Episódios de Como Você Fez Isso?

COMO PARAR DE SER MEDÍOCRE E SE TORNAR EXCEPCIONAL? | Marcelo Toledo #145

10 de junho de 20261h4min
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Você sente que está abaixo do seu próprio potencial e não sabe como sair desse lugar? VNeste episódio do CVFI, Caio Carneiro recebe Marcelo Toledo para explicar como parar de ser medíocre, com base em neurociência, formação de hábito e a história real dos 600 dias na banheira de gelo.
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🎥 *Sobre o episódio:*A mediocridade é um desperdício de potencial. Neste episódio do Como Você Fez Isso, Caio Carneiro recebe Marcelo Toledo, empreendedor, engenheiro de software e palestrante com mais de 27 anos de atuação na construção e liderança de startups de tecnologia, como Nubank, Pleeven, Vex, LTM, Clivo e G4 Educação. Marcelo entrega um manual prático de como parar de ser medíocre, baseado em ciência. Você vai entender as três ondas de formação do cérebro, o porquê de 90% dos seus pensamentos se repetirem todos os dias, como construir um hábito em 66 dias, a diferença entre tarefas operacionais e tarefas de alavanca, e por que a zona de conforto na verdade é zona de conhecimento. Marcelo ainda compartilha a história real dos 600 dias entrando na banheira de gelo, e por que esse desafio foi o ponto de virada da vida dele depois do fim de uma empresa e de um casamento.
O que você vai aprender neste episódio:
✔️ Por que a mediocridade é um desperdício de potencial (e como ela se instala sem você perceber)
✔️ As três ondas de formação do cérebro que explicam por que você decide do jeito que decide hoje
✔️ Como construir um hábito em 66 dias e por que essa é a única forma real de sair da mediocridade
✔️ A diferença entre tarefas operacionais (que tiram peso) e tarefas de alavanca (que transformam sua vida)✔️ Por que a zona de conforto na verdade é zona de conhecimento (e como sair dela sem se enganar)
Você está confortável demais na sua mediocridade hoje? Deixe o seu LIKE se esse episódio te tirou do chão, INSCREVA-SE no canal e compartilhe com aquele amigo que precisa parar de desperdiçar o próprio potencial!

Participantes neste episódio2
C

Caio Carneiro

HostJornalista
M

Marcelo Toledo

ConvidadoEmpreendedor, engenheiro de software e palestrante
Assuntos7
  • Desacelerar e o cuidado de siConsciência das influências nas decisões · Programação cerebral e autoconhecimento · Três ondas de formação do cérebro · Associação de comida com calma · Identidade e pertencimento na adolescência · Diferença entre tarefas operacionais e de alavanca · Zona de conforto como zona de conhecimento
  • Gonzalo Plata disciplinaA importância de construir hábitos · O desafio da banheira de gelo · Resistência mental e desenvolvimento do cérebro · Tempo médio para formar um hábito (66 dias) · Diferença entre hábitos simples e complexos · Substituição de hábitos ruins por bons
  • Tomada de Decisão e EmoçõesInfluência do estado físico (fome, ansiedade) nas decisões · A vida como um laboratório de aprendizado · A importância de questionar as próprias decisões · 70 mil pensamentos por dia, 90% repetidos · Diferença entre o 'decisor' e o 'executor' · A importância de decidir em estado racional
  • Virtudes e bem-estar pessoalO conforto como fator de enfraquecimento · A natureza humana de ser 'frouxo' · A vida como busca pela virtude e melhoria contínua · Dinheiro como fator de afrouxamento · A zona de conforto como zona de conhecimento · A importância de 'caçar' e se manter ativo
  • Transformação PessoalO desafio de entrar na banheira de gelo · Benefícios fisiológicos e mentais do gelo · Domando a adrenalina e o sistema de luta ou fuga · O gelo como ferramenta de recuperação e energia
  • Clareza de propósito e objetivo de vidaA jornada de autodescoberta · A importância de caminhar e buscar · Identificar e lidar com pontos cegos · Viver a vida do seu próprio jeito
  • Fatores Psicossociais e Influências NegativasSilenciar o barulho interno (instintos) · Lidar com o barulho externo e a resistência do entorno · A necessidade de se afastar de pessoas que não agregam · Priorizar o autocuidado e a própria salvação
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Caio Carneiro:Fala, galera! Sejam todos muito bem-vindos a mais um grande episódio do Como Você Fez Isso. E hoje eu recebo um cara que eu gosto muito. Toda vez que eu encontro, a gente bate um papo muito legal. Tive a oportunidade recentemente fazer um podcast com ele também, né? Fomos convidados no Super Podcast também. E é um cara que eu tenho certeza que vai gerar grandes insights para você hoje no nosso episódio. Ele que é empreendedor, engenheiro de software, palestrante, com mais de 27 anos de atuação na construção e liderança de startups de tecnologia. Esteve por trás do Nubank, Oi, Payleven, VEX, LTM, Clivo e G4 Educação. Reconhecido por unir visão estratégica, cultura forte e protagonismo humano nos negócios, ele transforma sua jornada em conteúdo que provoca empreendedores. Com toda certeza já viu uma foto dele entrando na banheira de gelo, tá? Disciplina e autoconhecimento é um dos fortes desse cara. O convidado de hoje é Marcelo Toledo. Marcelo, obrigado, viu?

Marcelo Toledo:Muito obrigado, cara.

Caio Carneiro:Obrigado pela presença. A gente vai ter bater um papo.

Marcelo Toledo:E de fato, cara, a gente tava— relembrei essa história porque eu tava fazendo check-in ali no podcast que a gente foi gravar. Aí o Caio chegou, falou assim: acho que a gente vai gravar junto. E a gente ainda não se conhecia presencialmente, né? E você foi muito gentil, cara. Então assim, é muito bacana estar aqui gravando com você.

Caio Carneiro:Foi muito legal aquele podcast. E Marcelo, eu relembro todos os nossos ouvintes, e quando começa um um convidado nosso, que a gente começa a partir de um como. Hoje a palavra mais buscada na internet é como, como alguma coisa, né? As pessoas usam muito a internet como veículo de descoberta de como sair de um ponto A para um ponto B, um novo conhecimento, uma nova ação. E obviamente, quando a gente pensa no convidado, você, você tem, você usa muito os excepcionais, né, cara? Né, como se sair da média, e cara, sair fora da média. Então, como pessoas comuns viram excepcionais? Como parar de ser medíocre? Eu quero começar por aí e sei lá onde vamos parar nesse papo, mas eu quero começar soltando essa bomba para você. Como parar de ser medíocre?

Marcelo Toledo:Primeiro, acho que a gente precisa tomar consciência, cara, do que que influencia as nossas decisões. Isso é muito importante.

Caio Carneiro:Ótimo começo.

Marcelo Toledo:Porque a gente cresce, pelo menos eu cresci, acreditando que eu sempre decidi com a minha própria cabeça.

Caio Carneiro:Tá.

Marcelo Toledo:Até que eu entrei no mundo do autoconhecimento e um dia foi me apresentado, eu descobri que eu tinha decidido muitas coisas da minha vida não pela minha cabeça, pelo que os outros haviam me dito. E quando eu fui atrás disso, eu entendi que existia uma programação. Existe uma programação que a gente se desenvolve ao longo dela. Então acho que a primeira fase de você conseguir avançar na vida é você entender qual que é a sua programação, que todo mundo tem uma programação. E é importante a gente entender como isso se dá. E aí é aqui que eu chamo o despertar. O despertar é entender como é a sua programação. Porque para pensar, irmão, quais são os momentos nas nossas vidas que a gente não toma decisão bem? Eu, quando estou com fome, eu não tomo decisão bem. Eu, quando estou ansioso, eu não tomo decisão bem. Será que as notícias que você tá recebendo, será que os ambientes que você tá frequentando não tá moldando a sua forma de pensar e por conta disso você tá tomando as decisões? Isso, esse despertar, ele é importante porque ele organiza sua vida, ele faz com que você separe o que que é seu de verdade, você escolheu ter, e o que você fala assim: isso aqui não é meu, isso aqui eu absorvi do meu pai, da minha mãe, de quem me criou, de quem tava na minha casa quando eu era pequeno. Porque tem um detalhe, né, Caio? Existem 3 ondas de formação do nosso cérebro. 3 ondas, 3 ondas, elas acontecem em fases que usualmente a gente não lembra muito delas. Primeira delas é no começo, nossa infância ali, cara, dos 0 aos 3 anos de idade é o período que a gente tem a maior neurogênese da história da nossa vida. Nesse momento, cara, você tá formando seu cérebro, tá nascendo um monte de conexão neuronal ali, e tudo que você tá aprendendo de quem tá te criando, usualmente sua mãe, seu pai, pode ser biológico ou não, tá, que eu tô falando muito de aprendizado, de hábito. Aí você vai se desenvolvendo Na hora que você chega ali mais ou menos na adolescência, por volta dos 10 a 13 anos de idade, mais uma onda, tá? Então essa onda é uma onda, um movimento que começa, neurogênese começa a aumentar, você começa a ter uma poda neural, que não te serve mais você elimina, e você começa a reestruturar, reorganizar o seu cérebro. Depois de novo acontece a última, que é mais intensa, que ela vai até os 25 anos de idade. Então ela vai dos 17 aos 25 anos de idade. Na biologia, cara, cada pessoa é única, então não é exato. Né, mas a gente entende na ciência hoje, na neurociência, que o cérebro de um ser humano tá formado por volta dos 25 anos de idade. Aí pensa, irmão, que que a gente aprendeu quando a gente era bem bebezinho, do 0 aos 3? O que que a gente aprendeu na nossa adolescência? Já explica um monte de treta assim. Para começar, primeira coisa que a gente faz quando a gente nasce, somente chora. Segunda coisa que acontece Mete uma teta na tua boca, come. Nesse momento você tá associando: quando eu tô tenso, quando eu tô gritando, quando eu tô preocupado, comida. Comida te acalma. Aí você cresce a sua vida inteira associando comida com calma. Tá tensa sua casa? Vamos tomar um sorvete, vamos pedir uma pizza, vamos comer um biscoito. Sempre tem essas associações, sabe?

