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COMO GANHAR DINHEIRO NO MERCADO REGULADO? | INDIO DA COSTA

18 de setembro de 20261h23min
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Como ganhar dinheiro no mercado regulado? Neste episódio, Caio Carneiro recebe Índio da Costa para revelar por que 62% do PIB brasileiro depende de uma regra do Estado e por que a caneta que pode fechar o seu negócio está fora da sua empresa.🟪 Quer participar da plateia?Preencha esse formulário e boa sorte!

Participantes neste episódio2
C

Caio Carneiro

HostJornalista
Í

Índio da Costa

ConvidadoAdvogado, mentor e conselheiro
Assuntos6
  • Definição e abrangência do mercado regulado no Brasildependência de regras do Estado·concessões e convênios·setores do dia a dia·impacto de uma canetada
  • As maiores dores e desafios do empreendedor no mercado reguladonão conhecer as regras·não entender os riscos·caneta fora da empresa·complexidade da máquina pública
  • A importância da matriz de risco, oportunidade e escala para empresasidentificar riscos ocultos·encontrar oportunidades·potencial de replicação·mentalidade estratégica
  • Como diminuir riscos e buscar oportunidades no mercado reguladomontar matriz de risco·monitorar projetos de lei·entender a fiscalização·mobilização institucional
  • A trajetória de Índio da Costa da vida pública para a mentoriaveia vendedora desde cedo·busca por liberdade·experiência em diversas pastas·retorno à zona de potência
  • O problema sistêmico do subfinanciamento do SUS e suas consequênciastabela SUS defasada·hospitais filantrópicos endividados·intervenção do Ministério Público·visão estatizante do governo
Transcrição110 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Primeiro, o que é o mercado regulado?

ÍDÍndio da Costa

Ele é definido por quem depende de alguma regra do Estado, tá? Então aquele que só depende de uma regra e trabalha para o setor privado, mas aquele também que tem concessão, ele presta serviço a partir de uma concessão ou de um convênio, ou participa de licitação, ele trabalha para o próprio Estado. Então parece que é pouca coisa, que é muito específico, mas a gente tá falando do nosso dia a dia. Telefonia, saneamento, banco.

?Voz A

Aí você pensa nessa realidade desse empreendedor do mercado regulado. Quais são as maiores dores que esse cara tem hoje? Durante 3 décadas, ele ajudou a escrever as regras do país. Foi parlamentar, secretário de Estado, relator da Lei da Ficha Limpa e candidato a vice-presidente. Hoje atua como advogado, mentor e conselheiro de empresários que precisam navegar pelas relações com o Estado.

ÍDÍndio da Costa

O convidado de hoje é Índio da Costa. O que que acontece? Em geral, eu sou procurado quando tem algum problema.

?Voz A

A turma não vem no amor?

ÍDÍndio da Costa

Não, vem na dor. E é ruim, porque o que acontece? A dor, ela muitas vezes pode ser evitada.

?Voz A

Só uma curiosidade, os problemas são os mesmos?

ÍDÍndio da Costa

Os problemas não são os mesmos, mas a raiz do problema é similar. E é por isso que tanto faz qual o setor.

?Voz A

Conte mais, fiquei curioso.

ÍDÍndio da Costa

Muitas vezes, quando você acha que não tem mais solução, ela tem. Mas você tem que identificar aonde tá o risco, aonde tá a oportunidade, saber calibrar isso. E isso muito bem feito te leva a um patamar que você não imagina.

?Voz A

Senhoras e senhores, sejam super bem-vindos a mais um episódio do Como Você Fez Isso. Como vocês viram na nossa abertura, eu vou receber um cara que tenho certeza que o papo será muito legal, mas eu farei questão de ler novamente a biografia de um jeito muito especial, porque, cara, além da biografia desse cara, me identifiquei, me identifico, porque tem um sangue ali de vendedor desde muito cedo. Olha só, eu sei que tem uma plateia que eles vão gostar dessa curiosidade, ó.

Meu convidado de hoje, ele começou cedo. Aos 8 anos fazia estatueta de Jesus Cristo e vendia de porta a porta, cara, nas igrejas. Aos 10 anos comercializava pedras de uma pedreira, trocava isso em aquários, passou a criar peixes e vender em lojas.

?Voz C

Aos 13 anos vendeu tudo e se transformou em DJ.

?Voz A

Aos 15 comprou o primeiro carro, um Fusca azul sem o banco de trás, mas teve que vender porque não tinha idade para dirigir. Aí aos 16 comprou outro e contratou motorista que levava ele para as festas que ele tocava como DJ. E aos 20 anos, enquanto estudava direito, fez uma grande virada e foi parar na vida pública. Ou seja, você já tá esperando que o papo vai ser muito legal. Então eu quero que a nossa plateia maravilhosa bata esse palma para Índio da Costa, meu convidado de hoje.

Ó, experiência que esse cara teve na vida pública, né? O empreendedor que a vida acabou jogando ele para vida pública. E esses 30 anos que ele passou na vida pública, agora volta para zona de potência dele. Durante 30 anos que ele trabalhou no estado, ele foi subprefeito de Copacabana, 3 vezes vereador, 2 vezes deputado federal, secretário do estado em várias pastas, relatou e aprovou uma lei que mudou a política no Brasil, a lei da ficha limpa, e acabou sendo convidado do José Serra para candidato a vice-presidente da República na chapa.

Ou seja, uma baita experiência na vida pública. E o nosso como de hoje é sempre através de um como. Você é um empreendedor, você é um empresário que auxilia, mentora, direciona muitas outras companhias dentro de um setor que às vezes até a turma que tá online, a gente no Como Você Fez Isso, não entende. Eu falo que eu tenho até amigos que trabalham no mercado regulado que tem até dificuldade de explicar o que é o mercado regulado. Então, Índio, primeiro, o que é o mercado regulado?

ÍDÍndio da Costa

Mercado regulado, Caio, ele é definido por quem depende de alguma regra do Estado, tá? Então aquele que só depende de uma regra e trabalha para o setor privado, mas aquele também que tem concessão, ele presta serviço a partir de uma concessão ou de um convênio, ou participa de licitação, ele trabalha para o próprio Estado. Então parece que é pouca coisa, que é muito específico, mas a gente tá falando do nosso dia a dia: telefonia, saneamento, banco, transporte.

O ônibus é regulado, metrô regulado, trem é regulado, porto, aeroporto, companhia aérea, tudo regulado pelo Estado. Só que nesse mercado independente, que é diferente do mercado aberto, onde o diferencial tá na sua capacidade, Nesse mercado, uma caneta muda a sua realidade do dia para noite. Então assim, o seu produto e o seu serviço, se mudar a regra, ele pode simplesmente não valer nada, pode fechar sua empresa. Então o mercado, que ele é fascinante, ele lida muito no dia a dia das pessoas, tem a ver com o nosso dia a dia, mas que dependendo da regra nova que vem por aí, você cria ou destrói impérios.

?Voz A

E você foi muito interessante porque dá para ver pela tua bio, fiz questão de ler porque me identifico muito com essa veia vendedora que você teve desde moleque, desde muito menino, né? E você teve uma virada, né? Empreendedorzão, dá para ver pela tua história. A vida te jogou para vida pública e aí você retorna para zona de potência, que é liderando o negócio. Você tem um negócio muito bem-sucedido. E como é que foi essa virada? Essas viradas, né?

ÍDÍndio da Costa

Na verdade, eu sou a mesma pessoa, tá? Então a minha vontade de realizar sempre foi muito grande, desde cedo. Você tem uma palavra que me define: a liberdade. A vida inteira lutei por liberdade. Aos 8 anos eu queria liberdade, aos 10, aos 13. Tudo que eu fui empreendendo foi buscando liberdade. E veja bem que liberdade não é não pertencer. Eu pertenço, mas ainda assim eu queria ter autonomia. E aí então comecei a trabalhar muito cedo.

Quando eu entrei na vida pública, foi muito simples. Eu fui numa palestra, e aí o César Maia era o palestrante, tá? E ele dizia, ele desenhou um ovo assim, isso aqui é o Rio de Janeiro. Eu sou filho de arquiteto, né? Aquele ovo deitado, eu falei, nossa, é o Rio de Janeiro! E aí disse assim, bom, se fizer isso aqui vai melhorar a vida das pessoas e tal. Era a linha amarela. Aí eu resolvi ajudá-lo e ajudei a fazer um movimento grande, e ele ganhou por muito pouco No final ele me convenceu, queria muito que eu fosse para o governo.

Eu resisti muito, Caio, porque assim, mas não é meu mundo. E eu acabei indo, né, aquelas coisas de jovem, tinha 20 anos de idade. Ele falou, pô, se todo mundo que me ajudou, que é bom, não quer ir para o governo, eu tô aqui cheio de currículo para escolher. Como é que eu vou fazer um bom governo? Aí eu falei, ah, tá bom. Aí eu fui. E ele tinha uma frase que ele repetia, que assim, quando eu tenho um problema, eu chamo o Índio, que ele resolve.

E aí eu fui sempre assumindo pepino. E pepinos que eu adorava, entendeu? Porque destrinchar um abacaxi é uma maravilha. E isso seja no setor público, onde você tem abacaxi todo dia, mas no setor privado você descasca o abacaxi e é extraordinário que a resposta é rápida, né? O mundo privado ele se movimenta com muita velocidade. No público você tenta mexer e tenta acelerar, mas não é da lógica. E o que define a diferença até jurídica é basicamente o seguinte: Setor público, ele só pode fazer aquilo que a lei te determina, a lei determina ou ela te autoriza.

E no privado, você faz tudo aquilo que a lei não proíbe. Parece que é pouca coisa, mas a diferença é imensa. Então você vê agora essas empresas todas de tecnologia disruptivas, e a gente podia citar várias aqui, né, de transporte, do mercado financeiro, de energia e tal. Tem coisas extraordinárias acontecendo no mundo todo. Aí quando você vai ver, não pode fazer, porque tem uma regra que diz que— na verdade, tem uma regra que não diz que aquilo pode ser feito.

Assim, gente, mas não é possível! Que regra é essa? Só que o mundo, ele tá mudando uma velocidade tão grande, e o Estado não vai acompanhar essa mudança. Aí eu entendi onde é que eu queria estar. E aí tem a ver com a ficha limpa. Na época da lei da ficha limpa, sabia que era difícil aprovar, não era uma lei, digamos, é de estimação dos parlamentares, porque todos tinham sido eleitos numa regra. Diz assim, vai mudar a lei agora?

