Episódios de Economia

‘Vestir a camisa’ para a Copa está mais caro?

20 de maio de 20268min
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Teco Medina apresenta uma informação surpreendente: a camisa do Brasil na Copa do Mundo é a mais cara entre países campeões, e tem alta acima da inflação. Ouça para entender.

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Participantes neste episódio3
L

Luiz Gustavo Medina

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos3
  • Preço da camisa da CopaCamisa do Brasil mais cara entre campeões · Comparação com renda média · Preço em outros países (Alemanha, Uruguai) · Justificativas para o alto preço · Abuso de mercado e demanda
  • Futebol e FluminensePreço de ingressos · Preço de camisas de times brasileiros · Salários astronômicos no esporte · Impacto no torcedor apaixonado · Preços de ingressos em outros esportes (tênis, basquete)
  • Pirateria e Acesso a ConteúdoImpacto da pirataria no preço oficial · Pirataria como consequência da falta de produto acessível · Responsabilidade de federações e clubes · Custo de camisas oficiais para famílias
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E aí, Teco? Oi, Sardenberg, boa tarde. Boa tarde, Cássia. Boa tarde aos ouvintes, tudo bem? Tudo certo, Teco. Boa tarde. Bom, época de Copa do Mundo, né? As seleções estreiam uniformes novos, camisas novas, né? E, aliás, os fabricantes de...

uniformes, os fabricantes de camisas aproveitam essa época para lançar os seus novos produtos, etc. E o que você vai nos contar é que o Brasil também está lançando a sua camisa e que é a mais cara entre os países campeões?

Pois é, sabe, St. Mary, que o italiano deve estar triste de não ir para mais uma Copa, mas o bolso do italiano está aliviado, viu? Porque com esse álbum de figurinha, de mil figurinhas e uma camiseta a 750 reais...

A Copa é para os fortes, né? Essa pesquisa que a BBC fez, ela comparou qual é o preço da camiseta em cada país, né? Comparado com a renda média do povo que mora lá. E aqui no Brasil, a camiseta está sendo lançada a R$ 750,00, né? R$ 749,99.

Então, pelo Banco Mundial, é como se fosse 17,5% da renda brasileira, mas, na verdade, se você for olhar aqui pela PNAD, pelo IBGE, que mostra a renda média do brasileiro é mais baixa do que o Banco Mundial considerou, a renda média aqui é 3.367, então é 22% da renda do brasileiro para comprar uma camiseta.

Isso, enfim, altíssimo, evidentemente, e perto dos outros países, muito mais alto. Se pegar, por exemplo, na Alemanha, está 4% da renda do alemão para comprar uma camiseta. Em todos os outros países, chega ali a 8%, em alguns lugares como Uruguai, 9%, 10%. Nenhum aqui tão caro quanto aqui no Brasil, comparado com a renda do brasileiro.

E tem alguma justificativa para isso, Teco, para uma discrepância tão grande entre os preços versus a renda dos torcedores?

Ah, eu acho que assim, na partida a renda do brasileiro é mais baixa do que dos países comparados, né? A renda média do brasileiro é menor que a da Alemanha, daqui do Uruguaio. Então isso já é o ponto de partida. As coisas aqui do futebol, né, Cássia e Sérgio Médio, elas ficaram muito caras de repente, assim. Elas estão num preço...

praticamente proibitivo. Óbvio que a camiseta do Brasil é mais cara do que a dos times do Brasil, mas mesmo as camisetas de time hoje, oficial, é coisa de R$ 400, R$ 500. É uma coisa que é proibitiva para a renda. Preço de ingresso também está na lista das coisas que, de repente, ficou meio que inacessível.

E acho que aqui talvez tenha um pouco de abuso, porque o brasileiro, ele talvez adore a Copa do Mundo mais do que todo mundo. É um evento que tem mais peso aqui do que talvez em outros lugares. As pessoas se mobilizam, elas vão gastar um dinheiro que não tem, elas querem estar uniformizada, elas querem ter o álbum de figurinha, vai ter churrasco em dia de jogo do Brasil. Eu acho que também tenho uma certeza de que se você lançar o produto, ele vai vender.

