Tire suas dúvidas sobre o Novo Desenrola Brasil
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Guilherme Muniz
Daniele Cardoso
- Dívida Pública BrasilObjetivo do programa · Público-alvo · Daniele Cardoso · Guilherme Muniz · Desenrola 1.0 vs 2.0 · Modalidades do programa · FIES · MEI e pequenas empresas · Desenrola rural · Descontos e taxas de renegociação · Uso do FGTS · Dívidas de cartão de crédito · Cheque especial · Empréstimos consignados · Cartão de crédito consignado · Portabilidade de empréstimo consignado · Educação financeira
- Inadimplência BrasilRecorde de inadimplência em março · Número de brasileiros inadimplentes · Impacto da inadimplência
- Política do EndividamentoFacilidade de acesso a crédito · Limites de crédito elevados · Parcelamentos a perder de vista · Juros do rotativo do cartão de crédito · Controle financeiro pessoal · Sistema de crédito integrado
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Nessa semana, o governo federal lançou o novo Desenrola Brasil. É a segunda etapa do programa de renegociação de dívidas no nosso país. E por isso a gente faz agora um Tira Dúvidas, para entender quem pode se beneficiar, como tirar o melhor proveito das oportunidades que estão aí no mercado e, claro, como não voltar a se endividar. Sobre isso eu converso agora com a Daniele Cardoso. Ela é especialista em planejamento financeiro e sócia da Fórum Investimentos. Daniele, boa tarde. Muito obrigado pela sua participação aqui na CBN.
Boa tarde, Guilherme. Boa tarde a todos. Prazer estar aqui mais uma vez.
E os ouvintes, claro, ficam convidados a participar, mandando dúvidas que tenham sobre esse assunto para o nosso WhatsApp, o 1199119981. Vou ficar de olho por aqui. Se preferirem, o meu e-mail também está à disposição, guilherme.munis.com.br. Munis se escreve com um Z no final. Bom, segundo o Serasa, a inadimplência atingiu recorde no mês de março. Mais de 82 milhões, quase 83 milhões de brasileiros têm algum tipo de inadimplência, uma alta.
de 1% na comparação com fevereiro, é uma alta pequena, mas em cima de uma base muito grande, né, Daniel? Bom, afinal, com base em tudo aí que foi divulgado sobre o novo Desenrola, quem pode se beneficiar desse programa? Qual é o perfil aí do brasileiro que está mais precisando desse tipo de auxílio atualmente?
Olha, primeiramente, precisamos entender o que é o programa. Então, o Desenrola 2.0, ele é um programa que foi recriado para a renegociação de dívida, principalmente com foco em reduzir o endividamento brasileiro. Ele já foi um programa lançado em 2023, 2024, no qual não teve tanta aderência, também não teve tanta repercussão, provavelmente, pela dificuldade em contratação.
Justamente porque precisava-se entrar dentro do aplicativo do GOV, fazer a contratação através do aplicativo do governo. Desta vez, o aplicativo foi lançado, o programa foi lançado diferente, ou seja, para a contratação você pode entrar dentro do aplicativo do seu próprio banco e efetuar a contratação da negociação e da renegociação, que seria o Desenrola 2.0. Lembrando também um alerta muito importante, cuidado com links que vocês vão receber.
Cuidado com links que serão compartilhados. Tentem entrar diretamente no aplicativo do banco. Então, eu tenho conta no Banco do Brasil, no Itaú, no Santander, baixe o aplicativo e tenta conferir por lá. Tem dúvidas? Entra no site oficial, liga no 0800. Por quê?
Provavelmente, eu acredito, assim como eu já tenho visto relatos na internet, que as agências não estão atendendo em um primeiro momento os clientes que estão indo buscar as informações. E eu acredito que talvez nem seja o foco da agência, num primeiro momento, atender o pessoal. Então, de fato, provavelmente esses atendimentos serão...
por canais eletrônicos, ou seja, através dos aplicativos ou até mesmo de canais oficiais. O programa foi feito para brasileiros que possuem a renda até cinco salários mínimos, então isso vai dar hoje R$ 8.105,00. E existem quatro modalidades, o primeiro de todos vai ser focado em famílias, o segundo para estudantes, que tem principalmente o FIES.
o terceiro para empresas, focado em MEI e pequenas empresas, e o quarto que seria, então, o desenrola rural. Então, existem essas quatro modalidades que o primeiro de todos que foi implantado e já está funcionando é o desenrola para famílias. E lembrando que, assim, provavelmente pode ser que dê pane a primeira semana, tem muita gente já relatando que entrou e não conseguiu fazer nem a negociação, até mesmo porque vai ter como plugar ali, utilizar uma parte do FGTS.
