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COMO CONSEGUIR RESPOSTAS QUE NINGUÉM CONSEGUE? | Rogério Vilela (Inteligência Limitada) #147

24 de junho de 20261h19min
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Quer aprender a extrair respostas que ninguém mais consegue? Neste episódio do CVFI direto da Trinca House em Orlando, Caio Carneiro recebe Rogério Vilela, criador do Inteligência Limitada, o maior podcast do Brasil, para revelar o método que faz qualquer pessoa se abrir de verdade em qualquer conversa.

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Podcast: Inteligência Limitada


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Assuntos5
  • Técnicas de extração e recuperação de dadosAmbiente acolhedor · Ser um bom ouvinte · Dar tempo para o convidado pensar · Presente inútil como quebra-gelo · Estudo aprofundado do convidado · Perguntas finais sobre morte e legado · Feeling e técnica na entrevista · Atenção às expressões faciais e linguagem corporal
  • Produção de PodcastsCriação durante a pandemia · Estratégia de cortes e monetização · Diferenciação pelo cenário e profundidade · Podcast temático e debates · Impacto e audiência
  • Interações e dinâmicas do podcastPico durante a pandemia · Competição por tempo e atenção · Adaptação para temas e debates · Dificuldade para novos podcasts generalistas · Tendência para nicho e transformação em TV · Transmissões ao vivo e Smart TVs
  • Stand-up ComedyA arte de fazer rir a cada 15 segundos · Diferença entre comediante e improvisador · Uso do improviso no podcast · Aprender com os erros e aprimorar
  • Proposito e Planejamento de VidaA vida não está nem aí para o planejamento · A importância de se adaptar e abraçar o inesperado · O conceito de "turista da própria vida" · A superação da timidez e o medo de se expor · A importância de concursos e oportunidades · A busca por um propósito e a diferença que se pode fazer
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CCCaio Carneiro

Fala pessoal, sejam todos muito bem-vindos a um episódio muito especial do Como Você Fez Isso, diretamente dos Estados Unidos, no meio da Copa do Mundo. E tô num episódio muito especial, no lugar muito especial, a gente tá na Trinca House aqui junto com a CBF, a casa de experiências da Trinca durante a Copa do Mundo junto com a CBF. E a gente muito feliz, e eu principalmente, por estar fazendo uma entrevista com um cara que eu adoro muito, uma pessoa querida que eu me tornei rapidamente super fã, já acompanhava o trabalho dele, tá sendo uma experiência muito legal.

Que eu tô podendo curtir e trabalhar com ele junto na experiência da Copa do Mundo. Eu recebo aqui o Vilela e obviamente eu vou fazer um pouco diferente. Vilela, como está?

RVRogério Vilela

No fundo de um campo de futebol, ao ar livre.

CCCaio Carneiro

Eu queria que você se apresentasse para nossa audiência, e porque eu sei que obviamente a galera que acompanha podcast com toda certeza já foi impactada pela Inteligência Limitada, na minha opinião, maior podcast do Brasil.

RVRogério Vilela

Obrigado, obrigado.

CCCaio Carneiro

Gosto muito do seu trabalho. Eu queria muito que você se apresentasse para a galera do Como Você Fez Isso.

RVRogério Vilela

Na opinião da minha mãe, também é o melhor podcast do planeta. Sou Rogério Villela, sou desenhista, ilustrador, artista plástico, dublador, ator e aeromoça.

CCCaio Carneiro

Caramba, hein, esse cara é versátil.

RVRogério Vilela

Ah, e podcaster, né, atualmente podcaster.

CCCaio Carneiro

E para a gente começar o papo, só que obviamente a gente tá num podcast, então eu não poderia deixar de fazer essa pergunta: por que você escolheu podcast?

RVRogério Vilela

Cara, a escolha do podcast foi meio que por acaso assim, foi pandemia. Eu tinha na época uma carreira de comediante stand-up há uns 10, 12 anos já. Veio a pandemia em 2020 e em poucos meses, em poucos dias, todos os shows caíram, todos os shows com empresa, todos os shows marcados em teatros caíram porque ninguém sabia quando ia voltar aglomeração de público. E aí foi passando 15 dias, um mês, dois meses, e aí fala: o que que eu vou fazer?

Não posso ficar parado, eu sou muito inquieto. Aí eu aproveitei que eu tinha um porão lá em casa onde eu gravava alguns conteúdos de humor, transformei em estúdio de podcast e comecei fazendo. Já tinha uma onda já de alguns podcasts fazendo, eu participei de um como convidado, tá? Perguntei lá para os caras, falei: meu, como que é? Ah, coloca uma mesa, um microfone, "É, faz a live assim, faz um canal de cortes." "Ah, é assim? É fácil?" Então beleza.

Conversar com as pessoas eu já estava acostumado. As pessoas sempre se aproximaram de mim, mesmo eu sendo mais novo do que elas. Não sei por que as pessoas abriam a vida, pediam conselho. Sempre fui um cara muito bom de escutar, de analisar o que as pessoas falam. Então acho que isso ajudou muito na hora de começar o podcast. E como eu tinha bastante contato, né, por causa do humor, da comédia, pessoal de televisão, pessoal da comédia, atores, alguns artistas, desenhistas e tal.

Comecei a fazer o podcast e ele deu certo muito rápido. Para mim foi lento, mas olhando para trás foi muito rápido. Menos de um ano assim já tinha estourado.

CCCaio Carneiro

Qual o tamanho do Inteligência Limitada, para a galera ter uma noção do impacto do Inteligência também?

RVRogério Vilela

A gente faz 2 milhões de views por dia só nos nossos canais oficiais. Fora, se a gente for colocar todo mundo que reposta corte, você multiplica por 50, por 100, cara. É muito canal que a gente libera para o pessoal colocar cortes e trechos da entrevista. Isso foi uma estratégia que desde o começo deu certo, né? Pessoal monetiza, ganha o dinheirinho deles, e ao mesmo tempo a obrigação é só colocar o link da entrevista completa e falar e dar o crédito, né?

Então acaba virando de um jeito que você entrar na internet e você der busca sobre um assunto ou uma pessoa, dificilmente não vai aparecer um corte dos nossos canais ou de algum canal que que pegou um trecho, né?

CCCaio Carneiro

E o cenário é bem emblemático também, né?

RVRogério Vilela

Isso foi uma preocupação da gente.

CCCaio Carneiro

Você pensou nisso?

RVRogério Vilela

Pensei, porque na época era, cara, era padrão: 2 caras entrevistando, uma televisão de fundo, uma cortina e uma mesa. Isso era todos os podcasts da época que estavam fazendo sucesso. E eu pensei, cara, como que eu me destaco de cara assim? O pessoal olhar, ver que é um podcast, mas é diferente pelo cenário, uma pessoa só entrevistando entrevistas mais longas, mais profundas. O que estava fazendo sucesso na época era um papo solto de bar, sem muito objetivo, vai trocando ideia e descobrindo o convidado durante o papo.

Não era o que eu queria, eu queria realmente uma conversa que impactasse as pessoas, que o convidado saísse muito satisfeito, como se fosse a melhor entrevista da vida dele, que fosse um panorama realmente, uma homenagem àquela pessoa, e que o pessoal de casa durante 2, 3, 4 horas tivesse uma noção do que é o vídeo daquela pessoa e não só uma fotografia, porque normalmente a gente conhece as pessoas por fotografia, né? Você viu uma entrevista, você viu um tweet, você viu uma manchete, uma frase que a pessoa falou, você gostou, não gostou, você já odeia ou você ama, e de repente você vê aquela pessoa durante 3, 4 horas abrindo o coração Você vê que ela passou umas dificuldades como você, ela perdeu o pai, ou ela foi mandada embora, ela teve medo.

E aí isso aproximou muito as pessoas daquelas celebridades ou pessoas famosas que elas achavam que conheciam. Então isso rapidamente fez muito sucesso. Além disso, eu percebi que uma hora esses convidados iam ficar rodando muitos podcasts e ia enjoar um pouco. Então desde o primeiro ano do podcast Eu comecei a fazer podcasts temáticos, ou seja, o tema é mais importante do que os convidados. Ou seja, eu pego um tema, o tema é fim do mundo, o tema é futebol, o tema é democracia, Guerra do Vietnã, chamo especialistas e o tema é a atração.

Isso começou a dar muito certo. Eu comecei também a fazer debates que ninguém fazia, trazer pessoas com ideias diversas para debater no podcast. E aí rapidamente a gente atingiu o topo, assim, hoje a gente é o maior podcast em número de views, de relevância. De premiação, de tudo assim, cara.

CCCaio Carneiro

Meu podcast chama Como Você Fez Isso. Ele começa então, um papo sempre a partir de um como. Eu trouxe principalmente esse título, gosto de reforçar para os convidados. É muito bom esse título, porque como é a palavra mais buscada na internet, né?

RVRogério Vilela

Como alguma coisa. Agora eu vim daqui com um Cybertruck, chegou uma hora que fala assim: como desligar o pisca-alerta do Cybertruck? Coloquei na IA, porque Cara, começou, ligou do nada o pisca-alerta e eu não achava. Um carro totalmente automático, ele dirigindo sozinho. Aí fica em cima do retrovisor, fui lá. Então o como com certeza é.

CCCaio Carneiro

E eu acho que o como que eu trouxe para o nosso papo tem a ver com Copa do Mundo, que o objetivo da Copa do Mundo é todo time extrair o seu melhor aqui naquele momento, né? Antes não adianta você chegar favorito para chegar no momento. E aqui tem que extrair agora. É como se o time tá gravando um podcast, bicho. Não importa sua história, que você arrasou no podcast passado.

RVRogério Vilela

Você devia ter falado isso, não devia ter feito aquilo.

CCCaio Carneiro

E você masterizou, porque, bicho, você tem que tirar o melhor daquele convidado em sei lá quantas horas. Então você masterizou um jeito. Como é que você faz para tirar o melhor do outro numa entrevista? Porque eu acho que muita gente tá ouvindo a gente agora vai pegar várias sacadas, porque você tem uma função, você tem que espremer a laranja ali, né? Então já deve ter laranja mais fácil, mais difícil, mas como foi a sua lógica de ser?

Para mim, você é um baita de um perguntador profissional, entendeu? Então você teve que desenvolver essa habilidade, né?

RVRogério Vilela

Eu acho que são 3 coisas. O ambiente ajuda, ou seja, o ambiente que nem esse daqui é o que eu tenho lá em casa. Você não vai para lá e encontra um estúdio de televisão, você não vai para um prédio de negócios ou não vai para uma TV e tem um monte de funcionário, tem um monte de luzes, e você fala, tá, é uma entrevista profissional.

CCCaio Carneiro

Você acha que inibe?

RVRogério Vilela

Não é que inibe, a pessoa ela se liga que ela tem que render naquela entrevista. Eu não quero isso, eu não quero que a pessoa vai lá pensando em performar. Putz, cara, eu tenho, é uma entrevista, vai estar valendo, vai estar o Brasil inteiro vendo, o mundo inteiro vendo. Eu não, eu quero que a pessoa se sinta em casa. Então é na minha casa, então o ambiente já é caseiro. As pessoas têm todo o ambiente para receber essa pessoa, tem um vídeo da pessoa logo na entrada passando com as fotos dela, tem um telão lá com uma imagem dela também, tem todo um catering.

Os funcionários, o pessoal que trabalha lá, é todo preparado para receber essa pessoa da melhor forma. O ambiente todo é muito aconchegante, pouca luz. É um ambiente que você realmente se sente em casa e em algum momento você esquece que aquilo é um estúdio. Parece realmente uma locação, um cenário de casa, de um porão e tal. Isso é a primeira coisa. Segunda coisa: ser um bom ouvinte, né, cara? É, a pessoa vê, ela sabe quando você tá prestando atenção no que ela tá falando ou quando você tá pensando na próxima pergunta.

