Episódios de Como Você Fez Isso?

COMO É A CABEÇA DE UM CAMPEÃO? - com Fabio Gurgel | Como Você Fez Isso? #126

04 de março de 20261h5min
0:00 / 1:05:46

O que realmente define a mentalidade de campeão? Neste episódio, você vai entender como funciona a cabeça de um campeão, como desenvolver disciplina, resiliência e consistência, e como aplicar os princípios do Jiu Jitsu, da filosofia e da alta performance na sua vida e nos seus negócios.☕ *Caffeine Army e Como Você Fez Isso?*- Cupom de desconto: COMOVOCEFEZISSO🟪 Quer participar da plateia? Preencha esse formulário e boa sorte!

Assuntos15
  • Jiu-JitsuTransformação de pessoas · Desenvolvimento de virtudes · Coragem no tatami · Confiança e segurança · Filosofia prática do jiu jitsu
  • Mentalidade de CampeãoCaracterísticas do campeão · Responsabilidade e comprometimento · Distinção entre ganhar e ser campeão · Legado vs vitória imediata · Ego controlado
  • Resiliência pessoal e institucionalAprendizado com a derrota · Continuidade após fracasso · Transformação de perdas em ferramenta · Não desistência · Derrota como parte do processo
  • Autossabotagem e disciplinaImportância da consistência · Padrão excelente diário · Execução do essencial · Disciplina na prática · Rotina como ferramenta
  • Gestão do EgoEgo inflado vs controlado · Egoísmo virtuoso · Humildade na vitória · Recuperação após derrota · Equilíbrio entre confiança e arrogância
  • Transição de atleta para professorMudança de mindset · Desenvolvimento de habilidades pedagógicas · Formação de campeões · Adaptação de métodos · Reconhecimento de múltiplas rotas
  • Virtude e excelência moralCoragem · Justiça · Temperança · Sabedoria · Desenvolvimento de virtudes através do jiu jitsu
  • Expectativas e RealidadesAlinhamento de expectativa com realidade · Resultado com delegado · Foco no processo · Controle do que é controlável · Ansiedade e projeção
  • Crise InstitucionalImportância de ter passado por dificuldades · Testagem do caráter · Vulnerabilidade como força · Conexão genuína com pessoas · Superação de adversidades
  • Excelência e qualidadeDefinição de excelência · Padrão de execução · Performance máxima · Diferença entre bom e excelente · Indicadores de excelência
  • História pessoal e trajetóriaInício no jiu jitsu aos 13 anos · Decisão de viver de jiu jitsu aos 15 · Ética profissional herdada do pai · Desenvolvimento de modelo de negócio · Fundação da Aliança do Jiu Jitsu
  • Esquerdomachismo EmpreendedorismoAulas particulares como diferencial · Carteira de clientes de alto padrão · Escalabilidade da academia · Inovação no jiu jitsu · Crescimento da Aliança
  • Rombo FinanceiroForma de competir · Dominância na luta · Intenção na competição · Equilíbrio entre ganhar e como ganhar · Inspiração através da vitória
  • Responsabilidade Social e EstadoImpacto em vidas · Transformação de pessoas · Responsabilidade social · Benefício para a sociedade · Egoísmo altruísta
  • Desenvolvimento Humano e EducacaoImportância da educação · Estudo de filosofia · Leitura e conhecimento · Aristóteles e desenvolvimento de virtudes · Formação contínua
Transcrição113 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Episódio quentíssimo de hoje, eu recebo uma das maiores referências mundiais no jiu-jitsu, ele que tá no Hall da Fama, referência e liderança, desenvolvimento humano, tetracampeão mundial e cofundador da Aliança Jiu-Jitsu, equipe e academia no qual eu treino, com mais de 300 unidades espalhadas pelo mundo inteiro, mais de 40 mil alunos, professor, treinador de campeões, o convidado é o meu general, Fábio Gurgel.

mais um super episódio do Como Você Fez Isso. E como vocês viram na nossa abertura, eu recebo esse cara que eu admiro, gosto constantemente. Eu falo dele nas redes sociais. Foi um cara que tá me ensinando muita coisa. Eu recebo meu amigo, meu general, Fábio Gurgel. Caramba, prazer enorme. Primeiro, muito legal esse papo nosso aqui. Tenho certeza que vai gerar um valor gigante, mestre, pra turma. Tenho certeza. Tudo que vem de você é bom, meu.

Poxa, obrigado. Obrigado, mestre. Bem, como vocês sabem, eu tô muito animado e motivado com jiu-jitsu.

um apaixonado. Falam que é aquele paixão do início, mas não é, não. É só um cara que geralmente... É, eu não acho. Eu não acho. Embora as pessoas comentem que o jiu-jitsu está no maior hype, mas a gente não é trend, né? A gente está nisso aqui há muitos anos, né? Então, quem realmente entende o benefício, entende a filosofia, não é de momento. Eu tenho certeza que você não é de momento. Eu gosto dessa filosofia. Primeiro, na minha casa, né?

Minha mulher faz cha-preta de taekwondo, meu sogro também, meu filho faz arte marcial,

Marcelo sempre foi muito um tatame. O tatame sempre foi muito mais uma sala de aula pra mim. Sem dúvida. Uma lousa. Fabião, o tema que eu trouxe pra hoje, o como que eu trouxe pra hoje é como funciona a cabeça de um campeão? Como eu pensar e agir pra vencer? Eu acho que se eu fizesse uma pergunta, quem quer vencer? Cara, se um cara escreve não, pô, esse cara tá no fundo do poço, né? Todo mundo quer progredir, quer triunfar essa mentalidade do campeão. Só que entender a cabeça do campeão,

Não é uma tarefa simples. Não é óbvia a cabeça do campeão. E eu quero explorar, principalmente a sua vertente, e o jiu-jitsu foi uma avenida que te ensinou essa lapidação. Tem várias avenidas, o esporte é uma grande avenida como um todo, que modela. Então, antes de a gente entrar nesse primeiro ponto, como é que chegamos até aqui? Como que Fábio chega até aqui? Você começou... Como que o jiu-jitsu apareceu na sua vida?

Jiu-Jitsu de competição. Quando que você decidiu, quer saber, cara, eu quero ser o melhor. E aí até falou assim, eu quero fazer disso o meu negócio. Então teve esses pontos de inflexão, né? Sem dúvida. Acho que dá pra resumir no começo da minha jornada. Eu comecei a treinar Jiu-Jitsu com 13 anos de idade. Eu sou do Rio de Janeiro. Existia ali uma... O jovem no Rio vai saindo de perto dos pais e vai andando na rua. Essa era a minha realidade. Eu ia andando pro colégio,

pro clube, eu ia pegar o ônibus. Aí eu comecei e falei, opa, eu preciso aprender a me proteger, que esse mundo tá ficando hostil. Tá. Eu falei, eu preciso fazer uma luta marcial. E aí, minha primeira opção, falei, ah, vou fazer Karatê. Porque eu vi a Bruce Lee na televisão, falei, ah, Karatê deve ser legal, vou fazer Karatê. E eu fui fazer Karatê. E eu tenho um irmão mais velho que eu, três anos e meio. Shotokan? Shotokan. Eu fui na Shotokan, que era o Paulão e o Inok.

Foi o que eu fiz. Tinha uma academia no Leblon, eu ia correndo de Ipanema, do Bonave Ipanema,

correndo até a academia, treinava, voltava, me sentindo o Bruce Lee. Eu chegava em casa e eu tinha um choque de realidade. O meu irmão, três anos e pouco mais velho que eu, a gente brigava o dia sim, o outro também, né? E aí, cara, esse conflito foi me mostrando que, cara, que meu karatê não tava funcionando. Mas tudo bem, eu segui fazendo. E aí eu tive que convencer meus pais que eu queria mudar. Agora eu queria fazer jiu-jitsu.

E na minha casa não era muito fácil você mudar as coisas. Porque era meio porque você tá desistindo disso.

Qual é a dificuldade que você tá enfrentando que você não tá querendo continuar? Era sempre um questionário pra gente, pra gente não ficasse pingando de uma coisa pra outra, talvez até pela logística deles, mas... Justo também, né? O fato que era um ensinamento importante da gente fazer as coisas que a gente se propôs a fazer. E aí eu convenci meus pais a deixar eu trocar pro jiu-jitsu. E aí, cara, em pouquíssimos meses eu comecei a dominar meu irmão.

