'Minerais viraram elemento estratégico', diz presidente do Ibram sobre projeto em análise no Congresso
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Cássia
Milton
Pablo Cesário
- Política Nacional de Minerais CríticosMinerais como elemento estratégico · Disputas geopolíticas · Transição energética · Cobre · Terras raras · Fósforo · Potássio · Carvão em qualidade siderúrgica
- Mineração e Relações InternacionaisPerspectiva geopolítica · Mundo menos benevolente · Brasil como protagonista · Relações com Estados Unidos · Relações com China
- Minerais de Terras Raras e Estratégia Americana no BrasilInvestimentos na área de transformação e industrialização · Aumento da densidade da cadeia produtiva mineral · Mecanismos de intervenção no mercado · Bloqueio de investimento estrangeiro · Tecnologia de processamento em escala industrial · Instrumentos de preços
- Terras raras brasileirasOrquima e terras raras · Proibição de exportação de lítio · Monopólio estatal de minerais nucleares · Imposto de exportação
- Minerais críticos e terras rarasProcessamento em escala industrial · Pureza de minérios · Produção de óxidos, ânodos e cátodos · Desafios tecnológicos
- Acordos e Cuidados nas Negociações InternacionaisInteresses de China e Estados Unidos · História de sucesso de Vargas · Mundo bipolar · Independência e benefícios para brasileiros · Política de abertura, não de alinhamento
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Saiba mais em epson.com.br barra toner free. As estimativas da Epson são baseadas em dados internos e de terceiros. Hoje já conversamos com você sobre o avanço da discussão em torno da política nacional de minerais críticos e estratégicos. O Congresso deve iniciar já nos próximos dias a análise do projeto que cria essa política, depois de aprovado na Câmara dos Deputados.
E que também acabou sendo um argumento usado pelo presidente Lula na conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada. O tema agora é prioridade lá no Senado. Para conversar conosco sobre o assunto, nós convidamos o Pablo Cesario, que é diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, o IBRAN. Pablo Cesario, muito obrigado pela sua gentileza de atender o nosso convite. Um bom dia. Olá, bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Um prazer estar com vocês aqui pela manhã. Bom dia.
Qual é a atenção que o setor está tendo em torno dessa política nacional e também destas conversas com os Estados Unidos? O que se considera como estratégico nesse momento para que se esteja atento no tema?
Milton, acho que tem dois aspectos interessantes que você traz aí. O primeiro deles é como esse tema e a mineração virou um tema de primeiro mundo, na verdade, todo mundo fala sobre isso e era importante que isso acontecesse mesmo. Primeiro, tem uma perspectiva geopolítica aqui.
A gente está enfrentando um mundo menos benevolente, vamos dizer assim, e os milionários finalmente estão sendo percebidos como um elemento estratégico, tanto para fornecimento quanto para relações internacionais. A conversa com o presidente teve bons resultados.
na medida em que ele demonstra a possibilidade do Brasil de manter aberto a sua capacidade de relacionamento com vários e se tornar, portanto, um protagonista nesse setor. Por outro lado, a gente tem um projeto de lei muito importante que deve começar a tramitar essa semana no Senado, que cria uma primeira política de minerais críticos estratégicos que vão além das terras raras, mas incluem, por exemplo, o cobre, que é fundamental, por exemplo, para a eletrificação e para esse aumento da intensidade elétrica que a humanidade vem passando e vai passar nos próximos anos.
Na sua avaliação, esse projeto, como ele pode ser classificado? Quais são os pontos altos e há pontos em que ele ainda pode ser aprimorado? Sem dúvida, Cássia. Ele faz duas coisas muito importantes. A primeira é criar uma política, tal como outros países do mundo têm, que identifica o que são exatamente esses minerais críticos estratégicos.
E na definição que nós estamos construindo aqui no Brasil, os minerais estratégicos são todos aqueles que têm um impacto muito grande na economia. Por exemplo, o cobre, como eu acabo de dizer aqui agora, ele é fundamental, por exemplo, para toda essa economia de dados, para todos os data centers. Mas ele cria uma segunda definição, que são os minerais críticos.
que são aqueles que não apenas são fundamentais, mas também para os quais nós não temos acesso, nós não temos produção. Aí podemos falar, por exemplo, sobre o fósforo, sobre o potássio, sobre o carvão em qualidade siderúrgica, porque eles são absolutamente fundamentais para a nossa siderurgia ou para a nossa agricultura, mas nós não temos oferta no Brasil. E são apenas quatro os críticos, pelo menos tecnicamente, como nós vemos até agora. Mas tudo isso vai ser definido por um conselho de política mineral. Então...
Tem uma vantagem, outra, que é o projeto, tal como ele saiu da Câmara, ele traz uma série de investimentos na área de transformação, industrialização, então, numa tentativa de aumentar a densidade da cadeia produtiva mineral, como a gente costuma chamar aqui. Mas tem um perigo grande que está lá.
