Episódios de Como Você Fez Isso?

COMO VENCER NA VIDA SEM ADOECER NO CAMINHO? | Izabella Camargo #144

03 de junho de 20261h47min
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Como vencer sem adoecer pelo caminho? Izabella Camargo mostra como evitar o burnout, proteger a saúde mental e construir uma rotina de alta performance sem ignorar os sinais do corpo, os limites pessoais e os riscos psicossociais no trabalho.

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Participantes neste episódio2
C

Caio Carneiro

HostJornalista
I

Izabella Camargo

ConvidadoJornalista, apresentadora, palestrante, escritora e pesquisadora da Cime de Burnout
Assuntos7
  • Autoconhecimento e Saúde MentalIncluir-se na própria agenda · Atualização de identidade · Consequências de não priorizar o descanso · Sinais do corpo e excesso de confiança · Dor como mensagem · A importância do sono · Relação entre saúde mental e física · Autoconhecimento e turismo interno
  • NR01 e Saúde Psicossocial dos FuncionáriosHistórico das Normas Regulamentadoras · Riscos psicossociais no ambiente de trabalho · Atualização da NR1 · Segurança psicológica · Assédio no trabalho · Cultura organizacional · Delegar tarefas
  • Qualidade do SonoDescanso como parte do treinamento · Quem não sabe descansar, não sabe fazer força · Sono como ativo, não supérfluo · Privação de sono voluntária e involuntária
  • Burnout e suas ConsequênciasDefinição de Síndrome de Burnout · Perda de funcionalidade · Sequelas do burnout · Burnout como freio, não fim · Diferença entre burnout e esgotamento
  • Cultura e Liderança em Alta PerformanceTime como primeiro cliente · Clima organizacional · Cultura de performance · Liderança no meio, não no topo · A importância de delegar
  • Adaptação de jogosReclamar das regras do jogo escolhido · Atualizar a identidade · Mudar de jogo ou buscar recursos · A vida é uma só, não duas
  • Prioridades PessoaisLista de desejos da infância · Não deixar a correria esquecer dos sonhos · Revisar a lista de prioridades · Inegoceáveis pessoais
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CCCaio Carneiro

Turma, sejam muito bem-vindos a mais um super episódio do Como Você Fez Isso. E hoje pode ser redundante, que eu estou animado e o Caio constantemente tá de bem, né, com a vida, querendo sempre entregar episódios maravilhosos para você. Mas eu recebo uma pessoa que eu gosto muito, tá? A gente tava batendo, eu tenho que tomar cuidado porque senão começa um podcast antes do podcast com ela. Ó, ela que é jornalista, apresentadora, palestrante, escritora e pesquisadora da Cime de Burnout.

Lembro que um dos últimos episódios eu falei muito disso com ela, o episódio viralizou. Autora do best-seller há um tempo, livraço, Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites, eleita por duas vezes a maior influenciadora de RH do Brasil pelo prêmio Best e cinco vezes TEDx Speaker, reconhecida por transformar sua própria experiência de vida, sabe, com esse lance de esgotamento, sobre burnout, sobre as próprias experiências. Essa pessoa é fenomenal, ela provoca empresas e pessoas a repensarem relação com o trabalho, o tempo e o autocuidado.

A convidada de hoje é a minha amiga Isabela Camargo. Estou muito feliz, viu, para o nosso papo, porque eu tenho certeza que vai gerar uma boa reflexão para todo mundo, e eu tô muito animado por isso.

ICIzabella Camargo

Eu também tô muito feliz com o convite. E é engraçado porque antes de tudo isso aqui começar, a ideia que a gente já trocou, eu falava 'Caio, fala isso. Não, fala isso também, né? Não, fala que isso também.' Então assim, a gente tá comprometido com o mesmo destino: levar uma informação que vai fazer quem está nos acompanhando tomar uma boa decisão. Então, vambora!

CCCaio Carneiro

Isa, eu sempre trago para os nossos convidados, o nosso podcast ele começa com como e eu, para a gente começar o papo, que eu quero te perguntar, é: como vencer? Como chegar lá sem morrer pelo caminho? Porque esse podcast é um podcast que encoraja, mas esse é um podcast que tem uma coisa na frente, é fazer com que você não saia do jogo. E quando a gente fala de autocuidado, quando a gente fala de autoconhecimento, quando a gente fala de tempo, quando a gente fala de É de— eu acho isso como muito maravilhoso.

Como chegar lá sem morrer pelo caminho? Como chegar lá sem matar quem tá do teu lado?

ICIzabella Camargo

É o famoso como bater meta sem bater nas pessoas. E como é que eu vou bater a minha própria meta, mas sem me abater, né? Então você tem variações, como vocês dizem, né? Como bater pino. Pronto. Então a resposta simples é: você só vai dar conta da sua agenda se você se incluir nela. Resposta simples: você só vai dar conta da sua agenda quando você se incluir nela. Que que eu tô querendo dizer? Quando você quer alcançar algum lugar, algum objetivo, o seu sonho é ter clientes, ter repertório, certo?

Aí você tem uma agenda maravilhosa de reuniões, compromissos e tal, só que aí você dorme com o que sobra de tempo. Acreditando que isso não vai trazer consequência. Só que quando você vive com o que sobra, ou seja, você dorme com o que sobra da sua agenda, o dia seguinte você vai ter que se entupir de café, anfetamina, estimulantes e outras, e outros anestésicos. E aí você vai normalizando tudo isso. Só que quando você tem 20 e poucos anos, beleza, as consequências não são tão drásticas.

Conforme o tempo passa, o seu corpo precisa de certas recuperações que quando você tinha 20 e poucos anos você podia passar batido. Então esse é o grande perigo quando você não atualiza sua identidade. Que que é isso? Vou dar aqui o meu exemplo. Eu tenho 45 anos. Se você me falar assim: Isa, qual é o restaurante da moda? Não sei. Eu preciso saber hoje, com 45 anos e duas crianças, qual é a fralda que segura o xixi mais tempo.

CCCaio Carneiro

Boa!

ICIzabella Camargo

Então não é que eu não quero saber qual é o restaurante mais legal, mas neste momento a minha prioridade é outra. Então quando eu proponho a atualização de identidade, é você então revisar quem você é hoje para você não cair na cilada de querer dar conta da sua agenda hoje com quem você era ontem. Vou traduzir, é o seguinte: então você quer ser o vendedor nota 1000, Aí você constrói uma carteira de clientes, mas se você não dorme bem, como é que você vai conversar com esses clientes?

Como é que você vai lidar com os nãos? Como é que você vai ter repertório para fazer aquelas contrapartidas que todo vendedor precisa? Eu tô falando de vendedor porque não importa a sua profissão, você está vendendo algo.

CCCaio Carneiro

E quando você olha para mim também, né, cara de vendas, fala muito, dá vontade de falar para o vendedor também, né?

ICIzabella Camargo

Mas mesmo se você não é um vendedor, que tá no teu crachá, estricto senso, não, você tá vendendo alguma coisa. Eu tô vendendo o tempo inteiro a educação da saúde mental, o tempo inteiro. Eu só saio de casa se for para ter esse tipo de conversa, mas já falo sobre isso. Então vamos voltar lá. Então, como é que você vai bater meta sem bater pino? Se incluindo na própria agenda para dar conta dela. Não tem nada pior do que você ter que desmarcar sua agenda de compromissos porque você está doente.

Eu não conheço nada pior do que você ter que desmarcar aquela agenda que você trabalhou tanto por não conseguir entregar. É como eu, não adianta eu ter uma palestra por dia, um compromisso por dia, se eu não me cuido, porque a minha entrega no palco, a minha entrega aqui para você, depende da minha saúde. Quem me ensinou isso anos atrás foi Ricardo Amorim. Quando eu tava fazendo a pesquisa do livro, eu nem sonhava que essa seria minha pauta.

Da saúde mental. E ele falou assim: ah, Isabela, quando eu tinha menos de 40 anos, eu podia dormir menos e no dia seguinte meu raciocínio não ficava prejudicado. Agora eu não posso dormir mal antes de uma palestra porque meu raciocínio vai ficar prejudicado. E aí que vem a grande beleza da coisa. Vamos lá: um carro zero quilômetro consome mais ou menos combustível do que um carro que tá rodando já há 30 anos?

CCCaio Carneiro

Oxi, tá tudo reguladinho, né?

ICIzabella Camargo

Que que isso significa? Que envelhecer é um problema? Não, envelhecer é um privilégio, não é um acidente. Mas sabendo disso, eu preciso então reconhecer que eu preciso dormir de repente as minhas 8 horas, mesmo que quando eu tinha 20 anos eu não precisava delas. Significa que eu preciso ter uma alimentação equilibrada, mesmo que quando eu tinha 30 anos eu podia comer qualquer coisa e aquilo não me daria dor de estômago. Então, o que eu quero dizer é que se você tiver consciência das consequências do que você faz ou deixa de fazer, a sua vida vai ser muito legal.

Porque você vai fazer escolhas coerentes com quem você é hoje, e não aquele papo assim: ai, mas quando a gente tinha 20 e poucos anos, lembra, cara, a gente podia dormir 4 horas e batia no peito, né? Quem nunca, hein? Meninas, né? Foi para balada, dormiu poucas horas, aí no dia seguinte você fala: nossa, dormi super pouco, mas tô ótima. A gente se gaba disso quando tem menos idade. Aí você vai me dizer: pô, então envelhecer é um problema?

Não, o oposto de envelhecer é morrer. Verdade. Então o envelhecimento é um privilégio. A primeira pessoa também que me falou isso foi Fernanda Montenegro, neste livro, quando ela me diz assim: Isabela, todas as pessoas que eu entrevistei— a Fernanda na casa dela lá no Rio de Janeiro Todas as pessoas que eu amo, a maior parte delas já morreu. Então, se eu estou viva com mais de 90 anos e eu tô ouvindo menos, eu preciso usar um aparelho auditivo.

Eu tô enxergando menos, eu preciso usar um óculos. Então não adianta eu ir contra o que meu corpo está me transmitindo, porque eu tô vivendo mais. E se eu estou vivendo mais, eu preciso então me adaptar a esse tempo a mais. Se adaptar não é apelar, tá? Então, de bate-pronto, a resposta é: como vou bater meta sem me abater? É se incluindo na própria agenda.

CCCaio Carneiro

E como que eu sei que se eu estou na minha agenda ou não olhando para ela? Uma pergunta interessante, né?

ICIzabella Camargo

Vamos lá. Qual é o sinal que te mostra que você tá no ritmo desequilibrado? Quais são os sinais que o seu corpo pode te mostrar que tem algo errado, mas você não tá percebendo? Quando você tá— vamos usar ainda o exemplo do carro. Quando você tá dirigindo e aquele sinalzinho do combustível aparece, eu não sei se o seu carro tem esse sinal, mas geralmente o carro tem um sinalzinho que pisca. Você precisa fazer o quê quando esse sinal pisca?

CCCaio Carneiro

Para, vai para revisão?

ICIzabella Camargo

Não, não, para o sinalzinho de combustível.

CCCaio Carneiro

Ah, vai abastecer?

ICIzabella Camargo

É, mas agora anota essa palavra: excesso de confiança. Por excesso de confiança, muitas vezes você fala: não precisa parar para abastecer, porque dá para ir mais um pouco, dá para chegar. Sim, você já ficou no meio do caminho sem combustível? Eu também, eu tinha 20 e poucos anos, aí depois eu aprendi.

CCCaio Carneiro

A gente vai ver, vergonha danada, não chegou policial. O que aconteceu, cara? Acabou a gasolina.

ICIzabella Camargo

Pronto, então agora vamos lá. Por excesso de confiança, você não para no posto abastecer porque você acha que vai dar para chegar. Então, por excesso de confiança, você vai lidando com várias manifestações do seu corpo achando que vai dar para chegar nas férias, ou vai dar para dormir no fim de semana, no próximo feriado descanso. Só que agora eu vou pegar mais fundo ainda. Quanto tempo nós temos?

CCCaio Carneiro

Não sei.

ICIzabella Camargo

Quanto tempo nós temos?

CCCaio Carneiro

Ah, do podcast?

ICIzabella Camargo

Não. Quanto tempo nós temos?

CCCaio Carneiro

Profunda essa pergunta.

ICIzabella Camargo

Não, vamos lá, vamos lá. Quanto tempo nós temos de podcast? Você que vai me dizer, você vai me dizer. Nós temos 45, temos 50, tá? E depois? A Isabela: depende, tá? Quem te garante quanto tempo nós temos? Então quem te garante quanto tempo nós temos? Ninguém. Então por que que você tá se deixando para depois? Só que eu tô falando isso, Caio, porque eu me deixei para depois. Eu também tive muito excesso de confiança naquilo que eu fazia e nos sinais, nas manifestações do meu corpo.

Então eu só estou falando isso porque eu superei, eu vivi tudo isso e superei tudo isso. Então o ponto aqui é o seguinte: qual é o sinal que você não pode ignorar? Tem gente levando o carro mais para o mecânico do que o próprio corpinho para o médico, tá? Se você ouvir seu carro fazendo um barulho estranho, você leva ele para o mecânico.

CCCaio Carneiro

Sim.

ICIzabella Camargo

Pronto. Aí você começa a ter uma dor de estômago, você vai para o médico ou você compra um remedinho na farmácia?

CCCaio Carneiro

Eu, no meu caso, eu vou para o médico hoje. Mas o Caio, gente, é um exemplo assim, mas hoje Hoje, o Caio de 10 anos atrás não. Pronto, o Caio hoje, por causa daquela experiência que eu falei, do que eu tive, a gente tava batendo um papo, tá, turma, antes do podcast aqui.

