Episódios de Economia

Tire suas dúvidas sobre o Desenrola 2 e pagamentos de dívidas

02 de maio de 202620min
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No Show da Notícia, Leandro Gouveia conversa com Marcos Sarmento Melo, professor de finanças do Ibmec Brasília, sobre o endividamento das famílias brasileiras. Eles abordam o programa Desenrola 2, a Taxa Selic e respondem dúvidas de ouvintes sobre pagamentos de dívidas.

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Participantes neste episódio3
L

Leandro Gouveia

HostJornalista
C

Carlos Alberto Cabral

Convidado
M

Marcos Sarmento Melo

ConvidadoProfessor de finanças
Assuntos4
  • Programa DesenrolaDescontos de até 90% · Uso do FGTS para quitar dívidas · Bloqueio em plataformas de apostas · Renegociação de cartão de crédito · Renegociação de CDC · Renegociação de cheque especial · Renegociação de FIES
  • Endividamento das famílias brasileirasTaxas de juros elevadas · Impacto do cartão de crédito · Impacto das apostas online (bets) · Dívida vs. Inadimplência · Renda comprometida com dívidas
  • Taxas de JurosTaxa Selic a 14,5% · Juros de empréstimos acima de 300% ao ano · Juros de negociação de 1,99% ao mês
  • Impacto econômico do endividamentoRedução do consumo · Estresse e angústia individual · Diminuição da autoestima
Transcrição54 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Saiba mais em epson.com.br barra toner free. As estimativas da Epson são baseadas em dados internos e de terceiros. Professor Marcos Sarmento Mello nos ouve agora. Boa tarde.

Ouço muito bem. Boa tarde. Obrigado pela participação, seja bem-vindo. Bom, professor, no pronunciamento agora da última quinta-feira, o presidente Lula disse que as pessoas endividadas vão ter acesso a descontos de até 90% no valor das dívidas, que o programa vai permitir o uso de até 20% do saldo da FGTS e também que quem aderir vai ficar bloqueado temporariamente em plataformas de apostas online, as chamadas bets.

Primeiro de tudo, como é que o senhor enxerga esse programa que vai ser lançado oficialmente na próxima segunda-feira?

Isso seguramente é uma grande ajuda para aqueles que estão bastante endividados e que no decorrer do tempo acabaram assumindo compromissos que não conseguiram depois honrar. Então, é claro, quando você tem a possibilidade de diminuir todo o saldo do débito, não é apenas juros e encargos, é todo o saldo da dívida em até 90%.

e também limitar a taxa de juros da negociação a 1,99% ao mês, seguramente que isso é uma boa ajuda. Agora, claro que isso não resolve o problema estrutural das famílias que estão endividadas. Muito mais coisa precisa ser feita e principalmente pelo lado das próprias famílias.

Bom, então vamos lá. Em linhas gerais, o programa inclui essa liberação do uso do FGTS e a renegociação de dívidas de cartão de crédito, do rotativo, do crédito direto ao consumidor, que é o CDC, e do cheque especial. São modalidades que têm os juros muito altos, né, professor?

especialmente o cartão de crédito. Pessoal, muito cuidado com o cartão de crédito. Hoje em dia é muito fácil você obter o cartão de crédito e sair fazendo compras, mesmo que sejam parceladas. E se acontecer algum problema no meio do caminho, acaba não conseguindo pagar aquela fatura no dia do vencimento. Isso acaba fazendo com que a taxa de juros daquilo que você tem a pagar seja muito mais elevado, é o mais elevado do que qualquer outro tipo de linha de crédito.

É isso que, de modo geral, acaba gerando uma bola de neve. É o principal, não é o único. Mas hoje em dia, o cartão de crédito, o fato de você deixar de pagar a fatura no dia do vencimento, principal motivo por um grande endividamento, deu uma boa parte das famílias brasileiras que estão nessa situação hoje. Então, precisa tomar muito cuidado.

Agora, tem também aqueles empréstimos que são fáceis de buscar no banco, o banco pré-aprova um determinado limite que você pode buscar. Esses também têm taxas de juros bastante elevadas e é a prioridade do governo no caso da renegociação. E pelo programa, então, pelo que a gente já sabe até agora, pelo que já foi dito, o nosso contribuinte, o nosso ouvinte que tem uma dívida com um juro muito alto, vai poder trocar essa dívida por um juro mais barato? Essa é a ideia?

Muito bem, é basicamente isso, é trocar a dívida. Então, se está com a dívida, que está com a taxa de juros muito alta, um valor também muito elevado, é como se ele trocasse. Claro que também tem aqueles compromissos que até você já adiantou alguns.

