Episódios de Economia

Pacote de bondades de Lula depende de acordo com credores, afirma economista

15 de abril de 202615min
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O governo federal ainda precisa entrar em acordo com os bancos para adotar medidas que permitam a redução de dívidas dos brasileiros, avalia Gilberto Braga. Segundo o economista, entre as propostas está a redução de até 80% dos juros incluídos nos débitos. O pacote também pode prever o uso de até 20% do FGTS para quem ganha até cinco salários mínimos.

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Participantes neste episódio2
P

Paulo Galvão

Co-hostjornalista
G

Gilberto Braga

ConvidadoEconomista
Assuntos2
  • Pacote de bondades do governoUso do FGTS para dívidas · Redução de juros · Endividamento da população · Renegociação de dívidas · Impacto nas taxas de juros
  • Mercado Financeiro e Políticas EconômicasExpectativa para a Bolsa de Valores · Influência do preço do petróleo · Câmbio e dólar
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Muito bem, aqui no CBN Madrugada, o nosso papo semanal com o professor e economista Gilberto Braga, CBN, valorizando seu bolso. Gilberto, muito bom dia, tudo bem por aí? Bom dia, tudo bem comigo e com você, Paulo Galvão, tudo certo?

Tudo bem. Hoje a gente vai falar sobre o pacote de bondades que está em estudo no governo. A ideia... O presidente Lula percebeu que o endividamento da população é um problema sério. A gente está se aproximando das eleições, né, Gilberto? E eu queria que você falasse um pouco sobre esse pacote que prevê, inclusive, o uso do FGTS. Pois é, o governo...

Parece que tem uma encomenda, isso ia sair semana passada, a gente chegou a falar um pouquinho disso aqui na coluna anterior, mas a ideia é que fique pronta até 1º de maio, que é feriado do dia do trabalho, e o presidente da república passou para a equipe econômica a missão de que isso tem que ficar pronto o mais rápido possível, amarrando todas as pontas, porque não é só uma decisão governamental.

envolve várias áreas de governo, o pessoal do fundo de garantia, mas envolve também você ter a concordância dos credores, ou seja, dos bancos. Então tem que ter um processo que não seja só unilateral do governo, mas que envolva também o pessoal que quer receber a grana. Então o que existe de fato...

É um programa focado em três pontos, cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Alguns estão dizendo que vai ser um desenrola 2.0, mas por conta dessa questão eleitoral, o governo está tentando arranjar um outro nome, que seria um nome...

que pudesse ficar mais associado a uma iniciativa do atual governo, porque o desenrola já passou, muita gente entrou, mas não resolveu a situação, voltou a se endividar.

E a ideia é que você tenha aí uma renegociação com descontos proporcionais ao tempo de atraso e com taxa de juros reduzida. Para isso, o governo pretende liberar o uso do fundo de garantia, fala-se nesse primeiro momento.

para que até 20% do saldo do trabalhador com renda até 5 salários mínimos possa ser utilizado para quitar esse processo de endividamento. E aí, nesse momento da quitação, você vai ter todos os descontos. Se 20% der para...

liberar tudo, ou seja, para você ficar sem dívida, você vai utilizar, senão você pode utilizar até 20% do saldo e quitar quanto for possível da dívida. O que não inviabiliza que você combine isso com o processo de renegociação. Olha, eu tenho 20% do FGTS, consigo liberar metade.

do que eu devo, então vou pagar a metade, a outra metade você renegocia num prazo que fique compatível com o seu orçamento. Então a ideia é dar uma porta de saída e, ao mesmo tempo, criar alguns mecanismos certamente um pouco duvidosos.

de evitar que as pessoas voltem a se endividar depois de quitar esse endividamento, de pagar essas prestações aí. Então, isso é sempre complicado, porque as famílias hoje são famílias complexas, você pode não fazer a dívida no seu CPF, mas faz no CPF do companheiro, da companheira, do filho.

Da mesma maneira que o governo quer ter uma possibilidade de tentar proibir que as pessoas, durante seis meses, joguem em bets. Isso é algo também bastante duvidoso, porque você pode abrir uma segunda conta no nome de um parente e voltar a jogar. O que você acha, Galvão?

