COMO ELIMINAR VICIOS E FRAQUEZAS? | Guilherme Freire
Como parar de negociar com suas fraquezas? Neste episódio, Caio Carneiro recebe o professor Guilherme Freire para mostrar por que quase ninguém perde essa briga por falta de força, e sim por negociar com o próprio hábito.✨ Conheça o grupo S1, *A SOLUÇÃO COMPLETA PARA O SEU EVENTO:* 🟪 *Quer participar da plateia?* Preencha esse formulário e boa sorte!
- A diferença entre fraqueza e vício e como combatê-losvício como hábito que afasta do bem·fraqueza como incapacidade·poder sobre hábitos e escolhas·melhora da vida com bons hábitos
- Características comuns de grandes líderes históricos e a busca por algo maiorpreocupação com o que funciona, não com agradar·disposição para desagradar pessoas·preocupação metafísica ou religiosa·crença em algo acima deles·múltiplas habilidades e formação de pessoas
- A virtude como hábito que leva ao bem e seu desenvolvimento diáriovirtude como oposto do vício·as quatro virtudes cardeais·temperança como autocontrole·fortaleza para aguentar dificuldades·justiça e senso de dever·prudência como sabedoria para decidir
- O caminho para o progresso pessoal e a libertação através da verdadedieta, hidratação e sono·hábito de leitura e vida espiritual·trabalho duro e metas ambiciosas·reassumir o controle da vida·libertação dos vícios
- O processo de desenvolvimento de hábitos e a importância da perseverançadificuldade do começo da curva·perseverança como chave para o sucesso·desistência como maior fator de fracasso·ação antes da confiança
- A importância da espiritualidade e da fé na vida e na liderançacoração com buraco no formato de Deus·busca por coisas eternas·propósito maior na vida·libertação da escravidão do pecado
Galera, antes de começar o nosso episódio, eu quero falar sobre um parceiro aqui do Como Você Fez Isso, principalmente você que quer trabalhar com eventos, você que já produz eventos, ou você que gostaria de fazer o seu evento. Eu quero falar da S1. Primeiro, mercado de eventos, ele é um canal poderosíssimo para novos negócios, atração de novos clientes, conversão, aproximação com seu cliente ideal. Então, se você tem algum evento como objetivo, A galera da S1 consegue tirar esse projeto do papel, desde a parte de cenografia, transformar esse canal num canal robusto, desde a cenografia, montagem, ideias.
Ou seja, para que o seu evento seja muito bem-sucedido, a turma da S1 tem uma solução completa para você tirar o seu evento do papel. Ou para você que já trabalha no mercado de eventos, seja fazendo feira, congresso, enfim, tudo que é evento, a S1 tem as melhores soluções. Então busca a Turma do S1 para você tirar o seu evento do papel. E outra grande solução para o mercado de eventos é o aplicativo da Easy Event, que conecta você que quer fazer um evento a lugares disponíveis pelo Brasil inteiro, salas de eventos, espaço, hotéis.
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O vício é um hábito que te afasta do bem. Então na verdade, quando você tem qualquer hábito que vai te afastando do caminho que melhora você, você tem um vício. E mesmo que você tenha vícios bastante profundos, você consegue começar a combatê-los. E aí, quando os seus hábitos vão melhorando, a sua vida começa a melhorar tremendamente. E aí você vence várias fraquezas, ou pelo menos as fraquezas que estão no seu controle.
Qual que é a sua análise sobre hábitos?
Ele é professor, mestre em filosofia e educador brasileiro. O convidado de hoje é Guilherme Freire. Primeiro problema que as pessoas têm para melhorar os hábitos delas é entender que o começo da curva é sempre muito difícil. Isso. A segunda grande barreira é perseverar, porque o maior fator estatístico de fracasso é desistência. Olhar e melhorar esses seus hábitos, colocar isso na sua vida, você vai começar a reassumir o controle da sua vida, você vai ser senhor de você mesmo.
Fala, pessoal! Sejam todos muito bem-vindos a mais um super episódio do Como Você Fez Isso. E hoje, como vocês viram na nossa introdução do vídeo, recebo um cara que eu gosto muito, cara. Todo papo com com ele, o aprendizado. Eu adoro as reflexões, as provocações e as ideias dele. Por isso eu queria que minha plateia maravilhosa me ajudasse a receber Guilherme Freire, o nosso convidado de hoje. E obrigado, viu? Que agradeço estar contigo mais uma vez.
E eu preparei, obviamente ele sempre começa a partir de um como, e uma coisa muito pedida pela nossa audiência. A galera sabe que para crescer inevitavelmente você vai ter que eliminar algumas fraquezas. Crescer, eliminar fraqueza. Sim. E uma pergunta muito recorrente que apareceu foi a diferença entre fraqueza e vício, que é uma coisa que você fala muito. Como identifica quando, cara, é uma fraqueza? Vício é algo que já transcendeu alguma fraqueza?
Quando que a gente percebe que é fraqueza, vício? Qual que é? Como que eu analiso um vício em mim? Alguma, algum padrão repetitivo que aquilo me coloca numa posição de vulnerabilidade, seja isso no negócio, na vida. Mas por onde começa esse papo?
O vício é uma fraqueza moral, né? É uma— o vício é um hábito que te afasta do bem. Então, na verdade, quando você tem qualquer hábito que vai te afastando do caminho que melhora você, você tem um vício. A fraqueza é uma incapacidade. Ela pode se dar porque você tem um mau hábito, e daí você tem uma fraqueza. Ela pode se dar, sei lá, porque você não tem, sei lá, força física, você não nasceu com tanta força física. A palavra fraqueza é bem ampla, né?
Ela pode significar várias coisas. Pode significar uma má escolha. E daí as pessoas falam que é um momento de fraqueza, e aí tem alguma sinergia com isso. Mas em geral, assim, as pessoas deveriam se preocupar mais com os hábitos delas do que com as limitações, né? Porque tem a diferença entre os maus hábitos e limitações, ou coisa que a pessoa não vai conseguir fazer. Sei lá, mesmo que eu quisesse, sei lá, ser um jogador profissional de basquete, eu não tenho altura, sei lá, para ser jogador.
Eu nem sou baixo, né? Tem 1,80m, mas assim, não é altura para ser jogador de basquete. Então É uma limitação bastante natural, então não vale estar aflito por isso. Eu não tenho nenhum poder para parar a guerra do Irã, entendeu? Então não tem absolutamente nenhum sentido eu ficar aflito com isso. Mas os meus hábitos e as minhas escolhas do dia, eu tenho bastante poder sobre eles, na verdade. E mesmo que você tenha vícios bastante profundos, você consegue começar a combatê-los.
E aí, quando os seus hábitos vão melhorando, a sua vida começa a melhorar tremendamente. E aí você vence várias fraquezas, ou pelo menos as fraquezas que estão no seu controle, né?
Muitos falam de hábito, e existe algumas coisas que às vezes é publicado. Hábito é aquilo, tudo que você faz durante X dias, 20 dias repetidos. Qual que é a sua análise sobre hábito, né? Um papo que a turma gosta muito, mas eu vejo que há uma certa dúvida de muitas pessoas, como desenvolver um hábito que você internaliza.
Chega um momento que passa a ser seu, né? Eu acho que sim, 2 meses fazendo a mesma coisa cria um hábito. Isso é uma É algo, mas hábito para os antigos, eles davam hábito no sentido de algo que você obtém, algo que você conquistou, algo que você conseguiu ter como próprio, né? A palavra hábito, por exemplo, o hábito do monge é o hábito. Então quando ele trilhava um caminho, ele recebe o hábito que marca que ele finalmente virou um monge, né?
Então você, quando a gente fala de hábito, é algo que você conquista, algo que você trilhou, que você se esforçou muito. Não é necessariamente o número de dias que você faz, que é no sentido popular, a palavra é isso, né? Sei lá, 2 meses fazendo algo fica mais fácil. Em geral, as pessoas têm uma dificuldade, porque na verdade, quando você começa a fazer qualquer coisa nova, é muito difícil. É difícil começar, parece impossível.
Poxa, eu vi que você ficou super engajado no jiu-jitsu, lutando campeonato, tá para todo lado. Quando começa a lutar, parece impossível. Só que como é que eu vou saber fazer tudo isso? Sei lá, tem luta em pé, tem guarda, tem uma mensagem. Tem um outro cara que fez um negócio que eu nem entendi o que era. Nossa, começa a dirigir, você olha no retrovisor e tal. A maior parte dos meus alunos, quando eles começam a ler um livro de filosofia pela primeira vez, eles acham que é absolutamente impossível entender o que tá escrito ali.
Eu mesmo, primeira vez que eu abri um livro do Platão, eu olhei e falei: olha, não tem como entender isso aqui e tal. Entendi uns 20%, e aí eu falei: caramba, eu vou ficar lendo isso aqui até eu entender 60%, até eu entender 100% e tal. E assim com tudo na vida. Então acho que o primeiro problema que as pessoas têm para melhorar os hábitos delas é entender que o começo da curva é sempre muito difícil. Quando você tá começando qualquer coisa, é muito difícil.
E depois você vai ter alguns grandes desafios. E aí vem a segunda grande dificuldade. Primeira dificuldade é começar e vencer a primeira barreira do desconhecimento total. Isso é assim com filho também. Alguns aspectos do primeiro filho é mais difícil, que você não entende nada e tal. A segunda grande barreira é perseverar, porque aí vem a capacidade da maratona. A maior parte das pessoas começam as coisas e não perseveram. O maior fator estatístico de fracasso é desistência.
