Episódios de Economia

Por que o brasileiro se sente mais pobre mesmo com a economia melhor?

14 de abril de 202624min
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Especialista aponta juros altos, dívidas e crédito fácil como principais fatores. Ouça a entrevista com economista e professor do Insper, Alexandre Chaia.

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Participantes neste episódio2
F

Fernando

HostJornalista
A

Alexandre Chaia

Convidadoeconomista e professor
Assuntos2
  • Endividamento e ConsumoCesta de consumo · Facilidade de consumo com smartphones · Supérfluos e endividamento
  • Renegociação de DívidasPrograma de renegociação de dívidas · Liberação do FGTS
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Vamos falar de endividamento? Vocês estão com conta atrasada? Vocês estão com algum tipo de dívida? Em julho de 2023, lá atrás, o governo federal lançou Desenrola, você deve se lembrar, um programa de renegociação de dívidas. O objetivo era justamente combater a inadimplência no pós-pandemia.

Naquela época, o número de inadimplentes estava no patamar recorde de quase 71 milhões e meio de pessoas, segundo dados da Serasa. A inadimplência era de 4,14%, se a gente considerar contas com mais de três meses de atraso. Muito bem. Lançado em 2023, o desenrola durou cerca de 10 meses e cumpriu, em alguma medida, o objetivo de reduzir o número de inadimplentes que ganhavam até dois salários mínimos ou os que eram inscritos no Cadastro Único.

de R$ 25,2 milhões para R$ 23,1 milhões, quando o programa foi encerrado em maio de 2024.

De lá para cá, o Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes e o nível de calote do consumidor está no maior patamar desde 2012. Hoje, são 81 milhões e 700 mil pessoas com contas atrasadas. Mais números. O nível de endividamento total das famílias chegou aos 49,7% e o comprometimento da renda mensal alcançou cerca de 29,3% segundo dados do Banco Central.

O crédito de longo prazo, e aqui estou falando crédito consignado, não consignado, financiamentos de carro, de móveis, cresceu cerca de 12,5%. Já as modalidades emergenciais de crédito saltaram 23% em fevereiro desse ano, em relação ao mesmo período do ano anterior. Esses são dados do termômetro do crédito, realizado pela Associação Brasileira de Bancos, com base em dados do Banco Central.

Muito bem, diante desses números a gente vai tentar entender por que cada vez mais, mais gente está se endividando. Vamos conversar agora com o economista e professor de finanças do INSPER, Alexandre Chaia. Professor, bem-vindo, boa tarde.

Obrigado, boa tarde Tatiana. Eu quero começar te perguntando qual é a discrepância entre dados econômicos que mostram que a economia está indo dentro do previsto, quer dizer, inflação dentro da meta, renda subindo, desemprego caindo, PIB crescendo e a percepção das pessoas, a maneira como as pessoas percebem a economia no dia a dia delas. Essa é uma boa questão, acho que o que está acontecendo é um pouco o cenário que você colocou na...

No início, falando do desvitamento, acho que as pessoas, apesar da renda estar crescendo, das pessoas, a economia está crescendo devagar, não está crescendo muito, não é um crescimento robusto, mas é um crescimento constante, então, a gente tem tido quatro anos de crescimento constante.

O que acontece é que as famílias estão mais endividadas ou mais comprometidas à renda delas. Então, apesar de você ter emprego, apesar de você, de alguma forma, estar dentro de um ambiente econômico positivo, você está ficando mais pobre, você está ficando com menos renda. Então, a percepção é, eu não consigo fazer o que eu fazia um ano atrás, dois anos atrás, apesar de ter emprego, apesar de ter crescimento de renda, você estava tendo uma renda líquida menor.

As pessoas estão sem dinheiro, professor, o endividamento vem da falta de renda ou da renda insuficiente? Quer dizer, em termos práticos, com o que os brasileiros têm se endividado?

