Episódios de ECOEM

Maternidade Atípica: Inclusão não é favor, é direito!

08 de maio de 20269min
0:00 / 9:26

Convidada: Larissa Aragão (Aluna de Engenharia Civil da UFSB)

Participantes neste episódio4
A

Audineia

Host
C

Cícero Dantas

Host
L

Leco Gomes

Host
L

Larissa Aragão

ConvidadoAluna de Engenharia Civil
Assuntos3
  • Transtorno do Espectro AutistaDescoberta e diagnóstico de autismo · Importância do diagnóstico precoce e terapias · Aceitação e dificuldades no processo · Rotina e desafios diários · Direito à terapia e filas de espera
  • Autismo e Ensino SuperiorEnxergar o mundo com sensibilidade e menos pressa · Valorização de pequenas conquistas · Diversas formas de amar, comunicar e ser feliz · Respeito, paciência e empatia
  • Comunidade e Rede de ApoioImportância do apoio familiar e de amigos · Desafios com a sociedade e preconceito · Experiências de recusa de serviços (Uber, fonoaudiólogo) · A necessidade de acolhimento das diferenças
Transcrição25 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Agora no Grande Jornal. Universidade e você. A educação mais perto de você.

Boa tarde, Cícero Dantas e JB. E boa tarde para vocês, nossos queridos ouvintes, que sempre nos acompanham aqui na rádio Sucesso FM 104.9. E boa tarde para a nossa convidada de hoje, a Larissa Aragão, que é estudante do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Sul da Baía de Teixeira de Freitas, que estará falando um pouco sobre maternidade atípica.

Inclusão não é favor, é direito. Larissa, conte para os nossos ouvintes um pouco sobre a descoberta. Como foi para você o processo desde os primeiros sinais até o diagnóstico? E o que mais te marcou nesta trajetória?

Boa tarde, ouvintes da Rádio Sucesso. Boa tarde, Audineia. Primeiramente, agradeço a oportunidade de estar aqui falando de um assunto tão importante como esse. Sobre o meu caso, em específico, sobre a descoberta dos meus filhos, que eu tenho dois, eu acho que a parte mais difícil foi aceitar. Eu acho que a parte mais difícil da manhã típica é a aceitação, aceitar que o filho é autista, que realmente é aquilo.

Eu tive bastante dificuldade em aceitar, inclusive eu só fui correr atrás de terapias para o meu primeiro filho, porque o meu segundo filho foi diagnosticado. E uma coisa que eu recomendo muito às mães, que nos primeiros sinais de autismo, é procurar uma consulta com o neuropediatra, que é muito importante que as terapias se iniciem desde o início do diagnóstico de autismo, para ter um resultado bom.

Eu me sinto até meio mal por ter negligenciado o meu primeiro filho de não ter acreditado, não ter aceitado, porque hoje ele tem 9 anos e se ele tivesse a terapia desde o início de um diagnóstico cedo, seria diferente. Assim como eu tive o diagnóstico do meu segundo filho aos 2 anos de idade e com as terapias ele veio a melhorar.

bastante comportamento, autoagressão, todas essas coisas. E uma coisa que eu recomendo para as mães é que aceite. Qualquer sinal de autismo, procure consulta, procure ajuda, porque o mais importante é que inicie a terapia assim que tem o diagnóstico de autismo. E é muito importante em qualquer sinal de autismo que você procure uma consulta com o neuropediatra. E aceite, gente.

Aceite porque é muito importante para a criança as terapias. Larissa, sobre a rotina, como é um dia típico de vocês e quais são os maiores desafios e as maiores conquistas na rotina com o seu filho?

Hoje em dia a rotina entre eu e os meus filhos não é tão puxada, porque no momento nenhum dos meus filhos estão fazendo terapia, mesmo que por direito da criança. Eu me encontro na fila de espera do C4 há quase três anos, com um processo no Ministério Público há quase três anos para conseguir essa terapia. Mesmo que direito, eu tive que entrar com o processo, porque é muito difícil de conseguir.

E hoje em dia, só um filho meu estuda, porém a escola tem a sala de recurso, o que eu acho muito importante para as crianças atípicas. Eu estudo, faço estágio, mas o que é mais importante que é as terapias, nada, né? Porque com as terapias, melhora o comportamento, melhora a autoagressão, melhora o incômodo com barulho, né?

E isso é uma coisa que, no momento, eles não estão tendo. Larissa, abordando um pouco sobre aprendizado, o que o seu filho te ensina que mudou a sua forma de ver o mundo?