Eu falei, nunca mais vou parar de fazer isso aqui. Tô livre em casa e tô me sentindo mais seguro, consequentemente, na rua. E aí eu comecei a treinar jiu-jitsu e...

E fui parando os outros esportes. Eu sempre fiz esportes competitivamente. Os pais sempre me incentivaram a isso. E aí, com 15, eu estava ouvindo a conversa do meu pai com meu irmão sobre trabalho. Meu irmão tinha acabado de entrar na faculdade de engenharia, na PUC do Rio. Meu pai olhou para mim e falou, e você? Vai fazer o quê quando crescer? Eu falei, jiu-jitsu. Ele deu uma leve risada. Eu falei, não, mas estamos falando de trabalho.

Eu falei, eu também quero viver de jiu-jitsu. Ele falou, olha, duas coisas importantes para eu te falar. Você sabe o tamanho desse mercado? Eu falei, não.

anos de idade, mercado, sabe nem quem é mercado. Ele falou, é muito pequeno. Então você vai ter que ser bom. Você acha que você pode ser muito bom de jiu-jitsu? Se você for muito bom de jiu-jitsu, você pode até fazer cuspa à distância. Se você for muito bom de cuspa à distância, vai ter algum louco querendo pagar pra te ver cuspir 18 metros de saliva, entendeu? Mas você vai ter que ser muito bom. Muito bom. Porque tem pouco mercado.

E a segunda coisa é que você vai ter que fazer diferente do que as pessoas estão fazendo hoje, porque não tem ninguém vivendo bem de jiu-jitsu. E se você pretende viver bem de jiu-jitsu, você precisa começar a observar o que as pessoas estão

fazendo e tentar criar alguma coisa diferente. E eu, a partir dos 15 anos, então, começo a tentar olhar um pouco mais pra frente, tentar ver quem tava na minha, na frente da fila, o que que esses caras estavam fazendo, o que que os campeões da época faziam. Pô, eles davam aula, aí você via lá a realidade da época. Ah, o cara dava aula três vezes por semana, aí o cara ia pegar onda, aí o cara viajava, aí o cara ficava 30 dias viajando.

Não tinha uma ética profissional que eu tava acostumado a ver em casa. Meu pai era executivo da Nestlé, saia de casa 5 horas da manhã,

Eu tava 8 horas da noite, trabalhava 24x7, tinha uma ética de trabalho diferente. E eu falei, bom, será que se eu trouxer essa ética de trabalho e começar a botar ela no jiu-jitsu vai ser diferente? E aí eu começo a falar, bom, se aula particular é o que dá um ticket melhor, deixa eu dar várias aulas particulares. E aí eu comecei a criar minha carteira de alunos. Eu com 15, 16 anos já tinha aluno particular, quer dizer, eu já tinha essa preocupação.

Fui olhando o Jacaré, que é meu professor, que sempre me deu a oportunidade de vivenciar esse lado que ele talvez não gostasse muito, mas eu comecei a administrar a academia muito cedo. Ia no banco fazer depósito de cheque, cobrava os alunos. Era o guarda-chato. Então, desde muito cedo, eu comecei a viver de jiu-jitsu. E aí a minha preocupação era como é que eu vou continuar vivendo de jiu-jitsu. Tudo bem, agora com 18, 19, 20 anos,

eu ganho, tá tudo bem, mas não é isso que eu quero pra minha vida. Será que o jiu-jitsu vai conseguir me proporcionar o que eu quero? Realizar teus sonhos. É. Eu quero viajar, quero ter minhas coisas, quero dirigir o carro que eu quero, quero morar onde eu quero, quero fazer as coisas que eu quero. E eu preciso ganhar dinheiro pra isso. Como que eu permaneço no jiu-jitsu? Como é que eu crio um modelo que eu não fique tentado a sair do que eu amo fazer? Muito bom. E aí a história foi continuando, né? Eu fui competindo, aí eu fui

me destacando, porque a premissa era essa, né? Você precisa ser muito bom no que você vai fazer. Você começou a competir jiu-jitsu por conta que você queria a experiência da competição? Você queria se consagrar no esporte? Ou você sabia que ia ser um carimbo muito bom pensando no movimento futuro? Cara, é melhor eu ter uma academia, se eu for campeão mundial, eu vou conseguir vender mais? Ou você não teve isso? Não, não nesse momento. Obviamente isso ajuda muito hoje, mas você não teve essa visão. Não, essa...

Não tinha essa preocupação. Eu queria ser reconhecido no meio. Então, a gente está falando década de 80 no Rio. Cara, o jiu-jitsu era muito pequeno. Todo mundo se conhecia. Eu ia para o campeonato, eu sabia todas as pessoas que estavam inscritas. Imagina, da faixa azul peso galo até a preta pesadíssima. Eu conhecia todas as pessoas. Era uma comunidade muito pequena. Competir no jiu-jitsu dentro da minha academia era uma coisa muito normal, porque o jacaré era competidor, era aluno do Rollins,

sempre foi um cara que incentivou os alunos a competirem. Aquilo era natural pela parte da academia e era natural pela minha criação. Eu competi, eu joguei vôlei pelo Fluminense, dois anos, mirim infantil, eu joguei tênis competitivamente, eu joguei futebol competitivamente, tudo que eu fazia tinha competição envolvida, era uma coisa natural pra mim. Mas não era para isso, era pra ter o reconhecimento de ser bom naquilo que eu tinha me proposto a fazer. Eu precisava daquela confirmação. Eu sou bom?

onde na academia? Tá, mas... E se sua academia for a caverna de Platão, né? Você tá ali, mas o mundo tá lá fora, né? Então eu precisava, de certa maneira, me certificar de que eu era bom. E aí eu fui tendo esse gostinho. Depois que você tem o gostinho que você já experimentou de ganhar, ganhar é muito bom, né? Ganhar batendo nos outros, então é maravilhoso. Então é uma vitória diferente, né? E aí, cara, aquilo realmente,

eu fui virando um competidor. E aí eu queria ser cada vez melhor. E eu sabia que eu tinha que... Quando eu estivesse descansando, meu adversário não estava. Então, vai mudando toda a tua forma de agir e de fazer as coisas. Só pra agradecer a nossa luta do tamanho da Aliança hoje no mundo. Quantas academias? Quantos alunos? A Aliança tem 307 academias em 32 países. 50 mil alunos. Uau. Pegamos essa primeira faixa e como chegamos até aqui? Agora entro no sério do episódio, que é

cabeça do campeão. Para Fábio Corugel, o que é um campeão? Como você define um campeão? Olha, eu poderia, se você me perguntasse isso alguns anos atrás, eu te daria a resposta de como o Fábio funciona, de como eu penso, do meu caminho para ser campeão. Mas eu tive a minha jornada como atleta e depois eu sabia que essa transição para professor, ela era necessária se eu quisesse continuar no Jiu-Jitsu. E se eu quisesse continuar no Jiu-Jitsu com relevância, eu precisaria ser um bom professor.

Concomitantemente, enquanto eu era atleta, eu me desenvolvia como professor também. Eu não tinha esse papo, ah, sou atleta profissional, vou treinar e vou dormir. Eu treinava e ia dar aula. Eu ia estudar como eu podia dar aula melhor pro meu aluno. Eu ia estudar o que o meu aluno se interessava. Que tipo de conversa eu ia ter com o meu aluno. Eu fui me desenvolvendo como professor. Porque eu sabia que eu ia precisar disso aqui no futuro.

Depois que eu virei um bom professor, eu falei, bom, mas agora eu quero ser técnico. Eu quero ser formador de campeão. E aí, o jogo mudou completamente.