Então, aí, até um pouco também com as informações que você deu. Se estudar, não é nenhum absurdo a renda, vamos dizer, as linhas emergenciais têm crescido mais do que as linhas de longo prazo. Crédito, primeira coisa, vamos tirar um pouco essa pente que as pessoas têm, que ter crédito é ruim. Na verdade, crédito é a máquina que movimenta a economia. Então, as pessoas não têm dinheiro para comprar à vista, elas compram parcelado, compram financiado, imóvel.

Dificilmente alguém consegue juntar dinheiro para comprar um carro, um apartamento.

o dinheiro inteiro. Eles compram financiado e esse processo é que faz a economia girar. O problema todo é que, como o juros subiu muito e as pessoas não estão conseguindo ter renda sobrando, elas estão precisando complementar essa dívida de longo prazo, que é do financiamento do apartamento, da casa, financiamento de automóvel, financiamento de moto. Elas estão usando linhas de rotativo.

E por isso que essa linha tem crescido mais. Você está complementando o que você não está conseguindo pagar. Por isso a percepção ruim da economia. As pessoas estão olhando e falando, olha, eu ganho, eu comprei o que eu queria, mas eu não estou conseguindo gerar renda suficiente para pagar. E com isso eu estou entrando em cheque especial. Aquela bola de neve está crescendo e é um ponto importante. É uma combinação. Você está tendo...

Os juros estão muito altos e estão por muito tempo. Então as pessoas acabaram consumindo muito desse excesso.

com esses juros altos, tanto que desses 30% que você falou do comprometimento mensal da renda, 10% é para pagar juros, 20% é para pagar o que eles compraram. Então, eu estou usando 20% desses 30% para pagar a prestação da casa, a prestação do carro, a prestação da moto. Por outro lado, eu estou pagando 10% de juros, que não é, na verdade, o financiamento dessa operação. Então, eu não estou comprando nada, eu estou transferindo dinheiro para o setor financeiro, que também está transferindo para o Banco Central, que está pagando juros mais altos.

Perfeito. Professor, gostaria de ouvi-lo um pouco sobre o orçamento doméstico. O consumo teve muitas mudanças relevantes nas famílias mais pobres ou até mesmo de classe média nos últimos anos? Alguns produtos entraram, outros saíram. Tem supérfluo envolvido nesse orçamento que atrapalha o orçamento?

Na verdade, cesta de consumo vai mudando com a própria dinâmica da sociedade. Você tinha uma sociedade há 10 anos atrás que tinha muito menos consumo de smartphone, muito menos streamings, você tinha serviços que antes não existiam, hoje existem, tem coisas que você deixou de comprar e você passou a comprar mais. Eu acho que a cesta em si vai mudando como um todo, eu acho que isso é um pouco o reflexo da sociedade.

A questão é que, voltando ao problema das pessoas estarem percebendo essa sensação ruim na economia, é que o que você está comprando, às vezes, não são produtos, como você falou, supérfluos, e não são coisas que vão criar patrimônio, vão criar de alguma coisa, algum grau de satisfação muito alto, uma coisa muito instantânea, e estão consumindo isso e o dinheiro está acabando com esse supérfluo e está acabando também.

com o pagamento de juros. E aí a percepção é, o que eu continha, eu continha a comprar comida, eu conseguia ter alimento melhor, eu conseguia sair, me divertir algumas vezes. Esses prazeres que eu tinha no passado, eles estão mais escassos, porque eu estou gastando dinheiro com coisas que necessariamente não são importantes, que são esses bens superfluos, e aí nós envolvemos tudo, envolve desde joguinho dentro da...

do celular, aposta, como indo para a parte de gasto com o streaming, que às vezes não traz nenhum prazer, ou gasto com coisas que, na verdade, não são de longo prazo, que são muito mais de prazer instantâneo. E esse bem, que era uma coisa que você fazia, você olha para o passado e fala, no passado eu tinha mais consumo.

