Episódios de Economia

Desenrola 2.0: renegociação de dívidas deve afetar mais de 100 milhões de pessoas

05 de maio de 202610min
0:00 / 10:33
Ana Leoni e Nathália Larghi explicam como funcionará a segunda fase do Desenrola, que vem com mudanças importantes: descontos podem chegar a 90%, juros limitados, uso do FGTS para pagar dívidas e até bloqueios para quem usa parte desses recursos em apostas online. Ouça.

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Participantes neste episódio3
T

Tati

HostApresentadora
A

Ana Leoni

ConvidadoJornalista
N

Nathália Larghi

Convidado
Assuntos4
  • Desenrola 2.0Mudanças na segunda fase · Descontos de até 90% · Juros limitados · Uso do FGTS para pagar dívidas · Bloqueio para apostas online
  • Endividamento das famílias brasileiras49% da população endividada · 82,8 milhões de inadimplentes · Juros elevados · Crédito caro
  • Apostas online e endividamentoRestrições para plataformas de apostas · Preocupação em evitar perda de alívio financeiro · Bets como investimento · Distorção de percepção
  • Liberação do FGTSTransforma reserva de emergência em ferramenta de renegociação · Decisão importante e sensível · FGTS como reserva para o trabalhador · Risco de queimar reserva e contrair novas dívidas
Transcrição29 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Ana Leone, Natália Largue, boa tarde. Olá, pessoal, boa tarde. Olá, boa tarde. Vamos falar da segunda fase do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, que deve afetar mais de 100 milhões de pessoas. Ele vem com mudanças importantes, descontos gordos.

Juros limitados, vai poder usar o FGTS para pagar dívida e até bloqueio para quem usa parte desses recursos em apostas online. Deixa eu retomar aqui o que é que eu falei no Repórter CBN agora. Pouquinho, 49% da população brasileira está endividada, segundo uma pesquisa divulgada hoje mesmo pela Serasa Experian.

São 82 milhões e 800 mil pessoas inadimplentes no país. Nath, fala mais dessa parte 2 do Desenrola para tentar reverter esses números.

Pois é, Tati, é isso mesmo. A gente já falou aqui há algumas semanas, hoje você trouxe até um dado mais recente, que o Brasil está lidando com um nível de endividamento muito alto. A gente ficou com juros elevados durante bastante tempo. Na verdade, assim, a gente ainda está, porque apesar da Selic estar caindo, isso está sendo feito em doses homeopáticas e deve continuar assim por conta da guerra. Inclusive, hoje saiu a ata do Copom e o Banco Central diz isso com outras palavras, claro, mas enfim, a gente deve continuar lidando com juros altos muito tempo. Então,

o programa vem como uma tentativa de reorganizar isso, de ajudar as famílias. E aí, como que isso vai acontecer? Primeiramente, oferecendo descontos que podem chegar a 90% em dívidas mais antigas, principalmente aquelas com dois anos de atraso, até dois anos de atraso. Na prática, o que vai acontecer? Isso pode transformar uma dívida que é...

pagável em uma coisa mais administrável, mais tranquila para as famílias. Também tem um teto de juros, que é mais baixo nessas renegociações, em torno de 1,99% ao mês, o que já muda bastante a realidade de quem hoje enfrenta juros maiores, como, por exemplo, aquelas linhas que são bem caras, como o rotativo do cartão, que a gente sempre traz de exemplo aqui, cheque especial também. Então, você lidar com juros menores também torna essa dívida mais administrável.

É uma coisa bacana que o programa também está tentando criar, que você falou aí no começo da nossa conversa, é tentar criar essa trava de comportamento. Então, quem usar esses benefícios de renegociação vai ter restrições para fazer transferências para as plataformas de apostas, as bets. O que mostra ali uma preocupação em evitar que esse alívio financeiro seja rapidamente perdido por conta desses hábitos.

E aí, um outro ponto que chama a atenção é essa possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas. Isso é muito relevante porque, assim, na prática, ele transforma uma reserva de emergência em uma ferramenta de renegociação. Então, para muita gente, pode significar limpar o nome mais rápido, sair da inadimplência, voltar a ter acesso ao crédito.

Só que um ponto que a gente tem que voltar a destacar aqui é que o uso dessa reserva, que é o FGTS, ele representa uma decisão muito importante. Porque o FGTS é uma reserva para o trabalhador. Então, sem educação financeira, sem organizar as contas, o que pode acontecer é você queimar essa reserva e depois ainda contrair novas dívidas. Então, tudo tem que ser muito bem pensado.

Para aderir ao desenrola, o processo deve ser feito diretamente nas plataformas dos bancos participantes. Em geral, o primeiro passo é consultar se o CPF está elegível, quais as dívidas que podem ser incluídas, já que o programa abrange desde débitos bancários até financiamento estudantil, como FIES, por exemplo. Então, uma coisa bem importante para quem tem esse tipo de dívida.