Será que é bom? Será que é ruim? É, mais de 100 mil pessoas foram vetadas pela lei da ficha limpa desde 2010 para agora, o que é muito bom. Tentaram se candidatar, estavam condenados, não podiam ser candidatos e tal. Enfim, a lei deu, ajudou um pouco. Imagina se não tivesse a lei, né? Como é que a gente não ia estar? De qualquer forma, esse, esse movimento que ele só aconteceu porque tinha uma vontade enorme popular, ele pode ser replicado no setor privado.

De que forma? Se você tem empresas disruptivas querendo fazer diferente, custo menor, mais eficiência, mais eficácia, e aí tem uma regra que diz assim, ó, não pode, como você muda a regra? E tem caminhos institucionais corretos, honestos, transparentes para você mudar as regras. Só que as pessoas não conhecem. Então o cara desiste, ele fala, pô, não fez isso não, isso aqui, ó, não pode. Não é que não pode, não pode hoje, mas vai ter que poder amanhã.

E inclusive para o Brasil é fundamental. Aí eu digo assim, eu tentei mudar o Brasil dentro do Estado, agora já fiz alguma coisa. Agora eu vou ajudar a mudar de fora para dentro. E de fora para dentro é levantando o setor privado, impulsionando ele E qual era o melhor setor, Caio? Setores regulados, porque eles estão no nosso dia a dia, a nossa qualidade de vida depende disso. Então era uma forma de ajudar a impulsionar o setor privado e atender a sociedade.

E para mim era um, assim, eu saí da vida pública, eu no começo saí por decisão, mas no primeiro ano eu fiquei meio depresso assim. Eu falei, pô, antigamente eu fazia uma coisa, milhões de pessoas eram impactadas. Agora eu faço muita coisa e quem tá sendo impactado? Eu tô lucrando, tô ganhando, Minha primeira atividade foi intermediar uma, uma, na verdade eu comprei uma operação futura de energia, negócio de mercado de energia.

Eu comprei uma quantidade de energia que ia ser usada no seguinte. Aí digo assim, no final acabou, ganhei muito dinheiro com aquilo. Falei, ajudei a vida de quem? De ninguém. Eu falei, isso aqui não tem graça não, é só dinheiro. Não, quero uma coisa diferente. Aí eu comecei a advogar para o Sistema Único de Saúde. Para as entidades filantrópicas e empresas que atuam atendendo a sociedade em nome do Estado, em nome do governo. E ali, infelizmente, tem que ser por via judicial.

Eu tenho quase 800 ações judiciais no Brasil, em todos os estados do Brasil, contra a União. A gente tem ganho as ações. Que que vai acontecer? O volume financeiro é tão alto que em algum momento o governo vai ter que mudar a regra. Então, por ali, neste caso, eu tentei com parlamentar, era impossível. Então, bom, então por via judicial. O volume vai ser tão grande que uma hora vai ter que sentar na mesa e dizer: não tem como pagar, como é que vamos fazer?

Muda a tabela. Porque quem reclama: isso vai virar muito dinheiro contra o governo. Pera lá, o governo ele tá gerando um prejuízo muito grande nesses hospitais, né? E no final quem paga a conta? É quem não tem espaço para ser atendido, quem tá na fila. Caiu a miocentese, aquilo líquido que você tira da barriga para ver se tem algum problema no bebê, o SUS paga R$2,20, custa R$1.100 no mercado privado. Quem paga a diferença? Um atendimento médico, uma consulta com médico do SUS, o SUS paga R$10.

Se for especialista, R$11. Quem paga a diferença? O hospital. Se o hospital não pagar, o médico não trabalha, ele vai para o consultório dele, cobra muito mais do que os R$100. E ainda ele cobra R$100, embora só receba o SUS, só pague R$10. Como é que essa conta fecha?

?Voz A

Aí você pensa nessa realidade desse empreendedor do mercado regulado, colocando o sapato desse cara. Quais são as maiores dores que esse cara tem hoje?

ÍDÍndio da Costa

Olha, são muitas, né? Mas em especial, uma delas é não conhecer a regra direito. Outra delas é não entender qual é o risco que ele tá correndo. Isso é muito sério no Brasil, principalmente nos últimos 10 anos, 12, 10, 12 anos. Você passou a ter um risco não calculado por muitas empresas. Porque dependendo, você tem o risco da fiscalização, sim, você tem o risco de uma regra que foi criada que você não tá sabendo, você tem um risco de não entender quais são os stakeholders que você tem que estar atento.

Quer dizer, o risco é grande, mas por outro lado também, quando você tá falando de mercado regulado, as oportunidades e a escala são extraordinárias. Você poder imaginar o Brasil desse tamanho todo que ele é, quantidade de oportunidade. Você pega uma ação que você tem numa cidade e você tem ali um modelo lucrativo, perfeito. São multi-Brasis dentro do mesmo Brasil. Mas a verdade é que se o teu modelo de negócio é bom, a chance, a possibilidade de você replicar e de escalar no Brasil e ter um resultado extraordinário é incrível.

Mas só que, o índio, o risco, você perguntou do risco, o risco tá onde? O risco tá em você não entender primeiro que você é regulado. Eu tenho conversado com as pessoas, pessoas que são qualificadas, que lucram, que ganham muito dinheiro, empregam milhares de pessoas, aí fica assim, pô, mas eu sou regulado. Você é regulado, porque se mudar a regra, você— e tem vários exemplos, né, para o bem e para o mal. Criou aí agora marco regulatório de saneamento, Tem acho que R$100 bilhões sendo investidos no Brasil com recurso estrangeiro, recurso brasileiro, recurso privado, e que vai gerar um novo Brasil no final disso tudo.

Impacta a saúde, etc., etc. Ok, um marco regulatório estruturado. Passam-se alguns anos, o Congresso muda na reforma tributária, taxa. Pronto, para quem foi essa taxa? Quase que as empresas foram embora. Algumas começaram a pensar em vender o seu negócio. Aí, bom, então vamos, aí o governo autoriza, né? Não, então repassa para o usuário final. É muito intrincado, tem muitas possibilidades, é um quebra-cabeça, é como se fosse um xadrez sem muita regra, entendeu?

Então a dama pula igual cavalo, o cavalo anda igual torre. Como é que é isso, né?

?Voz A

É porque são muitas as possibilidades e os ângulos que você tem que estar atento, porque Eu penso o seguinte, muitos empresários te procuram porque às vezes ele tá buscando o próximo nível dele e ele percebe que às vezes sozinho, porque talvez esse cara não tem nem com quem trocar, às vezes é um empreendedor que não tem nem com quem dividir, porque às vezes ele não conhece tantos outros empreendedores que atuam no mercado regulado também, ou ele acostumou a ser solitário, ele acostumou a jogar sozinho o jogo, que eu acho, eu acho isso muito perigoso aqui no Brasil.

Empreender já é muito difícil. No Brasil se torna mais hostil dentro do mercado regulado, que a gente tem um desafio no Brasil, né? Nem a gente tá no país que nem o passado é certo, né?

ÍDÍndio da Costa

E agora o Supremo definiu isso. É verdade, foi para o Código Civil, tá lá a coisa julgada, que é o seguinte: até na área tributária, depois que o seu processo transitou em julgado, você já recebeu aquele benefício e tudo, pode mudar a regra, você tem que devolver.

?Voz A

E assim, o Brasil ele é complexo. Eu vejo até, por exemplo, reforma tributária Tem muito empreendedor que não sabe nem explicar os impactos que ele vai ter. Às vezes eu pergunto para o empreendedor, mas qual a sua estratégia? Cara, eu vou vender mais, essa é a minha estratégia. Então, e geralmente quando um empresário te procura porque ele tá querendo ir para o próximo nível dele, que diagnóstico você gosta de fazer com esse cara primeiro?

Primeiro você gosta de ver, meio que fazer uma avaliação porta para dentro, porta para fora, avaliar o que ele quer. Entender um pouco dos objetivos. Geralmente, qual que é o primeiro diagnóstico que você faz com um empresário desse?

ÍDÍndio da Costa

Primeiro, entender a realidade dele, qual é a realidade dele e qual a realidade que ele acha que é a realidade dele, porque às vezes ele acha uma coisa e não é bem aquilo. Depois, entender o que que do CPF da pessoa física tá impactando no negócio dele. É comum até nas conversas, no final você diz assim, pô, então pera aí, então sou eu que tô gerando esse problema na minha empresa e tal, essa minha essa minha cultura, esse meu comportamento, essa minha visão.

E a partir dali, destrinchar um pouco da empresa dele, de fato construindo junto com ele uma matriz de risco, uma matriz de oportunidade e uma matriz de escala.

?Voz A

É bom esse tripézinho, hein, cara?

ÍDÍndio da Costa

Maravilhoso! Eu sonho com ele todo dia. Então ele é transformador. O tripé que você bate é diminuir risco, identificar oportunidade, identificar oportunidade e gerar escala. Gerar escala, simples assim. É o Pareto, eu diria que é o Pareto do Pareto, porque ele é o Pareto 80/20, né? Mas só que você tem o 80/20 dos 80/20. Na hora que você identifica, você começa a olhar assim, agora eu tô entendendo, de fato eu não tinha visto isso aqui.

Mas você não viu? Não, não vi. Aqui você tá perdendo dinheiro, aqui você tá perdendo dinheiro, aqui você tá perdendo oportunidade, aqui você tem esse risco aqui que você não viu. No mercado aberto, que é onde muita gente atua, quem regula é o próprio mercado. Sim. No mercado regulado, você tá trabalhando, você tem a melhor equipe de vendas, você tem um financeiro excepcional, você tem tudo de bom, tá voando. Só que tem como uma definição diferente, uma canetada que muda a regra do dia para noite, que você não entendeu o que que é aquilo e que muda o teu negócio.

Você tá falando de uma atividade aonde a caneta que tá longe, tá fora da sua empresa, e ela vem de muitos lugares diferentes. Ela pode vir de uma agência reguladora, ela pode vir do Poder Executivo, ela pode vir do Poder Legislativo. Ela pode vir de uma mudança de visão do Poder Judiciário, ela pode vir de um entendimento diferente do Tribunal de Contas. Olha a quantidade de coisa que eu tô falando aqui, de uma incompreensão do Ministério Público do que que é aquilo.