O que também, na verdade, é um saudosismo. As pessoas, em geral, tendem a achar que o passado era mais confortável que o presente. Mas, na verdade, era ruim também no passado. Acho que as pessoas só olham e só lembram da parte...

boa do passado, que é uma característica do ser humano. O ser humano esquece muito rápido das coisas ruins e fica lembrando só das coisas boas. Mas o passado também era ruim. Era outra cesta, era outro tipo de produto. Mas o que eu acho que está mais apegando hoje na economia é a questão que você tem menos dinheiro líquido porque você está pagando muitos juros nos empréstimos.

O senhor falou da facilidade do consumo ou dos joguinhos que estão ali dentro do celular e tal. Essa é uma realidade. O consumo é muito fácil hoje com aplicativos que estão a um toque da sua mão. Você tem lá um botão, um cartão vinculado àquela conta e em poucos dias o que você quer chega na sua casa. Isso alterou o desejo?

de consumo das pessoas, professor? E isso tem peso no endividamento de parte da população brasileira? Ah, sem dúvida, sem dúvida. Voltando, consumo, padrão de consumo, isso é uma coisa que não tem certo e errado. Isso é o momento da sociedade. Tem momentos na sociedade que a sociedade consumia mais produtos, menos orgânicos, depois num período mais orgânico, depois volta, é meio pendular. Você vai mudando o seu gosto com o tempo.

Agora, sem dúvida, a facilidade que os smartphones trouxeram, e eu não estou só entrando na questão de jogos, estou falando mesmo compras. Ah, eu demorava, eu não comprava antes um bem porque eu tinha que ir num shopping comprar. Hoje eu consigo ter todo o shopping dentro do meu celular. Isso facilita muito o desejo instantâneo, que em geral traz um prazer muito rápido, mas, por outro lado, acaba consumindo pedaços do seu orçamento.

que você não ia usar antes, você fala assim, ah, eu quero comprar uma camisa nova, ah, mas eu tenho que ir numa loja, aí só ir à loja, já demora, você acaba adiando, então você vai adiando, você acaba nem comprando, porque você não precisa daquela roupa. Hoje, com o smartphone, você consegue comprar rápido, e por conta disso, você acaba tendo menos renda, e a sensação que você está mais pobre, apesar de você estar consumindo mais, e você está ganhando mais, porque realmente houve um aumento de renda da sociedade.

Agora, professor, sobre parcelamento e quando esse parcelamento vira algo assim crônico. Eu vou dar um exemplo que é o seguinte. Alguém pode não ter a chance de comprar um bem material caro. Vamos pensar numa TV de última geração. Mas aí vem as grandes redes, insistem naquelas suas propagandas de que sim, você pode. Vendendo status. Basta parcelar, professor. Parcela, 10, 12, tantas vezes. E aí é muito louco porque quem tem dinheiro vai lá e faz o seguinte. Paga no Pix, ainda tem um baita desconto.

Ou seja, quem tem dinheiro paga menos. Perverso isso, não? E o parcelamento tem qual influência nesse endividamento quando ele se torna crônico, professor? Sim, então vamos lá. Primeiro que, voltando ao ponto inicial,

desconto para pagamento à vista e quem não tem capacidade de juntar, acaba usando o crediário, o financiamento, o crédito para poder adquirir um bem, que tem que ser bem pensado, obviamente, mas acaba assim. A questão que eu acho que falta, e eu tenho falado bastante desde que o assunto endividamento que o governo trouxe, o sinal vermelho disso.

Toda entrevista que eu tenho dado tem falado muito sobre isso. Eu acho que a falta, eu acho que o parcelamento não é o problema, o problema é a falta da educação financeira que as pessoas têm em termos de como funciona o parcelamento. Porque quando você compra, vamos dar um exemplo, um automóvel parcelado, você não está só comprando o automóvel, você está comprando o automóvel, está comprando os gastos diários, a manutenção, o seguro, o IPVA, todos os...

os custos adicionais que não estão na conta do parcelamento. Ou na televisão, você não está contando, vamos dar um exemplo de televisão que é mais simples, você não está contando um aumento de energia, necessidade de você comprar um streaming para poder ver na televisão uma coisa melhor, tudo isso está na conta. E principalmente as pessoas não entendem que existem incertezas gastos de emergência. E a pessoa faz a conta para ficar certinho, falando, olha, eu consigo pagar essa parcela.

