Nova modalidade do Tesouro Direto rende quase 40% mais do que poupança, afirma economista
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Paulo Henrique Galvão
Gilberto Braga
- Tesouro DiretoTesouro Reserva · Rendimento comparado à poupança · Facilidade de movimentação (Pix) · Disponibilidade em bancos · Imposto de Renda e IOF · Diferença para Tesouro Selic · Marcação a mercado
- Taxa das blusinhasMedida Provisória · Imposto de importação · Compras de até 50 dólares · Impacto na população de baixa renda · Caráter eleitoral · Arrecadação governamental · Competitividade da indústria brasileira · Associação Brasileira da Indústria Têxtil
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Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para aquele nosso papo semanal com o professor e economista Gilberto Braga, sempre valorizando seu bolso. Gilberto, muito bom dia, tudo bem por aí?
Bom dia, tudo jóia comigo, tudo tranquilo. E com você, Paulo Henrique Galvão? Tudo ótimo. Bom, hoje temos dois assuntos muito importantes, né? Que tem muito a ver aí diretamente com o bolso das nossas ouvintes, os nossos ouvintes. Tem a questão da taxa das blusinhas. O presidente Lula assinou ali uma medida provisória para acabar com a taxa. Daqui a pouquinho a gente vai falar sobre isso.
Mas a gente vai abrir falando do novo Tesouro Direto, que foi lançado essa semana, Tesouro Reserva. O que você achou dessa novidade aí, hein, Gilberto? Cara, muito bacana, né, Galvão? Porque concorre com a poupança no sentido de ser mais rentável e tem uma facilidade que você pode aplicar a partir de R$ 1,00 até R$ 500 mil, Galvão.
Então você vai poder pegar toda a sua economia, botar de uma vez aí e ficar tranquilo. E é uma aplicação que rende igual a Selic. Então 100% do rendimento da taxa Selic, que hoje, lembrando, está em 14,5%, mas durante muito tempo teve em 15%.
e é um rendimento que ele tem um prazo de 10 anos, mas você pode sacar a qualquer momento, não precisa esperar 10 anos. Importante fazer esse alerta. E esse tesouro reserva, ele rende mais do que a caderneta de poupança. O que isso quer dizer? A caderneta de poupança hoje, enquanto ela...
a taxa SELIC está acima de 8,5%, a taxa acadêmica de poupança teve uma taxa de rendimento em 2025 de 8,2%. Então, se você compara com uma SELIC de 15% ao longo de 2021, a gente está falando aí que ela é 40% acima, uma foi 60% da outra aproximadamente.
para colocar em números, se alguém tivesse investido 10 mil reais, teria ganho 390 reais a mais, ou seja, você teria ganho 1.006 reais por investir no Tesouro Reserva e ele teria rendido quase 400 reais a mais do que a cadernica de poupança. Então é uma boa opção, vem concorrer com os cofrinhos dos bancos, não é que algumas...
As instituições financeiras oferecem esse cofrinho que tem uma remuneração. Eu sou da época do cofrinho mesmo. Eu tinha porquinho, botava moedinha dentro e depois levava na caderneta de poupança. Tinha uma máquina de contar dinheiro. Boa parte dos nossos ouvintes.
nunca viram isso, não tem mais dinheiro, muito menos máquina de contar dinheiro. É verdade. Agora, Gilberto, tem alguns aspectos aqui que eu queria levantar, eu acho que você deixou muito claro, não tem nenhuma razão para a pessoa deixar dinheiro agora na caderneta de poupança. A gente já falou isso algumas vezes, as pessoas têm medo, mas agora é um tesouro direto que está vinculado ao Tesouro Nacional, quer dizer, totalmente seguro.
Agora, dois aspectos que eu queria levantar. Primeiro, acho muito positivo, que é o fato de você poder sacar a qualquer hora do dia e da noite. Se não me engano, só não pode... 24 horas. Da meia-noite a uma da manhã, parece que vai ter lá uma... Mas fora esse horário... Uma atualização. Mas é como se fosse um Pix. Então, na verdade, ele sai da conta.
e entra na conta do Tesouro instantaneamente e volta na mesma velocidade com que sai. Agora, a gente tem que alertar, Galvão, que não vale a pena você fazer para aplicação muito curta, curta no sentido de tempo, por uma razão simples. Ele tem a cadeirinha de poupança, rende menos, mas não tem imposto de renda. Esse tem e tem IOF.