Então assim, do dia para noite você tem riscos que são imensos e prejuízos multibilionários no Brasil por falta de compreensão do serviço público e por falta de capacidade ou de conhecimento do setor privado. De como que conversa. Aí muita gente acha assim, ah, isso aí tem esquema, corrupção. Eu vou te afirmar, Caio, foram 30 anos, mas assim, não vou dizer que a maioria é— a grandissíssima maioria é gente séria, é gente bacana, é gente que quer fazer, mas que tá submetido a uma regra de não mudança.

Basicamente é isso. Então, para você mudar, vou repetir, é de fora para dentro, movimentos, comunidades, visão, compreensão de um tabuleiro que ele de fato é minado, porque a decisão sobre o seu mercado tá fora da sua empresa. Não tá na sua capacidade de ser um bom administrador, um bom gestor. De repente alguém é eleito. Outro dia perguntaram, Índio, o que que vai mudar agora no Brasil? Eu digo, depende. Mas como depende de quê, né?

Parece resposta de advogado, né? Não, depende quem vai ganhar eleição em outubro. Se um ganhar eleição, o Brasil vai para um lado. Se outro ganhar eleição, o Brasil vai para o outro lado. Mas e aí? E aí que, na minha opinião, se não quiserem repetir o passado, qualquer um vai ter que fazer ajuste. Essa lei nova tributária, você vê que a partir do ano que vem ela começa a fazer efeito, né?

?Voz C

Sim.

ÍDÍndio da Costa

E aí depois vai aumentando, escalonando, né? Era faseada. Ela não é faseada à toa. Assim, primeiro eu vou ganhar eleição, depois vamos tomar dinheiro deles. Então, dependendo para onde que vai, dependendo qual é a visão. E aí, como 30 anos nessa vida, eu já consigo entender como cada um pensa, porque que pensa. Eu sou advogado, tenho pós-graduação em políticas públicas, e também eu tenho MBA em finanças aqui pelo Insper em São Paulo. E essa junção das três coisas é muito bacana.

?Voz A

Geralmente um empresário do setor regulado, ele levanta a mão no momento que ele tá, que ele tá indo bem ou tá indo mal, em busca da tua ajuda. Cara, tô indo bem, mas eu quero ir para lá, ou não. Ou ele geralmente quando tá estrangulando.

ÍDÍndio da Costa

O que que acontece? Em geral eu sou procurado quando tem algum problema.

?Voz A

A turma não vem no amor, não vem na dor.

ÍDÍndio da Costa

E é ruim, porque o que acontece, a dor ela muitas vezes pode ser evitada, e é uma bobagem. Você imagina meio grau hoje, daqui a 1, 2, 3 anos, quer dizer, a diferença, qual vai ser o resultado final. E eu entendi, advogando para o SUS, né, com tantas ações no Brasil, eu digo, mas pera lá, eu podia ajudar esses hospitais aqui de uma outra maneira. E também você pode fazer um pouco de benchmark, pegar um bom, uma boa solução no lugar do Brasil e levar para outro, e fazer com que o hospital também se torne mais eficiente.

Tô citando aqui o SUS porque eu tenho muitas ações, mas hoje na mentoria eu tenho gente da área de energia, área de saneamento, área de transporte, área de saúde. Tô começando a namorar petróleo e gás.

?Voz A

Só uma curiosidade, os problemas são os mesmos?

ÍDÍndio da Costa

Os problemas não são os mesmos, mas a raiz do problema é similar. E é por isso que tanto faz qual o setor.

?Voz A

Conte mais, fiquei curioso.

ÍDÍndio da Costa

Você imagina alguém que, mercado privado, você quer dominar o mercado. Sim. Quem tá no setor regulado também quer dominar o mercado. Sim. Tudo bem. Só que pressupõe que para ter um bom serviço público você não pode criar um cartel ou você não pode criar um monopólio. Sim. Pronto, aí tem CAD e tal, você tem instrumento de controle e de proteção. Então o mercado, que não adianta você ser genial, querer tomar conta dele todo, porque tem regras que vão te impedir.

Muito bem. Só que muitas vezes você tem regras que são pré-definidas e que as pessoas não estão entendendo que aquela regra é altamente benéfica para ela, porque ela leu de um outro ângulo. Eu me lembro que uma Uma grande empresa, uma vez eu tava fora da vida pública, resolveu participar de uma concorrência. E ele diz assim: mas que absurdo, olha só o que que eu tenho que fazer para entrar nisso aqui, para ganhar concorrência de R$1 bilhão e 500 milhões, tá, em 2012.

Que absurdo, como é que eu cumpro isso aqui? Como é que eu faço? Ninguém vai conseguir fazer. Eu falei: se ninguém vai conseguir fazer, você tem uma oportunidade, que é fazer o que os outros não farão. De fato, ele fez, ganhou 80% dessa licitação, ficou super feliz, cresceu o negócio dele para burro, espalhou, é presente no Brasil inteiro. E aí no final assim, o que que foi de diferencial ali? Ele sobrelê um edital de licitação com os olhos de quem queria de fato resolver aquele problema.

Tem um livro bom do sujeito que criou o Waze, né? Quer dizer assim, apaixona-se pelo problema. Sim, né?

?Voz A

Um israelita, né?

ÍDÍndio da Costa

É maravilhoso. Eu fui lá visitar a universidade lá em Tel Aviv e ela é toda voltada para, para, em Israel, tudo voltado para o sujeito criar um negócio lá. Teve só Waze? Não, teve Waze, teve pendrive, tem uma série de empresas que saíram de lá e tem um modelo para isso. Você tem um ambiente para isso, né? Um ambiente propício. Você criar e todo mundo ganha. O professor, quem desenvolveu, tem um olheiro, tipo futebol, tem um olheiro para identificar, e aquilo é bom e tal.

O cara do mercado financeiro que coloca dinheiro, é sensacional. A faculdade ganha um pedaço disso também. Todo mundo ganha, o jogo de ganha-ganha, transformador. E o que que não mudou o mundo, Caio? Eu que achava, quando entrei na vida pública, digo assim, gente, vou melhorar a vida de tanta gente. Aí você pega um êxito da vida O cara foi lá, inventou o Uber. Que que é o Uber? O cara diz: tá aqui o aplicativo, chama e tal. Você tá em casa de madrugada, não tem o que fazer, vou ganhar um dinheirinho.

Aí tá credenciado no Uber, vai circular para ganhar um dinheirinho. Ou de manhã, final de semana, vou complementar minha renda. E para o usuário, que ele escolhe. Você vê como é que melhorou a qualidade do táxi? Antigamente táxi não dava muito bom dia não, né? Bom dia, pergunta: você tá bem? Como é que tá a família? Mudou, mudou a relação, né?

?Voz A

Pelo que você tá falando, você vê que muitos desafios do empreendedor no mercado regulado é porque ele não— e me corrija se eu colocar de uma maneira errada aqui— mas ele não domina exatamente todas as regras do jogo que ele mesmo decidiu jogar.

ÍDÍndio da Costa

Perfeito.

?Voz A

Então tem muito desse tripé que você fala, que é diminuição do risco, É aumento de escala e identificar oportunidade. Identificar oportunidade é muito porque ele não tem ainda, ele não tem o domínio pleno do jogo que ele decidiu jogar.

ÍDÍndio da Costa

É isso, ele não tem domínio pleno do jogo. E quando ele tem domínio pleno do jogo, ele muitas vezes, eu diria que até na maioria das vezes, ele não tá vendo o risco que ele tá correndo, não tá vendo o risco que ele tá correndo. Gente do céu, como é que você vai fazer isso? Não tá vendo o risco. Mas como é que risco é esse? Tá aqui tão claro. Mas é porque também do lado de lá, 30 anos, né? Eu fui secretário de 7 pastas diferentes. Eu peguei uma lei que era lei de urbanismo.

?Voz A

É que só uma dúvida também: onde esse cara aprende também isso? Ele aprende fazendo?

ÍDÍndio da Costa

Ele aprende apanhando, né? Fazendo.

?Voz A

Ele aprende sendo autuado, tomando uma multa ali.

ÍDÍndio da Costa

Ele aprende quando toca a campanha da Polícia Federal, 6 horas da manhã, na casa dele, não entende o que que tá acontecendo. Eu não tenho nada a ver com isso. Não importa, tá aqui, ó, vai lá responder. O cara, o que que aconteceu? É uma maluquice. O Brasil de hoje é assim.

?Voz A

Sério mesmo que é assim?

ÍDÍndio da Costa

Então assim, para evitar isso aí, isso é consequência do quê? Eventualmente de alguma concorrência, tá? Tomar cuidado, não é? A gente não tá nos Estados Unidos. Então aqui assim, você tem que crescer sem também cacarejar demais, né? Não gera problema. Não é não? Você cresce, fala, tem umas frases que eu acho muito boa. Você vai até a página 8 ali, 9, na 10 começou a falar demais, pronto. Não, pera aí, é uma formação católica, né?

Então o lucro, ele de alguma maneira, ele assim, as pessoas olham assim, como assim?

?Voz A

Vê se eu tô fazendo um paralelo, porque eu nunca atuei no mercado regulado. Sim, trabalho com área de educação, ensino informal, que é regulado até. É, mas não eu, eu, mas não, não na sua, eu não, minha zona de atuação, pô, cursos livres, curso de inglês, curso de vendas, não é a educação formal, educação informal.

ÍDÍndio da Costa

Isso aqui tem feito diferença no Brasil.

?Voz A

Sim, e obviamente a gente tem uma parte dentro do grupo que a gente, que a gente vem de pós-graduação, porque a gente comprou uma faculdade e tudo, mas 90% do nosso business é educação informal pro PME, pro empresário. Mas você fez essa correlação, né? Você pode crescer demais, mas não pode cacarejar. Porque no mercado não regulado é o que você falou assim, cara, a concorrência, ele vai ser o grande balizador. Se eu subo meu preço, se eu desço o preço, se eu melhoro meu produto, é avaliação do cliente, é a percepção do mercado.

O mercado, ele é rei, ele é soberano. E aqui também tem uma das— e às vezes a melhor maneira de um concorrente bater no outro é o outro vai lá e diminui o preço, aí o outro vai lá, entrega o dobro, e aí começa até aquela briga. E quem sai beneficiado é o cliente final, né? Porque quando tem concorrência, tem evolução de produto. Nesse caso do mercado regulado, às vezes é uma denúncia que acontece, às vezes do outro cara, às vezes é uma denúncia, às vezes é uma denúncia infundada.