É, vai pro cartão, né? Ah, se parcelar então, né, Caça? Qual é o lema do parcelamento? Ah, assim, parcelando bem parceladinho, a gente compra até um avião. É isso. Não que eu adote isso na minha vida, viu, gente? Eu vi num documentário que as pessoas pensam assim. Por isso tem muita gente endividada.

Tá certo. Bom, isso aí, Teco. Você sabe que esse, eu já li também na imprensa inglesa, que também lá na Inglaterra a gente reclama do encarecimento dos produtos do futebol, desde camisa e tal, até ingressos.

Sim, até ingressos e até TV a cabo. Havia uma reclamação de que os preços dos ingressos ficaram muito elevados, mesmo para os ingleses. Interessante. O salário, né, Saldembele? Esses salários astronômicos, né? Isso aconteceu muito no esporte americano, há muito tempo atrás, onde...

Quando eu morei nos Estados Unidos, eu ia ver jogo de beijo, por exemplo, a dois dólares o jogo. Que era uma coisa assim, era só para o ouvinte ter uma ideia, independentemente da época, era o preço de uma Coca-Cola no estádio. Esse era o preço do ingresso. Mas aí quando você começa a pagar salários milionários para essas estrelas de qualquer esporte, seja ela basquete, futebol, seja ela qualquer coisa...

tem que carecer o preço do ingresso. E aí começa um círculo horroroso, porque você afasta o torcedor apaixonado, começa em um outro tipo de torcedor, que tem poder aquisitivo, mas que às vezes encara o esporte de outra maneira e não tem mais como voltar atrás, porque depois também todo mundo quer o time forte. O time forte é caro, né?

Exatamente. E um exemplo notório disso que nós estamos falando é o preço dos ingressos para a Copa do Mundo. Sim, é verdade. Que é uma fortuna para você. Aliás, não é só a Copa do Mundo. Para você assistir jogos de um ATP Master Meal, um Grand Slam de tênis, também os preços são muito elevados.

Mas a premiação desses ATPs, que é um ótimo exemplo que você deu, né, Sarvendo? Porque sempre foi em dólar. Hoje o tenista que ganha recebe mais de um milhão de dólares em prêmio. Nunca foi nem perto disso, né? Exatamente. Então, para pagar um milhão de premiação, tem que ter um ingresso compatível.

Tem um ouvinte que mandou uma mensagem pra cá, não sei se isso chega a influenciar de forma determinante aqui no Brasil, mas é um componente. O José Moreno escreveu pra cá falando o seguinte, tem que colocar na conta a pirataria de camisetas no Brasil. Chega a causar um impacto forte também, Teco?

É, a questão é saber se a pirataria é causa ou consequência nessa, né, Cássia? Porque a pergunta é, se a camiseta, ao invés de custar R$ 750, custasse R$ 250, será que o torcedor preferiria comprar a oficial a R$ 250 ou a pirata a R$ 150, R$ 200, né?

Somos contra a pirataria, evidentemente, mas eu acho que a pirataria acaba ocupando um espaço que principalmente os clubes deixam ocupar, que é você não ter um produto bom, bacana, legal, num preço que caiba no bolso do torcedor que não tem essa renda.

A pirataria ocupa esse buraco ali. Agora, esse buraco poderia ser ocupado pelas federações, pela CBF e principalmente pelos clubes de futebol. Porque um cara que tem dois filhos e o São Paulo lança uma camisa nova, se ele for dar a camisa oficial, é mil reais. O salário mínimo é 1.500 no Brasil.

Não tem como, né? É, não é pra esse público. Não é pra esse público. É outro público que eles estão buscando. Mas esse público gosta de futebol, né? E gosta do time, né? E quer usar a camisa, quer que o filho use, quer levar o filho no jogo, mas a mil reais duas camisas, se os três comprarem, é um salário mínimo de camisa. Não tem como isso. Isso aí. Isso aí. Teco Medina, obrigado Teco. Até amanhã. Até amanhã. Tchau, tchau. Até.

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