ICIzabella Camargo

E que na verdade é o seguinte, todas as experiências que você tem pessoais, elas vão ser as diretrizes sua como gestor. Eu lembro quando eu fui atender boticário e a gente só fez um trabalho lá extraordinário porque a pessoa que estava dando as diretrizes para toda a equipe tinha vivido uma situação muito muito desafiadora, pessoal. Então ela já não tava achando tudo aquilo que a turma falava que era exagero, frescura, não, que ela tinha vivido dentro de casa, sim, tá?

Mas vamos lá, vamos lá. Então as experiências que você tem dentro da sua casa com a sua família vão ser o seu guia como gestor, como líder, o nome que você quiser dar, tá? Então tá. Então se eu já sei que quando o carro precisa parar para abastecer O sinalzinho pisca, eu preciso parar para abastecer. O excesso de confiança te faz ter comportamentos muito inadequados. Eu lembro quando eu entrevistei o Rafael Renzel. Lembra do avião da Chapecoense?

CCCaio Carneiro

Lembro, caiu por falta de combustível.

ICIzabella Camargo

Tá no meu livro. Eu entrevistei o Rafael Renzel, que até então tinha sido um sobrevivente, e ele falou: Isabela, o piloto deixou muito claro, ele achou que dava para chegar. Então, Caio, quando você tem excesso de confiança, dependendo do caso, você não tá só se colocando em risco, você tá colocando em risco a vida de outras pessoas. Esse é o grande detalhe aqui. Quando você tá excedendo os seus limites, você não tá só se colocando em risco, você coloca outras pessoas em risco.

Ainda falando do carro, você tá numa autoestrada, tem uma placa de velocidade, 80 por hora. Aquela placa tá ali por quê? É decorativa ou ela quer te trazer um limite?

CCCaio Carneiro

Existe um limite, existe um perigo no cruzamento daquela placa.

ICIzabella Camargo

Tem um risco, alguém já mapeou e temos uma placa ali para mostrar que, ó, se você ultrapassar esse limite, pode ser que você se coloca em risco. E só você pode se machucar? Não, você pode colocar em risco outras pessoas também. Bom, então o que que aconteceu lá atrás comigo para poder dizer isso hoje? A gente vai normalizando o anormal. Então você vai normalizando uma dor de cabeça frequente, aquele olhinho que treme, o cabelo caindo, o problema no estômago, problema no intestino, alergia de pele, todas as manifestações.

Eu descobri, Caio, que dor é mensagem. A dor tá querendo te dizer: tem algo errado. Só que vamos inverter um pouco a história. Do que que você gosta de comer?

CCCaio Carneiro

Eu gosto de comer churrasco.

ICIzabella Camargo

Churrasco, tá. Então vamos supor que você ama churrasco e você tem uma quantidade lá média de carne, mas aí um dia você se empolga demais, a carne tá muito macia, tá uma beleza, você excedeu o seu limite. Como é que você se sente depois? Estufadaço. Bem ou mal? Mal. Pronto. Então imagina uma coisa que você gosta muito e você comeu além do limite, você vai se sentir mal. Aquela dor de estômago significa o quê?

CCCaio Carneiro

Você passou da conta.

ICIzabella Camargo

Passei da conta. Então, se você tá sentindo uma dor de cabeça todos os dias, será que eu tô dormindo o suficiente? Será que eu não tô me entupindo de repente de um estimulante para dar conta daquilo que eu não fiz dormindo? Porque eu não sei. Quantos anos você tem, Caio?

CCCaio Carneiro

39.

ICIzabella Camargo

Ah, então pronto. Eu tenho 45. Eu tenho muita saudade daquelas tomadas, sabe, amarelinhas, era assim, não sei se foi da sua época, não sei se foi da sua época, existiu uma tomada amarelinha aqui no Brasil que eram dois pinos, depois ela mudou para três pinos. Tem muita gente que tem saudade daquela tomada e tem muita gente que tem saudade de uma outra tomada. Tem quatro pés, um colchão em cima, a cama, o sono. Eu podia passar aqui uma hora falando só sobre O sono, mas não ia ser sexy.

Eu tenho me especializado bastante nisso porque é tão simples dormir e a gente abre mão do simples e o simples ofende. Então nós estamos adoecendo por duas razões: 1, por reclamar das regras do jogo que a gente escolheu jogar, e 2, por achar que dormir não é necessário porque a gente ouviu um monte daquelas frases insustentáveis. Quais são elas? O que que você faz enquanto eles dormem? O que que você faz da meia-noite às 6? Desculpa, tá, se eu tô ferindo aqui algum outro entrevistado que já falou sobre isso.

O que eu quero dizer é o seguinte: dependendo do seu estilo de vida, não dá para você ficar acordado da meia-noite às 6. Então eu nunca posso exigir que uma pessoa que tem filhos ou que está cuidando, né, de pais também, porque agora a gente tá chegando numa geração sanduíche, que é quem cuida de filhos e de pais. Eu não posso falar para esse cara agir como uma pessoa solteira sem filhos e sem uma planta para colocar água. Você consegue ver que eu preciso de flexibilidade nesse contexto?

Então depois a gente fala sobre a questão das regras do jogo, que isso é muito importante também. Anota para a gente não esquecer as regras do jogo que você escolheu jogar, porque de repente você escolheu jogar um jogo quando você tinha 20 anos, você tá com 40, você não tem mais condições de jogar esse jogo. Então você ou muda de jogo, ou você busca recursos para continuar no jogo. Mas então os sinais que você não pode ignorar são todos aqueles que você tá já ignorando, são todas as mensagens que seu corpo está transmitindo.

Quais são? Depende da sua estrutura física, da sua idade. Mas tem uma coisa que você como gestor não pode mais ignorar, nem fazer vista grossa. Todos os desequilíbrios do corpo, se eles não forem amparados e acolhidos da maneira correta vão te levar para um lugar chamado isolamento e agressividade. Depois disso, ideia suicida. Então não adianta você querer prevenir o suicídio. A Isabela, a gente não pode falar de suicídio. Eu só vou conseguir prevenir o suicídio promovendo a vida, e eu só consigo promover a vida com conversas difíceis.

Quem é que gosta de conversa difícil? Quem quer uma vida mais fácil? Quem não gosta de conversas difíceis é porque tá tolerando uma vida difícil. Uau! Ponto. Então, se eu não quero ter essa conversa, ok, mas depois pode ser que o dano seja muito maior, muito mais grave. Eu, nesses últimos anos, eu tenho me especializado em conversas difíceis. Eu chego nas empresas, eu, a minha pergunta no briefing é: qual é a mensagem que você quer, que vocês sempre quiseram falar mas nunca conseguiram?

É Então tá bom, então isso que nós vamos falar. Porque para a gente poder mudar a cultura, mudar a sociedade que nós já sabemos como está, eu preciso de conversas difíceis. Não dá mais para ficar jogando debaixo do tapete os assuntos que vão mudar o jogo, tá? Então, assim como o seu carro pisca quando precisa parar para abastecer, o seu corpo também está te avisando quando você precisa desacelerar para continuar em movimento. Você precisa descansar, recuperar para continuar.

Você já dirigiu carro mecânico? Já, já. Hoje você dirige um carro automático. Você já dirigiu um carro mecânico? A tecnologia mudou o câmbio, não mudou? Mas tem dois pedais que continuam. Quais são?

CCCaio Carneiro

Freio e acelerador.

ICIzabella Camargo

Por quê? Porque será que se você só acelerar É o caminho. Se você só acelerar, que às vezes o que a gente ouve, né, tem que acelerar, né, sangue nos olhos. Para, gente, sangue no olho é conjuntivite. Brilho nos olhos, brilham nos olhos, desperte o melhor das pessoas, não pior. Mas vamos lá, o câmbio mudou, mas você continua com freio e acelerador. Por quê? Porque se você só acelerar, você vai parar onde? Tô usando ainda o exemplo do carro.

No muro, você só acelerar, você vai parar no muro, no poste, no cemitério. Você precisa frear para acelerar. Ah, quando troca a marcha, os pilotos dão uma freadinha, né, tal. Então você precisa do freio para continuar acelerando. Se você só quiser acelerar, você vai bater meta batendo nas pessoas e vai bater meta batendo pino.

CCCaio Carneiro

É difícil a gente reconhecer no dia a dia o acelera, freia, acelera, freia, porque não é uma fórmula exata, né? Por exemplo, existe uma, uma que é universal, é teu corpo dá sinais, isso é universal.

ICIzabella Camargo

Mas se você não tem educação do que são esses sinais, você vai normalizando eles.

CCCaio Carneiro

Cada um pode sentir os sinais em momentos diferentes, aí é muito mais do indivíduo. Eu, por exemplo, tô dividindo uma experiência pessoal. Eu sempre tive que tomar muito cuidado comigo mesmo. Olha que é o conhecimento que eu sempre tive muita vontade. Então às vezes não é excesso de confiança, era vontade. Só que ao mesmo tempo do Caio com vontade era o Caio do não deixa o teu superpoder ser uma kriptonita. Eu não posso deixar com que a minha vontade seja o meu maior adversário do que a sua condição, do que minha condição.

Ao ponto, por exemplo, às vezes não tava lá porque eu tô mal, eu tô— não, eu queria estar produzindo, eu queria estar numa próxima vez, numa próxima reunião, mas eu sou aquele cara que mais eu preciso primeiro continuar no jogo. Então eu confesso que foi uma competência inconsciente. Às vezes, por exemplo, eu sabia que dá para ir um pouquinho mais, seja puxar um pouco mais o resultado no mês, resultado da semana. Dava para marcar mais uma reunião antes do jantar, só que assim, cara, eu preciso comer, eu preciso parar.

Então eu confesso que eu tive esse meio que bom senso, mas nem sabia que era uma tática e uma técnica. Isso, pronto.

ICIzabella Camargo

Bom senso você constrói, é igual maturidade. Maturidade não vem com o tempo, vem com Escolhas. Para você construir um imóvel, império, você tem que fazer escolhas de quais produtos você vai usar nessa construção.

CCCaio Carneiro

Mas você concorda que só dá para eu descobrir o meu limite cruzando ele? Não, eu sei que é duro isso, porque é como que eu sei qual que é o meu limite se eu ainda não cruzei ele? Ao mesmo tempo que o objetivo é não cruzar, porque tem gente que cruza e não volta.

ICIzabella Camargo

Pronto. Por isso que a educação nesse tema é fundamental. Existe uma tabela que eu costumo colocar, né, com 3 colunas. Então imagina aqui que a gente está vendo aqui, ó, 3 colunas. 1, 2, 3. A primeira coluna está verde, a segunda coluna está laranja, a terceira coluna está vermelha. Então visualiza 1, 2, 3 colunas. A primeira coluna você começa com dor de cabeça frequente, bruxismo, você começa com dor de estômago, começa com alergia, Tá?

Aí você faz piada dessa primeira coluna, você vai para onde? Para a segunda coluna. Tá? Aqui você já tá doente, mas ainda tá funcionando. Vamos lá. Aí você começa a dormir mal, acha que é normal, você começa a ter problema hormonal, especialmente as mulheres aí, ou é TPM, ou puerpério, ou climatério, né? Então a gente, quando aparece lá um índice, né, um marcador de exame desregulado, ah, é normal, né? Nós somos tudo desregulada mesmo.

Então a gente vai fazendo piada. Tá, segunda coluna. Aí você fez piada da primeira, segunda foi para onde? Terceira coluna. Então visualiza na sua mente uma coluna agora vermelha que tem crises de choro, crise de ansiedade, lapsos de memória, isolamento, agressividade, ideia suicida. Onde começou este problema aqui? Lá no verde, na primeira. Aí vamos lá, como é que eu sei meu limite se eu não sei? Você sabe, você só não quer aceitar.

CCCaio Carneiro

Nossa, eu tive uma reflexão agora sobre mim.

ICIzabella Camargo

Quer falar? Fala.

CCCaio Carneiro

Eu acredito que eu, que essa, né, por que que eu tive isso? Eu não sabia explicar. Eu acho que eu reconheci o verde como limite. Então acho que talvez eu nunca cheguei no vermelho, porque, por exemplo, eu era aquele cara que quando eu percebia que eu tava esquecido, que dor de cabeça, para mim já era Cruzar o limite. Por exemplo, eu nunca tive uma grande lesão e eu sou um cara que eu pratico esporte com intensidade. Isso é maravilhoso, porque eu não preciso estourar o meu menisco para saber que eu estou exagerando no treino.

Eu vi que assim, cara, minha recuperação tá mais lenta, eu ainda tô sentindo a dor do outro treino, eu tô ainda tal. Então isso já é como se fosse aqueles sinais que o meu corpo tá mandando, porque eu percebi que a performance ela tem que estar abaixo da lesão. Se eu me lesionei, acabou o jogo.

ICIzabella Camargo

Caio, mas vamos lá, como é que chama isso que você acabou de falar? Autoconhecimento. Ponto. Autoconhecimento é você ter informações suas suficientes para você tomar boas decisões. Não adianta você ir para Harvard, ter um monte de certificado na sua parede, se você não tá interessado em você. Eu chamo isso de turismo interno.

CCCaio Carneiro

Muito bom.

ICIzabella Camargo

Porque a turma adora, né, programar Paris, né, sei lá, um lugar assim muito legal.

CCCaio Carneiro

Maldivas.

ICIzabella Camargo

Mas pra dentro ninguém quer ir. Por quê? Porque eu vou esbarrar em— aí vem agora aquilo que a gente tava conversando. Experiências familiares que até então eu tô vendo aquilo como uma coisa que me deixa triste. Mas dependendo de como você interpretar agora as coisas, você já usa isso para educação, para quem? Para os seus filhos, para os seus funcionários, para sua audiência, para o seu entorno. Então vamos lá, em que coluna você tá?