Mas, no final das contas, é como sendo uma troca de uma dívida que está muito pesada, com juros muito altos, com valor muito alto de saldo devedor, por uma outra dívida com um valor menor, com uma taxa de juros menor. Agora.

a pessoa também tem que se comprometer por outro lado e ter também determinados compromissos de mudar a forma de atuação. Como, por exemplo, para algumas situações, você não gastar dinheiro mais com essas apostas online que no Brasil, aliás, no mundo inteiro, tanto se disseminou. É, vamos falar mais sobre como se prevenir também para que essa bola de neve não continue aumentando. Agora...

o presidente Lula falou na possibilidade de descontos de até 90% no valor das dívidas. Mas vai ser possível também, pelo que a gente já sabe aí, quitar dívidas por meio desse programa? Eventualmente será possível, sim, quitar as dívidas, dependendo de qual seja a circunstância daquela família, daquela pessoa. Então, é possível, e aliás, caso seja possível parar a família, quitar,

sempre é mais interessante do que pagar os juros, ainda que sejam mais baixos, de 1,99% ao mês. Caso tenha a possibilidade de fazer a quitação completa da dívida, sempre é o mais indicado, porque a taxa de 1,99%, apesar de ser menor do que a taxa que, de modo geral, acaba sendo cobrada tanto no cartão de crédito quanto em outras linhas de crédito, ainda assim é uma taxa muito alta, a de 1,99%.

E aí o uso do FGTS, você recomenda que quem tem a dívida realmente use o dinheiro do seu FGTS, limitado a 20%, pelo que o governo anunciou, para ou diminuir a dívida ou quitá-la? Olha, se você chegou numa situação de endividamento, seja por um motivo ou outro, algum acidente ou até um descontrole, vamos dizer assim, financeiro, devido às taxas básicas de juros no Brasil ser muito alta,

e principalmente a taxa do próprio endividamento ser uma taxa de juros muito elevada, então, sim, é interessante que você use essa parcela do FGTS, que está restrito até 20% do salto do FGTS, para que você possa abater ao máximo possível essa dívida. Ou seja, atualmente no Brasil, considerando a taxa de juros que está muito elevada, é muito interessante que você use todos os recursos que está à disposição...

para que você possa abater ou quitar a dívida. A gente está conversando aqui na Rádio CBN com o professor Marcos Sarmento Mello, professor de finanças do IBMEC Brasília, a respeito desse novo programa lançado pelo governo. Aliás, vai ser lançado oficialmente nesta segunda-feira, segundo anunciou o presidente Lula, no seu pronunciamento, na véspera do Dia do Trabalhador, em cadeia de rádio e televisão.

E ele dizendo sobre a possibilidade de desconto de até 90%, o uso do FGTS em até 20% do saldo. E falou também da determinação de que quem adira a esse programa ficará bloqueado temporariamente nas plataformas de apostas online, se eu não estou enganado, por um ano, né, professor? E isso é uma medida importante. O senhor concorda?

Sim, uma medida importante porque, de fato, as bets, as plataformas de aposta, e existem outras, inclusive, que estão avançando em outras áreas, hoje em dia, no mundo inteiro, é uma preocupação. Porque não deixa de ser, vamos dizer assim, uma espécie de entretenimento.

das pessoas. No entanto, isso está colocando em risco o próprio equilíbrio financeiro, como nós estamos observando. Não significa dizer que são as Betis, as empresas de Betis, as responsáveis pelo endividamento elevado das famílias brasileiras, atualmente estimado em 80% das famílias brasileiras.

não são responsáveis diretamente por isso. O principal responsável são, evidentemente, as próprias famílias, o próprio comportamento, o próprio modo de ser, que tem que tomar cuidado, a não ser, evidentemente, algumas situações de emergência, de necessidade, ou seja, de saúde e assim por diante. Mas, sim, é interessante que exista uma certa restrição com relação ao modo como vai ser...

feita a relação das pessoas que estão aderindo ao programa em relação às BEDs. Quer dizer, não faz muito sentido você ter uma abertura por parte dos bancos, por parte dos credores, para que você, endividado, possa resolver o problema, se quando lá adiante, após alguns meses, por causa de um determinado comportamento em que você está fazendo apostas...

você acaba se encontrando na mesma situação que era anterior. Então, não faria sentido. Ou seja, o que está sendo colocado agora pelo governo federal é uma ajuda, não é que venha resolver todo o problema, mas é uma ajuda com determinado esforço de parte do setor econômico, como, por exemplo, tanto as financeiras quanto empresas que tenham essas dívidas, de você abatê-las e assim você poder continuar a sua vida.

programar então os pagamentos desse novo débito e continuar a sua vida trabalhando e consumindo. Então não faria sentido que você continue com um comportamento que ajudou você a se encontrar numa situação ruim, como caso seja o caso das pessoas que entraram nessa situação por causa das apostas das plataformas.