Agora, a forma do Fábio ser campeão não funcionava mais. O que eu aprendi aqui é que existem diversas rotas pro topo. Muito bom. Não é o jeito do Fábio ser campeão. O jeito do Fábio ser campeão existe. É a minha rotina, é como eu faço, é como eu cuido das coisas, são as coisas que eu coloco na minha cabeça, são os meus desafios mentais, são os meus medos e inseguranças. Isso é do Fábio. Quando você vai tentar passar isso pra outras pessoas

traz histórias de vida, que tem outros pensamentos, que tem outras deficiências, que tem outras qualidades, essa fórmula não funciona pra todo mundo. Então você começa a identificar, assim, quem é o cara que tem o espírito do campeão? Esse cara me interessa. Porque esse cara eu posso modelar, porque o espírito do campeão é difícil de você desenvolver ele. Como você percebe o espírito do campeão? Como você define o espírito do campeão? Então, existem algumas características

Eu acho que a responsabilidade e o comprometimento são coisas inegociáveis pra um campeão. Pô, você fala que o treino é 10, o treino é 9 e meia, 15 pras 10. O treino não é 10 e 1, 10 e 5. Tem esse cara que ganhou campeonatos chegando meio relaxado? Tem. Mas esse cara é o campeão? Não, ele é um campeão nesse pedacinho, talvez. Mas ele não é o campeão na jornada. Isso é outra grande diferença.

Você quer ser campeão do quê? De jiu-jitsu? Você quer ganhar dinheiro? Ou você quer ser o cara de construção de legado, né? Campeão de vida. O cara fala assim, putz, esse cara é um campeão de vida, né? Esse cara fez tudo. Tudo com excelência. Tudo que esse cara meteu a mão tem excelência. Se esse cara falar pra você que ele vai estar lá na quinta-feira, dia 18 de outubro, 3 horas da tarde, ele vai estar lá nesse dia, nessa hora, você não precisa nem lembrar ele.

Esse é o espírito do campeão. Campeão não ramela, entendeu? Campeão não é bunda morta.

Olha, velho, o campeão é o cara que fala e faz, é o cara que não arruma desculpa, é o cara que não se vitimiza, é o cara que chama a responsabilidade quando erra, é o cara que ajuda o outro, entendeu? Tudo isso compõe a aura do campeão. Campeão que só pensa em si, ele pode até... E é louco isso, porque é um paradoxo, né? Porque você tem uma necessidade de ego inflado pra ser campeão. Falou que existe uma dose de egoísmo pra você chegar muito longe na vida? É essencial.

A Anne Reign chamava isso de a virtude do egoísmo. Você precisa ser egoísta pra conseguir as coisas. E não é muito comercial falar isso, né? Pois é. Assim, não é talvez porque a gente seja criado dentro de uma cultura que cria o rico como vilão, o forte como vilão, que quer proteger o fraco. E aí você vai criando uma sociedade fraca. A virtude do egoísmo é o seguinte.

que tá alinhada com a dialética da vaidade de Dostoiévski, diz o seguinte, pra que eu tenha propósito na vida, eu tenho que fazer o bem a mim em primeiro lugar. E esse bem, fazer bem aos outros. Muito bom, Fabião. Quando eu penso no jiu-jitsu, eu olho e falo o seguinte, eu vou botar minhas academias que eu quero botar 100 mil alunos aqui há 5 anos. Vai ser ótimo pra mim, né? Mas, cara, já pensou que eu tô impactando 100 mil vidas e mais as famílias? E tô tornando o cara mais responsável, mais carinhoso,

gentil, mais seguro de si, mais corajoso, mais virtuoso. Quer mais benefício pra sociedade que isso? Não tem. Mas eu não sou hipócrita de falar que eu sou uma matriz de Calcutá, que eu faço isso de forma altruísta. Não, eu faço isso porque isso tá dentro do meu interesse. Qual é a beleza disso? Puta, eu não acordo nenhum dia da minha vida cansado pra fazer o bem pra mim. Muito bom. Então, se o benefício próprio das minhas ações, cara, gera benefício pro próximo,

resolvida a equação. O problema é quando o cara tem um egoísmo que foge desse controle e aí ele é influenciado por todo o barulho, por tudo que não vale nada. Ele está pensando em prazer imediato, em bem material, em poder, em fama. Ele descolou da realidade. Ele está indo atrás de coisas que não têm valor. Esse é o perigo do ego inflado. Quando a gente fala de egolatria e tal,

Esse é o controle. Você precisa ter o controle do ego. Mas tem uma regrinha pra isso também, que é fácil de você administrar. Como? Você ensina as pessoas a administrar o ego? Pensa o seguinte. Fala um objetivo qualquer aí de alguém. Cara, comprar uma casa nova, morar num lugar mais legal. Foi legal. O cara foi lá e conseguiu comprar a casa nova dele. Sei lá, condomínio em Alphaville era o sonho do cara. O cara foi lá e comprou uma casa em condomínio de Alphaville.

Quantas casas melhores que a tua tem no condomínio? Ah, vai ter várias. Tem várias, né? Quantos condomínios melhores que a Alphaville?

ele tem. Vários. Aí você olha e fala, opa, peraí, tem tanta gente que fez tão mais do que eu. Quando eu conquisto alguma coisa, eu olho pra cima. Tem um milhão de pessoas acima de mim ainda. Baixa a bola. Continua trabalhando. Muito bom. E quando você perde? Porque o ego funciona nas duas moedas. O ego, quando você perde, ele te destrói. Você tá humilhado, derrotado, fracassado, exposto a público. Todo mundo sabe que o Caio perdeu. Puta, olha que vergonha. Todo mundo fala, olha o Caio, o Caio fracassou.

e tal. Como que o cara se levanta desse... Ajuda o outro. Se coloca útil pro outro. Como que você fazia quando você perdia? Vai pra academia treinar, velho. Entendeu? A resposta é sempre a prática. Aqui a teoria é assim, eu vou lá, eu vou treinar. Acabei de perder. Tô triste, tô frustrado, tô magoado, tô machucado, ego ferido. Eu vou pra academia treinar. Aí eu tô treinando com um aluno ou com um colega de treino e eu tô lá ajudando ele, contando pra ele quais foram os meus erros. Pô, esse cara tá melhorando, né? Tá melhorando.

A minha experiência agora de ter tomado um pau no lugar dele... Tem sentido. Tá melhorando ele. Se eu não tivesse vivido aquela experiência, como é que eu ia contar pra ele? Quando eu perdi pro Marquer, no Vale do Turo de 97, uma luta de meia hora, uma pancadaria louca, quando eu olho aquela luta hoje, aquela luta me ensinou tanta coisa. E eu pude ser um professor tão melhor porque eu vivi aquilo. Que quando o cara chegava pra mim e falava assim, puta cara, eu tô com a costela quebrada.

Eu falei, mas você tem mais um monte de costela. Dá pra sair mais um pouco. Por que eu falava isso?

eu já tinha feito isso. Eu sabia que ele era capaz de fazer. O Mike tem uma história boa dessa, depois você pergunta pra ele, deixa pra costela dele quebrada. Mas eu fiz isso com vários. O cara falava, pô, Fábio, tô com o dedo quebrado, esperando que eu falasse, não, claro, vem aqui. Não precisa lutar, não. Porque é isso que o cara quer ouvir. Mas quando você perde, você acha que a janela é o, por exemplo, e as pessoas vão se traduzir isso, gente que até não faz esporte nenhum, mas o cara que empreendeu, tava trabalhando num projeto que não deu certo, o pedido foi cancelado, o principal cliente saiu, a loja não funcionou.

que deu certo do início ao fim. Deu errado aonde? Mas sabe, eu fico pensando numa luta, quando tem um problema, na hora que ele aparece, você recebe a notícia, vem aquela coisa e o coração bate mais alto, a boca seca, dá aquele desespero. Na luta, é a partir do momento que tocou o sino, ou o nocaute aconteceu, você desce e fala assim, nossa, o que aconteceu? O que você pensava? Beleza, você tá num lugar de alto risco, num lugar caótico, que o teu controle é basicamente da tua técnica

você pode fazer, mas você não controla as situações. Você tem um adversário na tua frente que pode ser melhor do que você tecnicamente, pode ser mais forte, mais pesado, mais rápido, pode ser um monte de coisa. Então você tá num lugar de incerteza. A derrota e a dificuldade são esperadas no processo. Eu não entro numa luta pensando que tudo que eu quero fazer vai acontecer, porque nunca acontece, nem no treino. Gerenciamento expectativo.

