Episódios de Economia

O custo ambiental dos conflitos armados

06 de abril de 20265min
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O conflito do Oriente Médio já dura mais de um mês, com um impacto humanitário brutal: já são mais de 3400 mortos, mais de 21 mil feridos e pelo menos um milhão de pessoas que tiveram que abandonar as suas casas. Rosana Jatobá aborda o lado pouco divulgado: qual está sendo o impacto climático e ambiental? Ouça o comentário.

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Participantes neste episódio1
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Luiz Gustavo Medina

HostJornalista
Assuntos1
  • Impacto ambiental da guerraEmissões de CO2 · Destruição de infraestrutura · Chuva ácida · Derramamentos de óleo · Conflitos armados ativos
Transcrição13 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Ui Sardenberg, boa tarde para você, para o Muniz e para os nossos ouvintes. Boa tarde, Rosana. Rosana vai nos falar hoje, a guerra tem um impacto humanitário brutal, mais de 3.400 mortos, mas também tem um impacto climático e ambiental, Rosana.

Sardenberg, a tragédia humanitária, de longe, é o aspecto mais preocupante de qualquer guerra, mas tem uma outra conta que está sendo feita, que é sobre o impacto ao meio ambiente. Acabou de sair uma análise que junta dados da ONU e de vários institutos climáticos internacionais, mostrando que a guerra no Oriente Médio gerou, só nos primeiros 14 dias, mais de 5 milhões de toneladas de CO2.

Isso equivale à quantidade de carbono que a Petrobras emite em um mês de operação. Esse relatório detalha onde está o maior peso dessa conta. Está na infraestrutura civil. A destruição de mais de 20 mil casas, prédios e estruturas urbanas lançou quase 2,5 milhões de toneladas de carbono. Metade das emissões. Porque quando você destrói concreto...

aço e vidro e depois reconstrói tudo isso, você tem aí um custo climático que é gigantesco.

Em segundo lugar nas emissões estão os incêndios provocados pelos ataques a depósitos e instalações de petróleo. A estimativa é que quase 6 milhões de barris tenham sido queimados, lançando 1 milhão e 900 mil toneladas de CO2 na atmosfera, 39% do carbono. E além dos bombardeios, teve a queda de gás natural nas refinarias.

e plataformas, a queima do gás natural. Gás que não pôde ser transportado ou armazenado com segurança e precisou ser queimado. E por último, está contabilizado no relatório o combustível da máquina de guerra. Em duas semanas, os aviões, embarcações e veículos militares consumiram 270 milhões de litros de combustível, representaram 11% das emissões.

Rosana, com essa quantidade toda de gases de efeito estufa na atmosfera por causa do conflito, já tem algum tipo de alteração ambiental na região do Oriente Médio? Já dá para perceber algum tipo de impacto? Já dá para perceber, Guilherme, está tudo sendo registrado. A ONU já contabilizou vários episódios de chuva ácida. A chuva ácida acontece quando a fumaça desses incêndios, que está cheia de enxofre e nitrogênio, .

Ela reage com a umidade do ar e volta para a terra em forma de chuva contaminada com substâncias químicas. Então, no campo, ela destrói as plantações e na cidade corrói as estruturas urbanas, sem falar que é uma chuva que agrava as doenças respiratórias. E tem também impacto ecológico direto, que é muito grave.

vários derramamentos de óleo em áreas marinhas ligadas ao conflito, porque mais de 16 petroleiros foram atacados ou danificados. Isso está preocupando muito porque a região do Golfo Pérsico é muito sensível. Você tem ali áreas de reprodução de peixes, manguezais, habitats de tartarugas e aves marinhas e muitas comunidades pesqueiras.

Então, gente, essa conta que eu trouxe hoje é muito triste. Cada míssil que é lançado deixa marcas profundas na atmosfera, na água, nos ecossistemas. E olhe que a gente está falando aqui apenas desse conflito aí no Oriente Médio. O mundo tem hoje mais de 50 conflitos armados ativos. Várias regiões como Ucrânia, Sudão, países da África, da Ásia. Ou seja, essa conta climática...

da guerra, ela é muito maior do que parece e está trazendo um grande prejuízo nessa luta contra a emergência climática, porque é só carbono sendo emitido nesse momento em que a gente precisa exatamente reduzir drasticamente as emissões. Rosana Getobar, muitíssimo obrigado, Rosana. Até amanhã. Um beijo para vocês, amanhã eu estou de volta. Um beijo, até.

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