ÍDÍndio da Costa

Para atrapalhar o mercado. Às vezes você tem mercados que estão crescendo muito. Tem um mercado muito claro aqui no Brasil que ele tá quicando, quicando, quicando, e que daqui a pouco ele vai ser regulado, que é o mercado de games, né, que fatura bilhões de dólares no Brasil. Eu não sei nem dizer qual é o tamanho desse mercado. Me lembro em 2010, quando eu tava disputando eleição presidencial com Serra, uma turma se juntou, explicou o tamanho do mercado.

Eu falei, gente, isso aqui é um outro mundo. Aí eles falaram assim, pois é, eu, olha só que bacana. E eles mostraram, foi uma empresa enorme, cheia, uma garotada, gente, sim. Aí eu falei, gente do céu, isso aqui é extraordinário, vai com calma. Aí o pessoal olhou para mim e falou assim, como vai com calma? Eu falei, continua fazendo o que vocês estão fazendo quietinho. Aí olhou assim para mim e falei, E já já começar a cacarejar demais, vão regular.

?Voz A

Você vê muita gente desistindo do setor regulado por esse não conseguir jogar esse jogo, apanhar tanto que perde o brilho, perde o encanto?

ÍDÍndio da Costa

Eu vejo, e vejo com muita tristeza, porque eu acredito na concorrência, eu acredito que a concorrência te qualifica, eu acredito que com mais pessoas qualificadas tiverem disputando com você, melhor você vai ficar. Porque no final do dia você contra você mesmo. Mas surgindo concorrentes, você se instiga mais, né? Você se anima mais, né? Pera lá, vou me qualificar, né? Como é que eu vou pegar esse pedaço do mercado, aquele pedaço do mercado e tal?

Vai caminhando. Então, mercado sem concorrência, eu acho que é, eu acho que é muito ruim. E eu vejo muita gente desistindo, ou muita gente entendendo que tem que fazer o que não é necessário fazer para crescer. E aí se expõe, e na hora que se expõe corre um risco que ele é desnecessário. Você tem uma cultura, e essa cultura ela tem que ser combatida, que a cultura do eu ir para o A, para o B, eu vou melhor cortando o caminho. Não tem caminho para cortar, você tem que cumprir determinadas tarefas.

Você imagina aqui, Caio, eu tenho na mentoria dois mentorados que Então um já vendeu uma empresa e quer vender uma segunda que montou há pouco tempo, e o outro nunca vendeu nada. Mas assim, bom, como é que eu vou vender? Esse tá bom, você quer fazer um M&A, né, para estruturar um negócio, e no final você tem que ter uma saída, o exit. Legal. Se você começar a entender, né, o meu escritório é na Faria Lima, portanto eu tô ali no meio dos tubarões do mercado financeiro, começar a entender como que alguém compra, por que que compra e como precifica, você vai preparar sua empresa para vender melhor, né?

E esse mundo do equity é um mundo fabuloso. E você vai dizer, então, índio, pera lá, mercado regulado, essa empresa tem equity? Tem. Mercado regulado atua só para o poder público? Não. Mas então, pera aí, como não? Agência aérea, né, companhia aérea, ela é regulada, mas ela não trabalha para o Estado, né? Tem uma determinada lei que diz assim: bom, a partir de hoje você tem que ter aqui uma proteção ou uma espécie de um identificador de risco para, se for estourar uma barragem, as pessoas saírem e ninguém morrer.

A multa É de R$1 bilhão. Produto, o serviço para estar ali e tal, custa R$300 mil. Multa de R$1 bi, R$300 mil de investimento. O que que você vai fazer? Você vai arriscar ter por onde R$1 bi? Mariana, Brumadinho, olha o tamanho da encrenca. Chuvas no Rio Grande do Sul, nova lei, opa, cidade, como aconteceu aqui em São Sebastião, cidade que Chove, risco de enchente, deslizamento, morte, mesma coisa, multa imensa, que ainda torna o prefeito inelegível, porque afinal de contas vai para improbidade administrativa.

Eu escrevi a lei, a lei da puxa limpa, eu sei bem do que eu tô falando. E ele, se ele não coloca isso lá, ele tá com risco de ficar inelegível, além dos outros prejuízos humanos, sociais, enfim, que ele gera na cidade dele. Então assim, é regulado, mas prefeitura, público, mais Vale do Rio Doce, que não é mais do Rio Doce, né? Identifica a idade das pessoas, né? A Vale. Tô com 55, às vezes acho que eu sou mais jovem, não tô, mas eu vou chegar aos 200, tô me preparando para isso.

É isso aí, só alegria. Não tô dizendo que quem viver mais 5, 10 anos então vai ter vida eterna, não tô acreditando nisso aí. Mas enfim, então essa, essa, esse mercado chamado regulado muitas vezes é do privado para o privado, mas tem uma lei que define o jogo. E se essa lei mudar, o jogo é redefinido. Genérico, década de 90, né, Serra era ministro da Saúde, Fernando Henrique Cardoso presidente, eles mudaram a lei. Isso é o seguinte, ó, medicamento a partir de tantos anos não tem mais patente.

Então se você seguir aquela regra ali, aquela definição de quantidade de químicos e tal, você pode fazer. Tem alguma empresa que tá nesse mercado que não seja bilionária em dólar? Nenhuma. Concorda então que o poder público, que muita gente olha e fala, meu Deus do céu, como me atrapalha, Do outro lado, chega e olha e diz assim, meu Deus do céu, que oportunidade! É verdade, oportunidade. Eu tenho essas duas formações, é doido, porque um advogado no Brasil, né, não sei nos outros países, mas aqui você tem que ser muito otimista.

Então você tem que acordar e dizer assim, nossa, tá aquela chuvarada, aí tem assim um buraquinho no céu, mas nossa, vai fazer sol. Esse é o advogado.

?Voz A

Aí você disse que a competição é muito bruta.

ÍDÍndio da Costa

Não, olha só, aí entra o outro lado, o financista. Sim, financista tá aquele céu lindo, todo azul, e passa uma nuvenzinha assim. Nossa, tem risco de chover. Então você pode, no mesmo edital de licitação, numa mesma norma, numa mesma regra, numa concessão, num convênio, você pode ver o lado bom e o lado ruim. Agora também é o seguinte, Caio, embora eu seja, meu sobrenome é Índio, né, mas eu não sei fazer a dança da chuva. Então aqui também não tem essa conversa de mandiná, porque às vezes você pensa, pô, não tem mandiná, trago a mulher amada em 3 dias, entendeu? Não tem isso.

?Voz A

Mas você tem algum case recente que você falou assim, cara, esse aqui me marcou, cara, esse aqui me marcou, de algum mentorado seu? Você fala, pô, que legal, cara.

ÍDÍndio da Costa

Eu tenho um case que você sabe que eu preservo muito os meus mentorados ou clientes e tal, mas eu vou falar assim em linhas gerais. Sim, um grande investimento foi feito, tá? E eu tô falando um grande investimento, deve ter sido investimento de R$4 bi privado, mercado imobiliário, ok? É um país inteiro mobilizado naquela direção e muitos incentivos para que aquilo tudo fosse feito. E de repente, de repente, o mercado vira. Pós-Olimpíada, pós-Copa do Mundo, mudou o mercado do Brasil.

Teve impeachment, confusão danada e tal. Tempestade perfeita em muitas áreas: setor de petróleo, setor imobiliário, economia muda, confusão danada. E aí o sujeito, ele não conseguia se desfazer daqueles imóveis, que eram milhares de imóveis, em razão de uma regra estabelecida na época em que o Brasil estaria voando entre ele e a Caixa Econômica Federal. Como é que resolve isso aqui? Eu falei: não sei. Como não sabe? Eu preciso de ajuda.

Eu falei: tá bom, quer que eu te ajude? Eu te ajudo. Só que nessa época, Caio, eu fazia tudo de graça. Pô, eu não tinha mandato não. Eu já passei assim, acho que os últimos 30 anos, a quantidade de gente que eu ajudei E eu ficava feliz com esse sorriso que você tá aí, porque eu sorri igual, só de alegria. Pô, que alegria! Mas quando eu fui entender no setor privado o que que isso significava, eu falei: pera lá, eu acho que aqui eu posso ajudar e posso ajudar muito. Foi quando eu comecei a ser chamado para ser conselheiro de empresa.

?Voz A

Você vê que começou a dar algo, começou a se repetir aqui e ali. Opa, tem uma oportunidade aqui, tem um business aqui, tem um business.

ÍDÍndio da Costa

Porque antigamente eu era chamado, o cara deputado, secretário e tal: pô, a gente tem um problema, como é que resolve? Isso era uma coisa, eu atendia, resolvia, ou não resolvia. Isso não dá para resolver e tal. Eu me lembro do mercado imobiliário no Rio, tinha um negócio desse tamanho, era mil e tantas páginas, a regra de construção. Então tinha uma lei que dizia que podia e outra que dizia que não podia, o mesmo assunto. Eu falei, como é que pode, não pode?

Gostei do cara e não pode? Ah, do índio não gosto não, então não pode. Eu falei, pô, isso aqui abre brecha para tudo. Na época era secretário de urbanismo. A gente redesenhou a lei. Hoje em dia tem 42 artigos, tá lá o que pode, o que não pode. Acabou de travar o mercado, o pessoal começou a investir. Essas regras, elas vão mudando e você vai destravando os mercados, ou vai mudando e também você vai atravancando os mercados.

?Voz A

Mas eu me perdi onde é que eu tava, no case da sua amiga, que tinha um problema entre ele e a Caixa.

ÍDÍndio da Costa

Aconteceu, eu dei para ele os caminhos. Eu digo, ó, você faz o seguinte, você tem que pedir uma espécie do reequilíbrio econômico financeiro desse negócio. E aí, pode, não pode dar, não dá, como é que eu faço, como é que eu deixo de fazer e tal. Aí eu peguei um papel assim, você faz assim, procura esse, fala aqui, não sei o quê ali, os órgãos, não era as pessoas, você vai falar com essa área, não sei o quê. Como é que você vai levar?

Eu peguei um papel, escrevi no papel, pá pá pá pá pá. Tá aqui, ó, digita aí, assina e leva. No final, ele conseguiu redesenhar o contrato dele com a Caixa. Na hora que ele redesenhou o contrato dele com a Caixa, ele vendeu o negócio dele por um bi e pouco, deixou de ter um prejuízo enorme. A empresa dele ia quebrar. Só que você imagina isso espalhado pelo Brasil, a quantidade de gente que não tem, com problemas, que o cara diz assim: eu não sei com quem falar.