Eu não sei, mas eu acredito que quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega. Então se este conteúdo tá chegando para você, é porque você pode tomar uma decisão, não importa em qual coluna você está. O que eu quero dizer só é o seguinte: quando você falou da síndrome de burnout, e eu vivi a síndrome de burnout em 2018, A síndrome de burnout é o esgotamento físico e mental associado ao trabalho, tá? É cansaço? Não. É esgotamento?

Não. Síndrome de burnout é uma pessoa que passou pela primeira, segunda, terceira coluna, ou seja, ela passou do cansaço, entrou no esgotamento, e ao estar esgotada e já muito doente, vive uma situação com características de assédio. O assédio é a gota que transborda o copo. Mas qual que é a diferença de uma pessoa que tem burnout e uma pessoa que tá só esgotada? No burnout você perde funcionalidade. Então até o burnout você tá funcionando, até o burnout tá funcionando.

É igual você tá com um carro, tem 4 pneus, um tá furado na frente, um tá murcho aqui, mas tá andando. O burnout você perde funcionalidade. E essa funcionalidade, ela pode ser recuperada ou não. Das sequelas que eu tive, então, na época eu deixei de dirigir, eu não compreendia texto. Eu tenho um caso extraordinário junto com o neurologista Fernando Gomes. Ele me atendeu na época, eu levava assim um texto para ele, assim, doutor, olha isso aqui, com várias cores de canetinha.

Eu não consigo entender o que tá escrito aqui, doutor. E ele, que também não tava por dentro de tudo aquilo que eu tava vivendo, ele falou: "Calma, Isa, nós vamos ver que pode ser que você recupere a sua capacidade cognitiva." "Isabela, todas as sequelas que você teve em 2018 você já superou?" Não. Eu ainda tenho muito medo de perder a hora.

CCCaio Carneiro

Perder a hora?

ICIzabella Camargo

Eu descobri isso com o Thiago, meu marido. A gente tava indo pra um evento em que eu ia apresentar Chamava Virada Zen. Virada Zen. Só que era num bairro distante. E aí era um domingo. Domingo é o dia da família. Eu abri mão daquele momento de casa. Eu falei: "Não, vamos lá, vai ser legal, né?" E fomos eu, Thiago e Angelina. Angelina é hoje minha filha que tem quase 5 anos. Na época não tinha o Antônio. Faltava 5 minutos para começar o evento. 5 minutos.

Eu comecei a transpirar. Comecei a transpirar e comecei a brigar com o Thiago: "Tá vendo? Não devia ter vindo." Ele falou pra mim: "Você não vai entrar ao vivo." Eu passei muitos anos da minha vida entrando ao vivo sob as condições mais desafiadoras do mundo. Condições fisiológicas mesmo. E aí, a hora que entrou, você tem que estar lá, sorrindo, performando e sem errar uma concordância. Então, aquele modelo que eu vivi por 20 anos ainda me persegue.

Então, ó, vou contar o que aconteceu hoje aqui, tá? O nosso horário para chegar aqui tava muito perto de eu pegar minha filha. O que que eu fiz? Eu avisei, era meio-dia, eu falei assim: "Oi, preciso pegar Angelina na escola, pode ser que eu atrase uns 10 minutos." E de fato a gente chegou aqui 10 minutos depois do horário combinado. Então eu não consigo ainda lidar com essa possibilidade de atraso. Mas isso é uma das menores, um dos menores problemas, tá?

O que eu quero então só te lembrar é o seguinte: Por que que então você pode chegar no burnout? Mas ó, já vou falar uma coisa com muito amor agora: o burnout é uma das coisas mais suaves que pode acontecer. AVC e infarto é muito pior. E eu falo isso porque em quase todas as palestras ou em situações que eu estou, sempre quando acaba, chega alguém para mim e diz: Isabela, 'Eu não parei com o burnout, tive um AVC.' 'Eu não parei com o burnout, eu infartei.' Então eu ouço isso todos os dias, cara.

E aí é importante, eu sei que o tema aqui da gente não é esse, mas o burnout é um freio. Ah, é um freio para você continuar acelerando, não é o fim.

CCCaio Carneiro

É, o corpo é maravilhoso, ele avisa, tá?

ICIzabella Camargo

Então, de novo, você só parou na coluna verde porque você já tinha consciência viu? Você falou: como é que eu sei o meu limite se eu não ultrapassei? Você não ultrapassou o seu, porque você já tinha consciência. Agora, se eu não tenho consciência que o problema do meu estômago não é o café, o problema do meu intestino não é o glúten, lactose, eu vou continuar excedendo, vou continuar esforçando a máquina.

CCCaio Carneiro

É, no meu caso, eu tive um Eu acompanhei, né, uma pessoa que eu amo muito, né, eu conto muito essa história da minha mãe, né. E eu acredito que uma pessoa sempre pode aprender de duas maneiras: com experiências próprias, experiências de terceiro. Então minha mãe, ela cruzou ali, e aí eu falei assim, puxa, minha mãe também me ensinou o que não fazer. Então eu aprendi aquilo, cara, não posso cruzar o meu limite. Então Obviamente a gente aprende muito mais quando é a gente que vive, quando o calo que aperta é no nosso pé, mas eu acredito que uma das formas de aprender também— tem muita gente que tá ouvindo esse podcast e vai falar: "Cara, hoje vou mudar." Tem gente que vai ouvir aqui e fala assim: "É verdade tudo que eles estão falando, mas tô acelerando." Beleza, é uma escolha.

ICIzabella Camargo

E aí lembre-se que depende da sua idade, do seu estilo de vida e das suas responsabilidades. Mas você só vai dar conta de tudo isso aqui se você se incluir na própria agenda. Não me caia na ilusão de que você pode dormir depois, ou se alimentar bem depois, ou fazer o que você sabe que precisa fazer depois. Quem é que garante o nosso tempo?

CCCaio Carneiro

Eu sempre— que que você acha disso? Tô dividindo um jeito que eu penso. É porque, como eu sempre pensei, eu já tive momentos da minha vida que eu olho para trás e falo assim: cara, eu tinha que fazer aquilo ali, eu tinha que acordar mais cedo, cara, eu precisava sair dali, eu precisava tirar o meu foguete, eu precisava me dedicar mais. Só que na minha cabeça eu falo assim: cara, eu só não posso, eu só não posso fazer disso o meu estilo de vida.

ICIzabella Camargo

Pronto.

CCCaio Carneiro

Mas se eu volto, eu ficaria aquelas noites sem dormir, porque eu sei o quanto decisivo foi. Porém, eu acho que acertado foi aquele estilo de vida. Por exemplo, se alguém tá numa fase, cara, o cara tá lançando a empresa dele, ele tá ficando um pouquinho mais tarde, que ainda não tem time, não contratou ninguém. Mas eu acho que quando você transforma isso, seu estilo de vida é perigoso, sabe? Porque senão seria hipócrita para falar assim, não, você não pode ser, mas eu acelerei.

Mas eu acho que o que eu gosto de passar para as pessoas é: entenda momento de tração como estilo de vida. Tem gente que tem como estratégia de vida o momento de tração ou algum momento de ruptura, né, seja no estudo, no trabalho.

ICIzabella Camargo

Por isso que o equilíbrio é dinâmico. O tempo inteiro, Caio, eu tô fazendo escolhas ou pessoais ou profissionais. Tem uma coisa que eu tenho batido muito, que é sobre como nós falamos vida. Quantas vezes já falou vida pessoal e vida profissional? Bastante. Você tá tentando equilibrar vida pessoal e vida profissional? Tá conseguindo? Não. Por quê? Porque vida é uma só.

CCCaio Carneiro

Eu também acho.

ICIzabella Camargo

Mas como assim acho, Caio? Você tem duas vidas? Então vamos lá.

CCCaio Carneiro

Quem acha tem dúvida. Eu também tenho certeza.

ICIzabella Camargo

Isso, veja só, quando eu ouço, não, eu vejo em títulos de livro de gente muito especial assim, não sei o quê, trabalho e vida. Sucesso e vida, como se tudo aquilo não fizesse parte da vida. Então vamos lá, vida é uma só. Gatos dizem que tem 7 vidas, né, mas ninguém tem duas vidas, cara. Isso ficou muito claro na pandemia, porque até a pandemia a gente não podia entrar no trabalho com a nossa alma. Diziam assim, ó, deixa suas emoções para fora, problemas aqui não.

Só que aí com a pandemia algumas pessoas inclusive tiveram privilégio de trabalhar em casa. Então, pera lá, então se antes eu não podia entrar no trabalho com a minha alma e agora o trabalho está entrando na minha casa, onde eu fico? Ah, não separa, não separa, nunca separou. Então hoje esta visão integrada do ser humaninho é que está contribuindo inclusive para maior revolução no ambiente de trabalho que nós aqui podemos vivenciar.

A gente não vai ler a história, a gente vai viver a história, que é a atualização da NR-1. NR-1 é a norma regulamentadora mãe, né, guarda-chuva de outras 37.

CCCaio Carneiro

Fale mais disso, porque a maioria dos empresários, empreendedores não sabem o que é.

ICIzabella Camargo

Bom, antes de qualquer coisa, é importante você saber que NR1 é para eliminar ou reduzir custos. Isso é bom?

CCCaio Carneiro

Muito.

ICIzabella Camargo

Pronto, todo mundo quer eliminar ou reduzir custo. Mas por que que você tá falando de NR? Na década de 70, isso é muito legal, aconteceram duas coisas no Brasil. O Brasil ganhou, na verdade, dois títulos. Um, acho que todo mundo sabe, Na década de 70, o Brasil foi o quê? Campeão de?

CCCaio Carneiro

Da Copa.

ICIzabella Camargo

Pronto. Então, na década de 70, o Brasil ganhou 2 títulos: 1, campeão mundial de futebol; 2, campeão mundial de acidentes de trabalho. Sabia disso? Década de 70. O número de acidentes de trabalho foi exorbitante, que fez a OIT, Organização Internacional do Trabalho, dizer: gente, olha só, Isso aqui que tá acontecendo aí no Brasil não é normal. Então, o que que tava acontecendo com a economia? Bombando! Era prédio subindo e gente caindo, era pedaço de corpo ficando pelo meio do caminho.

Aí a OIT fala: ó, não dá, não dá para continuar assim. Aí o que que aconteceu na década de 70? As NRs, normas regulamentadoras do trabalho, foram criadas para quê? Para penalizar o empresário? Não, para proteger a saúde e os resultados. A saúde, a segurança e os resultados. Então, quando você ouve NR, como você tem que resolver também um monte de coisa, você fala: "Ai, depois eu penso nisso." Mas eu preciso então te dizer que NR atualizada, que entra em vigor dia 26 de maio, é para você não gastar o que você já está gastando.

Com o quê? Turnover, falta de engajamento, afastamento, adoecimento, rotatividade, processo trabalhista, sinistralidade do plano de saúde, reputação. Como? Mas como que isso vai acontecer? Então eu vou agora— imagina de novo, nós vamos desenhar. Imagina aqui um monte de fio, um emaranhado de fio. NR1 tá aqui, ó. Você organizou o fio. A NR1 busca a reorganização do ambiente de trabalho através da inclusão dos riscos psicossociais nos ocupacionais.

Ah, Isabela, traduz! Então vamos lá. Década de 70, então, é o que foi definido. Brasil campeão mundial de acidente de trabalho. E eles entenderam que horas extras em excesso, pressão em excesso e falta de equipamentos de segurança estava causando aquele quadro. O que que se fez naquele momento? Vamos pegar o risco mais grave: falta de equipamento de segurança. Aí vem os EPIs. Capacete, bota, luva, óculos. Caio, quantas pessoas precisaram ficar surdas para hoje você oferecer protetor auricular numa fábrica?

Quantas pessoas ficaram cegas para hoje você oferecer um óculos de proteção? Quantas pessoas morreram em andames sem cinto de segurança? Então tudo isso é uma evolução da década de 70. Só que NR1 Depois tem mais 37, é a mãe de outras 37. Por que que agora ela foi atualizada? Porque nós já estamos já 40 anos com os EPIs para riscos físicos. Só que quais são as notícias? Transtornos mentais são a terceira maior causa de afastamento do trabalho.

CCCaio Carneiro

Isso é um fato, já é terceira maior hoje, já é muito tempo, tá?

ICIzabella Camargo

Então nós não estamos mais falando de eu acho Não, nós estamos falando sobre dados. E o que faz você ter segurança para tomar uma decisão é um dado. Só que se você empresário, você empreendedor, você que contrata pessoas, não quer saber o custo do turnover, você tá jogando dinheiro fora. Você não quer saber quantos processos trabalhistas você tem, você tá jogando dinheiro fora. Você não quer ouvir falar do que é para o seu bem, por quê?

Que resistência é essa? Porque, Caio, a gente não tá vivendo um problema de saúde, a gente tá vivendo um problema de cultura. Então nós estamos atualizando a cultura. Do que que você tá falando, Isabela? Então vamos lá, o que que é um risco psicossocial? Risco físico, você sabe o que que é?

CCCaio Carneiro

Sim.

ICIzabella Camargo

Químico?

CCCaio Carneiro

Também.

ICIzabella Camargo

Biológico? Ergonômico?

CCCaio Carneiro

Também.

