'Inflação da guerra ainda vai chegar com mais força'
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Cárcia
Carlos Sardenberg
Míriam Leitão
- Inflação no BrasilInflação nos Estados Unidos · Gasolina nos EUA · Meta de inflação EUA · IPCA Brasil · Alimentos no Brasil · Medicamentos no Brasil · Transporte no Brasil · Passagens aéreas · Preços de combustíveis Petrobras
- Consequências econômicas das guerrasCustos da guerra · Aumento do frete · Aumento do combustível · Insumos para agricultura · Preço de fertilizantes · Desorganização da economia mundial
Dia a dia da economia, com Miriam Leitão. Miriam Leitão gravou seu comentário.
Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Hoje saíram os índices de inflação do Brasil e dos Estados Unidos, e os dois com notícias preocupantes. Mas tem uma diferença entre eles. A inflação nos Estados Unidos deu 3,8%.
anualizado, eles fazem uma maneira diferente de contabilizar a inflação, pegam a inflação do mês e anualizam, ou seja, mostra o impacto forte da inflação. E o que subiu principalmente? Gasolina subiu 50%. A guerra é que produziu esse índice de 3,8% nos Estados Unidos, que é muito alto, a meta lá é 2%.
Então, é uma péssima notícia. Aqui no Brasil, teve o IPCA de abril, foi 0,67%. É uma desaceleração em relação a março e um pouquinho abaixo do que se imaginava. Mas não há nenhuma tranquilidade nisso, porque o acumulado nos últimos 12 meses dá 4,39%, muito perto do teto da meta.
Era 4,14. Mas, principalmente, o que subiu no Brasil? Subiu no Brasil, foram alimentos. Foram cenoura, leite, cebola, tomate. Ou seja, são produtos que, sazonalmente, nessa época do ano, sobem.
Mas o item transportes não foi o item que mais preocupou. Pelo contrário, o que mais preocupou foi a alimentação. No domicílio, a inflação foi 1,64%. Alimentos e bebidas, em geral, foi 1,34%. Alimentos no domicílio, 1,64%. Então, muito alto.
E medicamentos. O segundo item é saúde, cuidados pessoais, remédios que subiram. Mas no transporte, o transporte mesmo desacelerou. Veja, recapitulando, nos Estados Unidos a inflação foi principalmente no transporte e principalmente de gasolina. Aqui desacelerou, foi 0,06% apenas transporte.
E isso por quê? Porque, de um lado, o governo tirou os impostos sobre passagens aéreas e teve uma queda de 14,45% nos preços das passagens aéreas, que tinham subido muito. Aí é uma devolução, digamos assim. E a gasolina, que tinha sido 4,59% no mês passado, a alta, desacelerou para 1,86%. Subiu a gasolina, mas muito menos do que no mês anterior.
Então, lá nos Estados Unidos, um aumento de 50% na gasolina e aqui um aumento de 1,86%. Por quê? Porque a Petrobras está segurando os preços dos combustíveis, principalmente da gasolina, que subiu muito desde o começo do ano, subiu muito desde o começo da guerra, mas esse impacto não tem sido passado para o consumidor. E isso cria uma situação artificial.
Ou seja, mesmo que a inflação seja desacelerando em abril em relação a março, não há nenhuma garantia de que ela vai continuar sob controle. Nesse momento, sempre pesam alimentos, sempre sazonalmente pesa.
Mas a questão é que quando o alimento tiver que cair, pode estar sendo impactado o alimento pelos custos da guerra, que é aumento do frete, aumento do combustível, aumento dos insumos para a agricultura, porque se espera aumento dos insumos para a agricultura por causa da guerra, preço de fertilizantes que subiu, entre outros. Ou seja, o cenário não é tranquilizador, o cenário é de preocupação aqui nos Estados Unidos também.
com a inflação da guerra. A gente ainda não está, esse número de agora, Sardenberg e Kácer, não é o número da guerra, mas o número da guerra virá, porque não dá para segurar esse impacto tão grande de um evento tão desorganizador da economia mundial.
como a gente está tentando segurar aqui com medidas como tirar impostos e segurar preço. Tirar impostos, outros países estão tirando. Até os Estados Unidos querem tirar impostos sobre a gasolina para tentar segurar um pouco a alta. Até amanhã, Sardenberg e Caça.