Abril Azul: Autismo, diversidade e inclusão
André Cruz (Psicólogo e professor)
Cícero Dantas
Neinha
André Cruz
João Pedro
UNA Kelly
- Transtorno do Espectro AutistaPapel do psicólogo no diagnóstico e acompanhamento · Diferenciação entre autismo e traços de personalidade · Abril Azul · História do Abril Azul · Desafios no Brasil · Diagnóstico tardio · Inclusão escolar e profissional · Capacitismo · Estratégias de inclusão
- Segurança no TrabalhoAbril Verde · Conscientização de trabalhadores e empresas · Prevenção de acidentes e doenças ocupacionais · Valorização da vida e investimento em bem-estar
Agora no Grande Jornal. Universidade e você. A educação mais perto de você. Boa tarde Cícero Dantas e JB. Boa tarde para a UNA Kelly e João Pedro que fazem a participação especial de hoje. E boa tarde para vocês, nossos queridos ouvintes.
que sempre nos acompanham aqui na Rádio Sucesso FM 104.9. E boa tarde para o nosso convidado de hoje, o André Cruz, que é psicólogo, professor.
com formação em filosofia, história e teologia, pós-graduado em ética, em neuropsicologia e psicologia analítica e com mestrado em educação. O André hoje estará falando um pouco sobre o Abril Azul, autismo, diversidade e inclusão. André.
Boa tarde, conte para o nosso ouvinte qual é o papel do psicólogo no diagnóstico e acompanhamento das pessoas com transtorno do espectro autista. Olá, eu sou André Cruz, sou de Minas Gerais, estou há 10 anos em Teixeira de Freitas como professor e psicólogo. Minha formação inicial é filosofia, história, teologia.
pós-graduado em ética, posteriormente mestrado em educação brasileira pela Universidade Federal de Uberlândia, também sou pesquisador de várias organizações no campo da cultura, no campo da história das ideias, no campo da espiritualidade e cristianismo.
espiritualidade afro-indígena brasileira. Sou psicólogo, pós-graduado em neuropsicologia, pós-graduado em psicologia analítica. Atualmente trabalho no Instituto Francisco de Assis, IFA FASB.
E na clínica Espaço do Ser, com a psicologia clínica, atendendo de adolescentes até a maturidade, ou seja, todas as faixas etárias. O psicólogo tem um papel fundamental tanto na avaliação quanto no acompanhamento contínuo da pessoa com o transtorno. Então, no processo diagnóstico...
Ele realiza avaliação cuidadosa do desenvolvimento. Para ser bem sucinto, observando aspectos como comunicação, interação social, padrões de comportamento, funcionamento emocional e cognitivo. Lembrando que esse trabalho sempre tem que ser feito dentro de uma equipe multiprofissional, para garantir segurança e precisão.
E também, jamais um psicólogo pode dar um diagnóstico sozinho, sempre acompanhado dessa equipe.
Mas aqui também é importante fazer um alerta muito necessário. Prestem bem atenção nessa questão que eu vou falar agora. Nem todo comportamento diferente, introspectivo ou rígido é autismo. Por que estou salientando essa questão? Nós vivemos hoje um momento em que há uma tendência de patologizar traços da personalidade humana, como timidez, necessidade de rotina, dificuldade social ou preferência por isolamento.
Então, cuidado, é um risco trazer esses traços para a patologização. O papel ético do psicólogo é justamente diferenciar o que é um transtorno do neurodesenvolvimento e o que são variações naturais da personalidade.
Um diagnóstico de autismo exige critérios técnicos bem definidos. Atentem-se a isso. Enfim, não pode ser feito de forma precipitada, superficial ou baseado apenas em identificação com conteúdos de redes sociais, que, infelizmente, muitos desses conteúdos ainda fazem um desserviço à saúde mental.
André, de que forma o Abril Azul pode contribuir para a conscientização e inclusão das pessoas com autismo na sociedade? Vamos lá na história um pouquinho. O movimento que deu origem ao Abril Azul está ligado a uma iniciativa internacional. Se não me engano, 2007, 2008, foi instituído pela ONU, Organização das Nações Unidas.
como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, e que se tornou o mês. Esse movimento é essencial porque ele traz visibilidade ao autismo. Ele vai ajudar a informar a população para combater mitos e desinformação, vai estimular o diagnóstico precoce, vai promover empatia e respeito às diferenças, pressionar por políticas públicas mais inclusivas.
Então, mais do que uma campanha, na verdade, o Abril Azul é um convite para que todos nós, dentro da sociedade, compreendam que o autismo não é uma doença a ser curada, porque não há cura, mas é uma condição do neurodesenvolvimento que vai exigir compreensão, adaptação e inclusão. Ou seja, é um modo de ser, diríamos assim, em termos existenciais, tá? Porque temos que...
se colocar além dessa ideia de normalidade como padrão único para todos. Então, o que é o autismo? O autismo nada mais é do que um modo de ser e que precisa de um acompanhamento mais dedicado, delicado e sensível. André, quais são os principais desafios enfrentados por pessoas com autismo e suas famílias no Brasil?
Vamos só lembrar que esses desafios ligados à saúde mental ocorrem em todo o mundo. E o Brasil faz parte desse contexto. Então, no país, os desafios ainda são muito significativos. Diagnóstico tardio, especialmente em regiões com menos acesso a serviço especializado, dificuldade de acesso a tratamento adequado, principalmente pelo sistema mônico de saúde.
A inclusão escolar ainda frágil, com falta de preparo de instituições e profissionais, as escolas têm uma grande dificuldade. Preconceito e desinformação social que leva à exclusão, talvez esse seja o principal. Sobrecarga familiar, sobretudo das mães, que frequentemente é elas que assumem a maior parte do cuidado.
