Episódios de 99Vidas - Nostalgia e Videogames

99Vidas 723 - Videogame (ainda) é coisa de criança?

05 de junho de 20261h26min
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Essa semana Jurandir Filho⁠⁠Felipe Mesquita⁠⁠Evandro de Freitas⁠ e ⁠Bruno Carvalho⁠ revisitam um episódio de 15 anos atrás para discutir como o hobby dos videogames é visto nos dias de hoje. "Eles" ainda nos julgam por jogar? Por que maratonar séries e doramas é aceito, mas passar horas no videogame gera estranhamento? Jogar é visto como coisa de criança? Falamos sobre experiências pessoais, mudanças culturais e refletimos sobre como a percepção dos games evoluiu ao longo dos anos e o que ainda não mudou tanto assim.

Esse é mais um podcast da nossa série ⁠Remakes!

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Participantes neste episódio4
J

Jurandir Filho

HostPodcaster
B

Bruno Carvalho

Co-hostPodcaster
E

Evandro de Freitas

Co-hostPodcaster
F

Felipe Mesquita

Co-hostPodcaster
Assuntos7
  • Preconceito com videogames e jogos onlineVideogame como hobby infantil · Mudança cultural na percepção de games · Estereótipo do jogador de videogame · Classificação indicativa de jogos · Jogos para crianças vs. adultos · The Last of Us · Red Dead Redemption 2 · Mortal Kombat
  • Tendências de consumo: mesmos jogos populares ao longo dos anosJogos mobile · Free Fire · Fortnite · Minecraft · Mario vs. Minecraft · Sonic · The Last of Us · Jogos de tabuleiro
  • Crise da Indústria de VideogamesCrash dos videogames · Videogame como mídia interativa · Geração ponte · Temáticas adultas em jogos · Impacto de Hollywood nos videogames · Demografia de jogadores de videogame · Entertainment Software Association (ESA)
  • Os Cabelos de ÉdithCabelos sedosos · Cabelo fino e oleoso · Caspa · Shampoo do Cristiano Ronaldo · Coque samurai · Máquina de cortar cabelo · Hidratação capilar · Fade lateral
  • O futebol como indústria do entretenimentoPopularidade do futebol · Kings League · Copa do Mundo
  • Moda e EstiloRoupas básicas (preta, branca, cinza) · Camisetas de banda · Camisetas de locais · Calça de linho branca · Tênis branco · Crocs · Estilo sertanejo · Roupa de show
  • Humor e ComédiaPiadas de tiozão · Humor do Multishow · Praça é Nossa · Piada de Carlos Alberto
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Jurandir Filho:Qual a relação de vocês com cabelos?

Felipe Mesquita:Nossa, a minha é complicada.

Evandro de Freitas:Felipe tem cabelos sedosos.

Felipe Mesquita:Eu mostrei na live, eu mostrei recentemente na live o tamanho que tá meu cabelo, né? Eu não sei se eu mostrei na live, eu mostrei para vocês, né?

Jurandir Filho:Antes de a gente entrar na live, na primeira, eu acho.

Felipe Mesquita:Eu não corto cabelo desde Cara, acho que foi outubro.

Jurandir Filho:Pandemia.

Bruno Carvalho:É, pandemia.

Evandro de Freitas:Tô louco. Caralho, é o moleque lá do Manchester, tá ligado? Que vai cortar suas canhas 5 seguidas.

Jurandir Filho:5 seguidas.

Felipe Mesquita:Não, desde outubro, velho, antes do casamento da minha prima. Foi a última vez que eu cortei cabelo. E eu tô com muita preguiça, mas eu quero muito cortar as da Copa também, porque ele tá absurdamente grande, já tá incomodando há muito tempo.

Jurandir Filho:Tu tá fazendo um coque samurai?

Felipe Mesquita:Não, não, não, não.

Jurandir Filho:Coque samurai não. É uma página aqui que nem tinha cabelo e usava o coque samurai.

Evandro de Freitas:Não vamos falar quem, né, para não comprometer.

Felipe Mesquita:Mas funcionava, pô, funcionava.

Evandro de Freitas:Era estiloso o walk samurai?

Felipe Mesquita:Era, pô, era diferente.

Evandro de Freitas:É assim, não vamos falar quem, mas ele é fã de Persona, Jandir, ele gosta muito de Outback.

Jurandir Filho:Ele entregava, gosta de um tapinha.

Evandro de Freitas:E aí, Bruno, não vai se acusar não? Não vai falar dos seus cuidados com walk samurai não?

Bruno Carvalho:Então, eu assim, obviamente o Felipe disparado tem os cabelos mais sedosos aí da, da, dentre nós.

Evandro de Freitas:Não há o que discutir.

Jurandir Filho:Hã? Da onde tu já pegou no meu cabelo aqui?

Bruno Carvalho:Você tá falando que teu cabelo é melhor que o do Felipe?

Evandro de Freitas:Calma aí, o que que é melhor?

Jurandir Filho:Não existe cabelo melhor, não existe cabelo melhor.

Bruno Carvalho:Ah, ô Jurandir.

Jurandir Filho:Isso aí quem falava eram meus avós, preconceituosos.

Evandro de Freitas:Todos mortos. Cabelo ruim de pichaim.

Felipe Mesquita:Eu acho meu cabelo um saco, meu cabelo é muito fino, ele não mantém forma nem fodendo, oleoso pra caralho, cheio de caspa.

Jurandir Filho:Que isso?

Evandro de Freitas:Aí você tá inventando, pô. Caracuzando foda, né? Sai fora, filho.

Felipe Mesquita:Não é oleoso pra caralho não, é oleoso normal.

Jurandir Filho:Meio oleoso pra caralho.

Felipe Mesquita:Também não é cheio de caspa, filho. Ia falar sanduíche do Cristiano Ronaldo, shampoo do Cristiano Ronaldo.

Evandro de Freitas:Shampoo do Cristiano Ronaldo for the win.

Bruno Carvalho:É, inclusive isso é universal. Todo mundo que você perguntar, tipo, qual shampoo que você usa, a pessoa não sabe o nome do shampoo, é o shampoo do Cristiano Ronaldo.

Felipe Mesquita:Eu não uso esse shampoo de forma regular, mas acho que toda pessoa já usou esse shampoo uma vez. Tudo homem.

Bruno Carvalho:Exato. E não sabe o nome, é o shampoo do Cristiano Ronaldo. Tipo, é o shampoo do Cristiano Ronaldo, entendeu? Cara, mas assim, eu falo isso porque realmente quando eu era mais novo eu tinha muito trauma com meu cabelo, cara. Muito, muito, muito assim. Porque meu cabelo, ele é... Primeiro, meu cabelo é muito grosso, meu cabelo cresce muito rápido e meu cabelo ele é muito ondulado, muito. E aí ele fica encaracolado. Então, cara, era um pesadelo você manter meu cabelo. Pra manter meu cabelo grande é muito ruim, cara.

Jurandir Filho:Muito ruim.

Bruno Carvalho:Então eu passava, eu passei a vida durante muito tempo passando a máquina mesmo, tipo, que é o mais fácil, que aí você acorda, você tá pronto, acordou, tá pronto.

Evandro de Freitas:Eu fiquei anos e anos da minha vida com esse combo aí, Bruno, passa um em tudo e já tá um Cristiano Ronaldo, abraço. E eu ainda comprava, o ouvinte que nunca ligou muito para cabelo vai se identificar, ó, eu comprava aquele lixeira que era shampoo e condicionador junto.

Bruno Carvalho:Exato, que é para não ter trabalho de passar duas coisas.

Jurandir Filho:Cara, é que nem aquela maionese ketchup misturada já que vem no supermercado.

Bruno Carvalho:Eu comprava o Clear lá, limpeza diária 2 em 1, e era isso aí, mano.

Evandro de Freitas:Muito tempo da minha vida era isso.

Bruno Carvalho:Aí sim, como Evandro acusou, teve uma época que eu meti um coque samurai aí, porque aí eu meti o louco assim: não, agora eu vou deixar o cabelo crescer. Passava gel, gelzinho, Às vezes, às vezes é bom para segurar, para segurar até os fios que me ficam meio rebeldes fugindo.

Evandro de Freitas:Eu só queria avisar que eu fiz a busca Bruno Carvalho coque samurai no Google Images agora, fiquei de olho nisso. E obviamente eu não achei a imagem, né, porque o Bruno não é tão famoso assim.

Jurandir Filho:Tristeza, tristeza. Ele não postou no Instagram dele, olha meu coque samurai.

Bruno Carvalho:Exato, né, não postei.

Jurandir Filho:Mas a gente pode produzir essa imagem.

Evandro de Freitas:Não, mas deve existir alguma imagem dele, algum vídeo.

Jurandir Filho:E tirar um print e colocar no 99.

Bruno Carvalho:Naquele vídeo que a gente passou tem, eu tô de coque samurai naquele Aquele vídeo, né?

Evandro de Freitas:Aí, ó, nossa, a gente podia catar aqueles vídeos e meter para membro, hein, Jurandir? Abraço! Eles estão não listados, a gente pode baixar aí, o papo, membro, pode ser das antigas.

Jurandir Filho:Acho que dá para mudar exclusivamente para membro, não aquele vídeo ali.

Bruno Carvalho:O meu próximo vídeo já tá pronto, o meu próximo vídeo é aquele do unboxing do Play 4 lá também.

Jurandir Filho:Cara quer antecipar um trabalho, mano, o cara não quer fazer não o negócio.

Bruno Carvalho:Ué, conteúdo, Jurandir.

Jurandir Filho:Mas eu vou te dizer uma coisa. Meu cabelo, ele é... Eu não consigo definir o que é meu cabelo, sabe assim? Ele é uma mistura de um cabelo liso, cacheado... Tem vida própria.

Bruno Carvalho:Cara, como é que é, Jurandir?

Evandro de Freitas:Ele é liso, cacheado... Olha só a importância aqui, ó. Tem um vídeo na IGN do Bruno com um coque de samurai.

Bruno Carvalho:Ah, que delícia.

Evandro de Freitas:Sendo entrevistado pela Barbara Gutiérrez.

Jurandir Filho:Que manda bem pra caralho. Eu acho sensacional. Acho que todos esses vídeos da gente devia ser para membro, inclusive dos outros canais, né?

Bruno Carvalho:A gente vai pegar da Play TV lá, que tem eu e o Evandro, baixa e bota no nosso canal.

Evandro de Freitas:Dá strike, falou. PTV, sou eu aí. Imagina, tipo assim, que direito você tem nessa imagem? Eu ia falar: sou literalmente eu.

Bruno Carvalho:Exatamente, sou eu aqui, gente.

Jurandir Filho:Eu por muitos anos eu tive aquele cabelo de qualquer jovem adulto dos anos 2000, que é o cabelinho gelzinho e cabelinho para cima. Se liga das bandas dos anos 2000, cabelo do—

Evandro de Freitas:tô ligado, do Twister, vocalista do Twister.

Jurandir Filho:Isso, do Twister, é esse aí, com gelzinho e arrepiado para cima.

Evandro de Freitas:É esse mesmo, é o do lado de cá, Sudeste, eu e o Bruno. Sul, né, Sudeste que a gente mora, mas não sei se no Sul também a galera usava isso. Era o pagode, pô, que eu influenciava. Esse negócio de passar a máquina baixa e tudo mais. Era catinguelê-like, etc.

Jurandir Filho:E aí depois eu comecei a fazer esse corte mais na lateral e deixar em cima um pouco maior. E aí eu fui cansando de pentear, mano. Ai, Bruno, piada. Manda aí, Bruno. Manda a piada clássica.

Bruno Carvalho:Aquele lá.

Jurandir Filho:Aritoledo desceu, desceu assim, ó.

Evandro de Freitas:Do nada, né? Ele encarnou.

Jurandir Filho:Aritoledo encarnou. No costinha, caralho. Vai, Bruno, manda aí.

Bruno Carvalho:Deixa em cima e pica atrás.

Jurandir Filho:Olha isso, mano, meu Deus do céu.

Evandro de Freitas:Ele realmente achei engraçado, isso é bom pra caralho.

Jurandir Filho:Felicidade é isso aí, ô Evandro. É isso.

Evandro de Freitas:O Bruno assiste aquelas, mano, a gente fala, usou aqui o humor do Multishow, mas esses cara da Praça é Nossa também não dá, hein? É tiozão demais.

Bruno Carvalho:Não, mas é melhor que Multishow, muito melhor.

Felipe Mesquita:Não, aquele tem dois que tem um leve ódio, é um espectro igualmente ruim, eu acho, é outro em diferentes pontos.

Evandro de Freitas:É os mais famosos, pô, eles vão no Tira da Cartica às vezes lá. Que os dois caras mais famosos da Praça da Nossa atualmente, eu não vou saber o nome, mano, mas é os cara que faz show em teatro, cara, é muito piada de tiozão, bicho.

Jurandir Filho:E a galera dá risada, né? É sempre tem um público, né?

Evandro de Freitas:Porque se eu não vou lembrar de tudo. É, mas é, mano, é muito ruim. É isso aí, mas é esse mesmo humor que o Bruno falou aí. "Oh, Carlos Alberto, corta em cima e pica atrás, haha." E os caras... "Olha o Gogó." Essa porra aí mesmo. Puta, não dá, mano. Alguém ri real daquilo?