Ah, realmente essa questão das bets aí é um problema, né? Eu espero realmente que o governo, as nossas autoridades aí consigam de alguma forma limitar essa questão, principalmente para essas pessoas que estão endividadas, né? Estava olhando os dados aqui.

117 milhões de brasileiros têm dívidas bancárias e não há dúvida nenhuma que as apostas em bete têm a ver com esse número elevadíssimo. Então, esse é um problema que o governo tem que atacar, não tem dúvida nenhuma. Agora, eu queria jogar para você, Gilberto, duas questões aqui. A minha função aqui é fazer o contraponto, não há dúvida nenhuma.

de que para quem está devendo pode vir aí uma boa notícia. Mas aí eu quero pegar por um outro lado, e são duas questões. Em que medida esse tipo de ação do governo federal, que se assemelha um pouco com o refício, que é feito com as empresas, aquela ideia de as empresas que estão endividadas, vira e mexe, a cada três, quatro anos o governo...

cria aí um programa para refinanciar essas dívidas. Então, o que está acontecendo agora com a pessoa física é mais ou menos o que sempre aconteceu com a jurídica. Então, eu pergunto aqui em que medida essa ação não pode trazer duas consequências que seriam negativas. A primeira delas.

Quando o governo dá esse tipo de desconto, mais uma vez, para quem está devendo, isso não acaba desestimulando quem paga as suas contas em dia? Não é, de certa forma, um incentivo para que as pessoas deixem de honrar os seus compromissos e, obviamente, isso atrapalha a economia, atrapalha os credores? E uma outra questão que eu já emendo aqui, Gilberto,

Em que medida essa ação também acaba dificultando a redução das taxas de juros? Porque, mais uma vez, o governo federal, o presidente Lula, está incentivando o consumo, fazendo com que as pessoas voltem a consumir, e isso pressiona a inflação, dificulta a redução dos juros. Essas duas questões.

Bom, vamos por partes. A primeira questão eu vejo de outra forma, Galvão, porque, na verdade, quando a gente diz que vai ter um desconto e vai renegociar pagando menos, é em relação aos juros, não em relação ao principal. Então, a pessoa que gastou 100 vai ter que pagar 100 e o que ela vai ter de abatimento não é em cima dos 100 que ela gastou, é em cima dos juros que estão incidindo sobre os 100 que estão em atraso.

Então, a redução pode chegar a 80%, não do valor da dívida total, do valor dos juros. Então, de alguma maneira, aquilo que você gasta no cartão, você vai ter que pagar. E nesse sentido, quem gasta e paga regularmente as suas contas no vencimento, não vai pagar juros nenhum. Então, continua sendo um bom negócio você manter o seu orçamento equilibrado, não se endividar e não pagar juros.

Então, essa é a primeira parte do questionamento que você fez. A segunda parte do questionamento que você faz é sobre a influência disso na queda dos juros e na alimentação da inflação. Teoricamente, o que o governo está buscando é usar o dinheiro esquecido nos bancos, que ainda não foi reclamado, e ao mesmo tempo usar uma parte do fundo de garantia. Então, dessa maneira, não teria dinheiro novo do governo, ou seja...

o governo não estaria abrindo uma nova fronte de custeio, de despesa, que pudesse estar sendo deslocado de outras classificações, de outras alocações federais. Agora, isso obviamente estimula o consumo, estimula que as pessoas voltem a gastar, e eu acho que é isso que o governo quer mesmo, de maneira responsável, equilibrada, com o discurso a que você possa fazer isso com parcimônia.

Mas o governo quer, digamos assim, virar o jogo da desaprovação, que hoje é majoritária em relação à gestão pública, a gestão do atual mandato do presidente Lula, e tentar trazer algum gal de, digamos assim, de benesse para a população, sobretudo a população mais pobre.

Só para te dar um dado que a gente pegou do Banco Central, que são dados oficiais, hoje usam cartão de crédito mais de 101 milhões de brasileiros. A gente está falando de mais da metade da população. E desse público que usa cartão de crédito, Paulo Henrique Galvão, 40 milhões têm alguma dívida com cartão, ou seja, 40% das pessoas que têm cartão de crédito estão devendo.