Ela sabe. Uma coisa é você tá assim na pessoa, não é mesmo, cara, não sei o quê e tal, e você tá vivo. E outra coisa é você só esperando ela terminar para você fazer a pergunta. Ela sabe que ela tem que terminar logo porque você já tá querendo fazer uma pergunta. Então eu acho que o fato de relaxar Toma o seu tempo. Por exemplo, você pega o Clóvis de Barros, ele tem respiros, tem pausas. Não corta o cara. A liberdade, para mim, Vilela, liberdade.

Se você fica tenso, fala: "Cara, o que é liberdade, cara? Me fala o que é liberdade." Não, deixa o cara, é o tempo dele, ele tá pensando. Você vê o cérebro dele funcionando, ele tá buscando na memória, tá buscando no que ele leu, no que ele escreveu. Então eu aprendi a dar o tempo da pessoa. E no começo não era assim, no começo eu era ansioso, eu achava que era um programa de rádio. Fala, pô, não pode ter silêncio, tipo condução ali na máxima, senão a pessoa vai desligar, vai mudar.

E hoje eu penso, não, cara, o ideal é, cara, ir no ritmo da pessoa. Essa pessoa agitada, você entra nela, é mesmo, cara, como foi? Não, não acredito, você fez isso, cara? Então assim, é uma dança. A pessoa quer dançar rock, quer dançar valsa, eu conduzo o que a pessoa tá a fim de dançar. É uma dança dos famosos onde eu tô conduzindo, a pessoa escolhe o que ela quer dançar e eu só não pisar no pé dela. No começo, antes da conversa, sempre perguntei alguma coisa que você não queira falar.

A pessoa fala: putz, não fala da minha separação, não fala sobre política, não quero falar sobre tal coisa. Beleza, e aí a gente começa. E aí a pessoa tá tranquila que você não vai primeiro perguntar alguma coisa. E a maioria fala que pode perguntar tudo, tá, mas algumas pessoas não querem falar sobre alguma coisa. E aí a pessoa sabe que você não vai tocar em assunto sensível, sabe que você tá parecendo atenção na conversa realmente, não tem tempo para acabar.

Porque em TV normalmente tem isso, ó, a gente vai ter meia hora de estúdio, vai ter uma hora, tá? Tem uma pré-entrevista normalmente quando você vai no talk show para você render o máximo, eles pegam as melhores histórias. Aqui não, eu vou meio que entendendo a pessoa. Uma hora normalmente é só para esquentar a conversa. Pô, e a terceira coisa é o lance de, da, do presente inútil, cara. O fato da pessoa trazer um presente para mim me obriga a não ter que pensar na primeira pergunta.

CCCaio Carneiro

Cara, eu trouxe um livro meu quando eu fui lá. Que errada que eu fiz!

RVRogério Vilela

Não, mas tranquilo.

CCCaio Carneiro

Eu compreendi, eu sei que era um presente.

RVRogério Vilela

O pessoal até tirou barato, né? Tá falando que é inútil.

CCCaio Carneiro

Gente, ele tem uma dinâmica muito legal. Todo mundo que vai no podcast tem que trazer um presente inútil para deixar no cenário, para deixar pendurado. E eu não entendi isso que o time passou. Eu sei lá, tava com a cabeça— eu fui lá, pô, legal, trouxe um livro meu. Aí qual "O que que é um presente inútil?" Eu falei: "Puta, cara, eu trouxe meu livro, eu não sei..." Mas eu coloquei ele como peso de porta, então ele tá inútil.

RVRogério Vilela

Brincadeira, brincadeira. Mas é tranquilo, às vezes as pessoas compram...

CCCaio Carneiro

E qual que é a lógica do peso inútil? Do peso inútil não, né? Do presente inútil.

RVRogério Vilela

Do presente inútil. A lógica é o seguinte: se eu não tivesse o presente inútil, eu ia ter que... Como que eu vou começar a conversa? Eu ia ter que pensar na primeira pergunta. Ou seja, a primeira pergunta já seria mecânica. Como tem presente inútil, o assunto começa do presente inútil.

CCCaio Carneiro

Por que que ele escolheu aquilo?

RVRogério Vilela

É, você levou o livro, a gente já faz uma brincadeira: "Não, cara, é um presente inútil." Foi engraçado, né, pô? "O rei e tal." Já começa o papo por aí. Se o cara leva uma máquina de escrever: "O que que é essa máquina?" "Putz, foi a primeira máquina que eu ganhei do meu pai." Conta a história. E aí já começou, você entendeu? Eu entro na história da pessoa sem ela perceber, por causa do presente que teve um significado para ela.

Ela tá deixando para mim. "Pô, você vai deixar esse cartão de crédito?" "É, estourei esse cartão de crédito, quebrei ele, trouxe um pedaço para você, porque eu já fui duro e agora tô ganhando dinheiro." Cara, olha aqui, olha que chance de você começar um assunto por isso. Cara, você já quebrou? Não acredito, cara. Hoje você é milionário, você faz o quê? E aí começa o papo. Se eu não tivesse o presente inútil, eu ia ter que pensar, tá, então vamos lá, primeira pergunta.

E eu não quero isso, eu quero que seja totalmente livre. Eu estudo muito o convidado.

CCCaio Carneiro

Você estuda o convidado?

RVRogério Vilela

Estudo muito, muito, muito.

CCCaio Carneiro

O que é estudar o convidado?

RVRogério Vilela

É saber o básico e saber algumas coisas muito interessantes da vida dele que ou ele contou pouco ou que pouca gente sabe. Para as coisas básicas, eu tenho um palteiro. Ele me faz uma pauta e essa pauta eu deixo para ler mais ou menos meia hora antes do programa, para ficar fresco. A minha pesquisa eu faço no dia anterior. Então vou te entrevistar, vou ver vídeo seu, vou ver entrevista, vou ver alguns cortes, vou ver alguma coisa que você falou.

Pô, passei vergonha em tal coisa. Ah, fiz tal aula, não sei o quê. Pô, isso era legal se ele contasse melhor essa história, se ele desenvolvesse mais isso. Isso daqui bate com uma história que eu tenho, eu junto com uma história minha. Então Essa pesquisa minha serve para eu me colocar no papel da pessoa. E essa pauta que eu faço com o palteiro serve para eu passar. É aquele "Bate nasceu", "Onde estudou", "O que fez", "Onde trabalhou" e tal.

Vai e eu desligo aquilo lá. Não fico com o celular com a pauta. Eu esqueço momentaneamente, mas no papo, dependendo do que você falar, vai me dar um gatilho e eu vou lembrar. "Você falou do seu pai?" "Ah, tá, o pai dele foi militar." "Ah, seu pai foi militar, né?" E aí pode abrir para outra coisa. E o que eu não lembrar é porque não era para lembrar, porque não era importante. Fica na minha cabeça o que era importante. Então acho que essas três coisas assim: o ambiente, a entrevista ser longa e ter algumas coisas fixas, como o presente inútil e as três perguntas finais, que também elas levam para um para um aprofundamento muito pessoal e mais filosófico, né?

Falar sobre morte, falar sobre legado, falar sobre questionamentos que ela tem até hoje. Então são 3 perguntas finais.

CCCaio Carneiro

Extrair o melhor do outro ao longo da sua fala aqui, da sua fala, é meio que um processo investigativo, né? Como que você sabe que, vou seguir aqui? Ele fala alguma coisa, vou descer aqui.

RVRogério Vilela

É feeling, é técnica, e você vê quando a pessoa quer falar sobre uma coisa e quando não quer. Você vê no rosto da pessoa, por isso que você tem que estar muito atento à expressão da pessoa. Você vê o posicionamento dela, quando você fala alguma palavra ou fala alguma coisa, ela vem pra frente ou ela sorri. E quando você pergunta e ela dá uma desviada, fala: "Não, vou mudar de assunto, ela não quer falar sobre isso, vou falar sobre outra coisa." Às vezes você tem que tocar num assunto sensível, não tem jeito, principalmente com político, e aí você tem que ir pelas beiradas mesmo.

"Você falou sobre economia." A pessoa fala sobre economia. "Mas por que que você deu essa declaração?" Aí você pega um gancho e joga, porque político você tem que cutucar, não tem jeito, principalmente se tiver em campanha. Então é, cara, quanto mais você faz, é que negócio é constância, é aprender. Com certeza, depois de 2 mil entrevistas, eu faço muito melhor entrevista do que quando eu tinha 100 entrevistas.

CCCaio Carneiro

2 mil?

RVRogério Vilela

Mais, né? Porque fiz muito programa especial, né? Mas é a quantidade de estar— hoje em dia eu não fico nervoso por nada assim, nada me dá ansiedade. No começo me dava ansiedade, fala: putz, eu vou entrevistar o, sei lá, o Clóvis de Barros pela primeira vez, ou Pondé, caras que eu admiro muito. Eu ficava assim, cara, tem que render, tem que render essa entrevista. E aí você vai ver a primeira entrevista com Bondé não rendeu tanto porque eu tava muito querendo que ela rendesse.

O cara chegou e falou assim: "Vilela, eu tenho uma hora e meia só, tá?" Isso me trava um pouco. Quando eu sei que tem um tempo limite, uma hora, uma hora e meia, que é difícil porque a gente pede o pessoal pelo menos duas horas, mas quando a pessoa tem um tempo limite já me trava um pouco. Fala: "Puts, eu vou ter que... eu não vou poder então ir experimentando e tal, eu vou ter que ser mais objetivo." E aí trava um pouco. Hoje em dia eu já sei trabalhar melhor com isso.

O Pondé foi lá várias vezes, o Clóvis já foi Cara, umas 6 vezes. Tem um programa semanal lá agora no canal. Então assim, aí eu fico muito mais à vontade hoje em dia porque eu sei que vai render. Eu não tenho mais aquela dúvida, será que? Eu sei que vai render. E render é diferente do que as pessoas entendem, né?

CCCaio Carneiro

De que que é render para você?

RVRogério Vilela

Render é, cara, é você ter uma sensação de aquele momento que você passou com aquela pessoa foi incrivelmente valioso para você. Porque se foi para mim, uau, Vai ser para outras pessoas! Se eu sair daquela— Eu não estou me importando com audiência, eu tô me importando se as pessoas gostariam de saber d'água... Tô me importando o que quero saber porque eu coloco no lugar das pessoas e me colocar num lugar de ignorância em um sentido mais básico mesmo assim: "Eu sei que ele está com uma doença." "Eu sei que..." Ele já falou sobre isso mas vou perguntar sobre falar: Cara é verdade?

Isso mesmo?! E não só aquilo... Aí aparece papapá pápapa... E vai, cara, que incrível! Como que, mesmo que eu saiba, porque senão fica parecendo, pô, e aquele negócio que você falou na outra entrevista? Fala para gente, fica aquele. Aí a pessoa que tá assistindo fala, pô, eu vou ter que assistir outra entrevista para saber o que ele falou e agora ele vai completar?

CCCaio Carneiro

Não, você sempre traz todo mundo na mesma página.

RVRogério Vilela

Eu posso falar com o décimo astrônomo, se ele tocar numa palavra singularidade, o buraco negro, buraco de minhoca, eu vou ter que perguntar o que é buraco de minhoca. Eu vou ter que perguntar o que é singularidade, mesmo já sabendo, porque a pessoa tá assistindo pela primeira vez. Eu não tenho que obrigar ele a assistir os outros 1999 programas para saber o que já foi falado. E é muita, muitas pessoas falam: pô, o Lélio é burro mesmo, já foi um monte de gente, explicou o que é singularidade e ele tá perguntando de novo.

Não é, gente, é que eu tô perguntando para galera. Eu não vou dar também assim: eu já sei o que que é, sim, mas fala para galera o que é singularidade.

CCCaio Carneiro

Que você pergunta com a cabeça do outro, não com a sua. É uma mistura da sua, mas você traz o outro para conversa.

RVRogério Vilela

Quando eu sei do que ele tá falando, mas eu falo, putz, cara, talvez eu há 10 programas atrás não saberia o que ele tá falando, então vou perguntar o que é. Porque mesmo palavra, palavras em inglês, né, a gente às vezes fala, pô, vou dar um feedback, vou pivotar, vou fazer não sei o quê, uns termos muito de empresário e tal, e as pessoas não sabem. Então você tem que fazer esse trabalho para as pessoas. Pessoal tá lavando louça, A pessoa tá dirigindo um Uber, tá no busão, tá treinando na academia, ela quer uma pessoa que conduza ela pela mão.