Com o autismo dos meus filhos, eu aprendi a enxergar o mundo com a sensibilidade, sabe? Menospressa. Eu aprendi que cada conquista, por menor que pareça aos olhos dos outros, sabe? Carrega uma força imensa. Os meus filhos me ensinaram que existem várias formas de amar, de se comunicar, de ser feliz. Sabe? Que nenhuma delas é uma forma errada, uma forma certa.

Como eles eu entendi o respeito, a paciência, a empatia, não só com as palavras, mas com as atitudes diárias. Porque o autismo não limita os meus filhos. Ele só releva o quanto o mundo ainda precisa aprender a acolher as diferenças.

Larissa, falando um pouco sobre rede de apoio, que tipo de apoio fez diferença para vocês? Como, por exemplo, da família, escola, terapias ou amigos? O que você ainda sente falta? Então, Aldineia, graças a Deus, apoio, eu tenho muito o da minha mãe e das minhas irmãs. O pai dos meus filhos atualmente não mora na mesma cidade que eu, então vem com muita pouca frequência. Nui

e eu acho muito importante o apoio, porque o apoio ali é a sua base pra você aguentar firme, sabe? Porque o autismo, quando você tem o diagnóstico, meio que você fica ali desorientada, sem saber o que fazer, qual o primeiro passo que você vai tomar, sabe? Você fica perdida, e o apoio é necessário pra isso, né?

Eu tive o apoio da minha família, tanto a minha mãe, minha irmã, como eu disse, quanto os parentes paternos, como a avó dele, por parte de pai e a tia. Eu fui muito necessário nesse momento, me apoiou muito.

Os meus amigos são uma rede de apoio muito grande, eu tenho dois amigos da universidade para a vida, eu até brinco com isso porque muitas vezes eu não tive babá, como você deve imaginar, nem toda babá quer tomar conta de uma criança com diagnóstico de autismo, e os meus amigos falavam, não, traz para a faculdade que a gente ajuda a cuidar e tudo, e eu acho isso muito importante, essa rede de apoio.

Mas o que eu mais sinto falta mesmo nisso tudo é da sociedade, porque hoje em dia tem muito preconceito. Eu já passei por muitos momentos constrangedor, inclusive para a criança, mesmo que ela está ali sem entender, eu acho meio que constrangedor para a criança, como já teve Uber que não quis aceitar a corrida, quando chegou no momento viu que era uma criança autista, falou que ia sujar o carro, não quis levar.

Já consegui uma fone diólogo que chegou no momento da consulta, falou que não atendia criança autista. E acaba que você se sente mal, não só por você, mas pela criança também. E a rede de apoio meio que, naquele momento que te apoia no momento que você mais precisa, eu acho muito importante esse ciclo de rede de apoio, independente de quem venha esse apoio.

Larissa, qual reflexão você gostaria de deixar para todas as pessoas da sociedade sobre o autismo para derrubar preconceitos? E o recado final que eu quero deixar para todos, para toda a sociedade, é que não só meus filhos, mas todo autista não precisa se encaixar no mundo. É o mundo que precisa respeitar quem é diferente, porque o autismo não é uma falta de educação.

É uma forma diferente de sentir, de viver o mundo, né? E respeitar não é uma opção, é uma obrigação que todos nós temos, é de respeitar quem é diferente. Eu agradeço o convite de estar participando do quadro Universidade. Agradeço a você, Aldineia. Agradeço a atenção de todos os ouvintes da Rádio Sucesso.

E assim finalizamos mais um quadro Universidade e Você. Agradeço a estudante do curso de Engenharia Civil, a Larissa Aragão, que esteve falando um pouco sobre maternidade atípica. Inclusão não é favor, é direito. Incluir é enxergar além das diferenças. É abrir espaço, dar voz e criar...

Pontes onde haviam muros. Ninguém cresce sozinho. Todos precisamos pertencer. E quando incluímos, o mundo fica menos solitário e mais humano. Inclusão não é favor, é direito. É amor na prática. E nós do grupo de pesquisa ECOIN apoiamos esta causa.

E agradeço também a atenção dos nossos queridos ouvintes. Desejo a todos um bom final de semana e na semana que vem estaremos aqui, se assim Deus nos permitir. Um beijo no coração de todos e até a próxima semana. Esta é uma atividade vinculada ao grupo de estudos e pesquisas em ecossistemas comunicacionais e as tecnologias da inteligência.

E comem. Você acabou de ouvir O Grande Jornal, um jornal completo, imparcial e interativo. O seu encontro diário com a informação. O Grande Jornal, apresentação Cícero Dantas. Direção-Geral, Leco Gomes.

Anunciantes2

O Grande Jornal

external

Rádio Sucesso FM

external
Maternidade Atípica: Inclusão não é favor, é direito! | Castnews Index — Castnews Index