Março Amarelo: Conscientizando Mulheres sobre a Endometriose
Convidada: Cristiane Müller (Estudante de Medicina)
- Endometriose: Causas e Fatores de RiscoDefinição de endometriose · Teoria da menstruação retrógrada · Teoria genética · Resposta imunológica · Influências hormonais · Histórico familiar · Idade fértil · Menstruação precoce e ciclos curtos/longos · Fluxo menstrual intenso · Ausência de gestação completa · Dependência de estrogênio
- Sintomas e Diagnóstico da EndometrioseSintomas diversos e silenciosos · Dores durante o ciclo menstrual · Dor durante o ato sexual · Dor abdominal inferior · Alterações fisiológicas e intestinais · Cansaço excessivo · Intensidade da dor vs. gravidade da doença · Demora no diagnóstico · Dificuldade para engravidar como sintoma · Exames ginecológicos clínicos · Anamnese detalhada · Exame pélvico · Ultrassonografia transvaginal · Ressonância magnética · Laparoscopia (padrão ouro) · Biópsia · Marcador tumoral CA-125
- Tratamentos para EndometrioseObjetivos do tratamento · Alívio dos sintomas · Redução do crescimento do tecido endometrial · Melhora da qualidade de vida · Tratamento para dor (analgésicos, anti-inflamatórios) · Hormonioterapia (pílulas anticoncepcionais) · Agonistas e antagonistas de GNRH · Menopausa temporária
Agora no Grande Jornal. Universidade e você. A educação mais perto de você. Boa tarde Cícero Dantas e JB. Boa tarde para a UNA Kelly e o João Pedro que fazem a participação especial de hoje. E boa tarde para vocês, nossos queridos ouvintes que sempre nos acompanham aqui na Rádio Sucesso FM 104.9.
E boa tarde para a nossa convidada de hoje, a nutricionista e estudante de medicina da UFSB daqui de Teixeira de Freitas, a Cristiane Muller, que estará falando um pouco sobre o maço amarelo, conscientizando mulheres sobre a endometriose. Cristiane, seja bem-vinda ao nosso quadro Universidade e você. Conte para os nossos ouvintes o que é endometriose.
Boa tarde, Audineia. Boa tarde, ouvintes da Rádio Sucesso FM. Gostaria de agradecer o convite e dizer que é um prazer estar aqui para conversarmos sobre esse tema tão importante relacionado à saúde da mulher. A endometriose é uma doença crônica, ginecológica, inflamatória, que afeta milhões de mulheres em todo o mundo em idade reprodutiva.
essa condição ocorre quando o endométrio, que é o tecido que reveste o interior do útero, que é eliminado durante a menstruação, ele cresce, acaba crescendo fora do útero e em locais como ovários, trompas de falópio, bexiga, intestino.
e alguns casos raros até em órgãos mais distantes, como o pulmão. Ainda não se sabe as causas exatas da endometriose, mas existem algumas teorias que tentam explicar quais seriam as possíveis causas. Uma delas é a teoria da menstruação retrógrada.
em que acredita-se que parte do sangue menstrual contendo essas células do endométrio reflui pelas trompas de falópio e se implanta em órgãos da cavidade pélvica e abdominal.
E existe também uma teoria em que investiga que a possível causa possa ser de origem genética, já que essa doença é mais comum em mulheres que possuem um histórico familiar positivo.
E acredita-se também que algumas mulheres podem ter aí uma resposta imunológica e por isso não conseguem eliminar essas células endometriais desses locais fora do útero.
E existe também a hipótese de que as células dos órgãos poderiam ali transformar em células semelhantes ao do endométrio devido às influências hormonais. Cristiane, quais são os fatores de risco para a doença?
Histórico familiar, como eu já acabei até comentando, né? Mulheres com parentes de primeiro grau, mãe, irmã, com endometriose, tem um risco muito mais elevado de desenvolver a doença. Isso vem sugerir que a genética pode desempenhar um papel importante.
A endometriose afeta também principalmente mulheres em idade fértil, geralmente entre 25 e 35 anos, embora possa surgir bem mais cedo. Mulheres também que têm uma menstruação muito precoce, antes dos 12 anos, e que têm ciclos menstruais curtos com menos de 27 dias, ou menstruações prolongadas com mais de 7 dias.
O fluxo menstrual intenso também é um fator de risco. E mulheres que nunca tiveram uma gestação completa também podem ter uma probabilidade maior de desenvolver a endometriose. E a endometriose é uma doença dependente de estrogênio, que é o hormônio que atua no endométrio. Então, esses fatores que aumentam a exposição a esse hormônio podem aumentar também o risco.
E é importante ressaltar que ter um desses fatores de risco não significa necessariamente que a mulher desenvolverá a endometriose. No entanto, é fundamental estar atenta aos sintomas e procurar um atendimento médico caso seja necessário.
Cristiane, e quais seriam os sinais e os sintomas da endometriose? A endometriose é uma condição que se manifesta de maneiras diversas. Em algumas mulheres, a doença transcorre de forma silenciosa, sem apresentar nenhum sintoma perceptível.
No entanto, a maioria das mulheres diagnosticadas experimenta dores que, embora possam ser consideradas pequenos sinais, interferem no cotidiano e na qualidade de vida. Os sintomas mais comuns incluem dores fortes e persistentes durante o ciclo menstrual, desconforto ou dor durante o ato sexual, dor contínua ou intermitente na região inferior do abdômen.
desconforto a realizar as funções fisiológicas, principalmente durante a menstruação, alterações no funcionamento do organismo, como cansaço excessivo, problemas intestinais. E é crucial ressaltar que a intensidade da dor não reflete necessariamente na gravidade da endometriose.