Caio Carneiro:Pensando aqui Percebe?

Marcelo Toledo:Então a gente vai, essas programações elas vão se arrastando, e às vezes a gente não entende. Por que que eu tenho compulsão alimentar? Por que que eu tenho isso daqui? Foi de lá. E na adolescência é um período que a gente esquece, mas é um dos períodos mais tensos do ser humano. É um momento, cara, que a gente começa a criar nossa identidade, porque até então papai e mamãe tava dizendo assim: Caio, faz isso. Caio, acorda. Caio, vai comer. Você vive isso hoje, você tá orientando seus filhos o dia inteiro, o tempo inteiro. Virou adolescente, irmão, é o primeiro momento da sua vida que você começa a ter independência. Você começa a escolher algumas coisas, algumas coisas. E uma das coisas que a gente quer é pertencer, porque uma das energias mais fortes do ser humano são os instintos, né? Então o instinto de pertencimento, ele é muito importante. Então você vai querer pertencer ao grupinho, só que o grupinho vai te rejeitar. E você vai aprender neste momento a amar quem te rejeita E isso não cabe dentro de você, você precisa transbordar. Chega em casa, você aprende a rejeitar quem te ama. Esse é o momento que o adolescente rebelde começa a aparecer, porque você não tá sabendo lidar com essa questão. Então pensa, são 3 ondas que te programaram, que foram super intensas em formação, que tá lá codificado no seu cérebro e que muita gente arrasta pro resto da vida. Por isso que quando eu tô formando Executivo fala assim, ó, esse comportamento que você tá me relatando, presta bem atenção, é de um adolescente. É um adulto que tá se comportando dessa forma, mas quem está agindo é o adolescente dentro dele. Então, quando você vê comportamento de pessoas que são questionáveis, às vezes ela tá reagindo, ela tá simplesmente reagindo o que que ela aprendeu e foi programado lá embaixo em relação a essa falta. Poxa, você foi lá, deu uma orientação de um trabalho para uma pessoa, cara, a gente tava corrido, você escutou 5 minutos, a pessoa, pô, ela ficou magoada, você não escutou ela, foi rejeitada, você não valorizou o trabalho que ela fez. Quando a gente começa a aprender essas coisas, o indivíduo, cara, você começa a deixar isso no passado e você começa a dar espaço, dar espaço para uma outra vida, uma vida que é mais sua, que você tem mais autoridade. Olha, eu sou esse aqui, isso daqui não era meu, isso daqui era do meu pai, isso daqui era da minha mãe, isso daqui era comportamento momento que eu estava espelhando.

Caio Carneiro:E é difícil, sabe, é difícil, né, de maneira geral as pessoas saberem o que que é meu e o que que veio dos outros.

Marcelo Toledo:Pô, leva uma vida, irmão. Até hoje tô descobrindo coisa, uma vida. É um começo, né, você começa e você fala assim: caraca, não acredito que eu fiz isso por causa disso. Aí na hora que você começa a treinar o seu olhar, a sua vida se torna um laboratório de aprendizado Porque você tem uma parceira do seu lado que tá sempre te ajudando, um parceiro do seu lado que tá sempre te ajudando, filhos que estão sempre te ensinando, e você começa a descobrir por que que eu senti isso, porque que eu reagi dessa forma, porque que eu falei isso, porque que eu falei dessa. Pronto, laboratório da sua vida é o seu contexto. Mas olha para os outros, porque que os outros estão se enfiando onde estão se enfiando? Por que que ele tá— presta atenção, as pessoas estão se apaixonando pelo quê? Isso é um aprendizado importante para a gente olhar para a vida dos outros. Você apaixonou por relógio, a gente tá numa fase do relógio, perfume. Por que que a pessoa se apaixona por perfume? Carro. Por que que ela se apaixona por carro? É um aprendizado, e tá tudo certo se isso tá dando certo na sua vida. A questão é que muitas vezes a gente se apaixona por prazeres da vida e se perde nele, não esquece que tudo isso daqui é meio. É meio de você ser mais feliz, é meio de você viver uma vida mais plena, é meio de você estar mais estável. Porque a gente só consegue ser na vida real, com os nossos amigos, no podcast, no nosso trabalho, quem a gente tá por dentro. Então, se isso tá te tornando uma pessoa melhor, ótimo, irmão, continua. Agora, se está te atrapalhando, tá te deixando mais nervoso, tá te construindo mascaras que não são suas, você tá se fragmentando, você não tá conseguindo mais ser íntegro. Isso atrapalha porque você tá vivendo uma vida que não é sua, que tá sendo influenciado pelo entorno. Você tá querendo pertencer a um lugar que você não precisa mais provar para ninguém. Faça por você. Então isso ajuda demais porque você gasta menos energia com esse tipo de coisa, sabe?

Caio Carneiro:E você deu um gancho muito bom porque Você começou, né, primeira coisa, a gente começou com mediocridade, você falou, primeira coisa, cara, como você toma decisão? Você falou, quando eu tô cansado, quando eu tô com fome, eu tomo decisões ruins. Depois você questionou a galera, falou assim, cara, primeira coisa é ter que questionar teu caixa de ferramenta, que muito da tal caixa de ferramenta tem ferramenta ali que não é nem tua, não era nem para estar ali. E então a gente pode associar uma vida medíocre com decisões ruins? Você acredita que decisão ruim, mediocridade, é uma vida? É uma— porque eu quero provocar a galera a entender como é que, sabe, qual que é o primeiro passo para começar a sair do jogo da mediocridade, como, cara, um desperdício de potencial.