E o que eu mais ouço é isso: "Pô, Vilela, você se coloca no nosso lugar, parece que as perguntas que você faz são as perguntas que eu faria." Então eu tenho alguns níveis de perguntas, perguntas mais básicas, eu vou me aprofundando, aprofundando, mas eu parto das mais básicas. Às vezes o assunto já começa muito cerebral Eu tenho que dar uns 3 passos para trás.

CCCaio Carneiro

Você se emociona?

RVRogério Vilela

Muito, muito, cara.

CCCaio Carneiro

Muito.

RVRogério Vilela

Para bem e para mal, né? Para riso e para choro. Eu acho que isso é um defeito e uma qualidade. Muita gente acha que eu tenho que estar numa posição neutra para render melhor a entrevista, porque vai me afetar. O que a pessoa está falando vai me afetar. A partir daquilo, a entrevista vai para o outro lado, porque eu me afetei por aquilo. Se a pessoa perdeu um parente, e eu acabei de perder um parente, é óbvio, cara, que vai me afetar.

Eu vou chorar e por um tempo da entrevista isso vai atrapalhar num certo ponto, porque a gente vai conduzir pra isso e depois eu retomo. Por outro lado, a pessoa tá vendo que é um cara humano lá e que talvez ela também se emocionaria lá, cara, e fala: "Pô, eu como Vilela não aguentaria." E eu levo dúvidas pessoais do momento que eu tô passando. Eu acho que isso é o que mais aproxima as pessoas. Dá um exemplo que aconteceu comigo, foi quando o Frei Gilson foi lá, Podcast maravilhoso que viralizou, principalmente esse corte, quando a gente fala sobre silêncio de Deus, né?

Por que Deus para de falar com a gente de repente? Você tem uma conversa com Deus, ele te dá sinais, você sente a presença dele, e de repente parece que no seu pior momento, no momento pior que você está passando, parece que ele silencia. E era um momento que eu estava passando e levei para ele. Então o que ele me falou, ao mesmo tempo serviu para mim, serviu para milhões de pessoas, porque muita gente estava passando por aquilo.

Ou vai passar. Porque eu acredito que o corte aparece para pessoa às vezes quando ela tá procurando. O algoritmo sabe o que você tá sentindo. Se você tá passando por dificuldades, provavelmente ele vai te mandar um corte que fala sobre depressão, que fala sobre angústia, que fala sobre alguma coisa. E aí você vai ter essa sensação de, pô, ainda bem que o Vilela tocou nesse assunto, entendeu? Eu poderia simplesmente não me colocar nessa situação.

Muitas vezes eu tô com psicóloga lá e fala, pô, Vilela tava fazendo uma análise para ele. É isso mesmo. O programa não deixa de ser um caminho meu, um percurso que eu tô fazendo. Eu entregando o que eu sei e as pessoas entregando o que elas têm, porque eu também entrego muita coisa. Quando a pessoa— eu lembro que a pessoa, primeira pessoa falou sobre morte, eu contei uma história que passou comigo, cara. E muita gente, muitas pessoas se colocaram nesse lugar, né?

Que eu falei quando eu fui a primeira vez que eu fui para o México com a minha família. Eu tava conversando com umas pessoas, por que que eles celebram a morte lá, mas por que que tem o Dia da Morte, o Dia dos Mortos e tal. Ele falou que para os mexicanos eles entendem que as pessoas morrem 3 vezes, né, tem 3 mortes, você passa por 3 mortes. A primeira morte é quando você se liga que você vai morrer. Eu lembro exatamente quando eu tive essa sensação, era criança, e alguém falou: "Você vai morrer, seus pais vão morrer, todo mundo aqui vai morrer." E eu tive essa sensação da finitude.

Até então você não sabe, você não entende isso. Essa é a primeira morte que você passa: eu sei que eu vou morrer, eu sei que tudo isso daqui vai acabar para mim. A segunda morte é a sua morte realmente, quando você morre fisicamente. E aí cada um acredita no que acontece depois. E a terceira morte, para os mexicanos, é quando a última pessoa lembra de você morre. Quando a última pessoa que tinha lembrança de você, que tinha memória de você, vai embora.

Então, enquanto alguém lembra de você, você tá vivo para eles. Por isso que eles celebram a morte, entendeu? É isso que é É poderoso na festa dos caras. Eles celebram a morte dos antepassados para manter eles vivos de alguma forma, porque o momento que o último parente morreu, deixar de lembrar ou não passar a história desse cara para frente, ele vai deixar de existir. E eu tenho esse trabalho no podcast de passar, deixar que essa memória dessa pessoa— pô, sei lá, umas 10, 15 pessoas já passaram pelo meu programa, já morreram.

E tá lá, cara, tá lá. Tudo isso? Ou mais até. Eu entrevisto muita gente, né? Muita gente velha, muita gente que tá doente.

CCCaio Carneiro

É verdade, é verdade.

RVRogério Vilela

E como eu tenho uma das perguntas, são as palavras finais que ela deixaria, muita gente resgata essas palavras finais quando essa pessoa falece. Então, as pessoas vão lá, então as pessoas estão deixando um documento vivo delas e é essa homenagem para alguém lembrar no futuro. Então ela vai se manter viva de alguma forma. Na memória das pessoas, do que ela fez na vida. E eu acho isso muito importante, né? Porque a internet te joga para um lugar de reduzir as coisas para o bem e mal, certo e errado, esquerda e direita, branco e preto.

E tem cinza, tem o talvez, tem o será que é, será que foi assim mesmo, será que é verdade isso? Porra, não foi tão assim. Então eu tento levantar isso e as pessoas estão começando a entender depois de tantos programas. Que eu vou falar com pessoas que elas não gostam, que eu vou falar com pessoas que elas odeiam escutar, e eu vou dar palco. Porque o que eu mais ouço, o que eu mais leio: como você deu palco para esse tipo de pessoa?

CCCaio Carneiro

Você recebe muito disso?

RVRogério Vilela

Muito, muito. Porque eu levo extremos também, né? Eu não levo só o meio. Eu levo um comunista e levo um bolsonarista. Eu levo um cara que fala sobre religião e é super ortodoxo, e leva um cara que prega um amor livre, que prega outra coisa, que é ateu, que não acredita, um satanista. Eu levo todo mundo e falo: "Vilela, você acabou de levar um padre, na semana seguinte você tá levando satanista?" É, eu vou falar com todo mundo.

E eu realmente quero saber por que que ele é satanista, porque o que que é Lúcifer na cabeça desse cara, que que esse cara, por que que ele adora esse cara. Ou para o cristão: "Por que que você, qual foi a experiência que te fez acreditar na vida eterna?" Ou para o espírita: "Por que que você acredita em reencarnação? Por que você acredita nisso?" Eu quero realmente realmente saber porque aquela pessoa acredita naquilo e não na outra coisa.

E a pessoa sabe no que eu acredito, isso não muda em nada. Eu posso ser impactado e já fui, muita coisa aconteceu lá, me fez mudar de opinião ou repensar muita coisa. Porque o lance de você entrar realmente na história e realmente ser sensível é o perigo, você vai mudar de ideia.

CCCaio Carneiro

Você lembra uma opinião recente que você mudou?

RVRogério Vilela

Claro! Sobre cotas, eu mudei minha opinião sobre cotas. Sobre—

CCCaio Carneiro

como você pensava?

RVRogério Vilela

Cara, eu era contra cotas, achava uma coisa que, pô, não precisa, as pessoas, é meritocracia. E aí eu vi tanta gente foi lá, foi beneficiada por isso, as histórias de tanta gente que mudaram por causa disso, e que as cotas não afetam as outras pessoas, que realmente eu achei, não, cara, por um, pelo menos por um bom tempo, tem que ter cotas. Opiniões sobre, principalmente sobre feminismo, sobre a briga das mulheres, a luta das mulheres.

Tem coisa, por exemplo, vou dar um exemplo. Uma comediante me falou logo nos primeiros programas: "Vilela, você sabe que é muito difícil..." Hoje eu não sei se mudou porque eu não faço mais show de comédia, deve ter mudado um pouco. Eu nunca tinha percebido isso. Olha como que é o lance de você, para onde você foca, para onde você joga a luz. Para mim, fala, cara, comédia é um negócio super legal, tem mulher, tem homem, tem gay, tem negro, tem branco, tem japonês, tem tudo, cara, é muito democrático.

Aí uma amiga minha que é comediante, mulher, ela falou, cara, não é tão assim. Você já viu show de comédia com mais de uma mulher no elenco? Eu falei não. Mas tem mais de um homem no elenco? É. Aí eu nunca tinha percebido isso. É como assim, pô, já tem uma mulher, entendeu? Não precisa colocar duas ou três, vai ficar muito feminino. E eu comecei a perceber que era uma coisa mesmo. Pessoal que montava elenco colocava uma mulher só.

Não é que não tinha mais mulheres boas, eles achavam naquela época, de repente, colocar mais de uma mulher poderia não atrair muito público masculino. Fala: pô, tem duas mulheres, eu vou lá para assistir um cara, entendeu? Eu nunca tinha visto uma dor dela que eu nunca tinha percebido. Então assim, quando a pessoa traz uma dor dela e você se coloca no lugar dela, você repensa realmente aquilo. Falei: é. E nos shows que eu tinha, comecei a chamar.

Ela falou assim: sabe o show que tem mais mulheres? Quando é Dia da Mulher, é o único dia que a gente encontra os outros comediantes dos bares e nos teatros. E é, cara, nunca ia pensar nisso. Você vê que louco. Cotas também, quando a pessoa tá dentro do problema e te conta a experiência dela, é muito diferente. E, cara, poderia te falar sobre muitas coisas. Por isso que as pessoas às vezes me cobram por isso, falam: "Você é de direita ou de esquerda?" Eu me vejo num buffet, sabe?

Um buffet que você tem a fileira da esquerda, fileira da direita. Tem comida legal aqui, tem comida legal aqui. Aí fala, cara, eu tô com um prato aqui, eu vou me servir o que eu acho bom aqui, pego o que eu acho bom. Só que as pessoas acham que se você escolheu um lado do buffet, você só pode— você não pode pegar o que tem aqui, você escolheu aqui. Se você é a favor das cotas, você então é a favor disso, disso, disso, disso e disso.

Não, não, cara, eu sou a favor das pessoas possam ter armas também, que é daqui, é desse buffet aqui, beleza? Ah, eu sou a favor que as pessoas, cara, O cara, se quiser fumar maconha, ele fuma. Peraí, mas então você voltou para cá. Eu acho que o Estado tem que cuidar das coisas básicas, saúde, não sei o quê. Ah, então você não— mas eu acho que o Estado tem que ser pequeno também, que não tem que ser dono de um monte. Então os caras ficam assim, pô, mas cara, onde ele tá?

É isso mesmo, é isso. As minhas posições são pontuais, elas não são gerais, não são uma gaveta que você compra completa e fala, cara, eu tô nessa gaveta "É isso." E aí você não precisa me perguntar nada, porque todo mundo sabe, se ele tá nessa gaveta, ele diz sim para todas as coisas. Então as pessoas não entendem isso, que eu posso escolher realmente como um buffet. Eu posso escolher: "Isso é o melhor da esquerda, isso é o melhor da direita, isso é o melhor do centro, isso é o melhor da minha religião.

Cara, eu concordo em tudo, mas tem isso daqui que não concordo, cara. Isso daqui os budistas realmente têm razão." Eu sou assim, cara. E com certeza tem gente que vai falar que não é assim que funciona as coisas. E eu respeito totalmente essas pessoas. Eu falo demais, né? Não, eu não tô acostumado a falar demais.

CCCaio Carneiro

Não, não, eu achei isso muito bom porque o seu podcast é orientado para falar com todo mundo.