Bruno Carvalho:Não, o Paulinho.

Jurandir Filho:O Paulinho, o Gogó.

Evandro de Freitas:Esses dois aí, essa dupla. Puta, mano, eu quero dar com a cabeça na parede.

Jurandir Filho:É exato.

Evandro de Freitas:"Oh, Carlos Alberto." Não dá, mano, é umas piadas muito de tiozão, caralho.

Jurandir Filho:Agora eu vou dizer o seguinte: corto meu cabelo há 37 anos no mesmo lugar. Isso eu achei foda.

Evandro de Freitas:Joãozinho largou essa informação no vídeo novo.

Jurandir Filho:Eu mostrei o Valdizar, né?

Felipe Mesquita:Esse é uma criança.

Jurandir Filho:O vídeo lá para membro do canal, eu mostrei ele.

Evandro de Freitas:Sim, sim, loucura. Ele foi lá, ele não mostrou ele cortando o cabelo, mas ele foi no lugar.

Jurandir Filho:Eu até fiz o vídeo, mas o vídeo ficou paia porque ficou escuro pra caralho, não ficou bom não. E aí cheguei em frente, aí simplesmente o Valdizar saindo de casa para andar na rua, que é coisa que velho faz, né? Sim, é sair de casa. Vai para onde? Não, vou ali, vou ali. Dá uma volta ali. E começa a andar na rua e ele tá, foi andando assim. Eu mostrei um vídeo para membro lá quando eu fui mostrar as locadoras. Inclusive, faça um membro aí, hein?

Evandro de Freitas:Nosso canal, os bastidores, mano.

Bruno Carvalho:Eu também, eu também queria cortar o cabelo no lugar que eu cortava quando era criança. Mas não dá, meu avô morreu, cara.

Evandro de Freitas:Hoje ele tá pior do que o normal, hoje promete. Enlouqueceu, mano. 11 horas da manhã, Felipe, quarta-feira, café do bicho tá como nesse momento?

Jurandir Filho:Pimenta tá dando umas boas risadas também.

Evandro de Freitas:Fica o Pimenta, o Igor Frey e meia dúzia de ouvinte que é louco no Bruno. O Lohgann tá balançando a cabeça negativamente, não entende nada. Rapidão, esse negócio de velho aí que o Jurandir falou que gosta de andar, não tem nada a ver com o assunto, mas tem a ver com velho. Eu gargalei com meu pai essa semana, mano, que eu tava andando com ele. Eu sempre deixo ele na avenida aqui quando eu tô voltando para casa para ele pegar o ônibus para ir embora. Aí ele falou assim: me leva lá no centro que eu tenho que comprar um negócio. Aí eu falei: leva, mas é para comprar o quê? Aí ele o socador de caipirinha, que eu acho que eu joguei no lixo. Tipo assim, cara, ele toma caipirinha todo dia desde que eu conheço, desde quando eu nasci, ele toma caipirinha todo dia. Ele faz a caipirinha, toma. Ele falou que simplesmente não achou o socador de caipirinha na cozinha, mano, e a teoria dele é que ele tinha jogado no lixo. Aí eu fiquei, caralho, velho, é bom demais, mano. Ele simplesmente aceitou, não tá mais aqui, eu joguei no lixo, vou comprar o novo.

Jurandir Filho:Aliás, Evan, tu mandou o link aí da IGN. Que tem uma entrevista do Bruno, mano. Tem um monte de coisa do 99 na IGN, hein?

Evandro de Freitas:Tem, pô. Mas aqui em cima tá o Bruno. Tem a cobertura do jogo na época, né?

Jurandir Filho:Assessoria da Kill Byte bombou, hein, mano? Mandou para todo mundo, hein, Bruno?

Bruno Carvalho:É o propósito, né, pô?

Jurandir Filho:Mandar o release para galera.

Evandro de Freitas:2017, ó.

Jurandir Filho:Mas, ô Evandro, o teu cabelo cresceu, né?

Evandro de Freitas:Então, sempre foi essa vida aí de, mano, uma época eu passava zero, eu não falava Como que é, Bruno? Pica atrás e corta na frente, sei lá.

Bruno Carvalho:Não, cara, o cabelo cresceu, né, cara?

Jurandir Filho:É normal, cara. Mas é porque o Evandro sempre tava raspado, né?

Evandro de Freitas:Eu sentia muito calor, um bom gordinho, e eu sempre ia lá, passava 1 à época, depois pensei em passar 0 para dar uma olhada mais tempo e tal. E aí o Gabriel gravava Mosqueteiros lá comigo. Apesar de horripilante na aparência, ele é a pessoa que é mais metrosexual. Lembram desse termo?

Jurandir Filho:Caraca, o David Beckham.

Evandro de Freitas:A época dos metrosexual é. E ele é psicopata com cabelo e barba, mano. Tipo assim, ele ia no cara que ele faz a barba toda semana, maluco.

Bruno Carvalho:Caraca, toda semana?

Evandro de Freitas:Era semana, Bruno. O Gabriel era nível semana, né?

Jurandir Filho:Metrosexual, uma das expressões mais vergonhosas do mundo, mano. O cara não aceita se arrumar, mano, e acha que isso é não ser homem. É, né? Não se arrumar, que coisa horrorosa, cara.

Evandro de Freitas:A nossa geração tinha esses preconceitos idiotas, né? Tipo assim, ó, eu, o cara ali, ó. Tanto que era uma dificuldade. Vocês lembram de, em vez de falar que o cara é bonito, é falar assim: "Não, o cara ali é bem, tem presença." É presa, é presa. Aqui em São Paulo falava isso. "Não, o cara ali realmente ele tem presença." Para não conseguir proferir as palavras que o cara ali é bonito. E aí o Gabriel, por ser esse psicopata da barba e do cabelo, ficava me enchendo o saco, mano. "Caralho, você tem que deixar a barba crescer, vai ficar muito melhor. Você tem que cuidar do cabelo." E aí, de uns 2 anos para cá, eu realmente Parei de usar o shampoo do Cristiano Ronaldo, comecei a deixar crescer e fazer esse cortezinho aí que os cara fala que é o fade lateral e deixar mais um voluminho em cima. E aí eu tenho simplesmente a minha rotina de cuidado capilar, onde cada dia eu passo um bagulho no cabelo hoje em dia, filho.

Jurandir Filho:Tipo o quê, mano?

Evandro de Freitas:Ah, tem o dia do shampoo com condicionador? Não, tem a máscara capilar, tem o Vitidemos lá, que é um shampoo mais carinho. Cada dia da semana eu passo alguma coisa. Aí domingo não vai nada para poder dar uma descansada no cabelo. Mas sábado, por exemplo, eu faço a máscara de hidratação no cabelo, mano.

Jurandir Filho:Mas tu acha que fazendo isso o cabelo ele cresce melhor? Ele, tu sente alguma coisa?

Evandro de Freitas:Fez muita diferença. E o brilho, entendi, mas muito assim, muito, muito, muito, muito. Aí eu uso lá os bagulho da Salon Line, pesquisei, né, mano? Pesquisei, o Gabriel me ajudou.

Jurandir Filho:O do Felipe fica brilhando porque ele não lava, né?

Felipe Mesquita:Oxi, eu lavo o cabelo todo dia, que ideia, mano.

Evandro de Freitas:Então, não é bom lavar todo dia, mano.

Jurandir Filho:Ele resseca o cabelo, eu não posso lavar todo dia.

Felipe Mesquita:O meu até que não fica tão ressecado assim.

Evandro de Freitas:Eu acabo lavando por causa da natação, né? Não tem jeito, já vai molhar lá e...

Jurandir Filho:Não, eu molho ele todo dia, né? Porque eu tomo banho, né? Mas lavar, não lavo. Não teve pessoal que tava lavando com IP?

Evandro de Freitas:Aí é loucura. Acabou em pó, né?

Felipe Mesquita:Aí já... Ô, meu pai uma vez lá na Lapinha, lá na roça, lá ele tomou banho com aqueles veja multiuso.

Jurandir Filho:Não, mas meu pai tomava banho com aquele sabão de barra, cara.

Felipe Mesquita:Mas isso eu tô falando é 2 anos atrás, porque ele tava sem, tava sem sabonete, sem shampoo, esqueceu de comprar, tomou com veja multiuso.

Evandro de Freitas:Aí, uma galera do gel aí, ó, o gel arregaça o cabelo. A dica, a dica boa boa é o Levin.

Felipe Mesquita:Levin, Levin eu tenho, Levin eu passo também.

Evandro de Freitas:Creme, mano, esse bagulho deixa da hora.

Jurandir Filho:Você passa uma merrequinha no final, mas é caro.

Evandro de Freitas:Nada que tá aí é barato.

Felipe Mesquita:O shampoo que eu uso é dessa marca aí, 3CM, esse preto aí.

Jurandir Filho:Eu também uso esse Dex aí, é bom, é um monte de caspa. É bom, a gente pensa que aqueles, né, Clear Man, o aquele, ai, O Head Shoulders, né?

Evandro de Freitas:É do pai do Chris.

Bruno Carvalho:Não, do pai do Chris é o—

Evandro de Freitas:não é do pai do Chris?

Bruno Carvalho:Não, do pai do Chris é aquele Old Spice, pô.

Evandro de Freitas:Ah, é?

Jurandir Filho:Pode crer. É Old Spice. Coloca aí o Joel Santana fazendo a propaganda do Head Shoulders. Lembra daquela época que ele fazia as propagandas em inglês?

Felipe Mesquita:Cara, você tá com uma caspa nervosa, hein?

Jurandir Filho:Você tem que usar aquele shampoo, como é que chama mesmo? O nome é Capshups.

Bruno Carvalho:You're tired of brinquedos with me, cara? You are a very mad caspa man. Do you know the number one shampoo for attacking the world?

Evandro de Freitas:Look aqui, head and shoulders.

Bruno Carvalho:Head and shoulders.

Evandro de Freitas:Head and shoulders.

Jurandir Filho:Capitation.

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Jurandir Filho:Esse shampoo aí passava na minha cabeça, ele ressecava minha cabeça de uma forma que no dia seguinte descascava meu couro cabeludo, caralho.

Evandro de Freitas:Aí, ó, é, pô, tem que cuidar, mano.

Jurandir Filho:E aí eu fui na dermatologista, falou assim, ó, começa a passar esses aqui. E aí é tipo esse Dex, o Vicks, que é tudo tipo cento e poucos reais o shampoo.

Evandro de Freitas:É caro pra caralho. Eu fico, isso que a gente tem cabelo curto, tipo assim, dura 3 meses pra mim o shampoo desse aí. Imagina uma menina com cabelo longo, mano.

Jurandir Filho:Putz, mano.

Evandro de Freitas:Que lava 3 vezes por semana, sei lá.

Jurandir Filho:Fiquei pensando, valorizei, valorizei o cuidado capilar de muitas mulheres que tem cabelos longos aí, mas é caro, mano. É caro você ter um cuidado.

Felipe Mesquita:O calor que dá, fi.

Jurandir Filho:Nesse calor, mano.

Felipe Mesquita:Nunca com calor assim, não tem como, né? É foda, velho. O que tá me incomodando mais é o calor mesmo que fica na cabeça.

Jurandir Filho:Sim, e tu usa boné, né?

Felipe Mesquita:Tem que ser, porque o meu cabelo, como ele é muito fino, ele, como eu falei, não toma forma, ele fica meio malucão assim às vezes, fica caindo na minha cara toda hora.

Jurandir Filho:O Valdizar, meu cabeleireiro, ele falava assim que eu tinha o costume de usar gel e usar chapéu.

Felipe Mesquita:Personagem do Senhor dos Anéis corta seu cabelo, como é que ele chama, seu cabeleireiro?

Jurandir Filho:Valdizar.

Felipe Mesquita:Nome de Tolkien.

Evandro de Freitas:É um elfo, né?

Jurandir Filho:Mas ele é porque assim, eu usava, ia para escola, botava um gelzinho, chegava em casa, botava um boné.

Felipe Mesquita:Em casa boné?

Jurandir Filho:Ah, boné eu usava em qualquer lugar, mano.

Bruno Carvalho:Mas em casa, tá dentro de casa, pô.

Felipe Mesquita:Eu uso em casa para aparecer na câmera aqui.

Jurandir Filho:Não existe isso, mano. Boné não é só para usar no sol, mano. Não existe isso não, essa loucura não, mano.

Bruno Carvalho:Tô usando óculos escuros dentro de casa também.

Jurandir Filho:Isso é loucura!

Bruno Carvalho:Isso é absurdo!

Evandro de Freitas:Isso é loucura de usar boné no sol.

Bruno Carvalho:Que loucura é essa?

Jurandir Filho:Boné, ele é estética, mano. Mas dentro de casa?

Bruno Carvalho:Dentro de casa, mano.

Jurandir Filho:Aí você no cinema, você não pode usar boné?

Evandro de Freitas:O Lorde Killjiggle, não existe o Lorde sem boné, é um personagem secreto.

Jurandir Filho:Então, o Tucano que usa boné toda hora. Sabemos que ambos é para esconder a calvície.

Evandro de Freitas:O Tucano dá aula em faculdade, cara, professor, cara, e dá aula de boné.