ICIzabella Camargo

Essa cadeira que você tá sentado, levanta e desce, é Na década de 90, ter uma cadeira dessa era frescura. Quantas pessoas precisaram ter problemas na coluna para ergonomia ser uma obrigatoriedade? Ah, então depois dos adoecimentos eu vou tendo leis e normas para evitar os adoecimentos. Então até hoje as empresas já são obrigadas a mapear risco físico, químico, biológico, ergonômicos e acidentes. Isso já é lei, tá, gente? Não tô falando isso aqui, já acontece.

E agora, com os dados que nós temos sobre adoecimento relacionados à saúde mental, afastamento do INSS, o governo falou: opa, não dá mais para a gente fazer vista grossa com isso aqui. Então, empresas, nós também vamos incluir riscos psicossociais nos ocupacionais, que são os riscos que interferem no ambiente. A gente não tá falando de indivíduo, ninguém tá procurando doentes, nem vilões, nem bandidos. A NR1 é reorganização do ambiente de trabalho.

Como é que eu faço isso? Preciso ouvir as pessoas. Ah, é sério? Então agora que eu sou obrigado a ouvir? Sabe por quê? O problema de um problema não é o problema, é você não resolver um problema já mapeado.

CCCaio Carneiro

Também acho.

ICIzabella Camargo

Então, que bom que você está trazendo esse assunto para sua audiência, porque todas as empresas com um funcionário para mais funcionários com carteira assinada precisam se adequar à nova NR1, que é a inclusão de riscos psicossociais nos ocupacionais. Quais são eles? Preparado? Assédio, horas extras excessivas, falta de clareza na função, falta de apoio na chefia, falta de comunicação, Tem mais de 40 riscos que podem ser mapeados, tá?

Você fala: mas isso não é problema novo. Sim, nós não estamos falando de um problema novo, nós estamos falando de situações que nós nos acostumamos, assim como a gente se acostumou no passado a estar no ambiente com pessoas fumando do seu lado. Quantas vezes eu jantei num restaurante fechado com uma pessoa fumando do meu lado? Quantas pessoas voaram no avião com pessoas fumando e não fumantes. E até hoje, 2026, você voa e você ouve o piloto dizendo: "Proibido fumar." Vai no banheiro: "Proibido fumar." Caraca, mas por quê?

Porque isso já foi muito normalizado. Então eu posso comparar o letramento do assédio agora com os riscos psicossociais, como nós tivemos letramento do cigarro. Então a gente normalizou tanto uma coisa que parece que aí, ao proibir, você tá sendo o quê? Um elefante branco na sala. E agora a gente tá falando sobre os riscos psicossociais, que é tudo aquilo que afeta o ambiente e afeta o quê? O resultado. Então não adianta você querer falar de meta, aliás, meta abusiva é um fator de risco psicossocial.

Não adianta você falar de meta se você não tem pessoas para fazer Então bater meta batendo nas equipes é muito fácil. Só que aí a pessoa fala assim: ah, Isabela, só que depois de uma meta vem outra meta. Que bom, porque se não vier outra meta significa que o negócio quebrou. Ah, então a NR1 é para reorganização do ambiente de trabalho, é para você evitar custos que já estão rolando. Você já tá perdendo dinheiro com benefício que você oferece, as pessoas não usam por medo.

Medo. Ah, o canal de denúncia ninguém usa, medo. Você já tá gastando dinheiro porque o seu plano de saúde tem uma inflação maior do que a do mercado. Por quê? Porque deveria se chamar plano de doença. As pessoas estão usando plano de saúde quando já estão doentes, tá? Então você já tá gastando muito dinheiro. Então NR1 não é custo, pelo contrário, é NR1 atualizada, é para você reorganizar o ambiente de trabalho e evitar custos que você já está tendo.

Nós não estamos falando de felicidade, infelicidade, não. Estamos falando de ambiente, tá? E aí algumas pessoas ainda resistem, assim como cinto de segurança.

CCCaio Carneiro

Então vamos lá, você acha que elas resistem porque eles acreditam que tem gente que vai se aproveitar disso? Você resiste porque quando você fala, ótima pergunta, Quando você fala, por exemplo, de clareza na função, tudo mais, eu acho que é cabeça de todo gestor, cara. Eu quero que as pessoas tenham clareza. Você como gestor, você não tinha essa obrigação, você tem que dar clareza para o seu time. Obviamente que uma empresa se constrói e às vezes tem cargos que são formados na sua equipe que vocês estão construindo juntos em voo.

ICIzabella Camargo

Você no avião em pleno voo.

CCCaio Carneiro

Vocês estão no avião em pleno voo. Eu falo isso porque eu sempre, eu sou o líder do time. Eu sempre, eu sempre, talvez não seja tão comercial para muitas pessoas o que eu vou falar, mas para mim o meu time é mais importante que o meu cliente. Porque se não tem um bom time, é que não existe nem cliente. Para mim sempre foi meu time no centro, eu sempre fui mais o cara do time do que o cara do cliente. Para mim, por exemplo, em primeiro plano, meu time tem que estar bem para nós juntos fazermos bem para o cliente.

Durante muito tempo eu achava que eu tinha uma visão tipo, cara, não, O foco tem que ser no filho.

ICIzabella Camargo

Fala assim: "Não, eu e a mãe aqui, se a gente não estiver bem..." Se não estiver em sintonia.

CCCaio Carneiro

Então eu sempre fui um cara do time. Eu sempre fui aquele cara que, por exemplo, eu não aceito quando o cliente fala mal da minha equipe. Eu não aceito a venda, falo assim: "Devolve o dinheiro." "Eu quero saber onde eu posso mandar meu currículo. Quero trabalhar com o Caio Carneiro." É porque eu acho que como eu venho da área comercial e vendas, e eu sempre fui treinado por alguém, Eu sei qual que é a importância de alguém pegar na tua mão e você ter.

E eu acho que eu dei muita sorte de cair na mão de pessoas boas quando fui recrutado para ser vendedor de 19. Sabe, é como se eu tivesse entrado no tatame com mestre Miyagi e eu vi a diferença de você ser treinado por alguém no momento difícil. O cara tá lá, no bom ele tá lá. Alguém perguntar como você tá no boracuxu, você tá bem, bicho, sabe? Então eu fui treinar, eu caí na mão de pessoas maravilhosas ainda muito jovem. Então eu aprendi com essa liderança.

Então, obviamente eu não vou pintar o mundo cor-de-rosa, que o mundo não é todo assim, mas eu sempre fui um cara que eu valorizei muito o time, o ambiente. Eu vou lá, pergunto, porque para mim, se o ambiente não tá legal, cara—

ICIzabella Camargo

Agora amplia a foto. As pessoas que foram assediadas acham que podem continuar assediando, sim ou sim? Se eu ouvir gritos, eu posso gritar? Eu apanhei, eu tô aqui. Sim, você tá aqui, mas né, com que condição? Você falou aqui uma coisa que eu aprendi, sabe aonde? Disney. Vou fazer agora uma pergunta para Caio Carneiro. Agora a gente vai mudar, tá? Vai começar outro podcast agora. Eu começo conversando com o Caio Carneiro. Caio Carneiro, o que que você acha que a Disney vende? Aliás, o que que a Disney vende?

CCCaio Carneiro

Sonho, vende experiência, vende Frozen. Não, tô perto não.

ICIzabella Camargo

Escuta só, tá? Isso mudou a minha visão da vida. Fui fazer um curso lá nos bastidores da Disney e aprendi com o próprio professor da Disney: a Disney vende segurança. Você só sonha, você só fantasia, você só faz planejamento com a sua família porque você sabe que aquele lugar é seguro. O que que a Disney vende? Segurança. Na década de 90, a Disney mudou o foco. Antes o foco era o cliente. Depois eles perceberam que os clientes só voltavam porque— tá emocionado, não tá?

CCCaio Carneiro

Tô associando a coisa pela segurança. Eu tô assim, cara, se ela me desse 10 chances, eu não acertaria.

ICIzabella Camargo

Tô vendo nos seus olhos, tá emocionado. Porque a inteligência coletiva só consegue ser percebida por aqueles que estão presentes. Dá patinha aqui para mim. Entendeu? Ou seja, você já estava, já está executando o fio condutor de uma cultura saudável, tá? Então vamos lá. Então, na década de 90, a Disney tinha como foco o cliente, e aí na década de 90 eles mudam o foco, tem que ser o funcionário. Que se o funcionário atender mal, o cliente não volta.

CCCaio Carneiro

Exato.

ICIzabella Camargo

Ponto. Pode ser o Mickey, pode ser a Frozen, pode ser a Moana. Olha que eu tô sabendo os nomes agora das princesas, hein? Eu não sabia nenhuma antes, até 5 anos eu não sabia nenhuma. Então o que eu quero dizer é o seguinte: a Disney, que é Disney, vende segurança. E hoje o que a NR1 está querendo dos ambientes é o quê? Segurança. Porque de todos os custos que eu falei aqui, tem um que eu deixei agora para te falar: reputação. Outro dia eu fui atender uma empresa em Belo Horizonte, que inclusive conhece vocês, tal, faz parte do CLEX.

E aí eu conversando com o casal maravilhoso, né, e aí eu fui falando sobre turnover, rotatividade, não foi, não pegou. Aí quando eu perguntei: qual é o seu concorrente? A gente não tem. Falei: certamente, vocês são um grupo muito forte assim, assim. Então a reputação é importante? Sem dúvida. Então você precisa atualizar NR1, porque a partir de agora aquilo que antes era deixa para lá se torna obrigatório. Mas vamos lá, entre a obrigação e a convicção eu preciso de muita comunicação.

Tem muita gente esperando para ver. Ah não, deixa a multa vir. Ah não, depois eu vejo. É igual cinto de segurança, você usa para não levar multa ou por segurança? Tem gente que é para não levar multa. Quando o cinto foi obrigatório, muita gente resistiu porque era uma obrigação.

CCCaio Carneiro

Você acha que isso não é porque é falta de cultura de time no centro?

ICIzabella Camargo

Caio, você já matou a charada. Antes de um problema de saúde é um problema de cultura. Quando eu falo estamos vivendo a maior revolução no ambiente de trabalho, eu tô falando de cultura, em que a gente veio de um modelo de assédio, de comando e controle, de agressividade, de bater meta batendo nas pessoas. E tem gente que vai nesse grupo, sim, tem gente que acredita que a Terra é plana. Você acredita que a Terra é plana, Caio? Ah, que susto!

CCCaio Carneiro

Ele fez uma cara para mim, gente, que eu achei que É que eu acho que tem gente que não caiu a ficha que o teu colaborador é teu primeiro cliente. Eu acho que quando as pessoas entenderem que o teu time é o teu primeiro cliente, porque tem, eu enquanto você fala eu tô pensando, tem gente que fala assim, mas não é, quem paga a conta é o cliente, pô, quem sustenta aqui é o cliente.

ICIzabella Camargo

E o cliente precisa ser atendido por quem? Por uma máquina?

CCCaio Carneiro

Desculpa, eu não tô fazendo apologia não que a gente tem que servir todo mundo, mas eu acho que você ter esse entendimento primário que o Teu primeiro cliente é teu time, cara. Teu time tem que estar apaixonado, tem que estar— não significa que, cara, vai ser tudo perfeito, vocês vão ter desafios, vocês vão ter, cara, ali vamos sacudir, vamos fazer acontecer. Mas eu acho que quando você tem um olhar que o teu primeiro cliente é teu time, você muda o ângulo, você muda o jeito.

ICIzabella Camargo

Essa é uma postura madura. Quando a gente sentou aqui, eu te fiz 3 perguntas. Você tava dormindo, as crianças e como é que você estava com a Fabi. É, eu tenho um relacionamento excelente com o Tiago. Você tem um relacionamento bom com a Fabi? Maravilhoso. Pronto. Tem dia que vocês brigam?

CCCaio Carneiro

Tem dia que a gente conversa, mas é calorado.

ICIzabella Camargo

Muito bem. Quantos anos você tem? 39. Você começou a engatinhar com 1 ano, começou a andar com 1 ano, então você anda há 38 anos. Você tropeça?

CCCaio Carneiro

Sim.

ICIzabella Camargo

Oh! Então tem gente querendo que o ambiente profissional, que as relações no ambiente profissional sejam impecáveis, sejam perfeitas. E nós vamos ter altos e baixos o tempo todo. Um relacionamento bom não significa que ele não tem problemas. Ele tem problemas e, consequentemente, soluções, porque soluções acontecem diante de dilemas. Quantas vezes eu, Thiago, a gente senta assim, tá naquele embate, aí quando a gente fala: bom, pera lá, se isso tá acontecendo, é para a gente melhorar algum raciocínio.

Então, de novo, no ambiente de trabalho É um relacionamento que você vai ter. E aí nós temos então duas análises aqui. Tem gente querendo que o ambiente de trabalho seja impecável, mas não tem nem isso dentro da família. Tem gente falando que o ambiente é tóxico e esquece que ele é o elemento tóxico. Então eu preciso de autorresponsabilidade ou corresponsabilidade, porque o meu comportamento afeta o ambiente e afeta os resultados.

Perfeito. Então não adianta você querer ser um bom gestor se você não é uma boa pessoa com você. Isabela, então como é que tem que ser? Como é que eu faço para ser um bom gestor? Primeiro seja uma boa pessoa com você. Não se negligencie, não se deixe para depois. A gente não tem ideia do que vai nos acontecer, não tem. A gente vive nessa ilusão de que dá para chegar, depois você descansa, depois você dorme. Percebe? Aí eu acho muito interessante que as pessoas vão lá, pagam academia, toma esses pó que vocês tomam.