A gente tá acostumado a treinar, né, todo dia. Eu boto a mão na sua gola, você tira a minha mão da gola. Eu quero segurar a tua perna, você tira. Eu falo, cara chato, não deixa eu fazer nada que eu quero fazer.

eu vou me acostumando com essa forma de ser. Tá tudo bem, faz aí tudo o contrário. Eu vou continuar fazendo. Então, quando as coisas dão errado, e elas vão dar errado várias vezes, não muda o processo. Ah, acabou a luta, o cara ganhou. Ah, eu continuo o meu processo. O meu processo não é de uma luta. O meu processo é de um legado. A gente já falou disso aqui. Você pode pegar três minutos de uma luta, fazem parte desse legado. O mês de treinamento faz parte desse legado. Vinte campeonatos fazem parte desse legado. Tudo faz

parte do legado. Aí quando você começa a olhar, puta, aquilo vai ficando tão pequeno, aquela derrota não significa nada dentro da história do campeão. E você vai usar aquilo como uma ferramenta que a gente tava falando pra melhorar de novo, compartilhando com os outros. Vai lá e conta pros outros como é que foi a tua experiência, o que você aprendeu, o que você viveu, o que você passou. Pra que as pessoas comecem a olhar e falarem, nossa, isso aqui é possível.

Pô, dá pra resistir. Ele passou aquele sofoco ali, ele não desistiu, virou a luta no final. Pô, dá pra fazer isso também. Quando vier aquela situação, pra ele,

talvez ele haja da maneira correta. Talvez ele não desista antes do tempo. Então essa é a forma, o ego pra cima, o ego pra baixo. Agora, nem sempre esses extremos estão acontecendo. No dia a dia, esses extremos não estão acontecendo. Eles não estão tão latentes, né? Pra onde que eu olho? Eu olho pro lado. Tem alguém correndo mais do que eu, velho. Né? Enquanto a gente tá gravando esse podcast aqui, tem alguém pensando como é que eu vou fazer um conteúdo melhor que o Caio, como é que eu vou vender melhor que ele, como é que eu vou fazer uma estratégia que ele não fez ainda, né?

Sempre tem alguém correndo. Mais do que você, ele não pode correr. Mais do que eu, o cara não vai conseguir correr. Porque eu não vou parar de correr. Você acha que, na sua visão, a derrota ensina mais que a vitória? Via de regra, sim. Porque a gente tem uma tendência, quando a gente ganha, a se permitir uma soberba. Só por isso. Porque a vitória, ela nada mais é do que um conjunto de fatores. Muitos deles são méritos seus.

do campeão, jamais. Mas, cara, você sabe se o cara da semifinal tava machucado. Você sabe se, sei lá, tem tanta coisa que pode ter acontecido, né? Será se o melhor cara da categoria ficou doente, não entrou? Sei lá, cara. Mas é claro que quando a gente ganha, a gente tem aquele banho de alegria de ter conquistado nosso objetivo, um monte de tapinha nas costas, de parabéns, de festa. E aquilo nos bota, de certa forma, nesse lugarzinho da soberba. Mas para pra pensar que o fato

de você ser campeão, você simplesmente foi capaz de, naquele dia, performar bem, esconder todas as falhas que você sabe que você tem e não deixar os seus adversários acessarem aquelas falhas. Mas peraí, as falhas estão lá. Se o teu trabalho é pra melhorar, você tem um monte de trabalho pra fazer. O que você tá fazendo aí, comemorando, fez que você não tá treinando pra melhorar as tuas falhas? Então, o resultado deveria ser ganhei domingo, vou treinar, perdi domingo, vou treinar. Não deveria mudar

E como que é a relação da palavra sorte com a cabeça do campeão? Como que o campeão pensa em relação à sorte? Eu não acho que essa palavra sorte deva fazer parte da construção. Tá. Mas ela, claro que ela pode fazer parte das coisas que a gente não controla. A coisa que eu não controlo pode vir boa pra mim ou ruim pra mim. Sim. Isso é sorte. É porque azar ele fala, pô, deu mó azar, hein? É. É a mesma coisa, né? Assim, o que que é? Coisas que eu não controlo foram pro meu lado

outro lado. O que não muda, o que eu tenho que fazer e as coisas que eu controlo. Então, você não conta com a sorte, né? Se você contar com a sorte, a chance de falhar é gigantesca. Mas também, se ela vier pro teu lado, cara, faz parte do jogo. É isso aí. Você tem um título muito bom do seu livro, né? Abalável. Por que você decidiu que esse era o título? Cara, você sabe que, pô, você deve ter passado por isso também, né? O nome de livro é uma coisa muito difícil, né?

Você vai... Sim. Então, eu queria ter um nome que representasse o que eu acredito, que é um pouco do que a gente tá

falando aqui de, cara, de cair, levantar, de cair, levantar, de perder, eu levanto a segunda-feira de novo, ganhou, deu alguma coisa, nada muda, nada te abala, né? Os resultados externos não devem abalar a forma como você age no seu dia a dia. No meu livro eu conto vários momentos de derrota, de dificuldade, de percalços que quem não tem, né? Todas as pessoas de sucesso que eu olho, admiro e estudo, eu falo, pô, cara, esse cara é brabo.

Mas você já pensou em algum momento largar tudo do jiu-jitsu? Ah, chega, não quero mais saber.

nada. Não, não, nunca pensei. Nunca pensei. Eu até tive alguns momentos de olhar pra outros negócios, porque o jiu-jitsu foi ficando de alguma forma difícil, tava meio nebuloso, sabe? Quando você tá remando num barquinho, uma névoa pura, você não vê a margem, você não sabe pra onde você tá indo, tava meio confuso. Falei, bom, cara, deixa eu pensar em outras possibilidades aqui, mas eu nunca larguei, nunca deixei de treinar diariamente, nunca deixei de ensinar jiu-jitsu, nunca parei, nunca

sem parar. O cara fala, pô, faixa coral. Eu falei, você só não morre, velho. Se você não morrer, você vai chegar. Tá preocupado com isso. Eu não vou parar se eu não posso morrer, pô. Na verdade, eu acho que o gerenciamento de expectativa, você falou assim na palavra, é aquela coisa do cair, levantar, cair, levantar, cair, levantar. Tem uma máxima que eu acredito que as grandes decepções da nossa vida nascem no desalinhamento da expectativa com a realidade. E é mais fácil a gente,

gerenciar a expectativa do que conter frustração. Mas beleza, mas na hora do vamos ver é duro, né, cara? Então, é duro. E tem que ser. Se você não for, é o cara assim, pô, é que nem assim, ah, você fica nervoso. Eu falei que na hora que você não ficar nervoso, nem vai mais. Porque isso tá significando que você não se importa. Então, a derrota tem que doer. Porque você quer, você tá afim daquilo ali muito e aquilo ali foi, cara, foi ceifado da tua vida.

Você não vai ter aquilo ali porque alguém tomou. Como que você faz pra continuar fazendo aquilo até você conseguir?

se você for consistente, historicamente, as pessoas consistentes ganham o jogo. O cara que tá ali, esse cara não vai perder, esse cara vai chegar a hora dele. Tem um cara mais talentoso, tem um monte, mas o cara consistente é o cara que no final vai ganhar o jogo. E aí, vem essa coisa do resultado com legado, que eu acho que é a chavinha, que as pessoas às vezes estão, que você falou, gerenciar a expectativa. Você começa a ver, nossa, eu vou ser campeão, se eu for campeão, vou montar minha academia, se eu montar minha academia,

nossa, eu vou ser o campeão mundial e eu vou ter aluno. Você começa a viajar num futuro que, obviamente, é irreal. Isso só te gera ansiedade, né? Você tá projetando as coisas. E quando você não consegue aquilo, é o backwash da frustração. Esse cara não mostra que te enterra. Até você sair daquela lama, olha quanto tempo, né? Aí você vai botar a culpa nos outros, você vai se vitimizar, vai falar com o juiz de robô que estava machucado.