Felipe Mesquita:Pra que você fica usando o trem dentro de casa incomodando a cabeça aí? Apertando a cabeça, não aperta, mano.

Jurandir Filho:Depende do boné, mano.

Evandro de Freitas:Ô, mas aí, dica: cuidem do cabelo, ouvinte, é da hora. É isso, vai lá, vai lá no amigo barbeiro, vai no cabeleireiro, sei lá onde você vai, pergunta qual corte combina, pesquisa no ChatGPT, sei lá.

Bruno Carvalho:Eu lembro muito bem do evento que eu fui uma vez lá com o Jurandir.

Evandro de Freitas:Lá vai, qual foi o evento? Olha o setup vindo, moleque.

Bruno Carvalho:O evento que justamente tava você. O Evandro tava e o Tucano, e eu lembro que vocês andavam direto junto lá em Santos. Isso. E aí você na frente e o Evandro com o Tucano atrás.

Evandro de Freitas:Caralho, eu achei que ele ia falar do Iopa lá, mano, do sorvete, porque era em Santos e tava vendendo sorvete.

Jurandir Filho:Foi quando a gente foi comer o sanduíche lá do Tucano, né?

Bruno Carvalho:O Seven Kings.

Jurandir Filho:Seven Kings, salgada é lá. Como é o nome?

Evandro de Freitas:Salgada é foda.

Jurandir Filho:O cara ganhou o prêmio de melhor hambúrguer do Brasil, cara, aí virou uma salgada. Poderia. Ai, gente, vambora! Eu sou Júlio de Filho, eu sou Felipe Mesquita, eu sou Evandro de Freitas e eu sou Bruno Carvalho. E esse é o 99 Vidas. Ih! Ah, morreu! Relaxa, a gente tem 99 vidas. Meus, estamos aqui juntos mais uma vez para mais uma edição do 99 Vidas. E dessa vez vamos voltar para um assunto que às vezes aparece aqui nas nossas conversas, mas que já ganhou um 99 Vidas. É um podcast, nossa série remake. Sim, remake não é só para jogos, né? Tem temas aqui que são remakeados, né? Na edição de número 13 do 99 Vidas, fizemos a pergunta: videogame é coisa de criança? Esse podcast foi lançado dia 3 de novembro de 2011. Nesse podcast só tinha eu, Bruno Carvalho, dessa formação atual, e não tinha Evandro, e obviamente não tinha o Felipe, que o Felipe não tinha nascido ainda ali em 2011. Isso, né? Exato.

Felipe Mesquita:E aí eu nasci depois de 2011.

Jurandir Filho:E aí temos um espaço de 15 anos desse podcast para este aqui que estamos gravando. E a pergunta permanece: cumplos, videogame ainda é coisa de criança? As pessoas ainda apontam? Não. Now the world don't move to the beat of just one drum. Todo mundo aqui já passou por isso, né, em algum momento da vida. Alguém falar assim: desliga isso aí, rapaz, é videogame, é coisa de criança. Quando você é criança, você pode responder, né? Ok, eu sou criança, né? Mas quando a gente é criança, nem toda criança gosta de ser chamada de criança quando é criança, né?

Bruno Carvalho:Caraca, o Júnior falou 10 vezes em 1 segundo a palavra criança. Júnior, o que é uma criança?

Jurandir Filho:Uma pessoa pequena, né?

Evandro de Freitas:A criança ainda não tem idade. Você é uma pessoa baixa, 1,50m.

Jurandir Filho:É uma pessoa de pouca idade, né, de pouca vivência.

Evandro de Freitas:Até qual idade que é considerado criança?

Jurandir Filho:É uma boa pergunta. Na minha cabeça, para Constituição, não, para o Estatuto da Criança e do Adolescente, eu tive uma discussão com um amigo sobre eu dizendo que até 17 anos é criança. Ele não tem nada a ver, 17 anos é adolescente.

Bruno Carvalho:Não, mas calma, calma.

Evandro de Freitas:Informação diretamente da lei, Bruno. ECA, 12 anos.

Jurandir Filho:Até 12 anos é criança.

Evandro de Freitas:Do 0 aos 11 anos e 59 meses, criança.

Bruno Carvalho:É criança. Depois vira adolescente.

Evandro de Freitas:Exato. Do 12 aos 18 é adolescente.

Jurandir Filho:18?

Bruno Carvalho:Sim, porque 18 você atinge a maioridade, né?

Evandro de Freitas:É, 18 e 1 dia você é adulto, já era. E não disse correr. 1 hora da manhã, já é.

Bruno Carvalho:O pior que isso é literal, tá?

Evandro de Freitas:Meia-noite e 1 já era.

Jurandir Filho:Se você cometer um crime, é, tem que ir preso. FBI, open up!

Evandro de Freitas:Tem que ir preso, pague seus impostos, já era. O taxado já te taxa.

Jurandir Filho:A gente começou a jogar videogame quando criança, correto? Sim, os 4, sim, né? Quando a gente era menos de 12 anos ali, a gente já jogava videogame. Sim. E eu lembro muito bem, e acho que Evandro e Bruno lembram também ali, que nasceram nos anos 80, Pega ali finalzinho dos anos 80, começo dos anos 90, você em qualquer loja que vendia videogame sempre tava no setor de criança, né? Sim, brinquedos, do lado de brinquedo, tá lá o negócio.

Felipe Mesquita:É uma coisa que mudou também, inclusive, né?

Jurandir Filho:O Bruno acha que não mudou, o Bruno acha que não mudou.

Bruno Carvalho:O que que eu acho que não mudou? Que loucura é essa?

Jurandir Filho:Tu disse que ainda é coisa de criança, caralho.

Bruno Carvalho:Eu falei a primeira frase, não, não, não.

Jurandir Filho:Mas criança não joga, não?

Bruno Carvalho:Joga, mas videogame é coisa de criança.

Evandro de Freitas:Então, mas aí entra, Bruno, de novo, o nome do podcast vai ser isso? Videogames é coisa de criança? Interrogação.

Bruno Carvalho:Não, ainda é coisa de criança.

Evandro de Freitas:Então, mas tem interrogação, porque eu já dei a dica, sempre que tem interrogação a resposta é não. É qualquer coisa, qualquer matéria, qualquer— é porque senão seria uma afirmação.

Bruno Carvalho:Verdade.

Jurandir Filho:Que loucura é essa?

Evandro de Freitas:Para tudo, qualquer clickbait. Pode ver nossos vídeos no YouTube lá, sempre que for qualquer vídeo, qualquer matéria do G1, se for assim, o governo vai taxar o Pix, a resposta é não, porque senão a notícia seria o governo passa a taxar o Pix.

Jurandir Filho:Isso é verdade, entendeu?

Evandro de Freitas:Então assim, já parte do princípio que é não, mas vamos discutir.

Jurandir Filho:Mas a discussão é sobre o fato de que ainda estamos aqui em 2026, e acho importante esses podcasts sobre comportamento, né, a gente de entender em que ponto estamos no cenário de videogame mesmo. O Bruno Coringa, mano, ele fica esperando, mano, as palavras-chave. É, parece as palavras-chave dele.

Evandro de Freitas:Trigger, dá trigger nele.

Bruno Carvalho:Sabe o que eu lembrei do nada agora?

Jurandir Filho:Caraca, do som de carro.

Evandro de Freitas:Bom bônus, inclusive, que não assinou bônus, perdeu um dos melhores momentos da história da Metrô na Vida.

Jurandir Filho:Assine o bônus, hein? 99vidas.com.br/bônus, nosso podcast extra semanal. Toda vez que sai um podcast, você tem um podcast extra, né? Então não deixe, não deixe de assinar. Vocês são os responsáveis por tudo isso acontecer, tá? A culpa é sua, a culpa é sua. Mas continuando aqui, a gente viu Sei lá, do final dos anos 90, no começo, a gente aqui no comecinho dos anos 90. E aí o progresso dos videogames, a gente viu isso mudando um pouco, talvez pelas temáticas dos jogos. Eu lembro de geração 8, 16 bits, era muito mais amigáveis para criança. Tinha alguns jogos com temáticas mais pesadas, alguns RPGs, mas ainda assim o foco era muito na criança, né? Como a criança jogaria isso daqui? E eu sinto que na geração 32 bits isso mudou. Você acha que isso é— eu acho que as temáticas ficando um pouco mais adultas, discussões dos jogos ficando um pouco mais adultas. Quando você tem, sei lá, uma efervescência dos RPG japoneses ali na geração 32 bits e os assuntos são sobre vida, morte, sobre impérios caindo, sobre rebeliões e tudo, acho que Então, mas isso já tinha nos 16 bits mesmo, né?

Felipe Mesquita:Ainda maquiado também com uma parada meio lúdica, mas não era tanto, né?

Jurandir Filho:Exato.

Evandro de Freitas:Tinha uma abordagem mais infantil, você acha?

Jurandir Filho:Eu acho que os principais gêneros ali da geração 8 e 16 bits eram jogos de plataforma, né? Plataforma, aventura, né? Ação assim, né? Não era muito sobre a história, né? A gente jogava Mario pela história. Ninguém nunca jogou pela história, né?

Bruno Carvalho:Sonic sim, pô. Sonic jogava pela história, era loucura.

Jurandir Filho:Tanto que para fazer um filme tiveram que chamar gente de verdade, cara.

Felipe Mesquita:Nossa Senhora, não vamos comentar sobre a história desse filme também.

Bruno Carvalho:É como se vocês vão me falar de história, sério?

Evandro de Freitas:Vamos evitar, vamos evitar.

Felipe Mesquita:O Mario 2 aí tá loucura de história também, não deveríamos nem mencionar nada também.

Jurandir Filho:A sensação que dava era que o videogame ele ia ser tipo um hobby infantil que ia passar que nem brincar de boneco, se liga. Aí é uma fase, a fase você vai, ah, brinca ali com os bonecos do Comandos em Ação, boneco, aquele boneco do remake, o braço estica e passa.

Evandro de Freitas:O que mudou também, né, Júlio, é que, por exemplo, por mais que a gente tenha jogado videogame quando criança e tal, o contato acabou sendo um pouco mais tarde, era assim 5, 6 anos ali, às vezes um pouco mais para frente. Hoje em dia tem criança com 2 anos já que tá com tablet na mão, sim, jogando. E o tablet tem um Robloxzinho lá, tem um jogo que é direcionado mais para criança.

Bruno Carvalho:Tá errado, que nessa não tinha que estar com celular na mão.

Evandro de Freitas:Não, não tinha, Bruno, mas tá, pô. Se você puxar report aí, você vai ver que tem o acesso, tá muito mais cedo do que era na nossa época.

Jurandir Filho:Aí, esse tipo de conteúdo, eu sinto também isso também.

Evandro de Freitas:Acho que não tinha, mas não, isso é fato.

Jurandir Filho:A gente nasceu junto com videogame, hein, Bruno? A gente tá na efervescência ali dos videogames. Foi quando a gente nasceu. Nós somos a geração única, entenda. Quem nasceu nos anos 80, nós somos a geração ponte, como se fala aí. A gente viveu o antes de tudo, da tecnologia, dos computadores, da internet, dos celulares, etc. Vivemos o nada e era o tudo. Grande, filho, hein? Pode anotar.

Bruno Carvalho:Eu concordo contigo. E aliás, eu tenho até uma pergunta meio filosófica dentro desse sentido aí. Sabe por quê? De fato, muita gente encarava o videogame como um brinquedo e algo que ia ser passageiro como qualquer outro brinquedo. Tanto que na época do Crash, se você parar para pensar, você viu que o próprio mercado americano não ligou muito.

Jurandir Filho:Crash do videogame tá falando ali, né?

Bruno Carvalho:O Crash dos videogames, isso.

Felipe Mesquita:Tipo, foram atrás de— muitos foram atrás de outras coisas, né?

Evandro de Freitas:Não era um mercado estabelecido ainda quando aconteceu, né? Assim, não era um negócio.

Jurandir Filho:É, no geral.

Bruno Carvalho:E esse é o ponto que eu acho que é importante. O videogame, ele não era um mercado por si só. E aí eu acho que o que aconteceu foi justamente isso: o videogame, ele cresceu a ponto de estar onde ele deveria estar, que não era só brinquedo. Ele é uma mídia. Se você parar para pensar, o videogame é uma mídia interativa. Ele, ele tem um lugar, o lugar dele é junto com cinema, é junto com música. Entendeu? Porque ela é uma mídia. Então, na concepção dele, ele surgiu como algo que, ah, sim, tinha essa visão de, ah, é um brinquedo, é uma coisa que vai passar, como os brinquedos passavam, né?

Jurandir Filho:Sim.

Bruno Carvalho:Mas o que aconteceu foi, ele elevou esse status, mas esse status não foi elevado à toa. E aí eu concordo que o que aconteceu foi, o videogame evoluiu junto com a geração que foi evoluindo com ele. Então, isso que o Jurasson falou é importante. Nós somos uma geração de passagem, né? A gente viveu o mundo antes da internet, a gente viveu o mundo antes das mídias digitais, e a gente cresceu, e conosco esse mercado cresceu, porque a gente se tornou economicamente ativo, economicamente viável.

Jurandir Filho:Sim, porque a nossa geração ela cresceu jogando videogame e a gente não parou de jogar, né? A gente não parou.