Eu vejo o Thiago tomando, tipo, whey protein, toma um monte de coisa, contrata nutricionista, coloca uma comida super saudável no prato, tá se nutrindo aqui, e o outro dedinho ali, ó, se inflamando. Você tá se inflamando aqui e nutrindo aqui. Não, eu tô com uma nutricionista agora, só tô comendo coisa saudável. E seus pensamentos estão como? Caio, faz 8 anos que todos os dias a minha missão é trabalhar educação da saúde mental na prática.

Eu podia trazer aqui para você dados da Gallup, né, e citar agora um monte. Não, saúde mental na prática, de segunda a segunda, você consegue com 3 coisas. São 5, mas eu vou focar em 3. Tá preparado?

CCCaio Carneiro

Tô.

ICIzabella Camargo

Tempo de sono, higiene pessoal, alimentação. Que absurdo, Isabela! Eu durmo bem, tomo banho e como bem e não tô bem. Tá tomando remédio para dormir, remédio para acordar, remédio para performar. Aí não tenho tempo aí no banheiro, Isabela. Tá tudo bem, tudo bem. O intestino tá preso, não sei por quê. Eu sou isso todo dia, Caio. E alimentação? Você come? Claro que eu engulo, mas você tá se alimentando mesmo? De quê? Então são esses 3 elementos básicos, né, que eu chamo de faxineiros da saúde mental, que você tem que garantir. Quando?

CCCaio Carneiro

Sempre.

ICIzabella Camargo

Você escova o dente todo dia? Então, para ter saúde bucal, você precisa escovar o dente todo dia. Para ter saúde mental, você precisa desses 3 elementos Todos os dias. Oi, Isabela, mas eu acabei de dizer que tem um período que a gente puxa mais e outros puxa menos. Beleza, amei. Uma semana eu puxo, a outra eu alivio. O problema é quando só quero puxar, puxar, puxar, puxar, puxar. Ah não, depois eu descanso. É isso que eu estou falando.

CCCaio Carneiro

E se depois não chega, né?

ICIzabella Camargo

Senhoras e senhores, vamos lá, o trabalho não é o problema do que nós estamos falando. Trabalho é promotor de saúde. É mesmo, mas o excesso de trabalho em um ambiente desorganizado e com assédio é o problema. Então, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Pegar um fim de semana puxado não é o problema, mas viver todos os fins de semana sem recuperar aquilo que você gastou durante a semana vai te levar para um quadro de esgotamento.

Você já tá doente, mas ainda tá funcionando. Aí viveu uma situação de desvalorização, de violência verbal, sexual, moral, institucional, que é o assédio. Essa gota transborda o copo. Mas não é que foi a primeira situação de assédio, não. Mas seu copo foi enchendo, enchendo, enchendo, enchendo, enchendo. Viveu uma situação, aí o corpo não aguenta mais. Lembra das três colunas? Já tá tentando se adaptar, você tá tentando rodar com o carro já no cheiro.

Aí o carro para para te punir. Não, ele já tentou te avisar de outras maneiras. Então a gente precisa— não sei quanto tempo nós temos. Quanto tempo nós temos? Fica tranquila, fica tranquila.

CCCaio Carneiro

Garçom, dose para todo mundo, extra!

ICIzabella Camargo

Vamos lá, eu acho que eu preciso falar aqui sobre as regras do jogo, que é uma coisa muito importante. Vamos lá.

CCCaio Carneiro

Mas antes das regras, a turma tá vendo isso daqui, está numa churrascaria, né? Aquela coisa. Não, se explica isso aqui para turma.

ICIzabella Camargo

Você já usou isso aqui na churrascaria? Já. Quando você vira do lado vermelho, você não se inspirou na churrascaria?

CCCaio Carneiro

Se inspirou mesmo para fazer na churrascaria?

ICIzabella Camargo

Cara, quantas vezes você já ouviu que inovação é aperfeiçoar o que já existe? Vamos lá, quando você tá numa churrascaria, você não quer carne, você usa qual lado?

CCCaio Carneiro

Quando eu não quero mais, vermelhinho.

ICIzabella Camargo

Pronto. E quando você quer, você usa qual?

CCCaio Carneiro

Verde.

ICIzabella Camargo

Lado verde. Muito bem. Isso aqui provavelmente foi criado em algum momento em que as pessoas estavam empapuçadas de dizer agora não, não quero mais. Então eu preciso desenhar quando eu não quero mais, tá? Então vamos lá, agora vamos avançar. Em 2023, nós estamos em que ano, Caio?

CCCaio Carneiro

26.

ICIzabella Camargo

Muito bem. Então, há 3 anos eu vejo uma notícia, uma: transtornos mentais são a terceira maior causa de afastamento do trabalho. Essa notícia foi do Tribunal Regional do Trabalho. Essa notícia não chegou para mim no privado, essa notícia estava disponível para todo mundo. Eu vejo aquela notícia, eu falo: oi? Aí junto tinha uma outra notícia sobre o aumento de pedidos do INSS, tinha um outro, uma outra notícia falando sobre o aumento de processos trabalhistas de assédio moral, e um outro, uma outra notícia mais perigosa ainda, que é o endividamento elas, bets, o vício, o vício dos jogos online.

Mas eu foquei naquela ali: transtornos mentais são a terceira maior causa de afastamento do trabalho. Falei: gente, mas se já se sabe disso, já se sabe disso, já se sabe disso, cadê os EPIs da saúde mental? Isabela, você é engenheira? Não. Você é técnica de saúde e segurança? Não. Mas eu estou vendo uma notícia Eu tô vendo um fato, gente.

CCCaio Carneiro

EPI é equipamento de proteção individual. Vou chegar lá, vou chegar lá.

ICIzabella Camargo

Não, e aí, porque a turma é muito preguiçosa, né? Fala assim: ah, eu não sei o que que é EPI. Você usou máscara na pandemia? Sim. Equipamentos de proteção individual. Hoje, se eu chegar numa obra e a turma tiver sem capacete, o que que acontece com a obra?

CCCaio Carneiro

Autuada.

ICIzabella Camargo

Mas no passado a turma trabalhava de chinelo havaiana. Na década de 70, tá? Então vamos lá, em 2023 eu vendo essa notícia, eu me incomodo, eu fico indignada, eu falo: cara, mas isso aqui a gente já sabe, cadê os EPIs para saúde mental? Porque os EPIs para saúde física já foram, já foram educados. E mesmo assim hoje você tem numa empresa, dependendo do risco que você tá colocando os funcionários, uma empresa, o risco químico, físico, biológico, ergonômico, Além de você oferecer o EPI, você tem que colocar placa obrigatório.

Aí eu começo a pesquisar, eu falo: cara, não existe EPI para saúde mental. Guimarães Rosa já disse que o que a vida quer da gente é— Guimarães Rosa disse que o que a vida quer da gente é coragem, mas na verdade o que a vida quer da gente é autonomia. O que que eu fiz naquele momento? Não existe? Vou criar. E uma vez o Joel me falou isso, porque eu tava falando sobre a produtividade sustentável, a gente tava num grupo, né, foi o primeiro grupo do Influência.

E aí ele perguntou, né, para o grupo: quem conhece produtividade sustentável? Não conheço. E aí ele me pegou, ele falou assim: e aí, vai continuar ou vai arriar? Do tipo Se as pessoas não sabem, o que que você vai fazer? Vai arriar ou vai educar? Eu, evidente que eu vou educar. Aí ele falou: parabéns, o mundo é feito das pessoas que criam as coisas que não existem, porque ou você vai ficar reclamando do que não existe ou você vai criar.

Isso nós estamos falando de 2020, da produtividade sustentável. Roda para 2023, tô falando dos EPIs da saúde mental. Então eu vejo uma notícia, não tem EPIs da saúde mental, crio em 2023. Aí eu tô lá elaborando, Caio, O que é responsabilidade da empresa e o que é do indivíduo. Aí eu estou trabalhando com os líderes de uma empresa de urbanismo. Urbanismo, gente, é aquela empresa que cria bairro. Super fácil, é um trabalho fácil, simples, super simples.

E aí eu perguntei para o Felipe, o gestor, eu falei: Felipe, o que que tá afetando a saúde mental? Você já fez essa pesquisa? Aí ele falou: Já. Aí ele me disse: as pessoas reclamaram que interrupção, sabe, o tempo inteiro ser interrompido, tá tirando a saúde mental delas. Eu: claro, porque nós vivemos numa cultura que você pode estar ali, ó, com aquela cara de concentrado, até assim com o olho, né, que você tá concentrado, fone de ouvido, já usou fone de ouvido para ninguém se aproximar?

E mesmo assim, o que acontece? Opa, pode falar, cara, tem minutinho? 5 minutos? Aí eu falei: sério? Aí fiz ali uma pesquisa, porque ao longo de todo dia você tá tentando se concentrar para executar aquilo que você se comprometeu, você é interrompido, aí chega no fim do dia você tá sem energia e sobrecarregado, você não conseguiu fazer o que tinha que fazer. O que eu conheço de empresário que acorda 4 da manhã para poder fazer as coisas que não vão conseguir fazer durante o dia?

Enfim, aí eu falo: pera lá, Lembra que eu já tava desenhando os EPIs para a saúde mental. Falo: vamos pegar aquela ideia da churrascaria e vamos fazer um lado verde, estou disponível, posso falar, e o lado vermelho, não posso falar agora, eu agradeço a sua compreensão. Aí você fala: Isabela, funciona? Vamos lá, quando você se hospeda no hotel, você não usa na porta?

CCCaio Carneiro

Tem.

ICIzabella Camargo

Então, se você já usa na porta do hotel que você se hospeda Se você quer ou não ser perturbado, qual é a dificuldade de você começar a usar isso aqui? Funciona? Usa para você ver. Isso é cultura, mas eu não faço isso sozinha. Eu preciso de você e eu preciso de você. Depois entra lá no site epiisdasaudimental.com.br. E aí, curiosamente, igual agora você ficou emocionado, viu, te falando da Disney, pô, já tava fazendo um negócio e tal.

Eu tô falando dos EPIs da saúde mental desde 2023. Lembra que eu falei agora da NR1?

CCCaio Carneiro

Sim.

ICIzabella Camargo

O que que NR1 busca? Reorganização do ambiente de trabalho. Se você entrar no site, você vai ver o que que eu estou propondo ali em 2023. Você precisa trazer conhecimento para os líderes sobre segurança psicológica, sobre assédio, sobre direito à desconexão, sobre flexibilidade. Isso não é ensinado em nenhum curso técnico. Nenhum engenheiro aprende isso, nenhum administrador aprende isso. Só que você chega nos lugares pelas suas, pelas suas pelas suas capacidades, pela sua técnica, é o ego.

Quando você alcança o cargo da liderança, você não tá mais no ego. Ou você ecoa, ou o seu cargo não se sustenta. E entre o ego e o eco, eu preciso do quê? Elo. Eu preciso criar elos para sair deste lugar que eu cheguei, e aí sim deixar legado, preparar equipes e tudo mais. Então você é um cara que está ecoando há muito tempo porque a sua energia tá alta para ter elos. Quando a pessoa não quer se relacionar, não tá com saco de conversar, ouvir a equipe, imagina como é que você vai ecoar se você não tá com paciência nem para ouvir a sua equipe.

Então eu vejo muitas pessoas com dificuldade de contratação, é de retenção inclusive, Isso é um fato aqui no Brasil. Ao mesmo tempo que você tem muitas pessoas desempregadas, tem apagão de mão de obra. E aí você fala, tá, então o que que a gente precisa falar? Mesma língua. Eu preciso de reorganização. Então ninguém quer punir o empresário. Aí você falou, ah, mas será que o sujeito não vai se aproveitar dessa situação? Caio, infelizmente eu tenho que dizer que eu conheço médicos picaretas, Eu conheço juízes picaretas, eu conheço um monte de profissão picareta, tem um monte de jornalista que ganha a vida estragando a vida dos outros.

Então assim, isso é problema de caráter, assim como tem gente que é fraudão atestado. Isso sempre existiu, então não é agora com o mapeamento de risco psicossocial, com gerenciamento desses riscos, que você vai ter esse tipo de situação. Isso já existe. Nós estamos falando de caráter, não é? Tá, então eu não tenho dúvida que você é um farol na vida das pessoas que estão passando pelo seu caminho. E o que acontece quando você é um farol?

Você ilumina também o caminho dessas pessoas. Então todos somos multiplicadores. Se você quiser ver assim, se você também não quiser, não tem problema. Quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega. Então veja que a primeira pergunta que você me fez: ah, mas eu só vou saber meu limite se eu ultrapassar. Você é a prova de quem não ultrapassou.

CCCaio Carneiro

Sim, é que talvez esse seja o momento, o jeito que você mais aprende, mas o jeito que mais machuca.

ICIzabella Camargo

Sim, né? Eu não sei se a sua audiência sabe, mas eu cheguei lá. Eu cheguei lá, eu cheguei ao lugar em que toda mãe ficaria muito orgulhosa. Eu cheguei na Rede Globo. Então assim, o chegar lá como profissional de comunicação, eu cheguei. Só que quando eu cheguei no auge da minha carreira, eu morri pelo caminho. E por muita sorte eu não tive um prejuízo maior, porque ao ter vivido um apagão ao vivo e ter ido sob risco de convulsão ao médico, eu podia ter provocado um acidente.

Então eu sou a prova de quem chegou lá e morreu pelo caminho. Isso é bom. Olhando agora para trás, eu nunca imaginei que eu subiria tantos degraus com a minha queda. Mas porque eu também tive que fazer uma escolha. Eu saí da cadeira de vítima de toda aquela situação e fui para cadeira de aprendiz. Falei: opa, eu tô há 20 anos todo dia defendendo uma pauta, então essa que caiu no meu colo— porque eu não tinha respostas, porque tava acontecendo comigo, eu tinha que buscar respostas para mim.