RVRogério Vilela

Um dia tem André Suraki, outro dia tem o Frei Gilson, outro dia tem o Lula, outro dia tem, sei lá, um cara. É, você vê agenda, cara, o pessoal fala, meu, é uma maluquice, cara. E eu adoro esse caos, adoro. Eu adoro saber que na segunda-feira eu vou falar sobre astronomia Na terça eu vou falar sobre religião, na quarta eu vou falar sobre geopolítica. E cara, me deixa chateado quando uma semana pende muito para um lado. Por exemplo, tá falando sobre muito UFO aí, putz, tem 3 programas sobre UFO na semana, aí já me encharca.

O OVNI, ah tá, é objeto não identificado, e agora tá uma moda, né? E eu falo com todo mundo.

CCCaio Carneiro

Eu pego porque eu queria muito a sua visão. Hoje, quando você coloca o teu posicionamento, a tua marcação da tua opinião em temas que você sabe que é mais áspero, vai ter o pró e contra.

RVRogério Vilela

Vai ter muito.

CCCaio Carneiro

Eu queria que você falasse muito disso, porque tem coisa, já, cara, se meu podcast para todo mundo, e isso é legal fazer, isso não é legal fazer. Eu tenho, para as pessoas entenderem esse jogo online, porque tem gente que você não sabe causa e consequência, né? Então você tem uma visão boa de causa e consequência.

RVRogério Vilela

Eu deixo para colocar Quando eu sou entrevistado, eu imagino, é minha opinião, por isso que eu tô colocando aqui. Quando eu tô entrevistando uma pessoa, as pessoas querem saber a opinião da pessoa, não querem saber a minha opinião.

CCCaio Carneiro

Sim, justo.

RVRogério Vilela

Ah, eu penso assim, mas o que que você pensa? Não, eu quero saber o que a pessoa pensa, entendeu? Sim. A pessoa é o que eu te falei, eu tô conduzindo uma dança, então não me cobre posicionamento se a estrela é aquela pessoa. Agora tem algumas linhas. Se o convidado passou algumas linhas de crime, de opiniões muito pesadas ou coisas, cara, que eu tenho que me posicionar, e não tem jeito. Isso aconteceu muito poucas vezes, foram 3 vezes que aconteceram em 6 anos, onde a pessoa falou alguma coisa, falei: pera aí, cara, isso você não pode falar no meu podcast, cara, me desculpa, mas aqui não.

Isso que você falou é errado, não pode, tá, tá, tá. Ah, mas não sei não, aqui não, cara, pode falar no seu canal, tal, mas aqui, desculpa. E em relação a isso O resto você pode falar o que você quiser, mas isso não, você tá totalmente errado. Eu não posso deixar que as pessoas ouçam isso e achem que isso é normal. É só isso. É alguma— eu tenho algumas linhas que eu delimitei. Dessas linhas eu não posso deixar passar, ou porque o vídeo vai ser derrubado, ou porque aquela pessoa mesmo vai ser cancelada, ou porque vai dar algum problema.

Porque não dá, não dá. Mas é muito poucas, muito poucas coisas. A pessoa pode realmente falar mal da minha religião, pode escorraçar, fala: não acredito em Cristo, eu acho que é uma besteira. Fala: é mesmo, cara? Por quê? Pô, mas a Bíblia tem isso assim. Ah, não acredita na Bíblia, cara? Não vou brigar com a pessoa. Ah, eu acho que é, cara, pessoal de direita é tudo fascista, não sei mais por que que elas são fascistas, porque que não sei o quê, comunista, comunista para mim é lixo, cara.

Por que que você acha que o comunismo realmente tem perigo de ser implantado no Brasil? Porque, sabe, Esse tipo de coisa não tem problema. O problema é quando vai uma pessoa e fala, cara, o Hamas não fez nada demais, ele foi um ato político aquilo. Pera aí, cara, eles mataram bebês, mataram criança. Eu vi os vídeos, você viu os vídeos? Não, não concordo com você. Não é questão de concordar, você não vai falar aqui isso, entendeu?

Então tem coisas que não fala. Ah, o Israel tá certo, tem que matar os palestinos mesmo, eles não deviam estar. Não, cara, você não vai falar isso aqui. Você pode acusar Israel Você pode falar a sua opinião sobre Israel ou sua opinião sobre Palestina, pode ser o que for. Você não pode só falar que é certo, inocente, você não pode falar textualmente isso. Agora, se a pessoa fala uma coisa que aí a pessoa em casa fala, o que ele falou quer dizer que talvez ele seja, não.

Agora, textualmente você não vai falar, você não vai falar, não, eu acho certo mulheres. Não, cara, não vai falar, entendeu? Você tá vendo, são coisas muito absurdas que eu tenho que ter visto, mas o resto das coisas são opiniões. E eu sei que as pessoas ficam bravas assim, pô, você leva comunista no seu canal? Leva, pô. Você leva pessoal do MBL? Você leva Bolsonaro? Isso eu levo. Você levou o Eduardo Bolsonaro no momento que ele tava mais atacado?

É, lá é o lugar onde as coisas acontecem. Ele vai dar entrevista, ele escolhe meu podcast. Você leva um Haddad depois da taxa das blusinhas? É, ele escolheu meu programa para explicar sobre as taxas da blusinha. Você vai levar não sei quem quando foi cancelado? É, ele vai ter que ir lá explicar o que aconteceu. É, as pessoas têm que entender isso. Eu vou dar palco para todo mundo explicar. Eu acho que as pessoas na casa delas têm cérebro suficiente para discernir, cara.

Isso que ele falou, check. Eu sempre peço para o pessoal, check o que o pessoal tá falando. É daí que veio o nome inteligência limitada, desse conceito, do conceito de eu parto da premissa que eu tenho uma inteligência limitada, então vou te perguntar o máximo porque eu sou burro, eu quero aprender o máximo de você, eu me coloco numa posição de ignorância. E que também é um sinal para as pessoas assim, cara, você não sabe tanto quanto você acha que sabe.

Presta atenção no que tá falando, pesquisa o que eles estão falando para você ter uma visão melhor. Mas basicamente o Inteligência Limitada foi para mim colocar numa posição meio que para quem for me xingar ou for me criticar, cara, eu já tô me assumindo que eu sou burro, eu já tô assumindo que eu sou ignorante, que eu tô lá para aprender. Então relaxa, eu tô aprendendo, entendeu? Se eu tô perguntando pela terceira vez o que é um buraco de minhoca, é porque eu sou burro.

Você não precisa entender que é porque eu tô fazendo isso para você ou para outra pessoa. É isso.

CCCaio Carneiro

Para onde, para onde, para onde a produção de conteúdo, para onde você acredita que o podcast tá indo? Porque é algo relativamente novo. Talvez podcast não tenha mais de 10 anos.

RVRogério Vilela

O podcast de áudio tem mais, né? De vídeo tem pouco tempo, vai ter uns 10 anos.

CCCaio Carneiro

Como que você acredita essa jornada, essa evolução, sabe?

RVRogério Vilela

Essa minha ou do podcast? Do podcast em geral do podcast é uma, a minha é outra. Tá caindo umas coisas aqui da árvore e o sol deu uma aliviada legal demais, cara, demais. Só segurou muito. O podcast eu tenho uma visão muito clara do que vai acontecer assim. Podcast na pandemia teve o pico, ou seja, tava todo mundo em casa precisando de conteúdos longos, coisas para entreter. Então podcast era o produto perfeito para aquilo lá.

O que que aconteceu? Acabou pandemia, as pessoas não largam os hábitos, elas continuam escutando, só que não tem mais aquela coisa tipo: eu tenho que escutar agora porque eu tô em casa. Não, ela tem outras coisas para fazer, você tá disputando o tempo dela. Então ele vira muito uma segunda tela, você tá fazendo alguma coisa, escutando e vendo de vez em quando. Eu consumo podcast assim, não sei você, mas eu tô fazendo outra coisa.

Dificilmente alguém para e fica 3 horas na frente da TV ou do celular assistindo. Você tá lá, tá escutando aquilo, tá aprendendo alguma coisa e tá fazendo. Por isso que eu comecei a fazer temático, debates, outras coisas. O podcast então, ele começou a cair nos podcasts que não se adaptaram. Como eu comecei muito cedo essa onda de debate e temático, os generalistas começaram a ir para baixo, porque pô, todas as pessoas já foram entrevistadas.

Você leva o Whindersson na primeira vez, tem 100 mil pessoas assistindo. Na segunda vez tem 20 mil, na terceira vai ter 5 mil. É assim. E é assim mesmo, tranquilo, não tem mais, não tem mais ineditismo. Sim, sim. Então os temas acabaram salvando o podcast. Quem se adaptou tá vivo ainda, quem não se adaptou— tô falando dos generalistas, os de nicho é outra história. De nicho, ele tem um nicho dele, ele fala daquele, daquele nicho.

CCCaio Carneiro

E tipo de economia, discutir, cara, o IPO agora da SpaceX, então só de maromba, esses Melhor, se eu fosse começar hoje um podcast, eu ia fazer nicho.

RVRogério Vilela

Quem começa generalista hoje é muito difícil dar certo, porque por causa disso todas as pessoas já foram entrevistadas, tá meio desgastado. Então eu adaptei e deu muito certo. E agora eu tô antecipando uma nova onda, que é criar, aproveitar que seu canal passa milhões de pessoas pelo seu canal diariamente, para oferecer outras coisas que não podcast. Você gosta de podcast? Então À noite, às 7 horas, tem podcast. Mas se você entrar no meu canal, às 6 horas da manhã tem um devocional, às 11 tem um programa de curiosidade, ao meio-dia tem programa de esporte, às 2 horas tem um programa de opinião política, às 6— você entendeu?

Você começa a oferecer outras pessoas, fala: cara, que legal! Ah, não tem só podcast? Então quem não se adaptou ficou para trás. E agora eu acho que tem uma nova onda que é transformar em TV, né? Eu acho que é.

CCCaio Carneiro

Você vê isso mesmo?

RVRogério Vilela

Vejo, vejo.

CCCaio Carneiro

Com esse lance tipo casé batendo globo.

RVRogério Vilela

Não, não, o casé ele vai para transmissão ao vivo, é outra coisa.

CCCaio Carneiro

Mas eu digo assim, as pessoas, tipo um YouTube passando um canal de TV.

RVRogério Vilela

Mas é isso, é isso, já passa. Meu canal passa muita TV pequena.

CCCaio Carneiro

Sério?

RVRogério Vilela

RedeTV, Bandeirantes. Cara, eu, por exemplo, na entrevista com o Bolsonaro, eu tinha mais audiência de todas as TVs que estavam ligadas naquela hora. Entendeu? Então assim, tem eventos que você coloca milhões de pessoas ao vivo assistindo. E essa eleição a gente deve bater esse recorde de 2 milhões de pessoas ao vivo de novo, entendeu? Agora, é porque que eu acho que é isso? Porque a gente tá indo para Smart TV, por exemplo. Quando você liga a Smart TV, tem aqueles canais lá.

Então você vai estar numa programação 24 horas lá, você vai estar no YouTube, ele te pede mais programas. E tem o pessoal que vai ficar só focado no podcast mesmo, que eu não acho errado, mas eu sinto que a nova onda é você aproveitar sua audiência e trazer outras pessoas para colaborar e fazer um, aquilo, um tipo de canal que as pessoas escolham o horário. Ela sabe que tal horário tem um tipo de programa.

CCCaio Carneiro

Por exemplo, a galera que acompanha o Como Você Fez Isso, a grande maioria são empreendedores. Esse cara provavelmente gosta de esporte.

RVRogério Vilela

Você pode trazer uns caras de esporte que tragam empresários para falar sobre esporte ou conecte de alguma forma o esporte mais, sabe, Eu sempre trago alguém, mas que não— o formato não é muito diferente do podcast. São pessoas falando sempre sobre um assunto num cenário parecido com o do podcast. É o mesmo ecossistema, você entende que é o mesmo ecossistema, mas são pessoas diferentes. É uma experiência. Alguns já estão dando certo e a gente vai testando mais.