Você vai inventar, cara, a gente é muito criativo, a gente vai inventando desculpa e botando problema nos outros,

da mais fácil do mundo. O difícil é você falar, peraí, olha no espelho aqui o que eu errei, segunda-feira eu tô lá de novo, segunda-feira eu vou fazer de novo, tal. Quando você faz isso, você vai se desprendendo desse resultado imediato e vai trabalhando na construção. E aí quando você chegar lá na frente, você vai olhar, você vai ter feito um monte de coisa, você vai ter ganho um monte de coisa, você vai ter perdido um monte de coisa, mas você vai ter feito um monte de coisa. E toda vez que você ou se enaltece demais porque ganhou, ou se deprime

porque perdeu, você cria uma janela de tempo que é inócua, né? Você não fez nada. É verdade. Você ficou bebendo no bar pra comemorar ou você ficou chorando em casa de bar da coberta pra passar a tua fossa? Quanto tempo? Vamos falar que você perdeu 15 dias. A cada quatro campeonatos, você perde um mês. Acabou, velho. Você não merece ganhar. Você não merece ser o cara. É, aprender a disciplinar um desapontamento, né?

Por que desapontamento? Por que você não pode olhar isso como uma lição importante? Por que você que tem que ganhar aquela hora? Quem disse que você que tem que ganhar? O que você tem que fazer é se preparar. Você não tem que ganhar. Você tem que estar na hora do treino. Você tem que se alimentar direito. Você tem que dormir. Você tem que fazer o básico muito bem feito. Você tem que aprender e ouvir o seu professor. Você tem que fazer a técnica.

Você tem que fazer o fundamento. Isso aí você não pode errar. Isso é teu. Seu controle é 100%. Se você não fizer, a culpa é toda sua. O outcome disso você não tem como

Então não acha que isso é um... Entendeu? É um backlash. Por quê? O que acontecer aqui, você continua fazendo o que você tá fazendo. Arruma rota, às vezes. De repente você vai falar, pô, cara, eu perdi esse campeonato, mas eu senti, pô, que eu treinei errado. Senti que, pô, de repente eu passei um pouco do fio ali, tava sem energia, sei lá. Aprende, corrija. Nossos treinos, sempre no final você deixa uma mensagem muito legal. Você pega alguma coisa que rolou no treino, cara, você faz uma adaptação pra realidade daquelas pessoas que são ali, que são empresários, são líderes,

são pais, são empreendedores, são gente que tá começando a vida, tem gente que, cara, já tem muito sucesso. E... E essa capacidade de traduzir uma coisa que aconteceu no tatame e adaptar pra vida, eu acho isso animal. É animal. Por isso que eu piro, por isso que na regra da minha casa é, enquanto eu moro na minha casa, vai fazer esporte. É. Como eu sou um cara legal, eu deixo meus filhos escolher até qual. Sim. Mas vai fazer. Onde que você começou a perceber que essas sacadas vinham? Né? Ou seja, uma parada

que aconteceu no tatame te ajudava na hora de estar negociando uma nova unidade. Onde essas sinapses aconteceram de você pegar a cara? Porque o jiu-jitsu te fez um empreendedor melhor? A jiu-jitsu me fez um homem melhor. Sem dúvida. E você não estudou números no tatame? Nem modelo de negócio? Não. Tem algumas coisas que, pra responder a tua pergunta, a primeira coisa é, eu tive uma boa educação.

Tá. Beleza. Boa educação. Então, eu não saí da ignorância máxima. Tá. Eu tinha uma boa educação. Depois eu comecei a entender que eu precisava construir algo diferente no jiu-jitsu. Eu entendi que a aula particular era um setor que eu precisava desenvolver. Se eu quisesse aumentar o ticket médio da minha academia, se eu quisesse ter uma receita maior e tal. Quem era o cliente da aula particular? Era o cara que já era o elfe, já tinha grana, já tinha o cara que queria exclusividade e tal. Eu comecei a construir essa carteira de alunos.

essa carteira de alunos pra eu atingir essa carteira de alunos. Eu tenho que ter um nível sociocultural compatível. Porque eu não posso dar aula pra um cara só pelo meu jiu-jitsu. Eu tenho que ter uma conversa legal. Até pode, mas... Você não vai reter, né? Não. Não era... Eu quero, por exemplo, eu quero estar conversando com esses caras aqui de igual. Eu sei um negócio que eles não sabem. Eles sabem coisas que eu não sei. E a gente vai trocar essas informações aqui.

Que legal. E aí eu fui tendo aula com caras geniais. Então, fui aprendendo um monte de coisa. Ah, eu vou estudar ali.

vou estudar aqui, esse livro aqui e tal. Fui pegando essas dicas e fui fazendo. E eu fui acumulando conhecimento e sempre entendendo que o jiu-jitsu era uma... Foi isso que me fascinou continuar no jiu-jitsu. Eu vi a transformação das pessoas fazendo jiu-jitsu. Tá. Entendeu? Eu olhava aquele cara entrando todo tímido, gordinho, todo errado. Cara, daqui a um ano, um ano e pouco, o cara tava estufado, seguro, olhando no olho. Falei, opa, esse cara aqui tá diferente. Entendeu? Eu vi os pais falando, cara, meu filho mudou,

Meu filho era um garoto tímido, medroso. Hoje ele lidera o time dele lá de futebol, o cara que se impõe e tal. Falei, cara, isso é uma ferramenta incrível pras pessoas. Eu sabia disso. Mas eu ainda tinha dificuldade de verbalizar. As analogias não eram tão óbvias pra mim. E aí, a filosofia entrou na minha vida. Eu comecei a estudar a filosofia. Comecei a estudar a filosofia. Eu comecei a ler um monte de coisa. E eu ia lendo e lendo. De maneira aleatória.

um livro vai puxando o outro, né? Então, você vai meio que numa jornada ok, mas sem muito guia intelectual. E aí, um dia, porra, eu caí na frente do Guilherme Freire. E eu olhei aquela aula e falei, cara, essa aula aqui é muito legal. Ele tava falando sobre os grandes líderes mundiais. Sim, Alexandre o Grande. É, Alexandre o Grande. Aristóteles. Eu falo de Sócrates e Aristóteles, de Patão e de Aristóteles, Alexandre o Grande, Carlos Magno.

Eu falei, puta que aula. Preciso fazer isso, preciso estudar essa parada. Aí eu comecei a estudar.

Ele estava montando o Em Busca da Verdade, o IBV. Ele era um módulo... Ele nem sabia exatamente como é que era, mas no final foi formatando, a gente fez uma formação lá de dois anos, agora tem mais um semestre que a gente está matriculado também. Mas o fato é que eu fui entendendo que o desenvolvimento humano das virtudes, que é o que, segundo Aristóteles, te eleva para uma eudaimonia, que é o mais próximo do divino que você consegue ser como humano, são as suas potências,

ao máximo, era o que a gente deveria buscar. Você pode ficar nas virtudes cardeais, que tá mais ligado ao catolicismo, mas vocês podem ir um pouco mais pra filosofia estoica, e aí você vai ter coragem, justiça, sabedoria e temperança. Eu olhava isso, quando eu botava isso pra dentro do jiu-jitsu, eu falei, caramba, tá tudo aqui. O jiu-jitsu é isso aqui. Pô, quer um lugar que você vai trabalhar tua coragem diariamente melhor que o jiu-jitsu? É verdade. Pô, você chega lá e fala, pô, eu vou treinar com quem hoje?

Ou será que eu vou com aquele magrinho facinho que eu bato nele? Opa, coragem ali, te cutucando, né? Aí você, puta, eu vou na coragem, vou no difícil. Você vai exercitando a sua coragem. Ah, eu vou no campeonato. Puta, adrenalina, medo. Se eu perder e tal, coragem de novo. Todo dia. Sênica diria que você deveria sentir um pouco de medo todo dia, porque é a tua chance de exercitar a coragem. Muito bom. Então não vive a tua vida...

Você não foi feito pra ficar no ar-condicionado, 19 graus, tomando uma taça de vinho e comendo um queijo.

vida e sinta um pouco de medo todo dia. Então, coragem tá ali. Quer uma atividade que te coloque mais temperante do que o jiu-jitsu? Cara, toda vez que você reage instintivamente, você perde. Como você define temperança, assim? Temperança é você ser uma pessoa mais reflexiva do que reativa. É você ter a tranquilidade. E o jiu-jitsu te ensina isso de uma forma muito objetiva. Ah, explodiu? Bateu.