Outro dia, a mentorada, ela trabalha na área de transporte de Minas. Aí ela disse assim para mim: eu, Índio, eu sou despachante de caminhão. Eu falei: despachante de caminhão, legal. Eu queria muito a tua ajuda. Aí eu falei: pô, essa daí não sei como é que eu vou ajudar, né? Como é que eu vou ajudar despachante de caminhão? O que que você faz? E aí, enfim, eu acabei dando os caminhos para ela, o que que ela devia fazer. Ela destravou, ela entrou na mentoria, ela voltou falando: Índio, a mentoria tá paga!

Eu falei: mas nem começou! Ela falou: mas você resolveu o problema todo! Eu falei: mas que problema é esse tão grande que eu resolvi? Mudaram a norma, iam publicar a norma, mas não estavam, não estavam, digamos assim, não tava tão claro para ela que norma era aquela. Eu dei os caminhos institucionais, Caio. Você vai aqui, procura aqui, fala lá e tal. Ela foi lá, destravou. Só que é o seguinte, ela não era despachante de 10 caminhões, ela é despachante de 70 mil caminhões.

Então ela fatura milhões de reais por ano. E empresas como essa, que você nem imagina que você pode ajudar, tem aos montes no Brasil e precisam de uma luz. Agora, na hora que ela entende como é que funciona, como é que essa regra, o porquê da regra, Tá sempre muito no porquê, né? O porquê, por que isso, por que aquilo, como, para quem, com quem e para quê. Quando você começa a responder essas perguntas, aí você começa a redefinir o seu negócio.

?Voz A

O que que mais te ajudou você desenvolver essa competência, essa sua cabeça, que você entende o funcionamento complexo da máquina pública? Essa sua— você é advogado, então você entende juridiquês as coisas. Sim, você então, porque às vezes um advogado, às vezes ele é muito duro com quem não é aquele médico, né? Cara, não tô entendendo o que você tá falando, né? Então o que que você vê que é o maior desafio do empreendedor? É entender a complexidade da máquina pública ou entender as regras do jogo?

Tem muita gente que às vezes não, cara, lê um documento e não entende o documento. Sim, hoje ainda tem, hoje já tem ChatGPT para o cara jogar o documento lá, resume o que esse documento quer dizer.

ÍDÍndio da Costa

E às vezes resume errado, tá? Muitas delas.

?Voz A

Eu falo isso porque esses dias um amigo falou assim, ele falou isso comigo: caiu hoje um documento aqui, é um amigo meu pessoal, pedi para a ferramenta dar uma resumida, mas não tô muito confiante, vê o que que você acha. Mas tenho certeza que muita gente faz isso hoje. Sim. O que você vê que é o maior desafio do empreendedor? É entender às vezes uma linguagem mais complexa ou entender uma máquina que realmente é uma máquina mais complexa, ele entender quando você tem o setor público desregulando. Que que você vê que é o desafio maior? Posso somar todos os dois?

ÍDÍndio da Costa

O desafio maior é ele entender o risco que ele tá correndo diante da quantidade de órgãos de controle que existem, que regram, que mudam as regras. E muitas vezes você coloca muito dinheiro ou muita energia numa determinada direção, e que, enfim, para quem entende disso, você percebe que o Flávio Augusto gosta muito de falar das macrotendências, né? Então, macrotendência, eu entendi a macrotendência da necessidade do inglês para escola e tal, entendi a macrotendência.

Muito bem, para quem viveu tanto tempo na vida pública, você percebe as macrotendências. Né, com muita clareza. Eu me lembro que em 2011 eu fui fazer uma palestra em Columbia, lá em Nova York, e aí foi o Luiz Felipe Dávila, que depois disputou eleição presidencial, na penúltima eleição, na última, pelo Partido Novo. Foi na última. E estávamos eu, ele, e tinha um brasilianista que era um professor que morou um tempo aqui em São Paulo, inclusive, e ele via o Brasil completamente diferente do que eu tava vendo.

Quer dizer, aquele Brasil quer ter Copa do Mundo, aquele Brasil quer ter Olimpíada, era um Brasil na cabeça dele. E eu disse assim, olha, o Brasil ele tá passando por um problema muito sério, que aliás a gente tá passando de novo agora, exatamente o mesmo momento. Endividamento lá em cima, endividamento lá em cima. Olha, 83% da sociedade brasileira com dívida, 49% inadimplente, que não consegue pagar dívida. Então, momento gravíssimo.

E aí eu dizia o seguinte, ó: ou esse governo que acabou de ser eleito— era Dilma, a gente perdeu eleição para Dilma em 2010— ele vai fazer um ajuste fiscal, ele vai apertar a torneira, ele vai parar de investir, ele vai fazer um redesenho da política pública dele, ou se continuar com esse modelo keynesiano que vai investindo, investindo para gerar emprego e tal, Mas sem fazer conta ele vai ter um problema. E aí ele disse, pô, como assim?

E tal. E me deu. Isso foi em 2000 e... Na verdade, eu vou lembrar se foi em 2000 ou foi em 2010. Nada. Isso foi em 2014. 2014, depois da reeleição da Dilma. Ou antes. Enfim. O fato é que no final ele disse assim, Se você tiver certo, eu vou te convidar para você vir dar aula aqui. Aí eu, muito obrigado, deixei o cartão lá com ele. Passou um ano e meio, ele me ligou. Ô, índio! Aí eu não entendi quem era, imagina, um ano e meio depois.

Aí ele falou assim, você, você, como é que é isso? Agora eu quero, eu quero que você venha para cá. Eu falei, fazer o quê aí? Vou dar aula. Eu falei, mas agora eu voltei a ser deputado, que eu tava sem mandato. Aí voltei. Aí ele disse assim, não posso para ir. Aí disse assim, mas como que você identificou? Não tem milagre, não tem milagre. Você consegue identificar, você entende o que que tá acontecendo. Os números são poucos, estão aí.

Isso é uma questão, né? Eu não sou economista, embora tenha formação em finanças, mas é uma, não é exatamente a mesma coisa. O fato é que quando você conversa com economista e ele consegue ver o que você não tá vendo, como eu fiquei muito tempo do lado, né, do setor público, eu consigo entender essas macro tendências de regulação, para onde que vai e vai por quê. Porque o governo eleito, ele pensa de uma determinada forma. O fato é que hoje em dia ninguém apresenta mais plano de governo, né?

Virou uma discussão meio etérea, né? Eu sou mais bonito que você, eu não gosto da sua mãe e tal. Um vai xingando o outro e ninguém discute o Brasil. Mas a verdade é que quando tá eleito e senta na cadeira Se você entende quem tá ali, isso vai para cá, isso vai para lá. E aí as oportunidades estão nessas macro tendências, mas os riscos também.

?Voz A

Eu vi que você falou muito de risco assim, você bateu muito assim, risco, risco, risco, enorme.

ÍDÍndio da Costa

Então aí é tão grande quanto oportunidade, tá?

?Voz A

Mas a minha pergunta, porque assim, na minha cabeça existe dois tipos de risco que são corridos: aqueles que você sabe o jogo que você tá jogando, que você não sabe.

ÍDÍndio da Costa

Esse que é o problema.

?Voz A

A minha pergunta é: de cada 10 pessoas você conversa, quantas sabem o risco que tá, que assumiu?

ÍDÍndio da Costa

A cada 10?

?Voz A

Cada 10.

ÍDÍndio da Costa

Uma, talvez duas.

?Voz A

Que às vezes é dentro do modelo de negócio que o cara escolheu, a estrutura tributária dele, ou a formação. Em alguma, algum canto dessa arquitetura, ele vai assim: cara, você percebeu que você não construiu uma coluna aqui nesse andar? De cada 10, então, um fala assim: não percebi.

ÍDÍndio da Costa

E eu acredito que nesse caminho aqui, no mercado regulado, a dimensão total do risco muito pouca gente tem, mas muito pouca gente tem. E tem uma outra coisa, né? Como quem tá nesse setor regulado, ele muitas vezes ele consegue replicar o negócio dele e ele cresce muito, Aí começou a faturar bilhão, 2 bilhões, 3 bilhões, 10 bilhões. Pô, invencível, né? Uma atividade bilionária e tal. Quanto maior, mais risco. Eu não preciso citar as empresas nos últimos 10 anos que tiveram problema no Brasil, e tiveram problemas por razões diferentes, né?

Então umas fizeram coisas erradas, outras não, mas pagaram o pato também. Então assim, eu diria que poucos entendem a dimensão do risco, mas ao mesmo tempo poucos também entendem as oportunidades que tem e que são imensas, são imensas. Esse país é incrível, é incrível. Eu me lembro de um setor não regulado, mas que foi bem interessante essa conversa. Um sujeito que fatura 2 bilhões por ano, ele tem uma rede de supermercado lá no norte do país.

E aí ele conversando e tal com advogado, que é meu amigo, e disse assim: pois é, a gente cresceu assim, a gente fez isso, a gente fez isso, fez isso, fez isso, fez isso. Aí o advogado olhou para aquilo tudo e falou: meu Deus do céu, como é que organiza isso aqui agora? Porque tem outra coisa, né, Caio? Você faz tudo isso, você quer deixar o quê? Você quer deixar um legado para sua família? Você quer deixar algo para os seus filhos?

Você quer deixar um exemplo para a sociedade? Você quer, enfim, aqueles que conseguem entender o jogo por trás do jogo querem também doar, querem ajudar as pessoas que precisam. Então é esse, esse desenho no final, você assim, bom, mas no final eu tenho que deixar isso preparado para alguém ou vender, porque meus filhos não tem nada a ver com isso. Isso, a gente cresceu muito. E aí o advogado virou para ele e falou assim, mas deixa eu lhe fazer uma pergunta.

Como que você construiu esse negócio desse tamanho todo e você tem um negócio tão— assim, por outro lado, tem um modelo do negócio, a tua estruturação, a tua área jurídica, o teu societário é caótico? Aí ele falou assim: doutor, eu tinha duas possibilidades: eu crescia e chegava desse tamanho, ou ficava preocupado de organizar o negócio. Não é interessante? Agora, isso é mercado privado. Mercado aberto, supermercado. Agora você imagina isso na área pública, onde o risco ele é muito maior.