Mas por ser jornalista, as pessoas ficavam me perguntando também. E aí, curioso, para quem chama isso de frescura, é que ao mesmo tempo em que falavam que aquilo que eu vivia, estava vivendo, a síndrome de burnout, era corpo mole, a OMS reconhecia como fenômeno ocupacional. Então olha o que que nós estamos falando de cultura. Enquanto você convive com pessoas que estão desqualificando uma dor que não sangra, o mundo já está falando: opa, pera lá, Você quer chamar de bobagem, de frescura, tudo bem.

Só que agora crenças individuais não se sustentam. Você já tem dados, você já tem dados para mostrar que o ambiente de trabalho não precisa adoecer ninguém. E você pode sim reorganizar o ambiente de trabalho, continuar tendo lucro. Fica tranquilo, ninguém vai mexer no seu bônus, pelo contrário. E não me venha perguntar: será que essa lei vai pegar? Ela já existe.

CCCaio Carneiro

É porque acho que muito, muito, muito, a maioria esmagadora dos empresários são muito pé atrás com qualquer coisa que vem do governo, né? Isso é verdade, né? Qualquer coisa que vem do governo existe, eu acho, uma crença limitante: lá vai ele atrapalhar, né? Mas quando a gente traz a pauta de ter um ambiente, cara, forte, um clima organizacional top, a maioria dos empreendedores que tem time fera mesmo, ele fala assim: cara, isso é um dever já, velho, não era alguém para dar uma carteirada. Nossa, já é um dever você ter um time mal alinhado.

ICIzabella Camargo

Tá gravando isso? Tá gravando o que ele tá falando?

CCCaio Carneiro

Todo cara que gere um time, ele fala: pô, a galera tem clareza da posição dela. Acho que é todo mundo que dá isso, né?

ICIzabella Camargo

Mas eu preciso querer, eu preciso colocar intenção na gestão. Porque antes a liderança podia ficar no topo, agora a liderança precisa ficar no meio. Porque para ter o engajamento que todo mundo quer, ou você se comunica com a sua galera ou você tá ainda alimentando o modelo que não existe mais. Então, Caio, a NR1 atualizada, vamos lá, quem é que convive no ambiente de trabalho? Como assim, quem convive no ambiente de trabalho?

Todo mundo que tá ali. O líder também tá ali? Ah, então nós também estamos falando do ambiente dele. Exato. Vixe Maria, você vai me perguntar, Isabela, os líderes estão adoecidos? Muito. Muitos. E aí aquilo que eu tolero, aquilo que eu normalizo, eu também vou entender que todo mundo precisa fazer igual.

CCCaio Carneiro

Total. Quanto líder batendo pino, cara?

ICIzabella Camargo

Muitos. E eu trabalho com muitos de vocês, e eu também sei que vocês não são psicólogos. E uma das coisas que eu mais aprendi atendendo um dos maiores bancos daqui do Brasil foi ver a vontade de uma líder como você tem de querer ajudar tanto. Então agora eu vou fazer o contraponto: mas vocês também não são psicólogos. E aí, por se esperar muito do líder, vocês também querem resolver tudo. E hoje a maior habilidade que o líder precisa desempenhar é delegar.

Sim, só que para delegar eu preciso confiar, e para confiar eu preciso o quê? Me relacionar. Mas como é que então eu vou confiar com alguém se eu não tô me relacionando com essa pessoa? Então os líderes que estão se sentindo sobrecarregados, e eu atendo muitas empresas com este pedido, a resposta mais simples, eu sou bem objetiva, é: aprenda a delegar. Você não é responsável por resolver tudo. Você tem que saber o que está acontecendo, mas delegue, não queira resolver tudo.

CCCaio Carneiro

Eu acho que tem muita gente com dificuldade de equilibrar o pratinho nesse sentido. Porque, por exemplo, eu sou aquele cara que tem essa cultura de time. Para mim, clima é muito importante, muito bom. Só que todas as equipes que eu construo tem cultura de performance, mas eu não acredito que para ter isso é preciso castrar a cultura de performance. Esses mundos conseguem conversar. Para mim é o contrário, eu acho que uma equipe alinhada ela performa muito mais.

Então eu tenho essa visão contrária. Tem gente que, ah, a culpa é da performance, a culpa é que temos que crescer. Não, ao contrário. Eu acredito que se você não tem cultura de performance, de uma certa maneira você não vai conseguir sustentar clima, você não vai conseguir sustentar nada, porque você tem ausência de crescimento. As pessoas têm apetite de crescer, uma empresa tem apetite de crescer, todo mundo tem apetite de crescer.

Eu acho que estagnação Ele estressa. Eu acho que quanta gente que corrói com sentimento de impotência, que ali não avança de cargo, tá no mesmo lugar. E às vezes tem clareza, mas não tem performance ali. Então eu gosto desses dois mundos assim, sabe? Eu acho que é a maestria do líder, né? O sal e açúcar é soro, né? O soro é o sal e açúcar.

ICIzabella Camargo

A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. O Fábio Coelho, presidente do Google, ele me conta também aqui no livro. Gente, o livro é esse aqui, tá? Dá um Tempo: Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites. Não é sobre burnout. É sobre fazer as pazes com o tempo, né? Todo mundo tá achando que o tempo tá insuficiente. Ó, não dá mais para você reclamar nem do café, nem do glúten, nem da lactose, nem do tempo, já te digo. Mas o Fábio Coelho me disse nas entrevistas desse livro: Isabela, eu como líder eu quero ter pessoas que saibam muito mais do que eu.

Eu preciso orquestrar essas pessoas, eu preciso ouvi-las. Porque tem líder que não quer pessoas que saibam mais do que ele. Eu quando ouço a Carol, quando eu ouço a Alessandra, o Rafa, as pessoas da minha equipe trazendo uma ideia, eu falo: caraca! Agora, vamos fazer já. Eu não preciso. Ai, como é que eu não pensei nisso antes? Que isso? Aí o ego, é o ego. Então, a hora que você percebe uma oportunidade, aperfeiçoa, bota em prática, que a vida que é da gente é autonomia.

Aí você falou agora um negócio curioso, né? Ah, porque o empresário, tudo que vem do governo. Vamos lá, aí que que aconteceu agora com NR1? O governo tá dando autonomia para as pessoas fazerem mapeamento, gerenciamento como elas quiserem. Que que tá acontecendo? Um monte de associação pedindo a anulação da atualização porque o governo não mostrou como tem que fazer. Falei: curioso, se a gente tivesse dado uma cartilha, ó, você tem que fazer assim, assim, assim, a reclamação seria oposta.

Ah, tá me impondo agora como eu devo fazer. Percebe? Porque na verdade você tá querendo fugir da responsabilidade. Ponto. Outro dia, conversando com líderes do setor hospitalar, que estão muito próximos de mim, mas foi um chororô. E ele: "Não, porque a pandemia e tal." Eu falei assim: "Eu entendo, mas espera lá, se você não fez a sua lição de casa, não adianta reclamar o resultado da prova. Não é NR1 que tá sendo o problema." As pessoas que não querem compreender sobre risco psicossocial são o próprio risco psicossocial.

As empresas que estão, os empresários, os líderes que estão vendo a NR1 como um custo é porque não sabem o quanto já estão perdendo dinheiro, tá? E aí a questão da mudança de jogo tem tudo a ver com que nós estamos falando, isso lembra da regra do jogo, é porque vai chegar um momento em que de repente você precisa mudar de jogo. Opa! Agora que eu vou falar, muda o jogo. Até agora era uma Isabela, agora é outra. Imagina um jogador de futebol que começou a jogar com 10 anos.

Ah, a velocidade tremenda! Aí, com 30 anos, o campo fica maior, o gol, um tá muito mais distante do outro. Ou seja, o tempo passou e as suas habilidades físicas mudaram. Eu sou esse jogador. Aí eu tô jogando bola, adianta eu reclamar que o campo tá muito grande, é que eu não tô conseguindo correr? Adianta? Eu posso reclamar? Poder, eu posso. Mas vai mudar alguma coisa? Quando eu percebo que aquele jogo que eu escolhi jogar não tá dando mais para mim, e pode ser por N fatores, pode ser porque o técnico mudou, pode ser porque a grama mudou, pode ser que eu mudei, Ou eu busco recursos físicos, alimentares, de treino para dar conta, ou eu mudo de jogo.

O que eu mais vejo hoje, Caio, são pessoas adoecendo reclamando das regras do jogo que escolheram jogar. É como eu, que moro em São Paulo, reclamar do trânsito. Eu escolhi morar aqui, senão estaria na minha cidade que tem 6 mil habitantes. Então nós estamos reclamando das regras do jogo que a gente escolheu jogar.

CCCaio Carneiro

Tô curiosidade, que cidade que é?

ICIzabella Camargo

Cambira, norte do Paraná.

CCCaio Carneiro

Que legal!

ICIzabella Camargo

Norte do Paraná. Minha família, né, mora lá na zona rural. Então isso é muito chocante. Quando você escolheu jogar um jogo, você tinha uma idade, um sonho, um propósito. Aí o tempo passou, muitas coisas mudaram, o mercado mudou. Se você não percebeu, mudou. Os negócios mudaram, você também mudou. Então você precisa atualizar a sua identidade. Se atualiza RG, passaporte, carteira de motorista. Então não é só o colágeno que vai embora com o tempo, tá, gente?

Oh, que coisa! A gente muda internamente também. Então essa frase significa o seguinte: o que que eu ofereço para os gestores e para todos os trabalhadores? Na verdade, faça uma revisão das variáveis do que você escolheu fazer. Ah, bom. Ah, Isabela, vem aqui na empresa porque a gente tá com um grande problema de fuso horário. Como assim? Não, que a gente não tá conseguindo alinhar com o fuso horário da França. É, mas fuso horário é novo agora que o fuso horário existe?

Não, porque os prazos, todo mundo tem prazo. Cozinheira tem prazo, costureira tem prazo, vendedor tem prazo. Então não adianta eu reclamar de uma coisa que faz parte do jogo que eu escolhi jogar. É isso que eu quero dizer. E aí vai depender da sua saúde mental mudar de jogo enquanto você tem saúde, ou mudar depois, como foi no meu caso, sem saúde, sem plano de saúde, sem planejamento, percebe? Então, enquanto você pode decidir, decida com saúde.

E é curioso que a gente falou aqui de saúde mental um tempão, né? Então vamos lá, que que é saúde mental na prática, de segunda a segunda? É a capacidade para lidar com altos e baixos imprevistos. Muito bom, gostei. Vamos lá, saúde mental é a capacidade para lidar com altos e baixos imprevistos todos os dias. Então eu preciso de saúde mental nas férias ou todo dia? Todo dia. Ah, então eu preciso dormir, no banheiro e comer. Ai, Isabela, mas isso é muito simples.

Para, não precisa chamar a NASA para resolver o seu problema, não. Você mesmo precisa ter coerência com o seu estilo de vida atual. Isso tá sustentável? Isso consegue ter sustentabilidade? Ô Caio, não me venha falar de longevidade, não venha me falar de futuro se você tá ignorando o presente. Como é que você quer que o futuro seja lindo se o seu presente tá caótico? Então para um pouquinho, para de reclamar daquilo que você escolheu.

Veja, de repente tá na hora de mudar de jogo. E eu vejo muitas pessoas infelizes insistindo em lugares que não são mais para elas. Mas aí falta o quê? Autoconhecimento, planejamento, inclusive financeiro, para tomar uma decisão. Só que as pessoas, e eu já fui essa, tem mais medo de perder o emprego do que perder a saúde. Só que sem saúde você não faz nada. Se você não se incluir na própria agenda Vai chegar uma hora que você vai ter que cancelar agenda.

CCCaio Carneiro

Eu acho que na minha experiência pessoal eu aprendi o seguinte: quem tem saúde tem um monte de problema, quem não tem saúde só tem um. De novo, trazendo o que eu passei com a minha mãe, né? Minha mãe ficou muito tempo— achei que quem tá na nossa audiência ouvindo aqui que já teve um caso de uma experiência de algum Você vive aquele ambiente de doença de um terceiro muito próximo, aquela coisa de hospital, e dormir lá e revezar com família para dormir na UTI, vai, volta, vai, volta.

Você vê que aquela pessoa, cara, a vida inteira para. O único problema que ela tem é sair dali. Todos os outros perderam toda importância. Então, como você vê que no final das contas saúde é uma É um— eu sei que parece clichê, mas quantas pessoas falam que, ah, Deus, saúde, família e trabalho, e isso reflete na prática a tua vida? Para mim, as coisas, ela tem que refletir na prática. Por exemplo, que que é prioridade para mim?

Aquilo que tá na minha agenda. Se não, só prioridade na minha boca. Aquilo que não tá na minha agenda não é uma prioridade. O que tá na minha boca é um potencial, mas se não se reflete na minha agenda, não virou prioridade ainda.

ICIzabella Camargo

Certo. Só que você pode colocar muitos compromissos na sua agenda que são prioridade, mas quem é a principal prioridade? Eu. Ó, redundância, né? Principal prioridade. A gente tava falando aqui antes de começar, se você puder repetir, porque o seu inegociável é o mesmo que o meu. Você nem sabia disso. Quando você vai atualizando a sua identidade, que é o turismo interno, que é tipo se olhar mesmo, se ver, falar, cara, do que que nós estamos reclamando?