O bom da internet é isso, cara, não precisa dar certo. Você testa 10, 5 deu certo, 5, você esquece, tenta mais 5, e aí vai até dar certo, e aí você tem uma grade completa. Esse é o caminho que eu vou seguir. E algumas transmissões ao vivo também, de eventos, fazer coisas em teatro e em arenas.

CCCaio Carneiro

Agora pergunta, cara, você fala bem para caramba, você é inteligente, tem um baita conteúdo. Por que você decidiu—

RVRogério Vilela

caiu aqui—

CCCaio Carneiro

por que você decidiu 'Faz um podcast de entrevista e não você pegando microfone, toma ali.' Mas é o contrário do que eu fazia.

RVRogério Vilela

A Comédia Stand-up é o contrário disso, concorda? Você é o centro da atenção, são as minhas histórias, tá todo mundo olhando para você. Eu quis fazer o inverso disso, porque eu já fazia isso. Eu achei que eu ia continuar com as duas coisas, que qual que era a minha ideia? Semana eu faço podcast, final de semana eu tô rodando o país fazendo meu show, falando: 'Cara, eu, a minha opinião sobre a política é isso.' 'Você imagina que quando você faz isso, não sei o quê.' Era sal e açúcar.

Exatamente. Só que aí eu perdi a vontade de fazer, porque eu quero descansar no final de semana, senão não ia parar de trabalhar. Vou voltar um dia, mas não agora. Por isso que eu voltei a fazer palestras, procurei vocês para fazer alguma coisa educacional, colocar a minha também, a minha bagagem do que tudo que eu aprendi para as pessoas. Eu tava sentindo falta. Mas no começo, para mim, foi um alívio, cara, um alívio. Não sei se sente da tensão, foi um alívio assim, sabe?

Você tá no palco, é a galera, a galera toda olhando para você. Você não sabe, eu acho que a profissão de comediante é a profissão mais cobrada do mundo, porque de 5 em 5 segundos você tem que tirar uma risada das pessoas, de 15, vai, de 15 em 15 segundos. Se passar 1 minuto e ninguém riu, a galera já fala: 'Ih, cara, acho que não valeu a pena ter comprado esse ingresso.' 1 minuto, cara. Ou seja, você fez uma piada, a pessoa riu.

Se nas duas próximas a pessoa não riu, ela já tá te julgando, mesmo que ela passou meia hora rindo com você. Fala: cara, duas piadas meia boca aí, hein? Então assim, não existe qual o trabalho que você julgar da casa 15 segundos, não existe isso na comédia, cara. São 15 segundos, a 15 segundos você tem que dominar a plateia e fazer ela rir, fazer rir. Mas como que é feito isso? Isso eu usei muito para o podcast, cara. É tentativa e erro, tentativa e erro.

Você vai melhorando aquele texto Cada coisinha. Se eu falei para você assim: eu tenho uma namorada que ela é muito estranha porque ela gosta de transar e falar ao telefone ao mesmo tempo, só que o problema dela é quando ela vai gozar, ela desliga o telefone na minha cara. Você riu, só que a primeira versão eu posso ter feito assim. A primeira vez que eu testei ela, fala assim: cara, minha namorada é muito estranha porque ela gosta de transar e ela faz umas coisas estranhas.

Ela pinta a unha, ela fica coçando o pé, Às vezes ela fala o telefone e quando ela vai gozar ela desliga o telefone na minha cara. Você entende que não é a mesma força? Aí eu corto o que não funciona, deixo só o— E aí a primeira vez que eu fiz do jeito que eu faço hoje, você riu. Na minha cabeça anotei isso, é assim agora para frente que eu vou fazer. Piada é assim, podcast é assim. Fiz o podcast, putz, eu falei uma coisa que o podcast— eu vi que o cara ficou incomodado.

Eu preciso evitar isso. Vou começar a perguntar antes das pessoas se tem alguma coisa que ela não quer que fale. Eu tava fazendo podcast, tava indo maravilhosamente bem, vem um assessor dela e fez sinal que ela precisava ir embora. Então já converso com assessora antes, ou a minha equipe já conversa com assessora, ó, não atrapalha entrevista, não dá sinal. Se você precisar, fala comigo e eu falo com Vilela. Ah, o entrevistado, eu cheguei, o entrevistado chegou antes, uma hora antes, E eu tava no estúdio uma hora antes, eu gastei todo o papo antes.

Quando ele foi contar, eu já sabia as histórias. Ou seja, hoje em dia eu chego em cima do horário porque, cara, eu não gosto de ficar conversando antes e gastar as histórias. Porque se eu chego antes, eu não lembro lá da trinca se eu cheguei muito antes. Eu não gosto porque a gente às vezes vai trocando ideia, fala: cara, isso era legal para a gente falar lá, entendeu?

CCCaio Carneiro

Acontece muito isso comigo, cara.

RVRogério Vilela

É muito ruim.

CCCaio Carneiro

Às vezes chega uma pessoa e ela tá muito empolgada, eu não sei como evitar. O cara começa a contar uma história, cara, para, termina ali.

RVRogério Vilela

Exato, exato.

CCCaio Carneiro

Então sua estratégia é chegar em cima, dá mais tempo de estudar.

RVRogério Vilela

Eu fico com meu filho lá em cima em casa, chego em cima depois do podcast, eu fico bastante tempo, mas antes, cara, eu chego e passo. Porque o pessoal que trabalha comigo faz os conteúdos extras com o pessoal, coisas para as redes sociais. A pessoa não tem contato comigo, eu chego antes assim uns 10, 15 minutos, aí eu troco aquela ideia, pô, vai ser tranquilo e tal, tem alguma coisa que não queira falar e tal, mas não dá tempo de ter um papo longo.

'Olá, e aí vou?' E aí na conversa a gente desenrola tudo, e aí vai quase do zero. Aí você vai acelerando mesmo, porque senão você começa— imagina a pessoa de casa, a gente já começa a entrevista rindo porque a gente tá comentando uma coisa engraçada.

CCCaio Carneiro

Aí ela tá sem o clima, ó, perdi a piada, tá?

RVRogério Vilela

Esses caras estão aí, eu nem vou ali, os caras já estão enturmados, tal. Não, ela quer que a gente chegue no riso junto com ela, cara.

CCCaio Carneiro

Impressionante como dá para ver. Por exemplo, você contou essa sua lá da comédia, quando você importou aprendizado da sua vida como mediante para o podcast, meu Uma curiosidade, outra coisa da minha parte, porque eu sou improvisador também, e do improviso vem a escuta. Qual que é a diferença? Só assim, de leigo, improvisador, você vai entender.

RVRogério Vilela

Se o podcast, se o comediante stand-up é bom, parece que ele tá improvisando. Se o improvisador é bom, parece que ele decorou aquela fala e escreveu. É essa diferença. Improvisa, improviso, é tudo um improviso.

CCCaio Carneiro

Só que às vezes é tão bom que parece que aquilo foi combinado, tipo improviso ao ponto de, sei lá, vou perguntar para o cara da plateia, não sei o quê.

RVRogério Vilela

Lugares, a pessoa fala cemitério. Dá o nome de uma pessoa, Sérgio, outro nome, tal. E você é o Sérgio, eu sou o Francisco, a gente tá no cemitério, valendo. Cara, você morreu e tá vivo? Aí você, cara, você não sabe o que eu vou falar. Isso é o lance do improviso que eu levo para o negócio. Você tem que estar com o ouvido ligado. Não adianta você ter uma história, você pensou numa história, eu pensei numa história, certo, cara?

Eu vou, eu vou estar morto ou eu vou estar vivo? Tá, eu vou estar morto. 'Não, mas o cara já falou que eu tô vivo, então eu tô vivo.' Cara, fazia tempo que eu não te via, mas você tá morto. Ou seja, você escutou o que eu falei e a partir do que você escutou você construiu sua história. É assim que eu faço podcast. Eu posso já tá assim, fala: 'Eu quero que ele conta a história do roubo do cartão de crédito dele.' Só que ele fala assim, ele vai para outra coisa, ele vai falar: 'Pô, meu filho, cara, esses dias pediu não sei o quê.' Cara, eu vou para o teu filho, eu vou falar do teu filho.

Eu tô com a escuta e isso é improviso. A comédia stand-up é o fato de você saber conduzir a plateia para o que você quer. Aqui é para se emocionar, aqui é para rir, aqui é para rir muito, aqui é para aplaudir. Então isso eu uso no podcast. O papo tá, cara, tá chato, eu tô vendo que o cara tá se enrolando, faço uma piada, chamo uma pergunta ou interajo com o cara para ir para outro assunto, tangenciar. Sabe, eu tô vendo que aquilo não vai dar em nada, que a pessoa tá se enrolando mesmo, ou que ela se perdeu.

Fala assim: não, não, pera aí. Ou quando aconteceu agora assim: onde a gente tava mesmo? Sim, às vezes acontece. Aí eu falo: ô, Lenny, onde a gente tava? Aí não sei o quê. Ou então eu falo assim: não importa, a gente tava. Eu vi que você coçou aí, eu vi esse relógio seu aí, cara, me conta esse relógio aí, sabe? E aí depois, e aí é o tempo de eu lembrar a parada. Então assim, isso é tempo de palco. Tempo de você interagir com a pessoa.

Vocês estão juntas quanto tempo? 5 minutos? Pô, cara, mas você não sabe no Tinder? E aí você vai, você vai.

CCCaio Carneiro

E o que que a comédia te ensinou para vida? O que você leva da comédia? Cara, agora eu sou assim na minha vida, velho, fora do palco. O que que te ensinou para vida assim?

RVRogério Vilela

Ter um interesse quase infantil em qualquer coisa. É como se você fosse turista da sua própria vida. É você, por exemplo, eu tô com um Cybertruck, eu não aceito que isso é normal. Eu vou falar, cara, por que que eu tô com Cybertruck? Por que que em vez de pegar um carro que eu conheço, eu peguei um carro que eu não sei nem ligar? Cara, eu sou idiota. Aí eu vou, eu sou idiota ou não? Eu gosto muito de tecnologia, por isso que eu peguei esse carro, tá?

Então eu vou para esse lado. Cara, eu sou tão, eu sou um cara tão tecnológico que eu gastei 10 vezes mais pegando Cybertruck sendo que eu poderia pegar um Uno com uma escada em cima. Você entendeu? Aí eu falo: não, não, não é essa linha que eu vou, que eu vou usar. Eu vou usar o seguinte: eu queria— os Estados Unidos tá quase numa guerra civil. Qual carro que eu vou usar que eu vou estar mais protegido se tiver uma guerra civil?

Um negócio que parece um tanque. Você entendeu? Eu pego uma coisa que é normal e eu fico pensando: como que eu vou abordar esse assunto como se eu não soubesse nada sobre ele? Eu posso ter pesquisado sobre saber truck, eu saber dirigir ele, eu posso saber tudo, mas como que eu vou contar para plateia? Vou contar que eu sou um cara que manjo muito, eu não sei nada sobre aquilo, ou que eu tô usando isso para— porque eu sei que vai acontecer um apocalipse zumbi e eu preciso estar preparado?

É isso que a comédia te traz, é a partir do que a pessoa te fala, como você vai se preparar. Eu vou reagir com nojo, com espanto, com afirmação. Então você me fala que, pô, eu gosto para caramba de futebol, cara, eu também adoro futebol, ou eu vou falar: cara, futebol é a pior coisa do mundo. Porque eu quero gerar riso, eu quero tirar de você: não me convença que futebol é bom, entendeu? Eu posso fazer isso. Não, não, eu gosto de jogar sinuca.

Jogo chato para caramba. Como que duas pessoas ficam 3 horas jogando? Me convença. E eu posso ir para esse lado se eu tenho intimidade com você. Você não tem? Eu vou falar: cara, sinuca, eu sou muito ruim de sinuca. Me explica a regra básica, o que que é sinuca, o que que é bilhar, que não sei o quê. Então assim, isso a comédia me ensinou, é eu posso ir para o lado cômico, posso ir para o lado sentimental. A partir do momento que você falou uma palavra, um assunto, eu tenho um monte de ferramenta que eu posso— eu tô achando que tá faltando humor nesse podcast, foi muito pesado o bloco anterior, cara.