Marcelo Toledo:Sim, cara, a decisão é uma das coisas mais importantes da vida, do momento que você acorda Ao momento que você vai dormir, você está decidindo. Você está decidindo ir ou não ir na academia, você está decidindo dar atenção ou não aos seus filhos, você está decidindo fingir que está trabalhando, você está decidindo que vai se atrasar. E nessas histórias que você se conta para decidir o que você vai decidir, às vezes você se engana. Percebe? Então A nossa vida é feita de decisões. Existem decisões que são corriqueiras, mas existem decisões que mudam uma vida. Quando você decide se casar com alguém, muda sua vida por completo, irmão. Uma das decisões mais importantes da vida é com quem você vai conviver. Quando você decide ter um filho, cara, uma das decisões mais importantes da sua vida. Por que que as pessoas mudam quando tem filho? Porque ela não pede permissão para entrar na sua agenda. A sua agenda é invadida. As pessoas mudam quando elas mudam a agenda delas. Olha, gostei! Na hora que você mudou a sua agenda, a sua vida vai ser transformada, sua vida vai ser transformada, consequentemente o seu entorno muda. Qual o resultado você vai ter? Pô, você vai ter um filho que vai ser educado ou vai ser mal educado, você vai ter um filho, percebe? Você vai construir um relacionamento, cara, você é obrigado a ter tempo para construir aquilo ali. Por quê? Porque você decidiu, você decidiu aquilo ali. Então é importante a gente entender e refletir muito sobre o que que influencia as nossas decisões. Agora deixa eu dizer uma coisa, que isso, quando eu descobri isso, eu falei: cara, que absurdo! Estudei com um cara, chama-se Dr. Joe Dispenza. Esse cara é um neurocientista e ele começou a estudar muito para arrumar a vida dele, e ele chega à seguinte conclusão. Isso é, cara, claríssimo na neurociência, todo mundo entende isso. Nós temos em média 70 mil pensamentos por dia. Todo mundo tem em média 70 mil pensamentos por dia. Mas sabe o que que é o mais impressionante? 90% dos nossos pensamentos se repetem todos os dias, iguaizinhos. Quais porcento? 90%. Caramba, eu penso 70 mil coisas, 63 mil é igual É, por isso que é difícil mudar. Então, se você pensa as mesmas coisas, Caio, você sente as mesmas coisas, porque pensar envolve muito mais do que simplesmente passar uma imagem na sua cabeça. Quando você pensa em algo feliz, como é que você fica? Energizado, cara. Você tá despejando hormônio de felicidade ali. Quando você pensa em algo triste, você, cara, tá despejando cortisol, você tá despejando as borboletas no estômago. Tudo isso, cara, é o seu sistema hormonal sinalizando ali como é que você deve sentir. Então, quando você pensa as mesmas coisas, você sente as mesmas coisas, significa que você vai mais ou menos estar do mesmo jeito quase todos os dias. Se você pensa igual e você sente igual todos os dias, você decide igual. Se você decide igual, sua vida não muda. É aquela história assim, cara, eu quero muito mudar, mas a minha agenda tá exatamente igual há 5 anos. Como é que sua vida vai mudar se sua agenda não muda? Você precisa entender que para mudar a sua vida você vai ter que mudar as suas decisões, você vai ter que fazer coisas diferentes. Só que mudar não é fácil porque tem uma resistência brutal, e a maior resistência é você mesmo. Na hora que você descobre que a maior dificuldade da mudança é você, você vai combater você com aqueles atalhos que te permitem construir um hábito. O segredo da vida é construir hábito, irmão. Na hora que você aprendeu a construir hábito, acabou, você zerou o game.

Caio Carneiro:Você curte estudar hábito?

Marcelo Toledo:Pra caramba! Pô, percebe qual que é o meu desafio? No gelo, 1000 dias.

Caio Carneiro:Por quê?

Marcelo Toledo:Porque eu sabia que eu precisava construir um novo hábito. Duas coisas do gelo: pra mudar, você tem que entender que você precisa ter força.

Caio Carneiro:Só me dá um contexto antes. Onde apareceu o gelo na sua vida?

Marcelo Toledo:No meio do caos.

Caio Carneiro:Pra quem não sabe, esse cara tá mais de 600 dias?

Marcelo Toledo:600 dias.

Caio Carneiro:600 dias entrando numa banheira de gelo todo dia. E ele ficou muito conhecido por, enquanto tava essa rotina, ele aproveitou, cara, já que eu tô aqui, vou gravar um conteúdo. É aquela pá, batei no saco de gelo.

Marcelo Toledo:Exatamente.

Caio Carneiro:Com muita sua marca, você tá preparando sua banheira, mandando sempre uma mensagem legal, ou sobre um fato, ou você mandando uma opinião, ou contribuindo com a turma com algum insight, né? E como apareceu?

Marcelo Toledo:Tava no meio do caos, irmão. Você sabe que essa empresa que eu te contei que era aqui do lado chamava-se Clivo. Foi uma empresa, uma health tech, que eu montei assim que eu saí do Nubank. Então saio do Nubank, decido montar uma healthtech, queria fazer alguma coisa diferente do mercado financeiro. Já vinha trabalhando no mercado financeiro há tanto tempo, falei, cara, quero fazer diferente, eu gosto de saúde, eu gosto dessas coisas. Montei uma healthtech, uma fase boa ainda de captar dinheiro, levantei 2 milhões e meio de dólares. Ainda dava para fazer isso no PowerPoint, levantei no PowerPoint, comecei o negócio. 2 anos depois levanto uma Série A, quase 10 de dólar, levantamos 50 milhões de reais. Fiquei 5 anos com esse negócio. Aí a gente descobriu já há algum tempo que a gente não conseguia crescer. Só para você ter a referência, esse negócio que eu montei no Brasil é a referência de um negócio americano chamado Livongo. Esse negócio, na hora que eu captei, tinha acabado de ser vendido por 18 bilhões de dólares. Cara, estourei! Peguei um modelo de negócio gringo, tô trazendo para o Brasil. Boa parte dos negócios que deram certo aqui foram assim. Estourei! Quem comprou essa empresa chama-se Teladoc. Ela comprou a Livongo por 18 bilhões de dólares. Hoje ela vale menos de 1 bilhão de dólares. Caramba! Ou seja, postei no cavalo errado, não consegui fazer esse negócio crescer, decidi devolver a grana dos investidores. Devolvemos 30 milhões de reais para os nossos investidores e encerramos o negócio. Dediquei 5 anos da minha vida para isso, cara. Não é fácil. Neste mesmo ano eu estava encerrando um relacionamento de 10 anos, também separando. Foi duro, foi bem difícil. Tudo junto, tudo junto, irmão, uma atrás da outra, tipo assim, ao mesmo tempo. E não é que essas coisas acontecem tipo, ah, aconteceu ontem. Não, vem acontecendo nos últimos anos. Então você já tá tenso, você já tá com uma energia complicada, você já tá um pouco desafiador. Então eu tava no meio do caos. Chegou o momento, a empresa já tava fechada, separação ainda não tinha vindo, mas tava muito complicado. Falei: 'Esse cara, eu preciso mudar, eu preciso mudar, eu preciso fazer alguma coisa para mudar minha vida.' E eu sabia que para mudar a vida, para fazer as mudanças que eu precisava naquele momento, de passar por um negócio fechando e decidir fazer um novo negócio, Eu ia precisar ter força e eu não tava forte, eu não tava forte. A força, ela é mental. Eu falei: para construir força, eu preciso de um desafio muito grande. E eu comecei a ver um cara no Canadá que entrava no gelo a -23 graus. Falei: irmão, é isso, não vai estar -23 graus porque lá ele mora em Winnipeg, então às vezes tá -40 do lado de fora, banheira tá mais quente do que lado de fora.

Caio Carneiro:E o cara entrava Todos os dias.

Marcelo Toledo:Falei: cara, é isso, vou colocar o desafio de 300 dias entrando no gelo. E eu comecei a entrar. Um dia, dois dias, 50 dias, 100 dias, 200 dias, todos gravados. Sabe o que aconteceu com o meu Instagram? O quê? Nada. Não aconteceu nada, irmão. Não ganhei seguidor, não ganhei like. Aliás, muita crítica. Como assim, irmão, entrou na banheira de gelo? Você é um executivo do Nubank entrando no gelo, cara. Você é empreendedor fazendo isso. Você tem que fazer conteúdo assim, tem que ser curto, tem que ser rápido, ninguém tem tempo, tem que ser na hora certa, do jeito certo.

Caio Carneiro:Mas você sabia dos benefícios fisiológicos do gelo? Já tinha estudado?

Marcelo Toledo:Ou você já tinha lido Wim Hof? Já fazia gelo, já fazia gelo, só não tinha colocado a meta.

Caio Carneiro:tá?

Marcelo Toledo:Já fazia respiração. Pô, a minha, o meu background é do Kriya Yoga, né? Então eu tenho esse background de meditação, de respiração e tal. E aí, cara, comecei a ter todo esse benefício. E era duro, irmão, era muito duro. Primeiro inverno que eu passei, cara, paulada. Hoje, porra, 15 graus, entrar banheiro de gelo é duro. Você já tá com a mão gelada, o pé já tá duro, tá frio. Só que é aí, isso que é muito importante, é aí que se constrói a força. Dr. Andrew Huberman, um dos maiores podcasters do mundo de ciência, ele é chefe do laboratório de neurociência de Stanford. Um dos estudos que ele fez foi de uma região do cérebro chamado meio cingulado anterior, diz que é responsável pela resiliência, disciplina, resistência, o que forja o ser humano. É o que forja o ser humano. Ele diz o seguinte: quanto mais você faz coisas que você não quer fazer— sabe a luta mental entre fazer ou não fazer de algo que você já decidiu— e você vence essa luta, essa região do cérebro ela se desenvolve, ela aumenta de volume e ela aumenta de atividade. Ou seja, ela se torna mais dominante no seu cérebro. Uau! E aí você começa a ficar mais forte, você começa a tomar decisão melhor. E eu sabia disso. E eu fui lá, cara, comecei a fazer. Eu vou testar essa parada, tô precisando de desafio. Comecei a fazer, fazer, fazer. 200 dias, não mudou nada. Chegou no final do ano, falei: vou mudar tudo, vou parar de escutar tudo que estão me dizendo, de fazer conteúdo, eu vou fazer do meu jeito. Voltei de férias, escrevi meu primeiro texto, primeiro vídeo, 1 milhão de views. Segundo vídeo, 1 milhão de views. Terceiro, 1 milhão de views. Todos começaram a emplacar. Eu levei 200 para não sair do lugar. No 201 em placo, em 3 meses eu ganhei 1 milhão de seguidores. Ali eu formatei o meu texto melhor, eu comecei a trabalhar com conteúdos que eu gostava, eu comecei a postar às 6:45 da manhã, um horário que ninguém postava. Meus vídeos têm em média 4 minutos. Eu tenho vídeo de mais de 1 milhão de views com quase 10 minutos no Instagram. Eu comecei a fazer diferente do que que todo mundo me orientava a fazer. Quebrei o padrão. Quem que é o cara entrando numa banheira de gelo falando sobre autoconhecimento? E a partir dali, cara, ao mesmo tempo que eu estava no meio do desafio, eu tava me forjando para mudar minha vida.

