Episódios de Economia

Dólar cai, mas brasileiros ainda não sentem redução nos preços de importados

16 de maio de 20265min
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Importadores apontam estoques antigos, impostos e custos da cadeia como entraves para repasse ao consumidor.

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Participantes neste episódio6
A

Ana Paula Padrão

HostEmpreendedora
C

César Bergo

ConvidadoEconomista
D

Dilson Carvalhal Júnior

ConvidadoComerciante de perfumaria árabe
K

Kawan Jung

ConvidadoImportador de produtos dos Estados Unidos
L

Lucas Neto

ConvidadoEmpresário e influenciador
W

Wellington Caldas

ConvidadoComerciante de perfumaria árabe
Assuntos2
  • Exportações BrasilQueda do dólar · Estoques antigos · Impostos e tributação · Custos da cadeia de importação · Perfumaria árabe · Alimentos e bebidas importados
  • Dinheiro em ViagemCompras de produtos importados nos EUA · Viagens internacionais · Gastos de brasileiros no exterior · Kawan Jung · Lucas Neto
Transcrição14 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Apesar da queda do dólar, produtos importados vendidos no Brasil ainda não tiveram a redução esperada dos preços. A cotação da moeda americana teve um recuo de 12% no período de um ano. Para o brasileiro que acompanha o câmbio, parecia a hora de finalmente ver os preços dos importados baixarem. Mas quem vai às compras não encontra muita diferença.

A queda da cotação é real, mas não chega ao consumidor na mesma velocidade e quando aparece, costuma ser de forma lenta, desigual e em setores específicos. Wellington Caldas, comerciante de perfumaria árabe em Brasília, esperava sentir algum alívio nas compras. Não foi o que aconteceu. Um dos seus distribuidores anunciou uma alta de 18% nos perfumes de grife, justamente agora, com o câmbio em queda.

Eu não senti nenhuma baixa de preço da parte deles, dos distribuidores. Na verdade, alguns distribuidores até anunciaram aumento de perfumes importados, né? Anunciaram aumento de 18% daqueles perfumes de grife, perfumes já de marcas tradicionais, né? Então, assim, isso impacta no preço final do consumidor. A concorrência é alta em qualquer setor e na perfumaria também. Se a gente repassa tudo, a gente segura o máximo. Então, assim, a baixa do dólar não tem se refletido nesses produtos importados, não.

Na cadeia de alimentos e bebidas importados, o efeito também pouco é sentido. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Bebidas e Alimentos, a Dilson Carvalhal Júnior, as empresas trabalham com estoques para longos períodos e boa parte foi comprada quando o dólar ainda estava alto.

O ciclo é muito longo, então normalmente as importadoras têm um estoque de pelo menos de 3 a 4 meses. Muita coisa que foi comprada foi comprada no câmbio anterior. Muito estoque pago a um câmbio mais caro, então você não consegue reduzir prontamente. Dentro de mais um mês, dois meses, a gente vai perceber mais claramente.

O economista César Bergo explica que a cotação do dólar é só um dos fatores que influenciam o preço dos importados. Segundo ele, tributos, custos da cadeia de importação e o tempo entre a compra no exterior e a venda no Brasil fazem com que a redução demore para chegar ao consumidor.

A coisa que ninguém gosta de falar é a tributação, né? No caso de uma importação, você tem várias cadeias de impostos. Aquela de importação, depois tem internamente ICMS, você tem os impostos federais, o CID. Isso acaba fazendo com que o empresário adote uma postura defensiva. O que mais ajuda o consumidor, no caso, é a concorrência. Porque quanto mais concorrência tiver, a tendência é que o empresário ajuste os seus preços rapidamente para não perder o cliente.

Se por um lado quem compra no Brasil ainda não sente tanto a diferença, quem vai para fora tem conseguido usufruir dos preços mais baixos. Kawan Jung atua trazendo produtos dos Estados Unidos para clientes no Brasil. Por isso, quando a moeda cai, ele aproveita para repassar a redução para os clientes.

O preço do dólar impacta diretamente no meu modelo de negócio, sabe? Essa semana agora que o dólar desceu pra R$ 4,90, eu já percebi uma diferença brusca nos valores de MacBooks e iPhones, por exemplo. Os MacBooks ali desceram em R$ 600 até R$ 1.000. E quando eu divulgo isso, o meu público já fica doido querendo vir atrás, né? Isso vem diretamente de influência do dólar também, né?

As viagens para o exterior também foram impulsionadas pela queda do dólar. Um levantamento da CVC Viagens, por exemplo, mostra que a procura por destinos internacionais cresceu cerca de 20% desde que o câmbio começou a ceder. O empresário e influenciador Lucas Neto está aproveitando o momento de baixa para comprar dólares, viajar e fazer compras no exterior.

Ele também costuma alertar os seguidores sobre essas variações, para que possam se organizar financeiramente e aproveitar também. Sempre que o dólar cai, eu compro dólar com dois intuitos. O primeiro intuito é porque é uma moeda que valoriza com o tempo. Porque eu sempre deixo como reserva para viagens internacionais. Por exemplo, eu já comprei minha keybook, já comprei tênis, já comprei bolsa para minha esposa. A gente sempre aproveita.

Se há uma queda do dólar e a gente comprou dólar no momento em que houve essa queda, então aproveita.

Os números do Banco Central confirmam esse movimento. Somente nos três primeiros meses desse ano, os gastos de brasileiros no exterior somaram mais de 6 bilhões de dólares, uma alta de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado, o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica. Com supervisão de Meire Bertotti, de Brasília, Juliana Souza e Ayumi Watanabe.

Olá, aqui é a Ana Paula Padrão. E como empreendedora, eu recomendo a Claro Empresas. Se você é micro, pequena ou média empresa e quer ir ainda mais longe, bora com a Claro Empresas. Soluções completas e inovadoras para transformar o seu negócio. Saiba mais em 0800-720-1234 ou acesse claroempresas.com.br Claro Empresas, bora fazer juntos.

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