Ah, empurrou? Bateu. Ah, tá querendo respirar e tá desesperado e virando? Bateu. Aí você chega uma hora que você fala, peraí, deixa eu me acalmar aqui e tentar raciocinar na pressão. Que outra atividade te permite esse tipo de decisão nesse nível de pressão? Porque esse nível de pressão, se você tirar o contexto de segurança de uma academia estruturada, com amigos, treinando e tal, isso seria um confronto de vida-morte. A luta, o combate,

homem a homem, é o mais natural que existe. É como pegar todos os esportes, tentam simular esse confronto. Mas eles têm todos os equipamentos. É a bola, é a rede, é a raquete. A luta não tem. A luta vai chegando você e o cara. Naquela pressão, você poderia morrer se o cara continuasse, você batesse e ele não soltasse no limite. Mas aí vem a outra virtude, que é a virtude da justiça. A justiça está ligada

respeito, tá ligado na confiança, tá ligada... Cara, o... Quer coisa mais bonita que o código dos três tapinhas? A gente pode estar se matando. Se você pegar meu braço e eu bater, você vai largar na hora. É verdade. Não é isso? É verdade. Em qualquer lugar. Você pode treinar, pode estar na competição, você tava... Cara, você pegou o cara lá em noite, o cara bateu, na hora você largou. É. É um código de justiça. E ninguém faz nada no jiu-jitsu, você não evolui se você não tiver uma necessidade e uma

E for ávido por conhecimento, por sabedoria, que seria a última virtude. Tudo ali, tudo no tatame, tudo todo dia. Então, se você começa a olhar a vida pelas lentes do jiu-jitsu, você se força a ser uma pessoa virtuosa. Não tem outro caminho. Não tem vagabundo no tatame. Quer dizer, não é que não tenha vagabundo no tatame, é que tá claro que ele é vagabundo. Transparente que você é um vagabundo, que você é um bunda mole, que você é frouxo.

Tá claro. Por isso que o nível de respeito que existe no meio da luta é tão grande.

fora, olha pro lutador e fala, puta, esse cara é foda. Porque não tem como você ser enganado. Tá ali, não tá vendo. Tem uma, acho que é de Seneca, que fala que coragem é uma das únicas virtudes que não dá pra ser fingida. Não tem como fingir coragem, não tem como fingir que eu pulei. Ou eu pulei ou não pulei. Ou eu fui certo ou não fui. Ou não tem como fingir que eu fui. É isso aí, é isso aí. E aí eu comecei a trazer esses ensinamentos, eu comecei a entender que isso era muito mais importante

do que a última técnica da moda. Fazer as pessoas entenderem que o jiu-jitsu é essa ferramenta de desenvolvimento de virtude, é o que tem um poder gigantesco de escalar isso e botar a sociedade entendendo que ela tem uma ferramenta pra se desenvolver. É que nem quando a gente fala de conhecimento de saúde. Cara, eu tenho que monitorar minha saúde, eu tenho que saber se eu durmo bem, se eu como bem, se eu tô hidratado. Cara, é um conhecimento que tá aí. As pessoas têm acesso.

a essas coisas. Elas têm que ter acesso ao Jiu-Jitsu. Elas têm que saber que ali é uma ferramenta que elas podem se desenvolver. Não é sobre o campeonato, não é sobre ganhar a luta, não é sobre ficar em forma, ficar no shape, tudo isso é bônus. Mas elas deveriam saber que isso é uma ferramenta muito poderosa pra vida delas. Tem uma máxima que é uma coisa é você chegar no topo, outra coisa é você permanecer lá. Como você enxerga esse jogo de chegar num ponto e esse jogo de permanecer lá em cima?

Diferente? Totalmente. Diferente. O que pra você mais difere esses dois jogos? A capacidade de fazer transição. Tá. Pensa num atleta. Eu era atleta, campeão e tal, mas eu tinha consciência que daqui a alguns anos eu não ia ter conseguido performar do jeito que eu performava. É meio óbvio. Muitos atletas já não querem enxergar e vão se convencendo de que eles são super-homem. Mas o fato é que, puta, cara, tem um deadline ali. Como que eu faço pra me manter aqui e me manter nesse...

nesse cenário com relevância. Puta, eu preciso ser professor. Eu preciso ter uma academia de sucesso. Eu preciso ser treinador de campeão. Eu preciso montar uma empresa global. Eu preciso criar uma metodologia pra poder replicar isso. Eu preciso do quê? Aí você vai se forçando... A se reinventar. A se reinventar. Porque você não vai ficar no topo fazendo a mesma coisa. Porque a mesma coisa não resolve mais. Sei lá, pega... Vamos pensar que... Vamos pegar o, sei lá, tenista mais antigo Boris Becker. Puta tenista.

O Boris Becker hoje, será que ele conseguiria jogar com o Djokovic? Com o Caras. Com o Caras. Porra, o tênis mudou. A velocidade da bola é outra. Os caras correm três vezes mais do que ele corria. Não dá. Se ele ficar aqui, não tem topo pra ele. Isso aqui vai acabar. Ele tá fazendo a mesma coisa. Que tem uma limitação óbvia. Então, a gente tem que se preparar pra transição, né? E isso, às vezes, é difícil. As pessoas são tão agarradas no que elas fazem bem, naquele status, naquela...

Eles têm dificuldade de botar a faixa branca de novo. Pô, já sou bom pra caralho, por que que eu vou mudar? Vou ficar aqui. Mas você percebe que você não tá ficando bom. Mas aí o que que você faz? Você começa a enganar. Você começa a... Você tá no limite assim, ah, não vou treinar hoje não. Não vou treinar mais não. Agora eu sou faixa coral, por que que eu vou treinar? Vou ficar lá andando no tatame, dando ordem. Entendeu? É engraçado porque a arte marcial é uma das poucas... É um dos poucos esportes que você anda em tese com o seu know-how amarrado.

É. Né? Por exemplo, fisiculturismo é o único esporte que não tem como você... Você carrega ele no seu corpo. Porque às vezes você vê um tenista ali e não dá pra falar, esse cara joga muito olhando pra ele. Não tem como. Mas no jiu-jitsu você vê, ih, é preta. Sabe? E... É. Mais ou menos, né? É. Mais ou menos. Mas o lance que eu quero perguntar é... Esse gerenciamento do... Sabe aquela coisa da autoconfiança e arrogância? É uma linha tênue. Eu acredito na vida, cara, você tem que confiar em você.

Sim, bicho. Confia no teu taco, pô. Lógico. Mas até um certo ponto. Como é que você corrige isso? Na prática. É. Não é isso? É. Eu posso ser um faixa coral, quatro vezes campeão do mundo, não sei o quê. Eu vou lá na academia, velho. Os caras me batem. Vou fazer o quê? Que história que eu vou contar, mano? Entendeu? Uhum. Eu posso ter todo o conhecimento do mundo, cara, mas existe uma conta que faz a performance acontecer, que é uma conta física e técnica, né?

Esse blend aqui tem um equilíbrio ótimo, que depois você vai ficando mais velho, você vai continuar,

um conhecimento, mas a tua performance vai cair física. E aí já não é mais o ótimo. Aí você pega um cara que tem mais físico, menos técnica que você e isso é que supera muitas vezes. Você só vai saber disso e só vai viver a realidade se você se colocar na situação. O que a maioria das vezes acontece é que as pessoas atingem determinado estágio e elas não querem se expor. Isso acontece muito nos negócios da vida. De onde você acha que vem isso? Cara... Medo de manchar a história ou medo de... É uma...

É uma ideia de que talvez a forma como as pessoas lidam com a derrota seja uma forma doente. Elas acham que a derrota é o que te diminui. É verdade. É o que te mancha. Cara, a derrota... Tinha um adesivo na Academia do Jacaré. A Academia do Jacaré era uma academia de 60 metros quadrados em Ipanema, em cima de uma boate. E acho que lá que a gente aprendeu as lições maiores da vida, lá que a cultura aliança foi estabelecida.