Caio Carneiro:Muito bom.

Marcelo Toledo:Tava ganhando a força para mudar minha vida. E aí eu fui mudando minha vida. Uma das coisas que eu tinha escolhido para minha vida foi: vou aprender a produzir conteúdo, depois eu vou montar um negócio, mas eu vou ficar aqui, ó, quietinho, aprendendo a produzir conteúdo. Quero entender esse negócio de marketing digital, porque eu vinha do mercado corporativo, e mercado corporativo e a galera do marketing digital, cara, são dois mundos completamente diferentes. A turma do marketing digital sabe fazer um marketing digital que galera do corporativo não sabe fazer. Eu falei, eu quero aprender isso porque eu acredito nisso, eu sei que isso daqui é o presente. Poucas pessoas enxergaram, mas é o presente. Então eu falei, vou me dar tempo para eu conseguir pensar e refletir e decidir o que que eu vou fazer depois. Então a banheira de gelo foi meu processo de transformação, de construção de força, que é o pré-requisito para mudar a vida. Porque quem tá prostrado no chão, deitado, cansado, destruído, derrotado, negativo, não muda de vida. O que é duro, que quem mais precisa mudar de vida é quem tá nessa situação, entendeu?

Caio Carneiro:E, cara, você trouxe um negócio muito bom, né? Porque uma das perguntas que eu ia te fazer: como que treina a mente para resistir à pressão, né? Qual que é o treinamento da cabeça para resistir a Uma atividade que não tem o prazer, uma atividade que me confronta. E você já matou uma charada, né? Quanto mais você faz coisas que você não tá a fim de fazer, mas você disse que ia fazer, você vai lá e faz, parece que você aumenta esse histórico de credibilidade que você tem com você mesmo. E cientificamente, até teu cérebro muda. E quando a gente traz hábito, você falou uma coisa muito legal: vida igual agenda. É, como é que você faz o teu check-up? Você faz check-up da sua agenda, por exemplo? Como é que você é com agenda?

Marcelo Toledo:Sobre isso hoje no meu estúdio, já, cara, tem uma aula sobre isso hoje.

Caio Carneiro:Dá uma aula da gente sobre agenda. Como é que agenda? Como que você, Marcelo, você trata tua agenda? Como você revisa tua agenda? Como você constrói tua agenda, cara?

Marcelo Toledo:É a resistência do mudar. Ela só precisa passar do ponto de construir um hábito. Eu vou chegar na agenda só para você entender esse ponto, que é muito importante as pessoas entenderem. A resistência é uma proteção. O ser humano ancestral, nosso corpo é ancestral. A gente tá aqui em 2026, mas nosso corpo ancestral, nós temos instintos que são energias muito fortes que a gente tem, que nos mantiveram vivo por 300 anos, irmão. Só que agora a gente não precisa mais desses instintos. Quais são nossos instintos? Reproduzir é um instinto. A gente precisa preservar a espécie, que tá ligado ao sexo. Olha a pornografia como tá, olha quantas pessoas se perdem no sexo, porque é uma energia muito forte. Se você não doma, se você não consegue domar o seu instinto, você é dominado por ele. Qual outro instinto? Segurança. Você vai buscar segurança todo tempo. Como é que a gente se preserva em termos de segurança? Alimentação é uma coisa. Quantas pessoas se perdem na alimentação? Quantas pessoas ficam ansiosas? Porque ansiedade lá atrás era o quê? Amigo, vai buscar comida porque o inverno tá chegando. Aí você vai buscar comida. Então, preservar a sua segurança. Quando o chefe vem para você e te dá um feedback muito duro, Não é um leão que tá vindo falar com você, mas o leão em você que ainda não foi domado às vezes te deixa bravo, te deixa puto da vida. Essas energias dos instintos, elas precisam ser domadas. Se você não aprender a domar isso, ela vai te controlar e você vai se perder. Muitas pessoas se perdem aí. E aqui é um ambiente que os filósofos gregos chamavam de vício. Vício não é só droga, bebida, álcool, vape, não. É tudo que te afasta do que é bom. Tudo que te afasta do bem, do que é virtuoso, te leva para o vício. E aí, quando você se aproxima de uma vida virtuosa, a vida virtuosa, cara, pouco importa os outros. O que importa é você. Então, cara, não se bata, não se puna. Somos seres errantes por natureza. Queremos arrumar a nossa vida. Então a luta é de você ontem com você hoje. Hoje você venceu mais ou perdeu mais?

Caio Carneiro:Olha para trás.

Marcelo Toledo:Tô vencendo mais nessa semana ou perdendo mais? Se só quer tá melhorando. Só que de novo, para a gente mudar, a gente vai precisar da nossa agenda. A gente vai precisar organizar nossa agenda. Então primeira coisa que a gente precisa entender: onde estamos investindo o nosso dinheiro? Nosso dinheiro é nosso tempo.

Caio Carneiro:Muito bom.

Marcelo Toledo:Para a gente olhar o nosso tempo idealmente, eu sou, pô, você também veio do mercado, cara, a gente tá acostumado a organizar agenda muito bem. Eu uso uma técnica de calendário, não vou explicar aqui, mas vocês pesquisam depois, chama zero-based calendar, calendário base zero. É tipo orçamento base zero, só que chama-se calendário base zero. Significa o quê? Você vai preencher 100% do seu calendário, significa que O tempo que você tiver comendo vai estar lá, comendo. O tempo que você tiver respondendo mensagem vai estar escrito lá, respondendo mensagem. O dia que você tiver dando aula, tudo, seu calendário é preenchido, inclusive quando você está no trânsito. Por quê? Para que que a gente precisa disso? Porque você vai pegar seu calendário, você vai olhar as últimas 4 semanas e você vai classificar onde você tá gastando tempo. Eu usualmente percebo que boa parte dos calendários tem em torno de umas 10 categorias: reunião comercial, produto A, produto B, produto C, pegando investimento, falando com o cliente, Junta suas 10 categorias e percebe: tá na proporção que você quer? Esse daqui que reflete seu passado transforma sua vida? Não transforma sua vida. Então você vai precisar mudar a alocação de tempo. E nesse momento é importante a gente entender uma coisa: 90%, se não 100%, das tarefas das pessoas são focadas em tarefas operacionais. Que são tarefas que tiram puta peso das costas, mas não transformam sua vida. Significa que, cara, você recebeu uma mensagem do WhatsApp, cara, sou super rápido no WhatsApp, sou rápido no e-mail, respondo todo mundo, recebo todos os funcionários, falo com todo mundo, não muda sua vida, que você tá mantendo as coisas e tirando o peso das costas. Por outro lado, existem tarefas que são tarefas de alavanca. Tarefas de alavanca é tudo aquilo que se você fizer transforma sua vida.

Caio Carneiro:Gostei do nome, tarefa de alavanca.

Marcelo Toledo:Tarefa de alavanca vai mudar sua vida. Então, se você porventura implantar IA numa área que é crítica e ainda não use, ah, vai transformar sua vida, vai mudar sua margem, vai te dar mais tempo. Ler um livro para te dar conhecimento, para ter clareza do que fazer na sua vida, tarefa de alavanca. Tudo que permite a sua vida ser transformada é uma tarefa de alavanca. Usualmente as pessoas têm medo das tarefas de alavanca porque o instinto nos protege de fazer algo muito grande. Nosso instinto fala: vai no básico, vai no conhecido, vai no comum.