E uma informação também muito importante, que eu acredito que seja muito relevante, principalmente para quem vai renegociar, não existe uma tabela e também não existe uma regra. Cada instituição vai poder praticar o que deseja de renegociação em relação a desconto, que pode ser de 30% até 90%.
Lembrando também que as taxas de renegociação podem chegar até 1,99. Então, isso é interessante também, por quê? Porque muitas vezes o pessoal está com dívida altíssima e vai poder renegociar.
Bom, eu vou querer abordar vários desses pontos que a senhora já trouxe, mas até pegando um pouco daquela comparação que a senhora mencionou com o desenrola 1. Houve uma mudança até na forma como a pessoa busca. Agora se orienta a ir buscar direto a instituição com quem contraiu a dívida em vez dessa plataforma centralizada. Eu entendi pela sua explicação que te parece uma boa alteração, um aprimoramento.
em relação ao Desenrola 1. Então, eu queria ter uma ideia, assim, comparando com o Desenrola 1, qual a expectativa que a gente tem, que a senhora tem sobre o resultado? É possível que a gente tenha um resultado melhor, ou seja, o nível de inadimplência caindo um pouco mais significativamente com essas mudanças, ou não necessariamente, até porque, como eu mencionei, o índice de inadimplência agora...
é muito alto, né? A gente está numa situação muito complicada. Te parece suficiente tudo que está disponível agora ou seria importante ainda algumas outras mudanças estruturais no programa para a gente conseguir avançar ainda mais agora?
A gente sempre, principalmente, tenta não cruzar as informações com a parte política, mas lembrando também que nós estamos em um ano eleitoral, então isso me parece até meio que uma propaganda eleitoreira. Mas, enfim, em relação a essas questões, o primeiro programa, sim, ele dificultou bastante o acesso e dentro do aplicativo vai ajudar a população, porque muitas vezes você deve ir para o Banco X e você já tem o aplicativo, você já conhece o banco.
Então, esse primeiro ponto já vai ajudar bastante. Número dois, vamos supor que o estudante deve o FIES. Geralmente, o FIES é uma linha de crédito tomada na caixa econômica. Então, vai ser até mais fácil para o pessoal conseguir fazer a regularização e renegociação. Quando foi lançado o primeiro programa, nós tivemos ali mais ou menos 15 milhões de pessoas beneficiadas.
O projetado para esta vez é que pelo menos atenda 20 milhões de pessoas. Mas o problema é estrutural. Então, não adianta ficar dando incentivos para o brasileiro que está se endividando, sendo que ele não tem educação financeira. Então, um ponto positivo, pelo menos que eu vi na cartilha, inclusive do próprio governo federal, colocou ali as regras do desenrola, é que durante um ano vai ser suspenso os jogos, que são as BATs. Então, para quem aderir ao programa, vai acontecer essa suspensão.
Ah, vai ser bom? Depende, porque muitas vezes o viciado, né, que ali a pessoa que tem o vício do jogo, ela utiliza outros CPFs, mas isso vai ajudar bastante pelo fato de que ela em si vai ficar com o CPF bloqueado por um ano. Então, eu acredito que assim, enquanto o governo não promover penalidades para que você, se você utilizar um benefício ou um programa, você teoricamente seja punido,
Isso não vai acontecer, porque não adianta o programa ficar beneficiando pessoas inadimplentes, até porque isso vai fazer com que o adimplente se sinta de alguma forma injustiçado, porque se eu pago tudo em ordem e eu não tenho nenhum benefício, não é melhor então eu dever e depois eu pagar? Aí o governo já inclusive comentou que não vai existir outro desenrola, mas esse é o segundo, então o governo mesmo entra em contradição.