Mas ninguém considera que pode ter uma doença, pode ter um problema de um gasto extra, ou não se planeja que no início do ano tem gastos adicionais. Por isso que eu acho que o que no final das contas falta é um planejamento e um conhecimento. Eu acho que a educação financeira é uma coisa que é muito pouco apresentada nas escolas.

As pessoas saem sem conhecer e principalmente saem com medo. A maior parte das pessoas tem um problema com número, com incerteza. Prefiro nem ver, prefiro que o meu gerente me fale, prefiro que o governo me diga. E também é outra característica da população brasileira, que é ser muito tutelada por alguém que vai dizer como fazer.

Então, eu acho que esse é um grande dilema que eu tenho, mas acho que o pior é não ter educação financeira e não entender o quanto a parcela das incertezas podem gerar no teu orçamento familiar.

Quero falar de Betis, professor. Tem um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e da FIA Business School dizendo que as plataformas de apostas online são a principal causa de endividamento das famílias brasileiras. Os pesquisadores criaram alguns indicadores que calculam impactos diferentes em quatro condições diferentes.

E o resultado mostrou que as apostas se tornaram mais relevantes para causar endividamento das pessoas. Mesmo somados, os impactos de crédito e de juros, que é o que o senhor está dizendo aqui, são menores do que os das bets. E as famílias, por óbvio, financeiramente mais vulneráveis, sofrem o maior impacto.

Eu queria te ouvir um pouco sobre isso, o que é que esse cenário nos mostra, por que é que isso ocorre, mesmo com a regulamentação das apostas online, a gente perdeu a mão sobre as bets?

Eu diria que sim e não, para não ficar muito em cima do muro. Mas já ficando, né, professor? Mas já fica. Mas por que eu estou dizendo sim e não? Na verdade, a gente não perdeu a mão porque... A gente vai ser pior também. É um dilema que ocorre no mundo inteiro. Então, isso não é o Brasil foi errado e não regulou corretamente as bets. O problema das bets acontece na Europa, acontece nos Estados Unidos, acontece na Ásia, acontece em todo lugar.

isso, voltando, isso é a facilidade

que um smartphone tem na mão das pessoas. As pessoas antes tinham que ir a um cassino jogar, tinham que ir numa loteria e apostar. Hoje você aposta sentado na sala vendo televisão. Então, essa facilidade que trouxe para o brasileiro, trouxe para o mundo inteiro. Então, por isso que eu estou falando, a gente não perdeu a mão, porque isso não é um problema do Brasil, isso é um problema global, isso é um problema que está se espalhando no mundo inteiro, tanto que, mesmo até um número absurdo, mas Las Vegas...

está tendo espaço vazio e as pessoas decidiram que não precisa ir a Las Vegas jogar, eu posso jogar diretamente do meu celular. Então, esse é um problema crônico no mundo, que tem que ser resolvido como o problema das redes sociais, que colocam fake news. Eu acho que é um problema de regulação e, principalmente, de educação.

Agora, por que as pessoas jogam? Aí o motivo por que as pessoas jogam é um motivo muito mais psicológico. Tem pessoas que acreditam que isso é um negócio, que vão ganhar dinheiro. Tem gente que acha que é uma diversão, tem gente que é viciado. Eu acho que aí sai do lado econômico, vai mais para o lado da saúde, de como tratar a saúde do indivíduo para evitar que ele caia no vício do jogo ou acredite que o jogo é a solução para se ganhar dinheiro.

Agora, voltando, não ficando em cima do muro para explicar, esse não é um problema do Brasil, esse é um problema que a gente está tendo no mundo inteiro, e o mundo inteiro está tendo dificuldade de ter orçamento familiar, porque muito está sendo gasto em jogos, e aí antigamente você tinha os jogos só as pessoas mais velhas, que acabavam indo a cassino, que não estavam trabalhando, agora não, agora você tem os jovens, você tem até crianças jogando, se você não controla o que está no celular, você acaba tendo a própria criança usando, porque...