Em geral, as pessoas desistem em uma empresa. Em geral, o CNPJ quebra só depois do CPF, e as pessoas simplesmente não aguentam. Porque o que acontece é que o cara muitas vezes começa, dele tem muita empolgação, E ele venceu aquela barreira e tem aquele rush. E aí quando você faz uma coisa por um ano, nossa, você vai lá no gás. Aí vem um segundo ano, aí vem um terceiro, quarto, aí as dificuldades vão crescendo, quinto, sexto. E aí tem pessoas que simplesmente começam a frear e fala, caramba, não aguento, não consigo vencer isso, né?
Falam que aqui é aquela barreira que falam que a faixa azul é mais perigosa do jiu-jitsu, porque você É o que mais a gente desiste. Tem muita gente que para na faixa roxa. Você tá na metade do caminho, né?
Existe alguma— deixa eu melhorar minha pergunta. Ação ou confiança você acha que vem primeiro? Eu preciso agir para ficar confiante, eu preciso estar confiante para poder agir?
Pois é, né? Você sabe que esse esse tema de confiança. É curioso porque eu acho que sequer você precisa estar 100% confiante para fazer as coisas. Você sabe que, por exemplo, não necessariamente você tem que achar que tudo vai dar certo, que você tem grandes capacidades para começar simplesmente fazer. Muitas vezes você pode fazer as coisas por puro senso de dever. Por exemplo, olha, eu botei essa meta na minha cabeça E eu nem sei se eu vou conseguir, mas eu vou todo dia fazer isso até eu conseguir fazer.
Então a confiança não é obrigatória para você fazer isso, e aí nesse sentido a ação vem antes. Mas é porque também tem uma coisa, tudo você começa fingindo que você sabe fazer até você fazer, entendeu? O famoso fake it until you make it, sabe? Meio que tudo você finge, entendeu? Você primeiro finge que é empresário até você virar, você finge que você é vendedor até você virar, você finge que você é professor até você virar. Não tem muito, não tem muito outro jeito de fazer a coisa, tá?
Agora, o problema é o fingimento que ele não é lastreado na realidade. Porque se você— eu sempre falo para as pessoas que perguntam para mim assim, eu quero produzir conteúdo online, eu quero ser influencer, quero ser conhecido e tal. Eu falo, olha, assim, gente influente já tem muito, entendeu? A gente falando um monte de coisa já tem muito. Mas eu quero abrir uma empresa, né? Essa é outra coisa que chega muito e tal. Tem uns, sei lá, dou formação de jovens, por exemplo, e que é mais para o meu público tem 30, 40, 60 anos, são, sei lá, empresários, intelectuais, são pessoas mais velhas que têm uma coisa na vida.
Mas eu, volta e meia, tem muitas pessoas que me acompanham online, dou formação de jovens. E os jovens agora tem muitos que chega: eu quero empreender. Então o cara quer empreender por empreender, o cara quer ser conhecido por ser conhecido. E aí que tá o desafio: se você não tem algo bom mesmo para melhorar a vida das pessoas, vai ser muito difícil você perseverar nesse caminho por muito tempo. Porque você quer também agir, mas você não tá preocupado em resolver o problema.
Por exemplo, você criou um copo que é o melhor copo que existe, você criou alguma solução que de fato melhora a vida delas, o produto ser bom e você ter alguma coisa que é boa de verdade. E do mesmo modo, você quer produzir conteúdo online, se você tem conhecimento real, se você estudou de verdade, se você conhece as coisas, depois o resto é um detalhe, porque o resto é só você ficar expondo aquilo que você já estudou, já aprendeu, já conquistou.
Então ação é muito importante, mas ação tem que se acompanhar de conhecimento. E aí quando você conecta conhecimento e ação, aí realmente é muito imparável. E aí motivação, confiança e coisas do gênero, elas são menos importantes do que ação e conhecimento, na verdade. Porque você pode estar desmotivado, mas você continua fazendo, a bola tá girando, e aí a motivação também começa a aparecer. Porque, e acho que Daí motivação não é irrelevante, é bastante relevante também você ir recultivando motivação, voltando com ela e tal.
Mas acho que você tem conhecimento e persevera e tem ação, as coisas dão certo. Na verdade, a maior parte das pessoas que eu vejo que erram, elas são muito inconstantes, muito instáveis. E às vezes tem muito valor naquela pessoa que ela faz a mesma coisa ao longo de anos e vai evoluindo e evoluindo todo dia um pouco. E vai se desenvolvendo e persevera bastante, aquilo é muito poderoso, né?
Você é um cara que estudou e estuda muito, sim, principalmente grandes personalidades que passaram por essa terra, sim. E eu gosto porque você não apenas pessoas que passaram há 50 anos, há 100 anos, há 200, às vezes você estuda cara que pisou aqui já para mais de 1000 anos. E eu gosto desse teste do tempo. Sim, né? Você estudar um cara que, Platão, de quantos anos atrás?
Mais de 2000, 2000, praticamente 300 anos.
Uma característica comum desses, poxa, líderes antigos, porque são coisas que são perenes, né? Se algo sobreviveu há 500 anos, 800 anos, 1000 anos na habilidade de liderar, essa característica que esses caras têm Quando você começou a estudar essa galera que, cara, morreu há 500 anos atrás, 800 anos atrás, 1000 anos atrás, e você viu algo em comum, sim, padrões, né? Que que você falou assim, cara, o que que chamou atenção quando você estudou não apenas pessoas notáveis do nosso século, né?
As pessoas falam Steve Jobs, Jack Welch, né? Então pessoas que já foram há muitos anos.
É, mas pessoas notáveis do nosso tempo, pelo menos as melhores, tendem a ser parecidas também com os líderes do passado.
É o teste do tempo.
É, porque o Steve Jobs, por exemplo, o que ele faz, não só ele bebeu muito de Alexandre o Grande, mas o que ele fazia na época é muito parecido com o que Alexandre fazia. Você lê o livro do Steve Jobs, você lê o livro da vida do Alexandre, do Plutarco, você comparar os dois é muito parecido. A Elon Musk é muito parecida com Steve Jobs, e vão falar, ele é muito diferente. Bom, tem uns pontos diferentes, Mas em geral, o jeito que esse pessoal gere é muito parecido.
E aí tem de fato vários padrões assim. Sem dúvida, se você colocasse— claro que é diferente um líder militar do empresarial, mas se você colocasse ou trouxesse um Alexandre para uma empresa, a coisa mais parecida que ele seria seria tipo um Elon Musk, tipo um Steve Jobs, ou tipo esse líder que é aquele líder de presença muito grande, que é aquele líder que de fato manda na empresa, guia ela e tal. E aí, características comuns deles, padrões, vamos lá, coisas que eles têm em comum, são fascinantes.
Eles estão antes preocupados com o que funciona de verdade, não com o que vai agradar os outros. Todos eles estão dispostos a desagradar as pessoas em algum nível para fazer o que eles acham que é certo e levar adiante as coisas. Todos, todos, todos. Nem eu não conheço nenhum grande líder da história que tivesse que fosse uma pessoa excessivamente preocupada com o que os outros iam pensar dele. Em geral, os relatos que você ouve deles era: ele falou coisas que feriram meus sentimentos, ele não sei o quê.
Mas não são necessariamente coisas ofensivas, é porque não é que ele tá tentando ofender a pessoa necessariamente. Decisões impopulares, assim, decisões impopulares são muito comuns. Então acho que um arquétipo muito clássico é a luta do César com Pompeu. O Pompeu, ele tava deslumbrado com quantas multidões gostavam dele, Ele montou o exército dele, que era maior que o do César, com pessoas que queriam crescer na carreira, pessoas que eram de muito destaque e tal.
E o César, ele chegou com uma legião que era memória de combate, que era aqueles caras com a cicatriz no meio do rosto, que tinham passado por muita dificuldade, que tinham passado pela campanha da Gália e não sei o quê. E o César falava pouco, relativamente pouco, apesar de ser muito eloquente, fazer discursos e escrito um livro sobre a campanha da Gália e tudo, mas simplesmente as tropas dele eram muito mais casca grossa do que as do Pompeu.
E o Pompeu tava convencido que ele era amado, e aí o Pompeu toda vez ia perguntar para esposa dele o que que ele ia fazer, depois ele ia perguntar para os senadores o que que ele ia fazer, depois ia perguntar para não sei quem. E o César ia marchar, que ele ia reformar a República Romana, criar o Império Romano, e ele marchava sempre em frente fazer isso. Então esses líderes, eles estão muito preocupados em obter sim a vitória.
Em geral, eles são pessoas com uma preocupação metafísica grande, ou explicitamente religiosa, ou no mínimo um senso de honra ou dever, ou alguma coisa que é maior do que eles. E eles nunca sentem que eles estão fazendo aquilo só por eles. Marco Aurélio tava convicto que tinha uma ordem divina acima dele. Alexandre o Grande falava que a parte mais importante do que ele recebeu de Aristóteles era espiritual, era metafísica. Júlio César era o líder da religião romana, na verdade.
E aí você tem, claro, todos os líderes cristãos, que eles estão preocupadíssimos em salvar a alma deles, em buscar eternidade, etc. Então é muito difícil. E mesmo o líder empresarial mais pagão, entre aspas, ele tá preocupado Esses maiores, eles dormem em colchão no chão, dormem em trailer, são meio desapegados do material e também preocupados com o legado que ele vai deixar em alguma inovação. Sei lá, o Elon Musk, de maneira muito famosa, quer ir para Marte.