Tinha um mural de cortiça e tinha um adesivo colado nele. Era um adesivo de colar em vidro, tá? Mas tava pregado com a tachinha. Então a poeira colava nele. Mas eu ia pegar a figura. E tava escrito nele o seguinte. Mais vale a lágrima pela derrota do que a vergonha por não ter lutado. Como é que é? Mais vale a lágrima pela derrota do que a vergonha por não ter lutado. Uau. A gente cresceu com isso aqui. Todo dia o cara fala, ah, pô, esse campeonato eu não vou lutar não. Aí ele fala, puta, será que eu não vou? Eu vou.

eu vou assim mesmo, eu vou de treinado mesmo, eu não treinou porque eu não quis, faz ao teu, mas vai lá, faz ao teu e tal. E aí você vai entendendo, cara, que a derrota não é nenhum demérito, nenhum demérito, entendeu? O demérito é não aparecer, é não ir, eventualmente não bater o peso, porque você... Foi responsável. Foi responsável, ou quis de propósito não bater o peso, é chegar atrasado, sabe, umas coisas assim? Isso é demora, isso é vergonha de não ter lutado. Então, quando você se permite

essa proteção da derrota, porque você não tem mais capacidade, mas você não quer se expor. Aí você vai virando o impostor. E tem um monte de impostor por aí. E tem impostores que vão ficar anos aí sendo impostor. Porque eles criaram uma rede de proteção. E eu posso falar, eu poderia criar essa rede de proteção pra mim hoje. Boto lá meus faixas pretas tudo em volta, fico arrotando lá o que eu quiser. Não é como eu fui criado. Eu prefiro ir lá bater pro faixa azul do que não treinar jiu-jitsu. Não tem nenhum problema, entendeu?

diminui em absolutamente nada. Ninguém vai pagar o que eu já fiz, né? Em algum momento, essa chave virou? Você entendeu isso aí? Você vai, nossa senhora. Cara, eu não vou te dizer que essa chave virou. Eu vou dizer que foi muito difícil de administrar. Porque eu era um cara acostumado a entrar na academia e bater em todo mundo. Num determinado tempo, a coisa começou a ficar mais difícil. E foi endurecendo, foi endurecendo. Daqui a pouco, eu não conseguia mais bater nas pessoas que eu batia.

E aí, eu comecei a perder pras pessoas. E aí, eu fui... O Caio tem uma definição muito boa, Rigante.

Ele fala o seguinte, ele fala, cara, eu entrei no jiu-jitsu, eu olhei pra um lado, tinha as pessoas que me batiam. E eu vi as outras pessoas do outro lado, as pessoas que eu batia. O meu único trabalho é não deixar essas pessoas daqui passar por outro lado. Muito bom. Muito bom. Eu não deixei esse grupo aumentar, né? Esse aqui eu não tô nem aí, velho. Os caras vão parar, vão morrer, alguma coisa vai acontecer com ele. Esses caras aqui não podem mais dar por outro lado.

Muito bom. Mas o fato é que você vai lidando com essa coisa que é uma coisa de ego, né? O ego do campeão de não querer perder e tal.

brigando com a, como é que eu vou dizer, com a consciência de que o certo a fazer é continuar. Não vai ser bunda mole agora. Não vai se encostar agora na tua faixa, no teu título, e que você é o professor e vai se esconder do sanhaço que tá aí. Lá é a panha dos caras. Você não sempre pregou isso? Então, faz o que você fala. Mas foi fácil? Não, não foi fácil. Teve uma janela de tempo que eu ainda era competitivo, mas eu não conseguia mais.

Beleza. E eu passei por isso e tá tudo certo, entendeu? Quando geralmente você tá do lado de um cara que tá vencendo muito na vida, sabe aquele cara que só vem, deu certo, deu certo, deu certo, deu certo, assim, tá vindo um momento bom. Pra quem tá vivendo um momento bom, que só tá vindo de vitória, assim, na vida. Seja ela qual for. Geralmente você tá tomando um café com essa pessoa. Você gosta de falar o quê? Pra quem tá vindo de muita vitória boa, assim.

Cara, o Hélio Gracie tinha uma definição que eu gosto muito, né? Ele só elogiava

lutador que sofreu. Você nunca devitou de dente, velho. Você nunca passou tudo pra você e deu certo. Não é que eu não te admiro, tá? Tudo bem, mas eu não sei quem você é de fato. Eu não sei a hora que apertar pra claro que você corre. Será que eu posso confiar em você de verdade? Será que no ruim você vai largar minha mão? E não é culpa do cara, tá? O cara pode ter sido realmente brilhante em tudo e deu tudo certo pra ele e tá tudo bem. Mas, puta, esse vínculo real mesmo de conexão

de... Ele não passou ainda. E o cara que tá assistindo... As pessoas são testadas no fogo, velho. E o cara que tá assistindo a gente e fala assim, bicho, é só fogo. Nos últimos anos eu só, entre aspas, apanhei, cara. Pô, e tá com a cabeça alta e tá continuando. Pô, parabéns, você é dos meus. Vem aí. Vem aí que todo mundo quer esse tipo de companheiro. Entendeu? Pô, você quer um cara que passou já por tudo, atravessou o fogo? Ou você quer um cara que só tudo deu certo pra ele? Cara, eu não sei. E se der errado?

Se der errado. E de novo, eu não tô falando que esse cara não é o cara... O cara pode ser. Ele só não foi testado ainda. Quando eu lutei com o Marquer, que foi uma luta de meia hora, um cara 30 quilos mais pesado. Eu assisti o filme. Brutal, hein? É, um cara 30 quilos mais pesado que eu e tal. Quando terminou a luta, eu tava deitado no vestiário. O Royer veio falar comigo. O pai do... O filho do Hélio. Um dos competidores da...

Uma geração um pouquinho acima da mina, mas eu cheguei a competir bastante junto com ele. Mas ele era um...

mais velho que eu. Filho do Hélio Grace, né? Ele veio batendo no meu peito assim e falou assim, que teste, velho. Parabéns. É isso que vale. A avaliação dele, se eu tivesse ganho do cara em dois minutos, talvez ele... Mais um. Deu a sorte lá, o golpe pegou e tal. O teste é foda, cara. O cara que já é testado é foda. O cara que no ruim não desvia o caráter, o cara que no sufoco não marra do pé, o cara que na hora que o pau tá quebrando, tá ali do teu... É outro nível.

É a frase de Hemingway, né? E quem tá na guerra com você importa mais do que a própria guerra. Você tinha algum tipo de ritual depois que você perdia de sentar com alguém e perguntar, velho, e aí? Feedback e tal. Ou você digeria? Você ficava um pouco mais quietinho nos últimos outros... Eu sempre tive professor, né? Eu sempre fui aluno. Então, quando eu perdi, eu queria saber o que o meu professor achou. O que eu podia fazer. Você sempre foi do feedback?

sem pedir muito feedback. Não, fazia parte do... Era dinâmica, entendeu? Errou aonde? Por que que errou? O que que fez? O que que não fez? E não só na derrota, hein? Às vezes na vitória. Teve um campeonato que eu lutei uma vez, era a faixa marrom. Lutei o campeonato, eu tava lutando com o aluno do Carson e tal, e aí eu caí por cima da guarda dele, assim, fiz uma vantagem ali, sei lá, fiquei segurando e tal. Controlando a luta, não tava muito perigosa pra mim, eu falei, ah, vou ficar aqui, numa cozinhadinha ali, pum, ganhei. Acabou o campeonato, campeão e tal. Cheguei na academia com a medalha,

O jacaré falou, essa medalha você não deve nem pendurar. Eu falei, pô, o que foi? Ganhei, né? Ganhei. Ele falou assim, você ganhar assim, eu prefiro que você perca 10 vezes. Uau. Você ganhou, mas não lutou. Você foi lá pra quê, pô? Você treina pra quê? Assim, na lata? E o jacaré é assim, sempre na maior serenidade. Assim, ele não é um cara de esporro, nunca foi. Eu falei, cara, desculpa, isso aí é pra isso, você treina. E ele fala, você sabe que você fez isso, né?

inside, você sabe que, velho, você não lutou mesmo, entendeu? Então, o que que é importante, né? É ganhar o campeonato ou é realmente ganhar do teu adversário? É um outro... É uma outra coisa que, claro, que você tem um monte de coisa em volta, né? Ali, envolvida, o campeonato, o título, a carreira, o tudo. Mas, cara, no final do dia, assim, você tem que ir lá batendo o cara. Mas como equilibrar entre ganhar e ganhar bonito? Como equilibra isso na vida, assim? Ganhar, ganhar bonito. Obviamente, eu tô falando de uma maneira desonrosa.

