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A cada R$1 renegociado no ‘Desenrola’, surgiu R$1,15 em novo calote

13 de abril de 20266min
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Luiz Gustavo Medina avalia a inadimplência no sistema financeiro, que cresceu R$61 bilhões desde o fim do programa federal ‘Desenrola’ em 2024, que repactuou R$53 bilhões há dois anos. O especialista comenta os dados oficiais divulgados pelo Banco Central. Ouça.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
T

Teco Medina

HostJornalista
Assuntos1
  • Inadimplência BrasilPrograma Desenrola · Taxa de juros · Renegociação de dívidas · Cartão de crédito rotativo · Faixa de renda de um a três salários mínimos
Transcrição15 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Oi, Sardenberg, boa tarde. Boa tarde, Muniz. Boa tarde aos ouvintes. Tudo bem? Boa tarde, Teco. Tudo bem? O Teco, bom, no começo do governo houve aquele programa chamado Desenrola, que permitiu a renegociação de dívidas de pessoas físicas, basicamente de pessoas físicas. E, bom, o que se verifica agora é que o governo está falando em um novo programa Desenrola.2.

Porque o que aconteceu é que muita gente que renegociou a dívida fez dívida nova, Teco. Sim, na verdade piorou bastante o cenário. Uma coisa que a gente tem falado aqui quando a gente fala sobre inadimplência, que o número é um recorde cada vez que a gente toca no assunto, mas agora a gente tem alguns dados do Banco Central que são interessantes até para o governo rever ou refletir o que pode ser feito.

Porque dois anos atrás, em maio de 24, quando acabou o desenrola, 15 milhões de pessoas renegociaram dívida. O montante total ali foi 53 bilhões. Aqui a gente está falando, Sarenberg, só para fazer uma divisão, estamos falando aqui de um dado do BC. Então, não engloba a conta de luz, engloba o cara que está inadimplente.

no cartão de crédito, em linha de crédito, cartão de crédito, cheque especial, consignado, que é um outro critério aqui, que é monitorado só pelo Banco Central. Então, na época, você conseguiu renegociar 53 bilhões, então 15 milhões de pessoas deixaram de estar inadimplentes, porque a partir de agora tem uma negociação correndo.

Dois anos depois, esse montante aumentou de diversas maneiras, não só o montante total que está inadimplente, que hoje está em 171 bilhões, aumentou 61 bilhões de dois anos atrás, então caiu 53 para agora subir 61, como o número de pessoas também que estão inadimplentes sobre a ótica do BC aumentou também.

E aí, tem muita explicação, evidentemente, tem uma percepção de que você equacionou a dívida do cara para permitir que ele voltasse a se endividar, que muita gente deve ter feito isso, como também aumentou muito os juros da dívida. Já era um alto lá atrás, em média, era 52% ao ano.

E hoje, por conta da Selic e outras coisas, está em 62. Então, hoje você tem mais gente inadimplente, um volume maior com uma taxa de juros maior. Então, a inadimplência aumentou quase um ponto e meio nesse período, só nessa categoria.

E um problemão para resolver, né? E aí a solução do governo de fazer um desenrola dois, tomando como base o desenrola um, me parece um enxugar gelo, né? Você resolve um problema aqui para criar um outro maior ali na frente, né? A menos que se estabeleça uma regra dizendo que quem renegociou a dívida não pode tomar crédito novo.

Pode ser, podem ser várias. Trabalhar um pouco com educação financeira, tentar trabalhar com algumas salvaguardas de não permitir que se liberem algumas linhas de crédito. Por exemplo, uma coisa que preocupa, hoje você tem 171 bilhões.

inadimplentes nesse momento, 50 bi, um terço dessa dívida, no cartão de crédito rotativo, que é, de muito longe, o pior lugar para alguém estar devendo dinheiro. Então, quando você olha aqui, em segundo lugar está o crédito consignado, depois tem veículo, depois tem o cartão de crédito parcelado, aparece de novo. Quando você soma o que está ligado ao cartão de crédito, está 40%.

que é o lugar mais caro para se estar endividado. Então, precisa ser feito... E mais fácil também. Mais fácil e mais caro. Então, talvez seja a hora de se criar uma dificuldade para se tomar esse crédito, porque esse crédito mata o cara ali na frente. E a outra informação é que a maior parte das pessoas que estão endividadas ou em inadimplentes estão na faixa de renda de um a três salários mínimos.

Sim, é isso, então acho que isso já acendeu um sinal vermelho, talvez até tardiu no governo, porque acho que o que acendeu foi a ligação disso com a não aprovação do governo, as pessoas perceberam que talvez possa ter uma ligação e agora estão preocupados com isso, mas há muito tempo que esse sinal já está vermelho.

perdeu a conta de quantas colunas nós falamos aqui nos últimos anos, dizendo que o número tinha aumentado, que o número tinha piorado, que as pessoas estão tomando dívida no cartão de crédito, que a taxa de juros está muito alta, que o custo da dívida está muito alto. É uma pauta que a gente está batendo aqui há muito tempo. Teco, menina. Obrigado, Teco. Até amanhã. Até amanhã. Tchau, tchau. Valeu, até.