Vamos colocar um pouco de humor, vamos deixar leve esse papo aí, eu vou para uma saída legal. Você tem, você falou do seu filho agora, né, cara? Eu tenho um filho também, cara, e ele tá na idade de cagar nas calças. Do desfraude, né, que aí não tá acostumado. Aí vai sair coisa engraçada, entendeu? Então, como é isso daí, é como você sempre fosse um estrangeiro. Quando é estrangeiro, você não fica tudo curioso? Tudo é comida, os cara come assim, cara.

Olha o que tá escrito lá. Olha, é isso, é você tá assim com a vida. Você, se você tiver assim com seu convidado, você vai ter uma curiosidade genuína e as pessoas vão acreditar que você tá realmente curioso, porque é um lugar que você se coloca. Como turista na vida daquela pessoa. Você é turista, por mais que você estudou. Eu sou turista, eu não sei nada. Tem coisa na minha cabeça, eu só vou acessar se eu precisar. Eu não sei nada.

Então me conta tudo, cara. Que time você torce? Porra, Bahia! É mesmo? Mas você nasceu em Florianópolis, cara. Como assim? Eu já sei porque que ele tem a ligação com Bahia, que o pai dele não sei o quê, mas eu não vou falar isso. Eu quero que ele me conte essa história. É muito mais legal ele contar, entendeu, cara?

CCCaio Carneiro

Você é um cara criativo. Você entra lá no seu cenário, também fica um cara com ideia lá, o que você colocou. Eu vi quando, gente, aí vocês não foram lá, mas tipo, o pessoal não viu o que tem atrás, né? Aquele quadro dos convidados que mais foram, que viaja no tempo, né, que tem um monte de quadro inspirado no preço de coxinha da padaria.

RVRogério Vilela

Aí tudo tem um motivo lá, né?

CCCaio Carneiro

Aí pensei, cara, muito criatividade, mas assim, isso daí é Criatividade nasce? Dá para exercitar? Se dá, como que se exercita?

RVRogério Vilela

Sobre isso, cara, eu acho que a gente nasce com feixe de qualidades, feixe de habilidades, né? E cabe a você cruzar esse feixe para alguma coisa.

CCCaio Carneiro

Fale mais.

RVRogério Vilela

Por exemplo, você tem habilidade manual, você tem habilidade física, mas não fala bem. Então você quer alguma coisa que precisa habilidade física e falar bem, é mais fácil. Agora, se você tem já dessas habilidades que você tem, duas é o que precisa, cara, você já vai sair lá na frente. Agora, se você não tem nenhuma, talvez não seja sua praia. Pô, eu quero fazer, eu quero jogar basquete, eu sou muito ágil, eu entendo tudo de basquete, eu treino todo dia, mas eu tenho 1,60m.

Esquece. Você não vai ser um jogador de futebol profissional, tem uma coisa que te limita, entendeu? Então assim, você tem que ver dentro do feixe de habilidades que você tem, como você combina essas coisas para o que você quer fazer. Se for um hobby, tranquilo, eu posso jogar basquete para me divertir. Agora, não dá para viver disso, mas eu posso ser comentarista de basquete, você entendeu? Então falo bem, entendo tudo, mas não tem a parte física.

Então essas coisas me fazem ir para o lado da comunicação. Interessante, aproveita. Eu percebi muito cedo que eu sabia escrever muito bem desenhar muito bem e tinha muita facilidade para esporte. Tentei ser jogador de futebol porque meu pai foi jogador, então ele meio que me incentivou muito. Só que eu cheguei num ponto do futebol e eu, mas eu não deixei de desenhar, não deixei de escrever. Chegou num ponto que eu, como jogador de futebol, me comparava aos outros e me comparava como desenhista Cara, como desenhista eu tava muito acima.

Jogando futebol eu tava na média. Tinha caras que estavam comigo, que começaram comigo, que estavam aqui porque eram mais altos, porque treinavam mais, tinha mais habilidade, x de coisas, x questões. Eu avaliei, eu poderia ser um jogador de futebol, o esforço que eu teria que fazer para ser um jogador de futebol no nível deles era absurdo, absurdo. E mesmo assim eu não tinha altura suficiente pro que o futebol tava se tornando, que antigamente jogador baixinho funcionava muito.

Para você ser um jogador baixo tipo Romário, ser um cara, você tem que ser muito, muito bom. E no desenho não, no desenho eu tinha habilidade, tinha conhecimento, e era muito novo e muito precoce. E eu falei, cara, é isso, e eu gosto de fazer as duas coisas. Que que eu falei? Vou deixar o futebol como hobby e vou investir nisso. Problema: não dá dinheiro. Como que eu vou ganhar dinheiro? Não que eu pensasse nisso na época, mas pensando hoje, se eu fosse pensar em dinheiro, cara, meu pai falou isso, fala: filho, onde você vai trabalhar?

Só se for no Maurício Souza, né? Que era a única opção. Quero fazer quadrinhos, vou trabalhar no Maurício Souza. Não tinha chance como eu tive aos 17 anos de mandar meu trabalho para os Estados Unidos, começar a ganhar em dólar e tal. Então, eu acredito, cara, eu não sei o que acontece no universo, Quando você quer muito uma coisa, mas você quer muito, você trabalha muito, parece que o universo, as coisas, e você fala isso, e você coloca para o mundo isso, e você faz contato e fala: cara, eu adoro desenhar, ainda vou fazer capa do seu livro.

Ainda você vai na Veja e fala: eu quero fazer uma capa da Veja. Você vai na Placar e fala: me passa trabalho. Pô, mas você tem 14, 15 anos. É, cara, olha meu portfólio. Pô, você é bom, hein, cara, fazer um teste com você. Fala: meu Faz um teste, cara, faz um teste. Você não precisa pagar. Você não gostar, você pode— caramba, vou te passar mais trabalho, sabe? Você se coloca à prova. Aí tem um concurso. Concurso para mim, cara, não sei se vale para todas as áreas, mas é a maior chance de você passar 10 degraus na frente das pessoas, porque ninguém te conhece, não tem um lance de idade, não tem lance da cara, não tem lance de você ser conhecido ou não.

CCCaio Carneiro

É, vai lá, arrasa e vai.

RVRogério Vilela

Aí você ganhou o primeiro prêmio, cara, que aconteceu comigo. Todos os concursos que eu ganhei em desenho, cara, eu avancei muito rápido. Ganhei o primeiro, a primeira Bienal Internacional de Quadrinhos. Cara, tinha 18 anos, nunca tinha feito quadrinhos, primeiro trabalho que eu faço, ganhei o primeiro prêmio. Ou seja, pessoal pega aquele trabalho e manda para os Estados Unidos. 17 para 18 anos, aí eu começo a fazer trabalho. Então assim, fiz uma capa da Lista Telefônica, ganhei.

Fiz um concurso da Playboy de ilustração, peguei, sei lá, segundo lugar, não sei o quê. O cara me ligou e falou: cara, bom seu trabalho. Vamos, quer trabalhar aqui? Então assim, eu via como que, como eu era muito tímido, eu era muito, muito tímido. Não, não, não, não, não, não, não, não existe, não existe a pessoa mais tímida do que eu no mundo, cara, juro. Eu não, eu ia para Santos, minha família de Santos, morava em Santos, meus tios e tal.

CCCaio Carneiro

Aconteceu alguma coisa na sua vida?

RVRogério Vilela

Aconteceu, vou te contar, te contar. Foi uma decisão pessoal e eu sei o dia que aconteceu. Eu não conseguia pedir para jogar futebol. A galera na praia toda, toda final de tarde, molecada lá, eu morrendo de vontade, ficava atrás do gol buscando as bolas, buscando as bolas. Era só eu falar: posso jogar? Eu não conseguia falar, porque vergonha, travado. Eu esperava alguém ir embora e falar: ó, alguém quer jogar? Ou: eu quero. No dia seguinte eu tava lá de novo, tinha que alguém me chamar para jogar futebol.

CCCaio Carneiro

Tá faltando um para você.

RVRogério Vilela

Eu era incapaz de chegar numa garota e falar: "Oi, tudo bom?" Eu era incapaz de ir na frente da sala de aula e apresentar alguma coisa. Eu me escondia. Só que isso me fazia tão mal, mas tão mal, porque eu não era essa pessoa. Por dentro tinha, cara, minha cabeça explodia de ideia, de coisa. Cara, eu preciso falar pras pessoas, eu preciso falar, eu preciso mostrar, eu preciso desenhar, quero que as pessoas vejam o que eu escrevo.

CCCaio Carneiro

E o que tava te segurando, você acha?

RVRogério Vilela

Havia uma coisa limitante em mim absurda. Vão rir de mim, vão achar ridículo, eu vou jogar mal, vão, eu vou atrapalhar esse time. E eu pensei, eu comecei a pensar assim: ou eu mudo isso, eu vou ser a vida inteira infeliz, porque eu era infeliz, eu era muito infeliz. E eu lembro, isso foi na 8ª série, eu tomei uma decisão numa noite chorando para caramba. Eu falei: a partir de amanhã eu vou me expor cada vez mais a coisas que eu tenho medo, devagar, sabe aquela coisa Eu tenho medo de cobra, eu vou ver uma foto de cobra, eu vou assistir um filme sobre cobras até chegar e ter uma cobra de verdade.

Eu não tive essa, claro, hoje eu vejo, eu tive essa, mas não assim, cara, qual é a coisa mais fácil das que eu não consigo? É trocar ideia com meus amigos. Então eu vou tentar fazer piada com eles. Pô, deu certo, os cara me aceitaram de boa. Puts, eu vou, a professora falou, quem, quem quer vir resolver essa questão de matemática aí na frente? Morrendo de medo. Vou lá, pô, não doeu nada, puta. Ninguém quer falar. Na minha época tinha os bailinhos de garagem. Você não pegou essa época, né?

CCCaio Carneiro

Não.

RVRogério Vilela

Eu era de São Bernardo e era assim. Quem for da minha idade, quem for da década de 80, vai saber bem o que eu tô falando. Mulheres, meninas de um lado, meninos de outro, na garagem, com uma lona na frente, uma mesa cheia de salgadinho, docinho.

CCCaio Carneiro

Puta, eu peguei o finalzinho.

RVRogério Vilela

Luzes de baladinha, rolava música lenta, e os caras: vai lá, vai lá, chama ela para dançar. Não, eu não vou, eu não vou. Eu nunca ia.

CCCaio Carneiro

Chegou um ponto que eu falo: quer saber, eu vou, cara.

RVRogério Vilela

Você vai?

CCCaio Carneiro

E se a menina dizer não?

RVRogério Vilela

E eu ia lá, tomei a babá: não, tal. Até que um dia uma menina falou: vai, eu vou dançar. E os caras: caramba, velho! A partir daquele momento, eu era o cara que ia na frente de tudo. A gente ia no shopping, era muito isso. E eu no shopping para conhecer garota, uma turma de meninos, turma de meninas, os pais deixavam lá e a gente ficava lá. Sabe quem era o cara que ia conversar com as meninas? Eu tava com medo, tava, cara, mas eu ia ganhando tanta confiança, tanta confiança, que eu chegava a fazer uma piada, fala: os cara lá não estão com coragem, dá um oi para aquele cara lá, eu chamo não sei o quê, vem cá, Felipe, não sei o quê.

E aí eu passei do cara que era o mais, o mais com medo de tudo, para o cara que era o mais engraçado, era o engraçadão, era o cara que é na frente, que não sei o quê. Cara, foi passo a passo. Eu lembro exatamente, eu sofri para caramba e falar: eu não aceito isso, cara, eu não aceito. Até hoje eu sou muito reservado. Se eu chego no lugar, as pessoas até acham que, pô, cara se acha. Eu fico num canto, você não conhece.

CCCaio Carneiro

Natural da reclusão.

RVRogério Vilela

É reclusão. Se eu chego no lugar que eu— a vantagem de as pessoas me conhecerem é que elas vêm falar comigo. Se dependesse de mim, vou te dar um exemplo, cara. Não faz muito tempo, faz uns, sei lá, uns 10 anos, vai. Eu fui na feira Comic-Con lá em San Diego, é a maior feira de quadrinhos do mundo. Tava passando na minha frente o cara, meu ídolo, o cara que eu aprendi mais de quadrinhos, Dave McKean, passando aqui. Meu amigo, vai lá falar com ele.