Muito provavelmente a criança vai ter acesso ao cartão do pai e com isso ele acaba gastando dinheiro e não tem controle. Então, eu acho que é um problema que tem que ser tratado muito mais... Não só do ponto de vista econômico, mas muito mais holístico, que é a palavra que o pessoal acaba usando, do ponto de vista de tratar a saúde, a educação, a integração e fazer um pouco do que a gente fez com a educação, tirando o celular da sala de aula.

Também tem que proibir de jogos terem pessoas menores ou de alguma forma criar algum tipo de...

de restrição ao uso, você só pode jogar de 10h à meia-noite, ponto. Aí você cria uma restrição, diminui essa facilidade que os jogos oferecem para a população.

O Felipe Nunes, da Quest, Instituto de Pesquisa, no assunto do G1, podcast do G1, eu ouvia ele, ele dizia, falando de grupos de pesquisa, que quando estão homens e mulheres juntos, eles não dizem que apostam. Mas em grupos só de homens, eles confessam que usam parte da renda em bets. Já o pesquisador David Nemer, que tem estudado o impacto das bets nas periferias, diz que mulheres, principalmente, jogam.

Porque, em geral, são elas as chefes de família, são as responsáveis pela renda. Por que as pessoas apostam, professor? Que tipo de desejo há aí e em que medida essas apostas passam a ser um problema para o governo no objetivo de tentar conter o endividamento da população?

É, aí vou ser bem honesto, esse não é um assunto que é de domínio de economistas, na verdade isso tem mais a ver com análise psicológica, entendimento do prazer. Eu acredito, e aí do ponto de vista de estudo comportamental, eu acredito que tem muito a ver com o prazer instantâneo.

As pessoas têm cada vez mais, e isso é uma característica da sociedade moderna, cada vez mais as procuras procuram prazeres instantâneos, prazeres que são feitos naquele momento por coisas que geram, de alguma forma, adrenalina, que geram, de alguma forma, essa satisfação que você tem por estar apostando, ganhando, perdendo, ou ficando irritado, mas é um prazer instantâneo.

Então, isso é o máximo que eu consigo contribuir com esse assunto, com essa discussão. Agora, do ponto de vista do orçamento do governo, é um grande problema, porque é um grande problema que também, não ficando em cima do mundo, também é uma coisa que o governo, com a regulamentação, aumentou a renda dele. Então, resolveu parte do problema do déficit dos governos, porque eles cobram impostos, impostos pesados sobre jogos, isso é uma das...

características no mundo inteiro também, de cobrar sobre os Jogos bastante. Então você tem uma arrecadação maior. Mas, por outro lado, como incentiva a economia a crescer, a satisfação da população, até a própria reeleição dos mandatários atuais, os Jogos é um problema, porque ele traz uma sensação de prazer muito instantâneo, mas, por outro lado, uma sensação de falta de recurso que faz as pessoas ficarem felizes achando que o passado era muito melhor.

Então, eu acho que o governo está com um problema muito sério com isso e ele tem que tratar isso muito mais do lado da saúde e não talvez com restrição, mas eu acho que do ponto de vista da economia, a melhor forma que tem é tratando com educação. Educação financeira é o principal fator. E aí, para a pessoa entender que está consumindo, o que ele ia gastar com alimentação está gastando em jogos.

Bom, vamos olhar então para o que o governo pensa em fazer daqui para frente com relação aos endividados. Professor, o governo federal estuda um novo programa de renegociação das dívidas. Por onde deveria passar esse plano, esse programa? E outra, o Ministério do Trabalho avalia a liberação de até R$ 17 bilhões do FGTS para ajudar essas pessoas a quitarem dívidas. E aí pergunto também, mais crédito necessariamente significaria quitar mais dívidas?

