Episódios de Economia

Exportação de carne para a China

19 de maio de 20269min
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Cassiano Ribeiro, editor do Globo Rural, convida o Rafael Walendorff , repórter do Globo Rural que está na China, para comentar sobre as relações entre Brasil e China, principalmente sobre as exportações de carne do Brasil. O especialista aborda a importância das relações comerciais entre os países para o agronegócio brasileiro. Ouça.

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Participantes neste episódio6
C

Cassiano Ribeiro

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
S

Sérgio Demérico

Co-host
A

André de Paula

ConvidadoMinistro da Agricultura e Pecuária
R

Rafael Walendorff

ConvidadoRepórter do Globo Rural
C

Carlos Alberto Sardenberg

ConvidadoJornalista
Assuntos4
  • Feira Cial China em XangaiPromoção comercial de carne brasileira · Associação BIEC · Marco temporal para exportação · Sobre-taxa de 55%
  • Exportações GlobaisFlexibilização da cota · Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) · Ministério da Agricultura · André de Paula
  • Exportação de carne para UELimitação de volume · Agregação de valor · Consumo em restaurantes · Hot pot · Cortes do dianteiro
  • Transformação da agricultura chinesaProdução de carne bovina · Aumento do consumo per capita · Peste suína africana · Sobre-oferta de carne suína
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Tem coisa melhor do que uma pausa no seu dia para apreciar um café? Passe no Pão de Açúcar mais próximo. Ou acesse o app e descubra uma seleção de aromas, origens e sabores especiais. Tudo de café do clássico ao importado está no Pão. CBN Agro. Com Cassiano Ribeiro. Da Globo Rural.

Cassiano Ribeiro já está aqui com a gente na nossa redação, tudo bem Cassiano? Tudo bem, Sérgio Demérico, tudo bem Cassia, boa tarde ouvintes. Boa tarde Cassiano. E Cassiano aqui no estúdio e trouxe um convidado que está lá na

Do outro lado do mundo agora, Sardenberg, Rafael Wallendorf, que é repórter da Globo Rural e do Valor Econômico em Brasília, mas está na China. Já faz quase uma semana que ele está por lá. A gente está... Vamos tentar a conexão. Conseguimos, estamos conectados. Rafael, ouve a gente. Boa noite para você aí na China. Boa noite, Cassiano. Boa noite, Sardenberg. Cássia, tudo bem? Estou aqui em Xangai. Boa noite. Hoje já é quarta-feira aqui, já são meia-noite e 17.

Tá certo. E qual é o nosso tema? Nosso tema é carne bovina. Só pra gente atiçar o apetite de quem tá ouvindo a gente e não almoçou ainda, Cássia e Sérgio Eméreo. Tá certo. E o Rafael Valador, porque a gente tem cota pra exportação pra China, estamos chegando perto dessa cota, e o Rafael Valador foi por o quê, Rafael?

Pois é, Sanderenberg, a gente veio em uma missão aqui dos exportadores brasileiros, eles passaram por uma cidade no interior da China, em uma ação de promoção comercial dessa carne, porque a carne brasileira já é a carne estrangeira que mais chega aqui na China, quase metade do que a China compra de carne bovina vem do Brasil, só no ano passado, por exemplo, quase 1 milhão e 700 mil toneladas.

Só que essa carne, ela não vai diretamente para a gôndola ali do supermercado, para o açougue. Ela vai basicamente para o food service, basicamente para os restaurantes. É aí que é o consumo. Então, tem essa questão que o consumidor chinês, ele não tem a percepção de que é uma carne brasileira, dessa identidade, dessa marca. E é algo que eles estão começando a trabalhar, porque como o Sardenberg mesmo citou, a partir desse ano tem a cota. Então, existe uma limitação de volume que vai poder ser exportado para cá.

Então, agora é a hora de trabalhar em agregar valor para tentar aumentar esse faturamento com as vendas, mesmo com a limitação do volume. E quando a gente fala em agregar valor e o produto é carne, a gente está falando de fazer exatamente o quê, Rafael?

Pois é, hoje a carne brasileira é consumida principalmente nos restaurantes em um prato chamado hot pot, que ele é tradicional aqui na China. É um prato milenar e amplamente consumido em todo o país. É uma espécie de fundi chinês, porque os restaurantes são 350 mil restaurantes em toda a China.

Ele tem uma panela com caldo fervente ali no meio, onde a família se reúne para cozinhar ali a carne, também vegetais, vísceras de animais. E faz parte da cultura dele já esse prato. Pergunta que não quer falar. É bom esse prato aí, Rafael? Você provou? Qual é o sabor? Pois é, em Tchuntin realmente é um prato bem apimentado também. A gente prefere o churrasco. Eu ainda prefiro o churrasco brasileiro. Como filho de gaúcho, eu não tenho como negar isso.

Agora, Rafael, a ideia é vender a carne brasileira no supermercado, por exemplo, com embalagem, com identificação da procedência. É, isso é um próximo passo, Sardenberg. Eles estão também tentando interiorizar esse consumo, né? Por isso a gente passou por Chongqing, que fica no sudoeste da China. É a maior cidade, o município mais populoso e maior da China, 32 milhões de habitantes.

Então, eles estão tentando interiorizar esse consumo e começar a promover a imagem. Só que, claro, ainda tem alguns empecilhos, porque a carne que vem para cá, basicamente, é uma carne do dianteiro do boi, que não é tão consumida aí no Brasil. A gente prefere os cortes do traseiro, de onde vem a picanha, o contrafilé, tudo isso. Aqui são cortes do dianteiro, músculo, peito, muito usado nesses pratos ensopados. Então, é...