E o Steve Jobs era um homem muito obcecado por estética, inovação e tal. Então esses líderes, eles acreditam em algo acima deles, eles de fato entendem que eles não são o centro do mundo. E o pior momento do Alexandre foi quando ele se achou um deus, que é uma tendência que tem Todo líder vai ter que escolher se ele vai seguir um Deus que é maior que ele ou se ele vai achar que ele é Deus. E essa tentação é perene. O Alexandre teve esses dois momentos na vida dele, Júlio César teve esses dois momentos na vida dele.
E essa escolha ele vai ter que fazer, porque como as pessoas vão segui-lo pelo talento que ele tem— bom, alta capacidade é comum a todos, não dá para ser um grande líder sem ser excepcional em alguma coisa ou em algumas coisas em geral, tá? No geral, um grande líder é excepcional em múltiplas habilidades. Muito dificilmente você vira um líder de várias pessoas se você não tem múltiplas habilidades. E as múltiplas habilidades podem variar, mas sei lá, por exemplo, um Elon Musk da vida, ele é um extremamente bom engenheiro e também é extremamente bom em contratar pessoas talentosas e ter uma mente de resolver problemas de maneira criativa, e é gestor Bom.
Então Alexandre, claro, era bom no combate, ele era bom na filosofia, ele era muito bom em selecionar generais, em redimir pessoas nas melhores fases dele. Então essas habilidades variam quais são, mas o cara tem que ser bom em múltiplas habilidades. A ideia do cara que é bom em só uma coisa, ele em geral não vai virar um grande líder, ele vai ser normalmente um especialista muito específico. E se o cara entende que tem algo maior do que ele, ele tem essas habilidades Aí o próximo desafio é como ele inspira as pessoas a obter um bem.
Porque ser líder é guiar os outros. Aliás, liderança significa guiar as pessoas para um bem. E se você não consegue levar as pessoas para aquele bem— por exemplo, Elon Musk fala: não, eu quero guiar as pessoas para chegar em Marte. Claro que Jesus Cristo, de maneira muito mais profunda, quer salvar as almas das pessoas. E Alexandre queria criar o Império Grego. Tem bens mais elevados, tem bens menos elevados, mas é comum a todo líder que ele quer levar as pessoas para esse bem, e ele se sacrifica por eles para que eles cheguem nesse bem.
E portanto, ele é uma, ele é sempre um formador de pessoas. Porque esse é outro ponto também: o cara pode ser muito talentoso, ter essas múltiplas habilidades, ser um rockstar assim das habilidades, mas se ele não tem uma preocupação, tem um momento na vida dele que ele fala: agora eu vou formar esse pessoal em volta, agora vou deixar outras pessoas serem de destaque, ele não cria instituições, né? Ele não cria estruturas, ele não cria tudo isso.
Ele cresce muito, ele fica uma pessoa conhecida, mas ele não é necessariamente um líder. Sei lá, um ator de Hollywood, por exemplo, muitas vezes uma pessoa muito famosa, mas tá longe de ser um líder.
É verdade.
Então o líder, na verdade, ele cria coisas, ele forja coisas e pessoas ao redor dele. Então essa característica muito comum, né?
Você trouxe alguns nomes, e é impressionante como todo grande líder ele se inspirou, ele bebeu na fonte de alguém. Guilherme, qual que você acha que é a maneira mais produtiva, eficiente de beber da fonte de alguém? Como se beber da fonte de alguém de um jeito produtivo, de um jeito benéfico?
É o melhor jeito, assim, quando possível, é conviver em pessoa com a pessoa. Esse é o mais poderoso. Como que Platão bebeu da fonte de Sócrates? Ele conheceu em pessoa. Como que Aristóteles bebeu da fonte de Platão? Ele conheceu em pessoa. É bem poderoso, de fato. Você não tenha bebido também, não conviveu, mas a convivência Não, não, na possibilidade de fazê-lo é o mais poderoso. Eu em particular não convivi tanto assim com tantos grandes líderes, entendeu?
Então assim, eu olhei para o meu lado e falei, cara, não tem nada aqui em volta que vai me ajudar, entendeu? E eu conheci pessoas ótimas. Então aí vem a segunda melhor coisa que você pode fazer, que são os livros. O livro é o mais poderoso. Acho que a GPT não chega nem próximo. Artigo na internet chega nem próximo. Vídeos são bons para as figuras que são contemporâneas, mas o problema é que agora você tem, sei lá, vamos pegar 3.000 anos de história, você vai ter livros desses 3.000 anos e vai ter vídeo só dos últimos 100.
Então, para algumas poucas figuras recentes, os vídeos são muito bons, mas, e ver a pessoa, eu acho que você ganha muita coisa quando você vê ela. Mas quando você volta para esses outros 3.000 anos, é como se você assistir só vídeos podcasts e outras coisas, você tá pegando a ponta do iceberg, está pegando só a era atual. Então você tem um iceberg muito grande. E quais são os melhores livros para ler? Aí aqui eu acho que as pessoas erram muito, tá?
Elas querem ler o que algum autor moderno falou sobre esses líderes. Essa é a pior forma em geral de ler sobre eles. A melhor forma de ler eles é o que eles falaram e a vida deles. A combinação da biografia com as palavras deles é muito, são muito poderosas. E a terceira melhor coisa são contemporâneos que conviveram com eles. Então, por exemplo, se você tem, e aí esses contemporâneos, os detratores em geral são uma fonte pior do que os admiradores.
Ah, como assim, Guilherme? Então só quer a versão chapa branca, o cara que concorda, mas É que o detrator, ele tem muito incentivo para deformar a imagem do cara. Então, e o admirador, em última instância, beleza, vai, ele pode ser o puxa-saco, que seja, mas o admirador tem um motivo também do que ele era admirador. Ele seguiu aquele cara de alguma maneira. E em geral, o admirador era mais próximo do que o detrator. Então é valioso conhecer o que o detrator falava, mas é mais valioso conhecer o que o admirador fala na média, um pouquinho mais, não é tão, não dá para desprezar a crítica, mas você tem que em geral ouvir isso.
Então quando você lê o que o cara fala, o que as pessoas em volta dele falam e a vida dele, você tem, é assim que eu formulo a minha visão dos personagens históricos. E eu vou ponderando várias fontes, eu nunca leio uma fonte, eu falo é isso aqui. Por exemplo, eu amo Aristóteles. Para mim, Aristóteles é um dos maiores filósofos da história. E Diógenes Laércio descreve Aristóteles como um playboy completo, o cara que gostava de se vestir muito bem, que era riquinho e que se achava e tal.
Esse Aristóteles, cara, não dá para reduzir Aristóteles a isso, é ridículo. Aristóteles, quando você lê Aristóteles Você tem um cenário completamente diferente, porque você tá ali, um homem que forjou o conquistador do mundo. Eu tenho um homem que tinha uma mente científica excepcional, um homem que tinha uma capacidade de analisar a realidade muito profunda, que era admirador de Platão, de grandes homens e tal. Agora, que Aristóteles foi percebido como um riquinho pelos colegas dele, isso eu tirei do George Laércio.
Eu acho que é verdadeiro. Porque de fato, quando você lê, ele chegou lá na academia, os cara não foram com a cara dele. Então provavelmente ele era bem vestido mesmo, para uma família boa. Os cara falava: o cara acha que é inteligente, ele é uma família boa. Inveja pura. Então lá, então a crítica não é desprezível quando eu li, mas então eu não descartei aquele texto do Dionísio Laércio, mas eu incorporei na minha visão de como era Aristóteles mesmo.
Mas eu incorporei um pedaço, não o todo. E de outro lado, tem lá Aristóteles quando ele escreve na Política, já aquele momento que ele tá insatisfeito com Alexandre, porque para ele Alexandre ficou aquém do que ele queria. Então isso é um pedaço da história. Mas também quando você lê lá no Plutarco, a empolgação dele quando ele começou a formar o jovem Alexandre e que ele botou o sobrinho dele para acompanhar Alexandre, que aquilo encantou ele também, aquilo é outro retrato.
Então quando o cara chega e fala, não, Aristóteles era contra Alexandre, em geral, a visão fraca. Não, Aristóteles era só um playboy riquinho, olha aqui essa fonte. Fraco. O homem maduro intelectualmente, ele ouve todas as fontes e ele começa a querer entender o personagem. Porque esse outro ponto também, eu tento encarar esse personagem da história com uma humildade, porque eu sei que eles são grandes homens. E a ideia soberba do homem moderno de eu sou a geração mais inteligente da história, quem é Aristóteles, quem é não sei o quê, Essa ideia em geral, cada quanto mais tempo passa, mais eu vejo que ela é muito burra, que na verdade é a sua pobreza mesmo entender os personagens.
É igual quando o cara falar assim para mim: mas como você pode admirar Alexandre? Alexandre matou um cara inocente. Mas calma lá, ninguém tá dizendo que essas figuras— só Jesus Cristo é perfeito. Ninguém tá dizendo que essas figuras são perfeitas. O que eu tô dizendo é uma outra coisa, que você pode aprender tremendamente com essas pessoas. Então, com o tempo, você vai aprendendo uma maturidade de olhar esses personagens da história dentro do contexto deles.