Então o empreendedor, que é aquele cara que chuta a bola e vai atrás, ele chuta a bola e vai atrás, mas ele tem que pensar de uma forma estratégica o tempo todo. Risco, oportunidade, escala. Risco, oportunidade, escala. Risco, oportunidade, escala. Que que traz tudo isso? A mentalidade. Por isso que às vezes tem que estar no CPF. Entender o que que é aquilo para ele, porque no final todo CNPJ é reflexo do CPF. É verdade. E isso as pessoas às vezes têm dificuldade de entender.

Eu não sou psicólogo, minha mulher é psicóloga, mas enfim, eu sou analisado em casa, né, cara? A coisa.

?Voz A

Então acho que toda esposa é psicóloga, né?

ÍDÍndio da Costa

É de casamentos longos, certamente. Minha esposa é psicóloga, mas a minha tecnicamente, tecnicamente, o negócio é Mas enfim, então eu não sou psicólogo, mas eu consigo ajudar a que ele entenda as dificuldades que ele próprio tá gerando para o negócio dele. E aquilo, quando destrava, é sensacional. E com esse mapinha de risco, oportunidade e escala.

?Voz A

Livro do Índio, Índio da Costa, você publicou faz— eu lembro quando foi, faz uns 6 meses, não menos.

ÍDÍndio da Costa

Eu, esse livro tá pronto há uns 4 meses, tá? Eu já comecei a rodar o Brasil para divulgar ele, para lançar ele.

?Voz A

Suza, a verdade que ninguém conta: como garantir na justiça o que o sistema se recusa a pagar? Ou seja, aquele desafio que todo mundo tem. Qual foi o desafio de escrever esse livro?

ÍDÍndio da Costa

Esse é o 4º livro do mesmo livro. Primeiro eu escrevi um livro chato, ninguém ia ler. Aí eu falei, bom, vou guardar isso aqui, um juridiquês que só advogado vai ler, e mesmo assim não sei se vai chegar no final. Aí eu escrevi um segundo livro que contava as razões pelas quais eu tava escrevendo o livro, porque eu sou especialista em saúde, porque fui paciente. Eu conheço as UTIs todas, UTI 1, UTI 2, UTI 3. Uma pneumonia aos 14, 15 anos de idade que tinha risco de não sair vivo dali.

Depois uma operação longa de aneurisma que pegava duas artérias do meu cérebro. Paulinho Miyamaia, que é um craque, um gênio, foi quem operou minha cabeça, ele tem que fazer uma videoconferência na época, tô falando de 2003, com médicos nos Estados Unidos. Eu com a cabeça aberta para saber como que ele fazia, porque era um aneurisma que pegava duas artérias. Então como é que clipava aquilo sem explodir? Ele chegou a virar para o Sérgio Novis, que infelizmente faleceu, que era um neurologista que foi quem descobriu o meu aneurisma, e disse assim: você vai ter que fechar.

Esse mais 20 quebrou o guardanapo. Opere. Imagina, eu vou abrir minha cabeça, fechar e não operar? Eu falei, opere. Se eu ficar paraplégico, tetraplégico, eu assumo a responsabilidade, tem problema. Mas pô, vai abrir a cabeça, depois, Charles, o índio pode explodir, eu não consegui operar, não dá, né? Não ia viver mais. Aí eu falei, não, opera. Aí ele operou, no final fez a videoconferência, clipou. E essa foi a segunda. Teve uma terceira, cara, que foi o COVID.

Eu tive um COVID pesadíssimo. O Harold de Oliveira, que na época era senador, até muito meu amigo, sonho dele era ser senador, um ano e meio do Senado, morreu de COVID. Tava no quarto do lado do meu. Então assim, eu me lembro que na época ele dizia, deixou uma mensagem para mim. Eu não sabia que ele tava no quarto do lado meu, ele não sabia que eu tava ali também, ninguém sabia de nada, de ninguém. Mas quando eu saio, entrei no táxi e o rádio disse assim: não, porque o senador Harold de Oliveira O que aconteceu?

Dei a volta no quarteirão, tentei entrar no hospital, sala COVID, não entra. Eu falei, eu tô vindo de lá. Mas já saiu, não volta. Eu não consegui visitá-lo. Ele foi entubado dia seguinte, nunca mais voltou. E me mandou um recado. E ele disse assim, é, para um médico, você procure o índio. Eu já tinha saído da vida pública. E diga a ele para ele voltar, que ele, ele tem muita coisa a fazer. E aí falou de um Paulinho, que era uma pessoa que é uma pessoa querida, que foi chefe de gabinete dele.

Eles dispunham de cuidar do Paulinho, pega Paulinho para cuidar do índio e tal, dispunham de voltar. E aí eu conversei longamente com Paulinho, falei: Paulinho, o Haroldo não tá mais aqui, mas deixa eu te dizer uma coisa, eu tô dando uma contribuição para o Brasil muito maior do que se eu fosse deputado. E esse livro aqui, ele é consequência disso. A gente tem muitas ações em andamento aonde eu tenho diretamente participação são quase 800.

São bilhões de reais que os hospitais têm a receber e já estão recebendo. O processo é lento, ele é demorado, que vira precatório. Mas aí tá o quê por trás disso tudo? Tá uma reconstrução. Eu falei do segundo livro, ele era um livro que falava das razões, que essas que eu contei aqui. Eu escrevi um terceiro, é o terceiro livro. Resolvi escrever, era esse livro aí Só que ele tinha mais de 200 páginas. Eu peguei aquele meu ladinho de formação, né, da política pública, e resolvi escrever uma solução para o SUS.

Que que eu achava que podia ser uma solução para gerar discussão no mercado? Eu falei, putz, agora vão achar, publicar esse livro, vão achar que eu quero voltar para vida pública, e eu não quero. Então não dá publicar esse livro. Aí eu tirei e ficou. Esse é um livro simples de ler, Qualquer um entende, é um livro que mostra a maluquice do governo, que eu vou tentar em um minuto explicar algo que eu levei anos para entender. O governo gera prejuízo para quem trabalha no setor privado oferecendo serviço público.

Isto é, o SUS, ele é formado de hospitais públicos e hospitais privados. Os públicos recebem valores próprios. E tem outra estrutura do estado, do município, do governo federal. Os privados têm uma tabela, uma tabela chamada SIGTAP, apelidado de tabela SUS, que define os valores. Como eu falei aqui, né, R$2,20 para uma anamnese, R$10 para um atendimento, um parto R$400 e poucos reais. Quer dizer, são valores muito— não é que é um parto R$400, o parto tá incluído, 2 médicos, enfermeira, enfim, assim vai, né.

Mais o quarto, mais o leito, mais isso, aquilo, enfim. Obviamente que esse valor não paga o custo. Eu digo assim, bom, como que, como que esse, esse, a gente transforma esse setor, né? Como é que é o caminho? Infelizmente não dá para apenas na mentoria. Eu posso aliviar a dor, mas para resolver o problema tem que ser por via judicial. É basicamente assim, o tal do minuto vai começar agora.

?Voz C

Cronômetro aí, né?

?Voz A

Liga o cronômetro só agora, né?

ÍDÍndio da Costa

Vamos lá, agora liga o cronômetro. Olha, o governo ele define a tabela, os municípios ou estados que fazem o convênio com os hospitais que são conveniados ao SUS Esses hospitais, eles prestam serviço privado e serviço em nome do SUS para quem não tem dinheiro para ser atendido pelo plano de saúde. Só que como o subfinanciamento, no mínimo 60% por ele ser filantrópico, como o subfinanciamento é muito alto, a diferença de valor é muito grande, esses hospitais, para resolver isso aqui, eles pegam o dinheiro do privado que recebe pelo plano de saúde para compensar um prejuízo que o Estado gera Pelo subfinanciamento.

Endividado, ele perde a CND. CND, sem CND não pode ter SEBAS. SEBAS é o que define que ele na verdade é filantrópico. Daí ele tem uma série de vantagens tributárias, mas qualquer vantagem tributária ela não é maior do que o subfinanciamento. Ainda assim, o hospital continua sendo endividado. E aí, como ele não tem a CND mais, ele vai perder SEBAS. Então, se ele deixar de ser filantrópico, aí que ele quebra de vez. Muito bem. Aí a Caixa Econômica Federal, o governo inventou um consignado do SUS.

Então o hospital vai e pega dinheiro no banco. Quando ele pega dinheiro do banco, ele pega com juros de mercado.

?Voz A

Nossa.

ÍDÍndio da Costa

Então, se por 10 ele já não presta o serviço direito, ele agora tem 7, porque 30% ele tá pagando de volta para o banco, que é o tamanho do possível endividamento, 30%. Da Receita. A Receita é retirada lá em cima, no Fundo Nacional de Saúde, antes de chegar no estado, no município, muito menos no hospital. Então assim, eu não prestava já um serviço adequado, ou tinha que tirar dinheiro do além. Por isso que a maioria é santa casa, né?

Tem que ser santo mesmo para isso. Você pega esse dinheiro, então compensa. Agora eu tenho que pagar o empréstimo, tô pagando empréstimo, e você segue com dificuldade. Aí de repente Vem o parlamentar daquela região e diz assim: vou te ajudar, vou botar uma emenda. Aí coloca uma emenda parlamentar e ele ajuda, ele dá um pouco de gás para aquele hospital. Só que o hospital tá todo endividado e o ciclo, ele é nefasto. Aí de repente, sabe quem aparece?

O Ministério Público, como aconteceu agora em Londrina. Ministério Público lá interviu na Santa Casa de Londrina. Interviu porque subfinanciamento, na verdade, gerou uma dívida tão grande que o Ministério Público entendeu que tinha que ter uma intervenção. Mas veja só, a intervenção tinha que ser no hospital ou no estado? Quem gerou o prejuízo? Quem causou o problema? Eu vou te falar, tem 2.700 unidades filantrópicas hospitais conveniados ao SUS.

Então vai ter que intervir em todos. Agora, este governo, independente de quem, mas esta visão de governo é uma visão estatizante. Então você vai no setor público, o que eles pagam R$600, que é uma diária de UTI, paga R$7.500 no público, mas é o mesmo serviço. Então como é que pode ter essa diferença de valor?

?Voz A

É sistêmico o problema, né?

ÍDÍndio da Costa

É sistêmico. Então assim, no final, quem gera o prejuízo Depois ainda intervém, gera também dependência política. Aí vão criticar as emendas parlamentares. A emenda parlamentar não é política pública de saúde. Emenda parlamentar é: eu tenho um recurso aqui que eu vou fazer política para minha reeleição. A decisão é estritamente política. Então tá bom, você quer botar uma emenda no hospital, acho maravilhoso, tem nenhum problema.