Caio Carneiro:Você acha que naturalmente o nosso instinto pede por tarefas operacionais e poucas alavancas?

Marcelo Toledo:Ele escolhe a mais fácil. O instinto escolhe a mais fácil. É o que vai dar menos dor de cabeça. É o conhecido. É sempre pelo conhecido. O desconhecido traz medo. Medo traz insegurança, insegurança ativa esse seu instinto. Por isso, quando você começa a separar, você fala assim: epa, não é medo, não é medo, é o meu instinto. Entendi que é meu instinto, eu vou fazer o que precisa ser feito. E aí, irmão, quanto tempo leva para a gente formar um hábito? O estudo mais recente, respeitado, de hábito diz que em média leva 66 dias. Em média tem outlier lá, gente que fez em 30, 40 dias um hábito. Só que teve gente que levou 200. Então não é sobre você conseguir desenvolver a disciplina.

Caio Carneiro:E quando que eu sei que virou um hábito mesmo? Quando não tem mais?

Marcelo Toledo:O que que é um hábito na prática? Na prática, tudo que nós pensamos, sentimos, temos de memória, ficou guardado no nosso cérebro em forma Circuitos neuronais. Então quando você constrói um hábito, pô, cara, Fabi, anos lutando, cara, ela tem uma circuitaria. Taekwondo que ela fazia, de taekwondo absurdo, cara. Você exime o vendedor, irmão. Você tem uma circuitaria absurda de saber ler o cara, de ter a percepção de microexpressão, de comportamento, de tudo. Você tem isso porque você desenvolveu isso. Quando a gente fala que um hábito leva em média 66 dias para ser formado, é o tempo que aquela circuitaria vai estar formada, tá? Aí percebe, dá trabalho para construir, precisa de energia, precisa de alimento, precisa de tempo para que aquilo ali se forme. Tem um vídeo que eu adoro no YouTube que é A filmagem de duas sondas neuronais aos pouquinhos, puff, na hora que uma conecta com a outra.

Caio Carneiro:É real? Tipo, é real?

Marcelo Toledo:É real, foi filmado em laboratório, eles conseguiram filmar num microscópio in vitro. E aí você vê aquilo ali se formando, você fala: cara, que absurdo! Isso aqui levaria 66 dias em média. Então vem a primeira sonda, se conecta, aí ele vai juntando as outras e vai fazendo outras, e daqui a pouco vai formando outra, e tudo depende de uma coisa: Hábitos simples, mais fácil. Hábitos complexos, mais difíceis.

Caio Carneiro:Que que muda essa categoria do simples para o complexo?

Marcelo Toledo:É o número de variáveis que tem para você aprender. Então, por exemplo, japonês, talvez para nós brasileiros seja difícil aprender japonês, alemão, finlandês. Piano talvez seja muito mais complexo de aprender se comparado com uma bateria. Eu não sei nada disso, gente, eu tô chutando, não me matem, mas entendeu? É o nível de complexidade, quantas variáveis vai ter. Se tem muitas variáveis, cara, você vai ter que ter uma circuitaria tão é grande para aprender e dominar tudo aquilo ali, sabe? Então o segredo é: você vai precisar mudar sua vida, entenda que você vai precisar construir um hábito. Marca na sua agenda 66 dias. Eu trabalho com um modelo de gestão que eu gosto muito, que é arcaico, mas funciona, chama modelo de gestão à vista. Eu pego post-it, reservo uma parede do meu escritório, colo 66 post-its lá, e eu falo: a partir de agora eu vou aprender a tocar bateria. Tem 66 lá, irmão. Eu sei que é só quando eu chegar no 66 que eu posso considerar não fazer, porque já foi formado. A luta mental, ela passa depois da construção do hábito, porque o seu corpo já entende que é um caminho comum, é um caminho comum, não preciso mais proteger, não vou precisar gastar energia para construir uma circuitaria que não existe mais. Depois desse momento, é o momento que sua mente para de negociar. Percebe? Então a construção do hábito, ele é um processo fisiológico, não é um negócio abstrato, etéreo. Por isso que dá trabalho, porque seu corpo tá simplesmente falando assim: não faz isso, irmão, você não pode gastar energia, você precisa reservar energia, se protege.

Caio Carneiro:E tem circuitarias que a galera desenvolveu que não era para desenvolver, por exemplo, hábito ruim. E a lógica também é a mesma, é a ruptura da repetição.

Marcelo Toledo:Lembra que eu falei que a gente tem 3 grandes ondas da formação, né?

Caio Carneiro:Tipo, 66 dias para construir um hábito e quantos para destruir um?

Marcelo Toledo:Então, essas 3 fases são fases que a gente tem um negócio chamado podoneural. A podoneural, de fato, ela faz uma limpeza das coisas que não servem mais, tá? Depois dos 25 anos de idade, você não tem mais podoneural. Não significa que você é, não tem a capacidade de enfraquecer aquele circuito. Então, por isso que eu digo assim, toma muito cuidado com as experiências da sua vida, porque se você for lá experimentar uma droga, tudo que é associado a uma emoção muito grande, ela é mais forte. Todo mundo tiver escutando, assistindo a gente, pensa na sua primeira memória da vida, primeira que você lembra. Certamente essa memória vai ter um vínculo emocional muito forte. Porque a emoção, ela crava com muita força nossa memória. As memórias são elementos fundamentais do aprendizado. Por isso que professores que eram engraçados, a gente aprendia mais fácil, porque entra mais fácil na memória. Se a gente não tem habilidade de eliminar um circuito tão facilmente, a estratégia mais inteligente é a gente utilizar um outro artifício da nossa mente. Que é o caminho ser diferente. Então, o cérebro é o hardware, é a parte física. A mente é por onde nós vamos utilizar a circuitaria. Então, quando você começa a criar um gatilho, fala assim: cara, toda— eu tô viciado em vape, quero tirar o vape. Você vai ter que prestar muita atenção nos momentos que aquilo te dá o gatilho e comece a construir novos hábitos. Comece a trocar os hábitos, porque você vai construir uma nova circuitaria para tentar substituir aquela. Então, quando a galera assim fala: troca o vape pela bala, cara, tecnicamente faz muito sentido, sim, porque você tá introduzindo um novo hábito que você não tinha antes. Então, o que nós queremos então é parar de usar aquela região, isso chama-se qual que é o caminho cognitivo que vamos utilizar, por onde o circuito vai passar. Se você começa a construir outra região, você deixa de utilizar aquela. E aí, o que vai acontecer, Canhão? Vai enfraquecendo, porque a fortaleza de um circuito, ele fica cada vez mais forte com a insistência do uso. Toda vez que você tá tendo impulso elétrico e o hábito é o mesmo, todos os circuitos neuronais, eles acendem ao mesmo tempo. Pá, pá, pá, você tá fortalecendo. Parou de usar, ele começa a enfraquecer. E aí pode ser que um ou outro seja eliminado, mas percebe, você não desaprendeu de andar de bicicleta mesmo ficando 20 anos de andar de bicicleta.

Caio Carneiro:Verdade.

Marcelo Toledo:Por quê? Porque a nossa poda neuronal depois dos 25 anos de idade Ela é, cara, ínfima. A gente enfraquece os circuitos. Dito isso, o melhor caminho é: tente criar novos hábitos para substituir os hábitos antigos. Por isso que eliminar um vício é dificílimo. Por isso que quando você constrói maus hábitos, dá um trabalho desgraçado para você tirar da sua vida, porque tá instalado, se tornou a sua programação, virou parte da sua identidade. Então a força do vício, cara, é um negócio assustador. Por isso, cara, tem que respeitar. Pô, o Colatra tá passando por desafio, cara, eu respeito, porque eu sei que é difícil. Passando por abuso de droga, pornografia, qualquer que seja o desafio, respeito, irmão, porque eu sei que é difícil. Eu sei que é difícil sair dali. A força é gigantesca, envolve muitas coisas ao redor. Fora que a substância também te altera, né? Altera sua energia, altera o seu interior, altera o seu humor, altera muitas coisas. Então você começa a empilhar os problemas, entendeu? Para mudar a vida.

Caio Carneiro:E como uma pessoa faz uma avaliação se ela tá evoluindo mesmo de verdade ou ela tá se enganando?