Vamos, menos. Eu descobri que o meu inegociável, meu tempo de sono, a não ser que vocês me chamem para um churrasco, entendeu, lá em Alphaville, aí nós vamos dormir um pouquinho só, umas 10:30, tá? Hoje o meu tempo de sono é o meu maior inegociável. Todo mundo precisa saber quais são os seus inegociáveis, que é para sua vida ser mais satisfatória.

CCCaio Carneiro

O cara sabe, tem que estar muito junto. Ele sabe que o Caio, cara, depois das 9 horas não conta com ele.

ICIzabella Camargo

É mesmo? Pergunta para o Joel como é que eu sou com o tempo. Chatíssima. E não é porque eu quero acelerar ou encurtar o tempo de ninguém, não. É para dar mais objetividade, porque eu já sei que se eu não dormir bem, eu não funciono bem no dia seguinte.

CCCaio Carneiro

Sabe o que é muito legal? Eles respeitam o meu negociado.

ICIzabella Camargo

Pronto.

CCCaio Carneiro

Eu lembro que tinha algum compromisso, tal, tal, tal, tal, aí não sei se foi o Flávio ou o Joel que puxou "Caraca, a gente consegue fazer às 7?" "Por quê?" "Cara, depois das 9 o Caio..." Porque eles são mais prime time, eles são mais noturnos. O Flávio então... O Joel não é tanto que nem o Flávio, é como se fosse na categoria, eu sou o pequenininho, o que vai dormir mais cedo, o Joel é o segundo. O Flávio, ele é prime time, ele é, meu, ele tá, meu, criativo ao extremo ali.

ICIzabella Camargo

Esse é o desafio do líder, é você lidar com ritmos distintos, assim como você também tem que lidar com ritmos distintos da sua equipe. Exato. Mas se houver um combinado, gente, olha só. Então, por exemplo, eu tenho um combinado com a minha equipe de fim de semana. Quando eu consigo entrar aqui na internet, vejo conteúdos legais, eu boto no nosso grupo. Mas o grupo não tá— eu não tô esperando a resposta de ninguém, e ninguém precisa ver.

Já tem um combinado, já tem um combinado, né? Especialmente com o modelo de vida que eu tenho agora, um menino de 10 meses, uma menina de quase 5 anos, Então, a vida da empreendedora, né, e eu que sou empreendedora, educadora, mãe e tudo mais, eu tenho horários muito diferentes da Carol, por exemplo, que não tem filhos ainda, né, tem gatinhos, né, Carol? Então, se o líder não souber respeitar essas diferenças, eu tenho a Alessandra que trabalha comigo, ela cuida da mãe dela, é a coisa mais linda do mundo.

Então, se ela me pede uma flexibilidade porque ela está cuidando da mãe, você tá entendendo? Falar: mas eu tenho uma empresa de mil pessoas, eu não posso fazer isso. Por isso que você delega, você tem áreas.

CCCaio Carneiro

Isso, as pessoas chegaram até o final. Esse podcast é um convite para pensar na vida. Esse podcast, você deixa isso muito claro, esse podcast não é um convite para você querer menos, esse não é um convite para você ir tão longe. Ao contrário, esse podcast é para que você não quebre no meio do caminho, é para justamente, se você quiser continuar, acelerando. Qual seria uma mensagem final que você sabe que, independentemente do momento— que tem gente que tá assistindo aqui, falou assim: cara, eu tô no melhor momento, eu tô no verão, cara, as coisas estão acontecendo, eu tô colhendo, tá animal, eu tô crescendo, 2026, baita ano.

E tem gente que vai pegar essa mensagem também em um ano duro. Qual seria a tua mensagem que você faria questão de chegar para alguém, independentemente do momento?

ICIzabella Camargo

Sim, capitei. Então, primeira coisa: se você tá num ano bom, comemore. Se você tá no ano que ainda não está bom, comemore também. Faz parte, faz parte do que você tá escolhendo. Porque são nos momentos em que nada está acontecendo que aí você vai ter clareza para quando vier a solução, o insight maravilhoso. Então não adianta culpar o tempo se você não compreende o tempo das coisas que você quer. Então o que eu vou dizer para todo mundo, independentemente do contexto, é: respeite as pausas voluntárias para evitar as involuntárias.

Respeite a necessidade das pausas voluntárias para evitar as pausas involuntárias. É a nossa negligência com o tempo de sono, com esse respiro, que faz você bater o carro, que faz você tropeçar, que faz você cair, que faz você brigar no trânsito. Porque você dormindo mal, você vive muito mal. Então, se você me falar assim, uma coisa, 4 letras: sono. Mas, Isabela, você falou tudo isso para chegar no sono? Sim, porque nós estamos já há muitos anos achando que você pode dormir depois.

E o Gustavo Borges me contou aqui uma coisa que você me contou aqui antes do podcast. Gente, não fala nada para mim, que eu sou esta pessoa que vai querer educar com os exemplos positivos. Gustavo Borges, quando fui entrevistar, eu perguntei: como é que faz para um atleta olímpico ganhar medalha? O que que ele me falou? Dorme. O quê? Que absurdo! Na época eu nem sonhava, né, nada disso. Como assim, Gustavo? Ele falou: olha, no tempo de treino de um atleta tem o tempo do sono, o descanso faz parte do treinamento.

A primeira vez que eu tinha ouvido aquilo, mas como foi do Gustavo Borges, um atleta olímpico, eu falei: opa, vou respeitar, né? Foi a primeira pessoa na minha vida, eu tinha então, tinha 35 anos, 36, quando eu vi isso, que me trouxe o sono como um ativo e não como um supérfluo. Gustavo Borges, o nosso medalhista. E depois você me traz aqui dizendo: Isa, planilha triátlon, tempo de descanso.

CCCaio Carneiro

Foi o grande presente que o Ironman me deixou. Pronto, descanso faz parte do treinamento. Quando recebi a planilha de treino, meu técnico tava lá: descanso, fisioterapia, massagem. Falei: cara, não acredito que hoje O treino é descansar. Eu tinha meta de sono. Aí eu lembro que a primeira semana eu não bati. Aí eu falei assim: e aí, meu treino não subiu na planilha? Você não vai treinar hoje porque você não sabe descansar. Quem não sabe descansar não sabe fazer força.

Repete: quem não sabe descansar não sabe fazer força. Você não souber descansar, como é que você não treina? Tiago Vinhau. Porque como eu comecei um esporte de longa duração, endurance, Iron Man, pedala 4. Então ele falou: se você não sabe descansar, você não sabe fazer força. O descanso faz parte do treinamento. Aquilo eu peguei para mim e eu falei assim: cara, isso aqui não é só para esporte não, isso aqui é para vida, pô.

ICIzabella Camargo

Pronto. Então você que tá ouvindo este episódio, você quer ter um negócio? Você quer ter um negócio de curto prazo ou de longo prazo?

CCCaio Carneiro

Uma empresa é um Iron Man.

ICIzabella Camargo

Uau! Nossa! Então assim, você quer ter um negócio aqui? Beleza, não dorme. O negócio de curto prazo, não dorme, não come, não descansa, não tira férias. Agora, se você quer ter uma produtividade sustentável, longo prazo, você precisa descansar, você precisa tomar o fôlego para depois continuar. Então não adianta você ser fã do Caio, do Joel, dos atletas olímpicos, dos jogadores, etc., e não colocar em prática essa outra parte.

CCCaio Carneiro

Eu sou do time que fala para a galera: "Galera, descansa. Tá cansado?

ICIzabella Camargo

Descansa." Ai, agora eu preciso falar um negócio muito polêmico.

CCCaio Carneiro

Eu sou aquele cara que fala para a galera descansar, sabia?

ICIzabella Camargo

Qual foi a primeira? Qual é a pergunta que eu mais faço quando eu encontro as pessoas? Outro dia o Thiago, meu marido, encontrou o Padre Fábio no aeroporto e fazia muito tempo que eu não encontrava com o padre. Ele foi um dos personagens principais aqui do livro porque o padre viveu uma coisa que eu vou falar agora, que muitas pessoas podem se identificar. O padre, quando começou a ter crises de ansiedade e crises de pânico, médico, ele me disse: eu não tinha medo das multidões, eu tinha medo do elevador.

Porque quando eu subo num palco, eu falo com as multidões, ninguém tá me pedindo um conselho individual. Agora, quando eu tô descendo da van, quando entrou no elevador, as pessoas querem de mim o que eu não tenho mais para dar. Isso foi quando ele adoeceu, e ele tinha uma agenda tão insana de shows, sem tempo de recuperar, que ele disse: minha ficha caiu quando eu cheguei no meu apartamento e eu sentei no chão e comecei a chorar.

Padre Fábio me falou isso. Lá atrás, foi um dos primeiros entrevistados do livro. Aí meu marido encontrou agora o Padre Fábio no aeroporto. Aí ele me ligou: "Bela, você não sabe quem tá aqui comigo." Eu: "Quem?" Deixa eu aproveitar e já ver se meu cabelo tá em ordem. Pronto. Aí eu falei: "Quem é?" Ele falou assim: "Padre Fábio." Virou o telefone pro padre. Qual foi a primeira pergunta que eu fiz pro padre? "Tá dormindo bem?" "Padre, tá descansando?" Ele falou: Tô, Isabela, agora eu tô.

Então eu sou essa chata que vou te perguntar a primeira coisa: tá descansando? Porque ninguém te pergunta isso, ninguém quer saber se você quer. Eu quero, eu quero. E que essa mensagem então reverbere dentro do seu estilo de vida. E veja, começa hoje, hoje, hoje, hoje, hoje. Não deixa para depois. Hoje, o que que você pode fazer então para melhorar a sua saúde mental? Será que é criando mais espaço na agenda para almoçar? Será que é tendo tempo para lavar o cabelo?

Meninas que não lavam cabelo estão a um passo do burnout, e meninos que não fazem a barba. É o autocuidado mais básico, que você não tem energia. E só uma mulher que entra debaixo do chuveiro e senta para chorar debaixo d'água. Sabe o que eu tô falando? Quando você não tem mais energia para o básico. Então isso é universal. Então escolha muito bem o que você está fazendo com o seu tempo, porque não adianta trabalhar num lugar incrível, comprar coisas incríveis e não estar se vendo como uma necessidade incrível.

E aí, para fechar essa questão da saúde mental, Já que a gente tá agora em onda de Copa e nossa, e Neymar e não sei o quê, não sei o que lá, vamos lá. Acabei de falar do Padre Fábio. Depressão dizem que é falta de Deus ou falta de ter o que fazer. Estupidez. Aí eu vou te dar só dois exemplos. Chico Anísio, lembra? Uma das mentes mais criativas do Brasil. Lidava com a depressão publicamente. Então não era falta de trabalho, porque ele era, cara, super workaholic e criativo.

Padre Fábio, Padre Marcelo, depressão. Que estranho, né? Um padre com depressão. Se um jogador de bola pode ter uma lesão, que um padre não pode ter depressão?

CCCaio Carneiro

A cabeça fica dodói também, gente.

ICIzabella Camargo

Não, então, então só para um pouquinho e pensa. Se você não valoriza, não entende que uma pessoa pode ter um problema relacionado à saúde mental, então ela também não pode ter problema relacionado à saúde física. Caio, eu quero estar viva para comemorar com você a redundância de saúde mental e saúde física, porque nós estamos falando de saúde. Então falar saúde mental, falar saúde física é redundante, mas ainda precisamos fazer essa divisão.

Para turma entender que para ter um sorriso bonito você precisa de saúde bucal, e para ter bons pensamentos você precisa de saúde mental. Então, como que eu faço isso todo dia? Não abrindo mão de você. Quando? Todos os dias.

CCCaio Carneiro

Cara, esse papo vai— Ah, querido, sabe por que eu gosto de você? Você sempre vem aqui e você sempre coloca a turma para pensar. É um podcast que a galera sai assim, não é um podcast que a galera, sabe, é, eu gosto, eu gosto de parar e pensar porque às vezes a vida é tão, é tanto estímulo e vai, vai, vai, vai, vai. Eu acho esse exercício de você às vezes olhar, fala assim, cara, que bom, tô no caminho certo, eu tô dormindo, velho, que bom que a gente me falou essa convicção.

Tem gente que sai com convicção, né? Por exemplo, eu saio desse papo muito animado, fala assim, pô, que legal, cara, show! Eu vou fazer 40 anos esse ano, então vou entrar no mais uma década, aquela coisa, os 40, né? Então fala que é o auge do homem, se fala que é o auge do homem, pelo menos dizem popularmente que é o auge do homem. Então eu já sei que daqui daqui em diante é só para baixo. Eu tô falando fisiologicamente, tá bom?

Eu tô chegando no pico do Everest, agora eu vou descer minha montanha. E tá tudo bem, envelhecer é um privilégio. Eu sou aquele cara que eu agradeço meu joelho, eu sou aquele cara que convivo muito bem. E tá tudo bem ele falhar de vez em quando, tá tudo ótimo ele falar de vez em quando. Porque, corte aqui, envelhecer é um privilégio porque Tem gente que não teve esse privilégio.

ICIzabella Camargo

Não é um acidente.

CCCaio Carneiro

Não é um acidente. Então, mas eu acho que todo podcast que você é um convite para a gente ir mais longe, sabe?

ICIzabella Camargo

Nós podemos, nós podemos alcançar esse futuro que todo mundo quer agora, mas eu preciso ter coerência nas escolhas. Eu preciso parar de reclamar das coisas que eu escolhi, né? Você escolheu a gente até aqui, agora você vai ter que fazer outras escolhas na hora de dormir. Ao invés de ficar com o dedinho nervoso no telefone, desliga. Você já viu quanto é o seu tempo médio de... Eu não posso falar agora. Você já viu quanto é o seu tempo médio de uso de internet?