E uma coisa muito curiosa é que quando você olha pelos volumes, e aí uma coisa é a quantidade de pessoas que estão vivendo, 40%. Mas 63% dos valores que estão em dívida estão fora do prazo, estão em atraso. Então mostra a dificuldade que as pessoas estão tendo.

de equilibrar os orçamentos. De cada R$ 100 gastos no cartão de crédito atualmente, R$ 60 são pagos com atraso, ou seja, só R$ 40 da turma paga na data que vence o boleto. Então é muito complicado, é de fato uma situação que chega num grau de exposição extremamente grave, extremamente difícil, e o governo precisa fazer realmente alguma coisa.

Professor economista Gilberto Braga, para a gente fechar aqui, Gilberto, temos mais dois minutinhos aqui, queria que você falasse um pouco sobre esse ambiente aí, Bolsa de Valores, dólar, a B3 fechou em alta nessa terça-feira pela 11ª pregão consecutivo, dólar mais uma vez abaixo de R$ 5,00 a R$ 4,98.

Como é que está a sua expectativa futura para o mercado financeiro? Está tendo muita influência da guerra, o preço do petróleo. Cada vez que o Trump fala uma coisa, o preço aumenta, diminui, isso reflete na Bolsa. Como é que você está vendo isso aí?

Olha, eu acho que ainda é um ambiente positivo. A gente tem consequências desse cenário geopolítico internacional que são muito ruins para a economia brasileira. Então, há uma pressão de inflação, uma pesquisa do Focos e do Banco Central com os bancos e economistas.

mostra que a expectativa de inflação já aumentou nesse resultado dessa semana, já está em 4,71, acumulado para 12 meses, que é acima do teto de 4,5. Nós temos uma outra questão que...

apesar do Brasil sofrer com isso, o Brasil é também um grande exportador de petróleo. Lembrar que quando isso começou o petróleo era 62, 63 e hoje está rondando entre 90 e 100. Então o Brasil também está recebendo mais dólares de exportação.

A balança comercial, que era estimada por um ano em 70 bi, agora já corrigido, está sendo estimada em 90 bilhões, então está crescendo esse número. Isso tem a ver também com as eliminações das restrições ao comércio exterior, sobretudo dos Estados Unidos. Então a turma toda já tinha diversificado e voltou a exportar para os Estados Unidos e está ganhando mais dinheiro com o petróleo que exporta também.

Então, se por um lado tem uma notícia ruim, por outro lado tem uma notícia boa, que está entrando muito dólar aqui. E está entrando muito dólar também para a Bolsa e para a renda fixa. Isso porque as empresas brasileiras estão sendo consideradas baratas.

E diante desse cenário de incerteza global, nessa terça-feira a FMI soltou uma projeção piorando o crescimento econômico de uma forma generalizada para a maioria das economias fortes. Isso faz com que o Brasil seja uma alternativa interessante. Mesmo com o início do ciclo de queda da taxa de juros, se a gente pega descontando a inflação do ano, a gente está falando de um juros reais de 10%. E aí

quando lá fora os juros é 2% em termos reais, 2, 2,5% dependendo da economia. Então você está falando em ganhar 4 a 5 vezes mais investindo na renda fixa do Brasil comprando o título do próprio governo brasileiro. Então muita gente está vindo para cá investir em fundos que são lastreados em papéis de pouco risco e que dão uma grande rentabilidade. Então o dólar deve continuar nesse primeiro momento, abaixo desse patamar.

cabalístico de 5 reais. É óbvio que as projeções é de que ele deve voltar a subir até o final do ano. A pesquisa Focus fala alguma coisa em torno de 5,35, 5,37, 5,40 para o final do ano. Então, hoje está barato para quem quer ir para a Disney, quem quer viajar e conhecer os museus europeus, grandes capitais, destinos turísticos do mundo. É uma boa hora para comprar euro, para comprar dólar.

para armazenar para a viagem. E a Bolsa brasileira segue a passos largos para bater um novo recorde nos próximos dias, o que está passando também o cabalisco 200 pontos, 200 mil pontos. Muito bem. Professor economista Gilberto Braga, sempre valorizando seu bolso, ouvinte CBN. Gilberto, mais uma vez, muito obrigado, uma ótima semana e até a próxima.

Um abraço a todos. Até semana que vem. Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para a CNPJ.

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