Para a gente ilustrar a nossa conversa, a Confederação Nacional do Comércio divulgou uma pesquisa essa semana com dados de 2023 a 2026.

e diz que o crescimento do gasto dos brasileiros com as plataformas eletrônicas nesse período foi superior a 30 bilhões de reais por mês, e que isso comprometeu a disponibilidade de renda para manter o pagamento em dia das dívidas e podem ter levado 270 mil famílias à situação de inadimplência severa, que é a incapacidade de pagar marcada por atrasos de 90 dias ou mais. Ou seja, algum peso tem, sim, as apostas online nesse endividamento.

E aí, eu até acho importante a gente diferenciar a dívida da inadimplência. Não é a mesma coisa, né? Não, a dívida é algo relativamente comum. Então, quando você toma dinheiro emprestado, você fez as contas e percebeu que no seu orçamento cabe fazer o pagamento daquelas prestações por algo que você quis comprar antecipadamente. E você vai pagando aquelas prestações no dia do vencimento.

A inadimplência acontece quando você passa o dia do vencimento sem ter pago aquela prestação. Aí você passa a estar inadimplente. Hoje, atualmente, 30% das famílias estão nessa situação de inadimplência.

E, professor, tem um outro recorte aqui do programa que ele vai ficar voltado à negociação de dívidas a brasileiras com renda de até cinco salários mínimos. De maneira geral, você recomenda que quem se encaixa aí procure informação para tentar abater dívidas ou tem algum ponto de atenção que o nosso ouvinte deve ficar de olho?

Ah, sim, veja, é uma recomendação muito importante. Você que se encontra na situação do perfil, que tem a possibilidade de aderir ao programa, aí a gente faz essa recomendação veementemente. Procure-se informar.

Veja como é que é o programa, se você está apto, se tem a possibilidade de, de fato, você receber, vamos dizer assim, essa ajuda para que você possa quitar a sua dívida, ou pelo menos diminuir bastante a sua dívida, para poder dar uma outra imagem, uma outra luz para a continuidade da sua vida financeira daí para frente no futuro. Então, sim, é uma forte recomendação para que as pessoas possam se informar e, se estiverem aptas a entrar no programa...

que o façam. Tem um comentário aqui do nosso ouvinte que ele manda mensagem aqui pelo nosso WhatsApp, é o 1199119981, é o Carlos Alberto Cabral, eu não sei se eu entendi muito bem, mas vamos refletir junto aqui. Ele diz que conhece pessoas que fizeram acordo de dívida do FIES, que é aquele programa de financiamento para fazer faculdade, basicamente.

e precisou de um financiamento na Caixa e não foi aprovado. E aí a pergunta dele é que eu não entendi direito. Se vocês acham que deveria ser aprovado nesse caso, acredito que no caso do Desenrola, né? Porque no Desenrola tem a possibilidade de abater dívidas do FIES também.

Isso, no Desenrola também tem a possibilidade de você fazer a negociação do Fies. Mas é claro, não é Carlos Alberto, isso não significa que imediatamente você já estará beneficiado pelo programa. Então tem uma análise que precisa ser feita, tem que se verificar até quanto se pode abater, mas é importante sim que você vá verificar dentro do programa a possibilidade de você melhorar a situação do Fies, que se encontra em endividamento.

Professor, existe algum cenário em que não é vantajoso ou não é recomendável quitar uma dívida ou trocar uma dívida cara por uma mais barata?

Olha, pela taxa de juros no Brasil, que é muito elevada, essa semana o Banco Central diminuiu a taxa básica de juros para 14,5% ao mês, que é a Selic. Ainda assim, é uma taxa de juros muito elevada. Quando a gente está falando em taxa de empréstimo, aí sobe muito mais. Pode chegar a mais de 300% ao ano. Imagine, é muito alto. Então, dentro do possível, se você tiver a possibilidade de abater uma dívida, ou você que não está com dívida,

Conseguir postergar a compra e não entrar em dívida e em parcelamento é sempre mais indicado. Seja tanto para que você que tem a dívida puder diminui-la e assim conseguir com as prestações que deverão acontecer no futuro.

fazer os pagamentos regularmente, com até a possibilidade, principalmente, de você quitar a dívida. Se tiver essa possibilidade, faça. Por quê? Porque acaba que você trabalha mais justamente para pagar apenas pelos juros, apenas os juros da dívida que você contraiu. Então, dentro do possível, se puder obter algum tipo de ajuda, algum tipo de auxílio para diminuir a dívida, ou melhor, quitá-la, faça.

