Episódios de Economia

'Cumprimos as regras há mais de 40 anos', diz ABPA após decisão da UE sobre exportações de carne

13 de maio de 20268min
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A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e produtos de origem animal para o bloco. A decisão foi tomada sob a justificativa de que o país não teria comprovado de forma suficiente a ausência do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento na produção animal. O veto vale a partir de 3 de setembro. Em entrevista ao Jornal da CBN, Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirmou que a decisão surpreendeu o setor e que o Brasil já cumpre as exigências europeias há décadas. Ele também destacou o peso do Brasil no mercado global de proteína animal e afirmou que a UE teria usado o país como exemplo.

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Participantes neste episódio3
M

Milton

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
R

Ricardo Santin

ConvidadoPresidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
Assuntos4
  • Exportação de carne para UEDecisão da União Europeia · Brasil · Antimicrobianos · Ricardo Santin · Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
  • Regulação de IAUso prudencial de antimicrobianos · Acordo Mercosul-União Europeia · MAPA (Ministério da Agricultura) · Aliança Global pelo uso prudencial do antimicrobiano
  • Proteína e NutriçãoMarket share global de exportação de frango · Brasil
  • O Papel do Centrão na Política BrasileiraMinistério da Agricultura · Ministro André de Paula · Secretário Rua · Embaixador Pedro Miguel
Transcrição23 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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O governo brasileiro não teria conseguido comprovar que os produtores aqui no Brasil não usam antimicrobianos para promover o crescimento dos animais, uma prática que é proibida na União Europeia. Uma medida que, claro, evidentemente, causa aí um tremendo impacto no setor. Nós estamos em contato agora com o Ricardo Santini, que é presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, e eu desde já agradeço pela sua gentileza ter aceitado o nosso convite. Ricardo Santini, bom dia.

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Prazer falar com todos os nossos espectadores do Jornal da CBN. Bom dia. Parece ter sido surpreendente para o setor o informe agora, nesse momento, do veto da importação de carne no Brasil. Porque até então, tudo transcorria, podemos dizer assim, normalmente. O que mudou que levou a União Europeia a tomar essa atitude?

Essa foi uma decisão, Milton, do Comitê Permanente de Plantas e Animais da Europa. É um comitê técnico que é tomado, inclusive, muito próximo da entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia e que nos surpreende demais porque nós cumprimos as regras da Europa, inclusive especialmente as de uso prudencial do antimicrobiano, há mais de 40 anos. Isso é muito surpreendente. É importante lembrar ao nosso espectador também que não há uma suspensão ainda, Milton. Nós continuamos.

Isso deverá entrar em vigor lá em setembro e há tempo a própria porta-voz desse comitê permanente, ela disse que se a gente comprovasse, nós seríamos reinseridos na lista dos países que atendem os requisitos europeus. Mas a grande celeuma, Milton e Cassia, é de que não houve o que a Europa reclamou, não é que nós não cumprimos ou de que não tenham sido mandadas as garantias, é de como o Brasil vai fiscalizar essas garantias.

É uma coisa burocrática. O Brasil mandou há muito tempo uma proposta de análise do boletim sanitário, de análise dos dados brasileiros que refletem que o Brasil não usa essas moléculas de antimicrobianos proibidas na Europa. Mas eles não aceitaram. Disseram que nós queremos mais. Mas em vez de nos mandar uma carta, colocaram numa lista.

que nos tira a partir de setembro das exportações. Creio que isso não vai acontecer, porque o Brasil tem condições, sim, de levar as informações e mostrar, através de protocolos técnicos, que nós cumprimos os regulamentos da União Europeia.

O senhor acredita que essa restrição ao Brasil, que entraria em vigor agora em setembro, está mais ligada à aprovação do acordo União Europeia-Mercosul do que a algum problema em conseguir comprovar a fiscalização em relação a estas substâncias?