E o IOF só fica zerado depois de 30 dias. Então, dependendo da circunstância, para quem não vai ficar com o dinheiro investido pelo menos um mês,
Tem que olhar direitinho e fazer as contas porque eventualmente vai render igual ou menos que a poupança. Então é importante você no curto prazo entender que é uma aplicação que não é o overnight de antigamente, para quem tem mais idade deve lembrar.
para não deixar o dinheiro dormir na conta. Não é isso. É um investimento, como o nome sugere, reserva. Agora, uma dúvida que já me perguntaram hoje, recebi até e-mails sobre isso de ouvintes aqui da Rádio CBN, Galvão, é qual é a diferença para o tesouro tradicional, um tesouro direto mesmo. Selic, por exemplo. Tesouro Selic, por exemplo. Então, uma delas é que um tem o que a gente chama de marcação a mercado.
então que é o Tesouro Selic. O Tesouro Selic, ele tem ali uma taxa de juros, de rendimento, mas ele leva em consideração as gangorras do sobe e desce do mercado, que os economistas chamam de volatilidade. Então se você está num momento aí de notícia ruim, o dinheiro está embaixo e você saca naquele momento.
Você pode, não é perder dinheiro, mas vai render menos. Esse é o IPCA, não é, Gilberto? O IPCA também. Todos os títulos que não são o reserva, o tesouro direto, são assim. Eles têm o que a gente chama de... Ele tem a curva, que seria a curva do papel, mas ele tem a marcação a mercado.
No caso do Tesouro Reserva, você só vai ter a curva do papel, ou seja, você pega aquela taxa de juros em prística, que é o CDI, e você decompõe ao longo do tempo. Então, vai render 100% da Selic em um ano, então você vai pegar o 14,5%.
ao ano e você vai decompor isso em dias. Então, se você saca e você resgata, você vai receber proporcionalmente aquela taxa de juros que é vinculada à taxa selic do país, que é o risco soberano.
Não há risco de crédito, risco de não receber o pagamento, então está tudo muito amarrado direitinho. No outro, você fica subordinado, submetido à gangorra do mercado. Então, se subir, você pode ganhar mais do que a curva, do que o rendimento implícito, o compromisso do papel, como você pode ganhar menos.
Então vai depender muito do dia, das expectativas dos agentes financeiros. Essa é uma diferença importante para quem não entende muito do mercado financeiro, do mercado de capitais, o Tesouro Reserve é uma grande opção e a tendência é que ele se popularize e fique mais rentável do que a própria caderneta de poupança e com mais investidores paulatinamente.
Agora, um aspecto que eu acho que ainda, pelo menos por enquanto, é negativo é que só o Banco do Brasil que vai oferecer neste começo. Estão prometendo até o final do ano os outros bancos, não é? É, foi anunciado na segunda-feira com o POMPA lá na B3, que é a antiga Bolsa de Valores de São Paulo, cheia de autoridades da área econômica e das instituições envolvidas, do pessoal do Ministério da Fazenda.
Mas o Banco Brasil, por enquanto, é o único que tem a exclusividade. Dizem que já está disponível em alguns outros bancos e que, paulatinamente, os principais bancos terão no curto prazo. Eu confesso para você que, como a gente ia gravar a coluna nessa madrugada aqui e fazer essa interação com os nossos ouvintes...
Eu tentei no meu banco de madrugada e não consegui. Não vou dizer qual é o banco, porque eu não vou queimar a marca. É um dos bancões.
e não estava disponível ainda. Como eu não sou correntista do Banco do Brasil, eu não consegui fazer o investimento para contar mais para os nossos ouvintes. Mas quem sabe semana que vem eu já tenho uma história melhor para narrar aqui. Tomara. Bom, a gente tem um outro assunto, professor Gilberto Braga, muito importante também. O presidente Lula, nesta terça-feira, assinou lá uma medida provisória.
acabando com a chamada taxa das blusinhas, que é aquele imposto que é pago, imposto de importação sobre compras de até 50 dólares feitas pela internet, nos sites de compras, na maioria sites estrangeiros. Qual é a sua avaliação sobre essa medida do presidente Lula, Gilberto? Primeiro, eu ia te lembrar que já está valendo, já comprou alguma coisa, então vamos.
Não, não, não. Não tenho esse hábito assim tão arraigado. Agora você não precisa. Você viaja, você compra lá fora. Um cara abastado, compra coisas caras. 50 dólares para você não é nada. Mas para nós, simples, mortais, meros, humanos aqui, digamos assim, a gente...
Assim, tem um lado bom e tem um lado ruim. O lado bom é que, efetivamente, para a população que compra, e aí, de fato, essa brincadeira que eu fiz faz sentido, porque o rico...
Para ele tanto faz, você custa 50 dólares, você vai ter 20% de imposto ou não vai ter, ele vai comprar de qualquer jeito e que a maioria das vezes ele não compra pela internet, ele compra presencialmente porque ele viaja, sai para fora do país e compra lá fora, mais barato, não paga imposto nenhum, traz aquilo dentro da mala, a blusinha vem como roupa usada.