Por exemplo, eu tenho várias coisas admiráveis de Napoleão, mas tem esse famosíssimo livro que é Guerra e Paz. E Guerra e Paz, o Tolstói pinta a figura do Kutuzov, né, que é o general russo que é o contrário do Napoleão. E é muito interessante porque o Kutuzov é o cara que não gosta da guerra. Ele é herói de guerra, ele vai ganhar a guerra, mas ele é aquele cara que não, ele não ama a guerra. Ele olha para guerra e fala, poxa, essas pessoas estão morrendo, isso aqui é um, são pessoas ávidas por conquista e pessoas pouco preocupadas em cuidar das coisas.
Então é muito interessante isso, porque olhar esse outro lado também é valioso. Então o que eu diria é que os grandes homens da história, é sempre valioso procurar pessoas que são melhores do que você em certo aspecto, E isso te engrandece. É difícil, né? Tem esse poema do Kipling que ele fala sobre tratar o sucesso e o desastre e o fracasso como impostores.
Como é que é?
Transformar o sucesso e o fracasso como impostores. Ele fala, né, que vão deformar as verdades que você falou em armadilhas para todos, e depois que você perder, você vai ter que apostar tudo que você tem de uma vez. E aí, depois que você perdeu, você vai ter que reconstruir a sua vida com ferramentas gastas, né? Que isso é ser homem, né? É bem bonito esse poema. E as pessoas, elas, quando mais você se destacar, vai ter inveja, vão ter pessoas que vão querer deformar o que você tá falando, vão ter percalços, você vai ver os seus defeitos, você vai ser tentado à soberba.
E você tem que aprender que quando você fracassa aquilo é para você tentar de novo e para você se fortalecer. E quando você é bem-sucedido, não é porque você é Deus, não é porque você é absoluto, mas é justamente fruto do trabalho duro, que você deveria aumentar esse trabalho duro. E ele fala também, né, sobre andar entre reis e não perder o toque comum, e andar entre a plebe e não ser vulgar, né. É bem bonito esse poema do Kipling, né.
E eu repeti por anos, eu ficava repetindo ele para mim mesmo. E eu acho que é isso que falta muito. As pessoas são muito hoje focadas em: eu quero ter sucesso, eu quero ter a fama e tudo isso aqui e tal. Ou elas são muito: ah não, mas fulano pensa o quê? Ele vai pensar de mim? Ah, mas ele pensou mal, mas ele falou mal, mas não sei o que tal. E quando ele olha para história, ou ele despreza e fala: ah, são todos idiotas, olha só como nós somos avançados, nós temos ChatGPT e eles não, né?
E eu sempre falo sobre conhecimento, que hoje nós temos muito volume, mas profundidade é outra história. Quando você olha um Shakespeare da vida, ele não tem um volume de informação que você tem, mas ele é tão profundo que ele parece um ET, parece que ele veio de outro planeta.
Principalmente quando a gente vê essas figuras de liderança eliminar fraqueza. Muito se vem a, e você coloca muito sobre virtudes, e para te colocar toda a nossa audiência na mesma página, como que você define o que é virtude e qual o melhor jeito de desenvolvê-la?
Virtude é todo hábito que leva o homem para o bem, é o contrário do vício. Aliás, vício e virtude são exatamente os polos opostos. E a virtude, então, toda vez que você melhora em algo, você cultiva um hábito, você cresce nas virtudes, é uma pessoa melhor. É assim, é simples, é simples quando você entende isso, né? E aí se fala das 4 virtudes cardeais, são o coração das virtudes, que é temperança, que é o autocontrole em relação ao prazer, fortaleza, que é aguentar pancada para fazer o bem, Justiça, que é senso de dever, honra, honrar pai e mãe, religião, ter senso de hierarquia.
E prudência, que é ter sabedoria para decidir a coisa certa. Para essas 4, porque todas as virtudes vão remontar essas 4. Quando você fala, por exemplo, ah, fulano é uma pessoa muito boa, ele é paciente. Paciência é parte da fortaleza. Fulano é muito bom, ele tem uma força de vontade que ele enfrenta desafios. Fortaleza. Fulano é muito bom, ele se controla em relação à comida. Temperança. Nossa, olha como ele é erudito, ele leu tantos livros e ele sempre dá bons conselhos.
Prudência. Ah, nossa, ele é um bom filho. Justiça. Então, na verdade, você consegue agrupar as outras virtudes nessas 4. São paradigmas, é uma coisa que os grandes autores falavam, que você mais ou menos consegue juntar todas as outras dentro dessas 4. E tudo vai voltando para essas. Aliás, os antigos listam centenas de virtudes, mas eles vão mostrando como as virtudes vão voltando para esse mesmo centro. E elas são em ordem, porque a temperança é o mais básico, que se controlar em relação ao prazer é o começo de tudo.
Foi difícil para caramba, já difícil, difícil passar da temperança, já é muito difícil. A luta é muito associada à virtude da fortaleza, e na verdade os antigos praticavam luta para crescer na virtude da fortaleza. E a mais elevada é a prudência, que é a sabedoria, porque de fato a inteligência é o que vence os erros, é o que derrota o demônio, é o que desfaz os nós, é o que vence qualquer coisa. Porque o jeito garantido de você não conseguir melhorar é você achar que o errado é o certo.
Se você acha que o errado é o certo, não tem como você melhorar, você não tem como fazer o bem, porque você inverte as coisas. Então A inteligência sempre é o mais importante porque ela vai desfazendo esses nós, ela te permite ser uma boa pessoa porque você vai desfazendo a ilusão.
E você falou, né, você traz de um jeito que aterriza a compreensão das pessoas, onde você fala que você pode ter temperança, você resistir contra os prazeres. Sim, mas O cara que tá ouvindo a gente aqui, fala assim, cara, verdade, tem que resistir contra os prazeres. Como que ele coloca no dia a dia? Como que ele consegue avaliar se ele tá melhorando nisso, se ele tá piorando?
São as decisões que ele toma, decisões, mas metas assim. Se ele olha e fala assim, olha, agora vou seguir uma dieta, e ele tem algum controle de dieta, é uma evolução. Falar assim, eu vou começar a cortar industriais e comer aquilo que Deus criou, entendeu? Começar a voltar, começar lá proteína e vegetais, entendeu? Primordialmente, cara, coisa incrível. Ele já começa a evoluir. Depois, se ele começa a cortar a bebida e ele fala: não, não, cara, eu tomo uma taça de vinho e é isso, entendeu?
Eu não vou entrar aqui, não vou me embriagar. Poxa, é o outro passo. Depois ele corta pornografia, que vai só fazer mal, não tem a quantidade boa. Depois, se ele fala assim: não, eu na verdade, sei lá, vou ser fiel à minha esposa, e não tá sendo, e ele começa a ser, ele melhora. Se ele tem um sofá lá e ele pode fazer alguma coisa que ele vai afundar no sofá e ele fala, não, não vou fazer isso. Se ele pode fazer uma viagem e ele vai, ao invés de esquiar, ele fala, eu vou visitar um lugar histórico e vou estudar.
Sei lá, são coisas desse tipo que essas pequenas decisões elas vão começar a conduzir no caminho da temperança. São dois cavalos, fala Platão. Tem o cavalo da direita, que esse cavalo de combater, de ser forte, e o cavalo da esquerda, que é o prazer. Se você comer um donut, ninguém vira obeso porque comeu um donut. E também, se você for um dia fazer flexão, você não vai ficar bolado, entendeu? As duas coisas não acontecem. Só que se você ficar alimentando o cavalo da direita o tempo todo, você vai ficando mais forte em geral, né?
E se você vai alimentando o cavalo da esquerda, vai ficando mais fraco. Então são micro decisões todo dia, mas tem grandes áreas. Então, no fundo, se você vai treinar luta, você quer crescer na coragem do dia para noite. Mas quando tem uma coisa que você, poxa, vai me tirar da zona de conforto demais, eu vou apanhar, vai moer meu ego, e depois você encontra uma outra coisa que é um desafio muito grande, você tem que vencê-lo e tal, você vai crescendo na vida toda, fortaleza.
Você acha a parte mais difícil do que tudo parte do autoconhecimento também? Você acha que a parte mais difícil do autoconhecimento, né, por um lado Nós somos a pessoa que mais convive com a gente. Sim, mas por outro, não tem coisa mais difícil do que talvez a gente perceber as nossas sombras. O que que você acredita que é o primeiro passo dessa autoanálise? A filosofia é muito sobre isso, né? Pessoas se dedicando a pensar sobre o pensamento e sobre a realidade em geral.
O mais difícil é o ego. O mais difícil é o orgulho. Como você explica o ego para as pessoas?
Assim, ego, como explicar o que é ego, né?
Uma palestra boa uma vez que falava que no Antigo Testamento tem duas lições: eu sou Deus, você não. E o homem tem dificuldade com as duas, entendeu? E o problema é que o cara acha que ele é o máximo. E assim, e detalhe, reconhecer os seus talentos não é ego, mas é que essa, as pessoas têm que trabalhar sempre contra essa vaidade, porque ai meu Deus, me ofenderam. Ah, meu Deus, olha só, ah, eu sou o cara que não— calma, entendeu?
Simplicidade é o contrário muito dessa questão do orgulho. E eu gosto muito da ideia das pessoas serem ambiciosas, magnanimidade, querer fazer coisas grandiosas. Só que ao mesmo tempo que você tem que querer fazer coisas grandiosas, você tem que ter uma sobriedade. O orgulho, em resumo, é se achar Deus, é o pecado original, é o que tava no Gênesis, que é: sereis como deuses. E aí o homem fala: nossa, então é aqui que, é aqui que eu tô, é isso mesmo.