E aí, depois disso, o próprio sistema vai apresentar as condições disponíveis, os descontos, prazos, as taxas, tudo já definido, e permite ali que a pessoa escolha a melhor forma de fazer o pagamento. No caso de quem optar pelo uso do FCPs, é preciso uma autorização da operação, já que o valor é transferido diretamente para quitar parte ou toda aquela dívida junto às instituições financeiras.

E aí, em todos os casos, a recomendação clara é comparar as propostas, avaliar se a parcela cabe no seu orçamento, porque a adesão só vai ser sustentável se ela vier acompanhada de uma reorganização financeira para evitar que a pessoa retorne ao endividamento. Então, isso deve ser feito de forma responsável.

Ah, e tem tanta coisa envolvida no endividamento das famílias, né? Seja o custo de vida que está muito mais alto, os salários que estão, enfim, não estão sendo suficientes, apostas mil, né? Gente viciada em aposta. Enfim, o Desenrola é uma...

oportunidade de recomeçar de um outro lugar. Porque justamente exige um cuidado para não virar um paliativo, né, Ana? Na prática, o que o governo e o sistema financeiro estão tentando evitar com essas regras? E o que é que isso diz sobre a forma como os brasileiros estão lidando com dinheiro hoje?

Olha, Tati, realmente esse é um assunto que tem muitas nuances. Eu acho que é uma iniciativa, primeiro que deveria nem ter um segundo desenrola, o primeiro já deveria ter dado esse freio e esse ajuste na vida das pessoas. Mas o que está desenhado aqui é mais um programa que traz uma leitura bastante clara do comportamento financeiro das famílias. Então, hoje o problema não é só a dívida, que ela é um...

por si só já é uma questão muito séria, mas a forma como ela tem se perpetuado. Então, a maior parte do endividamento das pessoas está vindo de um crédito que é muito caro, como a Nath comentou, principalmente do cartão de crédito, que é um crédito muito acessível para as pessoas e com um juro alto da forma como está e já está por um período prolongado, isso vira uma bola de neve.

Então, o governo, quando permite essa renegociação com desconto e oferta de juros mais baratos, ele está atacando o estoque da dívida, mas, ao mesmo tempo, tem uma tentativa de que esse estoque não cresça e isso tudo é no curto prazo.

Então, a gente precisa entender, por exemplo, como ela citou aí o uso do FGTS. Esse é um ponto bastante sensível, porque na prática, para muitos brasileiros, é a reserva de emergência possível é o fundo de garantia. Então, apesar de ter muitas críticas a respeito desse instrumento, ele foi pensado para que o trabalhador possa usar no momento de emergência da saúde ou quando ele...

tenha demissão e não para resolver dívidas de consumo. Então, isso pode ser positivo no curto prazo, como eu mencionei, mas ele não vai tirar de vez as pessoas dessa situação. E aí tem esse ponto da Bete, que a gente já fala tanto e tem pesquisas que cada vez mais mostram a gravidade do problema.

Isso sim é uma questão de comportamento, então o governo e o Banco Central identificaram que parte do dinheiro que está sendo liberado com essas negociações elas acabam sendo direcionadas para isso e o que piora a situação financeira das famílias. Então tentar evitar o uso pode ser um paliativo, mas é curioso, Tati, o seguinte, tem uma pesquisa muito interessante.

que mostra um problema difícil de resolver, porque uma parte dos brasileiros, que não é uma parte pequena, ela vê as bets como um investimento e como uma forma de resolver a vida financeira. Então, se não há uma consciência de que isso está atrapalhando, o impedimento não vai ajudar muito.

Então, acho que isso reforça a importância da gente ter uma educação financeira, que muita coisa cabe embaixo disso, mas é uma distorção de percepção, porque as pessoas não estão vendo que isso pode ser parte do problema, porque elas enxergam isso como uma solução.

E tem um outro aspecto, Tati, que o programa não vai ajudar e não pode atuar de maneira isolada. Então ele depende de um ambiente econômico que principalmente proporcione taxa de juros mais baixa. Esse número que você trouxe na abertura aí é muito sério, né? A gente está falando de quase 50% da população brasileira, que é um país bem populoso.

Pessoas inadimplentes, empresas que empregam outras pessoas que estão com problemas financeiros. Então, se os juros continuam altos e a inflação deixa o dinheiro mais caro, ou seja, a gente perde o valor dele, a tendência é que as famílias continuem com essa dificuldade de equilibrar esse orçamento.

Então, o desenrola, ele ajuda a reorganizar o que é o passado, mas talvez ele não consiga resolver o problema da renda apertada, do custo de vida alto, do crédito caro, e que são coisas que precisam ter, sabe, eu acho que outras iniciativas para compor esse lego e a gente conseguir dar uma solução mais longeva para essa situação. Muito bem.

Ana Leone, Natália Largue, trazendo detalhes dessa segunda parte do Desenrola e uma análise aí da Ana sobre como fazer para utilizar essa oportunidade de modo a não voltar mais para frente para esse mesmo lugar. Obrigada, meninas, mulheres. Um beijo para cada uma. Até quinta. Um beijo, pessoal. Até quinta-feira. Chegou o novo Jeep Renegade.

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