Eu não posso dizer que esteja mais ligado, Cássia. Ele tem, sim, talvez um pouco da influência, já que alguns países são contra a implementação do acordo do Mercosul, mas ele é um comitê técnico. Ele teve uma análise técnica, dizendo que aquilo que o Brasil propôs, de análise do boletim sanitário, dos dados que estão lá na granja, para mostrar que não estão sendo usadas essas moléculas...

ele não está sendo fiscalizado pelo MAPA, pelo Ministério da Agricultura. Então, o que eles estão dizendo é, olha, eu queria que você tivesse mais demonstrações de que você vai fiscalizar isso paulatinamente ou aleatoriamente, com determinadas equivalências.

e aleatoriedades que garantem que a gente não vai ter o uso dessas moléculas. O Brasil, Cássia, é signatário da Aliança Global pelo uso prudencial do antimicrobiano. E nós fizemos isso porque a gente acredita que evitar o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento para a Europa, evitar o uso de antimicrobianos que são usados para doenças humanas...

É algo que é bom e a gente pratica isso para os brasileiros e para mais de 150 mercados no mundo. Mudou alguma coisa nesta fiscalização? Nos últimos tempos as estruturas de fiscalização foram reduzidas aqui no Brasil?

Não, não há nenhuma diminuição. Há sim a Europa exigindo mais. Ela quis fazer uma manifestação de uma forma política para o seu público, dizendo, olha, eu estou endurecendo no caso dos antimicrobianos. Tanto é que eu estou tirando o maior exportador do mundo, que é o Brasil, que exporta as exportações do Brasil.

Para a Europa, correspondem entre 4% e 6% de todas as exportações do Brasil. Lá, exportamos em média de 20 a 30 mil toneladas por ano, dependendo do período e ano que você pegar, e exportamos por mês 450 a 500 mil toneladas.

Veja a importância do Brasil, que é o maior exportador mundial, que tem quase 40% do market share global de exportação de frango. Então eles usaram o Brasil, digamos assim, como um exemplo para os seus consumidores. Olha, nós estamos cuidando tanto que nós ameaçamos o Brasil de listar ele e suspender a partir de setembro.

Me parece que é isso que aconteceu. Claro, Cássia, com razão, tem um pouquinho a ver desse acordo da Mercosul, de que quem não gosta, dizia, olha, eu vou também fazer uma retaliação. A partir de agora, quais são os próximos passos? A partir desse anúncio que foi feito ontem, o Ministério da Agricultura que tem que reforçar de uma maneira formal que a fiscalização em relação à utilização desses produtos será reforçada, é isso?

Sim, o ministro André de Paula já tomou as atitudes que são urgentes. O secretário Rua conversou com o embaixador Pedro Miguel lá na União Europeia, que está tendo talvez nesse momento já uma reunião com o contraparte na Comissão Europeia para tratar do tema, para levar as explicações.

O ministro André determinou ao secretário Goulart, a toda a equipe da Secretaria de Defesa Animal, que cuida desse tema, que desse prioridade zero para fazer todos os protocolos. Inclusive, ontem, a nossa associação passou o dia inteiro em reuniões com o Ministério para desenvolver um protocolo que possa atender a esses requisitos, digamos, na minha visão, que são um pouco exagerados, mas são...

Eles estão exigindo que a gente comprove que há uma fiscalização na granja, há uma fiscalização na fábrica de ração e também nos nossos abatedouros. Isso a gente já faz. Eles querem ver qual é a continuidade, qual é o tempo que isso é feito, qual a amostragem que é utilizada. E é isso, então, eu tenho que essas medidas já estão sendo realizadas.

Esperamos que até o fim dessa semana a gente já tenha esse novo protocolo com mais dados atendendo a União Europeia e possamos, inclusive, ser retirados da lista, na verdade, negativa e incluídos na lista dos países que atendem os requisitos da União Europeia. Ricardo Santini, muito obrigado pelas suas informações e por ter aceitado nosso convite aqui no Jornal da CBN. Um bom dia.

Bom dia, obrigado Milton, obrigado Cássia, daqui de Quito, no Equador, onde estou numa reunião da agricultura latino-americana. Prazer falar com vocês e ajudar a esclarecer os brasileiros. Um grande abraço. Obrigada. Obrigado, Ricardo Santini, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal. Conversou com você aqui no Jornal da CBN.

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