Mas só que não pode significar a emenda Ela não pode ter o objetivo de fazer o hospital funcionar, porque no ano seguinte não tem emenda naquele hospital, vai para outro, só adia o problema do outro lado. Quem tá? E aí é que é o seguinte: isso aqui é uma causa. Eu, eu, você tava brincando no começo que a nossa essência de vendedor, ela é irmã gêmea. Eu adoro vender, mas eu adoro vender aquilo que eu acredito. Se eu não acreditar, cara, eu não tenho chance de conseguir vender.

E eu levei anos com a história da mentoria. Você, o Flávio, Joel, porra, você devia fazer, fazer. Eu digo, mas o que que eu vou ajudar? Até que eu entendi que o que eu já fazia já era uma mentoria. Eu falei, pera aí, eu já entrego isso aqui, só cobro, só estruturou. Aí estruturei.

?Voz A

Gente, palmas para o Índio, senhoras e senhores! Palmas para o Índio! Para me ajudar no nosso último bloco aqui, a produção separou algumas perguntas para você, Índio. Muito bem, produção, quem que vai fazer a primeira pergunta? Mancusi, você, que legal! Microfone para ele ali, ó. Vem aqui no nosso microfone que a câmera já está ali. Pergunta para Índio. Índio, eu acabei de descobrir que eu faço parte do mercado regulado, eu tenho uma empresa de home care, e como que eu faço para diminuir o risco do meu setor?

ÍDÍndio da Costa

Descobriu agora. É comum, cara.

?Voz A

É raro, mas acontece muito.

ÍDÍndio da Costa

Por incrível que pareça, é raro, mas acontece todo dia. Olha, eu diria que a primeira coisa é você montar uma matriz de risco. Home care certamente é definido, né, é pré-definido o que que você tem que fazer, o que que você não, o que que você pode fazer. E o que que você tem que fazer, né? Então primeiro eu mostraria uma matriz de risco do teu negócio. Aí você vai dizer, mas qual é a minha matriz de risco? O que pode acontecer no home care, né?

Você tá cuidando uma pessoa, não aguenta, falece, ela tem um problema no órgão qualquer, é algum equipamento seu tava com dificuldade, aquilo gerou algo na saúde daquela pessoa. De um lado isso, do outro lado a questão regulatória. Qual é a regra hoje e o que que existe nos órgãos reguladores que podem mudar essa regra? Eu vou logo falar, na área da saúde, não necessariamente do home care, mas no SUS tem 2.700 normas que são projetos de lei tramitando no Congresso Nacional, entre Senado e Câmara dos Deputados.

Incrivelmente, nenhum deles coloca recurso no sistema. Todos eles tiram recurso do sistema. Então assim, se você não monitorar isso e não acompanhar, você tem um risco muito grande de que alguém no ar-condicionado em Brasília mudar a regra e fechar o teu negócio.

?Voz A

Dá para o empreendedor acompanhar quais regras estão sendo discutidas que podem impactar ele negativamente?

ÍDÍndio da Costa

Isso é que é lindo.

?Voz A

E aí eu sei, um lugar para assim, ó, regras que podem te ferrar, ou não, ele só fica sabendo quando foi.

ÍDÍndio da Costa

É aí é que tá, né? Você imagina o seguinte, tudo na vida é um processo. As pessoas acabam só vendo o resultado final. Mas por que que a empresa A hoje tá aqui? Por que que a empresa B tá ali embaixo? O que que aconteceu? Mesmo tipo de empresa, mesmo mercado, mesma vontade de estar certo. Um explodiu e o outro definiu, ficou patinando. Informação. Eu tava num debate um dia desses, alguém olhou e falou assim: ô índio, isso aí não é lobby?

Eu falei: não, até porque no Brasil lobby é proibido. Então pera lá, qual o milagre? Eu falo, não tem nenhum milagre. As informações, isso é lindo, Caio, elas são todas públicas. Só que se você não sabe onde busca informação, você fica vulnerável.

?Voz A

Boa pergunta, mais perguntas, viu? Rafiki, pergunta número 2, meu amigo. Microfone é teu.

?Voz C

Você falou sobre mercado regulatório, né? É o mercado que cria o mesmo que destrói, né? Mais ou menos isso, né? Lá em Brasília eu criei algumas empresas da área da saúde, uma especial de medicina integrativa, longevidade, que impactou mais de 50 mil pessoas. Igual eu te falei lá fora, a empresa que salvou casamento, depressão, um monte de coisa. Vamos para a pergunta: tá sofrendo perseguição de alguns órgãos públicos por conta de sistema que tá tratando a tisepatida hoje?

Pode ajudar muita gente essa pergunta. É de laboratório regulado como uma droga proibida hoje. Meio que clandestina de ser batida. Como a gente pode ajudar clínicas como a minha a trabalharem com tranquilidade, sem entrar nessa briga, nesse mar sangrento, nesse monopólio que esbarra muitas vezes interesses que não são do grande público, da grande massa que precisa de cuidado e precisa de ajuda?

ÍDÍndio da Costa

Olha, primeiro, entendendo a regulação. E sabendo se a fiscalização ela está de acordo com a regra, porque às vezes você é fiscalizado, quem tá fiscalizando não necessariamente tá cumprindo o que é a norma hoje. Então, primeira coisa, entender qual é a norma e se a fiscalização tá do lado da norma. Segundo, se tiver do lado da norma, entender no mundo aonde a norma é diferente e por que que a norma é diferente, e aí trabalhar para normatizar.

Então as pessoas acham que é muito distante da realidade você mudar uma norma no Brasil, mas não é, desde que você tenha bons argumentos. Eu nunca vi um projeto extraordinário deixar de ser aprovado no Congresso Nacional. Eu nunca vi uma proposta extraordinária ela não ser aprovada por uma agência reguladora. Ah, tem pressões, tem lobby, tem cartel, tem tudo. Como tem em qualquer lugar. Mas se você tem uns bons argumentos e se você faz o movimento correto, você consegue mudar esse jogo.

?Voz C

Eu acho que existe uma oportunidade aí, né? Só que eu não tô conseguindo enxergar ainda. Quando você tem essa briga muito grande, tem uma oportunidade muito grande também.

ÍDÍndio da Costa

Olha, você, você é muito bem-vindo na mentoria. Eu vou, eu tô falando sério, porque o que que eu vou fazer? A gente vai começar com uma matriz de risco. Ao mesmo tempo de oportunidade e de escala, porque o teu negócio é altamente escalável, a oportunidade é imensa. Só que tem que entender, na hora que a gente fala de risco, que que eu tô falando de risco aqui? É entender o todo, que é o mercado concorrente, porque que tá tendo esse tipo de fiscalização, qual é a regra que tá estabelecida.

Ah não, essa regra, e eu não sou técnico da área, Não sou médico. Então essa regra aqui, ela é importante para proteger das pessoas estarem se automedicando ou tomando mais essas vacinas que emagrecem do que o que deveria, tá bom? Como é que regra isso? Qual é a regra hoje? E você redefine esse jogo, tá certo? Anvisa, né? Quais são as agências? Você tem Anvisa, que é tua área. Anvisa. Você tem a ANS, de certa maneira é tua área também.

E assim vai indo. Então montar esse mapa, ele é fundamental, porque dali você começa a entender da onde vem, por que que vem, para onde pode ir e o que que você pode fazer com isso. Aí você vai, bom, o índio, e aí isso é muito legal, e é isso que eu falo do de fora para dentro. Se tem empresas como você, como a sua, espalhadas pelo Brasil e que tem o mesmo interesse, essas empresas elas podem se mobilizar e ter um caminho institucional correto, transparente, à luz do dia, para se mobilizar.

E aí, meio à luz da ficha limpa, pode ter certeza que tem milhões de brasileiros querendo se tratar a um custo viável, porque também quando você começa a ter um mercado que ele é cartelizado, esse custo sobe. Então você não tá sozinho. Aí você tem que começar a entender assim: eu não tô sozinho. Você acha que a ficha limpa vai ser aprovada porque pelos meus lindos belos olhos? Ou a gente criou um movimento nacional, 1 milhão e meio de assinaturas de 1992 até 1 milhão e 200 mil assinaturas entre 1992 até 2009, setembro de 2009, dão entrada no projeto de lei na Câmara dos Deputados.

Era um projeto de interesse popular. Quando chegou aquilo, foi pensado um projeto meu, que era de 2, 3 anos antes, que era fazer mais duro. Meu da ficha limpa era assim: tá condenado em primeira instância qualquer coisa, tá fora do jogo. Aí, isso é um absurdo, porque vai ter muita pressão, o juiz vai tirar o outro do jogo e tal. Falei: tá bom. Aí ficou segundo grau. Decisão coletiva. Enfim, acho até que no final aprimorou a lei.

De qualquer maneira, é entre o dia que eu assumi a relatoria, que foi na primeira semana de março, o Michel Temer era o presidente da Câmara, foi ele quem me deu a relatoria a pedido do Paulo Bornhausen, que era o líder do partido na época. E quando eu assumo aquilo ali, eu começo a trabalhar, sabe o que que eu entendi? Eu falei, gente, aqui dentro essa lei não vai ser aprovada em nenhuma hipótese se a gente não reaquecer e remobilizar esse 1 milhão e meio de pessoas que assinaram esse negócio para essa lei ser aprovada.

E entre março e aí, se não me engano, foi junho daquele mesmo ano, a gente aumentou de 1 milhão e 200 para 4 milhões de assinaturas, parte em papel e parte digital, que já tinha digital naquela época. E a pressão de fora para dentro foi tão grande que até deputado que era contrário à lei votou favorável, porque ele entendeu, pô, sociedade inteira tá se mobilizando isso aqui. Então você tem caminhos, e que são caminhos bons, sérios.

Quem é o relator? Quem não é o relator? Qual é o órgão que cuida disso? Qual é a agência? Quem é que hoje tá responsável? Como pensa essa pessoa? Você tem que entender, montar essa matriz, e aí depois se movimentar. Qual é o teu risco? Se você fizer algo nessa área que não esteja de acordo com a regra, você pode acabar preso. Mas, pô, pera lá, eu já faço, tá? Prende, depois pergunta por quê. Então, vale a pena o risco? Certamente não.

Então monta a matriz de risco. A de oportunidade e a de escala é fácil, né? Porque a quantidade de gente que gostaria de emagrecer no Brasil é enorme. Mas aí a pergunta é como. É aqui o podcast do Caio, é como. E é no como que mora o segredo. E eu te digo, não é que seja fácil, mas é possível, é viável, e depende muito também da sua vontade, do setor de querer se mobilizar. Já mora em Brasília, tem a vantagem, né, tá perto de quem decide.