E ele é uma sátira de uma coisa boa, porque o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Então ele foi feito para servir, para amar, para conduzir as outras pessoas. E quando o homem lidera, ele faz algo ao modo de Deus, porque Deus guia a humanidade, Deus lidera as pessoas e conduz elas para o bem. Então Ele é uma pequena imagem da Providência quando ele tá liderando. Ele é como Deus Pai, como Deus conduz, né? Quando Moisés liberta o povo da escravidão no Egito, isso é liderança no sentido mais puro da palavra.
Então todo líder, ele tá agindo à imagem e semelhança de Deus. Justamente porque ele tá fazendo isso é que vem a tentação de pensar: mas e se eu é isso? É porque eu sou o cara. Só que aí ele tem que lembrar várias coisas. Lembrar que o talento dele veio de algum lugar, que ele recebeu uma série de pessoas, que teve uma série de pessoas que ajudaram ele para aquilo, que ele na verdade tem uma série de defeitos e limitações que ele tem que lembrar também, que ele na verdade, se não fosse uma circunstância específica da vida dele, também não conseguiria fazer tudo aquilo, que ele vai morrer, que do pó viemos, do pó voltaremos.
Então ele tem que lembrar uma série de coisas, de limitações, amigos, desafios que ele não venceria. E se ele não ignora isso porque ele se fecha nele mesmo, e aí o orgulho, a palavra idiota é se fechar em si mesmo, idios mesmo, né? Idiota literalmente quer dizer tá fechado em si mesmo.
Sabia?
É, se ele tá fechado em si mesmo, se ele não começa, ele não ouve mais a esposa, não ouve mais os amigos, não ouve mais Deus, não ouve mais os outros, aí agora é o ego. Ou seja, ele não tá mais. E veja, às vezes, e aí vem de novo a confusão, porque para ser líder eu não falei que o cara tem que fazer decisões impopulares? Sim, mas ele tem que fazer decisões impopulares fundamentadas na verdade, não na vaidade dele. E esse discernimento, que aí, claro, a inteligência, o cultivo da virtude, a sabedoria ajudam a separar uma coisa da outra, mas é aquela zona cinza em que ele tem que saber quando é vaidade e é real.
Duas coisas vieram aqui na minha cabeça enquanto você tava dando esse plano de fundo. Eu queria ver a tua ótica sobre isso e todo mundo que você estudou, que falava sobre isso. A gente falou muito sobre eliminar fraqueza, desenvolver virtude, a liderança deixa rastro, um bebendo na fonte. Onde, onde sorte entra? Como se enxerga a sorte?
Eu não acredito, a ótica sobre sorte, se eu não me engano, foi o Chesterton que disse que é só quando Deus não assina, né, na providência. Não acredito em sorte, eu acredito na providência divina. Eu acho que existe o acaso, mas eu acho que as pessoas têm uma vocação, tem um chamado divino E de fato Deus conduz as coisas também. Eu não acho que o fator— você não é o responsável por tudo que acontece na sua vida, e a realidade é muito maior do que você.
Então, longe da sorte, porque assim, sorte, o cara ganhou na loteria, whatever, entendeu? O cara ganha na loteria do nada, vai gastar tudo, e se durar 10 anos já é muito, entendeu? Não é real, em grande parte é ilusão. Então, ah, recebi uma herança, olha que sortudo. Não forja caráter, não forja a pessoa, não faz a pessoa, não ensina a pessoa a gerar riqueza. A pior coisa que tem é ser herdeiro, porque ser herdeiro, se o cara é herdeiro, é engraçado isso, porque o ser humano ele pensa assim: a melhor coisa que tem é ser aposentado, ser herdeiro e não passar nenhuma dificuldade.
Eu inverteria isso, eu falaria: a pior coisa que tem é ser herdeiro, não passar nenhuma dificuldade e tal. E se você tá nessa condição, como eu tenho muitos alunos que são herdeiros de outras coisas, você tem que agora urgentemente arranjar problema para sua vida para se forjar, porque o conforto ele é muito mais perigoso do que isso. Ontem tinha um cara me entrevistando e ele era, ele não falou que era ateu, ele falou que ele era deísta, mas ele era meio contra religião.
Foi bem engraçado. Ele falou que ele acredita em Deus, mas não tem religião. Ele é uma espécie de Sei lá, ele tava numa luta interna, na verdade, bastante grande, mas inquieto, mas querendo saber sobre cristianismo, querendo saber sobre várias coisas, né? E aí o cara tava me entrevistando e tal, e foi muito curioso assim, porque entra nesse tema da vaidade do cristianismo, que ele tava com genuína dificuldade de entender Caramba, mas o mundo tem sofrimento, o mundo tem sofrimento.
Eu falei para ele assim, a pior vida que eu consigo imaginar para mim é a vida em que eu tô sentado gordo, entendeu? Tipo personagem do Wall-E, sabe? Andando numa, no negócio, sendo alimentado prazer o dia inteiro, que eu não passo nenhuma dificuldade, não tenho nenhum desafio, que eu não saio da minha zona de conforto. É a morte completa. O maior pesadelo que eu tenho seria aquela aposentadoria cedo, que o cara fica olhando para cima o dia inteiro.
Então as pessoas têm uma imagem às vezes de um falso paraíso, de uma falsa comodidade que degrada e rebaixa o espírito humano. E na verdade é melhor um ano de leão do que 100 de ovelha. Muitas vezes o que acontece, apesar da humildade ser importante, O que acontece é que você, de fato, se você não vence a si próprio, encontra desafios, passa por adversidade, você não é forjado. Então muitas vezes eu enxergo a dor, o sofrimento, as dificuldades como uma bênção, como na verdade um grande convite para você ser uma pessoa mais forte e melhorar.
Claro que quando você tá vivendo a dificuldade é difícil, você tá no meio de uma enchente, no meio de uma guerra, quem que vai Quem que vai desejar isso? Eu não desejo o sofrimento para as pessoas, porque ele tá lá, o sofrimento, ele é uma realidade. Eu não tô dizendo que ele é bom per se, mas o que eu tô dizendo é que se você toma ele como combustível, como motivador para você crescer, para você se desenvolver, aí nesse caso ele vai se tornando uma bênção, porque você sai da sua zona de conforto e você é forjado.
E eu vejo que pessoas que passaram muito pouca dificuldade na vida, elas têm mais dificuldade de fazer isso.
É, quando você falou dificuldade, a gente começou o episódio falando de eliminar fraqueza. E o Claro, enquanto ele citava algumas lideranças, você foi muito vocal no desenvolvimento espiritual que essas pessoas tiveram ao longo do caminho também. E aí eu penso na minha história, eu fico pensando em alguns desafios que eu tive e que tenho, pô, Deus sustenta minha vida. Como seria ter passado aquilo sem Deus? Sem Deus, aonde?
Porque a gente tá falando de eliminar fraqueza, e eliminar fraqueza acho que é impossível, mas pelo menos combatê-la, né?
Exato. E Deus nessa história toda, quanto que ele contribui? E qual que é a tua visão? Você acredita que que a parte espiritual, você precisa do desenvolvimento espiritual para chegar realmente no lugar de uma transformação que é interna, externa? Como que você avalia isso? Até você pessoalmente, como tudo que você estudou?
Sem Deus Como dizia o Tião Carreira e Pardinho, quem não for filho de Deus tá na unha do capeta, entendeu? Não tem muita, não tem como fugir dele, né? Santo Agostinho fala uma coisa muito bonita, que nós temos livre-arbítrio, nós podemos procurar onde for encontrar felicidade nesse mundo, encontrar alegria, mas nós temos também um coração que tem um buraco no formato de Deus. Ou seja, nós temos um anseio que só vai se encontrar naquilo que é eterno.
E toda a vida humana nós estamos procurando por coisas que são eternas, por coisas que vão nos preencher. E sem Deus você nunca vai ser plenamente preenchido. Você pode tentar. Isso é o começo da Ética a Nicômaco, né, que você pode procurar no prazer, mas o prazer vai se esvair, vai acabar, ele passa, né. Você pode procurar a felicidade no dinheiro, Mas o dinheiro é um meio, o dinheiro não traz felicidade, dinheiro é só usado para obter outras coisas.
Você pode procurar felicidade na honra, de fato, ganhar uma medalha olímpica, ser reconhecido, fazer essas coisas são coisas muito boas, mas isso também vai no tempo, as pessoas vão esquecer, as pessoas depois de um tempo não vão dar bola. A maior conquista sua, a maior parte das pessoas Ainda vai falar mal, ainda vai sair falando mal. Então a honra é uma aposta muito ruim. Agora, e se você melhora sua alma? Se você melhora sua alma, o que você fez vai para depois da sua morte.
Depois que você morrer, continua, que a sua alma continua, e você tá mirando em algo eterno. Então você tá em paz com a sua origem, com o fim da vida. Com para onde as coisas apontam. E eu acho que se você vive uma vida então em que você foge de tudo que é espiritual, de tudo que é divino, você vai viver uma vida muito chata, no sentido de que você toda hora vai se cansar das coisas que você acha que estão te trazendo satisfação.