E a respeito da educação financeira? Porque quando há esses números de endividamento, muito se fala do governo. Se culpa o governo por causa disso e aí esperam que o governo tome alguma atitude como o governo tem se mostrado disposto a fazer. Só que em relação à educação financeira, tem algo que o governo possa fazer? Porque me parece que é um fator determinante para que as dívidas não cresçam.

Em última análise, a culpa é do governo? Sim, culpa é do governo porque não está gerindo a economia da forma em que pudesse ter o equilíbrio maior da economia com a inflação controlada, com a taxa básica de juros baixa, permitindo, inclusive, investimentos não apenas crédito e outros elementos, um ambiente econômico mais favorável para crescimento.

e até mesmo a obtenção de mais créditos, mas isso considerando taxa de juros mais baixa. Vamos dizer que falta educação financeira ao governo também, né? Gastar melhor. Então, falta educação financeira ao governo, precisa gastar menos do que arrecada. Então, precisa o famoso equilíbrio fiscal.

Precisa. Agora, independente do governo, cada um vai cuidar da sua própria vida, evidentemente. Então, precisa ter determinados comportamentos para si mesmo que possam evitar situações de grande endividamento. Como, ainda que seja culpa do governo, a taxa de juros está muito elevada,

Ora, o que lhe diz respeito como pessoa, como família, é evite obter financiamento, evite obter empréstimo, evite parcelar contas, principalmente no cartão de crédito, evite fazer ou usar os jogos de azar, as apostas, evite, dentro do possível evite.

tudo isso. E aí você tem a possibilidade, hoje em dia na internet tem uma quantidade muito grande de informação que você pode buscar para entender melhor como você pode dirigir melhor as suas finanças pessoais.

E a respeito desse recorde que a gente tem hoje, então, de endividamento? A gente teve também, nesta semana, o levantamento do Banco Central, mostrando que as famílias brasileiras comprometem quase 30% da renda mensal para pagar dívidas. Esse é um recorde. E também...

O endividamento, ou seja, o total das dívidas em relação à renda acumulada em 12 meses, também é recorde, chegou a 50% dos ganhos da família. Para a gente entender isso, qual é a gravidade disso e a possibilidade de sair desse buraco aí?

Primeiro, individualmente, a gravidade é que a pessoa fica amarrada. Só quem tem realmente uma grande dívida sabe, não vou dizer desconforto, é muito pior do que isso, a preocupação, o estresse, a angústia que é você estar endividado e não poder fazer as coisas simples até do dia a dia.

Às vezes até a comida em casa, dificuldade porque tem que negociar com credores, pessoas batendo, ligando para você, cobrando. Isso é muito ruim. Isso acaba até diminuindo a própria autoestima da pessoa, das famílias. Então, isso do ponto de vista individual é muito ruim.

Agora, do ponto de vista da economia, no geral, do país, também é ruim, porque são pessoas e uma proporção muito grande da população brasileira que, em última análise, está deixando de consumir. Está consumindo uma quantidade muito menor de bens e serviços do que poderia consumir se não estivessem tão endividadas.

Então, isso tudo acaba provocando um efeito negativo, não apenas do ponto de vista individual, mas também, no geral, na população e no ambiente econômico do país.

Muito bem, professor. Olha, eu acho que os nossos ouvintes estão numa situação financeira confortável, porque chegaram poucas dúvidas aqui pelos nossos canais. Fico feliz por isso. De qualquer forma, fiquem atentos sempre a essas informações e compartilhem também. Nossa entrevista vai ficar disponível depois para você com pessoas que provavelmente vão poder aproveitar essas informações passadas pelo professor aqui na nossa entrevista.

Agradeço demais a sua participação, uma ótima tarde, um bom fim de semana, professor. Até a próxima. Foi um prazer falar com vocês, até a próxima. Prazer foi nosso, professor de Finanças do IBMEC Brasília, Marcos Sarmento Melo, conversou com você aqui no Show da Notícia. Pronto para sentir a energia de Nescau? Então entre no jogo com Ana Castelli e Pedro Sampaio, o maior feat do ano.

Chama a galera e dá o play, que eu quero ver você jogar. E se prepara que esse hit não vai sair da sua cabeça. Vem, que é agora ou nunca. Nescau. Energia que dá jogo.

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