?Voz A

Temos a pergunta final, né? De quem, produção?

?Voz C

Cadê o Bernardo?

?Voz A

É Gustavo? Gustavão? Então, pausa para o Gustavo. Pausa para o Gustavo, senhoras e senhores. Pergunta final. E depois da pergunta final, eu vou querer que que você deixe o seu pensamento final aqui nesse podcast, tá bom?

?Voz D

Vamos lá. Eu tenho uma consultoria e assessoria de marketing, mas a pergunta veio de um amigo meu que ele tem, ele faz importação de parafuso para coluna e buco maxilar, e ele teve um problema exatamente que mudou. Não lembro agora se foi uma lei na Anvisa, algo do tipo, e ele tinha importado uma quantidade muito grande E foram milhões aí que ele ficou sem poder utilizar esses equipamentos, que era o core business dele, né? Então ele acaba prestando, acho que, um serviço por um órgão regulamentado.

Então é algo que, como você falou, né, 1 em cada 10 tem, não tem o desconhecimento. E como que ele poderia fazer essa, pega o dinheiro dele de volta, ou ele começar a mitigar esse tipo de risco?

ÍDÍndio da Costa

Eventualmente vai ter que vender para outro país, né? Tem que entender qual é a regra e tem que aprofundar. De qualquer maneira, eu cito muito um caso aqui interessante. Você imagina que Agência Nacional de Energia Elétrica é quem regra inclusive a bitola do cabo que vai levar. Você tem na energia, você tem a geração de energia, que pode ser eólica, pode ser solar, pode ser hidráulica, né, as hidrelétricas. Você tem a transmissão de energia.

Então você gerou energia aqui, você vai transmitir para um outro estado, para outra cidade. Chega lá, você tem a distribuição de energia. Então você tá falando de 3 verticais que são subdivididas entre elas, né, como no caso da geração. Mas ao você fazer tudo isso, você tem regulação por cada detalhe desse processo inteiro. Você imagina um navio vindo da China com 30 toneladas de cabo na bitola de hoje e muda a regra agora da bitola.

Não é mais agora, o cabo não é esse não, agora o cabo é aquele. O navio tá no meio do mar, você faz o quê? Você devolve o navio para China? Você traz para o Brasil já chegando aqui no porto e chora? Você vende para ferro velho? O que que você faz com isso? Então é, você muitas vezes não é regulado, mas você trabalha para quem é regulado. Então, quando você trabalha para quem é regulado, dependendo de qual é a sua prestação de serviço, é como se você fosse, é como se você fosse regulado.

O mercado regulado direto no Brasil, se for incluir seguros e bancos financeiros e tal, 62% do PIB. E se você for botar quem trabalha para esse pessoal, vai para quanto? Tem muita coisa no Brasil. Tem que estudar o caso dele com calma, entender a realidade dele. E uma coisa que eu tava falando aqui, brincando, que eu não sou mãe de nada, é porque tem coisas que também são imutáveis. Isso aqui não vai conseguir. E se não vai conseguir também, o que que é a mentoria, né?

É um advisory, um conselheiro, é te ajudar a entender e ver de um ângulo diferente aquilo que você não tá vendo. Às vezes você não tá vendo, às vezes você tá vendo de um outro ângulo, você ajusta o ângulo para enxergar de uma forma diferente. E as suas decisões, elas passam a ter um outro embasamento, né, ter mais segurança. E às vezes é mais barato você desistir assim: gente, isto aqui eu vou desistir. Você sabe que tem gente lá no judiciário que eles assim: o SUS recebe R$168 bilhões por ano, como é que estão reclamando da falta de dinheiro?

Eu digo, isso aqui você tem que entender que são 200 e tantos milhões de pessoas no Brasil, 11 mil unidades, 2.700 hospitais, mas tem as clínicas e laboratórios que são conveniados ao SUS e que prestam serviço. Na hora que você pega individualmente o valor, aí você vai ver que os valores são muito aquém. Então assim, pode melhorar o sistema? Pode. Pode tornar mais eficiente? Pode. É possível? Eu escrevi 200 páginas. Tem solução para o SUS?

Só que a solução passa por uma verdade que ninguém conta. O SUS, ele é um— a regra do Brasil, saúde pública, ela é integral, portanto tratamento completo, ela é universal, ela é para todo mundo e é gratuito. Escreveram uma mentira na lei e essa mentira tá aí. Ele não é gratuito porque todos pagamos por aquele serviço. Ah, mas a pessoa que tá atendendo, ela não tá pagando para ser atendida. Ela não tá pagando, mais ou menos, que ela paga imposto, que no final parte do imposto que ela pagou tá ali.

Só que falta também consciência. Então você tem um lado que sim, tem que mexer nos valores, que os valores são inacreditavelmente menores os que são repassados. Mas também tem outro lado, não é só você aumentar o valor, você tem que redesenhar o sistema. E eu sou completamente apaixonado pelo SUS, mas eu acho incrível. Só que eu não quero ver ele acabar. E para não ver ele acabar, ou a gente vai interromper e vai redesenhar isso aí, e é um levante da sociedade mesmo, ou então ele vai acabar, porque daqui a pouco os hospitais todos vão quebrar, porque o endividamento que eles têm já é muito alto.

Então vou te falar, às vezes Caminho judicial, não consegue mexer mais. E tem outras é que é melhor você mudar de mercado. E aí às vezes cai o pessoal falando assim, mas o índio, então quem tem um raciocínio lógico, financeiro, matemático, empresarial, mas gente, então por que que esses hospitais ainda atendem pelo SUS? Por que que não para de atender? Você sabe qual é a razão? É por amor, é paixão. Na formação do médico, ele é obrigado a atender e ele já faz o juramento dele ali, e ele não quer desistir.

Por outro lado, se o sistema gera para ele um prejuízo enorme, agora você vai dizer, mas quem é que esse subfinanciamento impacta? Tá impactando o gestor do hospital também, mas ele tá só no meio do caminho. Tá impactando milhões de brasileiros que não têm acesso a uma saúde digna, que deveria ter, porque o desenho, a gestão, o modelo, no final do dia a regra, ela precisa ser aprimorada para continuar funcionando. Então às vezes é isso, infelizmente tem que analisar o caso dele.

Mas é, dependendo, desiste, vira a página, assume prejuízo e vai para a próxima. Tem que analisar com calma, meu amigo.

?Voz A

Câmera 4 tá aqui na tua frente. Queria que você deixasse um recado final para o empreendedor, empresário do mercado regulado. Você conhece a realidade desse cara mais do que ninguém, um cara que contribui, que mentora, aconselha, tá lá ajudando esse cara no tripé risco-oportunidade, escala. Qual é o recado que você tem que dar para essa turma?

ÍDÍndio da Costa

Primeiro, não desista, porque às vezes você olha para aquilo e diz assim: bom, as dificuldades são imensas, mas no setor regulado também as oportunidades elas são maiores do que as dificuldades. Você só tem que saber identificar aonde tá a dificuldade, aonde tá oportunidade. E num país continental como Brasil, a escala ela é inerente. Então se você faz bem algo aqui numa cidade, cidade de São Paulo, bom, só em São Paulo aqui, se você for rodar o estado de São Paulo, quantidade de oportunidade que tem para replicar é imensa.

Só que sai de São Paulo, eu muitas vezes eu brinco, né, meu escritório, como já falei, na Faria Lima. Estou de advocacia, eu faço também a intermediação para empresas que, para quem tem precatório federal, eu ajudo a vender isso no mercado financeiro. Só que eu fico assim olhando, né, o mercado financeiro tem uma lógica, o sujeito tá vendendo tem uma outra lógica. Como é que você traduz um para o outro? Assim, muitas vezes quando você acha que não tem mais solução, ela tem.

Mas você tem que identificar aonde tá o risco, aonde tá a oportunidade, saber calibrar isso. E isso muito bem feito te leva a um patamar que você não imagina. E eu sou prova disso, porque quando eu saí do setor público, eu vim para vida privada e eu comecei com o Hospital Mário Kruif lá do Rio de Janeiro, hospital de câncer. E aí comecei com aquela primeira ação, a gente já ganhou aquela ação, transitou em julgado, e centenas de outras a gente já ganhou assim também.

O fato é que no primeiro momento, gente, eu não conhecia nenhum hospital filantrópico no Brasil, tinha relação com nenhum deles, mas era uma causa tão boa, era tão gostoso fazer isso. Leva muitos anos até ganhar, até receber, mas olha a transformação, tem preço. Então assim, ganhar essas ações, redesenhar esse mercado estando no setor privado, eu diria que honestamente é uma oportunidade divina. E você, no seu mercado, por que que não faz igual?

Você trabalha com o quê? Tem sempre uma causa por trás daquilo que você faz. Se você tá no setor regulado, você em geral atende muitas pessoas, poderia atender mais ainda. Aí depende mais de você.

?Voz A

Senhoras e senhores, palmas para o Índio da Costa, amigo! Primeiro, prazer enorme poder bater papo com você. Vou colocar aqui na descrição do vídeo os contatos do Índio. Posso falar, se alguém tiver alguma dúvida, mandar mensagem para você, para tua turma, para tua equipe?

ÍDÍndio da Costa

Eu vou deixar meu celular. Eu adoro receber mensagem. Olha, eu respondo pessoalmente. Olha, eu respondo. Pode botar assim, ó, para ver a ficha limpa, tá? É verdade.

?Voz A

Ó, então tá o contato do Índio da Costa aqui na descrição desse vídeo. Qualquer dúvida, manda mensagem. Dele, eu tenho certeza que todo time dele vão estar disponível e pronto para contribuir contigo. No mais, obviamente, queria palmas para essa plateia maravilhosa que acompanhou esse papo super gostoso com a gente. Obrigado pela sua companhia, pela sua confiança, e agradecendo a você que tá em casa sempre presente aqui. A gente fica muito feliz com a forte audiência do Como Você Fez Isso.

E obviamente o nosso destaque em todas as plataformas é graças à sua presença, graças à participação de vocês aqui todas as semanas. E o nosso objetivo aqui é contribuir com os seus objetivos, trazendo papos legais, pessoas bacanas e provocações produtivas para que você busque os seus objetivos. Então vejo todos na próxima semana em mais um episódio. Fica com Deus e até a próxima. Tchau!