Bruno Carvalho:A gente tá vivendo agora produtos criados pelos jogadores de videogame. Até por isso que é até importante falar, por isso até que eu acho que hoje os filmes de videogame são melhores do que os filmes de videogame dos anos 90, por exemplo, porque as pessoas que estão fazendo esses filmes hoje, eles são pessoas que ou jogaram videogame ou tem a sensibilidade da mídia, que não era o caso lá dos filmes lá dos anos 90, né, ali do, exatamente, do filme do Mario, né. Que você pegava um diretor de cinema e ia botar o cara fazer um filme de videogame, para ele aquilo era algo estrangeiro, algo alheio.

Evandro de Freitas:Ele não entendia que era sobre videogame, né?

Bruno Carvalho:Exatamente.

Jurandir Filho:Tem um negócio também de que até o estereótipo muda, né? Porque antigamente eu lembro que você ser jogador de videogame era um nicho muito isolado, de assim, ah, é um pivete, um adolescente trancado no quarto. Jogando videogame? Ai, com os amigos na locadora. Mas é muito nichado, sabe? Você não tinha muito a imagem de que uma pessoa que jogava videogame, ele trabalhava o dia inteiro, sei lá, casado, tinha filho, ele chegava em casa e pô, vou jogar um videogame aqui, um Super Nintendo.

Bruno Carvalho:Até porque naquela época não era, né?

Jurandir Filho:Eu não concebia essa imagem, sabe? E aí corta o tempo, né? O tempo passa e tudo mais. E a gente vê essa geração que cresceu jogando videogame hoje tendo suas rotinas de trabalho e sociais e ainda assim joga videogames.

Felipe Mesquita:É engraçado, eu nunca tive muito essa impressão assim, porque eu via isso em casa, meu pai jogava videogame de vez em quando assim.

Jurandir Filho:Essa é uma diferença. Meu pai nunca nem sabe.

Felipe Mesquita:Numa frequência muito menor até do que, por exemplo, eu jogo hoje em dia como um adulto que também trabalha. Menos também do que eu vejo até amigos meus que não tem nenhuma ligação com videogame igual eu tenho. Também de trabalho, como é aqui no 99 e no Reload, mas que jogam online para caramba à noite, né, quando chega do serviço e tudo mais. Mas meu pai jogava algumas coisas, então eu, para mim, a ideia era meio que essa assim, é a diferença entre na verdade um adulto que joga videogame e uma criança que joga videogame, e que eu como uma criança que joga videogame vou ficar obcecado com isso durante dias, semanas, meses, porque eu posso, né, porque assim que meus interesses existem hoje em dia, um adulto vai experienciar quando ele puder ou quando ele conseguir, quando ele tiver afim, né, sei lá.

Jurandir Filho:Hoje em dia os videogames eles são muito acessíveis para as crianças. Antigamente era muito mais complicado ter acesso. Por isso que eu digo, a galera dos anos 80 e 90 ali, que era criança nos anos 80 e 90, foi a primeira infância que foi moldada pelos videogames assim, de tinha os videogames lá, eles chegaram e começaram a aparecer. Eu acho que não só videogames, né? A gente pega a cultura pop, né? A cultura pop foi moldada nos anos 80, né? Que os filmes focados no público mais jovem, e aí surgem os videogames, a tecnologia começa a surgir mais forte ali também, né? O fato de você poder alugar VHS, isso é muito coisa do jovem, né? Jovem e tecnologia. Os Walkmans, né? Tudo ali anos 80, né? E aí você vê que essa primeira infância sendo moldada pelos videogames Você simplesmente tem uma relação diferente, porque a criança que tem hoje acesso, ela não foi criança e isso daqui era uma novidade com videogame, sabe? Videogame já fazia parte da vida dessas crianças dos anos 2000, 2010, de 2020. Aí elas já crescem no mundo em que videogame faz parte da rotina, que nem internet, sei lá, sabe? A gente meio que foi descobrindo também tudo isso aos poucos. E videogame permanecer com a gente, isso vem muito das temáticas, né? Porque eu sinto que na geração 32 bits ali, meio que dos anos 90 para frente, a gente começou a ver temáticas foram crescendo com a gente, sabe? A gente começou a jogar ali Master System, Atari, Mega Drive, Super Nintendo. Chegou um ponto que o assunto começou a ficar um pouco mais sério. Ainda assim que seja entretenimento, que seja divertido, que seja galhofa e etc., alguns assuntos ficaram mais sérios, né? Ficaram mais, mais violentos, né? Eu diria que a violência também passou a entrar muito, sangue.

Evandro de Freitas:O jogo, o grande jogo adulto, Lazer Suit Larry, Bruno, lembra?

Bruno Carvalho:Isso, Lazer Suit Larry, polêmico.

Jurandir Filho:Juro, é que eu sempre penso assim, tipo, um Resident Evil não é um jogo que uma criança ali da época, pensa aí, a molecada que só tinha acesso a Master System e Super Nintendo, e aí ela se depara com Resident Evil, que é uma parada terror, sabe assim.

Evandro de Freitas:Mas eu acho que essa época ainda era visto como coisa de criança para caralho, mano, bem mais do que hoje.

Jurandir Filho:Eu acho talvez adolescente, eu acho que deu uma crescida, não. Que criancinha é foda, criança eu vejo, eu tinha perspectiva diferente, que eu acho que na época do PlayStation, e aí eu posso estar enganado, nas lojas mudava onde é que vendia PlayStation, não era mais na parte de brinquedos, 90, é, já era mais na parte de tecnologia, tecnologia assim, já era para até, mas na verdade, Jurandir, isso aí, isso aí é o seguinte, na época do PlayStation não existia oficialmente no Brasil, Então ele nem tinha espaço em loja grande, era mais na Santa Efigênia, né, Bruno? Exato.

Bruno Carvalho:Ou era o cara que vendia eletrônico e tinha um PlayStation lá, tipo loja grande Walmart da vida, né? Porque você não ia achar, porque não existia com nota.

Jurandir Filho:Mesbla, vendia só os que eram feitos aqui, né?

Evandro de Freitas:Mas o que eu ia falar aqui, como a gente falou, é que tava na, tava no, na seção de brinquedos jogar videogame era encarado como uma brincadeira, né? Sim, tipo assim, ao invés de estar brincando à tarde na rua com os amigos, ele foi na casa de algum amigo jogar videogame, ou ver os amigos dele aqui jogar videogame. Demorou muito para a galera parar de olhar que aquilo ali era uma brincadeira, sabe? Que era um momento de só entretenimento, tipo assim, perda de tempo, entre aspas, sabe? Tá jogando videogame, fica em casa o dia inteiro jogando videogame em vez de caçar o que fazer.

Bruno Carvalho:Mesmo, mas aí que tá, eu acho que mesmo dentre os adultos ainda que fosse considerado uma brincadeira, ele era considerado uma brincadeira entre aspas pior que as outras, porque era muito isso, sabe moleque, fica preso dentro de casa, vai brincar lá fora, entendeu? Tipo, era aquela coisa de que era visto como uma brincadeira e ainda assim uma brincadeira antissocial.

Evandro de Freitas:Exatamente, a galera não chegava, porque tinha muito do fator social esse rolê de juntar e jogar com a galera. E a troca, e a locadora, que a gente fala aqui sempre de ir na locadora jogar tal. Quem joga sabe o impacto social que tem você jogar videogame, mas quem não joga, cara, olhava muito mais torto para isso. Tipo, ah, que que você gosta de fazer? Falar, eu gosto de jogar videogame. Pessoal te achar meio crianção, meio bobo, meio tipo assim, ainda não acordou para a vida, sabe? Meu pai chega em casa e assiste Jornal Nacional. Como é que eu vou chegar em casa e jogar videogame? É, parece muito mais adulto a pessoa assistir jornal nacional do que jogar videogame, sabe?

Jurandir Filho:É, mas é porque era o que a gente via dos nossos pais, o que era o reflexo de ser adulto. Sim, sim, né? Era se preocupar com as notícias, era ler jornal, era pagar os boletos, no caso naquela época os crediários da vida, né?

Felipe Mesquita:É, mas isso ainda é uma preocupação dos adultos de hoje. Do mesmo jeito, os adultos de hoje também acho que não estão querendo assistir Jornal Nacional também, sacou? Acho que é uma coisa geracional mesmo assim, de diferente comportamento.

Bruno Carvalho:Inclusive, eu já acho que faz falta, né? Acho que as pessoas poderiam estar mais informadas pelo jornal e menos pelo TikTok, né?

Felipe Mesquita:Mas é uma coisa geracional. Inclusive, no Detona, quando dá um público mais novo assim Uma galera entre os 20, 23, assim, bem nova. E entre eles esse estigma, por exemplo, do videogame, é uma parada que não existe assim.

Evandro de Freitas:Sim, já tá aí, né?

Felipe Mesquita:É uma coisa que você faz ou não também, tá tudo certo. Não tem um estigma exatamente.

Evandro de Freitas:É, então o que eu acho que mudou muito dessas pessoas, o que eu acho que mudou muito com o passar dos anos foi tipo assim, a gente cresceu, a gente já tá nos 40 a mais, o Felipe tá chegando aí, então a gente consegue olhar o ato de jogar video game, seja o que for, um console, um PC ou mobile, e entender que aquilo é só um hobby que a pessoa, ela podia estar. Porque qual a diferença de assistir Netflix ou jogar um jogo? Então, por que que eu vou julgar alguém que assiste 8 episódios de dorama no domingo, ou o Felipe que ficou jogando lá Master League no FIFA 8 horas no domingo, sabe?

Jurandir Filho:Sabe uma coisa que diferenciou, Evandro, que eu sinto que diferenciou, é o fato de que Tem diversos estudos, né, falando sobre demográficos dos jogadores de videogame e tudo mais. Tem um que foi feito nos Estados Unidos pela ESA, que é Entertainment Software Association, que a média atual dos jogadores de videogame gira entre 36 anos e 41 anos.

Evandro de Freitas:Vai estar o PDF da postagem aí. Eu achei esse mesmo estudo aí que você tá falando, cara. Tem muita coisa interessante, viu? Tudo bem que é só recorte Estados Unidos e tal, mas, mas É o maior mercado, é o maior mercado, e é onde isso foi feito. Então não tem um desse no Brasil, pelo menos a gente não achou.

Jurandir Filho:Dá para você ter um bom termômetro disso. E aí é muito louco porque, ó, quase metade dos jogadores tem mais de 35 anos. Se mais da metade, né, é um, é um demográfico, né? 28% dos jogadores possuem 50 anos ou mais. É meio assustador isso aqui, né? Não é tão assustador, né, considerando ali que eu, Bruno, aqui que somos mais velhos desse— o Bruno mais velho, eu sou o segundo mais velho. A gente não tá se aproximando dos 50, né, mas estamos no caminho ali, né, 40 e poucos, né, vamos dizer assim, vamos ser mais, né, cordiais. Mas é um fato de você ter um demográfico mais velho, consequentemente são pessoas que cresceram jogando videogame e que hoje né, há um tempo, já tem poder aquisitivo para poder escolher quais os hobbies. Porque antigamente a gente tinha hobbies basicamente escolhidos, né, pelos pais, né? Ai, você vai ter um videogame, não vai ter mais, não vai ter mais porque não tem mais, não vai ganhar mais videogame. E aí você tinha que jogar em locadora, na casa dos amigos e tudo. Mas o poder hoje tá nas nossas mãos. Então o fato de Hoje em dia, a gente poder comprar os jogos, de poder ter os consoles e colocar isso no nosso dia a dia como hobby natural, como algo que nem nossos pais faziam quando, sei lá, iam jogar baralho, dominó nos lugares, ou ia para os bares e tudo. Porque acho até o estereótipo de quem jogava videogame era o nerdão que ficava trancado, que não tinha vida social, que não fazia, não cuidava da sua aparência, tipo assim, né, era o cara que ficava trancado, né. Isso também mudou, né, também mudou, porque o videogame ele meio que faz parte da rotina da vida das pessoas. Obviamente que hoje em dia a gente não consegue mais ficar 10 horas seguidas jogando porque as costas doem, né, a mão dói. Então, mas chega às vezes dentro de casa sem ter que fazer outra coisa. Sim, muito difícil tendo pet, tendo filho.

Evandro de Freitas:Mas aqui, ó, sobre, sobre idade, nesse estudo aí, 83% das crianças entre 5 e 12 anos jogam videogame, 84% entre 5 e 17 jogam pelo menos 1 hora por semana. E aí tem 55% da geração Alpha joga com os pais e 79% geração Alpha e geração Z joga com amigos. Então meio que é um hobby que foi incorporado no dia a dia da galera aí, tipo Tipo, não é mais algo, ó, de bicho, saca?

Jurandir Filho:Então é uma pesquisa do SBT, Evandro, que a faixa média dos jogadores brasileiros tá justamente entre os 30 e os 39 anos, a maior faixa dos Estados Unidos. Então é uma, acho que é uma prova, né, de que o jogador de videogame médio, né, aquele que tá sempre lá jogando, tudo mais, já é adulto há muito tempo, né? Já adulto há muito tempo.

Evandro de Freitas:É, e ele optou em manter esse hobby na vida dele, né, pelo jeito. Exato, não é algo que, ai, não jogo mais.