Outro impacto também que pode acontecer em relação a bancos, né? Os bancos podem, inclusive, recuperar esse crédito que, para eles, era um crédito perdido, né? E para o brasileiro em si, que renegociar e aderir à campanha vai ser muito bom, porque ele vai poder limpar o nome dele, vai poder, muitas vezes, tirar as restrições. Porém, tem uma outra restrição que quase não está sendo falada. A partir do momento que você faz a contratação do Desenrola...
você vai ficar provavelmente com dois... Vamos supor que você fez a renegociação do cartão, você vai ter o cartão suspenso. Se você renegociou um crédito, um empréstimo, você também vai ter muito provavelmente o seu especial reduzido ou suspenso. Então, antes de assinar qualquer tipo de renegociação ou contratação, tem que ler as cláusulas, tem que ler as regras.
Por quê? Muitas vezes a pessoa não quer abrir mão do benefício. Vou dar um exemplo, tá? Se for um MEI, um microempreendedor, trabalho informal, já não tem muito benefício. Se ele for fazer a adesão, ele fazer diretamente com a instituição, ou muitas vezes assim, ah, mas eu entrei no canal do Serasa e parece que lá está mais barato do que pelo Desenrola. Pode acontecer? Pode. Então, antes de fazer qualquer contratação, faça cotações e, principalmente, confira as regras e benefícios que vocês brasileiros terão.
Ótimas dicas, pontos bem importantes para a gente mencionar. E a sua ponderação sobre a questão eleitoreira é importante, porque evidentemente que a gente não está aqui para falar de forma eleitoral, mas a gente não pode tirar esse contexto. Quando o governo lança essa medida, que é uma medida, sim, importante por um lado, mas às vésperas da eleição a gente também aborda isso pelo ponto de vista de ser uma medida eleitoreira com foco na eleição. Então, está no contexto, não tem como a gente tirar do contexto.
Agora, você mencionou um ponto que eu acho interessante, Daniela, e que é o seguinte, muita gente também analisando o Desenrola 2 como uma ferramenta que, como você disse, privilegia a pessoa que está inadimplente, que acumulou a dívida e não estimula o brasileiro.
a deixar de se endividar. E aí entra nesse contexto uma manifestação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, essa semana. Ele diz que o governo pretende lançar um outro braço do desenrola, exatamente para as pessoas que não estão inadimplentes e para os trabalhadores informais. São pessoas que estão mantendo as dívidas em dia, mas estão arcando com juros muito altos. E não necessariamente elas têm a certeza de que no mês seguinte vão ter a mesma renda para poder arcar. Ou seja, elas podem se tornar inadimplentes.
Essa seria uma estratégia importante para a gente tentar ter um alívio mais a médio prazo, na sua opinião? Isso seria um contraponto a essa falta de estímulo para quem não está inadimplente? Essa fala dele, inclusive, é um ponto super importante, porque, de fato, o empreendedor ou até mesmo o profissional que é autônomo, e a maioria deles que são informais, eles têm acesso ao crédito mais caro que existe no banco.
que existe no sistema como um todo. Então, fica muito pesado, muitas vezes, até porque muitos tomaram com a taxa de juros nas alturas, quase ali a 15%, aí você vai fazer um crédito de 4% ou 7% ao mês. Então, assim, isso é muito alto. Agora, ter de fato um incentivo para quem é adimplente,
E ajudar, sim, precisa, isso foi algo que foi comentado, eu vi várias entrevistas, inclusive, deles mencionando, e precisa, sim, colocar em vigor, justamente por quê? Porque, senão, quem é adimplente vai começar a acreditar que não faz sentido ter as contas em dia.
E o orçamento pesa demais, porque muitas vezes o informal ele pega um crédito, depois ele usa o especial, depois ele usa o cartão, e aí começa a virar uma bola de neve. E para não deixar atrasar, porque muitas vezes eles utilizam essas linhas de crédito, até mesmo para os seus próprios negócios ou para orçamento doméstico, você acaba sendo consumido ali uma grande parte em juros. Então penaliza demais quem está em dia.