E então é uma vida muito circular, é muito autocentrada, muito autorreferencial. E a providência divina, acho que não tem ateu em queda de avião. Eu acho que Deus é anterior, é muito maior do que todos nós, e todas as coisas apontam para ele. O próprio Aristóteles fala que Deus começou o mundo, mas ele move o mundo por amor. Porque de fato, se você não ama algo, se você não mira em algo, se você não almeja algo que é eterno, o que que você tá almejando, né?
Tinha um filme Georgiano antigo que eu vi anos atrás. A Georgia, claro, lugar do Stalin, né, veio de lá. E no filme tinha lá o comunismo, aí o comunismo dissolvia uma igreja e botava um laboratório científico dentro da igreja. E aí tinha uma cena que depois chegava uma velhinha e perguntava para ela o que que essa rua leva para igreja, não leva. Ela falou, essa rua leva para igreja. A mulher fala, não leva mais, né, eles fizeram a igreja e agora um laboratório científico.
E aí a velhinha fala, mas para que que serve essa rua então? Qual que é a utilidade dela? De fato, se você não tem algo eterno no final do túnel, tudo começa a ficar extremamente vão. E então eu acho que você precisa sempre colocar esse elemento espiritual. Eu sou professor de filosofia, não sou um teólogo, não sou um pregador. É até curioso, as pessoas sempre me perguntam sobre Deus e tal. E eu, na verdade, encontrei muito essa questão da religião por meio da filosofia, por meio da razão, por meio do estudo.
E eu entendo que quando você busca a verdade, você sempre tá buscando a verdade.
Foi um dia específico?
Eu tive um dia que eu me converti, sim. Eu tava lendo, foi um processo, demorou um Alguns meses, mas eu tava, eu fui, eu me refugiei na biblioteca da faculdade para estudar.
Você se refugiou?
É, me refugiei, porque eu percebi como uma pessoa sensata que na aula não ia dar para aprender nada. E aí eu falei, deixa eu ir para biblioteca para ver se eu aprendo algo. Eu odiava minhas aulas, Nossa Senhora, mas odiava, achava insuportável. Meu Deus do céu, que perda de tempo! Comecei a me refugiar na biblioteca, comecei a ler as coisas que estavam na Na biblioteca tinha um texto do Platão que falava de alma. Foram dois livros que mexeram muito comigo: esse trecho do Platão que fala sobre alma, e depois Dostoiévski, Os Irmãos Karamazov, que é muito poderoso.
E aí eu tô lendo esses dois livros, e aí eu começo a me perguntar se Deus existe. Aí eu começo a empilhar livros ateus com argumentos contra a existência de Deus e livros cristãos. E para minha surpresa, os ateus não faziam a menor ideia dos argumentos cristãos, mas cristãos conheciam bem os argumentos ateus. Eu esperava que fosse o contrário, né, na época. E aí, quando eu fiz isso, eu comecei a estudar a Suma Teológica. Bem engraçado, teve um cara uma vez que ele fez um corte falando, o Guilherme tá mentindo, porque é impossível ele ter lido a Suma Teológica inteira em uma noite.
Eu não li a Suma Teológica inteira, li só a parte da existência de Deus mesmo. Muito bom. Assim como na internet, as pessoas, tipo, é muito louco, né? O cara não tem nada a ver, tanto faz, né? Whatever. Tipo, esse não é o ponto da história, né, cara? Mais história, o cara tá nem aí. Mas então eu me fecho numa noite com as questões se Deus existe da Suma Teológica. E aí eu termino de ler aquilo tentando argumentar mentalmente contra, e eu falo, caramba, Deus existe, né?
Que que eu faço? E aí eu peguei minha Bíblia da primeira comunhão, comecei a ler. Aí me perguntei por um tempo que religião ia seguir, como eu ia colocar. E aí me converti à Igreja Católica. E aí, de fato, aquilo mudou minha vida, pautou minha vida inteira. E eu entendo que Deus, ele tem uma missão para cada um. No meu caso, a minha missão é muito ligada a estudo, a formação das pessoas, sim, a vida empresarial também, mas é uma missão muito focada nisso, em guiar as pessoas para a verdade.
E eu entendo isso como absolutamente conectado com a vida espiritual. Mas para mim tudo é espiritual, tudo conduz para Deus assim, sei lá. Jiu-jitsu para mim é espiritual, porque você tá saindo de você mesmo, tá lutando, sei lá, tem algo de puro nisso. Ter família é espiritual, porque você tá botando a vida nesse mundo. Montar empresa é espiritual. Deus do céu, as pessoas que acham que é pela grana, não dá para montar empresa pela grana, tá?
Spoiler para quem quer fazer um negócio: você tá só pela grana, claro que empresa tem que dar lucro, tem que crescer e tal, mas se você tá só pela grana vai dar tudo errado, você não vai conseguir chegar no lugar. Então Deus, ele vai pegando essas realidades do mundo e dando um propósito maior. Não é que agora que você acredita em Deus então você vai o quê, vai começar a flutuar e tal, sei lá. Tem místicos que flutuam, eu não, eu não vou flutuar.
Se eu começar a flutuar, não vai ser estranho, mas não é isso. Mas isso muda a motivação com a qual eu faço as coisas do dia a dia.
Você acha que tem muita gente com desafio de entender essa palavra propósito, ou de pelo menos dar significado para ela?
Tem muita gente que tem dificuldade com a palavra propósito, porque o nosso mundo não tá ensinando isso. Coitadas das pessoas do mundo atual, né? A nossa educação, ela é totalmente materialista, hedonista e relativista. Cada um tem os seus valores, prazer é tudo que importa, e só tem o material. Então quando o cara tem que lidar com alguma frustração, ele entra em desespero. É uma coisa que muito acontece agora. Você vê a geração mais nova, qualquer frustração eles enlouquecem assim.
As pessoas não são acostumadas ao não no mundo atual. É uma sociedade muito de crianças mimadas. Que também os pais, sei lá, né, ouviram na psicologia pop que dar tudo que o filho quer é uma boa ideia, que é literalmente a pior coisa que você pode fazer. É quando você vai desmimar uma criança, ela gira no chão igual um peão, né, até você, até ela entender que ela tem que fazer a coisa certa. E os pais têm muita dificuldade em garantir isso.
E uma empresa é igual, porque quando você vai gerir uma empresa, as pessoas não querem trabalhar, não querem entregar. Esse é o default, tá? Alguém vai falar, não, as pessoas são muito boas, Guilherme, sempre trabalham. Tá bom, então vamos ver no mundo do faz de conta. Agora vamos para o mundo real. Mundo, no mundo real, coitados, eu não tô falando que é culpa das pessoas, tá? Eu tô falando que nós fomos formados assim. Eu tô inclusive tirando a culpa das pessoas em muitos aspectos, porque a escola não preparou ela para o mundo real, a família privou ela de muitas, de muitos nãos que ela tinha que ter ouvido com coisas básicas.
E como você tem pessoas que, poxa, o sistema A pessoa foi educada pelo TikTok, entendeu? Monotópico, por cortes de vídeos. Sim. E então o que acontece? A pessoa chega despreparada e ela vai ter que fazer um processo muito grande. E eu falo por mim também, eu, eu, ninguém me preparou para o mundo real. Eu tenho que ser muito grato a esses grandes autores a essa formação espiritual, essa formação intelectual, porque ninguém me falou como ia ser na prática.
Esses caras falam, tá? O Marco Aurélio, o Alexandre, esses sabem o que tá rolando, entendeu? Eles sabem exatamente qual é a boa. O Steve Jobs sabe qual é a boa, entendeu? Platão, então Aristóteles, Santo Agostinho, nem se fala. Mas as pessoas não preparam. Então você tem que se limpar, você tem que ir purgando de você mesmo isso. Então E aí vem um desafio da liderança. Você vai trilhar essa jornada primeiro, porque esse é o ponto do líder, e vai chegar uma série de pessoas para trabalhar com você, para lidar com você, tá, os seus filhos, todas as pessoas ao seu redor.
E para eles isso é novo. De novo, talvez se a educação fosse diferente, talvez a gente tivesse em outro contexto, tal, seria diferente. Mas para eles é novo, eles vão olhar e falar: não, como assim? Eu Eu só quero saber do meu, só existe o material. O cara não enxerga o que você tá falando. E aí vem o outro ponto, porque quando o filósofo sai da caverna, no Platão, ele tem que voltar depois. Nessa parte ninguém conta. Todo mundo fala da caverna, fala sair da caverna, não, beleza, mas quando o cara volta?
Porque nunca ouviu essa história. Você consegue dar um plano de fundo? Sim, a história do mito da caverna, que é muito boa essa, é muito boa.
Nós estamos presos no mundo de aparência E nós estamos vendo apenas sombras. E aí um homem se levanta e fala: não, isso aqui não pode ser a única realidade, eu quero ver além disso. E ele resolve sair da caverna, só que ele sofre, cai, se machuca e passa por várias dificuldades para sair da caverna. E aí finalmente ele descobre, e ele fica cego por um momento, e ele descobre que lá fora tinha as plantas, os animais, o mundo inteiro.
E a luz vinha do sol. Então a luz da caverna era artificial, era uma fogueira, e na verdade lá fora tinha um sol. E aí ele volta agora para dentro da caverna para tirar as pessoas de lá. E mas quando ele volta, as pessoas não acreditam que lá fora tem a luz, e esse é o grande desafio dele. Então isso é uma metáfora que Platão usa na República para contar o caminho da filosofia. Você primeiro tá vendo esse mundo das aparências, depois você vai ter que sacrificar muito para sair dele, depois você ainda vai ficar cego quando descobrir esse mundo, aí seus olhos vão ter que se acostumar com isso, aí você descobre a realidade universal.