Jurandir Filho:Eu acho que isso foi uma transição também da própria indústria de videogames, porque quando você começa a trazer histórias mais rebuscadas, é mais cinematográfica, sei lá, acho que Hollywood impacta muito nos videogames, depois os videogames passam a impactar muito em Hollywood, né? Mas quando você traz temas que são pesados, a gente falou de vários RPGs aqui que pega a geração 32 bits, mas pega de PS3 para frente ali, do The Last of Us da vida, de Red Dead Redemption, que tem entretenimento, tem diversão, mas tem também tema pesado, tem tema sobre família, sacrifícios. E aí você vê dramas dos personagens, dramas psicológicos, é muitas discussões políticas, né, em E muitos desses jogos também, jogos que trazem reflexões assim, eu diria até existenciais assim. A gente já trouxe alguns podcasts aqui, sim, jogos que fazem pensar, né? A gente não fez esse jogo?

Evandro de Freitas:É, a criança fez, fez. A criança do Roblox não vai pegar um Last of Us para jogar, tá ligado?

Jurandir Filho:Edição 348, a gente fez esse jogos que fazem pensar, bem legal.

Felipe Mesquita:Eu acho que alguns eventualmente sim, vem. Não, mas é diferente, eu acho que é uma fração talvez pequena, mas alguns eu acho que vão eventualmente vão para esse lado assim. Acho que é uma exposição inicial que para alguns jogadores vai levar. A parada que é um Roblox é um negócio gigantesco, né? Sim, Minecraft mesmo, de pessoas que vão, é, todos esses produtos assim, Fortnite, todos eles, né? Acho que eventualmente tem uma porcentagem que sai dali e muda o gosto assim, mas o nicho é um nicho ainda, né?

Jurandir Filho:Esses jogos, a gente falar, pô, Acho que tem muito da idade, assim, vai vender muito, vai vender 15 milhões, 20 milhões às vezes.

Felipe Mesquita:Eu não vejo, Felipe, criança de um jogo desse assim, muitas vezes nem uma fração de um mês de um jogo desse.

Jurandir Filho:Criança ficando imersiva e focada absurdamente em jogar tipo The Last of Us da vida assim, sabe?

Bruno Carvalho:Isso não é possível, da vida.

Felipe Mesquita:Mas não é como criança, eu tô falando no futuro assim, ó, que eventualmente a pessoa quando tiver mais velha também vai progredir o hobby aí.

Jurandir Filho:Eu sei que existe classificações indicativas, né, porque não é recomendado para menores de 18 anos, mas ainda assim a gente sabe que as crianças jogam, né, jogos que não são recomendados para faixa etária delas assim. Mas eu sinto que existe uma progressão quando você joga videogame. Quando você é mais criança, você joga jogos que são, que seus amigos estão jogando, né, Então você pega esses Free Fire da vida, Fortnite, eles são amigáveis para o público infantil, né? E ainda assim muitos adultos jogam. E aí é uma coisa que a gente precisa desmistificar também, né? Existe jogo para criança e jogo para adulto? Porque para muita gente, por exemplo, jogar Mario é um jogo para criança, porque é um jogo de plataforma, um jogo de, em tese, mais simplificado. E não necessariamente é isso, né?

Bruno Carvalho:Não, mas existe, de fato existe, porque existe a classificação indicativa, pô. De fato existe jogo que é para criança.

Jurandir Filho:Sim, mas a classificação indicativa não é só para dizer se você pode ou não jogar.

Bruno Carvalho:Sim, mas o que o ponto é esse, então existe de fato um jogo para criança.

Evandro de Freitas:Claramente para público infantil, mano.

Felipe Mesquita:Com certeza.

Bruno Carvalho:E isso não quer dizer que só crianças possam jogar, mas o que quer dizer é esse jogo é feito para criança e não tem problema nisso.

Felipe Mesquita:Da mesma forma que tem jogos são feitos para criança, não pode ser feito de jeito nenhum assim. Exato, sim, da mesma É um nicho de mercado, mesmo jeito, né?

Evandro de Freitas:A pessoa que joga no Tigrinho conta que a gente tem um bando de viciado no Tigrinho.

Bruno Carvalho:Aí é um outro tipo de jogo, porque aí não entra entretenimento, né?

Evandro de Freitas:Sim, mas, mas aí é jogo recreativo que tá envolvendo aposta.

Bruno Carvalho:O recreativo escambau é aposta, pô. Esse negócio chama de jogo recreativo.

Evandro de Freitas:Então, mas isso aí é, eu não acho que é, eu tô falando do jeito que se coloca no mercado.

Bruno Carvalho:Então não é, pô. É falácia, isso aí é aposta.

Jurandir Filho:Mas eu vou te dizer o seguinte, se a gente voltar no tempo e para geração 16 bits ali, por exemplo, não existia muito esse jogo, a criança não pode jogar no Super Nintendo, Mega Drive ali.

Bruno Carvalho:Na verdade, desde que instituíram classificação indicativa existe, né, na teoria. Eu sei, mas o advento do Mortal Kombat não existiu na prática.

Jurandir Filho:Nós todos jogamos Mortal Kombat quando criança. Sim, é isso que eu tô falando.

Bruno Carvalho:Não faz disso certo.

Jurandir Filho:Eu sei, eu sei disso, eu sei disso, mas eu tô falando sobre complexidade de jogos e narrativas e temáticas, sabe? Antigamente você jogava Mortal Kombat quando criança, fazia parte até da brincadeira. Caraca, jogo violento, isso aqui tudo, meus pais não sabem que eu tô jogando isso aqui na locadora. Eu penso que um The Last of Us ele é zero atrativo para uma criança, pensando numa temática. Ah, pode ser que a criança se divirta atirando lá, fazendo as missões e tudo. A criança ela consegue, né, fazer. A gente, quando era criança, a gente não zerava os jogos. E tinha muito jogo que era difícil para caramba. É RPG mesmo para terminar o Alex Kidd, mas Chrono Trigger da vida assim, que era complexo, sabe? Final Fantasy 6, que era complexo e tudo. O próprio Resident Evil, quando chegou ali na geração 32 bits, a gente também era adolescente ali. Eu fico, fico a sensação de que há uma clara divisão hoje no mercado de, hoje não, né, há bastante tempo no mercado de videogames. E assim, existem os jogos para o público mais adulto, existem jogos que muitas crianças jogam e adultos também jogam, como Fortnite, como o Free Fire, como Minecraft. Tem muitos desses jogos que em tese são feitos focados no público mais infantil, mas que os adultos jogam bastante. Mas não é, não existe uma contrapartida, sabe? Eu não vejo criança jogando Red Dead Redemption 2, sabe?

Bruno Carvalho:Não deveria, mas não sei por que vocês plantado de não ver. Não deveria. Se eu tivesse um filho hoje em dia, eu não deixaria meu filho jogar Mortal Kombat. Então, ah, mas você jogou, você é hipócrita.

Evandro de Freitas:Não, porque hipócrita, mas tá jogando GTA.

Bruno Carvalho:Exato, eu não deixaria.

Evandro de Freitas:E aí, bicho, não tem como. Você não é parâmetro.

Jurandir Filho:Mas é porque tem muitos pais, por exemplo, Bruno, que não cresceram com a cultura do videogame. Como você é um pai que cresceu com a cultura do videogame, você sabe o que é ou não, o que que vai ter de conteúdo ali.

Bruno Carvalho:É, caraca, tem um selo na capa do jogo, Fabricio.

Evandro de Freitas:Bruno, sabe o que o pai quer? Botar a galinha pintadinha para criança não encher o saco. Se a galinha pintadinha no caso é o GTA, ela vai botar.

Jurandir Filho:Para muitos pais, videogame é coisa de criança. Para muitos pais que não tem a cultura do videogame na vida, eles acham que videogame é coisa para criança. Eles não veem o simbolozinho minúsculo lá, 18, na capa do jogo.

Bruno Carvalho:Caraca, minúsculo é foda.

Jurandir Filho:E olha quem é que compra caixa de jogo hoje em dia, né? Porque a galera pede digital. Ai, mãe, coloca aí o cartão aí, deixa eu fazer download aqui desse jogo.

Bruno Carvalho:Tá, mas aí você tá querendo arrumar desculpa dos pais serem displicentes, é isso? Deixa eu te contar um segredo, ô Jurandir: ignorância não é excludente de ilicitude, tá?

Evandro de Freitas:Ó, falou bonito!

Bruno Carvalho:Você não pode— o pai não pode alegar depois que não sabia por expor o filho a certo tipo de conteúdo.

Jurandir Filho:Mas eu não tô falando nenhuma mentira, eu não tô inventando aqui que muitos pais compram jogos de videogame para criança achando Mas tá errado, tá errado, é outra discussão, Bruno, né? Não é, não é sobre, não é sobre isso.

Bruno Carvalho:A gente é o noticiário, a gente só tá noticiando aqui, então a gente tá escutindo, é só para falar, ó, gente, tem parque de brinquedos jogar aí, hein.

Jurandir Filho:O que eu tô querendo colocar é que existe uma geração que não cresceu jogando videogame e que ainda assim tem essa mentalidade de falar assim, não, vamos sair, gente, vamos para farra aqui, não sei o quê. 'Não, esse fim de semana eu quero jogar videogame, saiu um jogo novo, eu quero jogar videogame.' Nossa, eu vejo esse preconceito ainda, eu vejo.

Evandro de Freitas:Então, mas isso aí não vai ser para tudo? Foi o que eu falei, eu não assisto dorama. Se inverte a mesma situação e a pessoa fala assim: 'Ah, não vou não, vou ficar assistindo dorama.' Será que a gente não vai falar: 'Nossa, sim, sim, vai, vai.' Porque os preconceitos existem, né?

Jurandir Filho:Então, mas a gente tá falando de videogame especificamente, né?

Evandro de Freitas:Sim, mas eu acho que a turma passou a entender mais que É o que o Ivan tá falando, não é que é sobre sobre videogame, exatamente. Eu acho que hoje em dia tá bem, tá bem mais integrado na sociedade do que já foi no passado. E sobre isso que o Bruno falou, cara, tem um monte de criança aí jogando GTA e vai ter para caralho quando sair o GTA 6. A galera não tá nem aí. Entendo que o Juras tá falando.

Jurandir Filho:Sabe uma coisa que eu vejo que é muito parecido com videogame? Quadrinho. Quadrinho tem muita essa imagem de coisa de criança.

Felipe Mesquita:Eu acho que tem um estigma ainda maior, na verdade.

Evandro de Freitas:Acho que é pior, mano. É, vai cavucando, você vê um adulto de cosplay, você acha que a turma não julga?

Bruno Carvalho:Sabe outra coisa que tem também? Não, não, pera aí rapidinho. Sabe por que que quadrinho é pior? Porque tem estigma de criança e criança não lê quadrinho. E da pior, é o pior estigma possível, porque que criança você tá lendo quadrinho hoje em dia? Não tem, mano. Então é um bagulho que é para adulto, só que tem estigma de coisa de criança, porque criança não lê quadrinho.

Evandro de Freitas:A galera que não lê acha que é o Gibi da Mônica, né?

Jurandir Filho:Mas aqui no Brasil é isso. Quando a gente lembra de revista em quadrinho aqui do Brasil, a gente lembra de quê?

Bruno Carvalho:Turma da Mônica. Então é a única referência que a gente tem.

Evandro de Freitas:Não é o Watchmen, não é, não é o Batman Cavaleiro das Trevas, certeza não.

Jurandir Filho:Mas vamos tirar do quadrinho e vamos colocar na animação. A animação é outra, que é tida como, nossa, desenho animado, fica assistindo desenho animado, coisa de criança.

Evandro de Freitas:Dito isso, Tem uma tatuagem do Hora da Aventura.

Felipe Mesquita:O próprio anime tem mais estigma. O anime tá ao mesmo tempo no hype absurdo, mas ele também tem mais estigma, eu acho, também, do que o videogame.

Jurandir Filho:E eu sei que parece uma bobagem, né? Nossa, é só não se importar com o que as pessoas falam e não sei o quê, mas é, faz parte da nossa vida, né? A gente convive com pessoas.

Bruno Carvalho:Mas eu te pergunto, você realmente quer conviver com as pessoas que fazem pouco do que você gosta?

Jurandir Filho:Então, mas e quando essas coisas acontecem na sua família? Porque com certeza todo mundo aqui faz reunião de família e tem gente que olha para essas coisas.

Bruno Carvalho:Você fica jogando videogame durante a reunião de família, pô.

Evandro de Freitas:Chega o Bruno no almoço de domingo, jejuão, com a sua pasta de Magic.

Jurandir Filho:Isso.

Evandro de Freitas:E aí, se a tia, a tia com a tia não vai olhar dentro da cara dele e dar um jogado?

Jurandir Filho:Não cresceu. Esse daí não cresceu.

Bruno Carvalho:Eu sou esse cara e o que eu faço é eu englobo as pessoas na atividade.

Jurandir Filho:E aí tu é o— eu acho que é "Tu é o Sérgio Malandro, cara. Tu chegou lá de chapéu e de pirocóptero no chapéu." Hello, fellow kids.

Evandro de Freitas:E puxa a carta de Magic do bolso.

Bruno Carvalho:"Não sou Magic, jogo de tabuleiro, honra." Aliás, eu sou conhecidamente essa pessoa na família. Eu sou o cara que chega nas reuniões de família com as caixas de jogos de tabuleiro.

