, em Serda-America, se é o sol, o Rio Grande do Sul está falando que a dívida lá é de R$ 170 bilhões.

É da quase total. E aí é o estado que mais foi prejudicado por extremos climáticos, chuvas, enchentes e tudo mais. Então, o Rio Grande do Sul está, diria, que é o estado que está agonizando e pedindo urgência, socorro, por uma luz para a renegociação de dívidas. E não só o Rio Grande do Sul, toda a região sul do Brasil, muito afetada por esses extremos climáticos.

Cassiano Ribeiro, muitíssimo obrigado, Cassiano. Até a semana. Até a semana que vem, Cassiano Merck. Até mais. Olá, aqui é a Ana Paula Padrão. E como empreendedora, eu recomendo a Claro Empresas. Se você é micro, pequena ou média empresa e quer ir ainda mais longe, bora com a Claro Empresas. Soluções completas e inovadoras para transformar o seu negócio. Saiba mais em 0800-720-1234 ou acesse claroempresas.com.br.

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