Bom, um dos pontos importantes, acho que a gente também detalhar por aqui, Daniel, é a questão desse desconto. O desconto pode variar de 30% a ultrapassar 90% em alguns casos. Como que isso vai ser feito? Em que casos que esse desconto pode ser mais vantajoso? Como que isso é calculado? Até para o nosso ouvinte entender se tem uma forma de, por exemplo, a minha dívida, eu consigo esta mesma dívida.
nesta mesma dívida, ter 30% ou 90%? Ou depende do tipo de dívida? Qual que é a regra que está valendo? Depende do tipo de dívida e depende também do prazo. Lembrando que as dívidas são até 31 de janeiro de 2026 para trás. Então, o prazo vai ser de dívidas mais novas, que a gente chama, na média, de até dois anos. Então, os descontos serão...
Por exemplo, na primeira faixa de 30%, 40% e no último, que seria um prazo de dois anos, que é aquele devedor que o banco considera como dinheiro perdido, porque no balanço do banco é como se ele já não fosse mais receber.
Esse vai ter um desconto de até 90%. E existem também algumas dívidas de até R$100,00, que na adesão do programa serão dívidas que você tirará o nome ali da negativação, terá o nome excluído dos órgãos que negativam. Então, isso é bem legal. Você está com uma dívida ali super pequenininha, nem conferiu, você entra lá, faz adesão e você vai tirar a negativação do seu nome, isso vai ser muito bom.
Então, em relação a prazos, como o governo ainda não, como o programa está em andamento essa semana que foi implantado e os bancos estão implantando também, confira o prazo. Mas, em tese, é quanto mais nova a dívida, menos desconto. Quanto mais velha a dívida, maior o desconto.
E tem um outro ponto também, não sei se você vai comentar, em relação ao FGTS. Foi comentado que pode-se utilizar o FGTS de até 20% do saldo da conta ou até R$ 1.000,00, ou que for maior, para utilizar no pagamento da renegociação, tanto parcelada quanto à vista. Eu, por exemplo, Daniela, acredito ser uma boa opção? Depende.
porque muitas vezes, se você não tiver entrada, ou se a dívida sua for pequena, como as dívidas poderão ser negociadas até 15 mil reais, eu acredito que vale a pena. Por mais que é o colchão de segurança do trabalhador, que se ele for demitido, é o único dinheiro que ele tem, mas também viver com endividamento e não ter crédito em lugar nenhum, e ter nome negativado e ficar recebendo execuções do banco, também não é legal. Então, eu acredito sim que seja uma boa opção.
Eu ia te perguntar sobre isso, até porque esse é ainda um ponto que está precisando da regulamentação, ainda está precisando de desenrolar, digamos assim, as regras para entrar em prática, mas tem essa previsão toda do FGTS e tem ouvinte perguntando sobre isso, Danieli. O ouvinte Ricardo, aqui de São Paulo, escreveu assim, que parte do FGTS dele está bloqueado por empréstimos. E ele pergunta, ainda assim eu vou conseguir utilizar o FGTS para a negociação de outras dívidas pelo desenrola? Isso já tem alguma previsão?
Então, isso é um ponto que até agora eu não encontrei nas cartilhas, mas eu vou dar uma opinião, provavelmente 16 anos no ramo, então eu acredito que vai acontecer da seguinte forma. Então, isso não é nada oficial, mas acredito que vai acontecer. Provavelmente, se você tem esse valor utilizado para empréstimos, provavelmente esse valor está bloqueado como garantia, porque teoricamente você tomou o crédito e não pagou ainda.
Se você tem novos depósitos que não estão atrelados a essa dívida, pode ser que você consiga utilizar. Como que você vai saber isso? Quando você fazer ali, cruzar os dados do banco com o FGTS, porque você vai ter que plugar dentro da plataforma, então o sistema vai fazer a leitura. Provavelmente pode ser que o sistema faça a leitura de forma automática, mostrando se você tem ou se você não tem e qual o valor que você tem também.
Isso provavelmente também vai acabar acontecendo com dois outros fatores, empréstimo consignado INSS.
que é a parte dos cartões também, que é o pessoal que toma cartão emprestado e acaba não sabendo o que é um cartão, e o servidor público. Então, provavelmente, todos eles vão acabar sendo dados que serão conectados e o sistema terá que fazer essa leitura. Porque não faz sentido, por exemplo, você ter que ir no banco para tomar essas informações. O sistema tem que ler sozinho. Agora, tem algum outro... Em algum outro caso...