Jurandir Filho:Eu presenciar esse tipo de preconceito vindo de pessoas mais velhas do que eu, eu já não, eu não vejo como, né?

Evandro de Freitas:Eu não me incomoda.

Jurandir Filho:Deixar passar total, é, não me incomoda muito. Agora eu vejo tipo gente de 30 anos dizendo assim: nossa, isso é coisa de criança, não? Essa camisa do Mario aí.

Evandro de Freitas:Mas se se ofendeu, você já fez assim: fala aí o que você gosta que eu vou julgar também.

Jurandir Filho:Me fale 10 gostos seus que eu vou julgar.

Bruno Carvalho:Cara, nesse caso é só no vídeo.

Evandro de Freitas:O João D. fala que joga videogame, o Bruno, a pessoa olha assim para ele, ó, mandei no Discord, tá ligado?

Jurandir Filho:Tá na capa do podcast, essa menina é muito boa, mano.

Evandro de Freitas:Tipo assim, tô colecionando figurinha da Copa, a pessoa—

Jurandir Filho:a figurinha da Copa é um assunto também sobre os caras, mas é um negócio que foi normalizado por Adulto, não sei. A figurinha, a figurinha, não sei não.

Evandro de Freitas:Eu acho que o Jurandir, eu vou contar um caso rápido sobre figurinha da Copa. Uma mulher mandou no grupo: ai, vamos fazer troca de figurinha, não sei o quê, não, uma pessoa, não sabia se era mulher ou não, sei lá, Júlia. Alguém tá trocando figurinha no grupo do condomínio? Aí eu respondi no privado, falei: achei que era um adulto, né? Falei: oi, tenho algumas, se quiser podemos marcar para trocar, que eu tenho muita figurinha repetida atualmente.

Jurandir Filho:Calma, Bruno.

Evandro de Freitas:Aí ela respondeu assim: você pode descer agora? Aí eu falei: não estou na academia. Eu falei: agora não consigo. Aí ela: por que você não pode sair? Aí provavelmente é uma criança achando que eu sou outra criança e eu não posso sair do apartamento.

Jurandir Filho:É, oi, Wandrinho!

Evandro de Freitas:Aí eu falei: não, não estou na academia, mas depois a gente vai tocar. É, aí eu fui: caralho, deve ser uma menininha, tá ligado, querendo trocar figurinha, e eu tô aqui achando que adulto é trocando por filho.

Jurandir Filho:Mas é, existe também o prazer culpado, né, que eu vejo diversos desses vídeos aí de álbum de figurinha, que é tipo assim, chegando na— estou chegando na banca para comprar figurinhas e o álbum para o meu filho. E aí quando chega em casa, você que tá montando lá o álbum, aí a criança vai querer chegar. É, não, não é meu.

Bruno Carvalho:Porque se o bagulho que te faz bem e não faz mal para ninguém, é, ó, é o seguinte, o vendedor da banca com certeza não tá nem aí.

Felipe Mesquita:Ele ameaçou, que você pode ter certeza que não tá nem aí.

Bruno Carvalho:Exato.

Jurandir Filho:Até porque, normalmente, quem compra figurinha é adulto, né?

Evandro de Freitas:Exato. A criança vai tancar R$1.000.

Felipe Mesquita:Tem que tá caro pra caramba.

Bruno Carvalho:Então, cara, você é assim, ó, esse bagulho de guilty pleasure aí, prazer culpado, cara, isso é um bagulho que te faz bem, não faz mal para ninguém, e é dentro da lei, cara, não é nem guilty pleasure, né, Bruno? Se você pensar, não tem, é, não existe isso, mano.

Jurandir Filho:É prazer mesmo, né? É um entretenimento seu. E aí, quando é você que paga pelo seu hobby, foda-se, meu irmão, ninguém tem nada a ver com isso, né? Agora, quando você receber esse tipo de julgamento de pessoas que são mais jovens do que eu, acho bizarro. Tem um, por exemplo, tem um que eu particularmente não uso mais. Eu não uso mais essas camisetinha nerd. Que eu usava muito 10 anos atrás, usava camisa de herói, camisa de game, camisa do Mario. Essas não uso mais, não uso mais.

Bruno Carvalho:Eu também não uso mais, não tenho preconceito com pessoa, eu só não uso, tipo, já tem um bom tempo que eu não uso.

Jurandir Filho:Você me pergunta por quê, por que que eu não utilizo isso? Porque eu passei a me preocupar muito mais com as roupas que eu uso. Eu acho que é uma— existe como você ficar esteticamente bonito com camiseta de super-herói? E existe, existe sim a possibilidade. Sim, eu prefiro outro tipo de roupa. Eu particularmente prefiro o tipo de roupa, prefiro a camiseta básica preta do que propriamente uma camiseta do homem de ferro.

Bruno Carvalho:Então não, a camiseta com S do Super-Homem, um blazer por cima, você não tanca assim, ó?

Jurandir Filho:Não, não tanca. Jesus amado. E aí, é o quê? É preconceito meu?

Evandro de Freitas:Eu utilizei muito. É preconceito, deixa os basingueiros.

Jurandir Filho:Eu utilizei muito já. E aí quer dizer que, por exemplo, eu não posso em casa utilizar? Sim, eu às vezes eu uso em casa porque virou roupa de casa, se liga, virou roupa de casa. Eu já, o meu é o seguinte, eu não saio mais com esse tipo de coisa.

Bruno Carvalho:Eu sou o cara simples, eu criei para mim uma regra muito simples, e é fato isso, tá? Eu só compro camiseta nova para mim branca, cinza ou preta.

Evandro de Freitas:Eu pensei que você ia falar que só compra quando faz um furo embaixo do subaco.

Bruno Carvalho:Não, pô, é assim, toda camisa nova que eu vou comprar ou é branca lisa, branca, cinza ou preta.

Jurandir Filho:O Bruno tá igual meu pai. Meu pai chega na loja assim, ele vê, experimenta aí, pai. Aí ele vem lá, pô, gostei, pega uma de cada cor.

Evandro de Freitas:É isso, pega 5. Pior que a última vez que eu comprei foi assim também, mano.

Bruno Carvalho:Boa, porra! Você não compra mais?

Evandro de Freitas:E aí eu peguei várias cores e a mesma, foda-se.

Bruno Carvalho:Sim, porra!

Evandro de Freitas:Algodão Pima, fica a dica aí, ouvinte.

Jurandir Filho:Não, eu tenho essa mania porque se eu experimento, eu sou muito ruim de ir para o lugar experimentar assim, sabe? Eu tenho, eu fico sem saco, eu vou pegando, tipo, dentro de uma, sei lá, reachuelo da vida, aí pega uma camiseta, aí pega outra, aí quando eu vi eu tô com 5, 6 camisetas. Ai, gente, tô aqui sem saco. E eu deixo lá. Eu desisto, eu desisto no meio do processo e nem compro. Mas às vezes, quando eu experimento uma camiseta e fala assim, porra, mano, ficou boa, não sei o quê, eu compro outra igual.

Evandro de Freitas:Eu tenho duas de cada aqui, fácil, igual, igual.

Bruno Carvalho:Assim, ah, vou dizer mais, se eu já tenho uma que eu gosto, que eu já sei a marca e tamanho tudo certinho, é a mesma, já nem vou na loja, eu já compro online direto com eles. Fala assim, ó, já manda aí, é esse modelo, essa cor, esse tamanho.

Jurandir Filho:Braço. As minhas camisetas com estampas são normalmente estampas com locais, tipo, eu adoro camiseta do local que eu fui. Tem umas, as praias daqui de Fortaleza, eu tenho uma camiseta de Candoca Quebrado, uma camiseta de Jericoacoara, tem uma camiseta de Guaramiranga, Fleixeiras. Adoro essas camisetas de local. Esse é o tipo de camiseta que eu uso. Não uso mais as camisetas camisetas de zoeirinha, né, que tem, pessoal compra às vezes.

Evandro de Freitas:Eu doei um monte esses dias, esses dias, semana passada, literalmente também. Aonde?

Jurandir Filho:Banda ainda passa por mim, tá? Banda, eu tenho um do Arctic Monkeys, dos Beatles.

Bruno Carvalho:E por que que banda pode, videogame não?

Evandro de Freitas:Então eu acho da hora a pessoa se preocupa com isso. A gente falou no começo do casting, se preocupar com visual do cabelo e tal, mas fica lá o nosso amigo Edson Castro, que era do Manual do Homem Moderno. Isso, aqueles vídeos dele. Você tem que ter 8 peças que você tem que ter para compor o look. E, ah, mano, ah, too much para mim, não dá. E aí ele bota calça de linho branca com, com o coletinho preto.

Jurandir Filho:De se arrumar, né? Eu acho, eu acho da hora, eu acho da hora o resultado final.

Bruno Carvalho:Eu não tenho paciência para, mano, não, calça branca.

Evandro de Freitas:Ah não, mano, você tá ligado quem é, né, Bruno? Ele é ouvinte nosso, inclusive.

Bruno Carvalho:Sei, tudo bem, mas pô, E agora tem o canal dele, calça branca. Não dá, né, mano?

Evandro de Freitas:Pô, não, mas os cara tem o Felipe, que é estileira dele. É estilo, Bruno, é médico agora para ter calça branca, caralho.

Felipe Mesquita:É, porra, branca, branca é meio foda.

Jurandir Filho:Ah, mas aí depende de onde você vai. Eu sujo muito, você vai lá, vai desenhar praia, vai desenhar praia.

Evandro de Freitas:Se liga, Jurandir, todas as vibes é que eu tô agora, que eu vou te falar o seguinte, ó. Um bom short da Decathlon, curto para valorizar as coxas, essa camiseta da Hering aí, algodão pima, e eu tô de Crocs, doidão, aonde você quiser. Desse jeito, o jeito que eu vou estar na live hoje é que a sociedade me obriga a me arrumar para ir no casamento.

Jurandir Filho:Se não, tava assim, todo, absolutamente todo no casamento, cara.

Evandro de Freitas:Por isso que é exatamente, foi eu, foi o Bruno com aquele discurso lazarento dele, né?

Jurandir Filho:Caraca, discurso do Bruno!

Bruno Carvalho:O que que tem a ver?

Jurandir Filho:Jogou praga, filho, jogou praga os negócio, caralho. Foi elogiar demais, eu elogiei tudo, mano.

Evandro de Freitas:Desejou tanta coisa boa que deu a volta, mano. Eu tô vendo um vídeo do Edson aqui, Bruno, tênis branco, os bagulho, pô, só de pensar nesse tênis branco aqui já me— Pois eu já gosto, eu já gosto dessa vibe de minha correntinha, estilinhos, aí estilinho.

Bruno Carvalho:Eu acho legal, mas cara, calma calça branca, não é muito prático no dia a dia, mano. Qualquer coisinha ela vai ficar gritante, a marca, tipo uma mancha, qualquer coisa. Não, mas você tá saindo, você tá no mundo, qualquer coisa que esbarrar vai ficar marcado, mano, sujo.

Felipe Mesquita:Tipo assim, eu não saio muito assim igual, por exemplo, essas fotos, mas tá super bem vestido, eu acho.

Evandro de Freitas:Não, eu acho foda, mano. E ele faz uns look com camisa de futebol, tá ligado, irado. Mas eu não tenho paciência, mano, igual eu falei, eu pego a mesma camiseta amarela e toma aí, né. Tênis aí meio questionável, mas eu vou Vou arriscar aqui que é um publi. Não, acho que não é publi não. Esse vídeo aqui é 12 looks com tênis branco.

Jurandir Filho:Por isso que tu tá com os pisantes mais da hora ali. Você vai sair para um rolê acompanhado assim?

Evandro de Freitas:Eu tô arrumado.

Felipe Mesquita:Ele é brabo.

Evandro de Freitas:Eu pus a calça preta, fui no show e tava arrumado. Pus um tênis preto, a calça preta e uma camisa cinza. Pronto, eu pus uma correntinha no dia que eu fui para o show, eu tava arrumado.

Felipe Mesquita:Eu me visto de forma muito aleatória também.

Jurandir Filho:Aquele audiozinho do menino, do Luigi, calça preta, como é, calça preta, terno preto.

Evandro de Freitas:Eu acho irado os cara que tem. Tem um outro, o outro cara do Ruivinho também lá, Coloral, que tem uns vídeos no YouTube ensinando se arrumar o caralho, mas não consigo, mano. Puta que pariu, é muito trabalho, muito trabalho para mim.

Jurandir Filho:Aquelas fotinhas na frente do espelho, Felipe. Sim, né, clássico. Mascaras. Eu tenho um espelhão aqui na sala de casa. E aí, mano, tênis em branco, tênis em branco honesto. Ó, mandar fotinho aí, ó.

Evandro de Freitas:Qual é, um dentista para dar de calça branca, cara?

Felipe Mesquita:Eu tirei essa semana seleção de camisas para usar durante a Copa.

Evandro de Freitas:Aí, acho dó. As únicas que não tem amoragem do West de futebol, mano. E aí é história.

Jurandir Filho:Você se arrumar assim para sair à noite, tudo é maneiríssimo. Eu acho maneiro.

Bruno Carvalho:Não, ninguém tá falando que é contra se arrumar, mano. Ninguém tá falando isso.