Marcelo Toledo:Cara, essa é uma excelente pergunta, porque o que cada um quer da vida é muito subjetivo. Então eu sempre deixo assim de forma genérica para as pessoas refletirem sobre assim, análise tem que ser sua, mesmo sabendo que a gente vai se enganar algumas vezes. Você tá caminhando para um mundo mais virtuoso? O que que é o mundo mais virtuoso? É aquilo que te faz bem, que te torna uma pessoa melhor, que é bem, que é bom para quem tá ao seu redor. Percebe? A gente tem consciência do que a gente coloca para dentro da gente, de comida, de informação, de amizade, de ambiente que não nos faz bem. Só que aí você precisa separar: não me faz bem, ou eu que tô me boicotando, ou é o meu instinto que tá falando não faz e eu estou criando uma desculpa para não ir. 'Mas eu sei que é bom.' Então essa conversa interna, ela é muito importante de se ter, porque senão você se engana o tempo inteiro. Por isso que é importante você entender que você não é os seus pensamentos.

Caio Carneiro:Fale mais.

Marcelo Toledo:Você não é os seus pensamentos, você é quem observa os seus pensamentos. Olha, percebe, quando você tá parado quietinho, você tá olhando Pô, que árvore bonita! Você tá observando tudo isso. Os seus pensamentos são resultado da sua programação, dos seus instintos. Então, logicamente, você pode pegar e falar assim: não, eu não tô querendo ir na academia não é porque eu tô cansado, é porque eu tô frouxo. Eu vou mesmo assim.

Caio Carneiro:Percebe?

Marcelo Toledo:Escuto meus pensamentos, observo meus pensamentos, mas decido logicamente. Por isso que teve um determinado momento da minha vida que, depois que eu entendi isso, caiu. Eu falei assim: eu me boicoto demais, então preciso me proteger de mim mesmo. Como é que eu vou me proteger de mim mesmo? Quais são os momentos que eu decido as coisas da minha vida? No momento que eu acordei, tô calmo, não tô ansioso, estou tranquilo, com a mente limpa, sento e falo assim, ó: estou decidindo que agora 6 vezes por semana eu vou me alimentar absolutamente correto. Só vou sair uma vez por semana da dieta. Vou treinar todos os dias, de segunda a segunda. Estou decidido. Nesse momento eu sou uma pessoa, eu sou a pessoa que decide o que vai fazer racionalmente. Quando eu decidi, anotei tudo que eu vou fazer de mudança na minha vida, transferir para minha agenda. Onde vai dar Quando eu começar a executar, que eu vou falar: cara, hoje eu tô cansado, hoje o dia foi tenso, eu quero um sorvete, puta, hoje eu não tô querendo fazer isso. Essa pessoa, que é a pessoa que executa, ela não pode decidir. Eu tenho um que decide, eu tenho um que obedece. O que obedece não muda a regra do jogo. Só pode mudar a regra do jogo naquele ambiente seguro, sem barulho do mundo, racional, quieto, em silêncio, e repactuar. 7 dias por semana de treino tá muito? Então beleza, vou mudar racionalmente, sem influência dos meus instintos. Quem executa obedece. Na hora que você começa a fazer isso na sua vida, irmão, você começa a perceber: não tem negociação.

Caio Carneiro:Cara, gostei desse lance, né? Eu acho que o grande desafio é que essas duas pessoas moram no mesmo corpo, o que executa e o que decide. Mas você tem até essa chave para saber que horas é o Marcelo executor, que horas que o Marcelo o decisor.

Marcelo Toledo:Cara, é, hoje eu sou mais consciente dos momentos que eu não posso decidir. Então às vezes meu time chega para mim e fala assim: cara, a gente precisa decidir isso, bora, bora! Cara, o tempo inteiro aparece isso, precisamos decidir, cara, isso é importante, não sei o que lá. Só que eu não tô bem, eu falo assim: galera, amanhã eu decido isso. Não, cara, mas precisa, é importante, o cliente— não consigo decidir isso agora porque eu sei que eu vou tomar decisão errada. Porque eu sei que eu não tô bem, vou ter viés. Durmo, acordo bem, minha cabeça já mudou, já tô pensando mais claramente. Aí eu tomo a decisão. Então, nesses momentos que são críticos, é importante você saber: maior parte das decisões que a gente toma não são tão importantes assim. Maior parte das decisões, quem diz é Jeff Bezos, 90% das decisões que a gente toma nas empresas, elas são reversíveis. E o impacto é baixo. Esse é o tipo de decisão, deixa com o time, só ensina o time a não repetir o erro. Mas tem 10% das decisões que elas são críticas, de impacto alto, irreversíveis. Nesse momento você pega, assume, você decide. E nesse momento decide direito, não decide no impulso, decide baseado com dados, escuta a opinião das pessoas, e aí decide. Você vai decidir do jeito que racionalmente precisa ser decidido, não na emoção. Porque quantas vezes, cara, você fala: pô, isso é injusto, cara, é injusto, irmão. Na hora que você falar injusto, não é você racionalmente que tá falando, você já tá todo influenciado pelo esse monte de energia que tá dentro de você, cara. Aprende a acalmar o barulho dentro de você para você estar mais tempo em capacidade de decidir racionalmente, logicamente. O que é desafiador, não é fácil, é um treino todo dia, todo dia um treino.

Caio Carneiro:Tem uma frase muito falada, eu queria ver o seu ponto de vista, aquela: saia da zona de conforto. E o objetivo de toda pessoa é conquistar conforto. Mas ela evolui fora. Para você, como é que essa dança? Realmente eu preciso promover constantemente o desconforto. Se eu buscar o conforto, tô indo contra o jogo do progresso. Mas parece que a minha vida tem que estar sempre de uma certa maneira, eu preciso me colocar numa zona de pressão constantemente. Não, como que você equaciona às vezes esse questionamento? Eu vi até recentemente um comediante, eu acho Acho que era o Rafinha Bastos, se não me engano. Ele fez uma provocação nesse sentido da zona de conforto. Sai da zona de conforto. Pô, tô querendo entrar faz 30 anos, né?

Marcelo Toledo:Maravilhosa, linda.

Caio Carneiro:Mas qual o teu racional assim? Como que você pensa em relação a isso?

Marcelo Toledo:O ser humano atribui o sucesso à busca pelo conforto. Só que a busca pelo conforto enfraquece. Não é o que eu acho, é o que é, é o que a ciência nos diz que é. Então, tudo que a gente repete, que é a construção do hábito, a gente fica bom. Quanto mais você repete, melhor você fica. Isso é um fato. Só que serve para o bem e para o mal. Começa a sentar no sofá e assistir Netflix 3 horas por dia, você vai ficar bom. Você vai ser muito bom em fazer isso. De fato, você vai construir uma circuitaria. E lembra, quando você constrói, não é só aquilo ali, é o sentimento, é como o seu corpo vai sentir, é como vai ficar o seu estado. Você vai entrar no estado de paz, de fraqueza, tudo vai ser difícil para você. Cara, porque você tá ali, tá bem, você tá seguro ali no sofazinho quentinho com seu sorvete, com a sua pipoca. Então você vai ficar bom em ficar frouxo. Por isso que eu falo, todo mundo é frouxo. Você só precisa descobrir, se você não descobriu ainda. É a natureza do ser humano, é ser frouxo. E ser frouxo não é uma ofensa, é ausência de força, é ausência de força. Por que que a gente precisa dar estímulo o tempo inteiro para sair da zona de conforto? Porque é isso que te mantém forte. É isso que te mantém forte. A vida não é sobre buscar conforto. Parece muitas vezes, você fala: cara, eu quero um carro melhor, agora eu quero uma casa melhor, agora eu não viajo mais de econômico, só viajo executivo, agora eu só uso hotel 5 estrelas. Você vai criando isso. Isso, cara, eu acho ótimo isso. Só que presta atenção na história das outras pessoas. Dinheiro, irmão, É um dos maiores fatores de afrouxamento do ser humano. Por quê? Porque você teve acesso ao conforto, porque você não precisa mais ouvir os feedbacks que antes você ouvia, você não precisa mais escutar ninguém, você é dono da sua própria vida. Se você não tiver com a cabeça treinada, você vai afundar. Por que que muitas pessoas desabam depois do dinheiro? Porque elas começam a se perder. Percebe? Então a vida é sobre buscar a virtude, e a virtude é melhorar sempre. Você veio para cá com uma missão, a gente não sabe qual que é, mas melhorar sempre é parte do seu trabalho. Então quando a sua vida tiver piorando, só lembra disso, porque pode ter gente que vai falar assim: eu não concordo com isso, eu acho que a vida, cara, ela tem que ser mais tranquila, tem que ser em paz. Não tem problema você pensar assim, só que quando você olhar para sua vida E você perceber que você está fraco, sem resultados, e as coisas que você gostaria não estão mais acontecendo, só lembra do que eu falei: você vai precisar reconstruir a sua força, porque você ficou frouxo demais, tá com ausência de força. Você vai precisar construir a força para poder mudar a sua, a sua vida. E para mudar a sua vida, você vai ter que sair da sua zona de conhecimento, a sua zona de conforto. Usualmente não é conforto, ela é zona de conhecimento. Ela só é reconhecível por você como algo seguro. Muitas vezes as pessoas estão sofrendo numa zona de conhecimento. Eu não sei se você viu aquele filme Whale, que é a baleia, cara.