Agora, quem compra mesmo pela internet, tem uma parte da população que tem o hábito de fazer compras, mas é principalmente a população de baixa renda. Então o governo está mirando esse público há cinco meses das eleições.
majoritária de outubro, isso tem efetivamente um caráter eleitoral, porque é um produto que os dados oficiais, eles demonstram que durante esse um ano e pouquinho aí que ficou valendo, então só nos primeiros quatro meses de 2026, teve uma arrecadação de 1 bilhão 780 milhões em taxa de blusinhas.
Só em 2026 aumentou 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Então foi uma coisa que o governo criou para equilibrar as contas, para ajudar na arrecadação. Só que as pesquisas de aprovação do governo mostram que justamente um dos itens de desaprovação
é a taxa das blusinhas, porque pega na veia de quem tem pouco dinheiro, de quem ganha pouco e que gosta de comprar uma novidadezinha até 50 dólares pela internet. A gente está falando de 250 pratas em reais.
Agora, Gilberto, pegando pelo lado macroeconômico, você está destacando aí, é uma medida, na minha opinião aqui, eu já falei bastante sobre isso ultimamente, porque já vinha essa ideia de que a medida seria adotada, uma medida extremamente eleitoreira, tomada às vésperas das eleições. Eu estava dando uma olhada agora na repercussão, por exemplo, Associação Brasileira da Indústria Têxtil.
Está dizendo que essa medida ameaça empregos porque, abre aspas, penaliza de modo direto quem investe, produz, emprega e acredita no Brasil. Por que a associação está fazendo isso? Está escrevendo dessa forma. Porque quando você tira o imposto do produto estrangeiro, ele vai entrar aqui mais barato.
E a gente tem acompanhado, eu queria saber a sua opinião, Gilberto, o prejuízo que isso pode causar à nossa indústria, ao nosso comércio, porque esses bens entram com um preço muito mais baixo e, às vezes, o produto brasileiro que emprega aqui no Brasil, que paga imposto aqui no Brasil, não consegue competir. Então, eu queria que você falasse um pouco sobre esse outro lado da moeda.
Esse é um lado verdadeiro. Agora, tira a competitividade da indústria nativa, da indústria brasileira, que tem um custo bastante mais caro, mais elevado que os chineses e qualquer outro asiático que esteja produzindo e vendendo blusinhas. Lembrando que a gente fala taxa das blusinhas, mas para o ouvinte da CBNC...
se lembrar isso pega qualquer tipo de compra até 50 dólares ou seja se cobrava um imposto de 20% e esse imposto saiu aí no dia no edição extra do diário oficial foi isentada taxa volta a zero e voltar a zero não quer dizer que se tornou isento significa que amanhã se o governo mudar ou de energia seja qual o governo for ele pode voltar a elevar a
alíquota do imposto. Então, é zero, mas pode voltar a ser um, dez, vinte, trinco, quarenta, quando o governo achar que é necessário. Então, não é só para blusa, é para qualquer item importado até 50 dólares. São itens baratos, teoricamente, em moeda internacional e moeda estrangeira.
E isso tira a competitividade da indústria brasileira. Então, a reclamação, o choro, ele é livre e ele é verdadeiro. Agora, como é que você resolve isso? Não é só barateando a compra do produto chinês. Estou generalizando, sem querer ser...
extremamente, eu diria, preciso aqui. Resolve isso tirando o imposto da empresa brasileira. Você quer que a empresa seja competitiva, então você tira o imposto do cara que está lá fora e que não contrata mão de obra brasileira, então vamos zerar para quem tem produto barato no Brasil que está pagando imposto. Ou seja, é dar a mesma condição, a reciprocidade para o fabricante local. Então, por que o chinês pode?
produzir barato, o indiano, o coreano e chegar aqui com o produto no preço vil comparado com o brasileiro, se ele não tem as mesmas exigências, os mesmos custos trabalhistas que o brasileiro, não tem a mesma quantidade de dias parados, a mesma produtividade.
E a mesma disponibilidade, a oferta de mão de obra é muito maior na China, pelo tamanho da sua população, do que em relação à economia brasileira. Olha que nós estamos com taxas de desemprego muito baixas, mas nós temos um custo fiscal tributário e trabalhista extremamente oneroso para os produtores e para os empreendedores brasileiros. Fica difícil competir, né, Galvão? É verdade, concordo.
Muito bem, professor economista Gilberto Braga, sempre valorizando o seu bolso aqui no CBN Madrugada. Gilberto, mais uma vez, muito obrigado, uma ótima semana e até a próxima. Um abraço a todos, até semana que vem. Se você é micro, pequena ou média empresa e quer ir ainda mais longe, bora com a Claro Empresas.
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