Então, vamos lá. Então, a gente tem que tratar também o que o governo está querendo de dois lados. O primeiro é, é bom liberar o fundo de garantia para as pessoas pagarem o crédito? Sim, se as pessoas fizerem isso para pagar o crédito. Não para pagar o crédito, tomar outro crédito e voltar a se endividar mais alto. Então, esse que é o grande dilema que recai outra vez na questão da educação financeira. Eu acho que é um ponto, vamos dizer...

primordial para você poder liberar o fundo de garantia, para a pessoa diminuir a dívida, conseguir ter uma vida melhor, ter uma renda líquida maior e poder consumir melhor. Só que as pessoas acabam pegando esse dinheiro, gastando, consumindo, aumentando o devidamento e, no final, você termina sem o teu patrimônio, que é o fundo de garantia, e com o mesmo nível de dívida, que é o outro grande dilema. A falta de educação financeira faz com que as pessoas não percebam.

E você está consumindo recursos futuros para pagamento de despesas correntes. Isso inviabiliza a sua aposentadoria, inviabiliza o seu consumo futuro. Você está tirando um patrimônio que você estava guardando para uma situação de desemprego e está consumindo agora, você vai ficar desempregado e vai ficar sem aquele recurso. Então, a educação financeira é importante para isso. Agora, do ponto de vista do governo, tirando esse tipo de atitude, que é liberar o dinheiro que não é do governo e sim é o dinheiro que vai...

está liberando e que inclusive atrapalha a construção de casa, todo o planejamento do setor imobiliário, mas esquecendo isso, vamos dizer, o governo liberando, o governo estava querendo também criar um fundo de aval e facilitar a renegociação com desconto e o governo seria o garantidor. Isso não faz o menor sentido, o governo está desequilibrando, está tornando o preço desequilibrado.

para diferentes grupos, ele tem que ter um corte, ele vai falar, vou dar só para quem ganha dois salários mínimos. Tá bom, o cara que ganha três salários mínimos, coitado, ele ficou fora e talvez ele tenha tanto problema quanto o cara que tem dois. Ah, então vou fazer para dez salários mínimos. Ah, pô, para dez salários mínimos eu estou tirando o cara que é onze. Então essas medidas muito...

populistas, elas acabam sendo, criando distorções, distorções ruins para a economia e mais, eu acho que o governo já está numa situação de penúria do ponto de vista de orçamento e qualquer dinheiro que ele coloque vai trazer mais complicação do longo prazo. Então, pra mim, essas medidas do governo são populistas e são ruins. Ruins porque criam desequilíbrio e ruins porque vão...

Como a população, o governo está gastando dinheiro de 27, trazendo para 26. Então, em 27, a gente vai ter um problema muito sério para alguém ser reeleito ou conseguir ser eleito.

As pessoas estão gastando o futuro de 27 e trazendo para 26. E 27 vai ser já um ano ruim, independente que o governo faça. Se ele começar a fazer essas medidas, como o final do governo Bolsonaro também fez, de jogar a despesa, não pagar precatório, isso tudo gerou um buraco no primeiro ano do governo Lula. Vai gerar um buraco no primeiro ano do governo do próximo presidente, que inclusive eu tenho também comentado bastante.

Nenhum dos dois principais candidatos que estão na frente gostam de fazer corte. Eles são, por natureza, gastadores. Tanto o governo Bolsonaro não foi um governo bom do ponto de vista de corte orçamentário, quanto o governo Lula também, por própria natureza do PT, também não gosta de cortar. Então a gente vai ter um ano de 27 muito ruim e as pessoas estão gastando o dia de 27 para tentar ser eleger num programa muito mais populista de ajuda ao trabalhador que cria distorções, o que é pior de tudo.

Alexandre Chay, economista, professor de finanças do INSPER, conversando conosco hoje aqui no nosso estúdio CBN. Obrigada, professor. Venha sempre. Obrigado.

Obrigado, professor. Boa tarde. Boa tarde, tá, Fernando. Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para a CNPJ.

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