Usar o FGTS, quando ele estiver liberado para quitar essas dívidas, pode ser arriscado ou pode não ser benéfico? Tem algum outro perfil de trabalhador que talvez a senhora não recomendasse fazer esse tipo de correlação, de conseguir quitar a dívida, mas atrelando parte do FGTS?
Olha, muitas pessoas utilizam o FGTS para abatimento de financiamento imobiliário e dar muitas vezes uma desafogada no orçamento, nas prestações. Então, muitas vezes você tem ali o FGTS e pode abater até 80% da parcela do financiamento imobiliário nos próximos 12 meses e não amortização que seria no saldo final.
Muitas vezes essa pessoa já está fazendo isso para poder desafogar o orçamento. Então, utilizar o FGTS para renegociar, aí depende da sua necessidade e que não te prejudique. E também, assim, a questão do FGTS é um dinheiro que fica parado. Nós sabemos que o rendimento é muito baixo, inclusive abaixo da inflação.
Quando você tem mecanismos que você pode ter benefícios, eu sou a favor. Agora, outros empréstimos que são provavelmente esse ouvinte tem, com juros maiores, esses eu não recomendo.
Essas questões de saques que depois você fica devendo e aí você não tem um pagamento mensal, você vai pagar daqui dois, três, cinco anos. Gente, esses realmente acabam consumindo o FGTS como um todo e muitas vezes por falta de conhecimento, o pessoal toma esse crédito e depois lá na frente ele já está devendo o FGTS inteiro. Então, é muito importante que vocês como ouvintes, principalmente que já tem crédito contratado em cima do FGTS, saibam o valor da contratação e o valor da dívida.
porque vocês precisam estar antenados. Pensem assim, é o seu colchão, se caso vocês forem demitidos da empresa. Se vocês não souberem quanto vocês devem, pode ser que amanhã ou depois seja demitido e você tenha a receber zero.
Nossa, aí o susto vai ser ainda maior, aí a bola de neve pode ser pior. Exatamente. Bom, falando em bola de neve, Daniela, e quais são as dívidas mais perigosas ou as mais prioritárias? Se a pessoa tem dívidas diferentes, o que ela deve analisar para sentar agora na frente do computador e entrar na plataforma dos bancos ou entrar, ligar no saque dos bancos para fazer o desenrola? Qual é a primeira dívida que a pessoa tem que tirar da frente e por quê?
Eu acredito que o cartão de crédito é o maior vilão de todos, porque os juros do rotativo, multas e tudo mais, pode chegar a 400% ao ano. Então, o cartão de crédito, na minha opinião, é o número um. Então, se você tem dívidas e tem cartões atrasados, o primeiro deles seria para você conferir o valor da quitação ou renegociação. Número dois, o cheque especial.
que também é um juros altíssimo, e ele vem em segundo lugar. Se você calcular, ele vai dar mais ou menos de 100% a 150% de juros ao ano, fora as multas e tudo mais. Então, assim, primeiro é o cartão, segundo é o cheque especial. O terceiro seriam empréstimos que vocês fizeram por conta, que seriam os empréstimos que a gente chama de crédito direto. Então, fui lá no banco, contratei um empréstimo direto, que é CDC, entre outros.
Esses geralmente têm custos maiores, taxas maiores, até mesmo contratados em bancos digitais. No Bank, Inter, entre outros, o pessoal foi lá, fez a contratação do empréstimo e, teoricamente, acabou deixando atrasar. Os juros são altíssimos. Por último, os empréstimos consignados, que por mais que as taxas sejam menores, mas mesmo assim ainda tem taxas salgadas também. Então, aí tem que conferir. E por último, a questão que eu acho bem interessante, os aposentados têm os empréstimos consignados.
e eles têm os cartões de crédito que são liberados em formato de empréstimo.
Por falta de conhecimento, a maioria da população acaba contratando, achando que é um empréstimo e não é, é um cartão. Esse cartão fica em uma bola de neve, devendo e vai aumentando a dívida. Então, para aposentados, uma dica super importante também, confiram os cartões de crédito consignado, contratados na modalidade ali junto e confira se não vale a pena renegociar dentro do Desenrola 2.0 e efetuar, então, a renegociação do cartão separado.