E esse sol que brilha é o bem, e esse aspecto divino que tem por trás da realidade. E agora que você encontrou tudo isso, tem que voltar para caverna e tirar as pessoas de lá, que é a educação. Só que então a saída da caverna, conversão, e a educação é a volta. Só que essa volta é muito dura e as pessoas não enxergam a verdade. E esse é o desafio do líder também, é o desafio do líder numa empresa, o desafio do pai, é o desafio da pessoa.
Porque o seu filho, a pessoa que começou agora na empresa, ou ele não vai enxergar fora da caverna. E aí você tem que ter uma paciência muito grande. E um processo que é difícil, porque aí vem outro problema também. Aí de novo é a soberba, porque a falta de paciência também é soberba sua, porque você uma hora tava igual ele e agora você tá querendo, você não tá enxergando isso. Você foi igual ao seu filho que dá xilique, entendeu?
Você foi essa pessoa, mas você vai ter que agora vencer então isso para tirar as pessoas da caverna. E é assim que a sociedade melhora. E não é fácil. Então a visão do Platão é diferente da visão do Nietzsche, por exemplo, porque o Zaratustra, né, ele fala que ele vai embora, evasa, falando: eu tenho meus valores. E ele vai embora, ele simplesmente, ele zarpa, entendeu? Fala: não, eu sou o cara, eu sou bonzão, então para mim não é, não é esse problema.
É um livro fascinante assim, falar Zaratustra, tudo, mas O que Platão tá tocando aqui, que é— ele teria várias coisas a falar sobre Zaratustra e tal, que são fascinantes. Mas o que Platão tá falando aqui que é incrível é esse esforço educacional, esse senso de conduzir as pessoas para o bem. Então o líder, ele tem que toda hora lidar com a frustração de conduzir as pessoas. E isso é um dos motivos que eu acho que o líder, ele às vezes só pensa em vender a empresa dele e pular fora, porque muitas vezes ele cansa da frustração, tem que formar as pessoas.
Mas aí eu tinha que aprender muito com esses filósofos antigos, porque eles, olha, com 90 anos estavam lá formando as pessoas, passando as coisas adiante. Então é uma, essa opção, eu não sou 100% contra o cara vender empresa em todos os casos, eu sou contra, eu sou a favor que ela venda empresa só em um caso. Que quando ele quer criar uma outra empresa melhor, ou que é mais alinhado com o propósito, ou que é realmente fechar um ciclo para abrir um maior, fechar um ciclo para abrir um maior, maior ou no sentido de desafio maior, ou no sentido de desafio também de, caramba, eu quero fazer isso.
Eu tenho um amigo que tá querendo fechar a empresa de óculos dele porque ele quer abrir uma produtora de filmes com valores cristãos. Eu falei, cara, isso é É uma empresa de propósito, é louvável. Então eu entendo que vender empresa vale nesse caso, mas vender empresa só para ser o aposentado premium cedo é fugir do páreo. E então o líder, às vezes uma das coisas que levam ele a essa, a esse, a isso, é que ele vai ter muita dificuldade em toda hora.
E muitas pessoas se afastam da paternidade por isso também, tá? Elas têm medo da paternidade, que é besteira, porque a melhor coisa que tem Mas elas têm medo, elas têm medo do fato que elas vão ter que corrigir as pessoas e formar as pessoas. Mas aí o que eu falaria para as pessoas é o seguinte: se você tem a humildade de formar os outros, a sua vida é melhor em todo momento, para sempre a sua vida vai ser melhor. Se você passar sua vida inteira entendendo que o mundo é assim mesmo, que as pessoas vão chegar cruzadas, vai toda hora formando elas, ajudando elas e melhorando, e que você vai se doar porque você mesmo é limitado e você mesmo que tem os seus problemas, mas ao mesmo tempo você vai se doar pelos outros e buscar excelência.
Se você pensa assim, a sua vida é melhor até o final, porque você, você nunca vai se frustrar, porque você aceitou a realidade como ela é. Você não tá querendo viver uma realidade hipotética. Eu acredito no paraíso, mas eu não acredito no paraíso aqui na Terra. Esse é um, para mim, os problemas das pessoas vem quando nós queremos acreditar no paraíso na Terra. Ah, porque vai ter o paraíso comunista, As pessoas não trabalham, entendeu?
Não sei o que você tá achando que as pessoas— já foi para uma repartição pública? Eu já fui, eu já trabalhei. E sabe qual é um dos problemas da repartição pública? Toda repartição pública é assim: tem 2 heróis, 3 heróis, que eles carregam todo mundo nas costas. Esses daí dá vontade de você chamar os 3 e falar, dá uma medalha, tinha que dar uma medalha para todos eles. Eles carregam tudo. Se tem algum hospital no Brasil, tem alguma escola, porque tem 3 caras lá dentro da secretaria.
Eu levo as pessoas em pessoa, podemos visitar a secretaria aleatória, eu identifico. Tem uns 3 caras Atlas carregando a secretaria nas costas e tem 40 caras lá fora. No final do dia, por que que nunca vai ter o paraíso na Terra? Porque as pessoas não são perfeitas, isso é da natureza humana, e tem o pecado original, elas vão ter defeitos, vai ter gente que vai se corromper, tem gente que não vai trabalhar, a gente vai fazer as coisas, isso é normal, isso é como é.
E quando você abraça que é assim a realidade, que você tá combatendo contra a entropia, contra a desgraça, que você tem que buscar algo de ordem nesse mundo, é muito melhor, entendeu? Você sabe que vai ter agora Duna Parte 3, né? E Duna Parte 2 vai ser infinitamente melhor do que Duna Parte 3, porque Duna 1, o livro, é muito melhor do que o Duna 2, o livro, que É que o livro 2 faz a parte 3 e o livro 1 faz a parte 2. Mas por um motivo, não é que a mensagem é desprezível do Duna 3, é que a mensagem do Duna 2— e Duna 3 para vocês são baita filme, mas a mensagem do Duna 2 é o que a gente precisa mais.
Mensagem do Duna 2 é: não importa qual cenário, você tem que lutar para trazer ordem no mundo que virou deserto, no mundo que tá perdido e que tá acabado. E essa ideia de você lutar com tudo quebrado, com tudo destruído, porque o portrait sai de um ponto que ele tá no deserto, num duelo muito louco, tendo perdido tudo, planeta inteiro é deserto, as coisas estão destruídas e tal. E Dona Parte 3 é sobre como o líder pode se corromper, que é uma lição muito valiosa, tá?
Porque nós estamos precisando talvez mais de irrigador de deserto hoje do que podar florestas.
Calma aí, calma aí.
A gente tá precisando mais de irrigadores de deserto do que pessoas que vão podar a floresta. Porque isso é uma metáfora que tá no Abolição do Homem, do C.S. Lewis, porque o nosso mundo hoje ele é mais estéril e as pessoas precisam acreditar em coisas boas e construir coisas e combater a crise e fazer as coisas do que um mundo em que tá cheio de pessoas ultra talentosas e boas que tem que tomar cuidado com, que é uma lição, a gente falou sobre essa lição, mas que tem que tomar cuidado com o talento delas transbordando para todo lado, com carisma delas.
Existe isso para o líder. Em alguns aspectos, Dona 3 vai ser muito valioso para o líder, mas a mensagem que você tem que forjar as coisas, que você tem que construir coisas, é uma mensagem muito valiosa para os dias Pegando outro filme, Top Gun: Maverick, foi incrível, que é sobre paternidade. Não é o filho biológico do Maverick, mas é sobre paternidade, é só sobre isso, na verdade. E essa ideia então de paternidade, essa ideia de lidar com a crise, de forjar as coisas do nada, de construir coisas onde não tem, onde não tem terreno fértil, que aliás é uma mensagem muito do Brasil, né, porque o Brasil muitas vezes que é um país maravilhoso, mas você tem situações adversas, você tem que forjar as coisas na situação adversa.
Ela é uma das mais importantes, e o heroísmo é muitas vezes forjado na situação adversa.
Como que você faz para não perder o saco em formar pessoas? Que eu falo, tem muitas vezes empreendedor que faz, pô, saco cheio do time e tal, cara.
E os pais, ninguém fala, mas pais ficam de saco cheio dos filhos também, eles querem desistir. E ele fala, não aguento mais, ele não ouve o que eu falo. É assim mesmo.
Como que você faz para— uma pergunta filosófica, Guilherme: como que você não perde o saco?
Entendeu? Você vê que é culto também, paciência, né? Olha, eu é assim, ó, eu me coloco, eu penso o quanto eu era perdido E teria sido bom se alguém tivesse me falado certas coisas quando eu tinha, quando eu tava, quando eu não sabia das coisas daquela. Eu ainda tenho várias coisas que eu não sei, eu aprendo com muitas pessoas, mas aquelas verdades básicas que eu não, que eu não vi quando eu tinha 20 anos, por exemplo. Como teria sido bom se alguém tivesse me falado, se alguém tivesse me ajudado.
E eu me coloco nessa situação e eu entendo que se eu não tivesse aprendido certas coisas, eu podia estar extremamente perdido. Se eu não aprendesse essas lições que eu tô falando aqui no podcast, eu sei lá onde tava minha vida, mas eu tava fazendo coisas idiotas, entendeu? Eu garanto que eu estaria fazendo coisas estúpidas. Então não me acho melhor do que os outros, aí que tá o ponto. Eu não acho que eu sou melhor do que ninguém.