Caio Carneiro:Não vi esse filme, daquele ator do que fez o A Múmia, não foi?

Marcelo Toledo:A Múmia, né? Fez Sabe Tudo. Exatamente, ele, cara. Ele, a história do filme, a história é um cara que ele é um Acho que era um professor feraça, por isso ele consegue estar na situação dele, que ele não precisa sair de casa, então ele dá aula online. E ele foi se tornando obeso, obeso, obeso, obeso. Teve algum trauma muito grande e ele não consegue se mover sem ajuda, não consegue se mover, não consegue levantar. Para ele é muito difícil, é desafiador. Às vezes ele perde o apoio dele, não consegue sair do sofá. Só que Tem gente que continua levando as 3 pizzas para ele, o almoço dele, continua mantendo ele naquilo ali. Ele, cara, ficou bom naquilo, ele ficou bom naquilo, ele só foi repetindo. Só que quando ele descobre isso, já tá tarde demais, né, cara? Já é difícil. Olha quanto você passou do ponto. Então, olha uma coisa que acontece muito, canhão. O homem, ele tem um instinto caçador ainda, né, cara? Quando a gente fala assim, irmão, vou cuidar da minha família, eu vou cuidar da minha família, irmão. Só que aí o homem casa, o homem tem filho, o homem estabiliza no emprego, aí não faz mais nada da vida, irmão, porque ele conquistou tudo que era importante para ele. Aí o homem começa a afrouxar, começa a ficar mais fraco. Aí a mulher começa a reclamar dele porque, cara, não faz mais nada. Ela pede para o cara trocar uma lâmpada, ele fica duas semanas sem trocar a lâmpada. Aí ele começa a não cuidar da esposa, começa a não cuidar dos filhos. Por quê? Porque ele não percebeu que ele parou de caçar e ele tá piorando. Irmão, precisa caçar. Então é muito sobre olhar nossa vida, não é sobre acreditar no que eu estou falando. Olha para a vida das pessoas, percebe quando elas enfraquecem e começam a parar de progredir. Olha para sua vida, se você já tiver um pouquinho mais de idade, você já vai ter momentos que você testou esse limite E percebeu que não é bom. O que mudou sua vida? Construir força, agenda, mudou seus hábitos. Aí você constrói força, começa a mudar sua vida, o entorno começa a mudar, as coisas começam a acontecer, percebe? Então eu sou a favor, sim, cara, de o tempo inteiro tá se colocando tempo ruim, tempo inteiro. Eu troquei minha banheira de gelo, ela começou a esquentar um pouco, troquei de novo, tava ficando fácil. Tempo ruim, tempo inteiro. Aqui, olha, para mim é o meu ambiente de trabalho, é o meu ambiente de forja, é ali que eu me forjo. Não é sobre o gelo, não é sobre os benefícios físicos do gelo, é sobre o desenvolvimento de uma mentalidade que eu consigo transferir para todos os pilares da minha vida. Aquilo ali é o reflexo da vida, irmão. Quando eu chego hoje, 15 graus, para entrar no gelo, eu tô diante de um problema. Quantas vezes nós estamos diante de problemas na vida e nós fraquejamos?

Caio Carneiro:Quanto banheira de gelo aparece por dia, né?

Marcelo Toledo:Quantas banheiras de gelo aparece por dia na sua vida e você fraqueja e você fica puto e você não aceita e você cria desculpas? Eu tô treinando isso. E acima de tudo, cara, eu tô treinando. Quando eu entro, é desesperador. Este sistema chama luta e fuga. Quando eu entro na banheira de gelo, ele tá falando: foge daí!

Caio Carneiro:Senta até aqui, até aqui, o braço e tudo.

Marcelo Toledo:E aí o sistema, o meu sistema tá gritando: foge, sai daí, luta ou foge, luta ou foge! Adrenalina, cara, eu estou domando adrenalina no meu corpo. Em média dá 6 minutos, é o tempo do texto, mas dá em torno de 6 minutos. Mas já fiquei mais, né, já testei meus limites.

Caio Carneiro:Só uma curiosidade agora, biologicamente, fisicamente, assim, no teu corpo você sentiu uma diferença? Inflamação? Eu falo isso, cara, como eu faço o Gil de alta intensidade, eu sou tudo quebrado, tá competindo para cacete, quebrado. E aí tem hora que eu olho você na banheirinha de gelo, eu falo assim: nossa, cara, eu acho que eu não faço.

Marcelo Toledo:Mudaria seu treino da água para o vinho. A sua recuperação de um treino para o outro ia ser brutal, brutal. Pega lá a banheirinha mais simples que a minha, sem gelo, liga na tomada, ela filtra e gela. Entra lá, cara, faz a sua recuperação. Não precisa fazer todos os dias igual eu faço, mas sentiu que pesou, cara, fica lá um tempinho que você vai ver.

Caio Carneiro:Sono muda? Pra sono não.

Marcelo Toledo:Ó, a banheira liga, a sauna desliga. Então, para dormir, sauna, que ela baixa a pressão. Aliás, é um baita combo você conseguir fazer os dois. Baita combo, contraste. Entre e sai, entre e sai, entre e sai, 3 vezes. Maravilhoso, baita recuperação. Estamos dando um puta choque no nosso sistema vascular, né? Porque você—

Caio Carneiro:então gelo é melhor de manhã?

Marcelo Toledo:O gelo é bom quando você quiser acordar, sabe? Então antes do treino, cara, antes de trabalhar, quer dar o gás, porque se você fizer o gelo antes de dormir, ele vai liberar muita adrenalina, ele vai aumentar sua dopamina. Então pode atrapalhar o seu sono. Então melhor, cara, que você faça até ali começo da tarde e tal.

Caio Carneiro:E o lance da dopamina é real mesmo.

Marcelo Toledo:Você sai, pô, cara, parece que tomou litro de café sem o— sem a tremedeira assim, sabe? Eu não tomo café mais há muito tempo, né? Tomo muito, para mim é uma ferramenta, mas o gelo, cara, dá uma energia e você sente assim o dia inteiro. Por exemplo, quando eu viajo e não faço, eu sinto Eu sinto falta, eu sinto. Eu falo: puta, cara, tô meio cansado hoje. Que tá faltando o gelo, tá faltando gelo, tá faltando gelo. Já começa a fazer falta na vida.

Caio Carneiro:Já tem que comprar um saquinho de gelo no hotel. Já, já fez isso?

Marcelo Toledo:Já, já, já. Pô, eu fiz, eu fui outro dia no hotel, falei com a galera, falei: meu, vocês arrumam? Arrumamos tudo para você, cara. Aí todo dia um caminhãozinho, ó, levava o gelo, fazia, gravava uns videozinhos assim. A galera também gosta, né, cara? Apoia assim um pouco a causa, né?

Caio Carneiro:Para quem se sente travado, tem gente que tá nesse episódio assim: pô, tô travado, cara. Para você, qual que é o primeiro passo, cara?

Marcelo Toledo:Primeira coisa: decide o que que você quer. É uma coisa só. Não dá para mudar a vida inteira de uma vez, é muita coisa, é muito complexo. Afunila, simplifica. Uma coisa, uma coisa que vai transformar sua vida. Na hora que você escolher essa uma coisa Bota na sua agenda por 66 dias, não negocia nesses 66 dias. E dica fundamental: qual? Se você decidir ir na academia, eu prefiro que você vá 10 minutos todos os dias do que 1 hora aos finais de semana. Entende por quê? Se você vai só aos finais de semana, você tá dando menos opções para o seu organismo construir a circuitaria. Quando você vai todos os dias 10 minutos, você já tá ativando todo dia. E o, para no começo não é sobre fazer o que você quer fazer. Quando a pessoa decidir na academia, por que que ela quer? Porque ela quer tá melhor fisicamente, ela quer mais saúde. Mas o começo da mudança não é sobre o benefício do hábito que você escolheu, é sobre construir o hábito.

Caio Carneiro:Muito bom.