CCCaio Carneiro

Camille, pega o meu celular aí, vamos ver agora.

ICIzabella Camargo

Isso é muito legal.

CCCaio Carneiro

O tempo de uso? Ali o tempo de uso?

ICIzabella Camargo

No Instagram, só pega o Instagram, por exemplo, se é uma ferramenta que você utiliza. Tá, é o tempo de uso, tempo de atividade, gerenciamento de tempo, se eu não tô enganada, que aparece. Faz isso no seu telefone também.

CCCaio Carneiro

Aqui, semana, qual a média? Semana, 1 hora e 26.

ICIzabella Camargo

Ok, eu fui ver ontem, o meu tava 52. Eu, yes, que orgulho de mim! Comemore! Você acabou de falar aqui uma coisa extraordinária. A gente não comemora. E o reconhecimento, Caio, é fundamental para nossa saúde mental. O reconhecimento é fundamental para a sua saúde mental. Eu te falei do tempo de almoço, esse banco que eu atendi. Imagina assim, 300 gerentes de banco, que lindão! Comenta, meu Deus do céu! Aí um deles falou assim: Isabela, minha vida mudou quando eu parei Eu bloqueei minha agenda só para almoçar na hora do almoço.

Aí a turma deu risada, no mês seguinte outras pessoas imitaram. Impressionante como muda o dia você parar só para almoçar e não fazer uma reunião e não ficar comendo. Ah, mas vai ter um dia, Isabela e a Carol, eu vejo vocês comendo, trabalhando. Sim, um dia, não todos. Então é o estilo de vida. Eu falei aqui sobre o tempo de telefone porque tem muitas pessoas também não conseguindo dormir o necessário por tempo de tela. Então existem duas privações de sono: a voluntária e a involuntária.

A involuntária é quando você tem que trabalhar de madrugada, como foi o meu caso, quando você tá de repente em 3 turnos naquele período. Mas o problema é o voluntário, é você tá dormindo mal porque você não está tendo autocontrole.

CCCaio Carneiro

Sabe uma coisa que é muito sensível pra mim? Eu fico muito ligadaço, eu fico ligadaço nisso. As coisas que eu faço todo dia. Tudo que eu faço todo dia eu fico assim: "Hmm..." Por exemplo, recentemente falei: "Cara, não compra mais isso aqui." Falei pra Fabi: "Amor, não compra mais isso aqui." Não lembro o que que era, cara. Se era uma manteiga diferente, um azeite... "Não compra mais." Por quê? Isso aqui tá todo dia, todo dia não é legal.

Isso aqui todo dia não é legal. Então tudo que eu faço todo dia— eu dei um exemplo de uma coisa que eu comia, que eu sei que o problema não é um dia lá e eu passar uma manteiga diferente. Não, isso aqui não vai determinar meu futuro, mas o que eu faço todo dia vai. Então, se eu— aquele cara que eu sou ultra sensível das coisas que eu faço todo dia, tudo que eu faço todo dia fica assim, ó, cara, tá todo dia, todo dia, todo dia.

E aí caiu isso aqui, vai ser todo dia. Então, porque eu acredito que a gente nasce parecido com os nossos pais, mas a gente morre parecido com as nossas decisões, entendeu? Sim, eu morro parecido com aquilo que eu faço todo dia, agora, agora, agora.

ICIzabella Camargo

Só que para você fazer diferente do que seus pais fizeram, você tem que ter muito o quê? Autoconhecimento. Aí a gente entra agora numa outra seara. Porque por querer fazer igual ou diferente, a gente copia os nossos pais, briga com eles. Então você é responsável pela família que você está criando agora. A gente vem de uma família e agora nós estamos criando outra família. Eu converso isso com o Thiago sempre. Thiago fala sobre saúde financeira, sobre saúde mental.

Então o tempo inteiro a gente tá aqui nesse equilíbrio, vai e vem, vai e vem, vai e vem. E aí, sobre a questão do fazer todos os dias, eu já vi que subiu uma plaquinha. Temos que encerrar, gente, que absurdo esse podcast, 2 horas. Absurdo. Caio, pega essa, manda. Por que que as pessoas estão se encolhendo para caber em lugares que elas não deveriam mais? Porque todos os dias você faz o quê? Toma cervejinha. Ah, uma cervejinha todo dia só para dar uma relaxada.

O Cortella, uma vez eu tava falando com ele e eu falei: olha, mestre, tá aqui, trouxe esse vinho para você, não sei o quê, vai abrir hoje e tal. Fiz uma piada assim, né? Ele: não, Isabela, vinho é só no fim de semana. Só que naquela época, o Thiago, meu marido, a gente tava nesse: vamos tomar uma tacinha de vinho todo dia, faz bem para o coração. Gente, olha, aí o Cortella falou assim: Isabela, se eu tomar—

CCCaio Carneiro

não é verdade isso, tá, gente?

ICIzabella Camargo

Não é verdade. Se eu tomar— o Cortella, tá, Cortella que disse— se eu tomar uma, se eu tomar uma garrafa de vinho todo dia, quando chegar no fim de semana, e aí sim for comemorar, e aí sim eu quiser relaxar, Não vai ter mais graça. Aquilo me levou para um outro raciocínio: será que essa taça de vinho todo dia é para me anestesiar de uma realidade que eu não quero ver? É para me trazer de fato uma sensação boa? E hoje você abre mão do seu descanso, que tá na primeira coluna, porque você tá comendo mais comida calórica, você tá bebendo mais, fumando mais, comprando, e jogando.

Então, dependendo do que você tá fazendo todos os dias, não é uma recompensa, é uma anestesia.

CCCaio Carneiro

Minha amiga, como é que tá as pessoas?

ICIzabella Camargo

Você assistiu Michael Jackson?

CCCaio Carneiro

Não.

ICIzabella Camargo

Bom, o quê? Pelo amor de Deus, gente!

CCCaio Carneiro

Esses dias alguém me— eu acho que eu tava com a Fabi ontem, a gente viu lá, tá disponível.

ICIzabella Camargo

Show!

CCCaio Carneiro

Eu vi o trailer, vou assistir. Eu e ela assisti um filme recentemente, bestinha, mas muito legal, que era uma menina que a mãe dela morreu e aí ela deixou para filha. A filha trabalhava na empresa dela, demitiu ela da própria empresa, deixou no testamento: eu quero que você demita minha filha. E para ela assumir os negócios da família, ela tinha que preencher uma lista de desejos que ela fez quando ela era criança. Cara, achei tão louco isso, cara. Não deixa a correria te esquecer realmente das coisas que você quer fazer.

ICIzabella Camargo

E tem, então achei meio bestinha, mas achei muito legal assim a essência ali, porque a mãe descobriu que ela chegou lá, mas não fez as coisas mais importantes que ela deveria ter feito. Foi exatamente o que você me perguntou aqui. Como é que eu chego lá sem ficar no meio do caminho?

CCCaio Carneiro

Esqueci o nome. Produção, Gabi, vê o nome do filme. Como é o nome do filme?

ICIzabella Camargo

A Lista da Minha Vida. Exatamente.

CCCaio Carneiro

Quantas pessoas tá com aquele, às vezes, um sonho simples, cara, como às vezes é, cara, tocar piano, tocar um instrumento.

ICIzabella Camargo

Gente, esse podcast não vai ter fim, sabe por quê? Porque no capítulo aqui sobre música, aquela moça tá assim, tipo, gente, eles não param de falar. Aqui no capítulo sobre música, eu comprei Ah, razoável! Excelente!

CCCaio Carneiro

Tô arranhando ainda, mas já tá saindo uns louvôs, já tá saindo.

ICIzabella Camargo

E tem aqui o capítulo sobre música, e eu entrevisto o Lenine, o Caetano, Gilberto Gil, gente, que maravilha! E aí tem uma música do Oswaldo Montenegro que fala "A Lista", conhece essa música? Não. Gente, vocês têm que botar na edição, atenção! Aquelas, né, que já tá falando do programa do cara. DJ, solta o som ali! DJ, solta "A Lista" de Oswaldo Montenegro, fala justamente sobre isso. Se você não refizer a sua lista, que é a questão da identidade, você tá vivendo uma versão sua totalmente desatualizada.

Então, a lista da sua vida é essa. Qual é a lista da sua vida? Você acha que você assistiu à toa esse filme com a Fabi? Não.

CCCaio Carneiro

Revisarei a minha lista hoje com a Fabi.

ICIzabella Camargo

Yes! Agora Tá vendo? Eu quero saber para onde eu mando o currículo, gente. É só isso que eu quero saber.

CCCaio Carneiro

Chegando em casa, me espera para jantar, mas só para mandar um áudio para a gente não esquecer. Vamos revisar nossa lista dos nossos sonhos hoje? Aproveita, a gente come juntinho, lugar gostoso. Bora, tô chegando já.

ICIzabella Camargo

Beijo, te amo, Gabi.

CCCaio Carneiro

Aplausos! Obrigado, obrigado, adoro fazer isso. Pensar na vida.

ICIzabella Camargo

Pronto, hoje, porque ninguém te garante quanto tempo nós temos.

CCCaio Carneiro

Se alguém quiser estar mais pertinho de você, acompanhar mais seu conteúdo, como é que faz?

ICIzabella Camargo

Bom, o meu Instagram, eu tenho uma equipe que me ajuda, né, a divulgar ali tudo que tá relacionado à manutenção da saúde mental. Então, Isabela Camargo Real. E nos últimos meses, Caio, olha só o que que eu tenho feito. Eu estou formando gestores em NR1.

CCCaio Carneiro

Que legal!

ICIzabella Camargo

Sabe quantos alunos eu tive? Mais de 14 mil. Uau! Então eu estou, eu estou— como é que chama quando você tá Brasil, hein? Mas nós estamos falando de uma revolução, só que eu não consigo fazer sozinho, eu preciso de multiplicadores. Então eu não quero alunos, eu quero multiplicadores, pessoas que pensam como eu, para a gente somar força, somar neurônio e seguir Porque ontem fui para Campinas e aí eu fui assim do início da cidade até o SENAC que eu tava falando com gestores, eu vi um monte de comércio, né?

Falei: "Cara, cada portinha dessa precisa de uma NR1 atualizada." Então tem muito mercado para as pessoas trabalharem agora com a implementação da NR1. E é isso que eu tô trazendo para as pessoas, uma possibilidade ou de transição de carreira ou de complemento de carreira. E aí eu fiz 3 imersões A última nós tivemos 7.500 inscritos num fim de semana, 4 mil pessoas ao vivo com você o tempo inteiro, sabe? E porque a solução ela é multidisciplinar.

Engana-se quem consegue fazer tudo sozinho. Então eu preciso ouvir um psicólogo, médico do trabalho, um advogado. Eu preciso de mais repertório, tá? Então quem quiser seguir comigo, se entrar nos meus stories ou na bio do meu Instagram, eu vou deixar inclusive um link especial para você, né, para quem acompanhar aqui. Se você tá nos acompanhando pelo Caio, que aí você vai ter acesso ao valor que só quem participou da imersão vai ter.

CCCaio Carneiro

Animal!

ICIzabella Camargo

É, que é para você então ser um gestor, uma gestora de NR1. E o que você vai aprender ali não necessariamente é para você atuar. Se você quiser ganhar dinheiro com isso, maravilha, mas é para vida, né? Porque Para quem que é esse assunto? Para quem já ficou indignado, indignada com alguma situação vivida em algum ambiente de trabalho. Então agora a vida está o quê? Nos dando um convite. Opa, eu posso então encontrar a solução para isso que eu vivi. É, não preciso esperar a NASA resolver, eu posso fazer.

CCCaio Carneiro

Esse link vai estar na descrição do vídeo, tá, gente?

ICIzabella Camargo

É mesmo?

CCCaio Carneiro

Pronto, então tá bom. Tá, time, na descrição do vídeo. E Legal, hein, cara?

ICIzabella Camargo

Então assim, se quiser me achar, é fácil: Isabela Camargo no YouTube ou no Instagram. E eu entendo agora que esse chamado, né, que o mapeamento de risco psicossocial tá trazendo, é uma grande oportunidade de mudança de vida. Não só você como indivíduo na empresa que você já trabalha, como você que tá buscando uma transição de carreira, um incremento financeiro, Acabou. Todo mundo precisa. Animal, hein? Conta comigo sempre.

CCCaio Carneiro

Você também.

ICIzabella Camargo

E não só aqui no microfone. Conte comigo, porque você é farol. Então agora eu quero entrevistar Caio Carneiro no Interioriza, hein, gente?

CCCaio Carneiro

Ó, anota aí, dá um jeito, agenda confirmadíssimo. E você que chegou nesse momento desse episódio, eu te peço duas coisas. Primeiro, se inscreva no nosso canal e qualquer plataforma que você está assistindo, como você fez isso Obrigado pela sua audiência avassaladora. Segundo maior podcast do Brasil de negócios graças à sua companhia. A gente fica muito honrado com isso. Então, as redes sociais da Isa também tá na descrição. Acompanha, manda mensagem lá para ela que você veio do podcast, ela ficar super feliz de receber todos vocês.

E obviamente compartilha esse link no grupo de família, de trabalho, dos amigos, que eu tenho certeza que você vai gerar uma boa provocação. Isa, de novo, obrigado pela participação.

ICIzabella Camargo

Gente, compartilha com os amigos, com os inimigos, tá? Compartilha com todo mundo, viraliza, né? Me ajuda a viralizar essa mensagem da educação e saúde mental. Obrigada, cara.

CCCaio Carneiro

E eu vejo todos vocês no próximo bate-papo. Fica com Deus, um beijo, tchau!

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