Falando, não vou. Vai lá falar com ele. Não vou, cara. Mostra seu trabalho. Ele vai olhar e vai falar o quê? E eu não fui, cara.

CCCaio Carneiro

Você não foi?

RVRogério Vilela

Não fui. Não, eu falei, mas não mostrei meu trabalho porque eu falei, cara, ele vai achar que, pô, que saco, que não sei o quê. E hoje eu me arrependo. Hoje eu falaria. Até hoje eu ainda tenho certas coisas que eu fico travado, porque é um exercício constante para mim, cara. Tenho medo de ir para o palco? Não tenho. Tenho medo de falar com presidente, com ator americano? Falei, pô, falei com o Capitão América novo, falei com o chefão da Marvel.

Para mim, cara, tudo de boa. Agora, se eu tiver num lugar E aquilo depende assim, eu preciso de grana, eu preciso pegar trabalho na Marvel. Vai lá e fala lá com o chefão da Marvel e mostra o trabalho, cara. Aí eu travo. Tudo que é sobre você te avaliarem, não é nem pelo medo de me avaliarem errado, é pelo de eu estar sendo inconveniente. Tipo, é uma festa, não é um, eu não tô na empresa, não é uma reunião para ele ver meu trabalho, eu vou ser inconveniente de puxar papo.

Só que as pessoas que conseguiram, tem muita gente que trabalha no meu podcast que simplesmente mandou uma DM para mim e falou assim: eu sou fã do trabalho, 'Meu, eu só ia trabalhar aí por causa disso, disso.' Eu falei: 'Vem aqui.' Esse cara tá trabalhando no meu podcast. Eu talvez eu não faria aquilo, entendeu? E quantas chances eu perdi por não fazer isso. Hoje em dia pouquíssimas coisas eu deixo de fazer. Eu não deixo de falar com uma garota, eu não deixo de ir atrás de uma oportunidade. Mas às vezes eu fico com medo de incomodar as pessoas.

CCCaio Carneiro

O que que você acha que te levou até onde você tá hoje?

RVRogério Vilela

Primeiro, é uma coisa inexplicável, é inexplicável. Chama de sorte, chama Deus, sei lá. Não era para eu estar onde eu tô.

CCCaio Carneiro

Você acha que você é inexplicável assim?

RVRogério Vilela

Não, eu não. O que aconteceu comigo é. Porque sabe quando você mira uma coisa, a vida te leva para outro lugar, aí você fala, pô, é melhor do que eu tava planejando. Aí você vive aquela vida, aí você faz planos Você coloca metas, e aí aquela meta vai se afastando porque a vida te levou para outro lugar que é mais legal ainda. Aí, e essa história se repetiu na minha vida 5 vezes. Eu não tô exagerando, durante 5 vezes eu planejei minha vida.

Tem um amigo meu que chama o Nando Viana, que ele tem um show que chama A Vida Não Tá Nem Aí para o Seu Planejamento. E é isso aí mesmo, a vida não tá nem aí para você. Planeja, você sonha alto, e a vida te mostra, fala: e se eu te desse isso? Olha aqui, ó. Eu falo: nossa vida, é isso, é muito melhor. Eu não queria, mas já que tá me dando, ok. Eu queria, cara, quando eu comecei a fazer desenho, eu só queria publicar na Veja, publicar na Folha de São Paulo.

Eu consegui essas coisas. Aí eu falei: cara, vou fazer quadrinhos. Eu só queria trabalhar no Mário de Souza. Um dia eu vou trabalhar com Mário de Souza. Ela me joga para os Estados Unidos. Aí eu falo: cara, Tá, tô nos Estados Unidos, o sonho de fazer Mário de Souza não vai rolar. Rolou depois, mas não rolou, rolou muito depois. Eu vou fazer Batman agora, meu, minha meta é fazer Batman. Um dia eu vou desenhar Batman. Aí eu desenho X-Men, desenho outras coisas, não desenho Batman.

Aí a vida me faz: não, você vai montar uma escola, você vai montar um estúdio. A escola tem 400 alunos mensais e o estúdio vira a produtora maior do Brasil de pré-produção, faço clipe do Titãs. Quer dizer, e o Batman, Deus? Cadê o Batman? Não, olha aqui que legal, é muito mais legal isso. Eu tô fazendo televisão, eu tô fazendo clipe, tô fazendo desenho animado, fazendo Mundo Canibal e tal. Aí o Mundo Canibal dá certo, desenho animado dá certo, quadrinho dá certo, faço trabalho com Maurício Souza, trabalho um monte de coisa.

Aí a vida fala assim: cara, e se você fizesse stand-up? Olha aqui, tem uma chance de fazer stand-up. Eu nunca quis fazer stand-up, mas vou fazer. Aí a vida fala: olha que legal. Eu falo: é muito mais legal do que eu queria. E eu começo a fazer stand-up. E aí, cara, eu sou o cara mais feliz do mundo fazendo stand-up, mas, cara, Viajo o país, faço show fora, faz as pessoas rirem, faço as pessoas rirem, 10 mil pessoas, 15 mil pessoas, 5 mil pessoas, ganho bem, meu show vai para Netflix e não sei o quê, faço.

Ah, legal, agora vou começar a fazer show em inglês, vou para os Estados Unidos, faço uma carreira internacional. Aí vem a pandemia e fala: não, faz podcast. E aí eu faço podcast e a vida tá vendo como era legal? Eu vou fora! E o cara, e o Batman? Cadê o Batman? Você entendeu? Só que eu não fico chateado porque eu não fiz o Batman, porque eu posso hoje em dia, se eu quiser, eu ligo para os cara e falo: cara, olha minhas redes sociais, eu tenho o maior podcast do Brasil, não seria legal fazer um Batman? Toma Batman, faz aí.

CCCaio Carneiro

Você acha que muita gente não tá pegando um pote de ouro, que tá muito preso no Batman assim? Como saber?

RVRogério Vilela

É tipo, entendeu? Ficasse preso no Batman, eu estaria fazendo Batman e talvez estaria infeliz.

CCCaio Carneiro

Mas como abrir mão do Batman, entendeu?

RVRogério Vilela

Ah, cara, eu tenho essa coisa da— cara, é um universo novo.

CCCaio Carneiro

Como que você joga fora um Batman, entendeu?

RVRogério Vilela

Para perceber, é o lance de abrir um universo tão novo para você que eu fico muito entusiasmado com isso, cara, sabe? Podcast, que que é isso, cara? Que legal! Eu posso usar todo o meu conhecimento da minha vida inteira no podcast. É isso que eu quero, sabe? Quando eu me permito a falar, tá, é isso que a vida me deu, vamos ver o que que é. Eu não fico com aquele pensamento no passado, putz, não era aqui que eu queria estar. Eu falo, não, vamos ver qual que é essa parada.

Eu já quebrei a cara com isso também, de entrar de cabeça e falar, é isso que a vida me deu, vou tentar, vou tentar, e fala, cara, foi uma merda isso. E rapidamente eu voltei para o curso. Mas eu me permito a falar, cara, essa é a parada, eu vou fazer isso e vou fazer o melhor possível e melhorar a cada dia. E se eu não conseguir chegar no topo, eu tentei e fiz o meu melhor. Então assim, eu sei, logo que começa uma caminhada, eu sei onde eu posso chegar.

O Joel perguntou no podcast dele se o meu podcast é exatamente o que eu tinha planejado, e eu falo que é, cara, porque tudo que tá acontecendo eu planejei na minha cabeça, como Batman. Só que podia não ter acontecido, a vida podia ter me levado antes de atingir esses objetivos para outro lugar. Como ela tá me levando agora, ela tá me levando para outros lugares. Fala: "Vilela, que tal fazer um filme? Que tal fazer uma série? Que tal fazer não sei o quê?

Escreve mais um livro." Eu falo: "Vida? Será, vida? Ô vida, será? Será que é a hora?" Ainda não é um sinal tão grande. Aí o cara fala: "Vilela, eu li seu livro, vamos transformar em série." Eu falo: "Beleza, vamos fazer essa série." Se eu sentir no meu coração, eu sinto, cara, é uma sensação, eu não sei explicar. Mas você sabe que é para seguir por aquilo, sabe? É uma sensação que você tem que fazer aquilo. Então não é, não é número, não é vai dar mais grana ou vai dar mais fama, é só você sabe que tem que fazer aquilo.

CCCaio Carneiro

Então para você é melhor muitos planos ou planozinho?

RVRogério Vilela

Muitos planos, sempre. É um problema, né, que você não dorme direito, você fica sempre com a cabeça. Eu aqui com você, com a Trinca, com CBF, é uma merda, cara. Porque abre, sabe aquela coisa do Doutor Destino? Doutor Destino não, é Doutor Estranho, de abrir milhares de possibilidades. É uma bênção e uma maldição, cara, porque quanto mais gente eu conheço, quanto mais coisa legal acontece na minha vida, começa a abrir um emaranhado de possibilidades.

E eu falo, posso seguir por aqui, por aqui, por aqui, por aqui, por aqui. Quando você não tem opção, cara, você tá decidido, concorda? Quando você tem uma opção só, você tá decidido. Quando você tem milhares e quanto mais você caminha, mais gente conhece, mais opções você tem. E aí você tem que ter muita sabedoria e tá muito com o coração, a cabeça aberta para saber para onde a vida tá te levando. Ou para quem acredita em Deus como eu, qual é o propósito da tua parada, onde você vai fazer uma diferença maior.

É que eu tenho uma vantagem também, eu tenho um superpoder que me ajuda muito, que é viagem no tempo, né?

CCCaio Carneiro

Viagem no tempo?

RVRogério Vilela

Eu consigo viajar no tempo. Como? Cara, eu posso te ensinar, posso ensinar, as pessoas em casa vão aprender. Você tá com quantos anos?

CCCaio Carneiro

39.

RVRogério Vilela

Você vai conseguir fazer viagem no tempo da sua idade, da agora, de agora para frente só. Você não vai conseguir voltar para sua infância, porque tinha que ter aprendido antes. É a partir do momento que você aprende, você pode voltar até o momento de agora. Agora, se quiser, você vai poder voltar. Funciona da seguinte forma: eu percebi que eu tinha superpoder muito cedo.

CCCaio Carneiro

Interessante.

RVRogério Vilela

Eu lembro a primeira vez que eu descobri esse superpoder, era uma tarde de verão. Eu não sei quantos anos eu tinha, mas eu tava brincando em São Bernardo, uma noite, um dia muito quente que nem isso, mas muito quente, uma tarde, aquele céu vermelho. Minha mãe tinha deixado, não sei se era férias, minha mãe tinha deixado, não tinha hora para voltar, todas as crianças estavam na rua, a gente brincando com saco plástico pegando esses mosquitinhos de verão.

A gente pegava aquele monte de coisa. Eu lembro disso, cara. Eu lembro do que era tão quente que soltava o saco, ele voava. A gente jogava uns bonequinhos, fazia de paraquedas com esse saco plástico, cara. Eu sei que naquele momento eu falei, cara, eu vou me lembrar para o resto da minha vida desse dia. Eu tenho certeza. Eu lembro do cheiro, eu lembro de tudo, cara. E eu falei Quando eu quiser, eu vou voltar para esse dia. Eu falando com você aqui, eu volto para esse dia.

E aí eu aprendi que quando eu tô vendo uma coisa muito importante, cara, é só prestar muita atenção naquilo que eu consigo voltar. Então tem vários pontos na minha vida que aconteceram que eu falei, cara, eu nunca vou esquecer disso. Nascimento do meu filho, eu me olhava e eu conseguia ver como uma câmera me vendo naquela situação. E eu falei, cara, não tem como esquecer. Então, se você prestar atenção no agora, no que tá acontecendo, no que a gente tá acontecendo nesse calor, de como a camisa tá grudando, nessas coisas estão caindo, se você tiver vivo o suficiente e tiver acontecendo uma coisa muito legal, você consegue voltar, cara, e voltar muito.