Marcelo Toledo:O objetivo é construir o hábito. Depois você construiu o hábito, irmão, não vai ter negociação. Aí você mudou. Então escolhe uma coisa, 66 dias na agenda, todos os dias, regula pelo tempo. Ai, para mim é muito difícil, cara, 5 minutos não é? Quer começar a ler 5 minutos? Consegue mais? Que não vai negociar, não pode negociar. Beleza, bota 10, bota 15, bota o que você aguenta e que você vai cumprir. 66 dias sem negociar transforma sua vida. Quando você aprender a construir um hábito Você dominou a técnica, você repete para tudo da sua vida. A partir daí, a ferramenta é a mesma, independente do que você for fazer, porque o processo é o mesmo, sabe? Você vai mudar um hábito para treinar, para ler, para parar de fumar, é tudo a mesma coisa. Você só precisa entender que para fazer isso você vai ter que silenciar o barulho que tem dentro de você, que são seus instintos. Segundo, Você vai ter que cuidar com o barulho externo, cara. Qual que é a resistência de você ser você? Às vezes com o próprio pai, com a própria mãe, às vezes com quem tá do seu lado todos os dias e mais te ama, tão querendo te proteger também, não é por mal. Só que você tem que silenciar você e o mundo. Se você não tiver uma personalidade muito forte para falar: é isso que eu quero, e com carinho, com respeito com todo mundo, Algumas pessoas, infelizmente, cara, ou felizmente, você vai ter que se afastar. Porque muitas pessoas não mudam pela força do externo, do entorno dela. É aquele amigo que ela ama desde infância, mas não tem nada a ver com a sua vida mais. Você tá indo para cá, a pessoa tá lá parada no mesmo lugar há 20, 30 anos, e aí você querendo mudar. Cara, quando eu olho para minha vida, Caio, Eu acho que eu perdi todos os meus amigos para ser quem eu sou, porque escolheram vidas diferentes. Amo, cara, todo mundo, só que escolheram vidas diferentes das minhas, da minha vida. E aí não dá para caminhar junto, irmão, não dá, porque meu ritmo é diferente. Eu não bebo mais praticamente. Cara, quando eu bebo é raro. Eu não uso droga, eu não saio de balada, eu não vou para bar, eu não faço essas coisas. Eu tenho amigos que fazem isso até hoje e tá tudo bem, só que não faz parte do meu estilo de vida. Se eu quiser conciliar as duas coisas, não vai funcionar, vai ser uma luta interna. Um dia você tá no treino de jiu-jitsu, outro dia você tá enchendo a cara no bar, não combina. Você vai ter que tomar a decisão dura de se afastar. E dói para muita gente, porque a pessoa vai se sentir rejeitada, você vai se sentir mal porque vai falar: estou abandonando meu melhor amigo de infância. Mas não é sobre isso, você não entendeu. A vida é sobre você se salvar primeiro, irmão. Se você não se salva primeiro e fica querendo salvar todo mundo que tá ao redor, você se esquece de você. Aí na hora que você olhar para sua vida depois de 20, 30 anos, Você vai falar: e aí, fiquei tentando salvar todo mundo e me esqueci, esqueci de me salvar. Que que eu fiz da minha vida? Mulher tem muito isso, né? Começa a cuidar de todo mundo, esquece, começa a cuidar dos filhos. Cara, minha mãe, cara, dedicou a vida aos filhos. Você dedica a vida aos filhos depois de 20, 30 anos, como é que você lembra de você? Quantas mulheres, cara, da geração da nossa mãe, das nossas vós, que dedicaram suas vidas à família E se esqueceram, se abandonaram.

Caio Carneiro:Às vezes perde até identidade, né? Eu sou a mãe do Caio, eu sou a mãe do Marcelo. Isso aí, perde até identidade, cara. Marcelão, antes de eu fazer a pergunta final aqui para você, primeiro, se a galera quiser acompanhar mais seu conteúdo, tá mais próximo de você, acompanhar seu trabalho, como que a turma faz, cara?

Marcelo Toledo:A peça-chave ali do meu conteúdo é Instagram, @marcelotoleto. Tá. Eu tenho um TikTok que a gente repete os conteúdos, então são dois canais iguais. Eu tenho um podcast, chama-se Podcast Excepcionais, e esse podcast tá convidado, por sinal. Podcast Excepcionais, então, no sétimo ano, acredita? Uau! Sétimo, comecei na pandemia em áudio, entrou a pandemia, cara, estamos no sétimo ano. Então podcast Tenho conversas com pessoas excepcionais, por isso que eu, cara, falo, puta, muitas pessoas incríveis que vão me ensinando, né? É um privilégio, né, cara, a gente tá aqui assim conversando com gente tão incrível assim que nos ensina. Esses acho que são os 3 principais canais aí para me encontrar.

Caio Carneiro:Na descrição do vídeo tá todos os canais do Marcelão para você acompanhar ele. Depois manda mensagem, fala que você veio do Como Você Fez Isso, que ele vai adorar receber a nossa galera que tem energia boa para caramba. Marcelão, pergunta final para você é o seguinte, cara, Se você fosse entrar na banheira para gravar um vídeo, e esse vídeo você recebe uma mensagem do tio Zuck, que ele vai ser distribuído para todo mundo, qual seria esse vídeo? Qual seria o roteiro? Você escreveria? Não é, se o Marcos Guimarães falou assim: Marcelão, vai passar para todo mundo, você vai ter um shot da alegria. Esse vídeo, o roteiro de amanhã, eu vou distribuir para todo mundo. Pensa aí com calma, o de amanhã vou abrir para geral, não só para os teus seguidores. E aí você tá lá no seu computador fazendo o roteiro do vídeo de amanhã, meu, vai abrir para geral ali. Seria o vídeo do quê? Qual seria a mensagem?

Marcelo Toledo:Cara, acho que ninguém aqui veio sabendo o que fazer. A gente vai ter que descobrir no meio do caminho. A gente pode ter indícios, tem algumas linhas espirituais que vão dando indícios, mas de verdade, verdade, verdade, Talvez a gente só saiba quando a gente não tiver mais aqui. Então é muito importante, cara, que você se pergunte todos os dias quem é você e o que que você veio fazer aqui. E que você saiba que essa resposta ela vai vir desde que você esteja caminhando. Você precisa estar caminhando, irmão. Você precisa estar buscando. Você precisa tentar coisas diferentes. Se você tiver perdido na sua vida, lembra: estar perdido significa tá faltando conhecimento, tá faltando estrutura, que você não tá enxergando alguma coisa. Tem algum ponto cego na sua vida que você não tem? Se dedica, estuda, observa, e não esquece da coisa mais importante, que é aqui. Você veio aqui para viver. Então viva! Você veio para viver, viva! Aproveita isso, cara, é do seu jeito, não é do jeito que os outros estão falando, é do seu jeito. Você precisa descobrir qual que é o seu jeito. Continua caminhando.

Caio Carneiro:Turma, palmas para o Marcelo Torrente, olha aí, senhores!

Marcelo Toledo:Mão porrada! Valeu, meu irmão! Porrada, tá? Muito obrigado!

Caio Carneiro:Tenho certeza que você que tá em casa aí pegou um insight valiosíssimo e prático. Gosto do Marcelo porque além dele trazer esse contexto de estudo, de embasamento, ou seja, você embasando aquilo que você tá falando, você dá um caminho prático para as pessoas, tipo: bicho, começa amanhã, revisa tua agenda, 66 dias práticos aqui, troca isso aqui, continua. Então eu acredito que esse podcast é aquele podcast para realmente te colocar em movimento, é um podcast de movimento. Então, para você não perder o movimento e continuar caminhando, duas coisas: primeiro, se inscreva no nosso canal para você não perder um só episódio. E se você está vendo ou vendo em alguma plataforma de streaming, também siga os canais de como você fez isso. E estamos muito felizes pelo crescimento avassalador do nosso podcast no ano de 2026, graças à sua audiência, sua confiança e a sua companhia. Marcelão, animal, meu irmão!

Marcelo Toledo:Obrigado, foi incrível.

Caio Carneiro:Eu sou um cara que praticamente eu gosto desse conteúdo, porque é um conteúdo que tira as pessoas do chão, coloca elas em movimento. E esse é o nosso desejo, que você continua caminhando e que você encontre seus objetivos. Marcelão, de novo obrigado.

Marcelo Toledo:Valeu, meu irmão.

Caio Carneiro:Produção, obrigado pela companhia mais uma vez. E a todos vocês, vejo na semana que vem. Pega o link de WhatsApp, pega o link desse episódio e manda no teu grupo de WhatsApp de amigos, de trabalho, de família, porque eu tenho certeza que tem alguém do teu lado que precisa seguir caminhando, tá bom? Fica com Deus, até semana que vem, tchau!

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