A criação de mecanismos de intervenção no mercado que estão previstos lá, por exemplo, que viabilizariam o investimento, bloqueiam o investimento estrangeiro. E a mineração brasileira, tal como todas as empresas brasileiras, dependem de investimento e muito dele é estrangeiro. Então, em grandes linhas, eu acho que a gente está vendo uma grande onda pela nossa oportunidade. A gente pode surfar, pode deixar ela passar ou levar um caixote, se a gente andar pelo caminho errado.
considerando esse alerta final ao qual o senhor se referiu, que cuidados o país deve ter e o quanto isso pode impactar nas negociações e acordos com países como Estados Unidos e China? Milton, a gente infelizmente tem uma história de fazer coisas erradas aqui. Acho que vale alguns exemplos. Por exemplo, na década de 50, o Brasil tinha uma empresa chamada Orquima, que dominava todo o ciclo tecnológico do que hoje nós chamamos de terras raras.
Ela foi, por causa disso mesmo, estatizada, logo depois ela entrou em decadência e acabou extinta. Com isso, a gente perdeu uma tecnologia que hoje a gente quer recriar. Mas não é o único mau exemplo que nós temos. Por exemplo, o outro, nós temos o lítio brasileiro, durante muito tempo, foi proibido de exportar. O que aconteceu? Durante décadas, nós tínhamos reservas enormes que nós não desenvolvemos, porque não havia consumo interno. A maior parte desse consumo está na Ásia mesmo.
A mesma coisa os bolivianos fizeram, acharam que tinham achado o bilhete premiado com uma grande reserva de lítio e decidiram não explorar. E aí, claro, perderam uma oportunidade porque o preço do lítio caiu logo na sequência. Tem vários outros. Um bom exemplo também é o que a gente faz com os minerais nucleares no Brasil.
para nossas usinas nucleares. Nós temos um monopólio estatal. E a única coisa que aconteceu nos últimos 15 anos foi perder os últimos 15 anos, porque não houve investimento estatal, nem na mineração, nem no processamento. Então, dá para fazer coisas erradas.
A gente já testou uma parte importante delas, a gente ainda já testou também imposto de exportação, que prejudicou a... Mas ainda continua o desejo de como a gente cria riqueza aqui, e agora o grande desafio no Senado vai ser como a gente evita esse caixote, mas surfa na onda bem. E como está essa questão do processamento? Qual é o potencial do Brasil, não apenas na mineração, mas no processamento desses minerais críticos?
Essa vai depender de cada um desses produtos. Por exemplo, só de terras raras são 17 elementos químicos diferentes, cada um deles com uma estrutura industrial específica. Em alguns a gente vai conseguir, outros não. Mas tem alguns desafios tecnológicos que eu acho que são a chave aqui.
que é principalmente como a gente faz o que a gente chama de processamento em escala industrial. A gente consegue levar esse minério até a 99,999% de pureza, vamos dizer assim. Infelizmente, essa tecnologia não é dominada no Brasil, aliás, é uma fronteira tecnológica no mundo.
E acho que exemplifica bem o tipo de desafio que a gente tem, que é como a gente garante ter o conhecimento da tecnologia para a gente produzir os óxidos, que são esse nível de pureza maior, mas os ánodos, os cátodos, todos esses produtos industriais aí. Então, acho que o grande desafio são dois, tecnologia de um lado e criação de instrumentos.
de preços. Por exemplo, o Vanádio ou qualquer outra terra rara não é igual cobre ou minério de ferro, tem muito comprador e muito vendedor. Então, a gente tem dificuldade de ter preço, de precificar, e isso dificulta, inclusive, financiamento. Então, é uma grande oportunidade. E o projeto, do jeito que está tirando essa parte de intervenção no mercado, que pode ser bem feita, inclusive, o Brasil não é um...
único nesse sentido, dá para fazer bem feito. A gente tem dois desafios, é mercado e tecnologia. Apenas para concluir aqui, considerando aí os interesses de China e Estados Unidos, nas terras raras aqui no Brasil, que tipo de acordos ou cuidados o Brasil deve ter nessas negociações? Milton, eu acho que existe um bom exemplo na história, de novo aqui, de sucesso.
Na década de 30 e 40, Vargas enfrentou um mundo parecido com esse que a gente tem hoje, que é um mundo bipolar de duas grandes potências, duelando para conseguir acesso a recursos. E o que ele inteligentemente fez lá atrás, e é o que nós devemos fazer aqui, é garantir que a gente continue independente e se aproveite daquilo que a gente consegue fazer de melhor, que é...
trazer riqueza para cá. É dessa época que surge uma vale, que surge uma CSN, a gente tem que, na nossa visão, não ter, a gente não precisa escolher lados, a gente tem que pensar nos benefícios que cabem aqui para os brasileiros. Portanto, uma política de abertura, mas não de alinhamento, nos parece ser uma boa oportunidade para todos. Paulo Cesar, muito obrigado pelas suas informações aqui no Jornal da CBN. Um bom dia.
Bom dia, bom trabalho para vocês. Obrigada. O diretor-presidente do IBRAN, que é o Instituto Brasileiro de Mineira, São Pablo Cesario, conversou com você... Tem coisa melhor do que uma pausa no seu dia para apreciar um café? Passe no Pão de Açúcar mais próximo ou acesse o app e descubra uma seleção de aromas, origens e sabores especiais. Tudo de café, do clássico ao importado, está no Pão.
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