É uma ideia de começar a fazer essa promoção realmente, para daí também poder chegar a cortes mais premiums, como esses que eu citei, para também chegar em supermercados, em churrascarias, como já acontece hoje em dia com a carne, por exemplo, dos Estados Unidos, da Austrália, da Nova Zelândia, que chega aqui, é uma carne mais premium.

Rafael, a gente ouve falar muito da China buscar autossuficiência alimentar. Ela importa 2 milhões, um pouco mais de 2 milhões de toneladas de carne bovina, produz 8 das 11 que ela consome. Existe algum debate, algum plano da China de ser também autossuficiente e aí com isso o Brasil talvez não exportar tanto, pensando mais em médio e longo prazo?

Por enquanto não, Cassiano, até porque você citou mesmo, a China já é o maior consumidor dessa carne bovina, um grande produtor também, mas existe esse gap de quase 3 milhões de toneladas, e principalmente o Brasil é quem supre parte disso. E como é uma população gigante, e com esse aumento da renda, a urbanização, a busca por melhores hábitos, esse consumo deve até aumentar. Hoje o consumo está perto de 8 quilos per capita, por pessoa, por ano.

Um quilo a mais que se tem disso já é um volume muito alto e também não se pensa em autossuficiência. O Brasil vai ter esse mercado mesmo limitado nessas questões por algum tempo. Claro, essa questão até da limitação, da cota é encarada aqui como uma forma de fazer consumir outras proteínas, porque quando teve a peste suína africana, pouco tempo atrás,

reduziu muito o rebanho de suíno, que é a carne mais consumida aqui, a China importou bastante do Brasil e começou a recompor o rebanho. E hoje já está muito grande, eles estão produzindo com sobre-oferta. Então a carne está muito barata. O que os exportadores brasileiros estão reclamando com o governo e com os importadores aqui da China é que é isso, a cota está encarecendo a carne bovina aqui na China, fazendo o consumidor migrar para essa carne suína que está mais barata, com essa sobre-oferta.

E tem chance dessa cota ser revista e cair e o Brasil continuar exportando sem ter que pagar taxa extra? A tentativa é essa. Inclusive o ministro da Agricultura veio aqui, a primeira missão internacional dele, a frente do Ministério, ele entrou no início de abril, o André de Paula, o novo ministro. Ele teve reuniões hoje na GACC, que é a Administração Geral de Alfândegas da China. Amanhã tem no Ministério...

do comércio. Esse é o principal pleito do Brasil, que exista pelo menos uma flexibilização dessa cota, que outros países que não conseguem, eventualmente não vão conseguir suprir, preencher os volumes autorizados para esse ano, que o Brasil possa ocupar essa cota. Mas uma eventual revogação, extinção da cota, por agora, é descartado. Os exportadores já estão trabalhando, se ajustando para cumpri-la.

Basicamente é isso. Rafael, o Casseno comentou que você está aí há uma semana, desse período que você está aí nessa missão dos exportadores. O que você já começa a notar em relação a essas negociações que você está trazendo para a gente? A viagem é promissora?

A viagem é promissora. Como eu falei, a gente passou por Chontinha antes, que é no sudoeste da China, essa cidade onde foi feito esse evento de promoção comercial. E depois viemos aqui para Xangai, onde está sendo realizada a Cial, China, que é a maior feira de alimentação e bebidas da Ásia. E por aqui, os estandes dos frigoríficos brasileiros, organizados pela associação, pela BIEC, que é a associação que representa esse setor.

Está bem movimentado, os chineses ainda estão indo atrás, eles sabem que a carne brasileira, essa questão da qualidade, também é uma questão de preço, ainda é barata no mercado internacional, barata para eles, rentável para o frigorífico brasileiro, eles estão buscando estar perto de 7 mil reais a tonelada, e está tendo bastante negociação, viu, Cássio? Só que os frigoríficos brasileiros estão com uma limitação, um marco temporal ali, porque eles também não querem arriscar.

de vender e essa carne chegar aqui na China e ser sobretaxada. Então eles estão negociando embarques, os abates nas plantas aí no Brasil até meados de junho, uma data de corte é 15 de junho, ali ainda é seguro exportar para chegar aqui, leva uns 40, 45 dias de navio, os containers chegam aqui e são internalizados, então até o fim de julho eles imaginam que vai ter essa cota, então tudo que chega até lá.

ainda não vai ter essa sobretaxa. E a discussão sobre dividir, eventualmente, esse custo de 55% a mais, essa sobretaxa é totalmente descartada. Está fora de cogitação, pelo menos é isso que os empresários têm dito aqui, tanto para mim, quanto para os importadores que eles estão sentando e negociando. Amanhã é o último dia, aqui da feira. Está certo. Quer dizer que a sobretaxa não dá para exportar. Está certo. Fica muito mais caro. Exatamente.

Cassiano, Rafael Valendorf, Cassiano Ribeiro, obrigado pela participação aqui da dupla no CBN Brasil. Obrigado, até uma próxima. Valeu, Sra. Lemberg, valeu, Rafael, valeu, Cassia. Boa noite, Rafael, para você. Obrigado. Até mais, Rafael, até mais, Cassiano. Obrigado a todos. Até mais. Se você é micro, pequena ou média empresa e quer ir ainda mais longe, bora com a Claro Empresas.

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