Isso tira, mas o ganhar e ganhar bonito... É o equilíbrio. Mas assim, quem que você quer ser na fila do pão? Se você quiser só ganhar, ganhar feio, você vai ser campeão naquela janela. As tuas transições vão ser muito mais difíceis. Fale mais. As pessoas não querem... Você não é inspiracional. Você é um cara eficiente. Você é um cabeça de área ali. Você não é genial. Você não inspira as pessoas. As pessoas não querem ter você perto. Não é... Assim, outro dia eu tava conversando com o Edu,

aí novo da... E ele tava ansioso que ele tava estreando na faixa preta e tal, eu falei, então, lembra de uma coisa, não é ganhar, é como você vai ganhar. Como você vai ganhar do cara? Você vai lutar pra bater no cara mesmo ou você vai lutar na regra pra ganhar de meia vantagem no finalzinho? Porque isso eventualmente pode acontecer mesmo você lutando pra ganhar do cara. Mas o teu íntimo tem que querer matar o cara, velho. Tem que chegar lá pra ser dominante.

Tem que falar, cara, vou lutar com você, eu vou te matar, velho. No limite, as regras vão nos proteger e nada vai acontecer, mas eu quero realmente

te finalizar, eu quero realmente te, né? Esse é o objetivo da luta. Sim. Quando você vai com qualquer coisa diferente disso, pô, você já tá cheio de barulho, cheio de sujeira na tua, né? E isso não faz o cara extraordinário. Jamais vai fazer. Faz o cara burocrata, mas não faz... Muitas vezes campeão, tá? Aí é um exercício, né? Como pensar se todos nós estamos assistindo esse podcast, se a gente tá jogando pra excelência? É. Como saber se a gente tá colocando excelência? Isso aí. Qual é o objetivo, né, cara? Como é que eu faço

coisas. Como que eu percebo que eu tô sendo excelente? Ou tô sendo seis e meio, ou sete, ou oito? Como eu saber se eu tô no meu potencial máximo ou eu tô guardando um pouco? Como é que eu sei que eu tô no meu potencial máximo? Como é que eu faço o máximo que eu posso fazer? Isso não é difícil de você saber se você tá fazendo ou não. Vale mais. Não, vamos lá. Vamos desenhar aqui um dia perfeito, vai? Pô, cara, eu vou acordar cinco e meia da manhã, vou fazer uma hora de atividade física,

Vou tomar meu café da manhã, vou fazer uma hora de leitura, vou cuidar dos meus filhos, da minha mulher, vou ver que está tudo bem em casa e tal, vou sair para trabalhar, vou chegar no trabalho, vou ter aquela conversa difícil que eu tenho que ter com o meu sócio, vou ligar para aquele meu amigo que não sei o quê. Você pode planejar o teu dia e fazer um dia perfeito, produtivo, excelente. Se você não fizer alguma dessas tarefas aqui, você não está sendo excelente no seu dia. Se você não fizer isso todos os dias, o seu padrão não é um padrão excelente.

Você espera resultados excelentes de um padrão que não é excelente, você tá contando com alguma coisa que não tá no seu controle. A tal da sorte. Agora, se você fizer tudo no padrão excelente, puta, é difícil de dar. Pode até demorar, pode até, sei lá, a tua expectativa não ser 100% atendida, conquistada, mas, cara... A sua foi no Jiu-Jitsu? Puta, foi, cara. Tá sendo. Tá sendo. Eu sempre... Quando...

A editora me convidou pra escrever o livro. Eu falei, ainda não, velho. Pô, tô aqui no meio do tiroteio. Na minha cabeça, eu tava no meio da jornada. Na faixa coral. É, pra mim. 300 academias. Entendeu? Tô indo pra frente, né? E... Mas acho que foi bom. Acho que foi um... Foi um capítulo importante. Mas eu tô fazendo coisas, né? E eu acho que eu conquistei um lugar no jiu-jitsu que sempre foi o meu sonho de garoto. Eu quero ter reconhecido nisso aqui, velho.

ser bom nisso aqui. O que é ser bom de jiu-jitsu? Várias coisas. Tem uma fase que você tem que ser bom de bater nos outros, mas tem que ser uma fase que você tem que ser bom de ensinar os outros. E essa chavinha é o oposto, né? É cavalo de pau, 180. Um é tudo pra mim, um é tudo pros outros. Não é fácil essa mudança. Por isso que as pessoas às vezes se perdem. O campeão não necessariamente é o bom professor. Geralmente não é. Aquela coisa do ótimo vendedor, geralmente não é o melhor líder. Não é isso?

É o melhor gerente de vendas. É outra dinâmica. É outra skill. Então, você conseguir fazer as duas coisas é uma habilidade diferente, que você precisa fazer meio junto, precisa aprender a fazer essa virada de chave a hora que você quiser e precisar. E aí, ser professor, cara, abre um outro mundo de educação, de gentileza, de cuidado, de construção, tipo outro. É muito legal. Fabião, pra todo mundo que quer,

ser campeão na vida. Galera que chegou até o final do podcast. O cara veio até o final do treino. Campeão, é. O cara chegou até o último minuto aqui. O cara tá assim, pô, eu quero vencer, cara. Seja qual for o objetivo de vida do cara. Mas quando alguém pergunta assim, cara, eu quero ser campeão naquilo que eu tô fazendo. Qual que é a sua frase final pra essa pessoa? Cara, eu diria que você precisa fazer o essencial e isso ser inegociável.

O que que é o essencial? Cuidar a sua saúde. Inegociável. Se você tá se estragando,

A tua chance no longo termo é muito diminuída. Você precisa se informar. Você precisa estudar. Você precisa, na verdade, se desenvolver nas virtudes que a gente falou aqui. Essa é a busca mais... Talvez seja o resumo mais fácil das pessoas entenderem. Se você não está caminhando nesses quatro pilares aqui de coragem, justiça, temperança e sabedoria, você não está trabalhando toda a sua potencialidade. Ou seja, você não está sendo excelente. Logo, você não pode esperar

um resultado extraordinário. Agora, se você fizer tudo o que você tem que fazer e vai virando um jeito de ser, o ponto é esse. É um jeito de ser. Cara, eu não vou dizer que é fácil, porque o mundo é cheio de tentação e se fosse fácil, todo mundo faria e não teria diferenciação. Então, não é fácil. Mas é muito poderoso. Porque o jeito que você faz uma coisa é o jeito que você faz qualquer outra coisa. Qualquer outra coisa. É o seu hábito de fazer as coisas excelentes. A gente falou disso na semana. Então, cara, acho que o meu

A minha dica seria essa. Não é nem conselho, é uma dica. Cara, faça o essencial muito bem feito. Não se furte de trabalho duro. Não acha que as coisas têm que ser fáceis nem que você merece nada. Não merece nada. Pega a oportunidade e trabalha. O que tá na tua frente faz. É meio que simples, né? Mas não é fácil. Mestre, foi muito bom, hein? Boa. Obrigado. Adorei, adorei. Eu tenho certeza que todo mundo sai com essa cabeça de campeão fortalecida.

primeiro aqui na descrição tá todas as redes sociais do Fábio Gurgel acompanha ele, cara, direto posta mensagens sempre dividindo ali qual foi a reflexão do treino também trazendo muito conteúdo legal tá aqui na descrição as redes sociais do Fabião e obviamente você que tá assistindo o nosso podcast não deixa de se inscrever no nosso canal em todos os canais oficiais do Como Você Fez Isso tá vendo alguma plataforma de streaming no Spotify siga os canais do Como Você Fez Isso porque estamos crescendo

muito graças à sua audiência, nos configurando como um dos maiores podcasts do Brasil, graças à tua companhia. E, obviamente, te espero honestamente. A gente recebe muito depoimento legal, como, às vezes, um podcast contribuiu no seu objetivo, no seu resultado. Isso, para a gente, é muito transformador. Então, envia esse episódio para pessoas que você gosta, pessoas que estão se dedicando para um objetivo, pessoas que estão trabalhando para uma meta, trabalhando para um sonho, porque você tem a mentalidade do campeão,

aumentar, principalmente, cara, a batalha é mais dura que a gente vai enfrentar. Primeiro é na nossa cabeça, depois é na vida. Isso é uma lei. Então eu espero poder te ver num próximo episódio. Fica com Deus e te vejo na próxima. Tchau!