Quase 100% dos caminhões no Brasil são movidos a diesel
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Guilherme Muniz
Luiz Gustavo Medina
Rosana Jatobá
- Combustível diesel e logísticaEletrificação da frota · Emissões de carbono · Dependência do diesel · Caminhões elétricos · Infraestrutura de recarga
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Oi, Céada Endergue. Boa tarde para você, para o Muniz e para os nossos ouvintes. Boa tarde, Rosana. Rosana nos traz hoje um tema que é o seguinte, toda a frota de transporte de carga no Brasil é por caminhões movidos a diesel. Praticamente 100% dos caminhões movidos a diesel transporte de carga no Brasil. E a Rosana vai nos falar sobre o movimento pela renovação da frota, na verdade, pela eletrificação da frota. Rosana.
É isso, Sardenberg. São gigantes do setor como Volvo, Scania, Mercedes-Benz e Volkswagen, colocando no mercado um cardápio bem variado de veículos, caminhões elétricos, híbridos, modelos a biometano, biodiesel mais avançado e até diesel verde. E precisa mesmo dessa renovação, porque 98% dos caminhões no Brasil ainda rodam a diesel.
São mais de 2 milhões de caminhões e a frota é muito antiga, a idade média é de 16 anos. E nós temos 500 mil veículos com mais de 25 anos ainda em circulação.
Caminhões muito poluentes que respondem por quase 30% das emissões de transporte. E tem também nessa jogada o lado estratégico da troca dos veículos a diesel, porque o Brasil ainda importa cerca de 25% do diesel que consome. E quando o preço do petróleo sobe, como agora, com as tensões no Oriente Médio, o diesel dispara junto. Ou seja, reduzir essa dependência geopolítica virou também uma questão econômica.
Agora, o caminhão elétrico é o destaque dessa renovação. Ele concentra os maiores investimentos em cerca de 50 projetos pilotos aqui no país e tem muito potencial. Os estudos estão mostrando que se você eletrifica 40% da frota de caminhos pesados, já daria para reduzir metade das emissões de carbono do setor. Seria um ganho muito grande.
Agora, Rosana, tem toda essa pressão global, ambiental, também de mercado, como você destacou, que essas pressões todas vão empurrando essa renovação de frota. Mas como que o mercado brasileiro, especificamente, vai conseguir fazer essa mudança? Porque esses veículos mais sustentáveis do que aqueles movidos a diesel, eles também são muito mais caros, né, Rosana? E aí tem que ver como é que vai ser feito para essa conta fechar.
É, a conta precisa fechar, né, Moniz? Esse é um dos grandes desafios, porque os veículos sustentáveis são até três vezes mais caros. E com juros altos fica difícil financiar essa tropa, especialmente os caminhoneiros autônomos, né? Então, tem muita transportadora de pequeno porte que está fazendo a conta e, de fato, decide esperar para renovar os veículos. Agora, as empresas mais robustas do setor...
Sabem que o caminhão elétrico é caro na compra, mas roda muito mais barato no dia a dia, com 80% de economia em energia e manutenção. E tem uma outra questão, que é a da infraestrutura. A gente sabe que a rede de recarga no país ainda é muito limitada para os veículos elétricos, mas tem um dado interessante.
que pode influenciar essa mudança. 80% das operações de transporte no Brasil são de até 300 quilômetros. Ou seja, para rotas regionais, rotas mais curtas, o caminhão elétrico já é viável. Então, resumindo, não deve acontecer uma substituição imediata do diesel na frota pesada.
A gente vai observar aí uma convivência de tecnologias, mais biodiesel, mais metano e eletrificação. E é um caminho sem volta mesmo, porque as grandes empresas hoje que contratam frete estão exigindo redução de emissões, metas ESG, relatórios de carbono, querem saber de fato quanto aquele transporte polui. Então, uma transportadora que tiver os veículos mais sustentáveis, com certeza vai sair na frente. Vamos esperar para ver.
E essa mudança da renovação vai ser lenta, vai ser veloz. Vamos observar.
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