Jurandir Filho:Você não vai para o casamento com a camiseta do Mário, né, Bruno?

Evandro de Freitas:Camisa do Mário, bazinga, e bermuda, aquela bermudona clássica de gordo até o joelho.

Jurandir Filho:O cara é o outfit do Kevin Smith. Se liga o Kevin Smith, que é o chapéu. Bota aí, Kevin Smith.

Evandro de Freitas:Eu botei no Google bermuda de gordo, veio ela, Bruno. Essa aí, 70 bolsos. O cara mete a camiseta, todo mundo tá olhando, não vou nem pôr mais, todo mundo tá ligado que bermuda é essa. E aí mete a camiseta preta do Mario.

Jurandir Filho:Ele bota um blazer, né, às vezes para dar uma escondida assim na roupa que tá ali.

Evandro de Freitas:O Bruno fala aí, mas ele era o Zé Blazer, viu? Todo evento que a gente tava de blazer.

Jurandir Filho:É, mas dá um arrumado, pô.

Bruno Carvalho:Ele dá um negócio ali, eu acho que dá um negócio, ele dá um negócio, é foda.

Jurandir Filho:Dá, mano, dá. Dá um negócio. Eu acho que ele dá um trem diferente. Você tá com a calça jeans e com a camiseta comum e você bota um blazer, meu irmão, você fica...

Bruno Carvalho:Muda, muda, dá um outro texto.

Jurandir Filho:Muda, muda, até a tua postura muda, sabe?

Evandro de Freitas:Eu admiro quem é o Lourdes. O Lourdes é o Lourdes. Você sabe que o Lourdes tá vestido neste momento?

Jurandir Filho:Ele tem uma farda, o Lourdes.

Evandro de Freitas:Tem uns análises da queda da bolsa.

Jurandir Filho:É igual a Mônica, pô. Eu acho que é isso aí, sabe quem é estiloso? Pimentinha.

Evandro de Freitas:Pimenta é para caralho.

Jurandir Filho:De vez em quando ele posta uma foto do sapato dele, aquela calça mais curta, se liga, que mostra um tanquinho da calça de cantor sertanejo, caralho.

Bruno Carvalho:Essa aí eu não tanco, mano.

Evandro de Freitas:Essa aí, Bruno, a minha, mano, essa Não passa na minha panturrilha, não vou nem falar da coxa. Essa calça do Pimenta, se eu usar, ela rasga na panturrilha.

Jurandir Filho:O cara tá que nem o Hulk, quando rasga as roupas ali.

Evandro de Freitas:Essas calças é impossível, você é louco, slim, caralho.

Jurandir Filho:Mas eu acho que você ter esse cuidado, mas não tem nada a ver com o que a gente tá falando.

Evandro de Freitas:Nada a ver com a pauta, já virou moda, né?

Jurandir Filho:Virou outra coisa.

Evandro de Freitas:Você se arruma, frase da capa, já vamos pôr lá.

Jurandir Filho:Mas o negócio do de outras coisas sofrerem preconceito, é, eu acho que é porque as pessoas são preconceituosas mesmo, né? A animação, pessoal tem preconceito, pessoal tem preconceito com o povo que escuta K-pop, por exemplo. Aí, 20 anos atrás tava escutando Backstreet Boys. Oxe, qual a diferença, caralho? Diferença nenhuma de Backstreet Boys e Spice Girls, mesma coisa. Mas é porque a gente antigamente não tinha preconceito, ficava puto com quem tinha preconceito com a gente. A gente hoje destila preconceito dos outros. Por isso que eu acho paia a galera mais jovem do que eu tendo preconceito com essas coisas, mano. O videogame, o chapéu para o preconceito, não tiro o chapéu para o preconceito, não tiro.

Evandro de Freitas:Esse quadro é muito foda, mano. Corrupção, você tira o chapéu.

Jurandir Filho:Mas é foda porque como a gente tá falando de uma mídia que ela nasce associada a brinquedo E aí você pensa brinquedo, pensa em quarto infantil, loja de brinquedo, criança. E aí o videogame mudou, se transformou em outra coisa, ainda que seja coisa, tenha coisa para criança, né? Porque vai o filme do Mario, filme do Mario chegou em cinemas. Será que aquela, essa criançada toda que foi ver o filme do Mario joga Mario ou só assiste Mario, hein, Bruno?

Evandro de Freitas:Mario, Mario, eu acho que, acho que bem, joga bem menos, mano. Eu acho que elas jogam outras coisas do que Mario.

Jurandir Filho:Isso, Minecraft, mas vou ver o filme do Mario.

Evandro de Freitas:E foi ver o filme do Minecraft também, né, que teve.

Jurandir Filho:Porque o jogo do Mario não é acessível, não é acessível como Minecraft.

Evandro de Freitas:Acessível, você diz, é em relação à dificuldade ou valor?

Jurandir Filho:Não, de acessibilidade mesmo, de você— não é como Free Fire, não é como um Fortnite, entendeu, que tá aí. Eu sei que tem aquele Mario, né, de celular Dash lá, mas não dá para colocar o peso do conhecimento das crianças do Mario em cima desse tipo de jogo aí. E o Mario tá aí, mano. O Sonic, Sonic já é mais acessível, né, para as crianças, né? Eu acho que porque tem muitos jogos para celular, tablets, muitos desenhos animados, né? Então você faz esse cross media aí. Tem que pensar também o que que eu penso mais: videogame só existe por causa dos adultos.

Evandro de Freitas:Justo. É porque se a criança tivesse fazendo videogame, era exploração infantil.

Jurandir Filho:Não é sobre isso, né? Por que que pode bancar? É o adulto, mano. O cara começa a brincar, joga.

Evandro de Freitas:É, você querendo dizer que para uma criança jogar, um adulto teve que pagar, né?

Jurandir Filho:Sim. Aí você pode dizer isso de antigamente, será que é desde sempre assim? Eu acho que não, porque antes o adulto ele só pagava, ele não jogava. Hoje o adulto paga e joga. Antigamente ele comprava para criança. Tipo pai e mãe, era presente para criança. E hoje, né, hoje, né, eu tô falando hoje como se tivesse mudado agora, né, esse cenário. Mas tem muitos anos que já é outra realidade, né. O videogame se tornou mais caro, né. Tem esses planos de assinatura, né, que você faz aí, tipo Game Pass, o PS Plus e tudo. Tem as edições especiais, os remakes, a galera que joga MMORPG aí, paga mensalidade, tipo Warcraft da vida.

Evandro de Freitas:Sim, é, tem muita expansão, bateu-pés da vida, moedinha de jogo de mobile. Tem que lembrar também que o mais jogado hoje em dia é mobile, não é a época do Super Nintendo que a gente ligava a TV, sentava e jogava.

Jurandir Filho:Eu me sinto estranho porque eu fui para estreia do filme do Mario e eu falo, pô, vai estar a galera, né, que jogou aqui. O primeiro filme do Mario, o Mario 1 lá, o Super Mario Bros, o filme, ele tinha mais adultos. O segundo era só só criança, só via criança no cinema, caralho.

Evandro de Freitas:Sim, quando a sessão que eu fui ver também foi para outro público, né?

Jurandir Filho:É muito estranho isso. Qual a conclusão que a gente chega desse papo aí?

Evandro de Freitas:Eu acho que hoje em dia tá bem, então a turma julga menos quem joga, mas ainda julga. Eu acho que tá mais integrado na sociedade o mercado de games e consumidores de games.

Jurandir Filho:Com certeza você já recebeu aquele olhar, a menininha da capa, é, do chegou lá 'Não, vou, vamos lá, vamos, vai ter, vai ter, vamos para o after.' 'Não, não, vou jogar o The Last of Us aqui que saiu.' Aí a pessoa olha assim: 'Jogar videogame? Vai deixar de sair para jogar videogame?' 'Sim, filha da puta, eu sei que eu pago minhas contas.' Basicamente é isso. Culpar joguinho passando, mas é foda porque como eu sou segunda-feira, parada, rapper, eu sou um defensor, como eu sou um defensor do videogame, mas se alguém tá lá, a galera, os amigos, não, não vou porque saiu o episódio novo do dorama que eu tô assistindo, eu quero ver, aí você vai julgar, mas né, aí você julga, mas é isso, né, a vida é feita de julgamentos, né, quando você aponta um dedo para alguém tem outro 4 apontado para você. Desprovido de julgamentos? É impossível, né? Idealmente sim, mas no budismo só.

Evandro de Freitas:Mas você acha que o budismo, se chegar alguém vestido de tie-dye, não julga?

Jurandir Filho:Se chegar alguém com a Bíblia falando assim: você já ouviu a palavra de Jeová? Mas e aí, o Bruno sumiu? Bruno foi embora.

Evandro de Freitas:O Bruno quer dar a solução desse teste, sumiu.

Jurandir Filho:E aquela mensagem, Evandro: mas o adulto não deveria fazer fazer outra coisa ao invés de jogar videogame.

Evandro de Freitas:O adulto tem que pagar as contas em dia, não encher o saco de ninguém, só isso. Já tá ajudando muito a sociedade se ele fizer isso.

Jurandir Filho:Tem um site falando assim, ó: as pessoas adoram criticar quem joga videogame, mas ninguém questiona os adultos que assistem futebol, que coleciona, que assistem reality show, que passam horas no TikTok e ficam maratonando séries.

Evandro de Freitas:É que o futebol é um pouco mais popular, talvez, não?

Jurandir Filho:É, mas ele é um entretenimento, mas é tão doença quanto.

Evandro de Freitas:Sim, você não vê ninguém se matando por causa de videogame.

Jurandir Filho:Eu acho que o fato também de serem adultos jogando bola também, né?

Evandro de Freitas:Então, mas é foda porque, por exemplo, a Kings League é julgada para caralho, sim, como coisa idiota de criancinha, infantilidade, infantilidade, é um futebol infantil, né? O quão diferente é a Kings League do futebol normal?

Jurandir Filho:Porque tem regra de videogame, e aí tem regra de videogame, é coisa infantil, se liga. Tô falando, mano, preconceito tá aí, rapaz.

Evandro de Freitas:Não tiramos o chapéu pro preconceito, essa é a conclusão do programa.

Jurandir Filho:Não tiramos o chapéu pro preconceito. O fato é que a gente... Eu quero ver relatos, tá? Coloca aí nos comentários, 99vidas.com.br ou no YouTube, no Spotify. Você já passou por isso? Preconceitos? Você gosta de videogame, você ama videogame.

Evandro de Freitas:Já fosse julgado?

Jurandir Filho:Você já foi muito julgado? Você tava num date e falou assim: qual é, o que que você gosta de fazer? Ah, eu gosto de jogar vídeo. Tem gente que esconde. Felipe é um que esconde.

Evandro de Freitas:Ô louco! E aí, Felipe?

Felipe Mesquita:Claro que não, bota videogame no meu bar lá, como é que eu vou esconder?

Jurandir Filho:Não, mas hoje porque você tá numa situação de poder, hein? Como assim? É, mano, você tá na situação de poder, você pode fazer isso. A galera tem que engolir que tu gosta de videogame, que a parada é o videogame é colado e tudo, mas tenho certeza absoluta. Tinderzinho, coloca lá o que você gosta de fazer. Aí, eu gosto de jogar videogame.

Felipe Mesquita:Eu botava no Bumble, no Bumble tinha essa parada, botava.

Jurandir Filho:Eu coloquei no curto período que eu estive nesse aplicativo, eu coloquei também. Também, games, games, mano.

Evandro de Freitas:Eu tenho tatuagem do cogumelo do Mario, cara. 2 segundos que ela me vê, ela já sabe que eu gosto de videogame. E aí, se ela julga, paciência, até aí. Eventualmente vai fazer alguma coisa que eu julgo também, segue a vida.

Jurandir Filho:Dá para dizer que videogame também é coisa de criança?

Bruno Carvalho:É sim, videogame é para todo mundo.

Jurandir Filho:Aí, voltou, voltou, Bruno.

Evandro de Freitas:Estamos aqui concluindo que não tiramos o chapéu para o preconceito na sua ausência. Dê a palavra final.

Jurandir Filho:Não sei se você concorda, você como mais velho daqui.

Evandro de Freitas:É, você mantém o chapéu do preconceito ou você tira?

Bruno Carvalho:Que preconceito, mano? Eu acho que foi o que eu falei, cara. Se o que você gosta de fazer—

Jurandir Filho:você sente culpado, Bruno, por jogar videogame?

Bruno Carvalho:Não, de maneira alguma.

Jurandir Filho:E nas reuniões de família, os teus parentes assim: aí, o Bruno aí, o que que ele faz? Ah, ele joga videogame. Não, porque faz joguinho.

Evandro de Freitas:Nossa, tem essa ainda? O Bruno tem mais uma camada, ele não só joga, ele faz joguinho. Puta merda, duplamente julgado, cara.

Bruno Carvalho:Mas não assim, minha família é bem tranquila, até porque eu já falei nos meus meios sociais, eu não fico sangrando de um para o outro. O que que isso quer dizer? Quando eu tô com a minha família, não vou ficar falando de videogame, tanto que na verdade até o contrário.

Jurandir Filho:Por quê? Por vergonha?

Bruno Carvalho:Não, é porque não é o assunto, não cabe ali.