Além disso, também muitas famílias enfrentam dificuldades financeiras e emocionais, o que torna essencial essa rede de apoio mais estruturada. E atentar a essa questão é muito importante. Há papel da família. A família sofre igual ou pior do que...
o filho, então essa família também precisa desse apoio. Portanto, eu reitero isso aí sempre, como educador e como psicólogo. Para melhorar a saúde, especialmente a saúde mental, a sociedade tem que lutar para a defesa do SUS, sua expansão e atuação no território brasileiro. Só com a política pública isso é possível, do qual a iniciativa privada não tem condição de exercer esse papel.
André, de que forma o psicólogo pode ajudar a reduzir o estigma e o capacitismo em relação ao autismo? Vamos esclarecer essa palavra capacitismo para os nossos ouvintes. Capacitismo é o preconceito e a discriminação contra pessoas com deficiência, baseado na ideia de que existe um padrão normal de corpo ou mente.
e que quem foge desse padrão é inferior, menos capaz ou precisa ser corrigido. Nesse contexto, os psicólogos têm um papel ético-social importante na transformação da cultura e na luta contra qualquer forma de preconceito, porque eles podem promover psicoeducação, explicando o que é o autismo de forma clara, desconstruir ideias equivocadas como a noção de incapacidade.
valorizar as potencialidades e individualidades da pessoa autista, orientar as famílias, escola, empresa, sobre práticas inclusivas e atuar em espaços públicos e na mídia, como agora, inclusive, nós estamos participando desse movimento. Então, combater o capacitismo é reconhecer que a pessoa autista não precisa se encaixar em um padrão, mas...
que a sociedade precisa se tornar mais acessível e diversa, e compreender o diferente. André, quais são as estratégias mais eficazes para ajudar a inclusão de pessoas com autismo em ambientes educacionais e profissionais?
Vale lembrar que a inclusão real vai exigir adaptação dos respectivos ambientes, não da pessoa apenas. Algumas estratégias são fundamentais. Vamos falar primeiro da educação. Uso de rotina estruturada e previsível, adaptação de linguagem e métodos de ensino, apoio individualizado quando for necessário.
Formação continuada de professores e de outros agentes envolvidos dentro da escola ou da educação de um modo geral. Valorização das habilidades específicas do aluno. No trabalho, ambiente com menor sobrecarga sensorial, quando for necessário. Comunicação clara e objetiva. Definição estruturada de tarefas.
uma cultura organizacional da empresa que seja inclusiva, reconhecimento das competências, muitas vezes ligadas à atenção, a detalhes, foco e sistematização, porque é nesse padrão que o autista funciona. Então, a inclusão ocorre quando há realmente um acolhimento das diferenças e flexibilização de estruturas.
E agora eu tenho duas mensagens. Primeiro para o psicólogo, que eu chamo a atenção, como professor e como profissional. O papel do psicólogo é duplo, cuidar com a responsabilidade de quem precisa de suporte e ao mesmo tempo evitar diagnósticos indevidos que possam aprisionar a pessoa em rótulos. E a segunda mensagem é para a comunidade, psicólogos e os outros envolvidos na saúde.
Nem toda diferença é doença, lembrem disso. E quando a gente patologiza a vida, corre o risco de adoecer a própria sociedade. Abraços. E o João Pedro trazendo mais uma campanha do mês de abril. Boa tarde, João. Boa tarde, Neinha, e boa tarde, ouvintes. O mês de abril é marcado pela cor verde para lembrar uma causa fundamental, a saúde e segurança no trabalho.
Nessa campanha surgiu em memória às vítimas de acidentes e doenças ocupacionais e tem como referência o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado no dia 28 de abril.
O Abril Verde busca conscientizar trabalhadores, empresas e a sociedade sobre a importância de ambientes laborais mais seguros. Acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, como lesões por esforço repetitivo, problemas respiratórios, auditivos e até questões de saúde mental, podem ser prevenidos com medidas simples. Uso de equipamentos de proteção, treinamentos adequados e respeito às normas de segurança.
Mais do que reduzir riscos, o Abril Verde é um convite à valorização da vida. Cada trabalhador merece exercer sua função em condições dignas, sem colocar sua saúde em perigo. A campanha reforça que segurança não é custo, mas investimento em bem-estar, produtividade e humanidade.
Celebrar o Abril Verde é assumir um compromisso coletivo, proteger vidas, promover ambientes saudáveis e construir uma cultura de prevenção. E quando cuidamos da saúde no trabalho, cuidamos também da sociedade inteira.
E assim finalizamos mais um quadro, Universidade e você. Agradeço a participação do psicólogo André Cruz, onde esteve falando um pouco sobre esta campanha de grande importância, o Abril Azul, Autismo, Diversidade e Inclusão. André.
Nós do grupo de pesquisa ECOEM, vinculados à Universidade Federal do Sul da Bahia, daqui de Teixeira de Freitas, te agradecemos por ter participado do nosso quadro e desejamos muito sucesso em sua carreira profissional. E agradeço também a atenção dos nossos queridos ouvintes. Desejo a todos um bom final de semana.
E na semana que vem estaremos aqui, se assim Deus nos permitir. Um beijo no coração de todos e até a próxima semana. Esta é uma atividade vinculada ao grupo de estudos e pesquisas em ecossistemas comunicacionais e as tecnologias da inteligência.
E comem. Você acabou de ouvir O Grande Jornal, um jornal completo, imparcial e interativo. O seu encontro diário com a informação. O Grande Jornal. Apresentação Cícero Dantas. Direção Geral, Leco Gomes.