Tem um ouvinte aqui, o Eduardo, do Recife, ele escreveu, ele contou que ele tem um consignado do INSS. E ele pergunta se ele pode renegociar pelo Desenrola.
O consignado INSS em dia, provavelmente ele não vai entrar no desenrola. Quando fala que o consignado vai entrar dentro da modalidade, é justamente esses cartões que são acima da margem do consignado. Mas para você ouvinte, já está disponível a portabilidade de empréstimo consignado. Então você pode, por exemplo, entrar dentro do Banco Central, conferir as taxas praticadas por bancos em empréstimos consignados INSS.
vai aparecer ali uma tabelinha com o ranking, tem até um aplicativo, sosaposentados.com.br, você consegue jogar lá a informação e ele vai mostrar.
Vamos supor que você tenha contratado no banco, vou dar um exemplo, no Banco Santander, e de repente apareceu lá para você três opções de banco, sei lá, Banco do Brasil, Caixa Econômica e Itaú. E você vai ver que ali aparecem taxas menores, você pode fazer a portabilidade através do sistema. Isso já está disponível, quase não é comentado, mas para quem tem taxas altas no consignado NSS, faz sentido a portabilidade, ou seja, trocar a sua dívida de banco e levar para outro.
Como eu vou saber se faz sentido? Cotando, fazendo cotação e entrando em contato com essas outras instituições bancárias. Queria retomar com você sobre a questão do cartão de crédito, porque nos últimos dias a gente ouviu diversas análises de como a questão do cartão de crédito está impactando nessa alta inadimplência do brasileiro. E aí tem vários fatores, taxa de juros muito alta, principalmente os juros do cartão de crédito quando você não paga em dia.
Mas tem também especialistas que alertam para a facilidade que está tendo de acesso a crédito. E às vezes um crédito meio desgovernado. A pessoa consegue pedir muitos cartões e esses cartões às vezes com limites estratosféricos, muito maiores do que aquela pessoa pode arcar. Tem gente que também pontua a questão de parcelamento, das pessoas se enrolarem com parcelamentos a perder de vista. E quando vão ver vira uma bola de neve.
O que você diria que está sendo o pior problema nesse aspecto? Até como dica para o nosso ouvinte, para ele ver se ele está cometendo algum desses deslizes e já poder tentar consertar isso daqui para frente. Dívidas, elas podem ser saudáveis? Podem, desde que esteja controlada aí dentro do seu orçamento. A partir do momento que você começa a ter o descontrole, algo está errado.
Em relação à liberação de créditos, de cartões, empréstimos, entre outros, isso é real. E assim, deveria existir um sistema integrado onde você conseguisse, por exemplo, o próprio Banco Central, entre outros, conseguisse fazer uma leitura do que você está tomando de crédito. Porque se eu tiver, por exemplo, 30 mil liberado em quatro instituições diferentes e a minha capacidade de pagamento é só de 30, eu posso tomar 120, porque eu posso tomar 30 em cada uma e usar os cartões do especial. E isso é o que acontece com a população.
Desde a pandemia, os números de inadimplentes aumentaram demais e você viu aí que aumentou de 80 para 81 em um mês. Então, assim, isso tende a aumentar se a taxa de juros não abaixar. Mas a população brasileira está sofrendo muito, né? Então, principalmente com salários, enfim, isso acaba impactando. Em relação a isso...
Se caso, por exemplo, essas pessoas começam a usar mais do que têm capacidade de pagar, é certeza que vai se endividar e vai explodir tudo. Então, como que você consegue ver? Fazendo, infelizmente, anotações. Sempre falo isso em todas as vezes que eu falo. Se você não pegar um caderno, uma caneta e começar a anotar tudo, você não consegue saber o quanto você deve. Por quê? Passos essenciais, que é o básico do mês,
Água, luz, telefone, mercado, financiamentos que você tem ali, ok. Quando você vai para o cartão de crédito, o pessoal perde a noção porque fala, não, vai caber uma parcelinha aqui. Só que nisso você vai ter 10 ou 20 parcelinhas que explodem o cartão. E aí o pessoal acaba não conseguindo pagar e gira no rotativo. O rotativo pode chegar a 20% de juros no mês. E aí vai lá e roda no especial também. Então, gente, ter o crédito, ter acesso ao crédito é muito bom.