O diagnóstico pode ser um processo demorado, levando em média 7 a 9 anos. E em muitos casos a endometriose só é descoberta quando a mulher enfrenta dificuldade para engravidar. Cristiane, de que forma é realizado o diagnóstico da endometriose?
Bom, o diagnóstico da endometriose é obtido através de exames ginecológicos clínicos, exames de imagem laboratorial. Na consulta ginecológica, o médico realiza uma anamnese detalhada, onde ele vai coletar informações sobre o histórico clínico da paciente e seus sintomas.
Em seguida, ele vai fazer um exame pélvico, que é um exame físico, para verificar se há alguma alteração nos órgãos reprodutivos, como úteros, ovários. E para fechar esse diagnóstico, são solicitados exames de imagem e o exame laboratorial.
A ultrassonografia transvaginal, um dos exames que pode ser solicitado, permite visualizar os órgãos pélvicos, como úteros, ovários, e identificar possíveis cistos ovarianos ou outras alterações sugestivas da endometriose.
A ressonância magnética pode ser utilizada para obter uma imagem mais detalhada desses órgãos pélvicos e identificar também lesões endométricas em diferentes locais.
Em alguns casos, o paciente é encaminhado para fazer uma laparoscopia, que na verdade é o padrão ouro para o diagnóstico da endometriose. E o que é essa laparoscopia?
É um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que permite visualizar diretamente a cavidade pélvica e identificar as lesões da endometriose. Durante a laparoscopia, uma biópsia pode ser realizada para confirmar o diagnóstico.
E, como eu disse, tem também os exames laboratoriais, o CA-125. Ele não é um exame específico para endometriose, ele é um marcador tumoral, mas ele pode também ser solicitado para auxiliar no diagnóstico e, principalmente, nos casos onde a doença já está mais avançada.
Cristiane, quais são os tratamentos disponíveis para a endometriose? O tratamento da endometriose vai ter por objetivo o alívio dos sintomas e reduzir o crescimento do tecido endometrial fora do útero.
e assim melhorar a qualidade de vida da mulher. As opções de tratamento vão variar de acordo com a gravidade da doença e os sintomas apresentados, e principalmente se existe ou não o desejo de engravidar. O tratamento para o alívio da dor consiste na administração de analgésicos e anti-inflamatórios,
E o hormônio terapia, né? Pílulas anticoncepcionais que vão ajudar a regular os sintomas por meio dos hormônios que vão reduzir o sangramento menstrual, diminuindo a dor. Pode ser utilizado também os agonistas e antagonistas de GNRH.
Vão reduzir a produção do estrógeno, induzindo uma menopausa temporária e assim aliviando os sintomas. Podem ser administrados também os prostágenos, que vão ajudar a afinar o revestimento do útero e reduzir o crescimento do tecido endometrial.
Em alguns casos, vão ser necessários procedimentos cirúrgicos, que pode ser o tratamento cirúrgico por meio da laparoscopia, que é um procedimento minimamente invasivo, que permite remover o tecido endometrial ectópico e as aderências.
E em casos mais avançados, a esterectomia, que é a remoção do útero. Geralmente, como eu falei, nos casos mais graves, em que os tratamentos não foram eficazes e que a mulher não deseja engravidar.
Mas assim, se você que está ouvindo ou alguém que você conhece apresenta esses sintomas, não hesite em procurar um ginecologista. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem melhorar muito a qualidade de vida das mulheres afetadas. E agora com o João Pedro trazendo mais uma campanha de março. Boa tarde, João.
Boa tarde, Nainha. O mês de março é marcado pela cor lilás para lembrar uma causa essencial, a conscientização sobre o câncer do colo do útero. Essa doença é uma das mais incidentes entre mulheres no Brasil, mas também é altamente prevenível e tratável quando diagnosticada cedo. Por isso, o março lilás reforça a importância da informação e da prevenção.
A principal forma de prevenção é o exame Papa Nicolau, que detecta alterações nas células do colo do útero antes mesmo de se tornar em câncer. Além disso, a vacinação contra o HPV é uma medida fundamental para proteger meninas e meninos contra o vírus responsável pela maioria dos casos. O uso de preservativos também ajuda a reduzir o risco de infecção. O maço lilás não é apenas uma campanha de saúde, mas um convite à responsabilidade coletiva.
Lembrar de cuidar da saúde da mulher é cuidar da família e da sociedade. É incentivar que todas tenham acesso a exames, consultas e informações de qualidade. E é também combater o preconceito e o medo que muitas vezes afastam mulheres da prevenção.
Mais do que uma cor, o lilás simboliza esperança. Ele nos lembra que o câncer de colo do útero pode ser evitado e que cada gesto de cuidado, seja marcar um exame, incentivar uma amiga ou divulgar informação, pode salvar vidas. O maço lilás é, portanto, um chamado à ação. Prevenir é sempre o melhor caminho.
E assim finalizamos mais um quadro, Universidade e você. Agradeço a participação da nutricionista e estudante de medicina da Universidade Federal do Sul da Bailec de Teixeira de Freitas, a Cristiane Mule, onde esteve falando um pouco sobre a endometriose, trazendo aí muitas informações para nós mulheres. E agradeço também a atenção dos nossos queridos ouvintes. Desejo a todos um bom final de semana.
E na semana que vem estaremos aqui, se assim Deus nos permitir. Um beijo no coração de todos e até a próxima semana. Esta é uma atividade vinculada ao grupo de estudos e pesquisas em ecossistemas comunicacionais e as tecnologias da inteligência.
E comem. Você acabou de ouvir O Grande Jornal. Um jornal completo, imparcial e interativo. O seu encontro diário com a informação. O Grande Jornal. Apresentação Cícero Dantas. Direção Geral, Leco Gomes.