Jurandir Filho:Não é a mesma coisa que não trabalha, conversar sobre a o desenvolvimento de personagens profundos em videogame com sua família? Não é, mas não surge nenhum assunto assim, tá conversando ali com alguém mais velho assim, bem mais velho assim, com 70 anos, tu fala assim: não, eu tava jogando um jogo que ele fala da temática. Não surge esse papo não?

Bruno Carvalho:Não, não.

Jurandir Filho:Por quê? Por vergonha? Por medo?

Bruno Carvalho:Não, é porque cada assunto, cada assunto cabe num lugar. Eu não fico falando sobre trabalho, por exemplo, com a minha família.

Evandro de Freitas:Então mesmo quando o pessoal pergunta do videogame, é hobby, daqui Então, mas ele sabe que ele não fala, se ele falar assim, ah, eu trabalho com jogos, e a pessoa fala, tá, mas trabalha de verdade? É, faço jogos. E com quem que você trabalha?

Bruno Carvalho:É que no meu caso também, né?

Jurandir Filho:Como é bom ver a família toda junta. O Bruninho ali, Bruninho faz jogos de videogames assim.

Bruno Carvalho:Não é bem assim que funciona, não. Mas mesmo de trabalho, eu não converso muito sobre trabalho no geral. Nenhum dos meus trabalhos eu converso no meio da família, por exemplo. Para mim é sempre tudo, tudo em seu lugar.

Jurandir Filho:Eu vou conversar sobre as coisas de acordo com o lugar que eu estou e se o assunto é game, nunca fez parte da conversa com a tua família então?

Bruno Carvalho:Não, é com meus irmãos. Eu falo: ah, jogou alguma coisa? A gente tem jogado tal, tal, tal. Sim, mas com a minha família em geral, porque não tem abertura para isso. Eu vou falar com a minha mãe: então, mãe, tava jogando The Last of Us lá, e aí eu peguei a Abby, soquei a cara dela.

Jurandir Filho:A reunião da família, reunião da família, Bruno, você tá lá Todo mundo lá confraternizando, sei o quê, e o Bruno sentado no sofá com PSP jogando.

Bruno Carvalho:Não, isso não acontece, jamais.

Jurandir Filho:Cabeça baixa.

Bruno Carvalho:Quando eu tô com a minha família, eu tô com a minha família, pô. Se eu quiser jogar videogame, eu vou ficar jogando videogame.

Evandro de Freitas:Tamo competindo, tamo competindo.

Jurandir Filho:Eu tô colocando cenários possíveis porque muita gente passa por isso, mano.

Bruno Carvalho:Tudo bem, mas se a pessoa vai pra uma reunião de família e ela quer jogar videogame, beleza.

Jurandir Filho:Isso.

Bruno Carvalho:Não é o meu caso. Quando eu estou com a minha família, eu quero estar com a minha família. Então eu procuro atividades, no meu caso, que eu posso incluir minha família. Por isso que eu levo o jogo de tabuleiro, por isso que a gente troca ideia. São outras atividades, não é porque, ai, eu tenho vergonha de falar de videogame.

Jurandir Filho:Não, é porque colocar uma pessoa usando o celular lá vendo TikTok num almoço de família e outra pessoa jogando Nintendo Switch, o Nintendo Switch vai ser o mais jogado.

Bruno Carvalho:Eu não tô dizendo que não.

Evandro de Freitas:Mas depende da pessoa. Se for uma criança, as pessoas vão entender. Se for um adulto, é loucura.

Jurandir Filho:Do nada, assim, do nada você puxa 2 PSPs e tu joga comigo.

Bruno Carvalho:Mas você tá querendo que eu fale para você que eu faço uma coisa que eu não faço, gente. O que que eu vou fazer?

Jurandir Filho:Ué, tu não disse que ia para os lugares e levava 3 PSPs?

Bruno Carvalho:Mas uma coisa é eu fazer isso com os meus irmãos, outra coisa é chegar na reunião de família e botar um PSP na mão da minha mãe. Natal, do nada, né?

Evandro de Freitas:Do nada.

Jurandir Filho:Eu tô extraindo aqui Situações, tô extraindo situações para ver o porquê. Assim, mano, tem julgamento para caralho, mano. Mas ninguém falou que a galera mais velha que a gente, eles acham que a gente é um monte de bocó, mano, para jogar videogame. Mas eu não, mas a questão é assim, primeiro, eu não ligo ainda de vocês, mas até aí você pode achar que ele é bocó para jogar dominó. E aí, exato, é, ninguém acha, ninguém acha pessoa bocó para jogar dominó, baralho, não joga, não acha. Tu acha?

Bruno Carvalho:Não, até o jogo, é, pô, me dá qualquer joguinho que me diverte, filho. É, pô, o negócio ali tá distraído, truco na praça.

Evandro de Freitas:Nossa, meu sonho!

Bruno Carvalho:Mas a questão é, meu ponto principal, se o que você gosta de fazer não faz mal a outras pessoas e é dentro da lei, curta a vida, faça, é bom, faz, cara. É isso, não tem que ter essa de ai Eu tô preocupado com—

Jurandir Filho:por isso que é bom sair de casa, Bruno. Sai de casa, ter sua própria casa, você escolher. Aí você não tem que dar satisfação para ninguém, não tem que ficar com receio de: nossa, será que eu vou jogar videogame aqui? Porque eu lembro que quando eu morava na casa dos meus pais, por mais que eu fosse independente financeiramente, eu ainda senti um certo receio assim de eles passarem lá, sabe, na sala e eu tá jogando videogame. E eu sei que meus pais não tem mais esse julgamento, sabe, que antes eles tinham.

Bruno Carvalho:Mas você não se sente bem, eu não me sinto bem.

Jurandir Filho:O que é bizarro, né, mano? Não é errado isso? Eu acho errado para caralho, mas a gente é julgado a todo momento e a gente sempre acha que os nossos gostos são errados. E é bizarro isso, mano, é bizarro. E aí chegar no ponto da não me incomodo com ninguém esses olhares julgadores. A menininha olhando, a menininha olhando ali. É, mano, chegando de Crocs no jantar da família, mano.

Evandro de Freitas:Bruno tá ligado, eu vou falar o lugar, ele sabe. Sabe onde eu já fui desse jeito? JK e Guatemir. E aí o segurança andando atrás de ti, o cara do estacionamento já olhou feio a hora que eu cheguei.

Jurandir Filho:Eu já superei isso aí, fui para São Paulo. É um bagulho Uns 15 anos atrás, mais ou menos, simplesmente fui de chinela havaiana, camisetinha simples. Tinha chegado de Fortaleza, eu e o PH.

Evandro de Freitas:A gente chegou lá, entramos a pé no JK, cocassando a entrada, né, porque ele não é um a pé friendly.

Jurandir Filho:É um chão brilhoso pra caralho, né, uma loucura inacreditável. Simplesmente o cara acompanhando a gente no radinho. Vou tentar roubar onde, caralho? E a gente, caramba, que que esse cara tá vindo atrás da gente aí, mano? Ele não chegou na gente, mas acompanhando, sabe? A gente subindo escada, o cara subindo escada com a gente.

Bruno Carvalho:Vocês tinham guarda-costas, pô, vocês passaram isso, mano, no cu, caralho.

Jurandir Filho:Mas existem alguns lugares que a turma não tá acostumado com pessoas com outro tipo de vestimenta, né? O cara vai para um Quando o cara manda o convite para uma festa, né, e aí tá lá esporte fino. Aí tem gente que não entende também essas coisas, né, de esporte fino.

Evandro de Freitas:Mas ela pesquisa, aí também é foda.

Jurandir Filho:É, sim, sim. Mas, né, existe essas inadequações, né, de você não se sentir bem em alguns lugares. Mas com gosto acontece bastante. É por isso que videogame ainda é um nicho. Ainda existe um nicho muito grande, né, de jogadores de videogame, e que não se misturam, não se misturam com a—

Evandro de Freitas:mas tudo, né, nicho em alguma escala. Futebol também é nicho.

Jurandir Filho:Será que futebol é nicho?

Evandro de Freitas:Eu fico— tem uma galera do— tem uma galera hater de futebol, mas é uma parcela muito menor, sabe? É muito popular.

Jurandir Filho:Porque não gostar de videogame sendo brasileiro, aliás, não gostar de futebol sendo brasileiro, parece uma exceção, parece. Parece, né? Por exemplo, que é, mas parece uma exceção, que normalmente as pessoas gostam de assistir. E até quem não tem esse prazer todo assiste. Copa do Mundo aí, galera, tá, ah, nem gosta, não sei o quê, mas vê. Todo mundo vai estar assistindo os jogos do Brasil, vai estar, né? Hoje é jogo do Brasil, tá doido assim, churrasco junto a galera. Aí tem um monte de gente que não conhece futebol, mas vai estar lá vendo. Então acho que meio que faz parte já da cultura popular aqui no Brasil, né? Tô falando aqui no Brasil. Então acho que não é nicho não, futebol. Tá longe de ser, é um esporte muito popular, mano, muito popular.

Evandro de Freitas:É o mais popular mundialmente, né?

Jurandir Filho:Dá nem para dizer, por exemplo, tu acha que sertanejo, música sertaneja é nicho?

Evandro de Freitas:Não, mas depende do ângulo, até música vai ser nicho. Tem gente que não liga para música.

Jurandir Filho:Aí é doideira, aí é doideira.

Evandro de Freitas:Aí não dá para gente, né? Mas tem gente que só vive aí, não tem como não jogar, né, mano? Cara não gosta de música, cara não gosta de música, é Que isso, velho? Eu acho loucura, mas tem louco para tudo, mano.

Jurandir Filho:Não gostar de música?

Evandro de Freitas:Tá porra, não é não gostar, é tipo não ligar, tá ligado? Que nem o Felipe não tá ligando para esse papo todo aqui inteiro, uma hora e meia já.

Felipe Mesquita:Eu vou ser bem sincero, eu já não sei nem mais o que que nós estamos falando, já me perdi há muito tempo aqui. É o efeito, mano, teve muitas curvas esse papo.

Jurandir Filho:Não é efeito da conversa, tô falando. Tudo bem, gente, muito bem, fechamos aqui mais um 99 Vidas. Deixa seu comentário, 99 ponto com.br. O que é que você acha? Ainda é para criança ou os adultos que mandam? Videogame é coisa de adulto. E aí, as crianças jogam? Deixa aí nos comentários, queremos saber a sua opinião. Lembrando que toda quarta-feira estamos fazendo live no YouTube, quarta-feira, 2 horas da tarde. A gente entra ao vivo para bater papo sobre mundo do cinema, nostalgia, muita coisa bacana, mundo dos games, nostalgia.

Evandro de Freitas:Isso, aproveita. Ah, falei cinema, foi mal.

Jurandir Filho:Caraca, que loucura, cabeça. Mas toda quarta-feira, 2 horas da tarde, estamos ao vivo. Se inscreve no nosso canal lá, se possível seja membro para você ganhar uns badges, cortes das lives, todos, todo dia subindo. Tem cortezinho das lives. Ah, não gosto de ver a live, é muito grande, não sei o quê. Tem uns cortezinhos de boas, tem conteúdos exclusivo para membro. Ah, por que que vocês têm um bônus e tem um membros? Membros, ele tem outra proposta, né? É, a gente tá trabalhando com vídeo lá, e tudo é no fim para fortalecer o 99 Vidas. E se você gosta do nosso trabalho, se junte, se junte a nós, a gente vai ficar muito feliz com a sua companhia. Beleza, é isso, nos encontramos na próxima semana. Tchau! Gravando, gravando, gravando.

Felipe Mesquita:Que delay foi esse?

Jurandir Filho:É que eu tava conseguindo apertar aqui.

Felipe Mesquita:3 segundos, 10 segundos.

Jurandir Filho:Foi mal, é que eu tava coisando aqui.

Felipe Mesquita:Os cara ansioso para apertar o REC, sendo que nem faz diferença.

Evandro de Freitas:É a palma que manda.

Jurandir Filho:Não, diferença faz, diferença faz. Mas é porque quando eu apertei aqui não tava indo o negócio, aí tava devagar. Bem de gavazinho. Palminhas aí, sincronizar em 3, 2, 1. Tá sincronizado.

Bruno Carvalho:Pegou muito fraco, vai de novo aí.

Evandro de Freitas:Que pegou muito fraco?

Jurandir Filho:Tu gosta, Bruno, de um tapinha forte?

Evandro de Freitas:Eu gosto de pegada forte, Bruno.

Jurandir Filho:Responde, Bruno, por que que não responde, mano? É sempre essa risada safada, cara. Ué, ué, sim ou não?

Evandro de Freitas:Pode falar, prefiro mais.

Jurandir Filho:Fala assim: quem não gosta? Não gosto não.

Bruno Carvalho:É isso. Gosto de nada, mano. Gosto de nada, não gosto de nada. Sou da paz.

Evandro de Freitas:Chegou, cara.

Bruno Carvalho:Ah, mano, vamos gravar isso aqui, velho.

Jurandir Filho:Vamos lá, 3, 2, 1.

Bruno Carvalho:Não, a palma, cacete! Eu falei para você que não pegou a palma, mano.

Jurandir Filho:Palmas, 3, 2, 1. Pronto, agora foi a mesma palma, igual, mano, muda absolutamente nada.