Para aquela situação e viver aquilo de novo, não com saudade, com ai, queria estar sempre naquele momento, mas falar olha que legal que foi aquele momento. Então quando eu falo que é uma habilidade que você tem que desenvolver, é isso, cara, é você pegar alguns momentos da sua vida e falar cara, olha que abençoado que esse momento, e não tratar isso como uma coisa normal. Que a gente já, a tendência da gente é assumir que eu viajei de primeira classe Pô, é a 10ª vez que eu viajo, é assim, cara.

Mas tem algum dia, como agora, tô com meu pai, nunca viajou de executivo, ele tá comigo, tá curtindo, ele tá perguntando: posso pedir mais alguma coisa? Não, você pode pedir a hora que eu quiser.

CCCaio Carneiro

A hora que você quiser.

RVRogério Vilela

Posso pedir um vinho?

CCCaio Carneiro

Pode.

RVRogério Vilela

Ele descobrindo aquela coisa como eu tava descobrindo com ele, levando, me levando na primeira vez em alguma coisa. Eu falei: cara, olha esse momento, eu vou lembrar desse momento, ele vai lembrar desse momento.

CCCaio Carneiro

Entendeu?

RVRogério Vilela

Então é você não tratar o que a vida dá de extraordinário. E quando eu falo extraordinário, não são coisas caras. Eu falei de nascimento de filho, falei de uma brincadeira com plástico na rua. São coisas que, cara, você tem sentimento às vezes, você tem um sentimento de eu tô vivendo alguma coisa diferente, só que o corpo, teu corpo, tua mente te leva a falar, tá, eu tenho outras coisas para resolver, e você não fica naquele momento.

Eu queria que as pessoas ficassem mais nos momentos que estão se sentindo bem. Porque felicidade é uma coisa que você não atinge e fica para sempre. Aquilo vem, acontece e vai embora, porque é assim. Por isso que existe felicidade, existe tristeza, existe coisas ruins. E quando você passa dessas coisas ruins e vem uma coisa boa, você valoriza aquilo. Só que as pessoas, às vezes, elas estão tão acostumadas com essas coisas boas que simplesmente vão passando.

É mais um dia bom, é mais um dia com meu pai vivo, é mais um dia com minha criança, meu filho brincando aqui do lado. Ela não percebe que ele vai crescer, ele não vai mais precisar de você, não vai pedir colo, não vai te chamar pela décima vez perguntar por quê, não vai. Cara, aproveita aquilo. Olha que legal, cara, meu filho tá, sabe, ele tá comigo, eu sou a coisa mais importante para ele, ele quer brincar, montar um Lego. Então, cara, monta aquele Lego, presta atenção naquilo.

Guarda na sua memória e tenta voltar a isso depois, sabe? Então é uma coisa que eu falo para você, por isso que eu falei que é daqui para frente, porque agora quando acontecer alguma coisa, talvez você consiga lembrar do cheiro, lembrar do movimento da coisa, dessa luz que caiu em você, e fala: cara, aquele momento que eu tive lá foi muito legal, porque eu tava lá, tinha um monte de gente aqui que não precisava estar lá, e tava vivendo uma coisa que eu nunca mais vou viver, porque a gente nunca mais vai viver viver isso daqui, nunca.

Pode ser parecido, pode ser melhor, pode ser pior, mas isso nunca mais vai acontecer. Isso aconteceu, cara, pelo menos umas 15 vezes no podcast, pelo menos assim 15 vezes. É aquele estado de flow, aquele estado que tua mente, tua voz, tudo, o tempo para e parece que aquilo dura ao mesmo tempo uma eternidade. Quando você vê, parece que não durou nem 5 segundos. Você já deve ter passado por isso. É um estado que você tá tão criativo que as coisas estão acontecendo.

Quando já aconteceu no show, da plateia e eu, ser uma coisa tão conexa que uma piada entra aí dentro de outra, de outra. Passou uma hora, cara, você vai para o camarim e fala: o que que aconteceu aqui? Aquelas pessoas vão para casa falando: aquele foi o melhor show da minha vida. Eu vou para minha casa pensando: cara, esse foi o melhor show da minha vida, porque Não sei o que acontece, é uma conexão. Galera vai falar de energia, vai falar de um monte de coisa, mas acontece alguma coisa às vezes que é você com a sua mulher, é você com seu filho, é você com teus amigos.

É uma conexão, um negócio no momento certo, cara. É um monte de emaranhado de coisas que dá tão certo que você fala: cara, o que que aconteceu aqui? Você só passou uma noite inteira rindo e bebendo com seus amigos e parece que foi a melhor coisa do mundo. Só que a tendência é você esquecer isso. Não trata aquilo como especial, cara. Quando é que você vai estar com seus amigos da, sei lá, do colegial de novo, sabe? Então assim, a pandemia deu essa consciência para todo mundo, porque perderam parentes, perderam amigos, e fala: pô, eu precisava, podia ter falado com.

Eu com meu pai já tive muito problema, e eu comecei a pensar quando ele ficou velhinho, cara, Por que que eu vou brigar com meu pai? Que que eu ganho com isso? Provar que eu tô certo? Cara, ele tem 70 anos hoje, tá com 81, mas sei lá, ele tinha 60 anos na época, 70. Por que que eu vou ficar querendo provar para ele que eu tô certo? Porque na minha cabeça eu tô certo, ele tá totalmente errado. E é isso que a gente quer provar, né?

A gente quer provar que tá certo. Por que que eu não dou a razão para ele? Porque eu não deixo achar que ele tá certo, porque ele vai ficar feliz. Eu falo: não, pai, tá certo, cara, eu vou fazer isso mesmo. É, pô, legal, cara, que me custa isso? Então eu comecei, a partir do momento da minha vida, também ceder muito. Eu era muito tem que provar que tá certo, tem que provar que eu sou melhor, tem que provar. E, cara, isso não é de uma hora para outra, isso é ação, né, que você vai fazendo, vai fazendo.

Muita gente não tem essa paciência. Eu mesmo às vezes acho que é difícil isso, essa coisa de fiz uma entrevista ruim, cara, calma, amanhã tem outra entrevista, não vou ficar remoendo. Eu fico remoendo, cara, por que que eu não perguntei tal coisa? Já aconteceu várias vezes, principalmente com político, né, em época de eleição. Cara, deixei passar aquele negócio, tava na hora de perguntar aquilo e eu não perguntei. E agora eu tô vendo, tá todo mundo falando nas mídias, pô, Vilela não perguntou tal coisa, evitou tal assunto.

Ah, passou, na próxima eu vou melhorar, sabe? Não tem jeito, cara, a vida é assim, você não pode ficar remoendo. E é uma luta constante de não ficar remoendo os erros que eu faço.

CCCaio Carneiro

Obrigado por me ensinar máquina, hein?

RVRogério Vilela

Que isso, cara!

CCCaio Carneiro

Essa tá poderosa, hein?

RVRogério Vilela

Que isso! Quando der certo, você me avisa. Quando você voltar para o passado e der certo. Vilela, voltei para o passado, cara! Mas volta para coisas boas, né?

CCCaio Carneiro

Irmão, mensagem na sua. Você que vai terminar esse podcast. Câmera essa, né, produção? Aqui, ó. Nossa, primeiro, obrigado, cara.

RVRogério Vilela

Obrigado você, cara.

CCCaio Carneiro

Obrigado porque você gerou valor, você gerou provocação, você gerou insight, você gerou reflexão. Foi um podcast com, do jeito que a inteligência limitada teve pimenta, teve sal, teve açúcar, teve farinha, teve arroz, teve lasanha, cara, teve tudo, velho.

RVRogério Vilela

Quando acontece um episódio desse eu fico muito feliz porque a gente riu, a gente se emocionou, a gente lembrou de história e eu só fiz isso porque eu tava muito à vontade, cara. Se eu não tivesse muita vontade eu não teria me aberto, não teria falado, então Agradecer a você também.

CCCaio Carneiro

Mensagem final sua para a galera do Como Você Fez Isso?

RVRogério Vilela

Eu acho que é um pouco do que eu falei aqui, é você tá aberto para novas experiências, mas não na tua cabeça com que pode dar errado assim, porque, cara, a chance de dar errado e a vida te bater duro é muito grande, mas a chance de você apanhar, levantar, apanhar, levantar e depois ficar orgulhoso de que você conseguiu vencer aquilo, é o prêmio, é absurdo. Eu falo por experiência própria, eu nasci com os dois pés para dentro e para fora, apelido era Curupira, cara.

E hoje eu jogo futebol, faço esporte, faço tudo graças a meus pais, graças ao cara que me operou. Mas eu tô falando assim, foi uma dificuldade, eu poderia ter uma outra experiência de vida. Eu era o cara mais tímido do mundo, as pessoas não acredito, Caio. E eu entendo ele. Quando eu conto isso, as pessoas não acreditam. Mas vou perguntar para o meu pai, cara, eu era um bicho do mato. E hoje eu falo, eu dou palestra, não tenho problema nenhum entrevistar sabendo que tem milhões de pessoas assistindo.

Por quê? Porque eu decidi que meu dia ia ser bom, que meu trabalho ia ser bom, que eu poderia entregar mais. Então assim, se você, cara, quando você toma uma decisão É muito difícil a vida te falar não no final. No meio ela vai falar sempre não, sempre, sempre vai ter não. Você não pode, você não consegue. No meu caso, jogador de basquete, realmente não. Agora Batman, Batman, calma, é só um tempo. Eu vou desenhar o Batman mesmo que vocês não— mesmo que você não queira.

Vou fazer um produto pirata, vou ser processado. Mas eu vou desenhar um quadrinho do Batman. É uma ameaça!

CCCaio Carneiro

Senhoras e senhores, primeiro palmas, produção! Palmas para o seu Batman, vai lá!

RVRogério Vilela

Até o sol aliviou.

CCCaio Carneiro

Aí, ó, especial da Copa. Coloca minha câmera, produção. Fala onde? Aqui, né? Ali, ó. Você acompanhou comigo esse episódio diretamente de Orlando. Um papo descontraído, um papo a partir de um cômodo, no meio de um período onde o Brasil inteiro vibra, torce. Pode falar o que for, cara. Na hora que começa o futebol, o nosso país é diferente. Estão trazendo conteúdo para você. Então algumas recomendações: você que tá inscrito, você que chegou pelo nosso canal mas não se inscreveu, se inscreva no canal do Como Você Fez Isso para não perder nenhum episódio.

Ou se você tá ouvindo ou vendo alguma plataforma de streaming, também acompanha os canais do Como Você Fez Isso. Eu te encorajo agora pegar esse link e dividir no grupo de trabalho, de família, dos amigos, que eu tenho certeza que tem muita gente que precisa ser provocado pelo assunto de hoje. E eu agradeço a sua companhia nesse lugar maravilhoso. Estamos aqui nos Estados Unidos, derretemos aqui no sol. Mas fazemos isso porque nós honramos a sua companhia, sua confiança.

RVRogério Vilela

Quer mais engajamento?

CCCaio Carneiro

Quero!

RVRogério Vilela

Você que está em casa agora, prova que você chegou até o final dessa conversa. Eu faço isso sempre no meu Instagram.

CCCaio Carneiro

Então fala, vai para o seu.

RVRogério Vilela

Prova que você chegou até o final dessa conversa, escreva um máquina do tempo nos comentários e a gente sabe que você chegou até o final.

CCCaio Carneiro

Ah, máquina do tempo! Eu vou ler pessoalmente e quero saber a galera que vai aprender a voltar no tempo pingando e curtindo cada experiência. Máquina do tempo nos comentários. Um beijo para você, até semana que vem mais um Papo Vilela. Obrigado!

RVRogério Vilela

Obrigado! É para você voltar, mas não é para ficar lá, né? Vai e volta, não fica lá atrás não, lá no passado não.

CCCaio Carneiro

Que te esperamos a semana que vem, senhores, tá bom?

RVRogério Vilela

Um beijo, tchau, fui!

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