Eu acho que eu tenho certos talentos, eu entendo meus talentos, e sim, eu acho que eu me destaco em certas coisas mais do que outras pessoas. Não é que eu tô com aquela falsa humildade, falar eu não tenho talento nenhum, não é isso também, mas Mas no sentido de que não é que eu, não é que eu sou melhor do que o cara que tá lá, entendeu? Não é isso. E outro dia teve um cara que ligou lá na empresa e ele, eu não contratei ele, e ele ligou para agradecer um cara do time.
Eu nem lembrava da história direito, entendeu? Nem lembrava. Mas ele falou assim, não, eu não Eu não vou trabalhar na empresa porque minha mãe tem medo. Ele falou alguma coisa mais ou menos assim: minha mãe tem medo de trabalhar no lugar que tem valores muito claros e tal, etc. E aí eu falei para ele: olha, independente da empresa, se você não aprender também a divergir da sua mãe por algo que você tá convicto que é verdadeiro, a sua vida nunca vai sair do canto.
Você vai ficar sempre estagnado. Pai e mãe são fundamentais, tem que sempre honrar eles, mas quando eles estão muito claramente errados, você tem que aprender a sair da asa. E aí eu falei isso para ele, e aí eu falei isso, mas eu falei isso totalmente espontâneo. E aí ele ligou depois e falou, aquilo ali mudou a minha vida, salvou minha vida de várias coisas, e eu fui muito mais claro com meus valores, com as coisas, a partir daquele momento.
Então é engraçado isso. Numa empresa tem um gráfico do Elon Musk que é verdades inconvenientes contra mentiras gentis. Mentiras gentis produzem sistemas disfuncionais. Todo mundo fica feliz. Amiga, eu tô bem, você tá ótima, né? E ela não tá, entendeu? Zero. E aí às vezes aquela pessoa que fala: não, você não tá bem, você precisa estar aqui, ó, vamos na academia, eu te levo, entendeu? É duro, é ruim, ninguém gosta, ninguém quer ouvir isso, mas super te faz bem.
E tem outras coisas que super todo mundo fica, ai, que quentinho no coração, e super te fazem mal. E então a gente tem que privilegiar a verdade, né?
Eu sempre fico pensando, quando a gente caminha por uma reta final de um podcast, com a cabeça de quem tá nos assistindo durante esse tempo. Qual seria a sua recomendação para alguém que tá— que as pessoas obviamente escutam esse podcast porque falaram que elas querem melhorar. E eu acho muito triste pensar na hipótese de algum ser humano que não queira melhorar. Alguém quer melhorar, qual você acredita que é o caminho mais eficiente, a estrada mais eficiente para ter progresso como estilo de vida? Você acha que o estudo contínuo, a execução contínua, é tudo, né?
Eu acho que, eu acho que vamos começar com o básico: dieta. Faz um plano de dieta e de hidratação. Nossa, isso daí já vai fazer uma diferença brutal. Dorme, controle do sono, dieta, hidratação. Depois, hábito de leitura, lê todo dia. A vida espiritual, começar todos os dias. Começa a ler a Bíblia, começa, vai numa missa. Mas eu não vou comungar, não tem nada a ver, nem tenho fé. Ótimo, só senta lá e assiste. Nem precisa acreditar, só senta lá e assiste.
Começa a participar de algo maior do que você. Começa a ler o evangelho, começa a fazer isso. Uma hora de leitura, uma hora de exercício, uma hora de oração todo dia muda a vida de qualquer pessoa. Aliás, se a sua vida não melhorasse falando isso, eu paro de falar isso nos podcasts. Pode mandar falar: fiz isso, coloquei essas 3 horas no meu dia e minha vida não melhorou. E as minhas outras horas, Guilherme? Todas as minhas outras horas do dia?
Bom, você dormiu 8 e você gastou essas 3, então na verdade aqui nós fomos 11 horas, né? Então seu dia ainda tem mais belíssimas 13 horas para você gastar, e você vai gastar essas horas trabalhando, e basicamente trabalhando e cuidando da sua família. Essas são as coisas mais honradas que você pode fazer. E se você dedicar direito, uma parte dessas horas vai ser comido pelo trânsito. Aí aqui é São Paulo, entendeu? Só para chegar aqui eu demorei uma hora, e aqui a minha escritória é perto daqui.
Então sim, tem essas coisas, mas É, na, você vai gastar o resto do tempo trabalhando, e no trabalho você vai fazer metas ambiciosas mais possíveis. A meta boa do trabalho é: eu vou ter que me matar para entregar isso, mas dá. Pronto, então essa é a meta boa. Você sempre tá um pouco fora da sua zona de conforto, dói um pouco, mas dá para fazer. Ali a meta tá correta. Então é essa, cultivando a vida espiritual, cultivando seu corpo e cultivando sua inteligência.
O que que pode dar errado? Essa é até inverta a pergunta, mas, cara, o que pode dar errado? Como pode não dar certo? Agora, o que que o mundo tá ensinando? O mundo tá ensinando: não, não, não, coma lixo, vá para loucura, vá para o prazer, droga, sei lá, tá ensinando, o mundo tá ensinando, sabe-se lá Deus o quê. Não trabalha e reclame, vá para rede social e reclame que o mundo tá contra você. Maravilha, o mundo tá contra você. E agora?
Agora é isso mesmo, tá contra mesmo. E agora, o que que você vai fazer? Bom, agora que você tem que fazer é começar a malhar, começar a comer melhor, começar a trabalhar duro. Não tem o que fazer, não tem como fugir. Não importa para mim se você veio da pobreza, veio da riqueza, se é herdeiro de 3 trilhões de dólares, você tem, você não tem nada, você não sei o quê. E isso que eu tô falando é universal. Você é da China, você é da Índia.
Uma vez foi uma festa lá no Vale do Silício, tinha um pessoal muito perdido, lugar muito rico, e era em Austin na verdade, mas é a turma do Vale do Silício aqui no Texas, né? E aí eu falei isso, comecei a falar isso na festa. Aí também tinha um americano lá falando, caramba, isso que eu precisava para minha vida. Não importa, não me importa se é o— já falei essa mesma coisa na periferia de São Paulo, qualquer lugar é a mesma coisa.
Me interessa muito pouco se você é chinês, se você é da Zâmbia, se você qualquer coisa para isso. Se você olhar e melhorar esses seus hábitos e colocar isso na sua vida, você vai começar a reassumir o controle da sua vida, você vai ser senhor de você mesmo. E quando você se entrega para os vícios, você é escravo, você é escravo de muitas coisas, você é escravo de uma marca, Você é escravo do seu corpo que começa a te puxar para baixo, você é escravo, sei lá, de uma expectativa ruim, sei lá, você é escravo de várias coisas.
Então a verdade liberta as pessoas, assim como Deus liberta as pessoas. Então é uma coisa muito bonita, porque quando Moisés tira as pessoas do Egito, ele tá tirando a escravidão do pecado. Não é a metáfora que tá por trás, não é só escravidão física que é que sim, é real e tá lá, mas é a escravidão do pecado, você se libertar. Então o que eu diria, que em última instância, se você trilha esse caminho, você se liberta. E isso é viver na verdade, é a melhor coisa que tem.
Gente, palmas para Guilherme Freire! Primeiro, você que tá nos assistindo, todas as redes sociais do Guilherme estão aqui na descrição do vídeo. Acompanha, ele produz um conteúdo maravilhoso, tenho certeza. Que vai trazer boas ideias e boas reflexões para todos vocês. E sempre no momento final eu sempre peço para pessoas que chegaram naquele finalzinho uma reflexão que você acredita que possa empacotar esse nosso papo, você possa colocar tudo dentro de uma sacola, dentro de uma cesta, e dar para os nossos ouvintes e falar assim: pensa nisso assim, que isso desligar, o que seria?
A minha reflexão seria pedir que eles pensassem como eu posso sair da caverna. Olhar para sua vida e falar como eu saio da caverna. Essa é para mim a reflexão.
É, você agora se vire aí para sair dessa caverna, tá? Gosto muito dessa reflexão. Eu acho que essa história da caverna, muitas pessoas às vezes se identificam. Algumas pessoas perguntam assim, cara, eu sou o cara que saiu, o cara que tá lá dentro ainda, né? Então se questiona. Acho que questionar o princípio da mudança. Obrigado pela tua participação, sempre contribui, sempre com papo inteligente. A todo mundo que tá com a gente aqui, obrigado pela sua companhia.
E obviamente vamos fazer dois pedidos. O primeiro é compartilha esse episódio no teu grupo de WhatsApp de família, de trabalho, com os amigos. Eu tenho certeza que alguém vai ser tocado, eu tenho certeza que você pode buscar alguém lá na caverna, tá? Segunda coisa, se inscreva nos canais como você fez isso, porque para nós É de muita valia esses episódios chegarem até você, que a gente tem um grande compromisso: contribuir com seus objetivos.
E obrigado pela super audiência, a gente muito feliz de configurar entre os maiores podcasts do Brasil graças a vocês que estão nos assistindo aqui. Então obrigado pela tua companhia, te vejo na semana que vem. E obrigado pela tua participação, plateia, palma para vocês, vocês foram maravilhosos aqui acompanhando com a gente. Até semana que vem!
S1
Solução completa para eventos (cenografia, montagem, ideias)