Mas você tem que pensar que uma vez que você der, você perde acesso a todos. E o crédito é para te ajudar, não para te atrapalhar. Então, o Desenrola, por exemplo, é até... Existe, né?
que a gente acaba falando ali. É, mas parece que é para salvar a população, né? Porque daí deixa as pessoas se endividarem e depois lança um programa para pegar todo mundo à deriva. Mais ou menos isso, tá? Pelo menos o que eu sinto. E eu acho que tem que ser o contrário, é estrutural, a raiz do problema é a educação financeira e o corte, de fato. Se você não tem como comprovar renda e não tem capacidade financeira, os seus créditos têm que ser reduzidos pela instituição bancária.
porque senão o banco toma prejuízo e aí fica todo mundo esperando um lançamento de um programa para renegociação de dívidas e daí acaba que o brasileiro fica endividado mesmo. Então, não adianta. Primeiro de tudo, tenta levantar suas dívidas, tenta arrumar. Se você está quase se endividando, já começa a pisar no freio, mas o principal de tudo é um diagnóstico. Se eu não souber o que eu estou gastando, eu não consigo arrumar a minha casa e o meu orçamento doméstico.
É isso, não deixar a bola de neve crescer muito. Só para a gente fechar, a gente já está super apertado no tempo, mas tem duas dúvidas de ouvintes aqui que eu quero trazer para a gente encerrar. O André pergunta o seguinte, se eu tenho muitas parcelas no cartão de crédito e não vou conseguir pagar no próximo mês, posso usar o desenrola para quitar esses cartões? Não, o desenrola, na verdade, ele vai englobar dívidas que já estão atrasadas. Então, a dívida tem que estar até 31 de janeiro de 2026.
Se você estiver com a de implante, que a gente acabou de falar.
e você não estiver devendo, infelizmente você não pode entrar dentro do desenrola. E aí é o que a gente entrou na outra questão. O governo falou que vai lançar algo para a de implante. Se isso vai acontecer, veremos nos próximos capítulos. Vamos acompanhar o que eles vão conseguir fazer sobre isso. Um outro ouvinte aqui que não se identificou, mas tem o DDD61, deve falar com a gente lá de Brasília, ele escreveu assim, o limite do valor do desenrola é o que o servidor aposentado ganha já com os descontos dos empréstimos ou é o valor original do pagamento?
Olha, o do servidor você vai ter que conferir as regras, assim como o do empréstimo consignado do INSS. Por quê? Porque se você, por exemplo, estiver com ele acima do limite ou não atender dentro do que o programa vai lançar, você não vai conseguir efetuar a contratação. E lembrando que, assim, por mais que você esteja fazendo a contratação, tem uma instituição bancária por trás.
Então, tem que confiar a regra também do próprio banco, porque pode ser que ele passe um corte. Vou dar um exemplo, que eu já vi essa semana. O pessoal entrando e falando, o Bradesco me ofereceu 8% no Desenrola, sendo que no Serasa está maior. Então, infelizmente, por mais que é um programa que vai ajudar o brasileiro a sair do endividamento...
Vocês vão ter que conferir o que estará disponível para cada um. Então, você, como é aposentado e servidor público, entra dentro do aplicativo e calcula o que você já tem e depois você vê o que está sendo oferecido. Porque, às vezes, você vai alongar a dívida por juros menor, mas, na verdade, não vai mexer em nada. Então, não olhe o troco, olhe, de fato, as cláusulas, porque, se não prestar atenção, vai acabar fazendo contratação, que não faz sentido.
É isso, tem que ver quais são as regras, como cada um pode se beneficiar, mas também fazer com calma, com cautela, pensando direitinho para de fato conseguir se desenrolar daqui para frente. Eu conversei com a Daniele Cardoso, especialista em planejamento financeiro e sócia da Fórum Investimentos. Daniele, muito obrigado pela sua participação aqui na CBN mais uma vez. Boa tarde e até a próxima.
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